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sábado, 24 de novembro de 2018

Lestics - Breu [2018]

Link oficial .wav


Por Moisés Lima em Música Café

"até um certo ponto é tudo início 
passado esse limite é tudo fim 
é como decolar de um trampolim 
e mergulhar no breu do precipício"


A letra acima é da faixa Breu que inicia o novo disco do Lestics de mesmo nome, "Breu", palavra essa que nos leva a um lugar escuro onde não se enxerga quase nada. Metaforicamente falando é um nome apropriado para a abordagem da banda no registro por trazer algo realístico as variadas situações que podem nos afligir e não enxergamos uma solução a frente. 

Quanto a fazer um disco com boas letras o Lestics acertou em cheio. O novo disco recebeu toda uma atenção especial com direito a fanzine e tudo. Aliás falando um pouco sobre a banda, ela é aquela que sempre lança discos interessantes, mas parece que muitos ignoram seu real valor. Eles já estão nas vielas do underground brasileiro desde 2006 e já colecionam oito discos de estúdio. Um trabalho e tanto!

O novo disco "Breu" tem muito a dizer em suas letras. Como vemos na segunda faixa, Mais do Que Isso, o grupo foca em expor o cotidiano e a chatice que ele pode causar: o trabalho sem graça, o descanso mortiço é preciso que exista algo mais do que isso. Entre uma visão realista e talvez conformista há um espaço para se ter desejo como bem retratada em Dois quando conclui: um sempre foi perfeitamente bom mas dois também não deve ser ruim.

A faixa Balada do Fundo do Bar traz um sugestivo brega alternativo(?) narrando aquele trágico momento que você vai afogar as mágoas em um bar (garçom, deixe o mundo acabar mas não deixe o meu copo vazio). O instrumental no álbum, bem polido, se conecta bem as letras e adapta ritmo e intensidade ao sentimento presente em cada canção cantadas na voz de Olavo Rocha. A roupagem roqueira do Lestics preza por expor uma imagem simples e honesta de suas referências como destaca bem as singelas Do Jardim e Fim de Tarde Nas Ilhas Bikini.

A belíssima Far Niente, expressão italiana que significa "fazer nada", encerra o disco mostrando uma balada cuja melodia cativante carrega um sentimento não muito esperançoso: a preguiça promete à vergonha que o dia seguinte vai ser diferente

Ouvir "Breu" mais de uma vez se faz necessário. Na primeira vez muitos detalhes podem passar despercebidos e ele te obriga a ouvi-lo novamente pois há muito a revelar. É curto, de apenas sete faixas no total de 27min, que mostra a urgência de expor sentimentos presos e reais com um tom poético.

domingo, 24 de julho de 2016

Lestics - les tics [2007]

Link oficial 320kbps


Por Lestics em sua página no facebook

'les tics' é o nosso segundo álbum, gravado em 2007 no quartinho dos fundos do apartamento do Umberto Serpieri. Lo-fi até o talo: um mic, um computador velho, dois caras, um punhado de canções… Agora o disco está nos serviços de streaming (Spotify, Deezer etc. etc.), e se você nunca ouviu 'Gênio', 'Luz do outono', 'Caos' ou algumas das outras músicas do 'les tics', beeeem, aí está uma boa oportunidade = )

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Lestics - Aos Abutres [2010]

Download


Por Jéssica Gabrielle L.

"Você quer se salvar e segue adiante/ Mas o céu jamais esteve tão distante". É assim que o primeiro refrão reverbera as ótimas 11 canções do quarto disco da banda paulistana Lestics, Aos Abutres . Libertos de amarras e rótulos que poderiam muito bem destoar e até mesmo estragar a naturalidade que a banda transborda. Tem gente que diz que os caras são folks. Eu acho que são muito bons - assim, sem dizer de que partido fazem parte. Lestics é um daqueles grupos que fazem a diferença na cena brasileira atual, assim acredito. Em meio a tantos wannabes e pretensiosos, os caras fazem um som bonito e sincero.

Posso estar enganada, mas Aos Abutres é um disco feito por apaixonados, com letras de amor, seus tropeços e sutilidades que sempre fazem inflar o peito de quem tem um alguém (ou não) para compartilhar os mais diversos momentos, "Parto Normal" dita bem isso. Vivemos de rotina e se não soubermos sair um pouinho dela a vida nos engole. Acho que podemos reparar isso em "Elevação". Muitas vezes é preciso deixar pra trás nosso orgulho e rancores pra poder seguir em frente. Não, não é um texto nem disco de auto-ajuda, mas das coisas cotidianas, que esquecemos todo o tempo de enxergá-las.

sábado, 15 de setembro de 2012

Lestics - História Universal do Esquecimento [2012]



Por Cleber Facchi

De todas as bandas nacionais que surgiram ao longo da última década, a paulistana Lestics é de longe uma das mais curiosas. Sem a intenção vulgar de produzir um som comercial, o fascínio de se relacionar com um selo/gravadora e ciente do público reduzido que a acompanha (ouvintes que “misteriosamente” crescem a cada novo trabalho), o projeto comandado por Olavo Rocha (voz) e Umberto Serpieri (violão,teclados,guitarra,gaita e voz) chega ao quinto registro dentro de uma estufa criativa e particular que lentamente se abre aos ouvintes. Denominado História Universal do Esquecimento (2012, Independente), o novo disco (também lançado dentro do site da banda) parece fadado a tudo, menos desaparecer das mentes e dos ouvidos dos espectadores.

Com um acabamento menos sombrio do que o anterior Aos Abutres (2010), o projeto segue com a contribuição (necessária) de Marcelo Patu (baixo) e Marcos Xuxa (bateria), instrumentistas que auxiliaram a dupla inicial a alcançar um novo resultado dentro da estrutura antes limitada do projeto. Ainda dialogando com as mesmas pluralidades da música folk, indie e do country alternativo – encontros que em algum momento fluem como um misto entre Cass McCombs e Wilco -, a banda deixa o enclausuramento dos projetos passados para soar maior, não apenas na extensão do disco (o maior até aqui), mas na maneira como os instrumentos, os detalhamentos e principalmente os versos parecem se expandir no decorrer da obra.

Da mesma forma que os trabalhos anteriores, com o novo disco o uso constante de versos temperados pelo impacto sutil das palavras e frases arquitetadas de forma a atrair o ouvinte está por todos os lados. Habilidade natural de Olavo Rocha, que desde o “hit” Luz do Outono provou cantar sobre amor como ninguém, em História Universal do Esquecimento temos mais um substancial cardápio de composições que discutem o romantismo com esperança (Enquanto Espero) e certa dose de melancolia (Saudade do cativeiro). Dentro dessa dicotomia de percepções, não é difícil nos depararmos com versos que mesmo simples (“Você pode ir decidindo enquanto beija/ e eu posso ir te beijando enquanto espero”) representam exatamente aquilo que o espectador busca dizer, como se o álbum fosse do princípio ao fim um imenso tradutor de sentimentos.
Longe de apenas falar sobre amor ou términos de relacionamentos, assim como nos primeiros discos Serpieri e Rocha apresentam um colosso de músicas que tratam dos mais variados reflexos da vida e das percepções humanas. Da saudade e distância dissecadas em um criativo jogo de palavras na faixa Quinze Mil Dias (“Quase quinze Mil Dias/Vivendo Quase Mil Metros/Acima do nível do mar”) ao teor amargurado que se dissolve na quase vingativa A mesma decepção(“Na minha imaginação/ Seu Perfume Era Discreto/ Suas pernas eram longas/ Seu sorriso era completo”), o disco surge repleto por desajustes cotidianos que de tão comuns surgem como inéditos na voz e nos versos enaltecidos pelo vocalista.
Mesmo profundamente íntimo de tudo aquilo que a banda já produziu (principalmente no conteúdo das letras), o presente registro estimula o nascimento de músicas muito mais “comerciais” e de fácil assimilação. Para além da bem resolvida tríade de abertura, todas as faixas presentes no disco parecem surgir como prontas para animar a trilha sonora da novela das nove, efeito antes limitado na construção dos anteriores álbuns, mas que agora se expande de forma notável. Em História Universal… as canções parecem muito mais plásticas e até dinâmicas, ainda que profundamente sinceras e capazes de comover o espectador em uma rápida passagem, acabamento lírico (e também instrumental) que deve aproximar o grupo paulistano de uma nova onda de espectadores.
Nada limitado quando o comparamos com o “caseiro” e tímido 9 Sonhos (2007), ao alcançar o quinto disco da carreira a Lestics parece pela primeira vez ciente de todas as possibilidades e possíveis alcances de sua obra. Não apenas os companheiros de banda posteriormente anexados parecem bem ambientados como Umberto Serpieri e Olavo Rocha soam melhor habituados ao composto que eles próprios ajudaram a desenvolver, resultado que se anuncia na construção de faixas coesas, menos ríspidas e que pouco a pouco parecem romper com os limites antes intencionais que ocultavam a obra e um provável crescimento do grupo.