sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Minha Fama de Mau [2019]

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Por Renata Nogueira em UOL

As regravações de clássicos de Erasmo Carlos, Roberto Carlos e Wanderléa para a trilha sonora de "Minha Fama de Mau" não ficarão restritas ao filme que chega aos cinemas na quinta-feira (14).

Remasterizadas e com as vozes originais dos atores Chay Suede (Erasmo Carlos), Gabriel Leone (Roberto Carlos) e Malu Rodrigues (Wanderléa), as músicas chegaram ontem aos serviços de streaming.

O disco, que foi gravado antes do início das filmagens e com a presença de Erasmo Carlos, tem 17 faixas. São nove músicas na voz de Chay Suede, seis interpretadas por Gabriel Leone e três por Malu Rodrigues.

No filme, além de cantarem, os atores são acompanhados pela atual banda de Erasmo Carlos, formada pelo maestro José Lourenço (arranjos, órgão Hammond, pianos, harmônica e flauta), Rike Frainer (bateria), Billy Brandão (guitarras, violão e cítara), Pedro Dias (baixo e vocais), Luiz Lopez (violão, voz guia e vocais) e Dirceu Leite (saxes e flautas).

"Queria que as pessoas que assistirem ao filme sentissem a pressão sonora para complementar as alegrias e aventuras que estão rolando na tela. A Jovem Guarda é foda", declara Erasmo Carlos.

O filme "Minha Fama de Mau" retrata desde o início da carreira do Tremendão e sua relação com grandes nomes da música brasileira, como Tim Maia (Vinicius Alexandre).A Jovem Guarda ganha espaço especial na produção, mostrando a relação de Erasmo com Roberto Carlos e Wanderléa.


1. Minha Fama De Mau
2. Festa De Arromba
3. Parei Na Contra Mão
4. Eu Sou Terrível
5. Lobo Mau
6. É Proibido Fumar
7. Prova De Fogo
8. Sentado À Beira Do Caminho
9. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo
10. Suzie
11. Meu Anjo Da Guarda
12. Gatinha Manhosa
13. O Calhambeque
14. Devolva-me
15. Pra Sempre
16. Amigo
17. João E Maria

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Cotonete & Di Melo - Atemporal [2019]

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Por Fred Melo Paiva e Pedro Alexandre Sanches em Carta Capital

O cantor pernambucano ressurge em disco com a banda francesa Cotonete e explica a relutância em voltar a cantar o alegre hino black Kilariô


Kilariô/ raiou o dia/ eu vi chover em minha horta/ ai, ai, meu Deus do céu,/ quanto eu sofri ao ver a natureza morta. A tristeza estava inscrita nos versos vivos de Kilariô, de Di Melo, mas a sonoridade do samba-rock era pura alegria. Hoje, aos 70 anos, o cantor e compositor pernambucano do Recife mantém relação conturbada com o maior sucesso popular de uma errática carreira comercial, que ficou interrompida entre 1975, ano de Kilariô, e 2015, quando ele lançou o autorreferente Imorrível. Desaparecido Di Melo nesse ínterim, eram constantes os boatos de que ele teria morrido. Os discos que lançou nesse período passaram completamente despercebidos.

Eram exagerados os boatos. Di Melo ficou na retranca até que, em 2009, ouvidos estrangeiros começaram a prestar atenção nas faixas do antigo LP Di Melo (1975), em que figuravam músicos acompanhantes virtuosos como Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte e Geraldo Vespar. O grupo de rap Black Eyed Peas sampleou Di Melo em um de seus discos. Imorrível proporcionou a renascença (quase) comercial, agora aprofundada pelo recém-lançado álbum duplo inédito Atemporal, dividido com a big band francesa Cotonete. Mais uma vez se repete a enfadonha história do artista brasileiro que só renasce das cinzas depois de percebido por ouvidos gringos. Com exemplares de Di Melo vendidos na Europa a 700 euros, veio o documentário em média-metragem Di Melo – O Imorrível, dirigido em 2011 por Alan Oliveira e Rubens Pássaro.

Di Melo explicita a relutância que exibe sempre que lhe pedem para executar Kilariô: “Ela me remete a algumas coisas que foram tristes na minha vida. Quando foi gravada, era para ser uma coisa bonita, mas fui muito sacaneado naquela época. Me surrupiaram de todas as formas, me sacanearam sob todas as normas. Eu nunca falei isso para ninguém, mas sempre que me vem à mente Kilariô surge a cena. No palco ela distribui energia e alegria. É uma música iluminada, abençoada, mas só quem vive é que sabe e sente, não é? Aconteceram coisas imperdoáveis, que me trouxeram até aqui”. A sombra de tristeza aparece e logo é espantada pelo homem-alegria que Di Melo aparenta ser. Clareou, raiou o dia.

O compositor guarda 12 inéditas em parceria com Geraldo Vandré

Antes da estreia em disco e da relativa fama, Di Melo (ou Boby d’Melo, como Roberto de Melo Santos assinava no princípio) foi guardador e lavador de carros no Recife. Mudou-se para São Paulo em 1968 e, já engrenando na carreira artística, viajou para trabalhar em Tóquio, no Japão, onde Kilariô foi composta. De volta a São Paulo, foi levado pela cantora de bossa negra Alaíde Costa ao mítico bar Jogral, onde passou a se apresentar como número de abertura. O sucesso veio com o LP que, além de Kilariô, trazia títulos de grande expressividade, agridoces, como A Vida em Seus Métodos Diz Calma, Conformópolis e Se o Mundo Acabasse em Mel.
DI MELO TEVE UMA CARREIRA INTERROMPIDA POR 40 ANOS, E ACABA DE LANÇAR O ÁLBUM INÉDITO ATEMPORAL. (FOTO: ACERVO PESSOAL)
A cidade acorda e sai pra trabalhar/ na mesma rotina, no mesmo lugar (…) ela então desperta, ela tenta gritar/ contra o que lhe aperta e que lhe faz calar/ mas ela, deserta, começa a chorar, canta em sotaque nordestino o tango soul Conformópolis, metáfora de um Brasil que teima em se perpetuar. Vai com calma, você vai chegarvem na contramão à inspirada A Vida nos Seus Métodos Diz Calma. Nessa época, Di Melo passou a ter sucessos gravados por nomes mais ou menos black power, como Jair Rodrigues (Paspalho) e Wando (Volta), este em fase samba-rock, pré-romântica.

“O disco da Odeon estava tocando, tudo que puseram na rua vendeu”, Di Melo relembra a primeira rodada de glória. “Fui receber o trimestre de direito autoral, vieram 11 cruzeiros. Fiquei desencantado, me senti dando murro em ponta de faca, assinando atestado de imbecil. Aí saí de cena, fui para as praias, não levei o som mais a sério, fiquei curtindo, batendo viola em praia. Mas nunca parei de cantar e compor.” No documentário, ele fala sobre esse período: “Quando você é jovem, acha que para você o mundo não vai acabar nunca. Mulher, bebida, noites, farras. Você se perde”.

Di Melo filosofa sobre o que foi e o que poderia ter sido: “Não fico chateado porque a vida foi ingrata comigo. Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, eu teria dado seguimento. Mas eu era muito jovem e decidi sair do lodaçal. Quando a coisa tem que ser, você persegue ela durante uma periodicidade e depois ela passa a te perseguir”.

Antes que Kilariô passasse a persegui-lo, houve, nos anos 1980, o encontro de Di Melo com o homem para sempre perseguido por Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores (1968). Na semiclandestinidade (de ambos), conheceu o paraibano Geraldo Vandré, com quem, revela agora, compôs 12 canções, suficientes para um álbum inteiro Di Melo-Vandré. Uma delas, a latina Canta Maltina, foi apresentada no disco Imorrível, e se vale de um idioma inventado, latino-indígena-brasileiro. Outra, Linhas de Alinhar, de acento nordestino, vem à luz no novo Atemporal. “A priori imaginei que Vandré quisesse que eu desse sequência ao trabalho dele”, conta. “Ledo engano, ele queria passear. Gostou de mim porque eu estava cantando uma música muito poderosa. Ele achou que eu poderia dar essa sequência, e eu também imaginei que isso fosse rolar. A gente saiu viajando, fomos num Galaxy para a Paraíba, para o Paraguai.”
A CANTORA ALAÍDE COSTA LEVOU DI MELO AO BAR JOGRAL, E COM GERALDO VANDRÉ GRAVOU PARCERIAS. (FOTO: ACERVO PESSOAL)

Linhas de Alinhar evidencia o que já sabia quem ouviu o Di Melo de 1975: para lá de um artista suingueiro de black music, Di Melo ostenta poderosa veia brasileira, nordestina, pernambucana. Misteriosa e narrada por alguém “farto da angostura”, a canção fala de uma “explicação que não houve, não há, nem haverá”, e de um “clima que apavora nessa estrada tão escura”. Linhas de Alinhar é exemplo perfeito daquilo que Di Melo diz sobre as próprias canções: “Qualquer música minha tem nexo e tem plexo, não só sexo”. No embalo, o intérprete de Conformópolis critica o estado das coisas: “A música está resumida a peitos e bundas. É triste, é dolorido, porque você trabalha, trabalha, trabalha e não tem usufruto do teu trabalho”.

“Qualquer música minha tem nexo e tem plexo, não só sexo”

A sombra triste reaparece quando é hora de falar do Brasil atual. “Temos tudo pra ter tudo. Temos amianto, bauxita, prata, ouro, cobre, manganês, zinco. Mas não vira, não vira, e não vai virar nunca. É tudo muito difícil. Às vezes você levanta o pé pra dar um passo pra frente e sente dando dez passos pra trás.” A vida, ele admite, segue difícil e distante dos métodos da calma: “A coisa chegou num momento crucial. Eu olho pro lado e não vejo ninguém feliz, ninguém satisfeito. Todo mundo reclamando. Está difícil pagar as contas. As pessoas estão cada vez mais perdendo tudo que conseguiram na vida. É só problema, problema, problema, problema. Não vejo ninguém apontando muita solução, é desesperador. Às vezes você quer conseguir andar e está ali brecado, no freio de mão. É tudo muito estranho, errado, truncado”.

O álbum com o Cotonete (que em 2017 gravou um disco com outra brasileira, a paranaense Simone Mazzer) é o antídoto de Di Melo para as previsões mais sombrias (“liberar armas não é solução, e daqui para frente vai piorar cada vez mais”). Entre as oito canções, há uma regravação alegre-e-triste de Kilariô. Para explicar a contradição e a relação de amor e ódio com Kilariô, Di Melo se vale de uma antiga composição do paraense Billy Blanco, Canto Chorado (1968). “Nunca vi uma coisa tão certa (declama): o que dá pra rir dá pra chorar/ questão só de peso e medida/ problema de hora e lugar”, gargalha.


A1 Papos Desconexos (Part. 1)
A2 Papos Desconexos (Part. 2)
A3 A.E.I.O.U. (Album Mix)
B1 Muhler Instrumento (Part. 1)
B2 Muhler Instrumento (Part. 2)
C1 Canto Da Yara
C2 Kilario (2019 Version)
D1 Linhas De Alinhar
D2 Verso E Prosa

sábado, 24 de agosto de 2019

Barão Vermelho - VIVA [2019]

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O Barão Vermelho iniciou nesta sexta-feira (16) uma nova fase ao disponibilizar para as plataformas digitais um álbum de inéditas que leva o nome de Viva.

Trata-se de um trabalho emblemático da veterana banda de rock nacional, já que é o primeiro em 15 anos e marca a estreia de Rodrigo Suricato como vocalista. Ele já ocupa a vaga de Frejat desde 2017, mas é a primeira vez que um disco do Barão sai com a voz dele.

Viva, como o título sugere, é um trabalho que busca celebrar a vida e também a trajetória da banda, que mais uma vez precisou se reinventar após perder um vocalista. Sobre a sonoridade, o grupo não deixou de lado os elementos sonoros característicos da era Frejat, em faixas nas quais os vocais de Suricato encaixam-se perfeitamente e, em certos momento, fazendo lembar o antigo vocalista.

O disco foi gravado nos estúdios Toca do Bandido e Estúdio 2, no Rio de Janeiro e é assinado por Maurício Barros (teclado), Guto Goffi (bateria) e Fernando Magalhães (guitarra).


1. Eu Nunca Estou Só
2. Por Onde Eu For
3. Jeito
4. Tudo por Nós 2
5. Um Dia Igual ao Outro
6. Vai Ser Melhor Assim
7. Castelos
8. A Solidão Te Engole Vivo
9. Pra Não Te Perder

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Sérgio Sampaio - Cruel [2006]

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Por Marcelo Augusto D’Amico em Jornal CGN


Nome Completo: Sérgio Moraes Sampaio Nome Artístico: Sérgio Sampaio
Nascimento: 13 de abril de 1947 Natural de: Cachoeiro de Itapemirim/ES
Falecimento: 15 de maio de 1994, na cidade do Rio de Janeiro.

Muito se perdeu sobre Sérgio Sampaio, e mais ainda se perderia sem o empenho de Rodrigo Moreira (autor da biografia), Sérgio Natureza (amigo e parceiro de Sérgio), Zeca Baleiro (que recuperou material inédito), Charles Gavin (que realiza a recuperação de obras nacionais esquecidas pelas gravadoras) entre outros. Nascido na mesma cidade que Roberto Carlos (cidade onde foi muito mais visto que seu conterrâneo, “O Rei”), mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro aos vinte anos. Boêmio por natureza, chegou a passar fome na cidade maravilhosa, dormir na rua e outras coisas mais. Mas sua sorte começou a mudar, quando certo dia entrou na gravadora CBS, e mostrou suas músicas para o então produtor, um tal de Raul Seixas. De imediato, Raulzito viu em Sérgio Sampaio uma promessa para a música brasileira, e ele estava certo. Gravou um compacto e foi contratado como músico da gravadora.

Em 1971, Raulzito e Sérgio Sampaio, acompanhados de Edy Star e Miriam Batucada, gravaram o antológico “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez”. Naqueles dias, o Brasil era obrigado a engolir a Ditadura, e em 1972, no Festival Internacional da Canção, surge “Eu quero é botar meu bloco na rua”, defendida pelo próprio autor no palco, acompanhado apenas de seu violão. Sua canção não venceu o festival, mas o compacto vendeu assustadoramente bem. Era como se Sérgio dormisse boêmio e anônimo e acordasse como o maior cantor do país. Mas com a melhora financeira, veio também o aumento intenso da vida noturna.

O brilhante compositor também teve suas mágoas, pois seus discos venderam abaixo do esperado. O público parecia gostar apenas de um “Bloco”. Sampaio era intransigente quanto a pressão das gravadoras, que tentavam tornar suas músicas prontas para o consumo imediato, e não se iludia com a mídia que tentava transformá-lo em um novo “Roberto Carlos”. Estes fatores, somados a intensa vida boêmia, alcoólica e entorpecida do cantor, fariam-no desaparecer de cena a partir de 1982, quando lançou seu terceiro e último LP, de forma independente.

A verdade é que em suas composições, Sérgio alfinetou grandes nomes como Roberto Carlos (Meu Pobre Blues), a indústria musical brasileira (Cantor de Rádio), ao mesmo tempo em que gravou com Altamiro Carrilho, teve arranjos de João de Aquino, foi gravado por Erasmo Carlos, tem parcerias com Sérgio Natureza, gravou com Luiz Melodia, dividiu vocais com Jane Duboc, trabalhou com Roberto Menescal, ganhou troféu imprensa de Silvio Santos, fez show com Jards Macalé, Dona Ivone Lara e Xangai, entre tantos outros feitos notórios.

Em 2007, ano em que completaria 60 anos, na então conhecida cidade-natal do “Rei Roberto”, não houveram passeatas, nem festejos, não possui uma rua ou praça com seu nome e nem teve um único evento que lembrasse a data, a não ser um breve comentário numa festividade feita para homenagear o carioca Vinícius de Moraes. Seja em Cachoeiro ou em qualquer outra cidade brasileira, ouve-se muito mais o adjetivo “maldito da MPB” do que qualquer outro, quando se referem a Sérgio Sampaio. Os próprios conterrâneos parecem querer apagá-lo da história

Mas em 1993, quando declarou ter parado com as bebidas, o compositor trazia planos consigo. Começava a apresentar uma lista de 50 canções, das quais escolheria o repertório do CD “Cruel”, que seria lançado pelo selo paulista “Baratos afins”, projeto que ficou inacabado por conta de sua morte, no ano seguinte. Este projeto foi retomado por Zeca Baleiro, quando conheceu a ex-mulher de Sampaio, Ângela, e ganhou dela uma fita contendo músicas inéditas. Após isso, ele começa a buscar por outras gravações inéditas e faz a recuperação dos respectivos áudios, material lançado no CD “Cruel”, em 2006, que traz violão e voz original com Sérgio Sampaio, e arranjos de acompanhamento, trazendo músicos como Bocato, entre outros. Eu, autor destas palavras, que desconhecia este disco, ouvi todas as músicas antes de escrever este artigo, e confesso-lhes que tímidas lágrimas desceram em meu rosto, diante de tamanho brilhantismo e maturidade musical que Sérgio Sampaio havia atingido, num trabalho que jamais seria conhecido sem o empenho dos já citados, além de outros que colaboraram com o projeto.

Para finalizar esta pequena homenagem, gostaria de lamentar a grande maioria dos artigos que li a respeito de Sérgio Sampaio, onde alguns chegam a dizer que ninguém mais do que ele merecia ser chamado de “maldito”. Alguns jornalistas, do presente e do passado, continuam produzindo “blocos” de lama, julgando muito mais pejorativamente, do que propriamente dando-se ao trabalho de conhecer a fundo sobre o que escreve. Por tudo isso, deixo uma pergunta: quem é cruel?


Músicas:

1 – Em Nome De Deus
2 – Roda Morta
3 – Polícia Bandido Cachorro Dentista
4 – Brasília
05 – Magia Pura
6 – Rosa Púrpura De Cubatão
7 – Muito Além Do Jardim
8 – Real Beleza
9 – Pavio Do Destino
10 – Quero Encontrar Um Amor
11 – Quem É Do Amor
12 – Cruel
13 – Uma Quase Mulher
14 – Maiúsculo

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sérgio Sampaio - "Sinceramente" [1982]

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Por Thalita Pires em Rede Brasil Atual

Talvez você nunca tenha ouvido falar no cantor e compositor Sérgio Sampaio. Ou então só ouviu falar do maior sucesso dele, “Eu quero botar meu bloco na rua”, que é também o nome do primeiro disco, lançado em 1973. Em 1976, ele gravou “Tem Que Acontecer” e, em 1982, seguiu o modelo da produção independente, e colocou no mercado “Sinceramente”. Porém, desde então, ele descobriu como a música brasileira pode ser cruel. Caiu em profundo ostracismo e morreu em 1994, sem lançar o tão sonhado quarto álbum, “Cruel”, que só veio à tona em 2006 por insistência de Zeca Baleiro, que o produziu e lançou pelo selo Saravá Discos, o mesmo que relança agora o terceiro trabalho.

A premonição do que aconteceria já se manifestava na ótima faixa de abertura, “Homem de Trinta”: “Quase que eu fui pro buraco, / Por pouco não fui morar no porão, / Dancei, mas não sei não, / Tive cuidado de ter os pés / Quase sempre no chão / E a cabeça voando / Como se voa na imaginação”. Porém, a obra-prima é mesmo “Nem Assim”, que faz uma fantástica caricatura da mulher abandonada: “Pode inventar mentiras e até publicar, Que eu não sirvo mesmo pro amor, / Que eu sou um narcisista e mau compositor /… / Pode fazer comício nas praças do Rio / Em nome da dignidade da mulher, / Mostrar pra todo mundo as marcas / Que eu não fiz, /… / Você pode dizer o que quiser de mim… / Nem assim”. Espécie de complemento é “Faixa Seis”: “Você hoje pra mim / É a faixa seis / Do lado ‘B’ / Do meu último elepê / Aquela que o programador de rádio nunca toca / Aquela que o divulgador do disco evita / Aquela que fica espremida entre a quinta… /A quinta faixa e o final da fita”.

Ao escutar o álbum, é possível reconhecer a injustiça cometida pela indústria fonográfica voraz que não reconhece a força de boleros como “Tolo Fui Eu”, por exemplo, é arrasador: “Tolo fui eu / Quando em vão quis lhe dar meu amor / Que você nem sentiu, nem ligou / Mas aí pude ver meu valor, / Compreender que a razão de viver / É maior do que ter ou querer / Se você não quis ser minha razão, / Tola você”. O tormento segue na desbragada “Só Para o Seu Coração”, que parece um misto de Caetano Veloso com Eduardo Dussek.

A produção independente fica clara ao se saber que ele contou com a ajuda da família da esposa, Angela Breitschaft. O pai dela bancou o disco e o irmão Paulo fez as fotos da capa em Teresópolis. Certamente, eles não se arrependeram ao escutarem uma canção de extrema força dramática, como “Essa Tal de Mentira”: “De novo recomeçar, / Outra vez acreditar, / Compor, escrever, cantar, / Por música no ar…”. Tem um quê de Gonzaguinha e poderia – se é que não o fez – muito bem ter influenciado Chico César no modo de cantar. Mas nem tudo é tão desesperado. A prova é a animadinha “Meu Filho, Minha Filha”.

O único parceiro de Sérgio Sampaio nesse álbum é Sérgio Natureza, na balada “Cabra Cega”, que é sublime, graças ao saxofone tocado por Oberdam Magalhães e à letra que remete ao delírio coletivo e aos discos voadores. Nada mais setentista. A influência de Caetano Veloso também é nítida. Já Luiz Melodia participa do samba em homenagem a ele, “Doce Melodia”. Mas a proposta do álbum fica explícita mesmo é na faixa-título: “Não há nada mais bonito / Do que independente / E poder se conquistar, / Sair, chegar, / Assim tão simplesmente /… / Não há nada mais sozinho / Do que ser inteligente / E poder cantarolar, / Errar, desafinar / Assim sinceramente”.


A1 Homem de Trinta
(Sérgio Sampaio)
A2 Na Captura
(Sérgio Sampaio)
A3 Tolo Fui Eu
(Sérgio Sampaio)
A4 Só Para O Seu Coração
(Sérgio Sampaio)
A5 Essa Tal de Mentira
(Sérgio Sampaio)
B1 Meu Filho, Minha Filha
(Sérgio Sampaio)
B2 Cabra Cega
(Sergio Natureza, Sérgio Sampaio)
B3 Sinceramente
(Sérgio Sampaio)
B4 Nem Assim
(Sérgio Sampaio)
B5 Doce Melodia
(Sérgio Sampaio)
B6 Faixa Seis
(Sérgio Sampaio)

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Sérgio Sampaio - Tem Que Acontecer [1976]

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Visto como um gênio maldito, Sergio Sampaio não teve todo reconhecimento que merecia em vida, mas dia após dia a sua obra conquista mais e mais fãs. Temos a honra de relançar pela primeira vez em vinil o álbum Tem Que Acontecer (1976), o segundo disco da vida de Sergio, considerado por muitos a sua grande obra-prima.

Após o sucesso estrondoso da faixa “Eu Quero é Botar Meu Bloco Na Rua”, de 1972, Sergio saiu do anonimato para a fama. Porém, o artista capixaba sempre foi avesso aos interesses da indústria musical e não demorou para se afastar do mainstream no qual estava se inserindo. Seu segundo LP, Tem Que Acontecer, foi feito na extinta gravadora Continental e o renomado violonista João de Aquino foi o principal responsável pela produção do álbum.

Segundo ele, esse álbum é uma obra-prima gravada no Studios Level, o melhor estúdio do Rio de Janeiro de então, com os melhores instrumentistas de música brasileira da época:

– Não botei o pessoal mais contemporâneo. Chamei a nata de músicos aqui do Rio de Janeiro. Altamiro [Carrilho], Maurício Einhorn, Paschoal Meirelles, o trio Marçal, Luna e Eliseu, Laércio de Freitas… Músicos que eram completamente diferentes do mundo do Sergio.

Apesar da sua sonoridade primorosa, experimental e popular, e de contar com faixas que acabaram se tornaram grandes clássicos de Sampaio, como “Tem Que Acontecer”, “Que Loucura” e “Cada Lugar Na Sua Coisa”, esse álbum demorou para ser entendido. Hoje, é um disco lendário cuja versão original é caríssima e muito difícil de ser encontrada. Através do NOIZE Record Club, essa joia da música brasileira poderá estar na sua coleção.



A1 Até Outro Dia
(Sérgio Sampaio)
A2 Que Loucura
(Sérgio Sampaio)
A3 Cada Lugar Na Sua Coisa
(Sérgio Sampaio)
A4 Cabras Pastando
(Sérgio Sampaio)
A5 Velho Bode
(Sergio Natureza, Sérgio Sampaio)
A6 O Que Pintar, Pintou
(Maestro Raul G. Sampaio)
B1 A Luz E A Semente
(Sérgio Sampaio)
B2 Quanto Mais
(Sérgio Sampaio)
B3 Tem Que Acontecer
(Sérgio Sampaio)
B4 Quatro Paredes
(Sérgio Sampaio)
B5 O Filho Do Ovo
(Sérgio Sampaio)
B6 Velho Bandido
(Sérgio Sampaio)

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Som Nosso de Cada Dia - Mais Um Dia [2019]

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Eis que depois de algum tempo da volta aos palcos, o Som Nosso de Cada Dia finalmente lança um álbum de inéditas. Bora pressionar o play nesse swingado.


1 Homem Víbora
2 Ficou no Ar
3 Tempos Difíceis
4 Black Rio
5 Mais um Dia
6 Firmeza Total
7 Lixo Per Capita

sábado, 10 de agosto de 2019

Gustavo Guerra - Nada Era A Favor [2013]

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Gustavo Guerra, nascido na cidade de Curitiba - Paraná, músico profissional há 19 anos. Começou seus estudos de guitarra aos 7 anos de idade com o seu eterno mestre, seu pai, Buby Guerra, ex-integrante da banda Aquarius Band, com quem aprendeu os fundamentos essenciais. 

Hoje atua com aulas, shows, gravações, produções e workshops. Sucesso no YouTube desde 2006 com mais de 13 milhões de acessos em seus vídeos com performances virtuosas.

Foi eleito em 2008 como melhor guitarrista no disputadisso concurso Guitar Idol.

Endorser de várias marcas consagradas no mercado nacional e internacional.

Em 2008 foi capa da conceituada revista cover guitarra,onde segundo o editor Chefe Regis Tadeu, foi uma das revistas mais vendidas.

Em 2009 foi convidado por um dos seus patrocinadores internacional a Native Instruments para se apresentar na Namm Show em L.A.

Em 2011 lança seu primeiro álbum Solo, intitulado: "Nada era a favor" em homenagem ao seu pai , Buby....



1 Na Veia
2 Sunset 1030
3 Big Foot
4 Quem Sabe Algum Dia
5 My Wife
6 Oxygen
7 A Casa Caiu
8 Dadiva
9 Que Nenas Sos Vos
10 Nada Era A Favor
11 Lobos Não Tomam Água

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Harppia - 3.6.9. H.A.A.R.P. [2017]

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Por Harppia no site oficial

Este pode ser considerado um dos álbuns de Heavy Metal Nacional mais aguardado de 2017. Quarto álbum da lendária banda Harppia, brinda os fãs com músicas com muita melodia, muito peso e qualidade musical que é a marca registrada da banda. Liderada por Tiberio Luthier, baterista que gravou todos os álbuns anteriores ( A Ferro e Fogo em 1985, SETE em 1987, Harppia´s Flight em 1996) , a banda optou por gravar pouquíssimos álbuns, porém com muita qualidade, com músicas com riffs, melodias e arranjos marcantes, que se tornem clássicos do Metal por muitos anos.

Em 2017, a banda completa 34 anos de estrada, entre muitos desafios e batalhas vencidos um por um sempre com o Tiberio à frente. A banda conta com Tiberio Luthier na bateria, Aya Maki na guitarra, Eric Bruce nos vocais e Joey Fernandes no baixo. 


Faixa 1 – 3.6.9. H.A.A.R.P

3.6.9. São números chaves que detêm a chave da compreensão dos mistérios do universo , segundo Nikola Tesla. H.A.A.R.P. significa Highier Frequency Active Auroral Research Program (em português: Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência), um conjunto de antenas criadas por um barão do petróleo utilizando as teorias e experimentos de Tesla. Os governos de diversas partes do mundo tem usado este complexo de antenas para manipular os climas e forças das naturezas pelo mundo como terremotos, maremotos, furacões e até mesmo as mentes humanas, criando assim armas geofísicas, para subjugar governos menos favorecidos ou forçar alianças ou acordos entre países "aliados". Muitos acham que é só uma teoria da conspiração mas existem muitos depoimentos e estudos de cientistas renomados e independentes confirmando sua existência. Esta primeira música do CD é que dá o nome ao álbum, um instrumental que traz o ouvinte a reflexão e despertar a consciência para a real ameaça que esse projeto representa. 


Faixa 2 – BLACK JOE

BLACK JOE conta a história do Jack Estripador já da visão atual, pois todos nós(o mundo inteiro) já sabemos quem ele é. Só não colocamos o nome da música de Jack Estripador pois já existem muitas com o mesmo título. Faixa 3 – HARPPIA 2.0 HARPPIA 2.0 é uma música instrumental que nasceu de uma Jam. Aya desenvolveu o tema quando entrou na banda, em seguida, o Tibério aprimorou arranjo colocando elementos que tornaram a música bem Harppiana. Tornou-se nossa música de abertura nos shows. Faixa 4 – BLACK ANGEL Black Angel é uma balada pesada que conta a história de uma prostituta, negra e linda que poderia ter seguido a carreira de modelo, mas como veio da pobreza , foi enganada e aliciada para a prostituição até que encontra um cliente que acaba se apaixonando por ela e quer leva-la e constituir uma família com ela. 


Faixa 5 – CAVALEIRO DE FOGO A música CAVALEIRO DE FOGO conta história de um guerreiro que se prepara para a guerra. Na verdade é uma fábula onde a interpretação pode ser livre. Você pode entender como um cavaleiro ou um deus se preparando para seguir sua senda para a libertação. 


Faixa 6 – BALADA

Originalmente ela foi gravada no disco SETE. Esta música tem servido de trilha sonora , inclusive no documentário Brasil Heavy Metal, em homenagem às pessoas queridas que partiram (faleceram). Durante os últimos shows, muitos fãs nos pediram para que a incluísse no repertório. Resolvemos regrava-la, com a produção de Flávio Gutok , ex-guitarrista do Harppia, pois numa conversa informal entre nós ele disse que não tinha ficado satisfeito com o resultado do disco SETE. E aí vocês podem conferir o resultado final. 


Faixa 7 – PROFECIA

Ela foi gravada ao vivo na extinta casa de shows Pirilampus Rock Bar, em Sorocaba. Não temos a data certa pois tocamos muitas vezes lá. Depois fizemos overdubs em um estúdio caseiro. A música é autoria de Hélcio Aguirra, fundador e ex-guitarrista do Harppia que infelizmente não está mais entre nós. Incluímos esta musica como homenagem a ele. Esta música era para ter entrado no primeiro disco "A Ferro e Fogo", mas como ainda se usava fita, e ela acabou no meio da gravação, Profecia ficou de fora. 


Faixa 8 – BEM VINDO AO INFERNO

Ela é uma música incidental, que era usada de trilha sonora antes dos shows do Harppia no final dos anos 80. Muitos fãs da época viviam perguntando sobre ela. Ela é literalmente uma viagem ao inferno onde você ouve uma música misteriosa e tenebrosa entre gemidos, gritos, choros de bebê e risadas de bruxas. É uma jornada para escutar em quarto escuro com aditivos da sua escolha.

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Stress - Devastação [2019]

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1 Devastação
2 Fogo E Fúria
3 Soldados Da Fé
4 Motorocker, A Lenda
5 Mundo Cão
6 Sintonia
7 Anjo Perdido
8 Heavy Metal É A Lei
9 Coração De Metal
10 Brasil Heavy Metal
11 BHM Sinfonia

sexta-feira, 26 de julho de 2019

Hélio Delmiro - Chama [1984]

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A1 Folha Morta
A2 Cerrado
A3 Ad Infinito
A4 Emotiva N°3
B1 Mulher Rendeira
B2 Quarto Minguante
B3 Tua
B4 Chama


Ficha técnica AQUI.

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Hélio Delmiro - Romã In Concert [1991]


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A pedido do colega Raul segue esse belo álbum.


A1 Espada De Fogo
A2 Inaiá
A3 Paz No Coração
A4 Carrousel
B1 Caravan
B2 Romã
B3 Só Saudade
B4 Autumn Leave

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Eumir Deodato - Samba Nova Concepção [1964]


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A1 Samba No Congo
A2 Adriana
A3 Estamos Aí
A4 Carnaval Triste
A5 Nanã
A6 Straits Of McClellan
B1 Capoeira
B2 Sonho De Maria
B3 Samba A
B4 Amor De Nada
B5 Coisa Nº 1
B6 A Morte De Um Deus De Sal

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Labirinto - Divino Afflante Spiritu [2019]

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Por Fabio Melo em Groud + Cast

Conheço o Labirinto tem pelo menos uns quatro anos para mais e sei o quanto eles se esmeram muito em trazer sempre o melhor resultado possível para suas canções. Iniciando com o post-rock, gradualmente foram abraçando o metal e pode-se dizer, sem nenhuma dúvida, que este disco representa o lado mais metal que a banda poderia abraçar.

Comparado com Gehenna, seu predecessor, Divino Afflante Spiritu é menos atmosférico e mais pesado, mais denso, com camadas de música e uma sonoridade que vai do sludge mais sujo ao psicodélico, em harmonias cheias de angústia e dor, que resumem a atmosfera dessas músicas. Este nome, aliás, não poderia ser mais interessante, pois trata-se também do nome da encíclica papal escrita pelo papa Pio XII, que pedia uma revisão da bíblia a partir de seus textos originais, não se valendo mais da tradução para o latim. Este nome, em tradução livre, significa “Inspirado pelo Espírito Santo” e este espírito traz à tona toda a série de pensamentos sombrios e tétricos. Destaca-se, mais do que nos álbuns anteriores, a percussão, que tem uma importância maior que as guitarras e ajudam a colocar todos estes elementos em harmonia.

Agnus Dei abre esta obra com uma bateria muito forte e também marca a participação de Elaine Campos nos vocais (ex-Abuso Sonoro e atualmente no grupo Rastilho)), cuja voz traz toda a violência do crust punk / hardcore, que lembra um bocado o Ragana, mas com mais velocidade e ódio. Os sinos dobram a marcam o começo da segunda faixa, Penitência, que tem uma forte presença de música psicodélica e se parece muito com o que foi apresentado no disco anterior, com toda a tristeza de uma música épica e majestosa. A presença do sludge fica ainda maior quando começa Eleh Ha Devarim, música que dá para sentir o peso das guitarras e da bateria, ambos dentro de escalas pouco convencionais, complexas, mas que não te exigem enquanto ouvinte para apreciar este som.

Demiurge é uma música com um ar mais atmosférico, para depois entrar com uma excelente combinação de instrumentos, com muito destaque para a sempre excelente bateria. É uma das faixas mais melódicas, com linhas mais diretas, mas não menos complexas e uma ambientação de sintetizadores que te transportam para uma viagem dentro do lado mais sombrio do ser humano. O momento de calmaria fica com Vigília e seus corais fantasmagóricos, servindo como introdução para Asherdu e seus solos de guitarra bem construídos, numa levada que te ambienta em um cenário de desespero e sofrimento. Para encerrar de forma monumental, a faixa-título Divino Afflante Spiritu resume e sintetiza muito bem todas as outras músicas, sendo a música mais triste, mais sombria e mais densa de todo o álbum, com uma intensidade que ao vivo deve ser algo para ser sentido enquanto se ouve, contando com uma oração no meio da música.

A produção ficou a cargo de Magnus Lindberg, guitarrista e percussionista do Cult of Luna, o que contribuiu bastante para a pegada mais melódica e épica. No geral, nota-se que, ao abraçar o metal como sonoridade, o grupo conseguiu atingir um grau de excelência que coloca todos eles no mesmo nível de grandes bandas internacionais. Divino Afflante Spiritu é acessível para quem não é um grande fã do post-metal, assim como também agrada quem procura por alguma coisa que fuja do convencional.


1. Agnus Dei
2. Penitência
3. Eleh Ha Devarim
4. Demiurge
5. Vigília
6. Asherdu
7. Divino Afflante Spiritu

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Sérgio Benchimol - Ciclos Imaginários [2007]

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1 Terral-II
2 Oregon Mountains
3 Daqui Prali
4 Deposis Da Praia
5 Shadow Valley
6 Ciclos

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Sérgio Benchimol - A Drop In The Ocean, An Ocean In A Drop [2004]

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Este é o primeiro trabalho da carreira-solo de Sérgio Benchimol, guitarrista, tecladista e saxofonista das bandas Semente e True Illusion. A banda que toca neste CD, formada por músicos com bagagem progressiva e jazzística, demonstra muito entrosamento e segurança na execução das músicas. O produção deste CD é um trabalho em conjunto de Sérgio Benchimol, David Ganc (que assina todos os arranjos de sopros e violoncelo) e Fabrízio de Francesco. A gravação e masterização foram feitas no Estúdio Overseas e a capa e o encarte são de autoria de Daniel Geller. 

Na verdade o CD começou a tomar forma em 2.001, quando Benchimol redescobriu composições antigas e começou a rearranjá-las com Ganc, logo após o reencontro dos mesmos para os show das bandas Semente e True Illusion no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, na ocasião das comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. 

O CD segue um conceito de dualidade herança da época do vinil), como já demonstra o título. Basicamente divide-se em duas partes. A primeira (o lado A) é um pouco mais “leve”, onde predom

inam piano e violão, com presença constante de bateria, flauta, violoncelo, percussão e oboé. O mellotron e o saxofone aparecem em alguns solos e bases. Vai até a oitava música. A segunda parte já é um pouco mais pesada, com uma fusão perfeita de rock e jazz. Guitarra, moog e saxofone juntam-se à bateria, com andamentos e compassos complexos, lembrando um pouco a escola britânica Canterbury dos anos 70, com leves toques de jazz. Enfim, o CD é uma fusão perfeita de rock, jazz, folk (atenção para 49a porta, com bandorim, flauta e guitarra) com espaço para alguns improvisos. 


1 Terral
2 Jonelas Do Ceu
3 Memorias De Viagens
4 Bamibdar
5 Toca Da Cigarra
6 Bossa Rio Jazz Walz
7 Jardim Dos Delicias
8 Maracatu
9 Maria
10 The Hunt
11 Falling Times
12 Exodus
13 A Drop In The Ocean
14 A Rocha E O Mar
15 Unpack Bagus
16 Estrelas Do Amanhecer
17 49 Porta
18 Carrossel
19 The Last Call

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Meireles e Os Copa 7 - Tropical [1969]

Mega .flac

A1 Sombrero Sam
(Charles Lloyd)
A2 Taboo
(Margarita Lecuona)
A3 The Jody Grind
(Horace Silver)
A4 Fuego
(Donald Byrd)
A5 Barefoot Sunday Blues
(Ramsey Lewis)
B1 The Gringo
(Horace Silver)
B2 Tropical
(J. T. Meirelles)
B3 Poinciana
(Buddy Bernier, Nat Simon)
B4 On Green Dolphin Street
(Kaper, Washington)
B5 Summertime
(Dubose Heyward, George Gershwin)

domingo, 23 de junho de 2019

Meirelles e Os Copa 5 - Esquema Novo [2005]

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Por Luiz Fernando Vianna em Folha de S. Paulo

Atento às invenções, J.T. Meirelles renova seu som histórico

João Theodoro Meirelles tinha apenas 23 anos quando fez para o primeiro disco do então Jorge Ben, "Samba Esquema Novo", alguns arranjos, entre eles o de "Mas que Nada", uma das músicas brasileiras mais gravadas no mundo. Hoje, 42 anos depois, ele lança o CD "Esquema Novo" para evocar o momento histórico e, como o título deixa claro, mostrar que está sempre se renovando.

"É diferente daquela época porque agora existem outros ritmos, outros instrumentos, o piano elétrico, e eu utilizo tudo isso", diz J.T. Meirelles, saxofonista, flautista, compositor e um dos criadores do samba jazz. Sua capacidade de avançar sem deixar de ser fiel às invenções de quatro décadas atrás fica clara na faixa-título, em que dá uma roupagem funk à famosa introdução de "Mas que Nada".

O mesmo pode-se dizer de "Aboio", "Solo", "Neurótico", "Quintessência", temas seus que ele já tinha gravado ou que constam de discos de parceiros de samba jazz, como o baterista Edison Machado e o pianista Sérgio Mendes, que em 1964 registrou "Neurótico" ao lado do Bossa Rio.

"Esse disco [de Mendes] tem aquele famoso subtítulo: "Você ainda não ouviu nada!". E não dá para ouvir nada mesmo, porque o Sérgio, como queria tocar em rádio, só deixou os músicos fazerem uns solos curtos", afirma ele, que em todas as 12 faixas abre espaço para improvisações.

Meirelles é muito sincero no jeito de falar, talvez por não ter muito a perder. Com os arranjos que fez nos anos 60 e os discos "O Som" (64) e "O Novo Som" (65), poderia ter se consagrado. Mas acabou ficando em segundo plano na história da bossa nova.

Em 2001, foi redescoberto tocando na loja de discos Modern Sound, no Rio, e reengrenou a carreira. A Dubas relançou em CD seus dois discos clássicos e gravou um novo "Samba Jazz!!" (2002). "Resolvi assumir minha porção de músico instrumental brasileiro e botar meu time em campo, senão ia ficar tocando em barzinho por dez merrecas. Em relação ao que era, minha profissão acabou", diz ele, que toca este fim de semana no Sesc Pompéia.

Mas as palavras enganam. Meirelles gosta muito de fazer shows, e muito dos arranjos que executa em "Esquema Novo" são frutos de suas apresentações, como os de "Vera Cruz" (Milton Nascimento) e "Casa Forte" (Edu Lobo). Recriou "Naima", de John Coltrane, acrescentando trompete e mais leveza à versão original.

Sua constante renovação também está nos músicos que o acompanham. Por trás da marca Copa 5, como sempre batizou seu conjunto, hoje estão artistas bem mais jovens que ele. O grande som de Meirelles é sempre um novo som.



1 Asa Delta
2 Aboio
3 Esquema Novo
4 Vera Cruz
5 Kary E Oka
6 Céu E Mar
7 Naima
8 Solo
9 Neurótico
10 Capitão Do Mato
11 Casa Forte
12 Quintessência

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Meirelles e Os Copa 5 - Samba Jazz!! [2002]

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1 Pinta Lá
2 Beco do Gusmão
3 Senzala
4 Copa 5
5 Mandinga
6 Última Página
7 Não Tem Caô
8 Sudeste
9 Samba Jazz
10 Lembranças

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Camille Claudel - Angústia [2019]

Link oficial


Por Mário Alencar

A atmosfera clássica no shoegaze de ''Angústia'', o 2o disco da banda Camille Claudel, de Volta Redonda (RJ). Reverbs lado a lado de delays, chorus, formando mil paredes de fuzz que ultrapassam os vocais ecoando sussurros em português. 

Camille Claudel é a junção do que é o post-rock atual com o shoegaze ''dazantigas'', ou o shoegaze que poucos realmente conhecem: Flying Saucer Attack, Astrobrite, Lilys, sem esquecer que Camille Claudel também é noise pop em algumas passagens, como a ''doce trip'' introspectiva de ''Mais um Cigarro'', vai fazer com que você recorde sim de My Bloody Valentine, Cocteau Twins, Slowdive. 

O EP que compõe 5 faixas com letras existenciais abordando os temas morte, solidão e esquecimento, horas noise, horas post-rock, horas dream pop, até um clima de post-metal vai entrar nesses ares, conhecem Jesu?! Nas faixas mais longas, como a que leva o nome do disco, inicia-se numa introdução suave e melancólica sem desligar os pedais de distorções que logo mais a canção entra num estado de raiva e insanidade e assim, ela retorna para o seu berço pleno, que chama a atenção do ouvinte convidando-o para dançar consigo mesmo ao belo coro que diz: ''No último dia, o seu peso era tão leve - Eu te carreguei e te deixei lá sozinha'' enquanto que uma batida firme e marcante leva ao fim do registro. 

''Angústia'' marcará uma era no cenário do ''rock triste com guitarras à frente de tudo''. É um EP que te provoca arrepios e calafrios numa madrugada intensa, analisando num contexto poético da coisa! 

A banda é formada por Frederico Griman (Guitarra e vocais), Luiza Griman (Contrabaixo), Túlio Freitas (Bateria) e Rafael Inácio (Guitarra), e merecem os méritos pelo trabalho em ''Angústia''; com certeza deixarão um legado nesses tempos de hoje da música subterrânea e artística. 


1. Imundice
2. Mais Um Cigarro
3. Outra Mente
4. Caracol
5. Angústia

terça-feira, 11 de junho de 2019

Kingargoolas - Dr. Gori Is A Tiki [2018]

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Surf music direto de Guarapuava/PR.


1. Dr. Gori is a Tiki
2. O Álibi De Abnadabe
3. Redemption Road
4. Gimme Gamma Ray

segunda-feira, 10 de junho de 2019

The Mullet Monster Mafia - I - И - F - E - R - И - O [2019]

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Aquele surf music que eu respeito.


1. Speed Surfing Demons
2. Porno Diesel
3. Dust Rain
4. Goats Eyes
5. Viciado
6. Milestone
7. Zorch X-99
8. A Revolta Dos Mandis
9. Black Coffin Board
10. Surfing Punk Zombies
11. Fishwater Cataia
12. O Ataque Das Muié Abêia
13. I.N.F.E.R.N.O.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Os Replicantes - Histórias de Sexo & Violência [1987]

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Dois fatos curiosos sobre esse álbum. Esse é o primeiro registro da banda em que há composições de Wander Wildner. E segundo o wikipédia a canção Adultera sofreu censurada antes de ser lançada, fazendo que fosse gravada somente o refrão da música. O Relicário do Rock Gaúcho disponibilizou a letra:

Você Mulher solteira
Só pensa em se casar
Ter um pênis só para si
Constituir um lar

Adúltera, adúltera, adúltera, adúltera

De dia lava louça
De noite quer trepar
Seu homem está cansado
De tanto trabalhar

Adúltera, adúltera, adúltera, adúltera




A1 Chernobil
(Heron Heinz, Wander Wildner)
A2 Sandina
(Jimi Joe)
A3 África Do Sul
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
A4 Mistérios Da Sexualidade Humana
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
A5 Adúltera
(Zico)
A6 Sexo E Violência
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
A7 Passageiros I
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)
B1 Astronauta
(Carlos Gerbase, Wander Wildner)
B2 Festa Punk
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
B3 Nicotina
(Claudio Heinz)
B4 Amor Eu Preciso
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
B5 Tom & Jerry
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
B6 Mentira
(Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)
B7 Passageiros II
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Os Replicantes - O Futuro É Vortex [1986]

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Por Ugo Medeiros em Coluna Blues Rock via #collecctors_

O punk, acima de tudo, é uma forma de protesto. Diferentemente do estilo dylaniano, letras recheadas de críticas ao sistema aliadas à simplicidade musical característica ao folk, o punk usa o sarcasmo como principal ferramenta. Fugindo do arquétipo panfletário, que o rebaixou a mero contestador político-partidário, esse estilo teve suma importância social desde a sua primordial criação por bandas como MC5 e Stooges. A forma era simples: perturbar e cutucar o inimigo com vara curta à base de muito escárnio e fanfarronice. 

Passaram-se os anos e o estilo ganhou uma estética própria. O mundo se distraia com a Guerra Fria, mas a juventude estava mais interessada nos Ramones, Hüsker Dü, The Undertones ou Black Fag.

Apesar da década de oitenta ter sido, até então, a mais tranquila dos últimos trinta anos, a crise política (final da ditadura militar brasileira) e econômica (a famosa “década perdida”) tornavam a produção cultural brasileira um tanto esquizofrênica. Uma militância política parasitando as artes assolava e tirava toda a pureza das obras. Fosse um texto, uma encenação teatral ou musical, era necessário ter um elo político. O mercado da “produção cultural” viu que discursos e ideologias políticas vendiam bem, logo, bastava apenas "colocar trancinhas" para esconder o aspecto natural de Nosferatu.

Evidentemente, isso também influenciou o punk. Apesar do atraso de quase dez anos, o estilo chegou ao Brasil e de imediato consolidou uma das escolas mais significativas desse estilo. O movimento que começou em São Paulo logo ganharia reconhecimento por todo o território nacional. Se por um lado havia bandas com fortes vínculos com órgãos políticos (PT, CUT, MST, entre outros), havia aqueles que, ainda, tentavam mostrar o quão frustrante era esperar algo via encenação política. Nesse contexto, Porto Alegre dava a luz aos Replicantes, em 1983.

A formação inicial, e considerada clássica, contava com Carlos Gerbase (bateria), Wander Wildner (vocal), Cláudio Heinz (guitarra) e Heron Heinz (baixo). Após gravar um EP pelo selo Vortex com apenas quatro canções, "Rock Star", "O Futuro é Vortex", "Surfista Calhorda" e "Nicotina" – essas duas últimas tornando-se hits na rádio Ipanema - o grupo fez estrondoso sucesso na capital gaúcha.

O próximo passo seria um LP. O trabalho trazia muita expectativa, pois seria a oportunidade da banda mostrar que tinha calos o suficiente para se consolidar na cena roqueira nacional. O Futuro é Vortex (RCA) chegou às prateleiras e, consigo, trouxe novos ares que oxigenaram o processo criativo e a própria concepção do indivíduo e do movimento “punk”. O disco começa bem. "A Verdadeira Corrida Espacial" fala sobre os rumos que a humanidade escolhe. Ao escutar essa faixa, temos uma certeza: os sortudos pegarão o primeiro vôo para fora deste planeta, enquanto que os fodidos permanecerão nesse caos rotineiro a espera do juízo final (e claro, nesse meio tempo, tomando ferro!).

"Boy do Subterrâneo" traz um dos maiores medos da Guerra Fria, a possível guerra nuclear. Meu amigo, também geógrafo, Francisco Antunes, já chamara a minha atenção sobre a quantidade de bandas daquela época que exploravam esse tema. Alguém já parou para pensar aonde e o que fazem atualmente os cretinos da censura? Por onde anda a pessoa do Governo Militar que selecionava e carimbava as obras permitidas? Censor é uma reflexão sobre a apatia cultural causada pela repressão. Como a dita liberdade garantiu menos uma produção cultural rica em qualidade do que apenas em quantidade, acredito que esse “trabalhador” continuou mandato após mandato e, hoje, deve ocupar algum cargo no governo Lula. Ele mostra que se tem fidelidade apenas à quem assina o contracheque e que a palavra, e não o estado de coisa, “liberdade” foi apenas mais uma concessão do Estado. Teoria da conspiração? Foda-se, isso aqui é uma resenha de punk!

A agulha continua gritando em "Ele Quer Ser Punk" e "Hardcore", duas faixas curtas, entretanto bem diretas. O bom e velho rock’n’roll ressurgindo em uma terra onde ser roqueiro é ser “menos brasileiro”. "Hippie-Punk-Rajneesh" é uma das letras mais inteligentes do rock nacional e fala das diversas fases que um cara apaixonado passou ao longo da vida.

"Motel de Esquina" e "Mulher Enrustida" falam sobre mulheres. Na verdade, trazem letras bem lúcidas que representam tudo o que os homens sempre quiserem falar: apesar do nhe-nhe-nhé feminino, no fundo elas querem apenas sexo. Atualmente, tais composições seriam alvos do movimento feminista, resultando em ação judicial e ato público contra a banda.

A música homônima ao disco, "O Futuro é Vortex", mantém a pegada das anteriores. Porque não é praticamente um “selo de qualidade punk”. Em pouco mais de um minuto, o quarteto, finalmente, fala a verdade a respeito da música brasileira: “Agora eu sei qual é a deles. Já peguei no pé do Gil. Eu quero que o Caetano vá pra PUTA QUE O PARIU. (...) O Gismonti é um chato tô cansado de saber, o Chico era um velho mesmo antes de nascer. (...) O samba me da asma bossa nova é de fuder, prefiro tocar bronha e punkar até morrer”. Finalmente criou-se coragem para criticar os queridinhos da "intelectualidade" tupi repleta de brasilidades ...

O melhor fica reservado para o final. "Surfista Calhorda" é uma marca registrada dos Replicantes, um dos seus maiores sucessos. A moral dessa história de apenas três minutos e meio (a mais longa) é que sempre há um otário se achando o "rei da cocada preta". 

E por último, mas nem por isso a menos importante, "Festa Punk", um dos maiores hinos do punk tupiniquim. Impossível escutar e não se lembrar dos áureos tempos de “rodinhas”.

O Futuro é Vortex é um trabalho de importância ímpar para o rock nacional. Letras diretas, músicas curtas, o melhor da pegada punk e o mais ácido humor dão forma a essa obra seminal.

Escutar e divulgar o começo de carreira dos Replicantes é um exercício necessário para manter vivo a maior criação do homem: o rock!



A1 Boy Do Subterrâneo
(Gerbase, Heron)
A2 Surfista Calhorda
(GerbaseHeron)
A3 Hippie-Punk-Rajneesh
(GerbaseHeron)
A4 One Player
(Gerbase, Claudio)
A5 A Verdadeira Corrida Espacial
(Gerbase, Claudio)
A6 O Futuro é Vórtex
(GerbaseHeron)
B1 Choque
(GerbaseHeron)
B2 Ele Quer Ser Punk
(Claudio, Heron)
B3 Motel Da Esquina
(Claudio)
B4 Mulher Enrustida
(ClaudioHeron)
B5 Hard Core
(GerbaseHeron)
B6 O Banco
(Heron, Luli)
B7 Censor
(GerbaseHeron)
B8 Porque Não
(Gerbase, Claudio, Heron)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Os Replicantes [1985]

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Heron Heinz - baixo
Carlos Gerbase - bateria
Claudio Heinz - guitarra
Wander Wildner - vocal


A1 Nicotina
(Claudio Heinz)
A2 Rockstar
(Claudio Heinz)
B1 O Futuro É Vortex
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
B2 Surfista Calhorda
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Matanza Inc - Crônicas do Post Mortem Guia Para Demônios & Espíritos Opressores [2019]

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O Matanza volta há ativa, depois da troca do vocalista e do próprio nome da banda, com novo álbum de inéditas.


Vital Cavalcante - vocal
Dony Escobar - baixo
Jonas Cáffaro - bateria
Marco Donida - guitarra
Maurício Nogueira - guitarra


1. Guia para Demônios e Espíritos Obsessores
2. Seja o Que Satan Quiser
3. Lodo no Fundo do Copo
4. O Elo Mais Fraco da Corrente
5. As Muitas Maneiras de Arruinar Sua Vida
6. Péssimo Dia
7. Tudo de Ruim Que Acontece Comigo
8. Para o Inferno
9. Chumbo Derretido
10. A Cena do Seu Enforcamento
11. Pode Ser Que Eu Me Atrase
12. Memento Mori Blues

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Boogarins - Sombrou Dúvida [2019]

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“Sombrou Dúvida” é uma pergunta. Um jogo de palavras. É uma contração de "Sombra ou Dúvida", o primeiro single do álbum. Pode parecer que há algo de obscuro na pergunta, já que ambas as opções não são exatamente alegres. No entanto, Dinho (vocal e guitarra), nos diz que a sombra se refere a um sentimento relacionado à sua zona de conforto, enquanto a dúvida é a incerteza que leva as pessoas a seguirem seus instintos.


Benke Ferraz - samples, guitarras
Dinho Almeida - guitarras e vocal
Raphael Vaz -baixo e synth
Ynaiã Benthroldo - bateria


1. As Chances
2. Sombra Ou Dúvida
3. Invenção
4. Dislexia Ou Transe
5. A Tradição
6. Nós
7. Tardança
8. Desandar
9. Te Quero Longe
10. Passeio

terça-feira, 21 de maio de 2019

Necro - Pra Tomar Chá [2019]

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Necro está de volta com esse EP esbanjando stoner e pysch rock.


1. Pra Tomar Chá
2. Rojão

Lillian Lessa - baixo, vocais
Pedro Salvador - guitarra, teclado, flauta, vocais
Thiago Alef - bateria, percusssão, vocais

segunda-feira, 13 de maio de 2019

Tim Maia [1979]

 
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Por Tiago Ferreia em Na Mira do Groove

“Boogie Esperto” abre o disco dando a impressão de ser uma espécie de continuação da fase que veio com o álbum anterior. Os naipes de metais fortes com a bateria acelerada oferecem o arsenal perfeito para se equiparar a um James Brown (claro que muito disso deve ser creditado à excelente Banda Black Rio, que mais uma vez acompanha Tim Maia). Essa estética faz uma ponte com seu estilo romântico, coisa que o Síndico já emenda em “Eu Só Quero Ver”, com arranjos do jovem Lincoln Olivetti, que também toca teclados – e tornou-se um de seus maiores parceiros musicais. Em “Canção Para Cristina”, Tim Maia diz voltar a ter vontade de amar – um sentimento comum a um homem que está chegando aos 40. “Vou Com Gás” funciona como uma sequência de “Sossego” – a instrumentação é bem parecida. Talvez pelo grande sucesso do single, Tim Maia aproveitou a levada, uma pequena homenagem ao estado de Minas Gerais. O álbum funciona bem mas, equiparado à explosão de Tim Maia Disco Club, é apenas uma molécula. Esqueça qualquer comparação, e você vai se entregar à bela “Pra Você Voltar” e ao boogie poderoso de “Para Com Isso” (obrigatória em festas revival) como se estivesse em um baile dos anos 1980.


A1 Boogie Esperto
A2 Eu Só Quero Ver
A3 Vou Com Gás
A4 Pra Você Voltar
A5 Geisa
A6 Vou Correndo Te Buscar
B1 Lábios De Mel
B2 Reencontro
B3 Foi Para O Seu Bem
B4 Canção Para Cristina
B5 Pára Com Isso
B6 Garça Dourada

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Jorge Ben - Negro Lindo [1971]

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Por Danilo em Oganpazan

JORGE BEN, TRIO MOCOTÓ & ARTHUR VEROCAI EM NEGRO É LINDO (1971)


JORGE BEN, TRIO MOCOTÓ & ARTHUR VEROCAI EM NEGRO É LINDO, PRODUZIRAM UMA PEÇA SINGULAR NA OBRA BENJORNIANA, DE LETRAS/ARRANJOS SENSACIONAIS!


Jorge Ben é um dos pilares mais importantes da música popular feita no Brasil pós-Bossa Nova, dono de uma inventividade incrível e que trouxe tons muito singulares a nossa música. Unindo um ataque violento, inovador e insinuante no violão a composições herdeiras da complexa simplicidade do samba. Suas composições talvez se caracterizem por um simplicidade unida a temas alienígenas, excêntricos ao que comumente se produzia no samba. Aliando por vezes uma abordagem diferente a assuntos comuns e em outros momentos inaugurando “letras” de um ineditismo total. Suas composições passeiam por temas como: amor, auto afirmação racial, temas cotidianos e lembranças da infância suburbana, mas também a filosofia de Santo Tomás de Aquino, Dostoievski, Alquimia, personagens históricos, futebol, mulheres.

Admirador do rock’n roll e da bossa nova, Jorge Ben estreia com Samba Esquema Novo em 1963, um disco que é ao mesmo tempo um herdeiro e destruidor da veia cool buscada pela tchurma de Copacabana. A força do seu ataque ao violão e seu balanço torto a essa altura só encontrou pares na turma do Beco das Garrafas e o seu samba jazz, com JT Meireles e os Copa Cinco. Tendo imprimido essa micro revolução na música brasileira em seu album de estreia e ao mesmo tempo alcançando amplo sucesso, o artista nunca se acomodou. Passeando por diversos gêneros e turmas da MPB, da Bossa Nova à Jovem Guarda, sendo também incorporado pelos Tropicalistas, Jorge Ben é das poucas figuras da música brasileira, senão a única, a ser admirado, gravado e a ter participado dos três movimentos nesta época. Talvez uma de suas principais características seja justamente essa leveza, entrando e saindo de todas as estruturas com sua liso como um ponta de lança.

Depois de uma estreia acachapante, pulamos para 1968, um ano após o lançamento de O Bidu – Silêncio No Brooklin (1967) época em que Jorge colou por São Paulo e com sua veia irreverente tentou o que chamou de Jovem Samba, adaptação benjorniana da Jovem Guarda. E foi nesse período que o Babulina (apelido dado por seu canto de Be Bop A Lula) de rolê por São Paulo, conheceu o Trio Mocotó na boate Jogral, point da night paulistana na época.

Grupo formado – estranhamente formado diga-se de passagem – por Nereu Gargalo (pandeiro), Fritz Escovão (piano, violão e cuíca) e Joãozinho Parahyba (bateria), os caras possuem (ainda estão na ativa) uma das formações rítmicas mais interessantes e inventivas já surgidas nas Universidade das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. Logo um ano após esse encontro singular Jorge Ben & Trio Mocotó já estavam defendendo, em um Maracanãzinho lotado, o clássico Charles Anjo 45 no Festival Internacional da Canção.

Dessa parceria que muitos consideram a melhor da carreira do Jorge Ben, nasceriam três discos oficiais Jorge Ben(1969), Força Bruta(1970) e Negro é Lindo(1971), além do disco ao vivo lançado apenas no Japão On Stage in Japan (1972). Talvez seja possível afirmar que é nesse período de sua carreira que o cantor, compositor, instrumentista e arranjador forjou seu estilo mais pleno, seja como letrista mas também como instrumentista. Sua inquietude fez com que sua herança roqueira aflorasse durante esse período e talvez justamente pelo encontro com o Trio Mocotó, tornou o seu violão um instrumento rítmico, com uma pegada que ficou conhecida como samba-rock.

Até então Jorge Ben já tinha trabalhado com arranjadores da estirpe de um JT Meirelles, Maestro Gaya, Trio Luiz Carlos Vinhas, José Briamonte e Rogério Duprat, mas não sem motivos resolveu escalar um jovem arranjador, com pouca experiência profissional. Faziam apenas 3 anos desde que Arthur Verocai tinha abandonado o curso de Engenharia Civil para se dedicar profissional e integralmente a música. Mas apesar do pouco tempo como arranjador ele já trazia no currículo excelentes trabalhos. Arranjos para o disco Ivan Lins, Agora (1971), mas também tinha trabalhado com Erasmo Carlos em Carlos, Erasmo (1971), além de ter também arranjado Elizeth Cardoso, Gal Costa, Quarteto em Cy, MPB-4, Célia, Guilherme Lamounier, Nélson Gonçalves e Marcos Valle. Além disso, vinha desde os anos 60 compondo canções para diversos artistas e participado como autor festivais da época. 

Apenas um ano antes de lançar uma verdadeira obra prima – Arthur Verocai (1972) - o maestro se junta a Jorge Ben & Trio Mocotó para o delicioso disco que fechará com chave de ouro essa fase do artista. E é a partir dessa tríade que tentamos entender por que Negro é Lindo(1971) se fez um disco tão singular dentro da carreira de Jorge Ben.

Em um disco que se chama Negro é Lindo, Jorge Ben abre os trabalhos com uma linda homenagem a Rita Lee, mulher branca e loira. Uma prova inconteste de que o panfletarismo tão em voga nessa década nunca foi a praia dele e de que seja em aspectos ideológicos ou musicais, a transmutação e a mudança sempre foram valores importantes em sua mente. “Rita Jeep” abre o disco inclusive destoando também de uma certa linha musical que encontramos ao longo da bolacha, com os ricos arranjos de cordas servindo ao ritmo.

Dentro de suas composições, as vezes de forma bem humorada e muitas vezes abrindo mão de uma certa lisergia que fez parte de suas composições desde o advento do seu encontro com o Trio Mocotó, Jorge Ben compôs lindas canções sobre questões existenciais. E “Porque é Proibido Pisar na Grama” é a ode máxima a esses aspectos, podemos inclusive entendê-la como uma continuação da linda “Descobri Que Sou Um Anjo”, presente no disco de 69. Jorge Ben utilizou imagens recorrentes em suas composições, ora citando trechos de suas próprias músicas ora buscando continuações temáticas e aqui temos uma prova desse último procedimento: “Descobri que além de ser um anjo, eu tenho cinco inimigos“.

Aqui já podemos perceber a forte e doce mão dos arranjos de Verocai com a inserção de uma belíssima orquestração colocada como contraponto e ao mesmo adorno ao ritmo insinuante do Trio Mocotó e ao violão soberano do Ben. A melodia e a harmonia da composição orquestral casando perfeitamente com o tom de questionamentos existenciais, criando uma espécie de drama musical. Descobrindo que é um anjo, que precisa ser mais durão, mas que quer saber também porque é proibido sentir a maciez de um gramado, Jorge Ben adianta a música seguinte, criando um nexo com o personagem abordado a seguir.

Hoje, Muhammad Ali é em sua inteireza como homem e atleta um símbolo enorme e fortemente associado às qualidades éticas e estéticas do povo negro em diáspora. Seu corpo, sua fala, sua malandragem, mas também seus posicionamentos políticos encarnaram uma série incrível de características da cultura negra e passaram a influenciar pessoas, movimentos políticos e sociais, e também as artes. Em “Cassius Marcelo Clay”, Jorge Ben em parceria com Toquinho, capta isso em sua poesia com a genialidade que lhe é peculiar e com uma agudez que denota o quanto ele estava atento ao movimento dos direitos civis nos E.U.A.

Um herói negro, sucessor de heróis brancos, fantasiosos e porque não? representantes do status quo racista americano. Se hoje Ali é visto como um precursor do Spoken World e do Rap, Jorge Ben associa-o em seus espetáculos no ringue à cadência das escolas de samba e aos esquemas táticos do futebol. Mostrando que um corpo negro é pensamento e ritmo, logo arte, assim como Resnais & Marker constataram em Les Statues Meurent Aussi 1953. E meus amigos. que violão é esse que só o samba rock do mestre nos pode dar? Novamente aqui acompanhado de cordas porém, dessa vez sem a percussa do Trio Mocotó, com exceção de um solo de atabaque.

Outra grande qualidade da sua música é a forma como e o quanto cantou as mulheres, alcançando em 10 anos pelo menos algo próximo de uma centena de canções, com os mais diversos enfoques. Nomeando-as, localizando-as racialmente, construindo uma obra dentro da obra, que é um belo panorama das mulheres brasileiras. Só aqui nesse disco, das dez canções presentes, metade são sobre mulheres. Loiras, morenas e negras, Rita Jeep, Cigana e Zula, lembro com exatidão do meu amigo Adílio, o responsável por me apresentar o conjunto da obra do Ben, galanteador todo, sempre encontrando os tipos femininos do Jorge nas cocotas que víamos na rua.

Apesar do óbvio lugar de fala do qual emitia suas poesias ser o de um homem negro e assim carregar algum machismo, em geral suas músicas são lindas homenagens. “Cigana” possui um tom mais brejeiro, de elogios doces, promessas de amor e de espera, calhando muito bem com o andamento cadenciado e o os backing vocals femininos de fundo. Uma tristeza não saber o nome de muitos músicos e nem das meninas que aqui cantam. Já “Zula” tipifica uma mulher brasileira de origem Zulu, e a construção dos elogios pode ser lido num recorte racial muito interessante. Ben canta: “É impossível imaginar, tudo que essa nega merece, tudo que essa nega tem, tudo que essa nega promete“. Se por um lado é possível entender como um verso de fundo sexual, dada a temática do disco e a sempre elegante maneira de se referir ás mulheres, é possível entender também como uma exaltação da mulher negra brasileira.

Algo que pode ser reforçado pela faixa seguinte e que dá título ao disco: “Negro é Lindo”. De formação católica mas de evidente origem africana, sua mãe é etíope, Jorge Ben procede num estranho sincretismo em sua obra. A música que traz em seu bojo uma das frases de afirmação do movimento de direitos civis americano e dos Black Panthers: Black is Beautiful, é aqui atualizada a nossa realidade. Com referências a Zambi, ao nosso Preto Velho, Dandara e falando ao final da canção em Mbundu, temos uma sinal bastante claro de respeito a uma das culturas que compõe nossa herança africana e as lutas históricas do povo negro brasileiro. Uma das canções mais significativas da obra do mestre Ben e uma pedra de toque do disco aqui em questão. Outra das maravilhosas e engenhosas participações singulares do Arthur Verocai com sua mão orquestral.

E como acima dissemos, Jorge Ben tem uma farta quantidade de canções de afirmação racial e seria de se esperar que num disco que se chama Negro é Lindo, tivéssemos apenas variações sobre o mesmo tema. Mas ao produzir essa afirmação, ele incorpora a diferença como traço distinto de alteridade e vem em seguida com “Comanche”, tribo indígena da América do Norte. Novamente, uma tristeza não saber quem comanda o trompete alucinado ouvido nessa canção. Porque além da swingueira do Nereu, Escovão e do Parahyba segurando o groove com um excelência absurda, umflugelhorn literalmente duela durante toda a música com o órgão comandado (imaginamos) por Fritz Escovão. 

Sua segunda parceria com Toquinho presente nesse mesmo álbum e num momento onde o próprio Jorge Ben compunha todo o material que gravava, se transformou em um de seus maiores sucessos. “Que Maravilha” foi lançada originalmente em 1969 e é um dos muitos exemplares de músicas do Ben que foram regravadas por deus e o mundo, e a versão presente neste disco é a nossa preferida. Num bolerão de arranjos e execução que nos lembram um bar enfumaçado numa noite solitária, apenas a cerveja a esquentar na mesa enquanto lembramos do nosso amor. Em contraposição com a letra que descreve uma cena de dois amantes se encontrando alegremente em meio ao caos urbano durante um dia de chuva, mas com um ar ensolarado presente na felicidade expressa na canção. Simplesmente um clássico completo e absoluto.

O disco termina com um par de canções sobre mulheres e o amor gigantesco que Jorge Ben dispensa a todas elas. Um amor que pode encontrar nessa imagem seu equivalente para todos os casos de Bebete a Jesualda, de Dorothy á Domenica, de Gabriela à Lorraine:

“Os ramos ultrapassantes/ E as raízes invadentes/ Do meu coração/ Percorrem com carinho/ Com uma velocidade ilimitada de afirmação/ De como é grande o meu amor por você.”

Outros dois exemplos lindos, do que essa trinca Jorge Ben, Trio Mocotó & Verocai puderam produzir, a louvarem o amor pela música, a preocupação com a criação e sobretudo a uma certa noção de entendimento do que seja o humano. A beleza e a força das composições, dos arranjos dessa obra de arte que toma a afirmação da beleza negra para alcançar as diferenças, pensando a noção de alteridade como algo supremo nas relações e chegando assim ao humano. O reconhecimento do outro em sua diferença mesma, como aspecto principal do nosso conviver, a ideia de que o negro é a soma de todas as cores, sem recair num amor vazio pela Humanidade, nem na anulação da luta racial, com a plena consciência da historicidade nas relações de opressão. Um disco bonito, mais uma das obras primas compostas por esse verdadeiro gênio máximo da música brasileira e mundial.


A1 Rita Jeep
(Jorge Ben)
A2 Porque É Proibido Pisar Na Grama
(Jorge Ben)
A3 Cassius Marcelo Clay
(Jorge Ben, Toquinho)
A4 Cigana
(Jorge Ben)
A5 Zula
(Jorge Ben)
B1 Negro É Lindo
(Jorge Ben)
B2 Comanche
(Jorge Ben)
B3 Que Maravilha
(Jorge BenToquinho)
B4 Maria Domingas
(Jorge Ben)
B5 Palomaris
(Jorge Ben)