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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Labirinto - Divino Afflante Spiritu [2019]

Mediafire 320kbps



Por Fabio Melo em Groud + Cast

Conheço o Labirinto tem pelo menos uns quatro anos para mais e sei o quanto eles se esmeram muito em trazer sempre o melhor resultado possível para suas canções. Iniciando com o post-rock, gradualmente foram abraçando o metal e pode-se dizer, sem nenhuma dúvida, que este disco representa o lado mais metal que a banda poderia abraçar.

Comparado com Gehenna, seu predecessor, Divino Afflante Spiritu é menos atmosférico e mais pesado, mais denso, com camadas de música e uma sonoridade que vai do sludge mais sujo ao psicodélico, em harmonias cheias de angústia e dor, que resumem a atmosfera dessas músicas. Este nome, aliás, não poderia ser mais interessante, pois trata-se também do nome da encíclica papal escrita pelo papa Pio XII, que pedia uma revisão da bíblia a partir de seus textos originais, não se valendo mais da tradução para o latim. Este nome, em tradução livre, significa “Inspirado pelo Espírito Santo” e este espírito traz à tona toda a série de pensamentos sombrios e tétricos. Destaca-se, mais do que nos álbuns anteriores, a percussão, que tem uma importância maior que as guitarras e ajudam a colocar todos estes elementos em harmonia.

Agnus Dei abre esta obra com uma bateria muito forte e também marca a participação de Elaine Campos nos vocais (ex-Abuso Sonoro e atualmente no grupo Rastilho)), cuja voz traz toda a violência do crust punk / hardcore, que lembra um bocado o Ragana, mas com mais velocidade e ódio. Os sinos dobram a marcam o começo da segunda faixa, Penitência, que tem uma forte presença de música psicodélica e se parece muito com o que foi apresentado no disco anterior, com toda a tristeza de uma música épica e majestosa. A presença do sludge fica ainda maior quando começa Eleh Ha Devarim, música que dá para sentir o peso das guitarras e da bateria, ambos dentro de escalas pouco convencionais, complexas, mas que não te exigem enquanto ouvinte para apreciar este som.

Demiurge é uma música com um ar mais atmosférico, para depois entrar com uma excelente combinação de instrumentos, com muito destaque para a sempre excelente bateria. É uma das faixas mais melódicas, com linhas mais diretas, mas não menos complexas e uma ambientação de sintetizadores que te transportam para uma viagem dentro do lado mais sombrio do ser humano. O momento de calmaria fica com Vigília e seus corais fantasmagóricos, servindo como introdução para Asherdu e seus solos de guitarra bem construídos, numa levada que te ambienta em um cenário de desespero e sofrimento. Para encerrar de forma monumental, a faixa-título Divino Afflante Spiritu resume e sintetiza muito bem todas as outras músicas, sendo a música mais triste, mais sombria e mais densa de todo o álbum, com uma intensidade que ao vivo deve ser algo para ser sentido enquanto se ouve, contando com uma oração no meio da música.

A produção ficou a cargo de Magnus Lindberg, guitarrista e percussionista do Cult of Luna, o que contribuiu bastante para a pegada mais melódica e épica. No geral, nota-se que, ao abraçar o metal como sonoridade, o grupo conseguiu atingir um grau de excelência que coloca todos eles no mesmo nível de grandes bandas internacionais. Divino Afflante Spiritu é acessível para quem não é um grande fã do post-metal, assim como também agrada quem procura por alguma coisa que fuja do convencional.


1. Agnus Dei
2. Penitência
3. Eleh Ha Devarim
4. Demiurge
5. Vigília
6. Asherdu
7. Divino Afflante Spiritu

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Labirinto - Gehenna [2016]


Por Gabriel Rolim em MonkeyBuzz

Muita vezes e de forma errônea, a música instrumental pode ser considerada “simples” ou de “fácil expressão” - dado que a canção não precisa de uma letra como fio condutor e suas portas se abrem para um universo gigantesco em que, basicamente, tudo é possível. Justamente por isso, pela folha em branco, que caminhamos para uma opinião contrária: é muito difícil criar uma música instrumental em que forma e conteúdo se tornem um só elemento, ou seja, criar a arte que te prenda justamente pela narrativa de instrumentos orquestadores meticulosamente.

Dentro de um espectro amplo dentro da música brasileira, temos diversos exemplos de bandas bem sucedidas em tais narrativas e Labirinto é uma delas - a ponto de realizar turnês cada vez mais frequentes ao exterior e intercambiar ideias (como o split lançado pelo grupo em 2014 junto com o canadense This Quiet Army). Vislumbrar a capa de Gehenna traz muito sobre o conteúdo que iremos encontrar, uma trilha-sonora pós-apocalíptica que consegue capturar toda a essência da destruição e, ainda sim, trazer beleza em momentos essenciais.

Construído ao redor de alguns gêneros como o Post-Metal e o Post-Rock, o grupo soube realizar uma obra que prende o ouvinte do começo ao fim e se torna mais prazerosa a cada nova audição - a faixa título pode muito bem sintetizar todo o disco ao longo de seus doze minutos de duração. Construções progressivas vão trazendo camadas por camadas: linhas soltas de guitarra primeiro, quase em câmera lenta, antecedem a destruição, mas, não obstante, o anúncio do desastre vem através de um baixo cuidadosamente colocado. Após ele, temos a contemplação de uma das faixas mais interessantes de todo o disco. Ao vivo, se torna o tipo de experiência necessária uma vez na vida, ao menos.

Não faltam motivos para agradar fãs de Metal, como Mal Sacré e Enoch, faixas adequadas paraheadbangs e moshes, mas também satisfaz os fãs de Rock com Locrus ou Alamut. Ao mesmo tempo, não se pode negar que os momentos em que temos maior contemplação e respiros vem com o Post-Rock, pontuados milimetricamente dentro do disco para que o peso de faixas anteriores não não torne tudo muito excessivo. Os melhores momentos do disco residem nas transições bonitas de faixas, como a ótima Avernus, que poderiam aparecer com mais frequência.

Dentro do espectro de gêneros que Labirinto se insere, podemos considerar os detalhes de produção, escolha de timbres e narrativa como muito bem feitos e mostram um trabalho impressionante. Mesmo que o Metal possa assustar uma galera por simplesmente ser um rótulo com diversas direcões, quem se arriscar dentro do desconhecido tenderá a se prender ao longo de mais uma hora de duração do álbum para saber o que acontecerá.

Se o único acompanhamento visual para a obra é sua capa nebulosa, não restam outras formas de se alcançar o imaginário do ouvinte se não pela música proposta aqui - extremamente visual e cinematográfica. Para quem foi recentemente no show realizado pelo Monkeybuzz de Deafheaven, será certamente um prato cheio e, ao mesmo tempo, constatar que tal qualidade é encontrada em territorio brasileiro torna Gehenna ainda mais recompensadora.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Labirinto - Masao [2014]

Download 320kbps



O Labirinto está colocando no mercado um novo single, intitulado “Masao”. Mas se você considerar que a música tem duração de 25 minutos, a audição vale como se fosse - pelo menos - a de um EP, ou, quem sabe, um dos lados de um LP, já que o vinil está em voga outra vez.

A música tem mixagem de Greg Norman (Electrical Audio, Chicago) e da baterista da banda, Muriel Curi (Dissenso Studio, São Paulo), e está sendo lançada pelo selo Dissenso Records, com apoio do selo inglês The Sirens Sound e do alemão Oxide Tones. Completam a atual formação Erick Cruxen, Felipe Freitas e Luis Naressi (guitarras e sintetizadores) e Ricardo Pereira (baixo).

A composição de “Masao” é homenagem ao diretor da usina de Fukushima em 2011, Yoshida Masao, época em que os acidentes nucleares e catástrofes naturais assolaram o Japão. Yoshida estava entre os 50 colegas que permaneceram em seus postos após o alarme nuclear soar, por causa de uma tsunami, evitando uma tragédia sem precedentes. O grupo ficou conhecido como os “50 heróis de Fukushima”.

Yoshida Masao não resistiu e acabou perdendo uma batalha para o câncer em julho de 2013, quando planejava contribuir com sua experiência nos trabalhos para desativar o funcionamento da usina. O single virtual tem ilustração criada pelo artista Miller Guglielmo, representando a saga de um samurai em sua luta contra um antigo demônio japonês; veja à esquerda. A criação é uma alusão ao acidente natural ocorrido no Japão, que culminou na destruição de parte da usina de Fukushima.

Com o lançamento de “Masao”, o Labirinto aproveita para liberar o download gratuito de toda a discografia, incluindo o split com a banda canadense thisquietarmy, e os álbuns “Kadjwynh” (2012), “Anatema” (2010) e “Etéreo” (2009). Clique aqui, acesse o Bandcamp da banda, e divirta-se.

domingo, 21 de abril de 2013

Labirinto - Kadjwynh [2012]


Baixar link oficial


Por Paulo Marcondes
publicado em 3 de maio de 2012 em Altnewspaper

Não havia como esperar algo diferente de uma das melhores bandas, senão a melhor, de post-rock nacional, a Labirinto. O EP tem nome difícil e é impossível pronunciar, pelo menos eu nunca consigo, mas o conteúdo musical dele é de uma maestria ímpar. Um pouco noise e psicodélico em alguns momentos, em outros, muito bem tocado.

Kadjwynh significa energia vital na língua Kayapó. Para esse povo, existem três elementos vitais: o corpo, o espírito e a energia vital. Esse é o grupo indígena que mais luta contra a implantação da Usina de Belo Monte desde a década de 80. Para eles, o Kadjwynh seria o mais afetado pela construção da hidrelétrica no Xingu. Então dá pra sacar que esse EP tá cheião de contexto político e social.

Daemones é a primeira faixa de Kadjwynh e é uma breve introdução, uma microfonia, um ruído controlado e apenas 1 minuto e 28 segundos de duração, entretanto, a faixa que vem na sequência se liga de maneira absurda com ela.

Tuira inicia-se com o post-rock clássico que a banda Labirinto vem se propondo a fazer e principalmente com toda aquela técnica que já foi registrada em Anatema, um dos discos mais geniais de 2010. Com camadas sonoras leves e contagiantes, a segunda música do EP te faz querer montar uma banda, estudar por bastante tempo e finalmente conseguir criar algo assim e eu não estou exagerando. Ao longo da faixa o som característico vai dando espaço a uma calmaria até o seu fim, o que não é ruim, querido ouvinte.

Piam Ket parece retomar do ponto que Tuira acabou. Eu sempre gostei desse tipo de disco, que uma coisa vai ligando a outra e parece que você está numa apresentação ao vivo que os caras não param nem pra tomar água (e foi assim o lançamento do Anatema no CCSP). Uma guitarra de fundo surge, distorcida, claro e vai acompanhando toda a faixa, até seu clímax, lá pelos 2 minutos e meio. Depois disso, a faixa fica bem calma, tranquila, chamando a próxima canção, Cairo. Lembrando que até agora todas as músicas foram um tanto quanto curtas, mas pera aí, a próxima vocês conhecem e tão ligados que não é assim.

Cairo é a quarta música de Kadjwynh e a última. Tem lá seus 10 minutos de duração e saiu naquela coletânea que divulgamos aqui, More Hope For Japan, criada para dar uma força ao pessoal que perdeu tudo no último Tsunami que deu no Japão. Vocês devem conhece-la e acharem a faixa foda, entretanto, não custa falar um pouco dela. Ela é, para mim, a música mais post-rock clássica do disco, principalmente pela sua duração e o começo bem suave, indo ao clímax de maneira calma, a passos lentos, uma coisa bem Godspeed You! Black Emperor. Bom, vocês já ouviram Cairo, então acabo minhas pequenas impressões a respeito dela aqui.

Analisando as 4 músicas do novo EP da banda Labirinto é possível dizer que eles deveriam ter gravado logo um full lenght. Fica um gosto de quero mais ao término de Kadjwynh. Eu tô pensando em mandar um email pro Erick e pra Muriel falando “eae galera, ces tão brincando né? Tá faltando mais umas 4 músicas ae pra fechar isso!”. Agora sem brincadeira, se você curtiu Anatema, é fã de post-rock ou acha que esse tipo de som combina com o frio que está fazendo em São Paulo, corre para baixar/comprar o seu. Este é um dos eps mais fodas que já ouvi até agora, tanto por sua técnica, quanto pelo quão cativante é o som, que não torna a parada cansativa e chata, pelo contrário, tudo é muito interessante.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Labirinto - Cinza [2006]



Com nova formação, e o acréscimo de novos instrumentos e texturas musicais, o sexteto lança o EP com cinco músicas instrumentais. Cinza mostra um Labirinto mais denso, apontando os rumos que a banda trilhará; caminhos balizados por guitarras, baixo, bateria, violoncelo e sintetizadores digitais e analógicos.

Labirinto - Etéreo [2009]


O EP lançado em 2009 apresenta duas músicas gravadas no ano anterior, especialmente para a coletânea DIS1, e a terceira faixa gravada e lançada em 2007, agora remixada para o EP. “Etéreo” mostra um Labirinto mais denso e melancólico, com composições longas e trabalhadas; uma amostra do álbum Anatema, anunciado para o final do segundo semestre de 2010.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Labirinto - Anatema [2010]

Baixei esse álbum faz algum tempo e só agora fui ouvir e posso dizer com toda sinceridade que foi uma das melhores surpresas que tive essa ano. A banda instrumental de post-rock é simplesmente excepcional. Formada em 2003 a banda passou por quatro EP´s até chegar a esse belo álbum que já lhes renderam algumas turnês internacionais tamanha qualidade sonora.

Achei um artigo na edição 55 de abril da Rolling Stone Brasil sobre a banda e disponibilizo abaixo:

José Julio do Espirito Santo.

A parafernália de instrumentos que parecia não caber no estúdio no dia em que a banda Labirinto fez um webcast ao vivo para a TV Trama não estava lá. O andar de cima da Casa Dissenso - misto de loja, selo, estúdio de gravação e pequeno espaço para shows, em São Paulo - está praticamente vazio. Erick Cruxen e Muriel Curi, casal que forma o núcleo do Labirinto, conversam com Bruno Pietoso, antigo membro do grupo, que saiu e retornou para tocar lap steel e sintetizadores na formação atual. Fora o papo tranquilo, ouvem-se poucos sons sob o céu carregado que antecipa mais um dilúvio vespertino na capital. Se houvesse uma trilha sonora para o momento, a música do Labirinto seria ideal. O primeiro álbum do grupo, lançado em 2010, traz seis longas faixas de angústia contida e clímaces estrondosos e inesperados, como os temporais que nunca se sabe onde vão cair. Mais do que o pior castigo religioso, Anatema encerra um outro significado para "maldição" em seu título, segundo Cruxen. "É uma história elíptica, como se fosse o eterno retorno", ele explica. "Tem um começo, mas não tem um fim. Na verdade, o fim volta para o começo. Um começo, talvez reformulado, reconfigurado."

Conceitual? Até o talo e com muito orgulho. Para chegar aí, o Labirinto foi aprimorando seu som em diferentes formações nos quatro EPs, lançados em CD-R - Pseudo-Segurança Compensatória (2005), um split com a banda Ordinária Hit; Cinza EP (2006); Labirinto EP (2007); e Etéreo(2009) - e nas faixas que fizeram para a coletânea Dis (2008).

O background dos fundadores do Labirinto - Cruxen (guitarra) e Muriel (bateria), além de Daniel Fanta (guitarra e piano) e o ex-integrante Joaquim Prado (guitarra, baixo e sintetizadores) - estava no hardcore e no metal. O desvio comum a muitos artistas do estilo foi para o post-rock. "Foi Godspeed You! Black Emperor que mudou a vida", Cruxen declara. "Os caras conseguem ter um lado contestador político-social e as músicas são lindas. Não precisa ser um agressivo feio", ele completa.

Anatema, que também sai em vinil, foi gravado em três estúdios diferentes, em São Paulo. Foi produzido por Cruxen e Muriel e finalizado em Chicago, no lendário estúdio de Steve Albini. "Não tinha ninguém no Brasil que eu conhecia que poderia fazer um trabalho tão legal", Cruxen fala sobre Greg Norman, que já produziu Pelican e Russian Circle (ambas de som instrumental pesado), e mixou o disco.

A ideia do atual sexteto (noneto quando estão no palco) é levar em frente o conceito contido no álbum. "Pretendemos entrar em estúdio novamente no fim do ano", ele diz aludindo a sequelas cinematográficas. "Este disco vai ter continuação."