terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Pense - Além Daquilo Que Te Cega [2014]


Por Guilherme Guedes em Tenho Mais Discos Que Amigos

Oriundo de garagens suburbanas dos rincões dos Estados Unidos nos anos 1980, o hardcore chegou ao Brasil pouco depois, ainda mais próximo do punk, com a veia política inflada pela ditadura militar então prestes a acabar. De lá para cá, vimos várias gerações de subgêneros do HC brasileiro nascerem e morrerem, muitas vezes optando por letras em inglês ou naquele português macarrônico, com sílabas distorcidas para melhor se adaptarem aos nossos ouvidos colonizados.

De vez em nunca, uma ou outra banda acerta na balança entre a nossa complexa e rebuscada língua e a retidão do rock. Na maioria das vezes, o equilíbrio é alcançado pelo empobrecimento do vocabulário, em rimas previsíveis, daquelas que conseguimos adivinhar como termina antes mesmo do verso acabar. Não é o caso do Pense, excepcional banda mineira de hardcore que lançou o seu segundo álbum, Além Daquilo Que Te Cega, na última Sexta-feira (27).

O Pense surpreendeu a todos com Espelho da Alma (2011), o álbum de estreia do quinteto de Belo Horizonte. Altamente técnico e repleto de energia, o disco foi um sopro de esperança para os fãs do hardcore nacional, ainda dependentes demais de bandas que estavam na estrada muito antes de boa parte dos fãs atuais nascerem. Mas as letras das doze faixas de Espelho da Alma eram o destaque evidente do disco: furiosas mas sempre positivas, e distantes do óbvio apesar da ingenuidade ocasional, demonstravam o comprometimento do grupo com o nome de batismo – a proposta não era apenas moshar, gritar em coro ou lamentar relacionamentos platônicos frustrados; era instigar os ouvintes.

Assim, Além Daquilo Que Te Cega nasce com a missão de cumprir a expectativa gerada pela boa recepção do anterior. Para aumentar a pressão, do primeiro álbum para cá a banda trocou três integrantes – da formação prévia, estão apenas o vocalista Lucas Guerra e o baixista Judá Ramos – mas o que poderia representar uma mudança drástica transformou-se em evolução nítida, com arranjos e versos ainda mais intrincados que garantem não apenas a manutenção do nível do grupo, mas um crescimento incontestável.

O som, uma espécie de filho bastardo do Dead Fish com o Comeback Kid criado por padrastos fãs de metalcore, não é muito diferente, apenas um toque mais pesado. O segundo álbum do Pense parece amarrar melhor as influências, de forma que elas dialoguem melhor entre si em uma mesma abordagem, sem parecer um quebra-cabeça desorientado de referências. O ritmo é sempre frenético. Sempre mesmo, o tempo todo, do início ao fim. Bem, com exceção da introdução de “Contra-cultura”, faixa de abertura do álbum que começa com um discurso de Lucas sobre dedilhados límpidos, interrompidos antes do primeiro minuto por um riff feroz das guitarras de Cristiano Souza e Ítalo Nonato. Os dois abrem alas para a cozinha do grupo, composta por Judá e pelo habilidoso baterista Danilo Vilarino, que irrompem com velocidade e ditam o rumo do restante do álbum.

A maior parte das faixas preza pela celeridade, e a solução do Pense para evitar o tédio vem na forma de breakdowns e conversões, como o solo duplo de guitarras em “Aponte Pro Espelho”, ou a metade final de “Andando Sobre Pedras”, que vai de um hardcore veloz a um final grandioso intermediado por um breve momento de calmaria. A banda também acerta quando pisa no freio, como na ótima “Ismos”, que compensa o BPM mais baixo com linhas pesadas e aponta uma possibilidade interessante para o futuro musical do Pense.

E mais uma vez a habilidade de Lucas Guerra como letrista é digna de destaque. Lucas não canta versos complicados, pelo contrário. É adepto da simplicidade, mas até quando fala de relacionamentos, como em “Falta”, evita clichês exauridos por anos de abuso de compositores menos inspirados. Os alvos ainda são similares: a parcela conservadora da sociedade e da mídia em “Contra-cultura”, a egolatria em “O Que Me Cega” e o comodismo em “Seguro Demais”, que ecoa, intencionalmente ou não, grandes momentos do Noção de Nada, extinta banda de Gabriel Zander, atual líder do… Zander. Lucas acompanha o desenvolvimento do time instrumental entre os dois álbuns e também mostra avanço em “Expansão da Consiência”, que em versos mais abstratos parece pregar uma união coletiva em prol de um bem maior não-identificado, em versos igualmente empolgantes.

Além Daquilo Que Te Cega é superior a Espelho da Alma em todos os sentidos, e apesar de pecar pela falta de criatividade em alguns momentos em que a receita de oitavadas + tupa-tupa toma conta, mostra que o progresso do Pense continua a surpreender e a gerar frutos da melhor qualidade. Que venham os próximos.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pense - Espelho da Alma [2011]

Link oficial Bandcamp


Por Gravando Bandas

Pense é uma banda de rock/hardcore de Belo Horizonte/MG nascida em 2007 e formada por nomes bem conhecidos e experientes da cena mineira: Lucas Guerra (vocal), Cristiano Souza (guitarra), Judá Ramos (baixo), Ítalo Nonato (guitarra) e Danilo Vilarino (bateria). Em outubro de 2011 lançaram seu primeiro disco, intitulado Espelho da Alma. O álbum recebeu diversas criticas positivas da mídia especializada, por ser o primeiro trabalho de estúdio da banda e já apresentar grande maturidade sonora e na composição das letras. Através deste trabalho, a banda recebeu convites para tocar em várias cidades brasileiras, tendo já percorrido os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Distrito Federal.

De lá pra cá, as incursões na imprensa aumentaram e o grupo tem experimentado ótima recepção da mídia e do público, que tem festejado a banda com resenhas positivas dos shows e bastante intensidade na frente dos palcos.

Já em 2014, a banda lançou seu segundo álbum de estúdio, intitulado Além Daquilo Que Te Cega, detalhe que este disco foi totalmente pago via financiamento coletivo, arrecadando mais de 11 mil reais e tendo 250 apoiadores de todo o Brasil e exterior. O álbum conta com 10 faixas gravadas entre abril e maio de 2014 no Pacific Áudio Studio, em Belo Horizonte. O registro foi gravado, mixado e masterizado pelo próprio vocalista da banda Lucas Guerra.

Agregando velocidade, peso e melodia, com letras que tenham relevância, o resultando é uma proposta no mínimo interessante. O que dá pra garantir é que é difícil ficar parado nos shows.


1. Dia Corrido
2. Amigos Valem Mais do Que Asfalto
3. Máquina do Tempo
4. O Homem do Centro da Cidade
5. O Mundo é dos Espertos
6. Vida Urbana
7. Espelho da Alma
8. Redenção
9. Coragem
10. O Rebelde Virtual
11. Não, Nós Não Somos Originais
12. Eu Prometo Que Vou Tentar


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Eumir Deodato - Prelude [1973]


Lançado em 1973, pelo selo americano CTI Records, movido pelo sucesso de Also Sprach Zarathustra, tema de 2001: Uma Odisseia no Espaço, Prelude arrebatou milhões de ouvintes

Àqueles que desconhecem a dimensão da importância do carioca Eumir Deodato, alguns fatos: ele havia acabado de completar 18 anos quando um certo Antônio Carlos Jobim encomendou seus préstimos para orquestrar canções; precoce e solícito, também ajudou a formar outro grande arranjador, o pianista Cesar Camargo Mariano; antes de lançar Prelude a convite do manda-chuva da CTI, Creed Taylor (daí o nome do selo: as iniciais acrescidas do “incorported”), Deodato já havia escrito arranjos para dois de seus ídolos, o guitarrista Wes Montgomery e Frank “The Voice” Sinatra. 

Mas Eumir Deodato de Almeida, nome de batismo do menino prodígio, é muito mais do que isso. De “Catedrático” do samba-jazz, liderando o grupo de nome acadêmico, à “Embaixador do Funk”, epíteto atribuído a ele nos EUA, Deodato é dos talentos mais completos a surgir naquele inspirado Brasil do início dos anos 1960. Como compositor, arranjador, produtor e músico ele conquistou o mundo. Vendeu mais de 25 milhões de álbuns e tornou-se artista dos mais requisitados na indústria fonográfica mundial. Até mesmo a cantora Bjork, de seara musical completamente adversa, requisitou préstimos de arranjador de Deodato nos álbuns Post, Telegram e Homogenic.

O primeiro capítulo dessa consolidação global foi escrito com Prelude. Como o título sugere, o LP foi só a preliminar de uma carreira internacional impecável. Impulsionado pelo arranjo de Deodato para Also Sprach Zarathustra, Prelude vendeu milhões de cópias e chegou ao terceiro posto da parada Pop, da Billboard. O segredo? A apropriação ímpar e funky do tema de Richard Strauss a partir da versão de Karl Bohm e Orquestra Filarmônica de Berlim, que está presente na trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. 

Produzido por Creed Taylor e gravado entre os dias 12 e 14 de setembro de 1972, no lendário estúdio do produtor Rudy Van Gelder, engenheiro de som do LP, Prelude foi lançado no início de 1973. Se o produtor e o engenheiro de som eram dos mais insuspeitos, o que dizer do time de músicos reunidos para as sessões de estúdio? Tome fôlego, caro leitor: Ron Carter e Stanley Clarke (contrabaixo); Ray Barreto (congas); Billy Cobham (bateria); Hubert Laws. Phil Bodner, Romeo Penque e George Marge (flautas); Jay Berliner e John Tropea (guitarras); Airto Moreira; Charles McCracken, Seymour Barab e Harvey Shapiro (cellos); Peter Gordon e Jim Buffington (french horn); Garnett Brown, George Starkey, Paul Faulise e Wayne Andre (trombones); John Frosk, Mark Markowitz, Marvin Stamm e Joe Shepley (trompetes); Emanuel Vardi e Al Brown (violas); Elliot Rossoff, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookosfsy, Paul Gershman, Max Ellen e David Nadien (violinos).

Quanto a Deodato, coube a ele pilotar dois instrumentos, com a usual maestria: piano acústico e piano elétrico, no caso, o lendário Fender Rhodes. Os arranjos também são todos dele. E impressionam pela destreza em transformar tradições sem cometer heresias. Como a mesma reverência presente na releitura de Strauss, Deodato também subverteu compositor dos mais influentes para a Bossa Nova, Claude Debussy, em Prelude To Afternoon of a Faun. E fez o mesmo com o standard da canção americana Baubles, Bangles and Beads, de George Forrest e Robert Wright, dupla que também deu ao o mundo o clássico Strangers in Paradise.

E o que dizer das composições do próprio Deodato? Carly & Carole, Spirit of Summer (tema que foi surrupiado na trilha do filme O Exorcista) e September 13 (escrita em parceria com o baterista Billy Cobham no segundo dia de registros, daí o nome) são irresistíveis, à primeira audição – a despeito dos outros temas, mais afeitos a arranjos eruditos, exigirem dedicação maior do ouvinte, na velha e saudável lógica do álbum que cresce a cada nova escuta.

Prelude foi seguido por outra obra-prima, Deodato 2, e abriu caminho para uma série de álbuns americanos, todos impregnados da sofisticada arte de criação e reinterpretação de Eumir Deodato. Àqueles que desconhecem sua discografia – sobretudo os álbuns feitos anteriormente por ele, no Brasil –, bom conselho é: corra já atrás deles!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Wander Wildner y Sus Comancheros - Mocochinchi Folksom [2014]

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Por Marcelo Costa em Scream & Yell

O bardo punk folk está de volta e seu sétimo disco solo reúne oito canções inéditas compostas no verão porto-alegrense e gravadas por um time de luxo. Iluminada, divertida e matinal, “O Breakfast do tio Dylan” abre o lado A do vinil exibindo um Wander Wildner em paz com o mundo, catando laranjas caídas no chão enquanto ouve vinis e observa o sol no cabelo da garota sob um arranjo que traz Jimi Joe na guitarra, Pedro Borghetti no cajón e Arthur de Faria se dividindo entre acordeon, tiple requinto, derbaks e glockenspiel. “Com o Vento ao Seu Favor” é um punk rock acústico movido a pandeirola enquanto “Folksom” – que traz bandolim, gaita e acordeon – e “Enquanto a Terra Girar” são as típicas canções que só Wander mesmo poderia cantar: a primeira avisa que o bardo está caminhando e vivendo “como um Rolling Stone, como um Beatleson, como um Kings of Leon e como um Bat Masterson” enquanto a segunda cita Elvis Costello, Jimi Joe, o show de Joan Jett no Lollapalooza, Robert Shelton e Johnny Rotten. No lado B, “Mocochinchi” (bebida tradicional boliviana) relembra o mítico discurso de David Choquehuanca, ministro de Relações Exteriores da Bolívia – que dizia que 21 de dezembro seria uma data perfeita para deixar de beber Coca-Cola e passar a beber Mocochinchi, marcando, assim, “o fim do capitalismo e o começo da cultura da vida” – enquanto Hique Gomes (do Tangos e Tragédias) toca violino em “O Homem Que Caminha a Noite Toda”. Lançado em vinil, CD e disponível virtualmente, “Mocochinchi Folksom” flagra um compositor meio punk, meio folk, meio hippie, mas totalmente Wander Wildner.

domingo, 6 de novembro de 2016

Wander Wildner y Sus Comancheros- Paraquedas Do Coração [2004]

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O quarto álbum de estúdio do Wander Wildner é também seu primeiro disco que leva o nome da banda que o acompanha, os Comancheros, uma formação mutante, mas que aqui atendia pelos nomes de Tom Capone, João Vicenti, Mauro Manzoli e Glauco Fernandes & Quarteto de Cordas. Um disco essencialmente acústico,mas que carrega aquelas peculiaridades já conhecidas dos trabalhos anteriores, canções de amor e pé na estrada, espanhol forjado nos pampas e pequenos espaços para guitarras, para não esquecer que por trás deste violão de 12 cordas, que ilustra a capa, há um coração punk.

O disco abre com a já conhecida "Rodando el mundo", de "Buenos dias", aqui numa versão estendida com direito à citação de "Machu Pichu", do Hermes Aquino. "A última canção" segue no estilo de baladas de amor e abandono que alçaram Wander à condição de expoente do estilo punk-romântico-brega. "Candy", sucesso dos anos 80 de Iggy Pop, ganha uma boa versão, com violinos e sotaque carregado. "Eu acredito em milagres" nada mais é que "I Believe in miracles" do Ramones vertida para português, esta deveria figurar no tributo brasileiro ao Ramones, que nunca saiu, mas pode ser encontrado para download sob o nome de "Você se lembra do rock'n'roll que tocava no rádio?". "Ganas de vivir" encerra o disco, numa versão diferente da que também encerra o disco 'Baladas sangrentas"

"Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro" é o hit do disco e caiu nas graças da MTV Brasil, que também exibiu com frequência o clipe para nova versão de "hippie´Punk-Rajneesh", clássico do primeiro álbum gravado por Wander Wildner, "O futuro é vórtex", com Os Replicantes. Por sinal, Wander já tentara algumas vezes furar o bloqueio da MTV, mas seus clipes teimavam em não frequentar a programação, alguns sequer foram exibidos. Com este disco o gaúcho foi indicado à maior premiação da emissora, o VMB Brasil, e em seguida convidado para estrelar o cast de artistas selecionados para o programa e disco "Acústico MTV Bandas Gaúchas", lançado no ano seguinte.

"Paraquedas do coração" foi lançado pelo próprio selo de Wander Wildner, o Fora da Lei, ainda que em nenhum momento o disco informe o nome do selo. A produção ficou a cargo de Tom Capone, parceiro e incentivador da carreira solo do Wander desde o primeiro disco, "Baladas sangrentas", do qual também assinalara a produção. Este disco foi uma das últimas produções de Tom Capone, que falecera pouco depois de seu lançamento. O projeto gráfico é de Diego Medina, o "multi-homem" por trás do lendário Doiseu Mimdoisema, além de Vídeo Hits, Jesus Buceta e outros projetos musicais inomináveis. A tiragem pequena de 2 mil cópias fez com que "Paraquedas do coração" logo sumisse do catálogo, boa parte consumida nos shows do Wander Wildner.


01 - Rodando El Mundo
02 - A Última Canção
03 - Candy
04 - Eu Acredito Em Milagres
05 - Correndo Por Correr
06 - Pablo, Aonde Estás
07 - Eu Não Consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro
08 - Hippie, Punk, Rajneesh
09 - Sonho De Verão
10 - Ganas De Vivir

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Pepeu Gomes - Geração do Som [1978]

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Por Eduardo Rodrigues em Boca Fechada

Geração do Som, de Pepeu Gomes é considerado um dos primeiros discos de instrumentais do rock brasileiro. O ano é 1978 e Pepeu tinha acabado de sair dos Novos Baianos, onde já vinha experimentando e misturando ritmos que estão nesse seu primeiro álbum solo. O disco é prova do virtuosismo e liberdade do guitarrista, já que foi nele que suas ideias se soltaram, dando outra sonoridade à suas composições.

Uma grande aula de um dos maiores guitarristas brasileiro. Aulas do próprio instrumeto e da síntese explosiva da música brasileira, representada por ritmos como frevo, maracatu, baião, choro e samba com rock progressivo, jazz fusion e música pop. Esse disco se tornaria um grande marco da música brasileira, além de ajudar Pepeu a se tornar um grande ícone do BRock dos anos 80. No final da mesma década, Pepeu voltaria a fazer um disco instrumental denominado “Instrumental On the Road”, mas que já não possuia toda criatividade e sonoridade novíssima do “Geração do Som”. É pedrada e das grandes!


A1 - Saudação Nagô 2:21
A2 - Fissura 3:21
A3 - Linda Cross 3:41
A4 - Belo Horizonte 3:02
A5 - Odette 2:56
A6 - Toninho Cerezzo 2:59

B1 - Malacaxeta 4:32
B2 - Alto Da Silveira 2:57
B3 - Didilhando 3:10
B4 - Tambaú 3:26
B5 - Buchinha 2:40
B6 - Flamenguista

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Bebeco Garcia - Aleluia Aleluia [1997]

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Lançado de forma independente esse é o primeiro álbum solo de Bebeco Garcia que deu a toada blues que caracterizou seus trabalhos seguintes. Não se encontra quase nada na rede sobre esse álbum. Créditos? só especulações.


1. Bagdá 40°
2. Eu já sei
3. Aleluia Aleluia
4. Sempre indo embora
5. Ando tão só
6. Quando se fecha o bar
7. Dizer aquilo
8. Tudo por amor
9. Tarde demais
10. Fale de você
11. Coração satânico

sábado, 22 de outubro de 2016

Bebeco Garcia - Rio Grande Rio Blues [2005]

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Origens

Bebeco Garcia nasceu em Rio Grande no dia 11 de outubro de 1953. Em sua cidade natal tocou com a banda A Farinha do Bruxo, mas logo se mudou para Porto Alegre, onde fez parte da banda A Barra do Porto, juntamente com o músico Mutuca. Em 1982 gravou com Mutuca & Amigos nos estúdios da ISAEC, ao lado do baterista Edinho Galhardi e do baixista Flávio Chaminé. Em 1983 Bebeco participou da gravação de Risco no Céu, LP de Carlinhos Hartlieb, como co-autor e guitarrista da música Nós Que Ficamos Sós, feita para John Lennon que há pouco tempo havia sido assassinado.
A farinha do Bruxo

Bebeco, guitarrista, cantor e compositor tocou com sua banda riograndina A Farinha do Bruxo, ao lado das bandas porto alegrenses Bixo da Seda e Almondegas e da banda catarinense A Comunidade que foi a última a se apresentar no espetacular 1º Festival de Música Pop ao Ar Livre, mostra coletiva de rock, no Estádio Renato Silveira do Guarani, na cidade de Palhoça, Santa Catarina, nos dias 19 e 20 de outubro de 1974.

Garotos da Rua

Em julho de 1983 Bebeco, Edinho, o saxofonista King Jim e o baixista Mitch Marini fundaram a banda Garotos da Rua, inicialmente tocando como a banda da casa no bar Rocket 88, um reduto do rock and roll de propriedade de Mutuca. O primeiro demo do grupo Sabe o Que Acontece Comigo? Foi gravada seis meses depois, com a entrada do baixista Geraldo Freitas e do guitarrista Justino Vasconcelos. Em seguida os Garotos da Rua iniciaram uma série de shows em Porto Alegre e percorreram mais de 50 cidades do Rio Grande do Sul.

No início de 1986 participaram da célebre coletânea Rock Grande do Sul, da qual também fizeram parte os grupos Engenheiros do Hawaii, Defalla, TNT e Replicantes. Ainda naquele ano ficaram conhecidos nacionalmente com a música To de saco cheio, o sucesso desta música além de fazer com que a banda se transferisse para o Rio de Janeiro, incentivou a gravadora RCA a lançar três LPs dos Garotos da Rua entre 1986 e 1988, através do selo Plug, dedicado a revelações do rock brasileiro.

Empolgados os músicos lançam seu primeiro disco, Garotos da Rua, que inclui Você é Tudo que Eu Quero, Sabe o Que Acontece Comigo? Babilina e Gurizada Medonha. Em1987 gravam o disco Dr. em Rock ´n´ Roll, e a música Eu Já Sei alcança grande sucesso em todo o país, ao fazer parte da trilha sonora da novela Mandala, da Rede Globo.

Em 1990, o grupo participou da trilha sonora da novela Gente Fina da Rede Globo com a música Bagda 40º, tema do personagem Maurício Em 1992, lançam o sensacional disco ao vivo Blues Climax 900 (Overseas/BMG) gravado no Clube 900 Executivo em Lages, Santa Catarina, onde Bebeco morou por algum tempo anos depois.

A formação original da banda teve fim em 1989 após o lançamento do disco Não Basta Dizer Não, de 1988, mas até 1994 Bebeco manteve o nome Garotos da Rua realizando show acompanhado por músicos convidados.


A barra do porto

No Auditório Araújo Vianna, o Festival da Primavera, onde A Barra do Porto se apresentou, abrindo o espetáculo que trazia Carlinhos Hartlieb, Fafá de Belém, Dominguinhos e Gilberto Gil como estrela máxima.

Logo, a primeira separação, com Bebeco seguindo com seus companheiros de Rio Grande e o nome da banda encurtado para A Barra. Enquanto Mutuca experimentava a vida de casado, com a jornalista Malú Guimarães. Bebeco se casaria com a artista plástica Delfina Reis

A seguir, em 1979, de Rio Grande vem Bebeco com Luis Tadeu de Marco (baixo) e o porto alegrense Ricardo Pinote (bateria), integram a nova banda que a essa altura só usava o nome Mutuca. O espetáculo de retorno aos palcos foi realizado no teatro do Instituto de Artes na Rua Senhor dos Passos.

Em novembro, o retorno da dupla cantor / guitarrista; Bebeco / Mutuca com os novos parceiros, o baixista André Gomes e o baterista Ricardo Pinote, com o espetáculo Óculos Escuros, que em 1980, já estava com Renato Machado (Canhoto) no baixo e Edinho Galhardi na bateria, o espetáculo cresceu, apresentando um cenário, de Beto Shuch e cartaz de Caiado Athanazio, passando a se chamar Óculos Escuros 2, estreando no Teatro de Câmara, na Rua da República. No espetáculo as músicas Blues Da Casa Torta, Declaração e Viagem A Saturno (todas de Nei Duclós-Mutuca), e também Os Meninos, Pecado e Óculos Escuros (todas de Bebeco e Ângelo Vigo).

Em 1981, com o grupo Mutuca & Amigos, formado por Mutuca, Bebeco, Flávio Chaminé no baixo e Edinho Galhardi na bateria, aconteceram às primeiras gravações no Estúdio ISAEC. Em 1982, a música Chove Em Porto Alegre, foi gravada e a Rede RBS fez um clipe para o quadro local do programa Fantástico, no domingo. Com direito a chamadas no sábado. Exposição com respeito. Tomadas na casa de Arthur Guarisse com chuva artificial. Música de Mutuca e Bebeco com letra de Dedé Ferlauto, dirigido por Alfredo Fedrizzi. A rádio Bandeirantes-fm começa a tocar Na Mesma Fogueira (composição de Mutuca com versos de Nei Duclós), com a apresentação de Mauro Borba.

Em 1983, no estabelecimento noturno para música de rock and roll, bar Rockett 88, no bairro Menino Deus, iniciativa de Mutuca, foi incubada a banda Garotos da Rua, que iria lançar nacionalmente Bebeco Garcia.

Carreira Solo

Em 1997 lançou Aleluia, Aleluia, disco que marcaria a transição do rock para o blues, e que abriu os horizontes para Bebeco que havia encerrado suas atividades com os Garotos três anos antes. A partir de 1999, ano de lançamento de Me Chamam Curto Circuito, Bebeco alternou períodos no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em São Paulo. Neste período lançou álbuns individuais como Bebeco Garcia & O Bando dos Ciganos (2001), Confidencial (2003) e Rio Grande Rio Blues (2005), sempre acompanhado do Bando de Ciganos, formado pelos músicos Egisto Dal Santo e Edinho Galhardi. Todos estes discos confirmaram a reputação do músico como um dos melhores guitarristas gaúchos.

Em 19 de maio de 2010, após uma operação para retirada de um tumor no cérebro no mês anterior, não resistiu às complicações pós-operatórias e faleceu no hospital da PUC-RS vítima de uma infecção generalizada. Durante seu sepultamento Egisto Dal Santo, seu amigo e parceiro musical fizeram uma homenagem ao cantor.


Influências e Reconhecimento

Bebeco Garcia levou seu talento por mais de 50 cidades do RS e teve seu trabalho reconhecido por vários artistas dentro e fora da música, e influenciou muitos jovens a correrem atrás de seus sonhos e nunca desistirem de mostra seu talento para o mundo, ele não nos deixou apenas uma lição de vida, mas sim um verdadeiro exemplo de um homem que decidiu ser músico e foi para o mundo correr atrás do seu reconhecimento.

Deveríamos agir mais como Bebeco Garcia e não nos deixar abalar pelas dificuldades que iremos encontrar no caminho, ele foi um grande exemplo para a nossa sociedade tão acostumada a optar pelo mais fácil, acredito que se Bebeco pudesse nos passar alguma mensagem hoje seria para que nunca desistamos de nossos sonhos, mas que possamos batalhar para que eles se tornem realidade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Toninho Torta - Diamond Land [1988]

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Por Daniel Braz em Espelho Translúcido

"Diamond Land" foi o disco que, finalmente, fez com que Toninho Horta conquistasse o mercado dos EUA.

Para quem não sabe, Toninho Horta é um dos ícones mineiros da música brasileira. Ainda nos anos 70, o guitarrista já era uma referência nacional, principalmente após ter gravado com Elis Regina e ter integrado o Clube da Esquina, juntamente com os conterrâneos Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Wagner Tiso, Fernando Brant, entre outros. Também não demorou muito para que o seu trabalho começasse a ser apreciado por músicos estrangeiros, e, já que toquei no assunto, não há como não citar o famoso guitarrista de jazz, Pat Metheny, como um verdadeiro apóstolo de Toninho Horta.

Convenhamos que é um pecado que um músico extraordinário como Toninho, tendo reconhecimento internacional e integrando inúmeras listas como um dos guitarristas mais influentes do jazz mundial, receba tão pouco destaque em seu próprio país. Por isso, ouçam o disco que estou postando hoje, é um carinho para os ouvidos. Ao contrário dos seus lançamentos nacionais anteriores, "Diamond Land" é um álbum totalmente instrumental, com exceção, apenas, da última faixa, "Broken Kiss" (a clássica "Beijo Partido", já eternizada por Milton Nascimento em seu álbum de 1975, "Minas", e composta por Toninho Horta). Falando nisso, outras faixas com o nome disfarçado são "Sunflower", que é, nada mais, nada menos, que "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", de Lô Borges e Márcio Borges, e a própria faixa-título, que corresponde a "Diamantina", do violonista mineiro Juarez Moreira.

Não vou dar destaque a nenhuma faixa em especial pois, sinceramente, o álbum inteiro é maravilhoso.


Ficha técnica AQUI.