segunda-feira, 15 de julho de 2019

Eumir Deodato - Samba Nova Concepção [1964]


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A1 Samba No Congo
A2 Adriana
A3 Estamos Aí
A4 Carnaval Triste
A5 Nanã
A6 Straits Of McClellan
B1 Capoeira
B2 Sonho De Maria
B3 Samba A
B4 Amor De Nada
B5 Coisa Nº 1
B6 A Morte De Um Deus De Sal

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Labirinto - Divino Afflante Spiritu [2019]

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Por Fabio Melo em Groud + Cast

Conheço o Labirinto tem pelo menos uns quatro anos para mais e sei o quanto eles se esmeram muito em trazer sempre o melhor resultado possível para suas canções. Iniciando com o post-rock, gradualmente foram abraçando o metal e pode-se dizer, sem nenhuma dúvida, que este disco representa o lado mais metal que a banda poderia abraçar.

Comparado com Gehenna, seu predecessor, Divino Afflante Spiritu é menos atmosférico e mais pesado, mais denso, com camadas de música e uma sonoridade que vai do sludge mais sujo ao psicodélico, em harmonias cheias de angústia e dor, que resumem a atmosfera dessas músicas. Este nome, aliás, não poderia ser mais interessante, pois trata-se também do nome da encíclica papal escrita pelo papa Pio XII, que pedia uma revisão da bíblia a partir de seus textos originais, não se valendo mais da tradução para o latim. Este nome, em tradução livre, significa “Inspirado pelo Espírito Santo” e este espírito traz à tona toda a série de pensamentos sombrios e tétricos. Destaca-se, mais do que nos álbuns anteriores, a percussão, que tem uma importância maior que as guitarras e ajudam a colocar todos estes elementos em harmonia.

Agnus Dei abre esta obra com uma bateria muito forte e também marca a participação de Elaine Campos nos vocais (ex-Abuso Sonoro e atualmente no grupo Rastilho)), cuja voz traz toda a violência do crust punk / hardcore, que lembra um bocado o Ragana, mas com mais velocidade e ódio. Os sinos dobram a marcam o começo da segunda faixa, Penitência, que tem uma forte presença de música psicodélica e se parece muito com o que foi apresentado no disco anterior, com toda a tristeza de uma música épica e majestosa. A presença do sludge fica ainda maior quando começa Eleh Ha Devarim, música que dá para sentir o peso das guitarras e da bateria, ambos dentro de escalas pouco convencionais, complexas, mas que não te exigem enquanto ouvinte para apreciar este som.

Demiurge é uma música com um ar mais atmosférico, para depois entrar com uma excelente combinação de instrumentos, com muito destaque para a sempre excelente bateria. É uma das faixas mais melódicas, com linhas mais diretas, mas não menos complexas e uma ambientação de sintetizadores que te transportam para uma viagem dentro do lado mais sombrio do ser humano. O momento de calmaria fica com Vigília e seus corais fantasmagóricos, servindo como introdução para Asherdu e seus solos de guitarra bem construídos, numa levada que te ambienta em um cenário de desespero e sofrimento. Para encerrar de forma monumental, a faixa-título Divino Afflante Spiritu resume e sintetiza muito bem todas as outras músicas, sendo a música mais triste, mais sombria e mais densa de todo o álbum, com uma intensidade que ao vivo deve ser algo para ser sentido enquanto se ouve, contando com uma oração no meio da música.

A produção ficou a cargo de Magnus Lindberg, guitarrista e percussionista do Cult of Luna, o que contribuiu bastante para a pegada mais melódica e épica. No geral, nota-se que, ao abraçar o metal como sonoridade, o grupo conseguiu atingir um grau de excelência que coloca todos eles no mesmo nível de grandes bandas internacionais. Divino Afflante Spiritu é acessível para quem não é um grande fã do post-metal, assim como também agrada quem procura por alguma coisa que fuja do convencional.


1. Agnus Dei
2. Penitência
3. Eleh Ha Devarim
4. Demiurge
5. Vigília
6. Asherdu
7. Divino Afflante Spiritu

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Sérgio Benchimol - Ciclos Imaginários [2007]

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1 Terral-II
2 Oregon Mountains
3 Daqui Prali
4 Deposis Da Praia
5 Shadow Valley
6 Ciclos

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Sérgio Benchimol - A Drop In The Ocean, An Ocean In A Drop [2004]

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Este é o primeiro trabalho da carreira-solo de Sérgio Benchimol, guitarrista, tecladista e saxofonista das bandas Semente e True Illusion. A banda que toca neste CD, formada por músicos com bagagem progressiva e jazzística, demonstra muito entrosamento e segurança na execução das músicas. O produção deste CD é um trabalho em conjunto de Sérgio Benchimol, David Ganc (que assina todos os arranjos de sopros e violoncelo) e Fabrízio de Francesco. A gravação e masterização foram feitas no Estúdio Overseas e a capa e o encarte são de autoria de Daniel Geller. 

Na verdade o CD começou a tomar forma em 2.001, quando Benchimol redescobriu composições antigas e começou a rearranjá-las com Ganc, logo após o reencontro dos mesmos para os show das bandas Semente e True Illusion no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas Artes, na ocasião das comemorações dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil. 

O CD segue um conceito de dualidade herança da época do vinil), como já demonstra o título. Basicamente divide-se em duas partes. A primeira (o lado A) é um pouco mais “leve”, onde predom

inam piano e violão, com presença constante de bateria, flauta, violoncelo, percussão e oboé. O mellotron e o saxofone aparecem em alguns solos e bases. Vai até a oitava música. A segunda parte já é um pouco mais pesada, com uma fusão perfeita de rock e jazz. Guitarra, moog e saxofone juntam-se à bateria, com andamentos e compassos complexos, lembrando um pouco a escola britânica Canterbury dos anos 70, com leves toques de jazz. Enfim, o CD é uma fusão perfeita de rock, jazz, folk (atenção para 49a porta, com bandorim, flauta e guitarra) com espaço para alguns improvisos. 


1 Terral
2 Jonelas Do Ceu
3 Memorias De Viagens
4 Bamibdar
5 Toca Da Cigarra
6 Bossa Rio Jazz Walz
7 Jardim Dos Delicias
8 Maracatu
9 Maria
10 The Hunt
11 Falling Times
12 Exodus
13 A Drop In The Ocean
14 A Rocha E O Mar
15 Unpack Bagus
16 Estrelas Do Amanhecer
17 49 Porta
18 Carrossel
19 The Last Call

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Meireles e Os Copa 7 - Tropical [1969]

Mega .flac

A1 Sombrero Sam
(Charles Lloyd)
A2 Taboo
(Margarita Lecuona)
A3 The Jody Grind
(Horace Silver)
A4 Fuego
(Donald Byrd)
A5 Barefoot Sunday Blues
(Ramsey Lewis)
B1 The Gringo
(Horace Silver)
B2 Tropical
(J. T. Meirelles)
B3 Poinciana
(Buddy Bernier, Nat Simon)
B4 On Green Dolphin Street
(Kaper, Washington)
B5 Summertime
(Dubose Heyward, George Gershwin)

domingo, 23 de junho de 2019

Meirelles e Os Copa 5 - Esquema Novo [2005]

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Por Luiz Fernando Vianna em Folha de S. Paulo

Atento às invenções, J.T. Meirelles renova seu som histórico

João Theodoro Meirelles tinha apenas 23 anos quando fez para o primeiro disco do então Jorge Ben, "Samba Esquema Novo", alguns arranjos, entre eles o de "Mas que Nada", uma das músicas brasileiras mais gravadas no mundo. Hoje, 42 anos depois, ele lança o CD "Esquema Novo" para evocar o momento histórico e, como o título deixa claro, mostrar que está sempre se renovando.

"É diferente daquela época porque agora existem outros ritmos, outros instrumentos, o piano elétrico, e eu utilizo tudo isso", diz J.T. Meirelles, saxofonista, flautista, compositor e um dos criadores do samba jazz. Sua capacidade de avançar sem deixar de ser fiel às invenções de quatro décadas atrás fica clara na faixa-título, em que dá uma roupagem funk à famosa introdução de "Mas que Nada".

O mesmo pode-se dizer de "Aboio", "Solo", "Neurótico", "Quintessência", temas seus que ele já tinha gravado ou que constam de discos de parceiros de samba jazz, como o baterista Edison Machado e o pianista Sérgio Mendes, que em 1964 registrou "Neurótico" ao lado do Bossa Rio.

"Esse disco [de Mendes] tem aquele famoso subtítulo: "Você ainda não ouviu nada!". E não dá para ouvir nada mesmo, porque o Sérgio, como queria tocar em rádio, só deixou os músicos fazerem uns solos curtos", afirma ele, que em todas as 12 faixas abre espaço para improvisações.

Meirelles é muito sincero no jeito de falar, talvez por não ter muito a perder. Com os arranjos que fez nos anos 60 e os discos "O Som" (64) e "O Novo Som" (65), poderia ter se consagrado. Mas acabou ficando em segundo plano na história da bossa nova.

Em 2001, foi redescoberto tocando na loja de discos Modern Sound, no Rio, e reengrenou a carreira. A Dubas relançou em CD seus dois discos clássicos e gravou um novo "Samba Jazz!!" (2002). "Resolvi assumir minha porção de músico instrumental brasileiro e botar meu time em campo, senão ia ficar tocando em barzinho por dez merrecas. Em relação ao que era, minha profissão acabou", diz ele, que toca este fim de semana no Sesc Pompéia.

Mas as palavras enganam. Meirelles gosta muito de fazer shows, e muito dos arranjos que executa em "Esquema Novo" são frutos de suas apresentações, como os de "Vera Cruz" (Milton Nascimento) e "Casa Forte" (Edu Lobo). Recriou "Naima", de John Coltrane, acrescentando trompete e mais leveza à versão original.

Sua constante renovação também está nos músicos que o acompanham. Por trás da marca Copa 5, como sempre batizou seu conjunto, hoje estão artistas bem mais jovens que ele. O grande som de Meirelles é sempre um novo som.



1 Asa Delta
2 Aboio
3 Esquema Novo
4 Vera Cruz
5 Kary E Oka
6 Céu E Mar
7 Naima
8 Solo
9 Neurótico
10 Capitão Do Mato
11 Casa Forte
12 Quintessência

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Meirelles e Os Copa 5 - Samba Jazz!! [2002]

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1 Pinta Lá
2 Beco do Gusmão
3 Senzala
4 Copa 5
5 Mandinga
6 Última Página
7 Não Tem Caô
8 Sudeste
9 Samba Jazz
10 Lembranças

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Camille Claudel - Angústia [2019]

Link oficial


Por Mário Alencar

A atmosfera clássica no shoegaze de ''Angústia'', o 2o disco da banda Camille Claudel, de Volta Redonda (RJ). Reverbs lado a lado de delays, chorus, formando mil paredes de fuzz que ultrapassam os vocais ecoando sussurros em português. 

Camille Claudel é a junção do que é o post-rock atual com o shoegaze ''dazantigas'', ou o shoegaze que poucos realmente conhecem: Flying Saucer Attack, Astrobrite, Lilys, sem esquecer que Camille Claudel também é noise pop em algumas passagens, como a ''doce trip'' introspectiva de ''Mais um Cigarro'', vai fazer com que você recorde sim de My Bloody Valentine, Cocteau Twins, Slowdive. 

O EP que compõe 5 faixas com letras existenciais abordando os temas morte, solidão e esquecimento, horas noise, horas post-rock, horas dream pop, até um clima de post-metal vai entrar nesses ares, conhecem Jesu?! Nas faixas mais longas, como a que leva o nome do disco, inicia-se numa introdução suave e melancólica sem desligar os pedais de distorções que logo mais a canção entra num estado de raiva e insanidade e assim, ela retorna para o seu berço pleno, que chama a atenção do ouvinte convidando-o para dançar consigo mesmo ao belo coro que diz: ''No último dia, o seu peso era tão leve - Eu te carreguei e te deixei lá sozinha'' enquanto que uma batida firme e marcante leva ao fim do registro. 

''Angústia'' marcará uma era no cenário do ''rock triste com guitarras à frente de tudo''. É um EP que te provoca arrepios e calafrios numa madrugada intensa, analisando num contexto poético da coisa! 

A banda é formada por Frederico Griman (Guitarra e vocais), Luiza Griman (Contrabaixo), Túlio Freitas (Bateria) e Rafael Inácio (Guitarra), e merecem os méritos pelo trabalho em ''Angústia''; com certeza deixarão um legado nesses tempos de hoje da música subterrânea e artística. 


1. Imundice
2. Mais Um Cigarro
3. Outra Mente
4. Caracol
5. Angústia

terça-feira, 11 de junho de 2019

Kingargoolas - Dr. Gori Is A Tiki [2018]

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Surf music direto de Guarapuava/PR.


1. Dr. Gori is a Tiki
2. O Álibi De Abnadabe
3. Redemption Road
4. Gimme Gamma Ray

segunda-feira, 10 de junho de 2019

The Mullet Monster Mafia - I - И - F - E - R - И - O [2019]

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Aquele surf music que eu respeito.


1. Speed Surfing Demons
2. Porno Diesel
3. Dust Rain
4. Goats Eyes
5. Viciado
6. Milestone
7. Zorch X-99
8. A Revolta Dos Mandis
9. Black Coffin Board
10. Surfing Punk Zombies
11. Fishwater Cataia
12. O Ataque Das Muié Abêia
13. I.N.F.E.R.N.O.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Os Replicantes - Histórias de Sexo & Violência [1987]

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Dois fatos curiosos sobre esse álbum. Esse é o primeiro registro da banda em que há composições de Wander Wildner. E segundo o wikipédia a canção Adultera sofreu censurada antes de ser lançada, fazendo que fosse gravada somente o refrão da música. O Relicário do Rock Gaúcho disponibilizou a letra:

Você Mulher solteira
Só pensa em se casar
Ter um pênis só para si
Constituir um lar

Adúltera, adúltera, adúltera, adúltera

De dia lava louça
De noite quer trepar
Seu homem está cansado
De tanto trabalhar

Adúltera, adúltera, adúltera, adúltera




A1 Chernobil
(Heron Heinz, Wander Wildner)
A2 Sandina
(Jimi Joe)
A3 África Do Sul
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
A4 Mistérios Da Sexualidade Humana
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
A5 Adúltera
(Zico)
A6 Sexo E Violência
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
A7 Passageiros I
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)
B1 Astronauta
(Carlos Gerbase, Wander Wildner)
B2 Festa Punk
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
B3 Nicotina
(Claudio Heinz)
B4 Amor Eu Preciso
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
B5 Tom & Jerry
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz)
B6 Mentira
(Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)
B7 Passageiros II
(Carlos Gerbase, Claudio Heinz, Heron Heinz, Wander Wildner)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Os Replicantes - O Futuro É Vortex [1986]

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Por Ugo Medeiros em Coluna Blues Rock via #collecctors_

O punk, acima de tudo, é uma forma de protesto. Diferentemente do estilo dylaniano, letras recheadas de críticas ao sistema aliadas à simplicidade musical característica ao folk, o punk usa o sarcasmo como principal ferramenta. Fugindo do arquétipo panfletário, que o rebaixou a mero contestador político-partidário, esse estilo teve suma importância social desde a sua primordial criação por bandas como MC5 e Stooges. A forma era simples: perturbar e cutucar o inimigo com vara curta à base de muito escárnio e fanfarronice. 

Passaram-se os anos e o estilo ganhou uma estética própria. O mundo se distraia com a Guerra Fria, mas a juventude estava mais interessada nos Ramones, Hüsker Dü, The Undertones ou Black Fag.

Apesar da década de oitenta ter sido, até então, a mais tranquila dos últimos trinta anos, a crise política (final da ditadura militar brasileira) e econômica (a famosa “década perdida”) tornavam a produção cultural brasileira um tanto esquizofrênica. Uma militância política parasitando as artes assolava e tirava toda a pureza das obras. Fosse um texto, uma encenação teatral ou musical, era necessário ter um elo político. O mercado da “produção cultural” viu que discursos e ideologias políticas vendiam bem, logo, bastava apenas "colocar trancinhas" para esconder o aspecto natural de Nosferatu.

Evidentemente, isso também influenciou o punk. Apesar do atraso de quase dez anos, o estilo chegou ao Brasil e de imediato consolidou uma das escolas mais significativas desse estilo. O movimento que começou em São Paulo logo ganharia reconhecimento por todo o território nacional. Se por um lado havia bandas com fortes vínculos com órgãos políticos (PT, CUT, MST, entre outros), havia aqueles que, ainda, tentavam mostrar o quão frustrante era esperar algo via encenação política. Nesse contexto, Porto Alegre dava a luz aos Replicantes, em 1983.

A formação inicial, e considerada clássica, contava com Carlos Gerbase (bateria), Wander Wildner (vocal), Cláudio Heinz (guitarra) e Heron Heinz (baixo). Após gravar um EP pelo selo Vortex com apenas quatro canções, "Rock Star", "O Futuro é Vortex", "Surfista Calhorda" e "Nicotina" – essas duas últimas tornando-se hits na rádio Ipanema - o grupo fez estrondoso sucesso na capital gaúcha.

O próximo passo seria um LP. O trabalho trazia muita expectativa, pois seria a oportunidade da banda mostrar que tinha calos o suficiente para se consolidar na cena roqueira nacional. O Futuro é Vortex (RCA) chegou às prateleiras e, consigo, trouxe novos ares que oxigenaram o processo criativo e a própria concepção do indivíduo e do movimento “punk”. O disco começa bem. "A Verdadeira Corrida Espacial" fala sobre os rumos que a humanidade escolhe. Ao escutar essa faixa, temos uma certeza: os sortudos pegarão o primeiro vôo para fora deste planeta, enquanto que os fodidos permanecerão nesse caos rotineiro a espera do juízo final (e claro, nesse meio tempo, tomando ferro!).

"Boy do Subterrâneo" traz um dos maiores medos da Guerra Fria, a possível guerra nuclear. Meu amigo, também geógrafo, Francisco Antunes, já chamara a minha atenção sobre a quantidade de bandas daquela época que exploravam esse tema. Alguém já parou para pensar aonde e o que fazem atualmente os cretinos da censura? Por onde anda a pessoa do Governo Militar que selecionava e carimbava as obras permitidas? Censor é uma reflexão sobre a apatia cultural causada pela repressão. Como a dita liberdade garantiu menos uma produção cultural rica em qualidade do que apenas em quantidade, acredito que esse “trabalhador” continuou mandato após mandato e, hoje, deve ocupar algum cargo no governo Lula. Ele mostra que se tem fidelidade apenas à quem assina o contracheque e que a palavra, e não o estado de coisa, “liberdade” foi apenas mais uma concessão do Estado. Teoria da conspiração? Foda-se, isso aqui é uma resenha de punk!

A agulha continua gritando em "Ele Quer Ser Punk" e "Hardcore", duas faixas curtas, entretanto bem diretas. O bom e velho rock’n’roll ressurgindo em uma terra onde ser roqueiro é ser “menos brasileiro”. "Hippie-Punk-Rajneesh" é uma das letras mais inteligentes do rock nacional e fala das diversas fases que um cara apaixonado passou ao longo da vida.

"Motel de Esquina" e "Mulher Enrustida" falam sobre mulheres. Na verdade, trazem letras bem lúcidas que representam tudo o que os homens sempre quiserem falar: apesar do nhe-nhe-nhé feminino, no fundo elas querem apenas sexo. Atualmente, tais composições seriam alvos do movimento feminista, resultando em ação judicial e ato público contra a banda.

A música homônima ao disco, "O Futuro é Vortex", mantém a pegada das anteriores. Porque não é praticamente um “selo de qualidade punk”. Em pouco mais de um minuto, o quarteto, finalmente, fala a verdade a respeito da música brasileira: “Agora eu sei qual é a deles. Já peguei no pé do Gil. Eu quero que o Caetano vá pra PUTA QUE O PARIU. (...) O Gismonti é um chato tô cansado de saber, o Chico era um velho mesmo antes de nascer. (...) O samba me da asma bossa nova é de fuder, prefiro tocar bronha e punkar até morrer”. Finalmente criou-se coragem para criticar os queridinhos da "intelectualidade" tupi repleta de brasilidades ...

O melhor fica reservado para o final. "Surfista Calhorda" é uma marca registrada dos Replicantes, um dos seus maiores sucessos. A moral dessa história de apenas três minutos e meio (a mais longa) é que sempre há um otário se achando o "rei da cocada preta". 

E por último, mas nem por isso a menos importante, "Festa Punk", um dos maiores hinos do punk tupiniquim. Impossível escutar e não se lembrar dos áureos tempos de “rodinhas”.

O Futuro é Vortex é um trabalho de importância ímpar para o rock nacional. Letras diretas, músicas curtas, o melhor da pegada punk e o mais ácido humor dão forma a essa obra seminal.

Escutar e divulgar o começo de carreira dos Replicantes é um exercício necessário para manter vivo a maior criação do homem: o rock!



A1 Boy Do Subterrâneo
(Gerbase, Heron)
A2 Surfista Calhorda
(GerbaseHeron)
A3 Hippie-Punk-Rajneesh
(GerbaseHeron)
A4 One Player
(Gerbase, Claudio)
A5 A Verdadeira Corrida Espacial
(Gerbase, Claudio)
A6 O Futuro é Vórtex
(GerbaseHeron)
B1 Choque
(GerbaseHeron)
B2 Ele Quer Ser Punk
(Claudio, Heron)
B3 Motel Da Esquina
(Claudio)
B4 Mulher Enrustida
(ClaudioHeron)
B5 Hard Core
(GerbaseHeron)
B6 O Banco
(Heron, Luli)
B7 Censor
(GerbaseHeron)
B8 Porque Não
(Gerbase, Claudio, Heron)

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Os Replicantes [1985]

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Heron Heinz - baixo
Carlos Gerbase - bateria
Claudio Heinz - guitarra
Wander Wildner - vocal


A1 Nicotina
(Claudio Heinz)
A2 Rockstar
(Claudio Heinz)
B1 O Futuro É Vortex
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)
B2 Surfista Calhorda
(Carlos Gerbase, Heron Heinz)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Matanza Inc - Crônicas do Post Mortem Guia Para Demônios & Espíritos Opressores [2019]

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O Matanza volta há ativa, depois da troca do vocalista e do próprio nome da banda, com novo álbum de inéditas.


Vital Cavalcante - vocal
Dony Escobar - baixo
Jonas Cáffaro - bateria
Marco Donida - guitarra
Maurício Nogueira - guitarra


1. Guia para Demônios e Espíritos Obsessores
2. Seja o Que Satan Quiser
3. Lodo no Fundo do Copo
4. O Elo Mais Fraco da Corrente
5. As Muitas Maneiras de Arruinar Sua Vida
6. Péssimo Dia
7. Tudo de Ruim Que Acontece Comigo
8. Para o Inferno
9. Chumbo Derretido
10. A Cena do Seu Enforcamento
11. Pode Ser Que Eu Me Atrase
12. Memento Mori Blues

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Boogarins - Sombrou Dúvida [2019]

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“Sombrou Dúvida” é uma pergunta. Um jogo de palavras. É uma contração de "Sombra ou Dúvida", o primeiro single do álbum. Pode parecer que há algo de obscuro na pergunta, já que ambas as opções não são exatamente alegres. No entanto, Dinho (vocal e guitarra), nos diz que a sombra se refere a um sentimento relacionado à sua zona de conforto, enquanto a dúvida é a incerteza que leva as pessoas a seguirem seus instintos.


Benke Ferraz - samples, guitarras
Dinho Almeida - guitarras e vocal
Raphael Vaz -baixo e synth
Ynaiã Benthroldo - bateria


1. As Chances
2. Sombra Ou Dúvida
3. Invenção
4. Dislexia Ou Transe
5. A Tradição
6. Nós
7. Tardança
8. Desandar
9. Te Quero Longe
10. Passeio