segunda-feira, 15 de julho de 2019

Eumir Deodato - Samba Nova Concepção [1964]


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A1 Samba No Congo
A2 Adriana
A3 Estamos Aí
A4 Carnaval Triste
A5 Nanã
A6 Straits Of McClellan
B1 Capoeira
B2 Sonho De Maria
B3 Samba A
B4 Amor De Nada
B5 Coisa Nº 1
B6 A Morte De Um Deus De Sal

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Labirinto - Divino Afflante Spiritu [2019]

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Por Fabio Melo em Groud + Cast

Conheço o Labirinto tem pelo menos uns quatro anos para mais e sei o quanto eles se esmeram muito em trazer sempre o melhor resultado possível para suas canções. Iniciando com o post-rock, gradualmente foram abraçando o metal e pode-se dizer, sem nenhuma dúvida, que este disco representa o lado mais metal que a banda poderia abraçar.

Comparado com Gehenna, seu predecessor, Divino Afflante Spiritu é menos atmosférico e mais pesado, mais denso, com camadas de música e uma sonoridade que vai do sludge mais sujo ao psicodélico, em harmonias cheias de angústia e dor, que resumem a atmosfera dessas músicas. Este nome, aliás, não poderia ser mais interessante, pois trata-se também do nome da encíclica papal escrita pelo papa Pio XII, que pedia uma revisão da bíblia a partir de seus textos originais, não se valendo mais da tradução para o latim. Este nome, em tradução livre, significa “Inspirado pelo Espírito Santo” e este espírito traz à tona toda a série de pensamentos sombrios e tétricos. Destaca-se, mais do que nos álbuns anteriores, a percussão, que tem uma importância maior que as guitarras e ajudam a colocar todos estes elementos em harmonia.

Agnus Dei abre esta obra com uma bateria muito forte e também marca a participação de Elaine Campos nos vocais (ex-Abuso Sonoro e atualmente no grupo Rastilho)), cuja voz traz toda a violência do crust punk / hardcore, que lembra um bocado o Ragana, mas com mais velocidade e ódio. Os sinos dobram a marcam o começo da segunda faixa, Penitência, que tem uma forte presença de música psicodélica e se parece muito com o que foi apresentado no disco anterior, com toda a tristeza de uma música épica e majestosa. A presença do sludge fica ainda maior quando começa Eleh Ha Devarim, música que dá para sentir o peso das guitarras e da bateria, ambos dentro de escalas pouco convencionais, complexas, mas que não te exigem enquanto ouvinte para apreciar este som.

Demiurge é uma música com um ar mais atmosférico, para depois entrar com uma excelente combinação de instrumentos, com muito destaque para a sempre excelente bateria. É uma das faixas mais melódicas, com linhas mais diretas, mas não menos complexas e uma ambientação de sintetizadores que te transportam para uma viagem dentro do lado mais sombrio do ser humano. O momento de calmaria fica com Vigília e seus corais fantasmagóricos, servindo como introdução para Asherdu e seus solos de guitarra bem construídos, numa levada que te ambienta em um cenário de desespero e sofrimento. Para encerrar de forma monumental, a faixa-título Divino Afflante Spiritu resume e sintetiza muito bem todas as outras músicas, sendo a música mais triste, mais sombria e mais densa de todo o álbum, com uma intensidade que ao vivo deve ser algo para ser sentido enquanto se ouve, contando com uma oração no meio da música.

A produção ficou a cargo de Magnus Lindberg, guitarrista e percussionista do Cult of Luna, o que contribuiu bastante para a pegada mais melódica e épica. No geral, nota-se que, ao abraçar o metal como sonoridade, o grupo conseguiu atingir um grau de excelência que coloca todos eles no mesmo nível de grandes bandas internacionais. Divino Afflante Spiritu é acessível para quem não é um grande fã do post-metal, assim como também agrada quem procura por alguma coisa que fuja do convencional.


1. Agnus Dei
2. Penitência
3. Eleh Ha Devarim
4. Demiurge
5. Vigília
6. Asherdu
7. Divino Afflante Spiritu

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Sérgio Benchimol - Ciclos Imaginários [2007]

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1 Terral-II
2 Oregon Mountains
3 Daqui Prali
4 Deposis Da Praia
5 Shadow Valley
6 Ciclos

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Sérgio Benchimol - A Drop In The Ocean, An Ocean In A Drop [2004]

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Este é o primeiro trabalho da carreira-solo de Sérgio Benchimol, guitarrista, tecladista e saxofonista das bandas Semente e True Illusion. A banda que toca neste CD, formada por músicos com bagagem progressiva e jazzística, demonstra muito entrosamento e segurança na execução das músicas. O produção deste CD é um trabalho em conjunto de Sérgio Benchimol, David Ganc (que assina todos os arranjos de sopros e violoncelo) e Fabrízio de Francesco. A gravação e masterização foram feitas no Estúdio Overseas e a capa e o encarte são de autoria de Daniel Geller. 

Na verdade o CD começou a tomar forma em 2.001, quando Benchimol redescobriu composições antigas e começou a rearranjá-las com Ganc, logo após o reencontro dos mesmos para os show das bandas Semente e True Illusion no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, na ocasião das comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. 

O CD segue um conceito de dualidade herança da época do vinil), como já demonstra o título. Basicamente divide-se em duas partes. A primeira (o lado A) é um pouco mais “leve”, onde predom

inam piano e violão, com presença constante de bateria, flauta, violoncelo, percussão e oboé. O mellotron e o saxofone aparecem em alguns solos e bases. Vai até a oitava música. A segunda parte já é um pouco mais pesada, com uma fusão perfeita de rock e jazz. Guitarra, moog e saxofone juntam-se à bateria, com andamentos e compassos complexos, lembrando um pouco a escola britânica Canterbury dos anos 70, com leves toques de jazz. Enfim, o CD é uma fusão perfeita de rock, jazz, folk (atenção para 49a porta, com bandorim, flauta e guitarra) com espaço para alguns improvisos. 


1 Terral
2 Jonelas Do Ceu
3 Memorias De Viagens
4 Bamibdar
5 Toca Da Cigarra
6 Bossa Rio Jazz Walz
7 Jardim Dos Delicias
8 Maracatu
9 Maria
10 The Hunt
11 Falling Times
12 Exodus
13 A Drop In The Ocean
14 A Rocha E O Mar
15 Unpack Bagus
16 Estrelas Do Amanhecer
17 49 Porta
18 Carrossel
19 The Last Call

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Meireles e Os Copa 7 - Tropical [1969]

Mega .flac

A1 Sombrero Sam
(Charles Lloyd)
A2 Taboo
(Margarita Lecuona)
A3 The Jody Grind
(Horace Silver)
A4 Fuego
(Donald Byrd)
A5 Barefoot Sunday Blues
(Ramsey Lewis)
B1 The Gringo
(Horace Silver)
B2 Tropical
(J. T. Meirelles)
B3 Poinciana
(Buddy Bernier, Nat Simon)
B4 On Green Dolphin Street
(Kaper, Washington)
B5 Summertime
(Dubose Heyward, George Gershwin)

domingo, 23 de junho de 2019

Meirelles e Os Copa 5 - Esquema Novo [2005]

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Por Luiz Fernando Vianna em Folha de S. Paulo

Atento às invenções, J.T. Meirelles renova seu som histórico

João Theodoro Meirelles tinha apenas 23 anos quando fez para o primeiro disco do então Jorge Ben, "Samba Esquema Novo", alguns arranjos, entre eles o de "Mas que Nada", uma das músicas brasileiras mais gravadas no mundo. Hoje, 42 anos depois, ele lança o CD "Esquema Novo" para evocar o momento histórico e, como o título deixa claro, mostrar que está sempre se renovando.

"É diferente daquela época porque agora existem outros ritmos, outros instrumentos, o piano elétrico, e eu utilizo tudo isso", diz J.T. Meirelles, saxofonista, flautista, compositor e um dos criadores do samba jazz. Sua capacidade de avançar sem deixar de ser fiel às invenções de quatro décadas atrás fica clara na faixa-título, em que dá uma roupagem funk à famosa introdução de "Mas que Nada".

O mesmo pode-se dizer de "Aboio", "Solo", "Neurótico", "Quintessência", temas seus que ele já tinha gravado ou que constam de discos de parceiros de samba jazz, como o baterista Edison Machado e o pianista Sérgio Mendes, que em 1964 registrou "Neurótico" ao lado do Bossa Rio.

"Esse disco [de Mendes] tem aquele famoso subtítulo: "Você ainda não ouviu nada!". E não dá para ouvir nada mesmo, porque o Sérgio, como queria tocar em rádio, só deixou os músicos fazerem uns solos curtos", afirma ele, que em todas as 12 faixas abre espaço para improvisações.

Meirelles é muito sincero no jeito de falar, talvez por não ter muito a perder. Com os arranjos que fez nos anos 60 e os discos "O Som" (64) e "O Novo Som" (65), poderia ter se consagrado. Mas acabou ficando em segundo plano na história da bossa nova.

Em 2001, foi redescoberto tocando na loja de discos Modern Sound, no Rio, e reengrenou a carreira. A Dubas relançou em CD seus dois discos clássicos e gravou um novo "Samba Jazz!!" (2002). "Resolvi assumir minha porção de músico instrumental brasileiro e botar meu time em campo, senão ia ficar tocando em barzinho por dez merrecas. Em relação ao que era, minha profissão acabou", diz ele, que toca este fim de semana no Sesc Pompéia.

Mas as palavras enganam. Meirelles gosta muito de fazer shows, e muito dos arranjos que executa em "Esquema Novo" são frutos de suas apresentações, como os de "Vera Cruz" (Milton Nascimento) e "Casa Forte" (Edu Lobo). Recriou "Naima", de John Coltrane, acrescentando trompete e mais leveza à versão original.

Sua constante renovação também está nos músicos que o acompanham. Por trás da marca Copa 5, como sempre batizou seu conjunto, hoje estão artistas bem mais jovens que ele. O grande som de Meirelles é sempre um novo som.



1 Asa Delta
2 Aboio
3 Esquema Novo
4 Vera Cruz
5 Kary E Oka
6 Céu E Mar
7 Naima
8 Solo
9 Neurótico
10 Capitão Do Mato
11 Casa Forte
12 Quintessência

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Meirelles e Os Copa 5 - Samba Jazz!! [2002]

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1 Pinta Lá
2 Beco do Gusmão
3 Senzala
4 Copa 5
5 Mandinga
6 Última Página
7 Não Tem Caô
8 Sudeste
9 Samba Jazz
10 Lembranças

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Camille Claudel - Angústia [2019]

Link oficial


Por Mário Alencar

A atmosfera clássica no shoegaze de ''Angústia'', o 2o disco da banda Camille Claudel, de Volta Redonda (RJ). Reverbs lado a lado de delays, chorus, formando mil paredes de fuzz que ultrapassam os vocais ecoando sussurros em português. 

Camille Claudel é a junção do que é o post-rock atual com o shoegaze ''dazantigas'', ou o shoegaze que poucos realmente conhecem: Flying Saucer Attack, Astrobrite, Lilys, sem esquecer que Camille Claudel também é noise pop em algumas passagens, como a ''doce trip'' introspectiva de ''Mais um Cigarro'', vai fazer com que você recorde sim de My Bloody Valentine, Cocteau Twins, Slowdive. 

O EP que compõe 5 faixas com letras existenciais abordando os temas morte, solidão e esquecimento, horas noise, horas post-rock, horas dream pop, até um clima de post-metal vai entrar nesses ares, conhecem Jesu?! Nas faixas mais longas, como a que leva o nome do disco, inicia-se numa introdução suave e melancólica sem desligar os pedais de distorções que logo mais a canção entra num estado de raiva e insanidade e assim, ela retorna para o seu berço pleno, que chama a atenção do ouvinte convidando-o para dançar consigo mesmo ao belo coro que diz: ''No último dia, o seu peso era tão leve - Eu te carreguei e te deixei lá sozinha'' enquanto que uma batida firme e marcante leva ao fim do registro. 

''Angústia'' marcará uma era no cenário do ''rock triste com guitarras à frente de tudo''. É um EP que te provoca arrepios e calafrios numa madrugada intensa, analisando num contexto poético da coisa! 

A banda é formada por Frederico Griman (Guitarra e vocais), Luiza Griman (Contrabaixo), Túlio Freitas (Bateria) e Rafael Inácio (Guitarra), e merecem os méritos pelo trabalho em ''Angústia''; com certeza deixarão um legado nesses tempos de hoje da música subterrânea e artística. 


1. Imundice
2. Mais Um Cigarro
3. Outra Mente
4. Caracol
5. Angústia

terça-feira, 11 de junho de 2019

Kingargoolas - Dr. Gori Is A Tiki [2018]

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Surf music direto de Guarapuava/PR.


1. Dr. Gori is a Tiki
2. O Álibi De Abnadabe
3. Redemption Road
4. Gimme Gamma Ray

segunda-feira, 10 de junho de 2019

The Mullet Monster Mafia - I - И - F - E - R - И - O [2019]

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Aquele surf music que eu respeito.


1. Speed Surfing Demons
2. Porno Diesel
3. Dust Rain
4. Goats Eyes
5. Viciado
6. Milestone
7. Zorch X-99
8. A Revolta Dos Mandis
9. Black Coffin Board
10. Surfing Punk Zombies
11. Fishwater Cataia
12. O Ataque Das Muié Abêia
13. I.N.F.E.R.N.O.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Os Replicantes - Histórias de Sexo & Violência [1987]

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Dois fatos curiosos sobre esse álbum. Esse é o primeiro registro da banda em que há composições de Wander Wildner. E segundo o wikipédia a canção Adultera sofreu censurada antes de ser lançada, fazendo que fosse gravada somente o refrão da música. O Relicário do Rock Gaúcho disponibilizou a letra:

Você Mulher solteira
Só pensa em se casar
Ter um pênis só para si
Constituir um lar

Adúltera, adúltera, adúltera, adúltera

De dia lava louça
De noite quer trepar
Seu homem está cansado
De tanto trabalhar

Adúltera, adúltera, adúltera, adúltera




A1 Chernobil
(Heron Heinz, Wander Wildner)
A2 Sandina
(Jimi Joe)
A3 África Do Sul
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
A4 Mistérios Da Sexualidade Humana
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
A5 Adúltera
(Zico)
A6 Sexo E Violência
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
A7 Passageiros I
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)
B1 Astronauta
(Carlos Gerbase, Wander Wildner)
B2 Festa Punk
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
B3 Nicotina
(Claudio Heinz)
B4 Amor Eu Preciso
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
B5 Tom & Jerry
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
B6 Mentira
(Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)
B7 Passageiros II
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Os Replicantes - O Futuro É Vortex [1986]

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Por Ugo Medeiros em Coluna Blues Rock via #collecctors_

O punk, acima de tudo, é uma forma de protesto. Diferentemente do estilo dylaniano, letras recheadas de críticas ao sistema aliadas à simplicidade musical característica ao folk, o punk usa o sarcasmo como principal ferramenta. Fugindo do arquétipo panfletário, que o rebaixou a mero contestador político-partidário, esse estilo teve suma importância social desde a sua primordial criação por bandas como MC5 e Stooges. A forma era simples: perturbar e cutucar o inimigo com vara curta à base de muito escárnio e fanfarronice. 

Passaram-se os anos e o estilo ganhou uma estética própria. O mundo se distraia com a Guerra Fria, mas a juventude estava mais interessada nos Ramones, Hüsker Dü, The Undertones ou Black Fag.

Apesar da década de oitenta ter sido, até então, a mais tranquila dos últimos trinta anos, a crise política (final da ditadura militar brasileira) e econômica (a famosa “década perdida”) tornavam a produção cultural brasileira um tanto esquizofrênica. Uma militância política parasitando as artes assolava e tirava toda a pureza das obras. Fosse um texto, uma encenação teatral ou musical, era necessário ter um elo político. O mercado da “produção cultural” viu que discursos e ideologias políticas vendiam bem, logo, bastava apenas "colocar trancinhas" para esconder o aspecto natural de Nosferatu.

Evidentemente, isso também influenciou o punk. Apesar do atraso de quase dez anos, o estilo chegou ao Brasil e de imediato consolidou uma das escolas mais significativas desse estilo. O movimento que começou em São Paulo logo ganharia reconhecimento por todo o território nacional. Se por um lado havia bandas com fortes vínculos com órgãos políticos (PT, CUT, MST, entre outros), havia aqueles que, ainda, tentavam mostrar o quão frustrante era esperar algo via encenação política. Nesse contexto, Porto Alegre dava a luz aos Replicantes, em 1983.

A formação inicial, e considerada clássica, contava com Carlos Gerbase (bateria), Wander Wildner (vocal), Cláudio Heinz (guitarra) e Heron Heinz (baixo). Após gravar um EP pelo selo Vortex com apenas quatro canções, "Rock Star", "O Futuro é Vortex", "Surfista Calhorda" e "Nicotina" – essas duas últimas tornando-se hits na rádio Ipanema - o grupo fez estrondoso sucesso na capital gaúcha.

O próximo passo seria um LP. O trabalho trazia muita expectativa, pois seria a oportunidade da banda mostrar que tinha calos o suficiente para se consolidar na cena roqueira nacional. O Futuro é Vortex (RCA) chegou às prateleiras e, consigo, trouxe novos ares que oxigenaram o processo criativo e a própria concepção do indivíduo e do movimento “punk”. O disco começa bem. "A Verdadeira Corrida Espacial" fala sobre os rumos que a humanidade escolhe. Ao escutar essa faixa, temos uma certeza: os sortudos pegarão o primeiro vôo para fora deste planeta, enquanto que os fodidos permanecerão nesse caos rotineiro a espera do juízo final (e claro, nesse meio tempo, tomando ferro!).

"Boy do Subterrâneo" traz um dos maiores medos da Guerra Fria, a possível guerra nuclear. Meu amigo, também geógrafo, Francisco Antunes, já chamara a minha atenção sobre a quantidade de bandas daquela época que exploravam esse tema. Alguém já parou para pensar aonde e o que fazem atualmente os cretinos da censura? Por onde anda a pessoa do Governo Militar que selecionava e carimbava as obras permitidas? Censor é uma reflexão sobre a apatia cultural causada pela repressão. Como a dita liberdade garantiu menos uma produção cultural rica em qualidade do que apenas em quantidade, acredito que esse “trabalhador” continuou mandato após mandato e, hoje, deve ocupar algum cargo no governo Lula. Ele mostra que se tem fidelidade apenas à quem assina o contracheque e que a palavra, e não o estado de coisa, “liberdade” foi apenas mais uma concessão do Estado. Teoria da conspiração? Foda-se, isso aqui é uma resenha de punk!

A agulha continua gritando em "Ele Quer Ser Punk" e "Hardcore", duas faixas curtas, entretanto bem diretas. O bom e velho rock’n’roll ressurgindo em uma terra onde ser roqueiro é ser “menos brasileiro”. "Hippie-Punk-Rajneesh" é uma das letras mais inteligentes do rock nacional e fala das diversas fases que um cara apaixonado passou ao longo da vida.

"Motel de Esquina" e "Mulher Enrustida" falam sobre mulheres. Na verdade, trazem letras bem lúcidas que representam tudo o que os homens sempre quiserem falar: apesar do nhe-nhe-nhé feminino, no fundo elas querem apenas sexo. Atualmente, tais composições seriam alvos do movimento feminista, resultando em ação judicial e ato público contra a banda.

A música homônima ao disco, "O Futuro é Vortex", mantém a pegada das anteriores. Porque não é praticamente um “selo de qualidade punk”. Em pouco mais de um minuto, o quarteto, finalmente, fala a verdade a respeito da música brasileira: “Agora eu sei qual é a deles. Já peguei no pé do Gil. Eu quero que o Caetano vá pra PUTA QUE O PARIU. (...) O Gismonti é um chato tô cansado de saber, o Chico era um velho mesmo antes de nascer. (...) O samba me da asma bossa nova é de fuder, prefiro tocar bronha e punkar até morrer”. Finalmente criou-se coragem para criticar os queridinhos da "intelectualidade" tupi repleta de brasilidades ...

O melhor fica reservado para o final. "Surfista Calhorda" é uma marca registrada dos Replicantes, um dos seus maiores sucessos. A moral dessa história de apenas três minutos e meio (a mais longa) é que sempre há um otário se achando o "rei da cocada preta". 

E por último, mas nem por isso a menos importante, "Festa Punk", um dos maiores hinos do punk tupiniquim. Impossível escutar e não se lembrar dos áureos tempos de “rodinhas”.

O Futuro é Vortex é um trabalho de importância ímpar para o rock nacional. Letras diretas, músicas curtas, o melhor da pegada punk e o mais ácido humor dão forma a essa obra seminal.

Escutar e divulgar o começo de carreira dos Replicantes é um exercício necessário para manter vivo a maior criação do homem: o rock!



A1 Boy Do Subterrâneo
(Gerbase, Heron)
A2 Surfista Calhorda
(GerbaseHeron)
A3 Hippie-Punk-Rajneesh
(GerbaseHeron)
A4 One Player
(Gerbase, Claudio)
A5 A Verdadeira Corrida Espacial
(Gerbase, Claudio)
A6 O Futuro é Vórtex
(GerbaseHeron)
B1 Choque
(GerbaseHeron)
B2 Ele Quer Ser Punk
(Claudio, Heron)
B3 Motel Da Esquina
(Claudio)
B4 Mulher Enrustida
(ClaudioHeron)
B5 Hard Core
(GerbaseHeron)
B6 O Banco
(Heron, Luli)
B7 Censor
(GerbaseHeron)
B8 Porque Não
(Gerbase, Claudio, Heron)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Os Replicantes [1985]

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Heron Heinz - baixo
Carlos Gerbase - bateria
Claudio Heinz - guitarra
Wander Wildner - vocal


A1 Nicotina
(Claudio Heinz)
A2 Rockstar
(Claudio Heinz)
B1 O Futuro É Vortex
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
B2 Surfista Calhorda
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Matanza Inc - Crônicas do Post Mortem Guia Para Demônios & Espíritos Opressores [2019]

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O Matanza volta há ativa, depois da troca do vocalista e do próprio nome da banda, com novo álbum de inéditas.


Vital Cavalcante - vocal
Dony Escobar - baixo
Jonas Cáffaro - bateria
Marco Donida - guitarra
Maurício Nogueira - guitarra


1. Guia para Demônios e Espíritos Obsessores
2. Seja o Que Satan Quiser
3. Lodo no Fundo do Copo
4. O Elo Mais Fraco da Corrente
5. As Muitas Maneiras de Arruinar Sua Vida
6. Péssimo Dia
7. Tudo de Ruim Que Acontece Comigo
8. Para o Inferno
9. Chumbo Derretido
10. A Cena do Seu Enforcamento
11. Pode Ser Que Eu Me Atrase
12. Memento Mori Blues

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Boogarins - Sombrou Dúvida [2019]

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“Sombrou Dúvida” é uma pergunta. Um jogo de palavras. É uma contração de "Sombra ou Dúvida", o primeiro single do álbum. Pode parecer que há algo de obscuro na pergunta, já que ambas as opções não são exatamente alegres. No entanto, Dinho (vocal e guitarra), nos diz que a sombra se refere a um sentimento relacionado à sua zona de conforto, enquanto a dúvida é a incerteza que leva as pessoas a seguirem seus instintos.


Benke Ferraz - samples, guitarras
Dinho Almeida - guitarras e vocal
Raphael Vaz -baixo e synth
Ynaiã Benthroldo - bateria


1. As Chances
2. Sombra Ou Dúvida
3. Invenção
4. Dislexia Ou Transe
5. A Tradição
6. Nós
7. Tardança
8. Desandar
9. Te Quero Longe
10. Passeio

terça-feira, 21 de maio de 2019

Necro - Pra Tomar Chá [2019]

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Necro está de volta com esse EP esbanjando stoner e pysch rock.


1. Pra Tomar Chá
2. Rojão

Lillian Lessa - baixo, vocais
Pedro Salvador - guitarra, teclado, flauta, vocais
Thiago Alef - bateria, percusssão, vocais

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Tim Maia [1979]

 
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Por Tiago Ferreia em Na Mira do Groove

“Boogie Esperto” abre o disco dando a impressão de ser uma espécie de continuação da fase que veio com o álbum anterior. Os naipes de metais fortes com a bateria acelerada oferecem o arsenal perfeito para se equiparar a um James Brown (claro que muito disso deve ser creditado à excelente Banda Black Rio, que mais uma vez acompanha Tim Maia). Essa estética faz uma ponte com seu estilo romântico, coisa que o Síndico já emenda em “Eu Só Quero Ver”, com arranjos do jovem Lincoln Olivetti, que também toca teclados – e tornou-se um de seus maiores parceiros musicais. Em “Canção Para Cristina”, Tim Maia diz voltar a ter vontade de amar – um sentimento comum a um homem que está chegando aos 40. “Vou Com Gás” funciona como uma sequência de “Sossego” – a instrumentação é bem parecida. Talvez pelo grande sucesso do single, Tim Maia aproveitou a levada, uma pequena homenagem ao estado de Minas Gerais. O álbum funciona bem mas, equiparado à explosão de Tim Maia Disco Club, é apenas uma molécula. Esqueça qualquer comparação, e você vai se entregar à bela “Pra Você Voltar” e ao boogie poderoso de “Para Com Isso” (obrigatória em festas revival) como se estivesse em um baile dos anos 1980.


A1 Boogie Esperto
A2 Eu Só Quero Ver
A3 Vou Com Gás
A4 Pra Você Voltar
A5 Geisa
A6 Vou Correndo Te Buscar
B1 Lábios De Mel
B2 Reencontro
B3 Foi Para O Seu Bem
B4 Canção Para Cristina
B5 Pára Com Isso
B6 Garça Dourada

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Jorge Ben - Negro Lindo [1971]

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Por Danilo em Oganpazan

JORGE BEN, TRIO MOCOTÓ & ARTHUR VEROCAI EM NEGRO É LINDO (1971)


JORGE BEN, TRIO MOCOTÓ & ARTHUR VEROCAI EM NEGRO É LINDO, PRODUZIRAM UMA PEÇA SINGULAR NA OBRA BENJORNIANA, DE LETRAS/ARRANJOS SENSACIONAIS!


Jorge Ben é um dos pilares mais importantes da música popular feita no Brasil pós-Bossa Nova, dono de uma inventividade incrível e que trouxe tons muito singulares a nossa música. Unindo um ataque violento, inovador e insinuante no violão a composições herdeiras da complexa simplicidade do samba. Suas composições talvez se caracterizem por um simplicidade unida a temas alienígenas, excêntricos ao que comumente se produzia no samba. Aliando por vezes uma abordagem diferente a assuntos comuns e em outros momentos inaugurando “letras” de um ineditismo total. Suas composições passeiam por temas como: amor, auto afirmação racial, temas cotidianos e lembranças da infância suburbana, mas também a filosofia de Santo Tomás de Aquino, Dostoievski, Alquimia, personagens históricos, futebol, mulheres.

Admirador do rock’n roll e da bossa nova, Jorge Ben estreia com Samba Esquema Novo em 1963, um disco que é ao mesmo tempo um herdeiro e destruidor da veia cool buscada pela tchurma de Copacabana. A força do seu ataque ao violão e seu balanço torto a essa altura só encontrou pares na turma do Beco das Garrafas e o seu samba jazz, com JT Meireles e os Copa Cinco. Tendo imprimido essa micro revolução na música brasileira em seu album de estreia e ao mesmo tempo alcançando amplo sucesso, o artista nunca se acomodou. Passeando por diversos gêneros e turmas da MPB, da Bossa Nova à Jovem Guarda, sendo também incorporado pelos Tropicalistas, Jorge Ben é das poucas figuras da música brasileira, senão a única, a ser admirado, gravado e a ter participado dos três movimentos nesta época. Talvez uma de suas principais características seja justamente essa leveza, entrando e saindo de todas as estruturas com sua liso como um ponta de lança.

Depois de uma estreia acachapante, pulamos para 1968, um ano após o lançamento de O Bidu – Silêncio No Brooklin (1967) época em que Jorge colou por São Paulo e com sua veia irreverente tentou o que chamou de Jovem Samba, adaptação benjorniana da Jovem Guarda. E foi nesse período que o Babulina (apelido dado por seu canto de Be Bop A Lula) de rolê por São Paulo, conheceu o Trio Mocotó na boate Jogral, point da night paulistana na época.

Grupo formado – estranhamente formado diga-se de passagem – por Nereu Gargalo (pandeiro), Fritz Escovão (piano, violão e cuíca) e Joãozinho Parahyba (bateria), os caras possuem (ainda estão na ativa) uma das formações rítmicas mais interessantes e inventivas já surgidas nas Universidade das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Logo um ano após esse encontro singular Jorge Ben & Trio Mocotó já estavam defendendo, em um Maracanãzinho lotado, o clássico Charles Anjo 45 no Festival Internacional da Canção.

Dessa parceria que muitos consideram a melhor da carreira do Jorge Ben, nasceriam três discos oficiais Jorge Ben(1969), Força Bruta(1970) e Negro é Lindo(1971), além do disco ao vivo lançado apenas no Japão On Stage in Japan (1972). Talvez seja possível afirmar que é nesse período de sua carreira que o cantor, compositor, instrumentista e arranjador forjou seu estilo mais pleno, seja como letrista mas também como instrumentista. Sua inquietude fez com que sua herança roqueira aflorasse durante esse período e talvez justamente pelo encontro com o Trio Mocotó, tornou o seu violão um instrumento rítmico, com uma pegada que ficou conhecida como samba-rock.

Até então Jorge Ben já tinha trabalhado com arranjadores da estirpe de um JT Meirelles, Maestro Gaya, Trio Luiz Carlos Vinhas, José Briamonte e Rogério Duprat, mas não sem motivos resolveu escalar um jovem arranjador, com pouca experiência profissional. Faziam apenas 3 anos desde que Arthur Verocai tinha abandonado o curso de Engenharia Civil para se dedicar profissional e integralmente a música. Mas apesar do pouco tempo como arranjador ele já trazia no currículo excelentes trabalhos. Arranjos para o disco Ivan Lins, Agora (1971), mas também tinha trabalhado com Erasmo Carlos em Carlos, Erasmo (1971), além de ter também arranjado Elizeth Cardoso, Gal Costa, Quarteto em Cy, MPB-4, Célia, Guilherme Lamounier, Nélson Gonçalves e Marcos Valle. Além disso, vinha desde os anos 60 compondo canções para diversos artistas e participado como autor festivais da época. 

Apenas um ano antes de lançar uma verdadeira obra prima – Arthur Verocai (1972) - o maestro se junta a Jorge Ben & Trio Mocotó para o delicioso disco que fechará com chave de ouro essa fase do artista. E é a partir dessa tríade que tentamos entender por que Negro é Lindo(1971) se fez um disco tão singular dentro da carreira de Jorge Ben.

Em um disco que se chama Negro é Lindo, Jorge Ben abre os trabalhos com uma linda homenagem a Rita Lee, mulher branca e loira. Uma prova inconteste de que o panfletarismo tão em voga nessa década nunca foi a praia dele e de que seja em aspectos ideológicos ou musicais, a transmutação e a mudança sempre foram valores importantes em sua mente. “Rita Jeep” abre o disco inclusive destoando também de uma certa linha musical que encontramos ao longo da bolacha, com os ricos arranjos de cordas servindo ao ritmo.

Dentro de suas composições, as vezes de forma bem humorada e muitas vezes abrindo mão de uma certa lisergia que fez parte de suas composições desde o advento do seu encontro com o Trio Mocotó, Jorge Ben compôs lindas canções sobre questões existenciais. E “Porque é Proibido Pisar na Grama” é a ode máxima a esses aspectos, podemos inclusive entendê-la como uma continuação da linda “Descobri Que Sou Um Anjo”, presente no disco de 69. Jorge Ben utilizou imagens recorrentes em suas composições, ora citando trechos de suas próprias músicas ora buscando continuações temáticas e aqui temos uma prova desse último procedimento: “Descobri que além de ser um anjo, eu tenho cinco inimigos“.

Aqui já podemos perceber a forte e doce mão dos arranjos de Verocai com a inserção de uma belíssima orquestração colocada como contraponto e ao mesmo adorno ao ritmo insinuante do Trio Mocotó e ao violão soberano do Ben. A melodia e a harmonia da composição orquestral casando perfeitamente com o tom de questionamentos existenciais, criando uma espécie de drama musical. Descobrindo que é um anjo, que precisa ser mais durão, mas que quer saber também porque é proibido sentir a maciez de um gramado, Jorge Ben adianta a música seguinte, criando um nexo com o personagem abordado a seguir.

Hoje, Muhammad Ali é em sua inteireza como homem e atleta um símbolo enorme e fortemente associado às qualidades éticas e estéticas do povo negro em diáspora. Seu corpo, sua fala, sua malandragem, mas também seus posicionamentos políticos encarnaram uma série incrível de características da cultura negra e passaram a influenciar pessoas, movimentos políticos e sociais, e também as artes. Em “Cassius Marcelo Clay”, Jorge Ben em parceria com Toquinho, capta isso em sua poesia com a genialidade que lhe é peculiar e com uma agudez que denota o quanto ele estava atento ao movimento dos direitos civis nos E.U.A.

Um herói negro, sucessor de heróis brancos, fantasiosos e porque não? representantes do status quo racista americano. Se hoje Ali é visto como um precursor do Spoken World e do Rap, Jorge Ben associa-o em seus espetáculos no ringue à cadência das escolas de samba e aos esquemas táticos do futebol. Mostrando que um corpo negro é pensamento e ritmo, logo arte, assim como Resnais & Marker constataram em Les Statues Meurent Aussi 1953. E meus amigos. que violão é esse que só o samba rock do mestre nos pode dar? Novamente aqui acompanhado de cordas porém, dessa vez sem a percussa do Trio Mocotó, com exceção de um solo de atabaque.

Outra grande qualidade da sua música é a forma como e o quanto cantou as mulheres, alcançando em 10 anos pelo menos algo próximo de uma centena de canções, com os mais diversos enfoques. Nomeando-as, localizando-as racialmente, construindo uma obra dentro da obra, que é um belo panorama das mulheres brasileiras. Só aqui nesse disco, das dez canções presentes, metade são sobre mulheres. Loiras, morenas e negras, Rita Jeep, Cigana e Zula, lembro com exatidão do meu amigo Adílio, o responsável por me apresentar o conjunto da obra do Ben, galanteador todo, sempre encontrando os tipos femininos do Jorge nas cocotas que víamos na rua.

Apesar do óbvio lugar de fala do qual emitia suas poesias ser o de um homem negro e assim carregar algum machismo, em geral suas músicas são lindas homenagens. “Cigana” possui um tom mais brejeiro, de elogios doces, promessas de amor e de espera, calhando muito bem com o andamento cadenciado e o os backing vocals femininos de fundo. Uma tristeza não saber o nome de muitos músicos e nem das meninas que aqui cantam. Já “Zula” tipifica uma mulher brasileira de origem Zulu, e a construção dos elogios pode ser lido num recorte racial muito interessante. Ben canta: “É impossível imaginar, tudo que essa nega merece, tudo que essa nega tem, tudo que essa nega promete“. Se por um lado é possível entender como um verso de fundo sexual, dada a temática do disco e a sempre elegante maneira de se referir ás mulheres, é possível entender também como uma exaltação da mulher negra brasileira.

Algo que pode ser reforçado pela faixa seguinte e que dá título ao disco: “Negro é Lindo”. De formação católica mas de evidente origem africana, sua mãe é etíope, Jorge Ben procede num estranho sincretismo em sua obra. A música que traz em seu bojo uma das frases de afirmação do movimento de direitos civis americano e dos Black Panthers: Black is Beautiful, é aqui atualizada a nossa realidade. Com referências a Zambi, ao nosso Preto Velho, Dandara e falando ao final da canção em Mbundu, temos uma sinal bastante claro de respeito a uma das culturas que compõe nossa herança africana e as lutas históricas do povo negro brasileiro. Uma das canções mais significativas da obra do mestre Ben e uma pedra de toque do disco aqui em questão. Outra das maravilhosas e engenhosas participações singulares do Arthur Verocai com sua mão orquestral.

E como acima dissemos, Jorge Ben tem uma farta quantidade de canções de afirmação racial e seria de se esperar que num disco que se chama Negro é Lindo, tivéssemos apenas variações sobre o mesmo tema. Mas ao produzir essa afirmação, ele incorpora a diferença como traço distinto de alteridade e vem em seguida com “Comanche”, tribo indígena da América do Norte. Novamente, uma tristeza não saber quem comanda o trompete alucinado ouvido nessa canção. Porque além da swingueira do Nereu, Escovão e do Parahyba segurando o groove com um excelência absurda, umflugelhorn literalmente duela durante toda a música com o órgão comandado (imaginamos) por Fritz Escovão. 

Sua segunda parceria com Toquinho presente nesse mesmo álbum e num momento onde o próprio Jorge Ben compunha todo o material que gravava, se transformou em um de seus maiores sucessos. “Que Maravilha” foi lançada originalmente em 1969 e é um dos muitos exemplares de músicas do Ben que foram regravadas por deus e o mundo, e a versão presente neste disco é a nossa preferida. Num bolerão de arranjos e execução que nos lembram um bar enfumaçado numa noite solitária, apenas a cerveja a esquentar na mesa enquanto lembramos do nosso amor. Em contraposição com a letra que descreve uma cena de dois amantes se encontrando alegremente em meio ao caos urbano durante um dia de chuva, mas com um ar ensolarado presente na felicidade expressa na canção. Simplesmente um clássico completo e absoluto.

O disco termina com um par de canções sobre mulheres e o amor gigantesco que Jorge Ben dispensa a todas elas. Um amor que pode encontrar nessa imagem seu equivalente para todos os casos de Bebete a Jesualda, de Dorothy á Domenica, de Gabriela à Lorraine:

“Os ramos ultrapassantes/ E as raízes invadentes/ Do meu coração/ Percorrem com carinho/ Com uma velocidade ilimitada de afirmação/ De como é grande o meu amor por você.”

Outros dois exemplos lindos, do que essa trinca Jorge Ben, Trio Mocotó & Verocai puderam produzir, a louvarem o amor pela música, a preocupação com a criação e sobretudo a uma certa noção de entendimento do que seja o humano. A beleza e a força das composições, dos arranjos dessa obra de arte que toma a afirmação da beleza negra para alcançar as diferenças, pensando a noção de alteridade como algo supremo nas relações e chegando assim ao humano. O reconhecimento do outro em sua diferença mesma, como aspecto principal do nosso conviver, a ideia de que o negro é a soma de todas as cores, sem recair num amor vazio pela Humanidade, nem na anulação da luta racial, com a plena consciência da historicidade nas relações de opressão. Um disco bonito, mais uma das obras primas compostas por esse verdadeiro gênio máximo da música brasileira e mundial.


A1 Rita Jeep
(Jorge Ben)
A2 Porque É Proibido Pisar Na Grama
(Jorge Ben)
A3 Cassius Marcelo Clay
(Jorge Ben, Toquinho)
A4 Cigana
(Jorge Ben)
A5 Zula
(Jorge Ben)
B1 Negro É Lindo
(Jorge Ben)
B2 Comanche
(Jorge Ben)
B3 Que Maravilha
(Jorge BenToquinho)
B4 Maria Domingas
(Jorge Ben)
B5 Palomaris
(Jorge Ben)

terça-feira, 7 de maio de 2019

Itamar Assumpção - Intercontinental! Quem Diria! Era Só O Que Faltava!!! [1988]

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A1 Sutil
(Itamar Assumpção)
A2 Adeus Pantanal
(Itamar Assumpção)
A3 Pesquisa de Mercado I
(Itamar Assumpção)
A4 Oferenda
(Itamar Assumpção)
A5 Sexto Sentido
(Itamar Assumpção/Ricardo Guará)
A6 Pesquisa de Mercado II
(Itamar Assumpção)
A7 Ouça-me 
(Itamar Assumpção/Alice Ruiz)
A8 Maremoto
(Itamar Assumpção)
A9 Não Há Saídas
(Itamar Assumpção/Regis Bonvicino)
B1 Mal Menor
(Itamar Assumpção)
B2 Zé Pelintra 
(Itamar Assumpção/Waly Salomão) 
B3 Perdidos nas Estrelas 
(Itamar Assumpção/Arrigo Barnabé)
B4 Parece Que Foi Ontem
(Itamar Assumpção)
B5 Homem-mulher
(Itamar Assumpção)
B6 Ausência 
(Itamar Assumpção/Ademir Assunção)
B7 Filho de Santa Maria
(Itamar Assumpção/Paulo Leminski)
B8 Pesquisa de Mercado III
(Itamar Assumpção)
B9 Espírito Que Canta 
(Itamar Assumpção/Paulo Tovar)

quinta-feira, 2 de maio de 2019

O Terno - <atrás/além> [2019]

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<atrás/além> é o quarto e mais recente álbum de estúdio da banda brasileira O Terno. O disco, que segue o aclamado lançamento de 2016 "Melhor do Que Parece", traz 12 composições inéditas e experimentações musicais que mostram um novo caminho para a banda. Lançado pelo selo RISCO, é repleto de arranjos orquestrais que somam o som do trio, formado por Tim Bernardes, Biel Basile e Guilherme d'Almeida, além de apresentações especiais de Devendra Banhart e Shintaro Sakamoto.


1. Tudo Que Eu Não Fiz
(Tim Bernardes)
2. Pegando Leve
(Tim Bernardes)
3. Eu Vou
(Tim Bernardes)
4. Atrás / Além
(Tim Bernardes)
5. Nada / Tudo
(Tim Bernardes)
6. pra sempre será
7. Volta e Meia
(Tim Bernardes)
8. Bielzinho / Bielzinho
9. O Bilhete
(Tim Bernardes)
10. Profundo / Superficial
(Tim Bernardes)
11. Passado / Futuro
(Tim Bernardes)
12. E no Final
(Tim Bernardes)

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Odair José - Hibernar Na Casa das Moças Ouvindo Rádio [2019]

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Trigésimo sétimo disco da carreira de Odair José, um dos artistas mais populares do Brasil. Álbum que encerra a trilogia iniciada com Dia 16 (2015) e Gatos e Ratos (2016). Entre as influências, Odair cita os blues de Keith Richards, os discos solo de Paul McCartney, os pioneiros do rock Chuck Berry e Little Richards, Jimi Hendrix, Santana, Raul Seixas, The Doors e Eric Clapton.



1. Hibernar
2. Na Casa das Moças
3. Ouvindo Rádio
4. Pirata Urbano
5. Rapaz Caipira
6. Imigrante Mochileiro
7. Chumbo Grosso
8. Fetiche
9. Fora da Tela
10. Gang Bang
11. Liberado

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Ave Sangria - Vendavais [2019]

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Lançado no primeiro instante desta sexta-feira (26/abr) o tão aguardo segundo álbum de inéditas da lendária banda Ave Sangria.

O fim de semana promete. 

Bora baixar e dar o play!


1. O Poeta
2. Silêncio Segredo
3. Vendavais
4. Dia a Dia
5. Olho da Noite
6. Carícias
7. Sete Minutos
8. Ser
9. Sundae
10. Marginal
11. Em Órbita

Dom Um Romão - Dom Um [1964]

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Por Tiago Ferreira em Na Mira do Groove

O disco solo de estreia do baterista brasileiro que passeou por diversos elementos jazzísticos

No caso de não conhecer, deixe-me que lhe apresente resumidamente Dom Um Romão: no final dos anos 1940, ele foi contratado para ser baterista em orquestras de dança pela Rádio Tupi e formou, em 1955, o Copa Trio no lendário Beco das Garrafas, no Rio de Janeiro.

Pouco tempo depois ele ajudou a formatar a sonoridade do instrumento na bossa nova no inaugural Canção do Amor Demais (1958), de Elizeth Cardoso, que tinha violões de João Gilberto e composições de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

As coisas foram acontecendo com turbulência naquele período. Ele conheceu Sérgio Mendes e foi convidado para tocar fora dos palcos brasileiros pela primeira vez com o Sexteto Bossa Rio, no Uruguai; em 1962, com o Bossa Rio, participou do Festival de Bossa Nova, realizado no Carnegie Hall (Nova York), além de tocar no disco do saxofonista Cannonball Adderley: Cannonball’s Bossa Nova (1962).

No ano seguinte ele voltou ao Brasil e reformulou o Copa Trio ao lado do pianista Dom Salvador e o baixista Miguel Gusmão. Tocou no disco de estreia de Jorge Ben, Samba Esquema Novo (1963), pavimentando um caminho que depois seria seguido pelo também baterista João Parahyba.

O primeiro disco solo de Dom Um Romão somente foi gravado em 1964. Praticamente todo instrumental (com exceção de “Consolação”, composição de Baden Powell e Vinicius de Moraes cantada por José Delphino Filho), Dom Um traz 12 temas de autoria de renomados compositores em arranjos pra lá de sofisticados.

O toque de brasilidade, perceptível em todas as faixas, tem a bossa nova como contexto, mas abraça um pluralismo de referências estéticas que deram uma prévia da interessante trajetória que Dom Um Romão teria pela frente. Provavelmente ele deve ter escutado bastante Moacir Santos (cortesia dos trombones de Macaxeira e Edson Maciel) e Dave Brubeck antes de trazer aos estúdios versões para “Jangal” (Orlandivo, Rubens Bassini) ou “Africa” (Waltel Branco).

O samba se faz presente em diferentes estados emocionais em Dom Um. Aparece nostálgico como nos tempos de Noel Rosa em “Samba Nagô” (João Mello, Marso Vanarro), melancólico e reflexivo em “Diz Que Fui Por Aí” (de (H. Rocha, Zé Keti, famosa na voz de Luiz Melodia) e belamente orquestrado em “Birimbau (Capoeira)”, de João Mello e Clodoaldo Brito.

Por ser disco de um baterista, alguns desavisados podem achar que o instrumento toma as dianteiras nos temas. Não é bem isso que acontece. Dom Um se apresenta como uma espécie de manual de como levar a bateria nos ritmos que contagiavam a música brasileira naquele momento.

Sua principal base é o jazz, porque mantém uma linha rítmica controlada em curtas quebradas dinâmicas. Pegue uma “Vivo Sonhando” (Tom Jobim): Romão toca relativamente acelerado, para que músicos como Paulo Moura e Hamilton Cruz dialoguem fluidamente nos metais.

Em “Zona Sul” (Luiz Henrique, A. Soares), Romão abre alas para que J. T. Meirelles (sax), Toninho Oliveira (piano) e Pedro Paulo (trompete) transitem livremente da bossa nova para o acid jazz.

Dom Um Romão ainda faz um passeio pelas marchinhas (“Zambeze”, de Orlandivo e Roberto Jorge), joga tempero forte na bossa dos parceiros Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal com a inspirada versão de “Telefone”, visita o terreiro candomblé em “Dom Um Sete” (Waltel Branco) e convida todos a dançar ao som de “Fica Mal Com Deus”, o baião acústico de Geraldo Vandré.

Por conta da alta demanda de trabalho, Dom Um Romão não teve como divulgar devidamente o disco de estreia. Afinal, ele estava trabalhando com o Copa Trio (até tocou no programa ‘Fino da Bossa’, de Elis Regina), tocou no disco de estreia de Flora Purim (que veio a se tornar sua esposa) e, em 1965, mudou-se para os Estados Unidos a convite do chefão da Verve Records, Norman Granz, onde gravou com Stan Getz e Astrud Gilberto e contribuiu com suas baquetas no antológico Francis Albert Sinatra & Antônio Carlos Jobim(1967).

Romão tocou, ainda, com Tony Bennett, excursionou com o grupo Bloody, Sweat and Tears e substituiu o percussionista Airto Moreira no virtuoso Weather Report, supergrupo de Wayne Shorter e Joe Zawinul que revelou nomes como Jaco Pastorius e Victor Bailey.

Nos anos 1980, Romão mudou-se para a Suíça e focou em projetos solo com o Dom Um Romão Quintet, gravando um total de cinco discos até sua morte, em julho de 2005.



1 Telefone
(Roberto Menescal, Ronaldo Bôscoli)
2 Jangal
(Orlandivo, Rubens Bassini)
3 Vivo Sonhando
(Antonio Carlos Jobim)
4 Consolação
(Baden Powell, Vinicius De Moraes)
5 África
(Waltel Branco)
6 Samba Nagô
(João Mello, Marso Vanarro)
7 Diz Que Fui Por Aí
(Hortênsio Rocha, Zé Ketti)
8 Zona Sul
(A. Soares, Luiz Henrique)
9 Zambezi
(Orlandivo, Roberto Jorge)
10 Fica Mal Com Deus
(Geraldo Vandré)
11 Birimbau (Capoeira)
(Clodoaldo Brito, João Mello)
12 Dom Um Sete
(Waltel Branco)

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Catalau [1997]

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1. Grande Espetáculo da Terra
(Catalau)
2. Dia Após Dia
(Catalau)
3. Mago dos Sons
(Catalau)
4. Natureza Sul
(Catalau)
5. Xangai
(Lanny Gordin)
6. O Pássaro
(Lanny Gordin, Catalau)
7. Carta de Amor
(Catalau)
8. Alma Selvagem
(Catalau)
9.  Página Doze
(Catalau)
10. Valeu Deus
(Catalau)
11. Vadio Rebelde
(Catalau, Luciano Mazzeo, Caio Doyone)
12. Desconto
(Catalau)
13. Vinho e Queijo
(Catalau)
14. Casa de Rock
(Catalau, Netinho, Pisca)
15. Provérbios Destorcidos
(Catalau)
16. Return To Zero
(Catalau)

quarta-feira, 24 de abril de 2019

Inocentes - Cidade Solidão [2019]

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Por Assessoria HBB

“Estamos aqui para revolucionar a música popular brasileira, para pintar de negro a Asa Branca, atrasar o Trem das Onze, pisar sobre as flores de Geraldo Vandré e fazer da Amélia uma mulher qualquer”, escreveu Clemente Nascimento em 1982, um ano depois da formação do Inocentes, grupo de performance poderosa e um dos porta-vozes do movimento punk no Brasil. O anúncio era o que estava por vir no primeiro EP, “Miséria e Fome” (1983), e de lá para cá, o Inocentes acumulou na bagagem, além da experiência de banda veterana no cenário musical, uma extensa discografia. Na última sexta-feira (12), a banda divulgou um novo EP, intitulado “Cidade Solidão”, que segundo o vocalista e guitarrista Clemente Nascimento, “olha para o passado como inspiração para seguir em frente. É uma atualização do que seria feito no começo da carreira, com a mesma energia e criatividade, trazendo elementos novos sem se distanciar das raízes”.

Lançado pela gravadora paulista Hearts Bleed Blue (HBB) em vinil 7 polegadas para comemorar o Record Store Day de 2019, o EP conta com as faixas “Donos das Ruas”, “Fortalece” e “Cidade Solidão”, além da regravação do clássico “Escombros”, lançado originalmente no álbum “Ruas”. “Na época em que ‘Escombros’ foi gravada, em 1996, a banda não tinha a rodagem que tem hoje. Agora conseguimos registrá-la da maneira que queríamos e o resultado ficou ótimo, a música ganhou vida novamente”, conta Clemente. O EP está disponível também nas principais plataformas digitais, e neste formato ele ganha ainda a faixa bônus "Terceira Guerra", um cover da banda paulista Fogo Cruzado.

“Cidade Solidão” foi produzido por Wagner Bernardes e tem a capa assinada por Antônio Augusto, que também traz um resgate do passado. “A arte foi feita com o mesmo espírito dos compactos punks que comprávamos em 1977”, revela Clemente.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Alfredo Dias Gomes - Solar [2019]

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Por Cezanne Assessoria

Alfredo Dias Gomes lança SOLAR, seu 11º disco solo, totalmente autoral e inédito


Tendo acompanhado, até 1993, shows e gravações de artistas como Ivan Lins, Hermeto Pascoal, Lulu Santos e Heróis da Resistência, dentre outros, baterista carioca lança novo CD, marcadamente jazzístico e brasileiro, na contramão do“JAM”, lançado no ano passado com pegada jazz rock


Pode-se afirmar, com absoluta certeza, que Alfredo Dias Gomes é, no mínimo, um músico realizado e (bastante!) inquieto. O filho baterista de Janete Clair e Dias Gomes alcança a marca de onze discos solos, lançando agora o CD “Solar”, gravado em seu próprio estúdio, na Lagoa, nas plataformas digitais - download e streaming no iTunes, Spotify, Napster e CD Baby – e em CD físico. Desta vez, o baterista carioca surpreende reunindo oito faixas autorais e inéditas, revelando-se um exímio compositor também nas harmonias mais brasileiras, regionais. Aliás, “Solar” é justamente o oposto do que Alfredo Dias Gomes apresentou em “Jam” - lançado no ano passado e muito bem recebido pelo público – um disco agressivo, com o característico volume do jazz rock. Importante ressaltar que, ainda em 2018, o baterista lançou, também nas plataformas digitais, o CD “Ecos”, um resgate de gravações realizadas em 2000.

Tendo iniciado sua carreira com Hermeto Pascoal, com quem gravou o icônico “Cérebro Magnético”, e, posteriormente, acompanhando e gravando com Sérgio Dias, Lulu Santos, Kid Abelha, dentre muitos outros, foi a partir de 1993, ao se desligar da banda de Ivan Lins, que o baterista decidiu se dedicar aos próprios projetos e realizar-se também enquanto compositor e entusiasmado virtuose das baquetas. O CD “Solar” não apenas ressalta tais motivações embrionárias, assim como revela um lado mais “brasileiro”: “quando comecei a compor esse novo trabalho, pensei numa proposta diferente: decidi tocar, além da bateria, os teclados e os baixos do disco, dando ênfase à forma como crio minhas composições. Adicionei somente um solista, meu grande amigo e super instrumentista Widor Santiago, no sax tenor, sax soprano e flauta. “Solar” é um disco autoral e nele misturo ritmos e melodias brasileiras com jazz e jazz-fusion”, afirma o músico.

A jornada começa com “Viajante”, composta em 1980 a pedido da própria mãe, Janete Clair: “minha mãe me pediu uma música para um personagem de uma novela - Coração Alado (1980/81), sobre um nordestino que vinha ganhar a vida no Rio de Janeiro, interpretado por Tarcísio Meira. Nessa época, eu tocava na banda do Hermeto Pascoal e estava ‘respirando’ música brasileira, então compus para a trilha sonora da novela o baião “Viajante”, gravado pelo Dominguinhos. Agora, gravado em versão instrumental inédita”, revela o baterista. Música que dá nome ao disco, “Solar” foi composta em 7/4, com pegada pesada de bateria e melodia abrasileirada. Já “Trilhando” traz o andamento rápido do Jazz, o característico “walking bass”. Em “Corais”, o baterista apresenta seu lado mais doce e suave, com uma balada de melodia bem brasileira. Em “Smoky”, um jazz climático traz a bateria participando da melodia, dobrando juntamente com o sax. Outro grande momento do disco, a faixa “El Toreador” – composta por Alfredo Dias Gomes em 1993 para a trilha sonora da peça teatral de mesmo nome, escrita por sua mãe – traz tinturas hibéricas, fortemente espanholada. Já “Alta Tensão” é fusion inédito, com clima tenso e destaque, no final, para a bateria bem solta e improvisada. De nome sugestivo, a última faixa “Finale” continua na atmosfera fusion, terminando com duo de bateria e sax em ritmo de samba.

ALFREDO DIAS GOMES

Nascido no Rio de Janeiro, em 1960, Alfredo Dias Gomes estreou profissionalmente na Música instrumental aos 18 anos, tocando na banda de Hermeto Pascoal. Gravou o disco "Cérebro Magnético" e tocou em inúmeros shows, com destaque para o II Festival de Jazz de São Paulo e o Rio Monterrey Festival. Alfredo tocou e gravou com grandes nomes da música instrumental como Márcio Montarroyos, Ricardo Silveira, Torcuato Mariano, Arthur Maia, Nico Assumpção, Guilherme Dias Gomes, Luizão Maia, entre outros. Na MPB e no Rock, tocou com Ivan Lins, participou do grupo Heróis da Resistência, tocou e gravou com Lulu Santos, Ritchie, Kid Abelha e Sergio Dias, entre outros.

Completam sua discografia os CDs ECOS (2018), JAM (2018), Tributo a Don Alias (2017), Pulse (2016), Looking Back (2015), Corona Borealis (2010), Groove (2005), Atmosfera (1996, com participações de Frank Gambale e Dominic Miller); Alfredo Dias Gomes (1991, com a participação especial de Ivan Lins) e o single Serviço Secreto, de 1985.


1  Viajante
(Alfredo Dias Gomes)
2 Solar
(Alfredo Dias Gomes)
3 Trilhando
(Alfredo Dias Gomes)
4 Corais
(Alfredo Dias Gomes)
5 Trilhando
(Alfredo Dias Gomes)
6 Smoky
(Alfredo Dias Gomes)
7 Alta Tensão
(Alfredo Dias Gomes)
8 Finale
(Alfredo Dias Gomes)

domingo, 7 de abril de 2019

Carranza - A Lenda do Homem Que Engoliu o Sol [2019]

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Por Carranza em Tratore

A Lenda do Homem que engoliu o Sol marca os 20 anos da banda. Conta com a participação Rhossi (Pavilhão 9), Gilú Amaral , Ylana Queiroga, DJ KSB, Marcelo Pompie Maurizio Gonzalle. Tem a produção de Eduardo Braga e foi masterizado Buguinha Dub. Com letras contundentes, o disco é um estudo sobre as opressões humanas na sociedade. De forma lúdica expõe a incansável busca do cidadão pelo lugar ao sol e os efeitos colaterais que esta busca trazem, debatendo sobre como esses efeitos são sentidos tanto na natureza como com a pressão social/psicológica recebida como fardo pelas pessoas.



1. Tempo Cego (anzol)
(Bruno Montenegro, Chico Tchê, Claudio Bastos, Harryson Moura, Julianno Ramalho)
2. O Homem Que Engoliu o Sol / Aurora da Saudade
(Bruno MontenegroChico TchêClaudio Bastos, Harryson MouraJulianno Ramalho, Luciano Valença, Paulo Duarte)
3. Salve!
(Bruno MontenegroChico TchêClaudio Bastos, Harryson MouraJulianno Ramalho)
4. Sistema Natural
(Bruno MontenegroChico TchêClaudio Bastos, Harryson MouraJulianno Ramalho, Rhossi, Xande De Larocha)
5. Lapada, Coice e Rasteira
(Bruno MontenegroChico TchêClaudio Bastos, Harryson MouraJulianno Ramalho, Luciano Valença, Paulo Duarte)
6. Corpo Fechado Iv
(Claudio Bastos, Marcelo Pompi)
7. Embaixo do Mesmo Sol
(Bruno MontenegroChico TchêClaudio Bastos, Harryson MouraJulianno Ramalho)

sábado, 6 de abril de 2019

Dari Luzio [1980]

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Mais um link do amigo Iluvatar. Aquele abraço.


Por Esquizofia

“Este trabalho, apesar de tudo, eu dedico aquele que no calor das 4 chamas da sabedoria, cria seus próprios caminhos, tentando ser uma vela na escura rodagem dos homens, batendo no cansaço com o suor do dia a dia como me ensinou o mundo e uma mulher… Luzia."
Dari Luzio


É assim que essa joia rara, relíquia da pura gravação independente da bolacha crioula, realizada em 9.10.79, foi apresentada pelo seu autor. O compositor e cantor Dari Luzio frequentador da Praça Maldita que, segundo ele, no encarte da bolacha crioula, diz que “representa uma aldeia na grande nação habitada pelos jovens, sonhadores e viajantes, deste mundo da década de 80. Frequentadores assíduos do mundo, porém, mantém sede nos bares da cidade de São Paulo, maquis precisamente na região de Vila Maria, na zona norte da Metropole”.



A1 Algibeira
(Dari Luzio/Pedro Lua)
A2 Horas Amargas
(Dari Luzio)
A3 Mulher de Vidro
(Dari Luzio
A4 Além da Estrada
(Dari Luzio
A5 Gaudêncio Prata
(Dari Luzio
B1 Canto da Lua
(Dari Luzio
B2 Derradeiro Adeus
(Dari Luzio
B3 Filhos Bastardos
(Dari Luzio
B4 Cana Verde
(Tonico/Tinoco)