domingo, 21 de outubro de 2012

Sociedade da Grã-Ordem Kavernista - Sessão das 10 [1971]

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Por  Um Disco

Em 1971 chegou às lojas um disco diferente. Anárquico, cheio de vinhetas e com um senso de humor cáustico e crítico. Esculhambando televisão, classe média e o Brasil da novela. Os sambas que tem aqui são de uma natureza totalmente ímpar. Pelo tamanho que o Raul Seixas tomou poucos anos depois do lançamento deste LP em sua carreira solo e pela falta de resenhas circulando sobre este disco desde sempre, acabou ficando totalmente relegado à sombra. Muita gente fã de Raul não sabe deste disco.

Aqui se misturam samba, soul e rock, forró e jovem guarda. Tramado pelo então produtor de discos da CBS (filial brasileira da Columbia americana) Raul Seixas trazia os convidados Miriam Batucada, Edy Star e especialmente Sérgio Sampaio. Este capixaba que rende um postado só dele ao lado. As músicas são na maioria de Raul e Sérgio além de uma composição assinada por Antônio Carlos e Jocafi.

A primeira faixa abre com a primeira vinheta do disco: gritos de comemoração e música de circo anunciando o que viria: ” Respeitável público: a Sociedade da Grã-Ordem Kavernista pede licença para vos apresentar o maior espetáculo da Terra”. E então começa ”Êta Vida” parceria de Sérgio e Raul em que os dois dividem os vocais. O ouvinte já direto é capturado pelo tipo de poesia da dupla: uma estrofe para cada um e o Rio de Janeiro de fundo.

Na seqüência mais uma vinheta e o samba-canção ”Sessão das 10” na voz e no vibrato de Edy Star que anos mais tarde lançaria um LP glitter bem interessante. ”Fala flautinha matadeira…”

Segue uma das vinhetas mais nonsense do disco. Sobre uma basezinha jovem-guarda a banda toca o tema que poderia ser ”Runaway” ou ”Diana” e as vozes de Sérgio e Raul conversando: ”Ih rapaz hoje eu vi meu ídolo da juventude / Essas coisas já não me assustam mais as laranjas continuam verdes e… / Ih cara peraí não complica eu disse que vi meu ídolo da juventude / É amigo assim os discos voadores nunca irão pousar”.

Vêm ”Botar pra Ferver” o solo de guitarrada e o refrão ”Eu vou botar pra ferver no carnaval que passou”. Sérgio começa já lá em cima ”Quero ver o sol fervendo / no salão entediado / quero ver as menininhas no salão desarrumado / quero ver gente cantando na salão entediado / muita gente se aprumando no salão entediado” a estrofe de Raul praticamente refaz a de Sérgio.

Eis que chega a 4a faixa e adentra a cena o personagem Jorginho Maneiro e sua hilária vinheta. Podes crer. Depois ”Eu Acho Graça” outro excelente momento do grande Sérgio Sampaio. A métrica usado de tô-que-tô e tiq-tiq-teco-tecos é demais! Uma das melhores do disco com certeza.

Vale aqui uma ressalva sobre as vinhetas. Elas – no vinil, claro – não vêm separadas das músicas. É realmente a introdução do tema. Por isso a gente na hora de ripar o disco deixamos elas de novo ligadas.

Miriam batucada canta duas músicas neste disco. Primeiro a faixa 5 ”Chorinho Inconsequente” e depois ”Soul Tabaroa”. Excelente cantora que era, Miriam manda legal e é um dos destaques do disco.

Depois temos ”Quero Ir” com seus triângulos e excelente momento do batera. Depois de ”Soul Tabaroa” vem a vinheta do programa Brasa Viva e um Raul de novo na de ator.

”Aos Trancos e Barrancos” é a música neste disco para mim. Raul começa num tom confessional haha: ”Taí eu sou um cara que subiu na vida/ Morava no morro e agora moro no Leblon”. E aí manda um samba que é das coisas mais finas já feitas no Brasil. é pena que como o resto do disco seja tão pouco conhecido. Graças a bem todo mundo sabe quem. ”Eu não vou levando nosso leite / Troquei por um bilhete da roleta federal/ Eu vou pela pista do aterro / E nem vejo meu enterro que vai passando no jornal / Rio de janeiro você não me dá tempo de pensar com tantas cores sobre este sol / Pra que pensar se eu tenho o que quero / Tenho a nêga o meu bolero / A tv e o futebol”.

Depois pra acabar a balada lisérgica ”Eu não quero dizer nada” e o rock hendrixiano ”Dr. Paxeco”

A turma termina tudo com ”Finale”: uma puxada literal na descarga. A única vinheta que ganha título no LP.

Faltam os créditos dos músicos que arrebentam. Especialmente o guitarra e o batera. Uma pena.

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