segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Nenhum de Nós [1987]

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Por Durango 95

O 1º disco do Nenhum de Nós, álbum homônimo, com 10 faixas, é lançado em 1987. Consagrando seu “carro-chefe”, “Camila, Camila”, seu clássico absoluto – canção mais executada em rádios no ano de 1988/89. Nessa obra vê-se claramente a influência New Order da banda embalada pelo seu caldeirão de inspirações. Sonoridade desde sempre original - destaque para a música “Adeus” , última faixa do lado A. O grupo já assumia a característica de compor músicas extensas e letras lógicas. Tratando temas sociais, relacionamento, viagem interior. A última faixa do lado B traz uma participação especial bem interessante: Vitor Ramil – por telefone!!! Esse disco não foi lançado em CD até hoje tornando-se uma raridade e objeto de desejo dos fãs mais novos.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Poços & Nuvens - Ano Veloz Outono Adentro [1998]

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Do Site Oficial

Em Ano Veloz Outono Adentro (acima), as músicas se desenrolam no âmbito de um ano, começando num outono, passando por todas as estações e finalizando no outro outono.

As letras em português refletem, entre outros temas, a busca de uma relação mais próxima do homem com a natureza, a passagem do tempo e as estações bem como a procura de um mundo melhor. A banda recebeu influências de O Som Nosso de Cada Dia, O Terço, A Barca do Sol, Rush e Jethro Tull.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Som do Vinil - Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets

Charles Gavin entrevistando alguns dos músicos que participaram da gravação desse clássico.

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Luiz Bonfá - Merry Christmas With Luiz Bonfá [2012]

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Entrando no clima natalino ouvindo jazz e bossa nova com o sempre ótimo Luiz Bonfá.

01. Batucada (Original Mix) - Luiz Bonfa
02. Over the Rainbow (Original Mix) - Luiz Bonfà, Jorge Henrique
03. Minha Saudade (Original Mix) - Luiz Bonfa
04. Perdido De Amor (Original Mix) - Luiz Bonfà, Ed Lincoln
05. Calypso Minor (Original Mix) - Luiz Bonfa
06. Shearing (Original Mix) - Luiz Bonfa
07. Pernambuco (Original Mix) - Luiz Bonfa
08. Island of Trindade (Original Mix) - Luiz Bonfa
09. Old Times (Velhas Tempos) (Original Mix) - Luiz Bonfa
10. Trinidad (Original Mix) - Luiz Bonfà, Ed Lincoln
11. Indian Dance (Original Mix) - Luiz Bonfa
12. Nelly (Original Mix) - Luiz Bonfa
13. Yesterdays (Original Mix) - Luiz Bonfa
14. Bonfabuloso (Original Mix) - Luiz Bonfa
15. Marajo (Original Mix) - Luiz Bonfa
16. Luzes Do Rio (Lights of Rio) (Original Mix) - Luiz Bonfa
17. Cancao De Outono (Original Mix) - Luiz Bonfa
18. Night and Day (Original Mix) - Luiz Bonfa
19. A Chuva Caiu (Original Mix) - Luiz Bonfa, Antonio Carlos Jobim
20. Bagpipes (Original Mix) - Luiz Bonfa
21. Sambolero (Original Mix) - Luiz Bonfa
22. Garoto (Original Mix) - Luiz Bonfa
23. Fanfarra (Fanfare) (Original Mix) - Luiz Bonfa
24. Marcha Escocesa (Scottish March) (Original Mix) - Luiz Bonfa
25. Na Baixa Do Sapateiro (Original Mix) - Luiz Bonfa
26. Amor Sem Adeus (Love Without Goodbye) (Original Mix) - Luiz Bonfa
27. I'll Remember April (Original Mix) - Luiz Bonfa
28. Arabesque (Original Mix) - Luiz Bonfa
29. Manha De Carnaval (Original Mix) - Luiz Bonfa
30. A Brazilian in New York (Original Mix) - Luiz Bonfa
31. Variacoes Em Violao (Variations On Guitar) (Original Mix) - Luiz Bonfa
32. Carnaval De Ontem (Original Mix) - Luiz Bonfà, Jorge Henrique
33. Blue Madrid (Original Mix) - Luiz Bonfa
34. Samba De Orfeu (Original Mix) - Luiz Bonfa
35. Adios (Original Mix) - Luiz Bonfà, Jorge Henrique
36. Prelude to Adventure in Space (Original Mix) - Luiz Bonfa
37. Tenderly (Original Mix) - Luiz Bonfa
38. Agora E Cinza (Original Mix) - Luiz Bonfà, Ed Lincoln
39. Preludio (Original Mix) - Luiz Bonfa
40. E Quiero....Dijiste (Original Mix) - Luiz Bonfà, Jorge Henrique
41. Carnival (Original Mix) - Luiz Bonfa
42. Uma Prece (Original Mix) - Luiz Bonfa
43. Seringueiro (Original Mix) - Luiz Bonfa
44. Chopin (Original Mix) - Luiz Bonfa
45. Brasilia (Original Mix) - Luiz Bonfa
46. Lonely Lament (Original Mix) - Luiz Bonfa
47. Murder (Original Mix) - Luiz Bonfa
48. The Song Is You (Original Mix) - Luiz Bonfà, Jorge Henrique
49. Quebra Mar (The Seawall) (Original Mix) - Luiz Bonfa
50. George Back in Town (Original Mix) - Luiz Bonfa

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Forsik - Bicho Caveira [2013] EP

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Por Daniel Silva
publicado em 3 outubro de 2013 no Rifferama

O trio ForsiK levou mais de um ano para finalizar o EP “Bicho Caveira”, que será lançado hoje, dia 3, no General Lee, em Florianópolis, com abertura da Eletromotriz, de Garopaba. Formado em 2010 pelo baterista Leandro Vidal, a formação do grupo só se estabilizou quando o baixista Afonso Baleeiro assumiu os vocais. O guitarrista Marcelo Marini está desde o começo do projeto.

Curiosamente, nenhum dos integrantes nasceu em Santa Catarina. Todos vieram a trabalho ou estudo (de MG e PR) para a Capital e se tornaram amigos por causa da música, que no caso da ForsiK é pesada, suja e agressiva, algo na linha do Red Fang, com bastante influência de Black Sabbath e Motörhead.

O stoner rock/heavy metal da banda foi moldado nos inúmeros ensaios no estúdio Pimenta do Reino, onde o “Bicho Caveira” foi gravado, masterizado e remasterizado em um longo processo, mas que deixou os integrantes da ForsiK mais do que satisfeitos com a sonoridade encontrada, como contou ao Rifferama o baterista Leandro Vidal.

- Desde que a banda surgiu ensaiamos sempre lá. Acredito que isso tenha ajudado muito no processo de gravação, pois nos sentimos em casa e, além de conhecermos bem os profissionais que trabalham lá, eles conhecem a nossa proposta. Como se tratavam de três músicas, estávamos bem preparados e gravamos tudo em quatro finais de semana (em julho de 2012). Em novembro a primeira masterização saiu com um resultado muito bacana e nesse ano remasterizamos as músicas novamente. O resultado ficou surpreendente.

A ForsiK tem outras cinco músicas prontas para irem para o futuro disco da banda, que pode ser lançado também em formato físico, caso surja o contato com algum selo. A resposta das pessoas ao EP tem empolgado o trio, que foi batizado com essa palavra (junção de Force/Força e Sick/Doente) que representa os opostos que as pessoas vivem no dia a dia, frustrações, motivações, etc., buscando o equilíbrio entre esses extremos para seguir em frente, segundo Vidal.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Eduardo Araújo - Pelos Caminhos do Rock [1975]

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Por Márcio Aquino
publicado no Tarati Taraguá

Em 1975, Eduardo Araújo fazia um rock da melhor qualidade. Estava lançando um excelente disco: Pelos Caminhos do Rock, e fazia parte de um grupo de artistas que surgiram na Jovem Guarda, e após o fim do movimento continuaram fazendo rock, de uma forma mais madura e radical. Hoje ele nada lembra o cantor de rock que já foi. Costuma se apresentar com um chapelão de vaqueiro, cantando um country meio sertanejo e chato. Mas seu passado é glorioso, como cantor e compositor que fazia soul e rock de primeira. Não é à toa que na época, a revista Pop fez com ele uma matéria intitulada "Eduardo Araújo Rockeiro de Corpo e Alma":

"Rockeiro que não evolui perde público". É assim que Eduardo Araújo, um cara que, na época da jovem guarda já levantava muita poeira na estrada do rock, explica as mudanças que sua imagem vem sofrendo de uns tempos para cá. "Na verdade, essa mudança começou há alguns anos. Quando o pessoal da Jovem Guarda saiu do iê-iê-iê e entrou na onda da musiquinha romântica tipo dor-de-cotovelo, eu caí fora e comecei a fazer o 'bolero eletrificado', que era uma música muito mais brasileira. E mandei brasa em "Maringá" e "Chuá-Chuá", por exemplo. Depois evoluí bastante tocando guitarra e passei a elaborar novos arranjos. Estou sempre acompanhando o movimento da música que se faz lá fora, mas acho que o nosso rock tem de ser diferente, autêntico."

Para ele, rock não é apenas ritmo, mas toda música que se faz hoje para os jovens. Uma música com mensagem e que pode ser até samba: "O Milton Nascimento é um dos melhores rockeiros do Brasil". Entusiasmado com seu novo show, que já apresentou no Rio e em São Paulo e vai agora para todas as capitais, e com o LP Pelos Caminhos do Rock, que tem até som latino, Eduardo Araújo mostra uma fé inabalável no sucesso do rock brasileiro: "Os rockeiros ainda são perseguidos e têm muitos problemas com a censura. Mas é só a gente resolver certos grilos, e o rock vai estourar de verdade por aqui". Ele acha que, é preciso liberar festivais ao ar livre para o público conhecer os conjuntos novos, já que as gravadoras pouco se interessam por eles.

Provando que acredita realmente nesse trabalho jovem, Eduardo Araújo acaba de fundar a Pirata Gravações Musicais, que vai botar muito rock novo na praça. "Mas é importante também que os músicos simplifiquem os arranjos, fazendo um rockão com raízes brasileiras, que leva o público a participar. Daí pra frente, ninguém consegue segurar o movimento: "A não ser que os rockeiros insistam em continuar agindo dessa maneira, tão desunidos. "Mas a gente precisa dar uma grande força. Afinal, alguma coisa tem de acontecer com a juventude brasileira."

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Wander Wildner - No Ritmo da Vida [2004]

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Por Anderson Nascimento
publicado em 1 de julho de 2004 no Whiplash

Encartado com o número dois da revista Outracoisa, o novo cd do punker Gaúcho Wander Wildner, é uma coletânea de hits acrescida de algumas músicas inéditas do cancioneiro auto-biográfico do cara.

O sujeito é um cara super citado (e elogiado) pelos veículos musicais e artistas brasileiros, o que por si só já é um ponto de referência para o artista e esse disco traz um pouco do seu perfil nas suas doze músicas, produzidas quase integralmente por ele e pelo rodado Tom Capone.

Este disco é o quinto de sua carreira solo, Wander fez/faz história junto da banda oitentista “Replicantes” que está completando 20 anos de carreira. Em sua carreira solo, Wildner iniciou um estilo chamado de Punk Brega, justamente por descrever sua vida em cada uma das músicas.

Para quem ainda não conhecia, o disco tem a versão original de “Bebendo Vinho”, que fora regravada pelo Ira! no disco “Isso é Amor” e, surpresa, o vocal arrastado de Wander Wildner é o mesmo usado por Nasi na versão do Ira!.

As músicas desfilam versos super conflituosos e de uma sinceridade ímpar, como é o caso da música “Mantra das Possibilidades” (“minha vontade é ser bonito, mas eu não consigo...”, “sonho em ter cabelo comprido, mas eu não consigo...”). É assim também na música “Anjos e Demônios” (“Anjos e Demônios passam por mim, cruzam os céus e zombam de mim...”). “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”, segue a linha brega e é um dos destaques do disco, é um rock a lá anos 80 que descreve uma dor de cotovelo de um amor mal resolvido. “O sol que me ilumina”, também fala sobre um relacionamento “Foi uma linda história de amor, provavelmente a maior, depois que acabou minha vida virou um inferno”, diz o próprio Wander a respeito da música que lembra Renato Russo na época de “A Tempestade”.

Mas o disco também traz uns hits bem pesados como “Eu tenho uma camisa escrita eu te amo” e “On the road”, escapista e empolgante ao extremo.

Outro destaque é a música “Damas da noite” sobre “as mulheres da vida”, letra forte e realista que entrega o estilo escancarado de compor de Wander Wildner.

Por fim, o disco ainda traz um soneto musicado de Glauco Matoso chamado “Ensaístico” interpretado e pontencializado pelo esporro da voz do cantor.

Enfim, é uma excelente oportunidade para que não conhece o artista sair do zero e curtir este brilhante compositor.


 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Anjo Gabriel - Lucifer Rising [2013]

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Por Ricardo Seelig em Collectors Room

Interessante o segundo passo dado pela banda pernambucana Anjo Gabriel. Após lançar em 2010 o seu primeiro disco, o excelente e justamente aclamado O Culto Secreto do Anjo Gabriel, o quarteto formado por Cristiano Ras (guitarra e voz), André Sette (teclado, theremin, flauta e voz), Marco da Lata (baixo e voz) e CH Malves (bateria) ousa em seu segundo álbum. Batizado como Lucifer Rising, o trabalho é uma trilha alternativa para o filme homônimo do cineasta norte-americano Kenneth Anger, película essa que contou com a participação ativa de Jimmy Page (como você sabe, a cabeça do Led Zeppelin) na produção executiva e também na composição de sua trilha sonora original. Porém, devido a desentendimentos entre Page e Anger, o guitarrista inglês abandonou o projeto e manteve as músicas que havia composto inéditas por décadas, lançando-as apenas em 2012 em um LP vendido somente através de seu site oficial.

O que o Anjo Gabriel faz no seu segundo disco é imaginar uma nova trilha para o filme de Kenneth Anger, em um caminho sonoro que não tem nada a ver com o proposto por Page. A ideia para o projeto surgiu em 2010, na mostra Play the Movie, realizada durante o festival No Ar Coquetel Molotov, em Recife, onde as bandas eram convidadas a imaginar uma trilha sonora para determinados filmes. O resultado ficou tão bom que a banda resolveu fazer desta experiência o seu segundo disco.

Lucifer Rising é um álbum curto, com duração de pouco mais de 30 minutos. São duas suítes instrumentais, cada uma em um dos lados do vinil. O lado A conta com uma composição de mais de 18 minutos e que apresenta elementos do rock progressivo e jazz fusion mesclados ao hard lisérgico característico do Anjo Gabriel. Já o lado B traz uma faixa com 12 minutos de duração e que mostra o lado mais pesado da banda, tendo a guitarra de Cristiano Ras em primeiro plano.

Evidentemente, a experiência só fica plenamente completa ao colocar para rodar, simultaneamente, o disco e o filme de Anger. Dessa maneira, é possível visualizar em sua plenitude o que o Anjo Gabriel fez, guiando a sua música conforme as nuances e climas apresentados nas cenas. No entanto, a música sobrevive plenamente e anda com as próprias pernas sem a associação com a obra cinematográfica.

Surgindo um pouco mais madura e menos psicodélica do que no seu disco de estreia, a banda mostra em Lucifer Rising o porque de ser considerada, tanto pela crítica quanto pelo público, um dos grandes nomes do rock brasileiro. Os arranjos presentes neste segundo disco atestam isso, com lindas passagens instrumentais e trechos que mesclam agressividade, peso e até uma certa melancolia. O Anjo Gabriel avança em Lucifer Rising, reafirmando a qualidade de sua música e o quão diferenciada ela é na cena brasileira.

Fechando o pacote, a arte gráfica é de cair o queixo. A bela capa, criada por Thiago Trapo, traduz a sensação transmitida ao ouvir o álbum. E o design de todo o projeto, assinado por Camilo Maia, torna essa experiência ainda mais efetiva, em uma belíssima capa dupla.

Há que se mencionar também a decisão da banda de lançar Lucifer Rising, em um primeiro momento, apenas no formato vinil. O tipo de som que o grupo faz ganha outra dimensão ao ser degustado em LP, com a música tomando formas e cores muito mais evidentes. A prensagem em 180 gramas, excelente e feita fora do Brasil, também merece destaque, com uma qualidade sonora digna da obra dos pernambucanos.

Por tudo isso, Lucifer Rising é um item indicadíssimo para quem curte rock de primeira linha. Há pouquíssimas bandas brasileiras fazendo um som como esse, e, dentro desse universo, há apenas o Anjo Gabriel entregando uma música tão bela, mágica e contundente quando a que está não apenas em Lucifer Rising, mas também em seu trabalho anterior.

Procure o significado de excelente no dicionário: todos os sinônimos são perfeitamente aplicáveis a Lucifer Rising.

Nota 9

Faixas:
A - Lucifer Rising Part I
B - Lucifer Rising Part II

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ave Sangria - Ave Sangria [1975]

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Ave Sangria, os 'Stones do Nordeste', uma história interrompida
Por José Telles 
publicado no SenhorF

Eles usavam batom, beijavam-se na boca em pleno palco, faziam uma música suja, com letras falando de piratas, moças mortas no cio. E eram muito esquisitos; "frangos", segundo uns, e uma ameaça às moças donzelas da cidade, conforme outros. Estes "maus elementos" faziam parte do Ave Sangria, ex-Tamarineira Village, banda que escandalizou a Recife de 1974, da mesma forma que os Rolling Stones a Londres de dez anos antes. Com efeito, ela era conhecida como os Stones do Nordeste.

"Isto era tudo parte da lenda em torno do Ave Sangria" - explica, 25 anos depois, Rafles, o ministro da informação do grupo. "O baton era mertiolate, que a gente usava para chocar. Não sei de onde surgiu esta história de beijo na boca, a única coisa diferente na turma eram os cabelos e as roupas." Rafles por volta de 68, era o "pirado" de plantão do Recife. Entre suas maluquices está a de enviar, pelo correio, um reforçado baseado, em legítimo papel Colomy, para Paul McCartney. Meses depois, ele recebeu a resposta do Beatle: uma foto autografada como agradecimento.

Foi Rafles quem propôs o nome Tamarineira Village, quando o grupo tomou uma forma definitiva, com a entrada do cantor e letrista Marco Polo. Isto aconteceu depois da I Feira Experimental de Música de Fazenda Nova. Até então, sem nome definido, Almir Oliveira, Lula Martins, Disraeli, Bira, Aparício Meu Amor (sic), Rafles, Tadeu, e Ivson Wanderley eram apenas a banda de apoio de Laílson, hoje cartunista do DP.

Marco Polo, um ex-acadêmico de Direito, foi precoce integrante da geração 45 de poetas recifenses. Com 16 anos, atreveu-se a mostrar seus poemas a Ariano Suassuna e a Cesar Leal. Foi aprovado pelos dois e lançou seu primeiro livro em 66. Em 69, iniciou-se no jornalismo, como repórter do Diário da Noite. Logo ganhou mundo. Em 70, trabalhou por algum tempo no Jornal da Tarde, em São Paulo, mas logo virou hippie, trabalhando como artesão na desbundada praça General Osório, em Ipanema. O primeiro show como Tamarineira Village foi o Fora da Paisagem, depois do festival de Fazenda Nova. Vieram mais dois outros shows, Corpo em Chamas e Concerto Marginal. A partir daí a banda amealhou um público fiel.

Ciganos

A mudança do nome aconteceu quando o grupo passou a ser convidado para apresentações em outros Estados. Os músicos cansaram-se de explicar o significado de Tamarineira Village. O Ave Angria, segundo Marco Polo, foi sugestão de uma cigana amalucada, que encontraram no interior da Paraíba: "Ela gostou de nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria, pelo lado forte, sangüíneo, violento do Nordeste. O ave, pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho.

Na época, o som do Quinteto Violado era uma das sensações da MPB. Não tardou para as gravadoras mandarem olheiros ao Recife em busca de um novo quinteto. A RCA foi uma delas. O Ave Sangria foi sondado e recusou a proposta (a RCA contratou a Banda de Pau e Corda).

O disco viria com a indicação da banda, pelo empresário dos Novos Baianos, à Continental, a primeira gravadora a apostar no futuro do rock nacional. Antecipando a gozação por serem nordestinos, os integrantes da banda chegaram no estúdio Hawai, na Avenida Brasil, Rio, todos de peixeira na mão: "Falamos para o pessoal ter cuidado, porque a gente vinha da terra de Lampeão", relembra Almir Oliveira. Foi um dos poucos momentos de descontração da banda. Com exceção de Marco Polo, nenhum dos integrantes conhecia o Rio e jamais haviam entrado num estúdio de gravação.

De peixeira na mão

Como agravante, quem produziu o disco foi o pouco experiente Marcio Antonucci. Ex-ídolo da Jovem Guarda (formou a dupla Os Vips, com o irmão Ronaldo), Antonucci ficou perdido com o som que tinha em mãos, e o pôs a perder: "Ele não entendeu nada daquela mistura de rock e música nordestina que a gente fazia, e deixou as sessões rolarem. O diabo é que a gente também não tinha a menor experiência de estúdio", conta o guitarrista Paulo Rafael. Resultado: o disco acabou cheio de timbres acústicos. O Ave Sangria, involuntariamente, virou uma espécie de Quinteto Violado udigrudi. E adulterado não foi apenas o som. A gravadora não topou pagar pela arte da capa e colocou em seu lugar um arremedo do desenho original, assinado por Laílson.

O disco, mesmo pouco divulgado, conseguiu relativo sucesso no Sudeste, e vendeu bastante em alguns Estados do Nordeste. Uma das músicas que fizeram mais sucesso, e polêmica, foi o samba-choro Seu Waldir. "Seu Waldir o senhor/ Machucou meu coração/ Fazer isto comigo, seu Waldir/ Isto não se faz não... Eu quero ser o seu brinquedo favorito/ Seu apito/ Sua camisa de cetim..." Numa época em que a androginia tornava-se uma vertente da música pop. Lá fora com o gliter rock de David Bowie, Gary Glitter e Roxy Music com Alice Cooper, a aqui com o rebolado dos Secos & Molhados, Seu Waldir foi considerado pelos moralistas pernambucanos como uma apologia ao homossexualismo, quando não passava de uma brincadeira do irreverente do Ave Sangria.

Seu Waldir por pouco não vira mito. Uns diziam que era um senhor que morava em Olinda, pelo qual o vocalista do Ave Sangria apaixonara-se. Outros, que se tratava de um jornalista homônimo. Enfim, acreditava-se que o tal Waldir era um personagem de carne e osso. Marco Polo esclarece a história do personagem "Eu fiz Seu Waldir, no Rio, antes de entrar na banda. Ela foi encomendada por Marília Pera para a trilha da peça A Vida Escrachada de Baby Stomponato, de Bráulio Pedroso, que acabou não aproveitando a música".

. O Departamento de Censura da Polícia Federal não levou fé nesta versão. Proibiu o LP e determinou seu recolhimento em todo território nacional. A proibição incitada, segundo os integrantes do Ave Sangria, pelo hoje colunista social do Diário de Pernambuco, João Alberto: "Ele tocava a música no programa de TV que ele apresentava e comentava que achava um absurdo, que uma música com uma letra daquelas não poderia tocar livremente nas rádios", denuncia Rafles. Almir Oliveira diz que lembra dos comentários do jornalista na televisão: "Mas não atribuo diretamente a ele. Se não fosse ele, teria sido outra pessoa, a música era mesmo forte para a época", ameniza. A proibição, segundo comentários da época, deveu-se a um general, incentivado pela indignação da esposa, que não simpatizou com a declaração de amor a seu Waldir.

O disco foi relançado sem a faixa maldita, mas aí o interesse da mídia pelo grupo já havia passado. A Globo, por exemplo, desistiu de veicular o clipe feito para o Fantástico, com a música Geórgia A Carniceira. O grupo perdeu o pique: "A gente era um bando de caras pobres, alguns já com filhos, a grana sempre curta. No aperto, chegamos até a gravar vinhetas para a TV Jornal (uma delas para o programa Jorge Chau)", relembra Marco Polo.

Em dezembro de 1974, o Ave Sangria parecia querer alçar vôo novamente. O grupo fez uma das suas melhores apresentações, com o show Perfumes & Baratchos. O público que foi ao Santa Isabel não sabia, mas teve o privilégio de assistir ao canto de cisne da Ave Sangria. Foi o último show e o fim da banda.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pata de Elefante - Na Cidade [2010]

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Por Bruno Nogueira
publicado em 3 de junho de 2010 no DoSol

O Pata de Elefante nunca teve suas referências rurais realmente declaradas. Mas não apenas o nome, mas nas fotos de divulgação e o clima de faroeste spaguetti sempre falaram pelas músicas instrumentais do trio gaúcho. “Na Cidade”, disco que marca a saída deles da Monstro Discos para a Trama, mirando público e ambições maiores, faz esse trabalho de transição para o ambiente urbano. Sem fugir do que fez a banda tão atraente: música sem palavras para – isso mesmo – cantar.

“Na Cidade” explica, sem usar palavras, algo que era muito fácil de sentir ao assistir o Pata de Elefante se apresentar ao vivo. E é o fato de que essa é, hoje, uma das melhores bandas instrumentais do país. A mistura de rock com surf music e folk, com usos criativos de Wah Wah’s – pedal que não muda a nota, enquanto muda ela entre grave e agudo, fazendo um som que soa igual ao nome do instrumento – e teclado. O Pata não caiu no clichê do sortuno ao usar o tema cidade e fez um de seus discos com clima mais para cima.

“Grandona”, terceira faixa, mostra como eles conseguem ser instrumental e pop de uma forma que muitas bandas próximas, como o Macaco Bong, ainda encontram dificuldades. O Pata de Elefante é sempre mais sobre diversão que masturbação guitarrística para cansar o ouvido. “Pesadelo nos Bambus”, quinta na sequência, é o momento urbano local, com a faixa batizada a partir de um dos inferninhos mais clássicos de Porto Alegre. A mixagem final do disco, feito no lendário estúdio Abbey Road, deixou que as músicas ficassem encorpadas como costumam soar ao vivo.

Apesar de ter notadamente mais referências – o disco todo poderia passar como uma trilha sonora de filme, com cada faixa traduzindo um momento de tensão diferente – o clima rock da banda está em “Sai da Frente”, música que já podia ser conferida nas apresentações do grupo. Na verdade, todo o repertório de “Na Cidade” pode ser identificado por quem acompanha o Pata de Elefante com afinco. Para não perder a oportunidade do convite da Trama, o que a banda fez foi reaproveitar uma parte de seu acervo ainda não registrado.

Talvez uma audição mais acelerada e preguiçosa possa encontrar um disco que tem variações demais de clima em cada música. Mas o divertido dos últimos lançamentos da banda é perceber como eles trabalham bem o conceito de álbum. Sem palavras, “Na Cidade” consegue contar várias histórias. E, sem letras, a gente acaba reproduzindo o som delas, “cantando”, enquanto escuta.

domingo, 8 de dezembro de 2013

Rainer Tankred Pappon - Copo D'Água [2012]

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Por RTP no site oficial

Gravado entre 2006 e 2012 no Studio Paris em SP, Brasil. Lançado no dia 13/07/12 no meu site.

Músicas:

1-Copo D`Água 17:23 ISRC BR-RTP-12-00001
2-Tem o Zé 12:17 ISRC BR-RTP-12-00002
3-Sub 3:55 ISRC BR-RTP-12-00003
4-Für Christa 6:16 ISRC BR-RTP-12-00004
5-3834Zappafrank 19:44 ISRC BR-RTP-12-00005
6-Alotof II 21:10 ISRC BR-RTP-12-00006

Músicos:
Bateria Mario Conte
Teclados Jimmy Pappon
Baixo, guitarra e voz R.T.Pappon

Participações especiais:
José Vicente Frascino bateria em Sub
Anna Ruth e Tina Pappon backing em Sub e Tem o Zé

Solos de guitarra em ALOTOF II:
1-RTP, 2-Mario Manga, 3-Miguel Barella, 4-Dudu Marsh, 5-Robert Tress, 6-Evandro Gracelli, 7-Carlos Pontual, 8-Samuel Pappon, 9-Giuseppe Frippi, 10- Michel Leme, 11- Fabio Golfetti, 12-Adriano Nardomarino, 13-Marcos Ottaviano, 14-Alexandre Spiga, 15-Rogério Rego, 16-Rogério Souza, 17- Jimmy Pappon(órgão).

• Todas as composições são de RTP, exceto letra de “Tem o Zé” de Ana Thereza e letra de “Sub” de Milton De Biasi.
Citação do tema de O Guarani de Carlos Gomes no final da segunda parte de Copo D`Água.

• Foto capa Anna Ruth, arte Luiz Laza.

• Não vejo mais sentido dum disco precisar ser redondo com furo no meio, estamos na era do sustentável, viva o pendrive, o mp3player, o celular, o computador, a internet. Baixem o som à vontade, curtam e espalhem.

• Agradeço imensamente a todos que participaram do disco, não é fácil compor, arranjar, tocar, gravar, mixar, masterizar, fazer capa, encarte e dar vida a ele, sem grana. Eu poderia por tudo num site/loja de mp3, talvez até ponha, mas sei que o retorno é incerto e a longuíssimo prazo porque não sou conhecido, nem mais jovem e não tenho acesso a divulgação em massa.

PARA COLECIONAR!

• Como meu disco “Copo D`Água” é de graça e não tenho nenhuma fonte de arrecadação, àqueles que gostaram e comprariam o disco numa loja, fiz uma edição limitada de 5.000 unidades da CAPA/ENCARTE, 21 x 28 cm em papel couchê 170, no valor de um disco independente, R$30,00. Será numerado e personalizado com seu nome, digno para colecionar. Acompanhado também pelo link das músicas em wave.

Basta escrever seu nome, email e a intenção de compra, em CONTATO, que responderei em seguida.

Muito obrigado!

rtp.

sábado, 7 de dezembro de 2013

Airto - Free [1972]

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Airto Guimarães Moreira nasceu em 5 de agosto de 1941 em Itaiópolis, Santa Catarina. Citado como o percussionista mais importante dos anos 70, tanto pela técnica quanto pela criatividade, Airto Moreira contribuiu para fazer da percussão uma parte essencial de muitos grupos de jazz.

Airto originalmente estudou guitarra e piano, mas quando passou a ser percussionista, colecionou e estudou por volta de 120 diferentes instrumentos de percussão. Em 1968 mudou para os EUA com sua esposa, a cantora Flora Purim.

Airto tocou com Miles Davis entre 1969-70, aparecendo em varias gravações (a mais notável, Live-Evil). Trabalhou um pouco com Lee Morgan em 1971, foi um dos membros fundadores do Wheather Report e em 1972 foi parte da versão inicial do Return to Forever de Chick Corea com Flora Purim.

Airto e Corea também gravaram o clássico "Capitain Marvel" com Stan Getz. Em 1973 Airto já era famoso o bastante para ter seu próprio grupo, assinou com a CTI e aparecendo em apresentações de Flora Purim.

Seu primeiro álbum, "Free" (1972) seguiu uma linha de vanguarda e contou com a presença de Corea e Joe Farrell, além de outros músicos do staff da CTI. Desde então ele permaneceu em plena atividade, quase sempre na co-liderança com sua esposa e gravando como bandleader.

Entre os vários selos onde gravou, se destacam Buddah, CTI, Arista, Warner Bros, Caroline, Rykodisc, In & Out e B&W. Nem toda música que registrou como líder poderia ser chamada de jazz, mas Airto ainda permanece como um

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Cidade de Deus [2002]

Yandex 320kbps



Por Sinapse Online
publicado em 29 de outubro de 2002 na Folha de S.Paulo

Duas partes distintas compõem a trilha sonora de "Cidade de Deus" —longa-metragem de Fernando Meirelles e Kátia Lund escolhido para representar o Brasil com uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro em 2003.

A primeira é um samba-funk instrumental, em seis faixas originais, cujo ápice de ritmo e velocidade é "Morte Zé Pequeno", a música mais curta do CD, de 1min10seg de duração. Essa parte foi composta por Antônio Pinto e Ed Côrtes, que trabalharam juntos na trilha de "Abril Despedaçado". A segunda parte é de gravações de "malandros" como Cartola (com "Preciso Me Encontrar" e "Alvorada), Wilson Simonal (com a ótima "Nem Vem que Não Tem") e Raul Seixas (com a clássica "Metamorfose Ambulante"). Sete faixas das que mais tocaram no Brasil dos anos 60 e 70.

Em ambos os casos, o que se pretende, com relativo sucesso, é trazer o discurso de morros cariocas, seja pelos clássicos das rádios de ontem (e suas letras), seja pelo simples ritmo. Integrado à linguagem do filme, a ginga e o batuque mostram que nem sempre é necessário uma orquestra para conseguir uma boa trilha.

Para finalizar o CD, o remix "Batucada" transforma o samba-funk das composições originais em um samba-tecno, sem decepcionar, e sugere que, em um mercado cheio de estilos repetidos e copiados, a graça pode estar justamente em combinações aparentemente incompatíveis.



1 - Alvorada
Escrita por Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio B. Carvalho.
Interpretada por Cartola.

2 - Azul da Cor do Mar
Escrita e interpretada por Tim Maia.

3 - Dance Across the Floor
Escrita por Harry Wayne Casey e Ronald Finch.
Interpretada por Jimmy Bo Horne.

4 - Get Up I Feel Like Being Like (Sex Machine)
Escrita por James Brown, Bobby Byrd e Ronald R. Lenhoff.
Interpretada por James Brown.

5 - Hold Back the Water
Escrita por Randy Bachman, Robin Bachman e Charles Tuner.
Interpretada por Bachman-Turner Overdrive.

6 - Hot Pants Road
Escrita por Charles A. Bobbit, James Brown e St. Clair Jr. Pinckney.
Interpretada por JB's.

7 - Kung Fu Fighting
Escrita e interpretada por Carl Douglas.

8 - Magrelinha
Escrita e interpretada por Luiz Melodia.

9 - Metamorfose Ambulante
Escrita e interpretada por Raul Seixas

10 - Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda (Casinha de Sape)
Escrita e interpretada por Hyldon.

11 - Nem Vem Que Não Tem
Escrita por Carlos Imperial.
Interpretada por Wilson Simonal.

12 - O Caminho do Bem
Escrita por Sergio, Beto e Paulo.
Interpretada por Tim Maia.

13 - Preciso Me Encontrar
Escrita por Candeia.
Interpretada por Cartola.

14 - So Very Hard to Go
Escrita por Emilio Castillo e Stephen M. Kupka.
Interpretada por Tower of Power.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Zé Ramalho - Nação Nordestina [2000]

Mega 320kbps

Por Anderson Nascimento em Galeria Musical
publicada em 23 de junho 2010 

Há dez anos Zé Ramalho lançava um de seus álbuns mais importantes, ou o mais importante, como cita Assis Ângelo no encarte do CD. O álbum, conceitual, já entrega essa grandiloqüência em seu projeto visual: a capa é uma homenagem ao clássico “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, com os ícones nordestinos de todos os tempos posando ao lado de Zé Ramalho; o projeto gráfico inclui um generoso libreto com as letras e a sinopse de cada faixa do álbum duplo.

A idéia de criar um álbum que mostrasse ao Brasil a cara do Nordeste, não só colocando o dedo na ferida, mas também apresentando a riqueza cultural de canções de autores conhecidos do grande Brasil, em conjunção com outros quase anônimos, além do próprio Zé Ramalho, que contribui com seis músicas inéditas suas, dentre as vinte do álbum.

Algo que faz “Nação Nordestina” tão especial é o conceito do álbum, baseado nas desventuras de um viajante percorrendo o nordeste do Brasil. As canções vão se encaixando em um mosaico de teor político, que é endossado pelos canhões das tropas em “Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores”, regravação de Geraldo Vandré, aqui recheada de efeitos que a torna uma das melhores gravações já feitas da música.

A política está em outros momentos do álbum como em “O Meu País”, onde, sem mais delongas, Zé vai direto ao assunto, apontando o dedo, mas de “bico calado”, as desigualdades do país. Ou ainda em “Ele Disse”, que ganha ainda o discurso do presidente Getúlio Vargas, realizado no dia do trabalhador em 1951.

O sertanejo que caminha ao longo do Nordeste também retrata os seus costumes em vários momentos como na regravação de “Lamento Sertanejo”, de Gilberto Gil e Dominguinhos, que ganha o reforço do próprio herdeiro musical de Luiz Gonzaga, e da Guitarra de Robertinho do Recife, que é o produtor do álbum.

Os contrapontos também ilustram a obra de Zé Ramalho, às vezes até em sequência, que é o caso das faixas “Temporal” e “Seres Alados”. Se na primeira o viajante entrega que “quem cala, consente a fala”, na segunda a indignação toma conta e manda “Não mais estaremos calados”, contando com o fim da submissão dos gritos do capitão da canção anterior.

No fim do primeiro disco, Zé Ramalho faz uma espécie de duelo de irônicas perguntas e respostas com o povo na canção “Mourão Voltado Em Questões”, novamente com contexto político, dessa vez corroborado pelo povo que segue o sertanejo ao longo dessa caminhada proposta no disco.

Já o disco 2 é menos político, recheado de participações especiais, é muito mais devotado ao ritmo nordestino, como entrega a primeira faixa “Violando com Hermeto”, uma canção instrumental onde Zé Ramalho e Naná Vasconcelos duelam com Hermeto Pascoal. O trem da canção, criado por Naná, abre espaço para o êxodo em “Hino Nordestino” como entrega a letra da canção “...tentar a sorte no Rio de Janeiro, São Paulo, no mundo aceito o desafio...”.

Em “Bandeira Desfraldada”, temos uma interessante fusão de uma cítara brilhantemente nordestina, tocada por Robertinho do Recife, que ganha o reforço da Elba Ramalho, inspiradora da canção gravada originalmente em 1978.

O êxodo continua a ser retratado no álbum através da regravação de “Pau-de-Arara” do mestre Luiz Gonzaga, aqui com uma riqueza musical incrível, capitaneada por uma verdadeira seleção de músicos. “Amar Quem Já Amei”, transcrita aqui como forró com a participação de Ivete Sangalo, traduz os maiores medos dos retirantes como o fracasso da volta sem êxito à terra natal.

Por vezes as tristes letras, principalmente no reflexivo segundo disco, são eclipsadas por ritmos alegres, como pode ser percebido em “Garrote Ferido”, com as marcantes participações de Fagner, Pepeu Gomes e a percussão de Mingo Araújo.

A saudade da terra querida, porém é doída e aqui é validada pela canção “Paraí-ba”, com melancólico vocal de Flávio José e brilhante arranjo de Zé Ramalho.

“Eu Vou Pra Lua”, divertido forró gravado originalmente em 1960, nove anos antes de o homem pisar na lua, traz, nessa nova versão, a participação do grupo pernambucano Cascabulho, na última participação especial do álbum.

A tensa e apocalíptica “Esses Discos Voadores Me Preocupam Demais”, recheada de efeitos especiais, apresenta a curiosidade e discussões sobre a existência ou não de vida fora da Terra. Apesar de muito bacana, esta é a única canção que talvez fuja um pouco da temática principal, presente em todo o álbum.

Com “Digitado Em Poesia”, o viajante que percorre o sertão apontando as mazelas, medos e esperanças da nação nordestina, chega ao final da caminhada, sabendo que chamou a atenção, fez barulho, e principalmente, mostrou a beleza de sua cultura e o talento de seu povo.

Zé Ramalho construiu uma obra singular, que merece estar sempre disponível através de disco, para ser ouvida, estudada e compreendida pelas próximas gerações. “Nação Nordestina” é mais que um disco, é um invólucro munido de história e literatura, cantada e tocada.

Como em seus últimos álbuns Zé Ramalho prestou homenagem aos seus ídolos Raul Seixas, Bob Dylan e Jackson do Pandeiro, seria uma boa se ele resolvesse prestar um tributo a si mesmo. Certamente consistiria em uma grande idéia se o projeto “Nação Nordestina” ganhasse edição comemorativa com versão em vinil (já pensou a maravilhosa capa do CD em tamanho de LP?), álbum ao vivo, e DVD com a releitura na íntegra desse álbum. Não custa nada sonhar, não é mesmo?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll [2007]

Mega 128Kbps


De Deck

Disco que reúne o fino da psicodelia musical brasileira, a trilha sonora do filme “Wood & Stock – Sexo, Orégano e Rock’n’Roll” une representantes da música setentista, como Rita Lee, Tom Zé, Novos Baianos e Arnaldo Baptista, a novos representantes da lisergia musical, como Júpiter Maçã e Mopho. Um deleite aos ouvidos de quem curte rock e MPB de todos os tempos.

1. Um Lugar do Caralho - Júpiter Maçã
2. Woody Woodpecker - Arnaldo Baptista
3. Um Oh! E um Ah! - Tom Zé
4. Quando Você Me Disse Adeus - Mopho
5. A Marchinha Psicótica de Dr.Soup - Júpiter Maçã
6. Hulla-Hulla - Rita Lee
7. Canção Para Dormir - Júpiter Maçã
8. Ferro Na Boneca - Novos Baianos
9. Paranormal - Matheus Walter
10. Querida Superhist X Mr.Fro g- Júpiter Maçã
11. As Mesmas Coisas - Júpiter Maçã
12. Chão de Estrelas - Rita Lee
13. The Freaking Alice (Hippie Under) - Júpiter Maçã
14. Eu Vou Me Salvar - Rita Lee

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A viagem psicodélica de Satwa faz 40 anos

Lailson e Lula Côrtes terminaram de gravar o primeiro disco psicodélico independente do país um dia 31 de janeiro
Por José Teles, publicado em 31/01/2013 no Jornal do Commercio

Há exatos 40 anos, nos estúdios da Rozenblit, os músicos Lailson e Lula Côrtes (1959-2011) finalizavam Satwa, o primeiro disco de rock psicodélico independente gravado no Brasil.

O independente, no caso de Satwa, vai de ser realmente um trabalho de artistas sem vínculo com uma gravadora, até a estética deste trabalho, totalmente na contramão do que se lançava até então no mercado nacional: “Não tentamos a Rozemblit antes. Viajamos na ideia do disco e Lula e Kátia falaram com seu Zé Rozemblit, pra saber o custo de estúdio, prensagem e impressão de capa. Nunca encontrei seu Zé Rozemblit. Pra ele, acho que éramos só uns meninos malucos que haviam alugado a fábrica. Kátia conhecia mais ele, pois são da comunidade judaica e o pai de Kátia era muito conceituado”, conta Lailson.

Tanto ele quanto Lula Côrtes foram apresentados a um estúdio de gravação no dia 20 de janeiro de 1973, quando começaram a aventura de Satwa. Uma aventura mesmo, porque todos nela envolvidos eram marinheiros de primeira viagem: “Condições muito básicas. Se fizéssemos o overdub muito distante da mesa, dava delay. Sério. Mas era bem espaçosos e era muito legal. Era a primeira vez que eu entrava em um estúdio de verdade, só conhecia estúdio de televisão. Eu falei pra Lula, na época, que a gente estava fazendo História, porque era bem claro que uma maluquice daquelas era algo fora do comum e todo mundo que tinha ouvido a gente tocar lá na casa dele ou escutado as fitas que ele tinha gravado quando a gente tocava lá, ficava desbundado. Então, o termo folk psicodélico ainda não havia sido criado, era só música, um terceiro som resultante do encontro das escalas ocidentais e orientais como teorizávamos nos papos cabeça que rolavam continuamente”, continua Lailson.

Quatro décadas depois, Satwa ainda continua sendo um projeto avançado até mesmo para os tempos atuais. Criado ad lib., ou seja, na hora, sem melodias assoviáveis, diminutas probabilidades de tocar no rádio, e com um título que não facilitava. Satwa, no máximo, poderia ser entendido como referência a sativa, de cannabis, a erva: “Coincidência sonora, claro! Só porque tem uma música fazendo a transcendente questão "Can i be Satwa?" surgem essas especulações... Nunca que tal associação de ideias passaria pela cabeça de dois artistas completamente normais como Lailson & Lula Côrtes em 1973” ironiza Lailson. Uma das definições de Satwa, encontrada no google: Satwa (do sânscrito), Deusa. O mesmo que sattva, ou pureza. Uma das trigunas, ou três divisões da natureza”.

Naturalmente, Satwa é um reflexo do seu tempo. Em 1973, para se usar um termo da época, o “desbunde” chegava ao auge (na ditadura, ou se era engajado, ou desbundado. Hippies, por exemplo, eram desbundados). Filosofias orientais, alucinógenos e “viagens” musicais eram uma das caraterísticas dos desbundados. Satwa foi a trilha sonora do desbunde. Um disco totalmente na contramão da MPB ativista de então

"Acrescentaria o fato de que o texto do disco (títulos das músicas e o resto da ficha técnica) são as letras do disco. Explicando melhor: como não usaríamos letras, os títulos tinham que deixar clara a proposta psicodélica (ou hippie, ou underground, ou de contracultura) da obra. Daí que elas contam a história daqueles tempos como a Valsa dos cogumelos ou o Allegro Piradíssimo (que eu traduzi na versão americana para Allegro Freakoutissimo para passar a mesma ideia)", ratifica Lailson.

"Outras músicas, como Lia Rainha da Noite e Amigo, surgiam das conversas entre eu e Lula. Quando a gente fez Amigo, ele achava que a música era como se dois amigos estivessem se encontrando no meio da rua, um vindo de um lado, o outro do outro e começava o papo. E era isso mesmo. Cada vez que a gente tocava, era a mesma música, mas a conversa era diferente”.

Das dez faixas do álbum, só uma não tem apenas Lula Côrtes e Lailson. O blues do cachorro muito louco (grafado “blue” nos créditos do disco), com a participação de Robertinho do Recife, uma celebridade local, primeiro guitar hero do Recife: “O Blues do cachorro muito louco era blues no sentimento, nos uivos, Mad Dog mesmo, mas um Dog muito Crazy, não exatamente um blues no estilo. Mas com a guitarra de Robertinho ganhou muito, ficando bem o contraponto do lirismo do resto do disco”, finaliza Lailson.
Download do álbum no post:
Lula Côrtes & Lailson - Satwa [1973]

Deus Nuvem - Waving At Us, We've Provoked [2012]

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Em seu CD de estreia "Waving at us, we've provoked" (lançado em fevereiro de 2012 e disponível gratuitamente), o Deus Nuvem passa por diversos territórios misturando cellos, metais, guitarras distorcidas, pianos e etc. Suas influências passam pelo Experimental, Fusion, Progressivo, Post-Rock, Jazz, Nu-Jazz, Psicodelismo e até mesmo o Clássico e temas Africanos. Prato cheio para quem gosta de música excêntrica e sem limites, literalmente sem limites.

"Tivemos um trabalhão para gravar esse disco e estamos muito felizes com o resultado. Foi um prazer materializar esses impulsos criativos. Espero que a galera goste do resultado e que todos os interessados em nosso som nos apoiem, pois devido às condições de pouco incentivo e espaço para músicas mais experimentais no Brasil, o Deus Nuvem acaba se tornando um "projeto ambicioso". Por isso contamos com a ajuda de todos que curtem o nosso som para nos ajudarmos com a divulgação (quanto mais gente sabendo do Deus Nuvem, mais chances teremos de tocar na sua cidade e também é um grande incentivo para continuarmos com esse projeto.)" - Leo

O CD conta com diversos músicos interessantes: O mestre violoncelista Lui Coimbra; Iuri Nicolsky (sax) e Antônio Neves (trombone), ambos do Nova Lapa Jazz; a cantora Bárbara Coelho e a percussionista Jéssica Araújo.

A banda disponibilizou o CD de estreia gratuito no site DeusNuvem.com, tanto para download quanto para ouvir online.

Atualmente seus shows são formados pelos músicos:
Thiago "Dagotta" Cereno - Bateria
Leo M Pe - Composições, Clarone, Guitarra e Synth
Fernando César - Baixo
André Fernandez - Violino
Michel Moro - Sax alto
Pedro Cabral - Teclado

Incluindo algumas participações especiais:
Nanda O Nanda - Voz
Juan Munhoz - Alfaia

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Mutantes - Tecnicolor [1990]

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Este álbum dos Mutantes foi gravado em Paris quando o grupo fez uma temporada de shows no final de 1970. Com quase todas as músicas cantadas em inglês, o disco lançaria a banda na Inglaterra e na França. Mas por algum motivo, a Polydor inglesa não se interessou pelo álbum. Não tendo sido lançado também no Brasil, essas gravações permaneceram inéditas até 1999, quando finalmente foi lançado em CD. Todas as faixas já haviam sido gravadas anteriormente pelo grupo em seus idiomas originais.


Arnaldo Dias Baptista - teclados, vocal
Ronaldo Leme - percussão, bateria
Sergio Dias Baptista - guitarra, vocal
Arnolpho Lima Filho - baixo
Rita Lee - vocal

1.Panis et Circenses - 2:13 - (Gilberto Gil/Caetano Veloso)
2.Bat Macumba - 3:19 - (Gilberto Gil/Caetano Veloso)
3.Virginia - 3:25 -(Arnaldo Baptista/Rita Lee/Sérgio Dias)
4.She's My Shoo Shoo - 2:55 - (Jorge Ben)
5.I Feel a Little Spaced Out - 2:53 - (Arnaldo Baptista/Sérgio Dias/Rita Lee)
6.Baby - 3:39 - (Caetano Veloso)
7.Tecnicolor - 3:57 - (Arnaldo Baptista/Sérgio Dias/Rita Lee)
8.El Justiciero - 3:54 - (Arnaldo Baptista/Sérgio Dias/Rita Lee)
9.I'm Sorry Baby - 2:45 - (Arnaldo Baptista/Rita Lee)
10.Adeus Maria Fulô - 2:42 - (Sivuca/Humberto Teixeira)
11.Le Premier Bonheur du Jour - 2:49 - (Jean Renard/Frank Gerald)
12.Saravah - (Arnaldo Baptista/Sérgio Dias/Rita Lee)
13.Panis et Circenses (Reprise) - 1:24 - (Gilberto Gil / Caetano Veloso)

domingo, 17 de novembro de 2013

Tânia Maria - Piquant [1980]

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TÂNIA MARIA É JAZZ

Por Celijon Ramos em Só Blônicas


Tânia Maria, as fotos não mentem, tem cara de maranhense e produz música na linguagem universal do jazz. Nascida em São Luís (1948), foi morar com a família em Volta Redonda (RJ) aos dois anos de idade. Aprendeu tocar piano com sete e, aos doze, foi vencedora do programa de calouros do muitas vezes duro Ary Barroso, na Rádio Nacional. Nesse meio tempo, acompanhou o conjunto de seu pai e formou seu próprio grupo. Viveu sua adolescência tocando sambajazz nas casas noturnas do Rio e depois por quatro anos, em São Paulo.

Há tempos venho flertando com a música da pianista, que a cada disco a que tinha acesso mais me impressionava. De uns tempos pra cá, para minha satisfação, Tânia Maria vem tomando mais e mais espaço localmente, mormente na internet, mas também na mídia impressa especializada no jazz. Sua obra torna-se pouco a pouco mais conhecida dos brasileiros, e, se internacionalmente a compositora já é mais que consagrada, aqui no Brasil esse reconhecimento tardio também começa ser demonstrado. A confirmação disso pode ser percebida pelo fato que nos últimos cinco anos Tânia Maria vem se apresentando regularmente em São Paulo com sucesso de crítica e de público.

No entanto, até tudo isso se verificar, foram anos de muito trabalho e aplausos tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, onde possui uma discografia de mais de 21 discos gravados. E pensar que tudo isso se deveu em parte ao ostracismo “voluntário” por sua migração para Europa nos anos de chumbo de 1971.

É paradoxal, mas o sucesso da artista deve-se em boa medida à truculência da polícia brasileira da ditadura que a xingou de prostituta, rasgou-lhe o documento de identificação de música e a conduziu no camburão, quando saía, após se apresentar numa boate no Rio, certamente, após horas de execução de sambajazz. Tinha então 22 anos, estava lactente e o trauma foi enorme. Contou isso ao jornalista Carlos Callado em entrevista publicada no jornal Folha de São Paulo. Após o triste episódio, saiu do Rio direto para Paris para inaugurar a boate “A Batida” no complexo “Viva Brasil”, de Guy de Castejá, conforme divulgaram o jornalista Aramis Millarch e o blog de Carlos Braga, CD Latin Jazz Corner.

O sucesso desde então lhe bafejou o rosto a ponto de receber o reconhecimento de sua técnica pela crítica favorável do prestigiado crítico de jazz Leonard Feather; alguns anos depois conquistou o Prêmio Grammy de melhor performance de jazz com a composição “Come with me” (1983). Esse na verdade foi o ponto de inflexão em sua carreira. E quem iria duvidar do reconhecimento de seu talento? Antes de Feather, foi nada menos que o grande baterista Edson Machado quem observou sobre ela após uma canja: “Toca feito homem”. Vindo quem veio, o elogio deve ter dado a ela a convicção de que conquistaria o mundo da música. Mas a observação de Edson Machado revela-nos também que Tânia Maria já era então uma música de apuro técnico e que executava seu piano com energia e muito swing. Contudo, é bom salientar que, ao ouvir-se a execução, transparece as influências na pianista que vão da profusão rítmica de Horace Silver e também da música de McCoy Tyner. Pude recolher na minha pesquisa, ainda, que a artista tem como um de seus prediletos Wynton Kelly. Mas é a própria Tânia Maria quem revela a orientação de seu caldeirão ao responder sobre o assunto:

“Do clássico, eu gostava de Chopin, mas eu sabia que não seria uma pianista clássica. Até hoje gosto muito de escutar o clássico, agora tenho mais familiaridade com Debussy e Ravel.No popular, o primeiro músico que me impressionou no Brasil foi Johnny Alf, sem dúvida. Depois, o Luiz Eça foi e é um dos maiores pianistas que já conheci. Entre os americanos, a primeira imagem de um artista cantando e tocando é a de Nat Cole. Outros pianistas são Bill Evans e Wynton Kelly. O jazz para mim vai até os anos 60 e 70. É o que gosto. Depois disso ficou mais bagunçado, já não me interessa tanto. Gosto de escutar a melodia e depois a improvisação.”

Das muitas apresentações em festivais de jazz a artista pode tocar e conquistar a admiração do guitarrista Charlie Byrd, que a indicou à Concord Records. O primeiro álbum que resulta desta colaboração, "Piquant", alcança o "Golden Feather Award, conferindo-lhe notoriedade e respeitabilidade no meio jazzístico. Sempre liderando seus grupamentos, a pianista já ladeou com artistas do naipe de Don Alias, Eddie Gomez, Darryl Jones, Steve Gadd, Anthony Jackson e Niels-Henning Orsted Pedersen com quem gravou um belíssimo disco.

Ao ouvi-la, chama atenção a agilidade de seus dedos; sua música é vibrante, enérgica e cheia de balanço. Aplica com maestria a técnica do scat quando canta e sua música é alegre, mas o ouvinte é levado para o campo da atenção pelos bons resultados de melodia e improvisação que alcança ao piano.

Faz tudo isso sem que se deixe de reconhecer na sua sonoridade a alma brasileira que a fez avançar limites. Depois de morar anos nos Estados Unidos, a artista resolveu voltar a residir na França. Sua maior queixa foi a de que, nos Estados Unidos, tocar e ouvi-se jazz se tornou possível apenas em clubes a preços elevados o que, segundo ela, afastou o grande público do gênero. Deve ter razão a artista a julgar pela agenda publicada em seu site na internet sempre apinhada de shows por toda a Europa.

domingo, 10 de novembro de 2013

Ludov - Eras Glacias [2013]

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Por André Felipe de Medeiros
publicado no Monkey Buzz

Em menos de quinze minutos, Ludov entrega uma obra consistente com uma ótima faixa e outras três que, ainda que menos memoráveis, não desagradarão em nada quem conhece e se interessa pelo som que a banda fez ao longo de sua década de carreira.

E foi como parte das comemorações do décimo aniversário que veio Eras Glaciais, conforme o próprio grupo anunciou durante seu show no Lollapalooza 2013. As quatro músicas aqui reúnem as boas letras de sempre e o instrumental caprichado, tudo muito bem estrelado pelo ótimo vocal de Vanessa Krongold.

Eras Glaciais, além de batizar o EP, tem a missão de abrir o repertório - tarefa cumprida com honras. Leve na melodia e densa na lírica, a composição fala sobre o passar do tempo e o aprendizado que veio com ele sobre ter alguém ao seu lado: “Não sirvo mais pra viver só, a solidão me ensinou um bocado, mas foi só”, como canta o refrão. Boas como poucas canções de apelo Pop desta temporada.

Contêiner parece uma versão light de We’re On the Run da Gold Motel e traz rimas simples em uma poesia bacana. Ela logo emenda em Essa Bandeira, já mais animadinha e a mais curta do disco. Gostosa e despretensiosa, ela preenche bem o espaço antes da última música.

Zen, como o nome já sugere, vem mais calma que as anteriores e poderia ficar muito bem ao lado de Black Spot da Local Natives em uma playlist. Mais etérea que as outras, ela aproveita para tocar em temas mais amplos da vida e, em um belo final, conclui: “Olhe para frente agora”, apontando a uma conclusão indefinida e abrindo caminho para futuros lançamentos na discografia da banda.

É nítido o quanto Ludov não precisa fazer qualquer esforço adicional para demonstrar sua maturidade perto de tantas bandas novas com quem divide espaço no cenário brasileiro. Eras Glaciais, a música, tem tudo para entrar nas listas de músicas preferidas de muita gente, enquanto Eras Glaciais, o EP, pode ser apreciado sem moderações.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Som Nosso de Cada Dia - Som Nosso [1977]

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Por Cláudio Fonzi
publicado em Sui Generis

Era lançado então o álbum “Som Nosso”, onde o Lado 1 recebeu o nome de “Sábado” e o Lado 2 de “Domingo”. O “Sábado” com sonoridade Funk, apropriada para “Os Embalos de Sábado a Noite” e o “Domingo” com músicas belamente Progressivas, perfeitas para o relaxamento e sossego de um “domingão”.

A idéia foi brilhante e o disco razoavelmente bem sucedido, mas, por diversas razões, a banda acabou se desfazendo. Como último suspiro, lançaram apenas mais um compacto, mas este teve a grata realização de o título de uma de suas músicas ter inspirado o nome de uma nova banda: a BANDA BLACK-RIO, famosa e histórica banda carioca de Funk instrumental.

P.S.: Importantíssimo ressaltar que este tipo de Funk setentista NADA, absolutamente NADA tem a ver com o “funk” existente hoje no Brasil…

domingo, 3 de novembro de 2013

Vespas Mandarinas - Animal Nacional [2013]


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Por Vitor Ferrari em Monkey Buzz
Quem disse que o Rock Nacional morreu? Bom, quem disse isso primeiramente está equivocado, e em segundo lugar, com certeza não conhece bandas como Cascadura, Vivendo do Ócio, Vespas Mandarinas, entre outras. Como dito em seu site oficial, as Vespas não são uma banda Indie, nem Punk, nem de Hardcore, são uma banda de Rock Nacional. E é isso que vemos em seu primeiro disco, Animal Nacional, músicas que se apresentam tanto ríspidas e diretas, quanto trilham caminhos mais líricos e poéticos, mas sempre com a alma intensa do Rock.

Gravado parte nos estúdios Tambor, no Rio de Janeiro, e parte no paulistano Costella, do guitarrista e vocalista Chuck Hipolitho, o álbum continua trazendo as influências oitentistas do Rock nacional somadas à doses poéticas, que observávamos nas compilações que antecederam o disco. O título da obra é retirado de um poema de Bernardo Vilhena, importante poeta e letrista, que já trabalhou ao lado de Lobão, Cazuza, Cássia Eller e que agora empresta seu talento como co-autor da faixa Santa Sampa. Outra parceira presente no álbum, fica por conta do titã Arnaldo Antunes, responsável por auxiliar na letra de A Prova.

A primeira faixa do disco já é conhecida dos antigos fãs. Cobra de Vidro já figurava no tracklist do EP Da Doo Ron Ron de 2010. Com leves alterações em relação à versão do compacto, como maior destaque para a linha de baixo no pré-refrão, a música cumpre bem a função de primeira faixa, recepcionando bem o ouvinte e sendo um single rico tanto no instrumental, quanto em sua letra urbana, uma das caracterísitcas mais fortes da banda, sempre citando situações do cotidiano e ilustrações poéticas de pontos da capital paulistana e que também podem ser ampliadas para demais grandes cidades do país. Não Sei o Que Fazer Comigo, cover da banda uruguaia El Cuarteto de Nos, remete a mais uma influência das Vespas, o Rock latino como já vimos em Antes Que Você Conte Até Dez - cover da banda espanhola Fito & Fitipaldis, presente no EP Sasha Grey, de 2011. Sua letra é noventa por cento fiel à original, os outro dez são alterações precisas e muito bem colocadas como referências a partido políticos, gírias e expressões de nossa cultura e que tornam a boa canção ainda mais próxima do ouvinte brasileiro.

Uma das mais intensas e encorpadas do disco, é O Inimigo que já é do repertório pré-Animal Nacional. A música já era executada pela banda em 2010 numa versão recheada de participações como Fábio do Cascadura, Victor Rocha da Black Drawing Chalks, Jajá Cardoso da Vivendo do Ócio e Pitty. A canção merece destaque por saber aliar um Rock mais denso à uma composição mais poética. Mesmo sendo direta e ríspida, a música apresenta uma construção lírica em um molde mais declamado, sem se pautar em modelos tidos como mais tradicionais do Pop e do Rock como repetição de versos. Tal formato dá à canção, que já é boa por si só, um toque a mais e um diferencial que podemos observar na banda.

Outra faixa que também vem do passado é Um Homem Sem Qualidades, música originalmente da Banzé, ex-banda de Thadeu Meneguini, guitarrista e vocalista das Vespas. Já apresentada em shows passados das Vespas, a música é pedrada e se mostrou bem recebida pelo público, que se não a conhecia dos tempos de Banzé, acabou conhecendo na atual execução. Boa tanto para se ouvir no volume máximo em casa, melhor ainda para uma versão ao vivo. Ouvi-la e ficar parado é simplesmente impossível.

Mais uma canção a ir para o lado poético é Distraídos Venceremos, que leva o nome de um livro do escritor e poeta Paulo Leminski - mais uma influência dos anos 80 brasileiro - e ganha coautoria de Adalberto Rabelo Filho, responsável também - entre tantas outras letras - por auxiliar Thadeu em Radioatividade da Vivendo do Ócio. Mesmos paras os que não conhecem o trabalho de Adalberto, ambas as músicas são provas de que as Vespas tiveram participação de mais um grande artista em seu álbum de estreia.

Fechando o disco temos O Herói Devolvido, anteriormente divulgada no canal oficial da banda no Youtube em vídeo, gravado no estúdio Costella em Maio do ano passado. A faixa, que já funcionava bem como single e na época já atraia a atenção do público para o primeiro trabalho da banda que estava por vir, continua com seu valor, agora dentro da obra.

O balanço final é de um primeiro álbum coeso e que soube trabalhar muito bem as influências de peso da banda, assim como ótimas letras e a boa conexão Rock x poesia, onde os dois lados conversaram bem, sem ofuscar um ao outro, sendo grande mérito da banda e de seus letristas. Tal belo trabalho resulta em uma prova contundente de que o bom e velho Rock nacional se encontra vivo e com qualidade.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Azymuth - Outubro [1980]

 
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Por Ouveaê

Esse disco é a consagração do trio instrumental carioca formado no começo da década de 70 por José Roberto Betrami (teclado e percussão) Alex Malheiros (baixo e guitarra) e Ivan Conte (bateria e sintetizadores). Insistindo num bossa jazz samba fusion puramente instrumental na época em que a MPB era sinônimo de cantores, eles permaneceram às margens da popularidade na terra natal, embora tenham emplacados temas em novelas, como Linha do Horizonte, de 1975. Em 1978, graças a Airto Moreira, que os chamou para fazer algumas composições e acompanhar uma turnê de Flora Purim, fecharam contrato com a gravadora gringa Black Sun. Após o também ótimo Light as Feather, lançado em 1979, veio este Outubro, que mostra de maneira impecável o "samba de gringo doido" que mistura percussão afro from hell, guitarra roqueira, baixo fusion e sintetizadores a la Herbie Hancock fase Headhunters. Enfim, sonzera!



01 - Papasong
02 - 500 Miles High
03 - Pantanal (Swamp)
04 - Dear Limmertz
05 - Carta pro Airto (Letter to Airto)
06 - Outubro (October)
07 - Maracanã
08 - Um Amigo (A Friend)
09 - Dear Limmertz Prelude

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Márcio Mello - Ao Vivo No Rio Vermelho [2012]

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MÁRCIO MELLO NO OLHO DA RUA
Por Franchico no Rock Loco em 3 de janeiro de 2012

Cantor lança DVD gravado ao vivo na rua, em plena festa de Iemanjá, no Rio Vermelho - e dispara a metralhadora verbal contra o estado das coisas em Salvador

Márcio Mello dispensa apresentações. O cantor / compositor, que já namorou com o mainstream (na época de Nobre Vagabundo, hit na voz de Daniela Mercury), iniciou sua carreira no underground local, na banda Rabo de Saia. E é ali que ele, orgulhosamente, continua.

O testemunho inegável desta afirmação está no DVD independente que ele acaba de soltar: Márcio Mello Ao Vivo no Rio Vermelho. De cara, o que se pode dizer é que se trata do mais precioso documento audiovisual a sair do cenário do rock / música independente local.

Gravado no dia 2 de fevereiro de 2010, em plena festa de Iemanjá, o vídeo é o documento definitivo do show gratuito que ele faz todos os anos, desde 1998 (data que ele mesmo lembra, mas não tem certeza) na varanda da empresa gráfica Venture, no Rio Vermelho.

É um vídeo primoroso nos quesitos espontaneidade / verdade. Com diversas câmeras espalhadas em cima do palco e no meio da plateia, ele capta todo o clima de bagunça do evento, transportando o espectador para o meio do povo, entre doidões, gatinhas, roqueiros, malucos de rua, ônibus, carros e caminhões abrindo caminho no meio da multidão a todo momento – além de convidados inusitados, como o ator Fábio Lago (dando uma canja no pandeiro) e o ex-baixista do Camisa de Vênus, Robério Santana.

Porém, mesmo feliz com o resultado do DVD, Márcio anda muito descontente com Salvador – e com todo direito. No DVD, o baterista é seu amigo Paulo Perrone, que respira por aparelhos desde julho, após ser baleado durante um assalto.

Márcio já queria gravar um DVD ao vivo há muito tempo. Mas faltava uma oportunidade realmente bacana, com a sua identidade, para a coisa andar. “Cheguei a pensar em fazer de forma careta, em um teatro. Mas também tinha esse show no Rio Vermelho, que é demais”, diz.

Seus sócios foram contra. “Acharam a ideia ruim, o lugar sem estrutura e tal, até por que a gente não faz passagem de som para esse show”, conta.

”Mas, pô, nos anos 1970 era assim mesmo. Se ficasse ruim, não tinha essa de tocar a mesma música de novo e de novo. Era a coisa real. E é isso que eu quero. Se ficar ‘bagunçado’, dane-se”, acrescenta Márcio.

A coisa ficou tão divertida e espontânea que o espectador corre o risco de achar que certas passagens do vídeo foram “combinadas”, mas não: era só o caos conspirando a favor. “Tem uma hora que a lâmpada de um poste estoura, você acha que é fogo de artífício”, ri.

Ele conta que já fez shows de divulgação do DVD em São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre com o Bizarromóvel, um caminhãozinho adaptado para shows.

“O executivo de marketing de uma operadora de telefonia viu o Bizarromóvel no Rio Vermelho e pirou. Detalhe: do marketing de Belo Horizonte. Os caras da mesma operadora daqui de Salvador não estão nem aí”, diz.

No dia 2 de fevereiro ele faz o show de lançamento do DVD, no mesmo lugar. A nota triste é que este deverá ser o último ano do evento que já rolava há mais ou menos 15 anos, já que a Venture, empresa dona do “palco improvisado”, já avisou a Márcio que está deixando o local.

Em 2012, Márcio pensa em gravar um álbum com músicas inéditas, seguindo o mesmo padrão despojado: “Vou fazer um acústico. Voz, violão e só. Hoje é tanta ‘mistura’ indigesta, tudo tem que ter DJ, VJ, toneladas de percussão, mas a verdade é que tudo começa ali, no violão”.

“Tá na hora de ter coragem, de fazer guerrilha. Salvador tá careta demais”, constata. “A cidade toda está em crise total faz tempo. E é crise artística. Tá na hora de expulsar a meia dúzia de mauricinhos que produzem o mercado e ditam o que todo mundo vai ouvir”, dispara.

“Chega da música baiana com cara de jingle da Bahiatursa, essa caricatura do negão feliz rebolando de óculos escuros. A verdade é que o negro baiano continua sendo vendido como escravo, só que em outro patamar. Se antes eram escravos do senhor de engenho, hoje eles tem de rebolar pra enriquecer os donos de bloco e das bandas, que são todos meninos branquinhos, ex-alunos de escola particular. Nada mudou”, diz.

“Outro dia um cara me perguntou se eu ouvia pagode. Eu disse que não. Ele estranhou: ‘E você ouve o quê?’, como se só existisse isso. Percebeu o nível da mediocridade?”, pergunta.

Márcio acredita que essa mediocridade já contaminou todas as instâncias da sociedade. “O axé não deixou nada para cidade, só destruição. Acabou com o Carnaval, a noite, até a arquitetura. A cidade está feia. A conclusão que eu tiro é que uma cidade com música ruim é uma cidade ruim de se viver”, afirma.

“Aí fica todo mundo com cara de Carlinhos Brown. Tem uns 15 anos que aturamos um cataclisma de Carlinhos Browns, todo mundo igual. Ninguém pensa em fazer um trabalho artístico. Só pensa em se dar bem”, lamenta.

Márcio confessa que não tem mais prazer em estar na cidade, ainda mais depois do que aconteceu com o baterista Paulo Perrone.

“O cara tá semimorto no hospital por que foi tirar 300 contos no banco. Poderia ser eu ou você. A música que as pessoas insistem em ouvir de forma ensurdecedora nas ruas é estressante. Você não consegue tomar uma cerveja em paz nessa cidade. A gente tem que ficar trancado em casa, por que Salvador nos tortura o dia inteiro”, desabafa.

Com isto, só resta desejar boa sorte aos desavisados turistas...
Assista o show na integra no youtube:

domingo, 27 de outubro de 2013

Little Quail And The Mad Birds - Lírou quêiol en de méd bãrds [1994]

Yandex 128kbps


Banda brasiliense formada em 1988 por Gabriel Thomaz (guitarra e vocais) Zé Ovo (baixo e vocais) e Bacalhau (bateria). Tocando psychobilly com letras hilárias e apesar de reconhecimento no underground, nunca alcançou sucesso comercial e acabou em 1996 após o lançamento de dois álbuns, Lírou Quêiol en de Méd Bârds (1993) e A Primeira Vez Que Você Me Beijou (1996) além de uma EP (1998).

Gabriel Thomaz hoje está no Autoramas, Bacalhau no Ultraje a Rigor e Zé Ovo acabou por não tocar em outra banca se tornando roadie do Maskavo Roots.
A música “Aquela”, sucesso na voz do Raimundos, na verdade é do Little Quail.

Esse álbum é tão raro que nem Gabriel Thomaz tem o original.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Bandas independentes revigoram a cena do rock instrumental brasileiro


Internet é aliada importante para gravar e divulgar discos, enquanto festivais formam público para o gênero
Por Tristão Girão no Divirta-se
Vendo 147
Uma banda afirma que suas influências vão de Robert Johnson a Luiz Caldas, passando por Slayer; a outra cita pintura, design e literatura como fontes de inspiração. Há quem não tenha o menor receio em rotular seu trabalho como instrumental pop e há quem aposte no clone drum (dois bateristas tocando na mesma bateria). Um acha que DVD é o melhor suporte para lançamentos, enquanto o outro acaba de lançar CD por selo sul-coreano. Uns tocam pouco e outros vivem da estrada.

A nova cena do rock instrumental brasileiro está exuberante, com talentos surpreendentes de norte a sul do país – literalmente. Talvez, isso se deva a fato de não ser ditada por regras ou compromissos comerciais.

De Natal, vem a Camarones Orquestra Guitarrística. O objetivo do quinteto é tocar música divertida para dançar. “Nossas principais referências são temas de desenhos animados antigos, filmes, paisagens sonoras ou acontecimentos do cotidiano. Não temos o menor problema em ser pop instrumental. Talvez isso tenha criado uma aura de simpatia e alguma conexão com as pessoas ‘além-cena independente’”, define o tecladista Anderson Foca. O trabalho mais recente é 'O curioso caso da música invisível', que chegou à praça este ano.

Com três discos lançados (virtualmente e em CD), a banda comemora seus mais de 300 shows desde 2008, somadas três turnês em todas as regiões brasileiras, além da Argentina e do Uruguai. “O momento é ótimo. Vivemos uma pequena crise no país, a estagnação da economia influencia todas as áreas, mas as marolas estão aí para a gente surfar. Cabe a cada um achar a prancha ideal”, garante ele.

A potiguar Camarones Orquestra Guitarrística faz música para dançar
Comportamento
Para André Ramiro, guitarrista da banda curitibana Ruído/MM, o momento é o de de sempre: “Grupos com música difícil têm seus fiéis seguidores. Instrumentais fáceis ganham alguns fãs a mais”. Fora isso, todos os integrantes têm empregos fora do palco (André mora no Rio de Janeiro), o que torna a agenda de shows complicada. “Às vezes, tentamos emendar tours, mas nunca dá certo. Fins de semana são sempre bem-vindos, mas quando o show é interessante, damos um jeito para tudo”, diz ele.

Isso não o desanima. André vibra ao se lembrar de shows no Recife e em Maceió, onde conheceu fãs, e de apresentação durante o carnaval belo-horizontino, quando os paranaenses venderam muitos discos. Aliás, já são quatro os álbuns lançados pelo grupo (o último é 'Introdução à cortina do sótão', de 2011), influenciados por gama de referências que vai de Debussy a Stephen Malkmus e poderia se encaixar na definição um tanto vaga de post-rock.


De toda forma, acredita André, há que se reconhecerem mudanças na cena do rock: “Hoje, temos meios mais eficientes para liberar o esporro musical instrumental. Banda nem lança mais CD, é preciso ter DVD e cada faixa ser trilha sonora para um filme bacana. A música instrumental ‘não masturbável’ serve para isto: dar vida ao imaginário das pessoas”.

Por falar em público, Dimmy “O Demolidor”, um dos dois bateristas da banda baiana Vendo 147, que lançou o álbum 'Godofredo' recentemente, alegra-se em constatar que o estilo rompe barreiras: “Temos grupos que conseguem tocar para plateias imensas, que atingiram espaço que não se imaginava. Um fator que contribuiu para isso foi a mudança do comportamento do próprio público, mais aberto a novas experiências sonoras”.

Robert Johnson, Luiz Caldas, Slayer e Led Zeppelin estão na lista de influências da banda, caracterizada também por contar com dois instrumentistas tocando a mesma bateria. Eles compartilham o bumbo, sentados um de frente para o outro. O quinteto lançou um EP e um álbum nos formatos físico e virtual, e faz pelo menos 50 shows por ano em todas as regiões do país. O público é formado por “pessoas de 3 a 80 anos”, conta Dimmy.

Sem obrigações 

Paranaenses da Ruído/MMse dividem
entre a carreira e outros empregos
Considerado inviável e complicado por alguns, o rock instrumental parece estar mesmo transcendendo essas concepções. “Nunca nos prendemos a conceitos, premissas ou obrigações. A nossa única obrigação é com a gente, fazer algo de que realmente gostamos. Nunca nos preocupamos se algo é certo, errado ou inviável”, observa Thivá Fróes de Souza, guitarrista do The Tape Disaster, de Porto Alegre (RS).

Apreciadores das bandas dos anos 1960 e 1970, do rock alternativo e também de pintura, design e literatura, os gaúchos começaram a divulgar seu trabalho só pela internet. Para o lançamento conjunto dos dois EPs, receberam oferta do selo sul-coreano Onion Records, o que resultou no CD físico 'The Tape Disaster compilation'.

“Pessoas do círculo underground nos apoiam muito, assim como gente de diferentes círculos. Há música que parece ser acessível para todos. Ou assim esperamos. Sempre vai ser o momento certo de mostrar algo verdadeiro, significativo e positivo”, conclui Thivá.

Palavra de especialista

Edu Pampani -
colecionador de discos

Há demanda


A partir dos anos 2000, aumentou consideravelmente o número de bandas fazendo rock instrumental no Brasil. Compro discos há 36 anos, já tive loja durante 18 anos, sou representante de CDs independentes há 11 e nunca vi a cena do rock instrumental brasileiro tão fortalecida. Cada banda com seu estilo próprio. Elas surgem de todos os estados e vêm conseguindo visibilidade por conta dos festivais. São nomes como Pata de Elefante (RS), Burro Morto (PB), Banda de Joseph Tourton (PE), Macaco Bong (MT), Chimpanzé Clube Trio (SP), Hurtmold (SP), Caldo de Piaba (AC) e Aeromoças e Tenistas Russas (SP), todas com público formado e informado. Se elas aparecem, é porque há demanda. BH não fica atrás: temos 4Instrumental, Iconili, Di Bigode, Constantina e Lise. Desculpe se esqueci alguém. O grupo que deu uma boa alavancada no rock instrumental foi o Macaco Bong, expoente do Circuito Fora do Eixo, que transitou por todos os festivais do país durante alguns anos.



Rock de Sabará para o planeta

Com músicas como 'A fuga das mulheres ruivas para Vênus' e 'A lage, o sofá e o asfalto' no repertório, a banda 4 Instrumental, de Sabará, na Grande BH, não tem público-alvo. Quem afirma é o tecladista, pianista e flautista Tiago Salgado. “Recentemente, fizemos um show em São José dos Campos (SP). Tinha de criança de colo a senhores de mais de 60 anos. Foi uma satisfação muito grande para nós”, afirma.

Ouvintes de música erudita e de heavy metal, os quatro integrantes se sentem livres para criar. Em 2009, eles lançaram o primeiro EP; em 2011, partiram para o disco de estreia, 4.1, gravado em Buenos Aires, na Argentina, e mixado em BH. “Nosso maior interesse é divulgar o trabalho. A internet nos permite fazer isso no mundo todo sem sair de casa”, justifica o músico.

O maior desafio do rock instrumental não é ter público, mas palco e condições para tocar. “As pessoas estão mais abertas às novas bandas. Isso é bom, mas pouquíssimas casas de shows são abertas ao autoral independente. Por outro lado, temos os festivais, que nos permitem chegar ao grande público”, diz Tiago.

O grupo tem feito cerca de 12 shows por ano. Tiago considera essa média baixa e diz que os custos (passagens aéreas, hospedagem, alimentação e traslado) dificultam a contratação de artistas. “Uma banda independente consegue, sim, fazer muito mais shows, mas nem sempre as condições para isso são honestas. Ainda é muito caro circular por outros estados. Uma viagem para o Nordeste para quatro pessoas custa cerca de R$ 5 mil, só de passagem”, conclui.