terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mais Valia [2015]

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Após dois anos de experimentações fazendo música instrumental autoral por festivais e casas do interior paulista, a Mais Valia finaliza seu primeiro álbum e se prepara para o início de sua turnê de lançamento.

O trio formado por Ricardo Cezario (guitarra), Alexandre Palácio (baixo) e Vitor Martins (bateria) produziu de forma independente, em parceria com Josiel Rusmont, seu primeiro álbum. As sete faixas são influenciadas por elementos do post-rock, agregando pitadas ácidas de stoner e space rock, transitando por diversos momentos climáticos e ambientações.

O álbum é retrato da paisagem sonora ligada à sociedade moderna, seus conflitos, abusos, aflições e necessidades. Mais Valia (será) foi lançado em CD, em edição especial Fita K7.


Banda:
Ricardo Cezario – Guitarra
Alexandre Palácio – Baixo
Vitor Martins – Bateria

Músicas:
01. Belzebu
02. Nova
03. Mumbai
04. Bio
05. Crimeia
06. Guarapuã
07. Metropolis


domingo, 7 de agosto de 2016

Camisa de Vênus - Dançando na Lua [2016]

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Por Mauro Ferreira em G1

Camisa de Vênus volta corrosivo e revigorado no CD 'Dançando na lua'

"Se a dor é constante / Mas o trajeto é comprido / Não reclame da vida / Antes de tê-la vivido", adverte Marcelo Nova em versos do rock Sibilando como cascavel, uma das dez músicas de Dançando na lua, primeiro álbum de músicas inéditas do grupo baiano Camisa de Vênus em 20 anos.

O trajeto da banda é longo e, após sair em turnê nacional com show que percorreu o Brasil em 2015 para celebrar os 35 anos da formação do grupo (em 1980, na Salvador pré-axé), o Camisa de Vênus volta ao mercado fonográfico com repertório novo duas décadas após o álbum de estúdio Quem é você? (1996).

Lançado via Radar Records neste mês de julho, Dançando na lua é álbum que tem pegada e sonoridade roqueira que destacam as guitarras proeminentes de Drake Nova (guitarra solo) e Leandro Dalle (guitarra base). Filho de Marcelo Nova, Drake produziu o disco com o pai. Por isso mesmo, não espere ouvir em Dançando na lua o Camisa de Vênus da década de 1980. Até porque, além do vocalista Marcelo Nova, somente o baixista Robério Santana, integrou a formação original do grupo, fazendo parte do atual quinteto completado com o toque seco (e bem marcado) da bateria de Célio Glouster.

Contudo, o som de músicas como A urna da obsessão e Como no inferno de Dante (em cuja letra Marcelo se queixa do "cheiro insuportável dos domingos") é fiel aos cânones básicos do rock. Sem inventar moda, mas tampouco sem soar retrô, o Camisa de Vênus dança na lua conforme a música ditada pela cartilha do rock.

Marca forte do Camisa, o tom corrosivo das letras do grupo reverbera no disco em músicas como O estrondo do silêncio e, sobretudo, A raça mansa, grande petardo do repertório quase inteiramente autoral. A exceção é Só morto (Burning night), parceria de Jards Macalé com Duda Machado lançada por Macalé em compacto de 1969. O Camisa de Vênus dá peso e se ajusta ao tema tenso de Macalé, de cujo cancioneiro o grupo já gravara Gothan City (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1969) no álbum Batalhão de estranhos (1984).

Por mais que o título Dançando na lua sugira leveza, o álbum é pautado pelas sombras que enevoam o rock do Camisa de Vênus. A hard balada Manhã manchada de medo exemplifica o tom sombrio embutido em repertório que alfineta Deus e a raça humana. O fato é que o Camisa de Vênus volta revigorado, adulto, sem os ímpetos juvenis de sucessos da fase inicial como Simca Chambord (Marcelo Nova, Gustavo Mullen, Karl Hummel e Marcelo Cordeiro), hit radiofônico do álbum Correndo o risco (1986), lançado há 30 anos.

Entre idas, vindas e brigas (algumas resolvidas na Justiça), o trajeto do grupo é dos mais compridos e coerentes do rock nacional. Só que o Camisa de Vênus ainda corre riscos ao lançar autoral álbum de músicas inéditas que dá novo fôlego ao grupo na longa caminhada.


1. Dançando na Lua
2. A Raça Mansa
3. Chamada a Cobrar
4. Vento Insensato
5. Manhã Manchada de Medo
6. Sibilando Como Cascavel
7. A Urna da Obsessão
8. Só Morto/Burning Night
9. O Estrondo do Silêncio
10. Como no Inferno de Dante

domingo, 24 de julho de 2016

Lestics - les tics [2007]

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Por Lestics em sua página no facebook

'les tics' é o nosso segundo álbum, gravado em 2007 no quartinho dos fundos do apartamento do Umberto Serpieri. Lo-fi até o talo: um mic, um computador velho, dois caras, um punhado de canções… Agora o disco está nos serviços de streaming (Spotify, Deezer etc. etc.), e se você nunca ouviu 'Gênio', 'Luz do outono', 'Caos' ou algumas das outras músicas do 'les tics', beeeem, aí está uma boa oportunidade = )

domingo, 17 de julho de 2016

Bianca [1980]

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Por Josué Ribeiro

Pesquisador musical e colecionador de obras raras dos anos 70 e 80. Gosto de música bem feita e principalmente da poesia na letra. Aprecio os estilos Blues, Jazz e tudo que for popular. Sou contra qualquer tipo de preconceito com a música, mas defendo que a música deve ter no mínimo, bom gosto. Que não ofenda as pessoas e que possa ser ouvida na presença de uma criança. Música é cultura, a música pode ser um meio para contar a história de um país.

Com sua guitarra elétrica, ela foi como roqueira, o retrato da geração que vibrava na transição dos anos 70 para os anos 80.

Para quem tem mais de 35 anos, ela foi a cantora adolescente que se fez passar por uma rebelde da sua geração. Para quem tem menos, entenda como história da música popular do Brasil.

Ela despontou para o sucesso no final de 1979, com um compacto simples que trazia as músicas “Os Tempos Mudaram” (o que me importa) e “Vou Pra Casa Rever Os Meus Pais”, versão de A Little More Love.

Na contramão do sistema das gravadoras, que apostavam em cantores adolescentes sim, mas em trio, quarteto e pacatos. Tinha A Patotinha, As Melindrosas e a inglesinha romântica Nikka Costa, mas com Bianca foi diferente. Ela foi a Pitty daquele tempo.

Em 1980, com seu primeiro LP, conquista elogios da crítica e popularidade, principalmente dos jovens. Cantava em programas como o de Chacrinha, Sílvio Santos, Bolinha e Globo de Ouro.
Fazia fotonovela nas revistas, almoçava com os artistas no programa do Aérton Perlingeiro e cantava muito, no rádio.

A gravadora RGE foi responsável pela produção do disco e da carreira de Bianca, que no seu primeiro LP, já contou com um repertório apropriado para a sua idade de 16 anos.

Puxado pelas músicas conhecidas do compacto, o LP tem ainda, além das versões (muito comum na época), as composições Tempos Difíceis, um blues de Gilliard, pode acreditar (jovem como ela na época, poucos anos a mais do que ela) e Comentários A Respeito de John,
do cearense Belchior.

A música Minha Amiga, ficou na memória das jovens mais românticas. O mais puro retrato da geração perdida, para não dizer alienada. O disco tem produção artística de Hélio Eduardo Costa Manso, produtor de quase todos os cantores da época, que pertenciam a RGE. Na ficha técnica do disco, não consta o nome de Bianca como guitarrista, o que leva a crer que ela não era de fato, uma guitarrista, fazia pose apenas. Mas isso não importante. Bianca entra no cenário musical fazendo diferença num tempo em que Gretchen cantava (com sucesso) de costas e que a geração do rock nacional ainda não tinha mostrado sua cara. Falava de rebeldia, crise existencial e Beatles, mas nada autoral. Solta a voz afinada no disco e nos tempos antigos, tinha ótima presença de palco.

Infelizmente foi atropelada pela Blitz do Evandro, que tinha mais a ver com a geração daqueles primeiros anos da década de 80. Se ela gravou outro LP, não teve grande repercussão, pois ninguém sabe ninguém viu, nem o disco, nem ela. Porém o disco é recomendado para quem quer entender a confusão musical que foi o final dos anos 70, que depois de ser varrido pela discoteca, ritmo que dissipou o bolerão (que ainda persistia agonizando) e fez até os mais tradicionais (Luiz Gonzaga, Ângela Maria, Jair Rodrigues etc…) entrar na onda. Se você encontrar o disco de Bianca dando sopa por aí _o que é muito difícil, pois quem tem não se desfaz_ não hesite em comprá-lo.

É muito bom de ouvir. Bianca é mineira, de Ituiutaba. Seu verdadeiro nome é Cleide (que não podia ser nome de roqueira). Foi crooner de banda na sua cidade e descoberto pelo cantor e compositor Cléo Galante, que depois de vê-la cantar e tocar guitarra, levou a mesma para São Paulo e apresentou a RGE, quando ela tinha apenas 14 anos.



A1 - Sou Livre (Agora Chega)
A2 - Comentário À Respeito De John
A3 - Minha Maneira (Não Suporto Mais)
A4 - Somos Amigos
A5 - Oh Susie
A6 - Sempre Contente

B1 - Minha Amiga
B2 - Não Tenha Medo
B3 - Tempos Difíceis
B4 - Igual A Vocês
B5 - Lembrando Os Rapazes De Liverpool
B6 - Vou Prá Casa Rever Os Meus Pais
B7 - Os Tempos Mudaram

sábado, 16 de julho de 2016

Menino do Rio [1981]

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A1 –  De Repente, Califórnia interpretado por Ricardo Graça Mello
(Lulu Dos Santos, Nelson Motta )
A2 –  We Got The Beat interpretado por Go Go's
(C. Caffey )
A3 – Tesouros Da Juventude interpretado Lulu Santos
(Lulu Dos Santos, Nelson Motta)
A4 – Corpos De Verão interpretado Bebel
(Guilherme Arantes, Nelson Motta)
A5 – Perdidos Na Selva interpretado Gang 90 & Absurdettes
(Julio Barroso)

B1 – Garota Dourada interpretado Radio Taxi
(Lee Marcucci, Nelson Motta, Wander Taffo)
B2 – Sob O Azul Do Mar interpretado Ricardo Graça Mello
(Nelson Motta, Wander Taffo)
B3 – Our Lips Are Sealed interpretado Go Go's
(J. Wiedlin*, T. Hall)
B4 – Turbilhão De Emoções interpretado Guto Graça Mello
(Guto Graça Mell)

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Silvia Tape e Edgard Scandurra - est [2015]



Por Carlos Eduardo Lima em Monkeybuzz

Que disco simpático, pessoal. Oriundo do encontro entre Edgard Scandurra, mais conhecido como o guitarrista da banda paulistana Ira!, de tantas glórias, tradições e projetos paralelos ao longo de três décadas, e a cantora/baixista/guitarrista Silvia Tape, atual integrante do grupo Mercenárias, dona de carreira solo elegante, que namora de longe o entroncamento entre Psicodelia e Pós-Punk, EST é uma inesperada surpresa neste fim de 2015, justo quando ninguém esperava algum lançamento que valesse nossa atenção. Há tempos que Edgard mostra mais talento e criatividade fora de sua banda de origem, sempre com mente aberta e disposição para ouvir/fazer novidades. Seu apreço pela música Eletrônica, por exemplo, rendeu bons álbuns nos anos 00 sob o nome "Benzina", além de colaborações e crocâncias sonoras diversas. As canções e o conceito deste novo álbum surgiram há alguns anos, passando, necessariamente, pela ideia de gravar tudo em casa, em esquema Lo-fi. A chegada de Silvia mudou tudo. Pra melhor.

Dona de boa voz e capaz de escrever letras bonitas, a cantora fez com que o conceito original fosse adaptado para sua chegada. O que era rascunho e desapego evoluiu para um moderno trabalho de Rock, no sentido mais amplo que o termo pode comportar em 2015. Mesmo assim, EST é, basicamente, Scandurra em todos os instrumentos, a voz de Silvia e a participação de algumas pessoas, entre elas, Curumim, emprestando seu talento baterístico a algumas canções, especialmente em Asas Irreais, melhor do álbum, cheia de timbres amplos de guitarra e tambores nervosos por todos os lados, em função da doçura da voz de Tape, inesperada, porém conveniente em meio ao painel sonoro que se ergue. Mas nem tudo é doçura e céu azul por aqui.

A abertura com A Sua Intuição é noturna, perplexa em calma, com sonoridade que emula algo dos anos 1990, eletrônico, sussurrado, que dá lugar ao campo aberto e livre que Asas Irreais, já mencionado acima. A canção seguinte, Num Instante Qualquer é totalmente Rock, cantada por Scandurra e levada adiante por bateria e guitarras também tocadas por ele e presença elegante de Tape nos vocais de apoio do refrão. Hoje O Tempo tem uma sonoridade bem peculiar, lembrando um lado obscuro dos anos 1980, quando, em meio ao grande número de bandas surgindo em Manchester, The Durutti Column chamava a atenção pelo uso das guitarras e timbres econômicos, ideia de seu líder, Vinny Reilly. Edgard, macaco velho e conhecedor dos atalhos, certamente tinha as aquarelas sonoras do grupo em mente. Bolhas de Sabão é psicodélica, fofa e sessentista, trilha sonora de passeio no parque sábado de tarde.

Meu Lamento é um instrumental sem muita função definida, meio lúgubre, meio sintético, meio soturno, que tem na curta duração e sua maior qualidade, logo dando espaço para Concha, que surge acústica, singela, setentista, totalmente calcada no binômio violão/voz, algo bonito e raro nos dias de hoje. Com o tempo ela se transforma em clara criação psicodélica, com metais e levada dolente, algo como se Os Mutantes originais tivessem passado pelo estúdio para dar algumas dicas.Rio Rastro, logo em seguida, é um instrumental com clima é de guitarras intervindo em melodia hipnótica e sem pressa para terminar. Eu Acho Que Posso Esperar é outra canção que visita a tranquilidade guitarrística de The Durutti Column, com entrelace de acústico e elétrico em torno da voz de Silvia. O encerramento com Meu Lamento é delicado, soturno, falsamente simples, com mais comunhão de sons elétricos e orgânicos, com certo ar fadista em algum lugar não muito definido.

EST é uma criação coletiva com cara de projeto rascunhado sem compromisso e parecendo casual. Tem estrutura, conceito e noção de início, meio e fim, exibindo modernidade cosmopolita e doçura agreste legítimos. Típico projeto sem compromisso com qualquer outra coisa que não seja a satisfação de seus envolvidos. E do público. Bem bacana.

domingo, 3 de julho de 2016

Autoramas - O Futuro dos Autoramas [2016]

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Por Cesar Monteiro em  Ambrosia

“O Futuro dos Autoramas” (Autoramas, 2016) é o sugestivo título do novo álbum do sAutoramas, que vem a ser a estreia em estúdio de sua nova formação. Durante 16 anos, a banda de Gabriel Thomaz foi um power trio, agora é um quarteto. Na verdade um dream team do rock garageiro nacional. Além de Gabriel, a formação conta com a ex-Penélope Érika Martins, o ex-Raimundos Fred Castro na bateria e o ex-Carbona Melvin no baixo, quebrando a tradição dos Autoramas de sempre trazerem uma menina no instrumento. Embora ainda haja uma menina na banda, agora ela se encarrega da guitarra de base, teclado e percussão.

A nova formação já estava se apresentando ao vivo desde 2015, pelo Brasil e no exterior, passando também pelo Rock In Rio. Mas apesar da nova configuração, a sonoridade continua fiel à mistura de rockabilly dos anos 60, Jovem Guarda e New Wave que os consagraram. A faixa de abertura ‘Quando A Polícia Chegar’ é o cartão de visitas, uma típica composição “autorâmica” assim como ‘Problema Seu’ e ‘O Que Você Quer’. Porém passam longe do autoplágio ou cover de si próprios. Apenas mantendo as características essenciais.


Em boa parte das músicas, Érika se encarrega do backing vocal, eventualmente dividindo a dianteira com Gabriel, na mesma linha de Kim Deal e Frank Black no Pixies, mas ela assume o protagonismo total nas faixas ‘Demais’ e ‘Rolo Compressor’. A segunda já constava no álbum solo da cantora, “Modinhas”, lançado em 2013, mas aqui ganha uma nova roupagem, com mais efeitos e peso e distorção no refrão. Bons momentos do disco também são as faixas em inglês como ‘What Do You Mean To Me’, ‘Jet To The Jungle’ e uma energética versão power pop de ‘Be My Baby’, hit de 1963 escrito pelo produtor e compositor Phil Spector e imortalizado pelas Ronettes. Por falar em versões, a última faixa ‘Garotos II – O Outro Lado’ é uma interessante releitura da música ‘Garotos’, sucesso de Leoni.

O que garante a coesão, a exemplo do que se tem visto no palco, é o fato de serem os novos membros serem pertencentes à mesma turma, são não apenas contemporâneos como colegas de cena, o rock de garagem dos anos 90, que cresceu aliada às casas de show alternativas e à cultura fanzineira. Gabriel e Érika são casados e tocam juntos no projeto paralelo Lafayette & Os Tremendões – banda que faz versões de músicas da Jovem Guarda e conta com o lendário tecladista Lafayette, responsável pelo órgão icônico daquelas canções. Além disso, colaborou em algumas faixas do disco solo da cantora como músico e compositor. Fred já era baterista da banda de Érika, e Melvin, um velho camarada.

O disco foi gravado em diferentes estúdios: o Escritório, no Rio, a Toca do Bandido, lendário estúdio (um dos melhores do Brasil) montado por Tom Capone, e o Warner/Chappell. As gravações foram mixadas, respectivamente, por Lê Almeida, Jim Diamond (que trabalhou com White Stripes) e André Paixão. A capa, assinada pelo brasiliense Paulo Rocker traz um desenho da banda com motivação futurista, fazendo uma brincadeira com o título do álbum.

“O Futuro dos Autoramas” aponta aponta uma nova direção, mas reforçando em cada faixa o maior trunfo da banda: o peso e a fúria alinhados harmonicamente com a melodia. O tempo de estrada e a camaradagem entre os membros também conspiram muito a favor, no melhor estilo “all star band” underground.

domingo, 26 de junho de 2016

Vanusa [1971]

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Por Mauro Ferreira em Notas Musicais

Na segunda metade dos anos 1960, a soul music exportada pelos Estados Unidos para o universo pop daquela década ecoou na música brasileira, influenciando a discografia de cantores importantes como Elis Regina (1945 - 1982) e Roberto Carlos. Projetada em 1967, ainda no reino da Jovem Guarda, a cantora Vanusa Santos Flores - paulista criada em cidades do interior de Minas Gerais - também encorpou seu som com a alma do soul. A viagem pelo soul começou no seu segundo álbum - o psicodélico Vanusa (RCA-Victor) de 1969 - e prosseguiu no até então raríssimo álbum Vanusa (RCA-Victor) de 1971. A reedição deste Vanusa de 1971 valoriza a primeira das duas caixas com reedições de álbuns da cantora, produzidas pelo pesquisador musical Marcelo Fróes para as duas caixas lançadas simultaneamente neste mês de agosto de 2015 pelo selo Discobertas. A caixa Vanusa vol.1 (1967 - 1973) embala reedições - com faixas-bônus - dos quatro primeiros álbuns da cantora. Três já tinham sido reeditados em CD. A exceção é justamente o Vanusa de 1971, álbum que traz breve resquício de psicodelia - em sintonia com sua capa - na faixa Ponte aérea: 15 horas (Wilson Miranda e Messias) - mas que é essencialmente pautado pelo espírito do soul. O disco é primoroso. Nele, Vanusa canta a então atualíssima 1971 (Antonio Marcos e Mário Marcos), dá voz a uma boa (e esquecida) canção soul de Ivan Lins com seu parceiro inicial Ronaldo Monteiro de Souza (O dia e a hora), recria com energia o standard norte-americano Unchained melody (Alex North e Hy Zaret, 1955) e apresenta uma de suas melhores composições (Vai). Com sua voz potente e expansiva, Vanusa mostra em Talvez (Maybe) (Richard Barrett, 1958, em versão em português de Wilson Miranda, 1971) - canção de doo wop que ela encharcou de soul e r & b - que também tinha se diplomado na escola da Motown. O álbum Vanusa de 1971 marca também a aparição do cantor e compositor paulista Antonio Marcos (1945 - 1992) na discografia da artista, com quem a cantora se casaria. Marcos faz dueto com sua parceira na vida e na música em Agora eu sei, versão em português de Where are you going to my love? (Billy Day, Tony Hiller e Mike Leslie, 1970), soul gravado por Vanusa e Marcos no estilo do som ensolarado do musical Hair, sucesso no Brasil naquele ano de 1971. Pelo seu ineditismo no formato de CD e também pelo vigor do repertório, o álbum Vanusa de 1971 já vale aquisição da primeira das duas caixas da cantora. Trata-se do melhor disco da artista na sua fase na gravadora RCA, iniciada em 1967 com a edição de compacto do qual Marcelo Fróes insere o raro lado B O geguege (Il geguege) (Canfora e Wertmuller em versão de Vanusa, 1967) como faixa-bônus do álbum Vanusa de 1968, mais voltado para os rocks e baladas que imperavam na era da Jovem Guarda. A faixa-bõnus valoriza a reedição, já que os álbuns de 1968 e 1969 - ambos intitulados Vanusa - já tinham sido reeditados em 2001 pela gravadora BMG na série 2 LPs em um CD. Da mesma forma, o álbum Vanusa de 1973 - disco que marcou o ingresso da cantora na gravadora Continental, estourando nas rádios a faixa Manhãs de setembro (Vanusa e Mário Campanha, 1973) - já tinha sido relançado no formato de CD em 2006 pelo pesquisador musical Rodrigo Faour na série As divas. Mesmo assim, a inclusão de bônus como a gravação do tema de abertura do programa Fantástico - composto por Guto Graça Mello com José Bonifácio de Oliveira Sobrinho e gravado por Vanusa em 1973 para a então nova revista semanal exibida pela TV Globo nas noites de domingo - incrementa a atual reedição do álbum de 1973 nesta oportuna caixa do selo Discobertas que mostra Vanusa em estágio inicial, cheia de soul, alma e voz.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Macaco Bong - This is Rolê [2013]

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Por Cleber Facchi em Miojo Indie

As guitarras e o peso da instrumentação sempre foram constantes naturais e necessárias à carreira da banda Macaco Bong. Ainda que favoráveis a esse tipo de manifestação acústica, nunca antes tal predisposição teve tanto espaço (e impacto) dentro de um registro do grupo cuiabano quanto agora. Com a chegada do raivoso This Is Rolê (2012, PopFuzz/Travolta Discos), segundo álbum do trio mato-grossense, podemos observar uma transformação descomunal no uso ativo de acordes e distorções densas que (ainda assim) fluem capazes de nos convidar para dançar. Um álbum raro que mantém o peso de forma integral, sabe como arriscar e ainda assim funciona de maneira tão comercial quanto um típico tratado radiofônico.

Sucessor do aclamado Artista Igual Pedreiro – obra conceitual lançada em 2008 e eleita por uma série de publicações como o melhor registro daquele ano -, com o novo disco a banda preza por um som de consideráveis transformações e aberturas sonoras. Ora afundado em distorções soberbas que flertam abertamente com o Sludge Metal, ora dançante e até capaz de capaz de atrair o espectador de ouvidos “despreparados”, o recente projeto de nove faixas mantém a veia instrumental do lançamento anterior, se desvencilhando de composições volumosas e jazzísticas para tratar abertamente de um som “simples” e despretensioso.

Antes mesmos de iniciarmos a absorção do disco com a pulsante e crua Otro, a capa colorida do trabalho – que além do título chamativo traz o anúncio de “experimente isto!” – já proclama que os rumos do presente trabalho são completamente outros. Mesmo que a presença de faixas mais extensas e complexas ainda seja recorrente no executar da obra, em nenhum momento a banda parece percorrer a mesma via instrumental dos projetos anteriores, evitando ao máximo a construção de músicas que se assemelhem ao que fora proposto no EP Verdão e Verdinho ou em músicas como Vamos Dar Mais Uma, Bananas For You All e outras grandes (não apenas em extensão) canções que definiram a estrutura do primeiro disco.

Se a proposta do novo álbum é de aproximar a banda de um som mais “pop” e leve, não há como negar que o grupo alcançou com empenho esse resultado. Dos riffs flamejantes que se concentram no interior de O Boi 957 ao toque ensolarado que se manifesta no single Summer Seeds (uma espécie de trilha sonora para algum seriado pós-adolescente), tudo se configura de maneira distinta ao que fora testado há quatro anos. Mesmo que as guitarras ainda bebam dos primórdios do pós-rock (principalmente de bandas como Slint) e até se entreguem abertamente ao que artistas como Kylesa, Isis e Queens Of The Stone Age promoveram em suas recentes obras, a maneira como o som ecoa fácil e sem compromissos em nossos ouvidos apenas reforça essa tendência, um reflexo da postura renovada que a banda assume sem grandes alardes e natural acerto.

Agora em nova formação, o trio mostra que mesmo com a saída do baixista Ney Hugo, a linearidade e a força do projeto ainda se mantém em alta. Gabriel Murilo, músico que vem para ocupar o lugar do ex-integrante, torna pública a destreza com o instrumento logo nos segundos iniciais de Broken Chocobread e Copa dos Patrão, composições que carregam nos grooves marcantes das linhas de baixo uma espécie de herança aprimorada do que fora deixado pelo antigo colaborador. Sobra até espaço para o ex-Mutantes Túlio Mourão (convidado de honra do novo disco) derramar assertivas melodias de piano nas músicas Seu João e Dedo de Jombie, dois dos momentos que mais aproximam a banda do disco anterior.

Descomplicado por natureza, This Is Rolê assume exatamente o que manifesta no título da obra: uma trilha sonora descompromissada para um passeio corriqueiro pela estrada – seja ela física ou metafórica. Dividido em duas metades bem perceptíveis (uma mais raivosa e outra mais suave), o disco se afasta com sabedoria da imagem criada pela banda desde os primeiros singles virtuais, mostrando que para além do som épico construído em outras épocas a Macaco Bong também sabe como promover um registro fácil e de composições amenas. Interessante notar que ao mesmo tempo em que se distancia de um som possivelmente complexo, o grupo estimula o crescimento de um disco tão rico que é capaz de superar (sem grandes esforços) qualquer expectativa, prova de que até “brincando” a banda sabe como nos impressionar.


1 - Otro
2 - O Boi 957
3 - This Is Rolê
4 - Broken Chocobread
5 - Copa dos Patrão
6 - Mullets
7 - Summer Seeds
8 - Seu João
9 - Dedo de Zombie


Bruno Kayapy - guitarra, violão, viola-caipira
Ynaiã Benthroldo - bateria
Gabriel Murilo - baixo

sábado, 18 de junho de 2016

Zé Ramalho - Frevoador [1992]

Mega FLAC


Por Evandro C. Guimarães* em Restinga Musical

Com este lançamento, novas perspectivas começavam a se abrir. A canção "Entre a Serpente e a Estrela", versão de Aldir Blanc para uma música estrangeira, foi incluída na trilha sonora de uma novela televisiva de sucesso. O cantador começa a retornar a mídia e recuperar seu espaço, que havia perdido por conta dos dramas pessoais.

Mais importante que o retorno a mídia, FREVOADOR marcou o reencontro do cantador com a sua melhor forma. A música título, é uma versão de Zé Ramalho para Hurricane de Bob Dylan, uma das grandes referências da carreira do nosso herói. Transformada em um frevo, a canção ganha força e nova "personalidade". As baladas "Serpentária", parceria com o grande Sivuca, e "Nona Nuvem" trazem uma nova musicalidade e uma nova faceta dos versos do cantador: a sensualidade. Esta temática seria cada vez mais explorada nos álbuns seguintes, trazendo um novo componente na carreira do nosso cantador. Obviamente, os elementos já tradicionais na música do compositor, como as referências à mitologia e o tom visionário e profético, continuavam presentes, como comprovam as músicas "Botas de Sete Léguas" e "Do Terceiro Milênio para Frente."
*texto integral você encontra no Restinga Musical


A1 - Frevoador (Hurricane)
(Bob Dylan/Jacques Levy) versão Zé Ramalho
A2 - Serpentária
(Zé Ramalho/Sivuca/Glorinha Gadelha)
A3 - Nona nuvem
(Zé Ramalho/Vital Farias)
A4 - Da mãe
(Zé Ramalho/Chico Guedes)
A5 - Entre a serpente e a estrela
(Terry Sttaford/P. Fraser) versão Aldir Blanc

B1 - Cidadão
(Lucio Barbosa)
B2 - A história do Jeca que virou Elvis Presley
(Zé Ramalho/Carlos Fernando)
B3 - Botas de sete léguas
(Zé Ramalho/Hugo Leão)
B4 -  Porta secreta
(Zé Ramalho)
B5 -  Do terceiro milênio para frente - parte II 
(Zé Ramalho/Oliveira de Panelas)