terça-feira, 15 de outubro de 2019

Humberto Gessinger - Não Vejo a Hora [2019]

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Release

Não Vejo a Hora traz 11 canções autorais gravadas com dois trios, um acústico e um power (elétrico). São oito faixas com um power trio e três músicas acústicas, nas quais Gessinger assume a viola caipira. Todas as letras são de Gessinger e as músicas trazem parcerias com Duka Leindecker, Bebeto Alves, Felipe Rotta, Nando Peters e Esteban Tavares. 


1. Partiu
2. Um Dia De Cada Vez
3. Bem A Fim
4. Algum Algoritmo
5. Calmo Em Estocolmo
6. Olhou Pro Lado, Viu
7. Fetiche Estranho
8. Maioral
9. Estranho Fetiche
10. Outro Nada
11. Missão

sábado, 12 de outubro de 2019

Leo Gandelman [1987]

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A1 A Ilha
(William Magalhães, Leo Gandelman)
A2 Sax Driver
(Nico Rezende, Leo Gandelman)
A3 Gente Da Rua
(Toni Costa)
B1Sequestro Da Banda
(Leo Gandelman)
B2 Viagem (Se Eu Soubesse)
(Duda Cavalcanti, William Magalhães)
B3 Castelo De Areia
(Leo Gandelman)
B4 Folha Morta
(Ary Barroso) 

quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Hélio Delmiro - Violão Urbano [2002]

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Completando a discografia do Hélio Delmiro aqui no blog, disponibilizou o penúltimo álbum da sua carreira. Totalmente autoral. Bora ouvir que é bom demais.


1 Violão Urbano
(Hélio Delmiro)
2 Cacá e Bié
(Hélio Delmiro)
3 Bolero
(Hélio Delmiro)
4 Serôdia
(Hélio Delmiro)
5 Rio Doce
(Hélio Delmiro)
6 Catarse
(Hélio Delmiro)
7 Desafeto
(Hélio Delmiro)
8 Emotiva Nº1
(Hélio Delmiro)
9 87-Boca Do Mato
10 Lago's
(Hélio Delmiro)
11 Lágrima Azul
(Hélio Delmiro)
12 Íntima
(Hélio Delmiro)

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Clare Fisher e Hélio Delmiro - Symbiosis [1999]

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Por José Domingos Raffaelli no blog do Hélio Delmiro em 2007

A paixão do pianista e arranjador americano Clare Fischer pela música brasileira vem de longe. Desde o início dos anos 60, quando ganhou de presente um disco de Elizeth Cardoso. A partir daí, não só correu atrás de outros discos como gravou músicas brasileiras, incluindo os arranjos para orquestra do álbum "João", de João Gilberto. Mas a ligação de Fischer com a MPB estreitou-se de vez a partir do encontro com o guitarrista brasileiro Helio Delmiro, em 1998, nos shows e gravação do CD "Symbiosis", que continua agora numa turnê brasileira.

Os dois passaram por São Paulo na semana passada, tocam sábado, dia 5, na Sala Villa-Lobos do Hotel Nacional, em Brasília, e terminam no Mistura Fina, no Rio, dias 11 e 12 de agosto.

- Toquei com inúmeros guitarristas, inclusive Joe Pass, mas Helio é o melhor de todos - diz Fischer, que fala português e espanhol com razoável fluência. - Sonhava gravar um disco com Helio desde quando ouvi o álbum "Samambaia", que fez com Cesar Camargo Mariano. "Symbiosis" coroou esse sonho.

Fischer lembra do impacto que foi seu contato com a música brasileira.

- Ganhei um disco de Elizeth Cardoso e fiquei tão empolgado que dei o nome dela a uma das minhas composições - conta. - Então comecei a ouvir todos os discos de bossa nova que conseguia, principalmente de João Gilberto.

Em sua carreira, Fischer gravou inúmeros discos de música brasileira e latina. Num deles perpetuou sua famosa "Pensativa", gravada por uma legião de artistas, inclusive no Brasil.

- "Pensativa" é uma bossa nova, mas nos Estados Unidos todos a tocam no andamento 4/4 do jazz - comenta em tom de reclamação.

Animado com a turnê brasileira iniciada em São Paulo, Delmiro também não poupa elogios ao pianista:

- Clare é um músico muito inventivo que não se repete, dá gosto tocar com ele.

Fischer começou sua carreira como pianista e diretor musical do conjunto vocal Hi-Lo's, nos anos 50.

- Estava com eles quando escrevi os arranjos para o disco "September afternoon", do trompetista Donald Byrd com cordas, gravado em 1957 - conta. - Conhecia Byrd dos tempos em que estudamos na Universidade de Michigan.

O disco ficou inédito durante 25 anos, mas Dizzy Gillespie ouviu uma gravação em fita e convidou Fischer para fazer os arranjos de um álbum que gravou para a Verve com músicas de Duke Ellington.

- Por ironia, meu nome não constou nos créditos dos dois álbuns - lembra Fischer.

Simbiose de duas carreiras tão distintas e, ao mesmo tempo, próximas, nos shows dessa turnê Delmiro e Fischer prometem muitas surpresas.

- Incluiremos as inéditas "Sonho", do Clare, e "Lágrima azul", um choro-blues de minha autoria - adianta Helio.

- Além de alguns temas de "Symbiosis", apresentamos outras composições que escolhemos na hora. Gostamos de variar, evitando repetir as músicas do nosso repertório - conclui Fischer.



1 My Old Flame
(A. Johnston)
2 Melina Do Rio
(Clare Fischer)
3 P'ro Baden (Homagem para Baden Powell)
(Hélio Delmiro)
4 Lago's
(Hélio Delmiro)
5 Blues in F
(Clare Fischer)
6 Dois por Quatro
(Hélio Delmiro)
7 Carrousel
(Hélio Delmiro)
8 Pensativa
(Clare Fischer)
9 Donna, My Love
(Clare Fischer)
10 Esperando
(Hélio Delmiro)
11 Amor Em Paz
(Antônio Carlos Jobim)
12 Autumn Leaves
(Joseph Kosma)
13 Samba de Uma Nota Só
(Antônio Carlos Jobim)

terça-feira, 8 de outubro de 2019

Gabriel Thomaz Trio - Babababa [2019]

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Por Hearts Bleed Blue

Novo projeto do Gabriel Thomaz, vocalista e guitarrista do Autoramas e ex-Little Quail, o trio instrumental "surf-fuzz-guitarrada" Gabriel Thomaz Trio lançou em 2019 o álbum de estreia "Babababa".

Com muita energia, riffs marcantes e um som dançante que aproveita de efeitos como vibrato, tremolo e "fuzz no talo", o trio formado em 2016 conta também com Jairo Fajer no baixo e Bruno Peras na bateria.

"No Autoramas sempre gravamos músicas instrumentais em todos os nossos discos, mas essas músicas, que sempre curti muito, nunca tinham espaço dentro do vasto repertório. Então decidi fazer um projeto paralelo, com outro nome, pra poder tocar músicas nesse esquema instrumental. Meus companheiros que completam o trio abraçaram o projeto comigo e é uma grande realização chegar até esse lançamento", revela Gabriel.

"Babababa", lançado em CD pela Hearts Bleed Blue, conta com dez faixas e tem a produção de Billy Comodoro. A arte de capa é assinada por Old Boy.


1. Babababa
2. Toilet Line
3. Horny Horn
4. Telecartofilia
5. Guitarrada II
6. Ecranoplano
7. Ruradélica
8. A Esparrela e a Pantomima
9. Guitarrada no Pelo
10. Tilt

domingo, 6 de outubro de 2019

sábado, 5 de outubro de 2019

Vivendo do Ócio - Selva Mundo [2015]



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Por André Felipe de Medeiros em Monkeybuzz

Com Fernando Sanchez e Curumin na produção, Selva Mundo revela o mesmo salto de maturidade que Vivendo do Ócio teve entre seu primeiro e segundo álbum, ao passo que podemos imaginar que ter seu crescimento registrado em disco seja parte integral da identidade da banda e, talvez, até mesmo a função de sua música.

Não é difícil criar a história de quatro moleques que montam uma banda para fazer um som específico (Indie Rock), provavelmente inspirado pela mesma banda que tantos de sua geração (The Strokes), e tem seu repertório moldado pelo amadurecimento natural de tantos palcos, viagens e estúdios, assim como pelo intercâmbio com tantos outros nomes contemporâneos.

Selva Mundo traz um som mais encorpado, em sintonia com as tendências roqueiras pós-AM e sem hits óbvios (uma escolha corajosa para qualquer banda deste porte) – ao contrário, músicas como A Lista vem para agradar a cheio fãs antigos e novos. A produção de Sanchez e Curumin, dois caras que entendem bem a música brasileira de hoje, rendeu momentos que sabem aproveitar o talento dos músicos e seu sotaque para mostrar sua relevância no cenário em que estão inseridos, como Beira do Mar.

As parcerias com outros nomes vão além dos produtores, tendo participações de Thadeu Meneghini (Vespas Mandarinas), Lirinha e até Pepeu Gomes, o que prova que os meninos já entenderam que são melhores ainda quando bem acompanhados.

Contudo, as letras mostram-se o ponto mais frágil de Selva Mundo, principalmente pela escolha de palavras – que não possuem tanta força quanto o grupo esperava pela maneira com que são organizadas ou pela sua repetição -, assim como as narrativas pecam às vezes pelo óbvio (como em Porrada).

Os pontos falhos não chegam a incomodar, principalmente dentro da perspectiva de amadurecimento que Vivendo do Ócio passa. Selva Mundo prova, além do crescimento, que a banda encontra-se em sua melhor forma justamente em seu primeiro álbum 100% independente, feito através de financiamento coletivo. Acompanhar sua discografia é sorrir pelo que o futuro reserva ao quarteto.



A1 A Espera
(Vivendo do Ócio)
A2 Prisioneiro do Futuro
(Thadeu Meneghini, Vivendo do Ócio)
A3 Prisma
(Lirinha, Vivendo do Ócio)
A4 A Lista
(Vivendo do Ócio)
A5 Beira do Mar
(Thiago Guerra, Vivendo do Ócio)
A6 Carranca
(Adalberto Rabelo, Thadeu Meneghini)
B1 Selva Mundo
(Vivendo do Ócio)
B2 Porrada
(Fernando Ferro, Igor Bruno, Luccas Maia)
B3 Não te Digo Nada
(Martin Mendonça, Vivendo do Ócio)
B4 Amor em Construção
(Fabio Trummer, Pepeu Gomes, Tiago Mago, Vivendo do Ócio)
B5 Salve Salvador
(Vivendo do Ócio)
B6 Batalha do Sono
(Vivendo do Ócio)

sábado, 28 de setembro de 2019

Barão Vermelho - 2 [1983]

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Por Redação SRzd

Segundo disco da Banda, lançado em 1983, apesar de conter alguns clássicos, ainda não tinha feito a banda estourar, mas semeou bem o terreno. O lado A abre com uma Intro que está ligada a Menina Mimada, um blues com uma intepretação bem danada de Cazuza. Um dos grandes clássicos da primeira fase da banda; O Que a Gente Quiser, apesar do tema da letra, não foi composta pelo Cazuza, música simples que aproximava mais a banda ao estilo New Wave do início da década; o mesmo se pode dizer de Vem Comigo, com sua melodia de teclado e levada no melhor estilo Blitz; apesar desse estilo anos 80 que marcava o início da maioria das bandas, o Barão se destacava pelo trabalho de guitarras de Frejat, marcado por influências do blues e do rock dos anos 50, Bicho Humano mostra bem essa ideia, além da interpretação de seu “brow”; por fim, Largado no Mundo, um blues de pegada acústica, bem marcado pela gaita característica do estilo.

O lado B inicia com um clássico visceral, Carne de Pescoço, com um riff matador de Frejat, bateria pesada de Guto Goffi; em seguida uma das músicas mais famosas da banda, Pro Dia Nascer Feliz, canção que marcou a apresentação da banda no Rock in Rio de 85, um hino de esperança em relação a campanha das “Diretas Já”, expectativa essa destruída com a eleição do Sarney e a saída de Cazuza meses depois; Manhã Sem Sonho, de Dé e Cazuza, trás algo bem eletrônico e dançante, liderado pelos teclados de Maurício Barros, e com um belo slap de Dé e da participação de Peninha na percussão, que viria a ser membro da banda nos anos 90 até hoje; já Carente Profissional traz um Riff de guitarra e um refrão bastante forte; o disco finaliza com Blues do Iniciante, uma belíssima balada ao piano.



A1 Intro
(Maurício Barros)
A2 Menina Mimada
(Cazuza, Maurício Barros)
A3 O Que A Gente Quizer
(Frejat, Naila Skorpio)
A4 Vem Comigo
(Cazuza,Guto Goffi)
5 Bicho Humano
(Cazuza, Frejat)
A6 Largado No Mundo
(CazuzaFrejat)
B1 Carne De Pescoço
(CazuzaFrejat)
B2 Pro Dia Nascer Feliz
(CazuzaFrejat)
B3 Manhã Sem Sonho
(Cazuza, Dé)
B4 Carente Profissional
(CazuzaFrejat)
B5 Blues Do Iniciante
(Cazuza, Dé, Frejat, Guto Goffi, Maurício Barros)

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Barão Vermelho [1982]

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Por Rodrigo Mattar em A Mil Por Hora

Nascido do sonho adolescente de dois fãs do Queen, o Barão Vermelho surgiu nos anos 80 como uma das referências do (re)nascente rock nacional, que ganhou corpo nas garagens e com a energia que é peculiar aos jovens roqueiros, mudou de vez a cara da música brasileira.

Com o grupo formado por Guto Goffi (bateria), Maurício Barros (teclados e sintetizadores), Dé Palmeira (baixo) e Roberto Frejat (guitarra), faltava o vocalista. Léo Jaime foi chamado, fez uma espécie de ‘audição’, mas sua voz não casava com o som do grupo. Ele imediatamente se lembrou de alguém que conhecia das noites do Baixo Leblon.

“Conheço um cara que seria perfeito pra vocês, o Cazuza. Ele adora Janis Joplin, faz teatro no Circo Voador e é filho do João Araújo, presidente de uma gravadora.” E a indicação de Léo Jaime passou no teste.

Nem o perrengue dos primeiros ensaios, passando por um fracassado show na Feira da Providência, desanimou os garotos. Cazuza, que já mostrara ao que viera nos primeiros ensaios – inclusive transformando a letra da primeira música de Guto e Maurício de “Billy João” em “Billy Negão”, começou a mostrar seu talento como poeta e letrista. Cinco anos mais velho que a maioria dos Barões, considerava as letras um pouco ‘infantis’. E teria a chance de mostrar todo o seu talento.

Um certo dia de verão, Ezequiel Neves ouviu a fita demo gravada num Akai de rolo, que era de Cazuza. E simplesmente endoidou, enlouqueceu com o material dos garotos. Escreveu colunas apaixonadas na lendária Somtrês, onde assinava a página Zeca n’Roll. E adotou o Barão para sempre.

Convenceu Guto Graça Mello a levar o Barão para a Som Livre, onde trabalhava como produtor e diretor (inclusive com Cazuza como assistente por algum tempo). O último e mais difícil obstáculo era o próprio João Araújo, pai de Cazuza.

“Podem me acusar de protecionismo”, disse. “Os garotos são ótimos”, rebateu Guto. “Você vai deixar a concorrência contratá-los?”

O argumento foi mais do que suficiente: o Barão foi contratado e, como primeira providência, Graça Mello pediu à banda que mantivesse o astral da fita demo, gravando sem clique eletrônico.

O som cru, quase pueril, daqueles jovens cheios de sonhos, ganhou fãs de imediato. Caetano Veloso, que conhecia Dé Palmeira (então namorando Bebel, a filha de João Gilberto), adorou “Todo amor que houver nessa vida”. Aprendeu a harmonia e, no meio da turnê do disco Uns, num Canecão lotado, tocou a canção que Lucinha Araújo, mãe de Cazuza, logo reconheceu.

“João, essa música é do Cazuza.”

“Porra, Lucinha! Tá maluca? Como o Caetano vai cantar uma música do Cazuza?”

Ao fim da apresentação, Caetano mandou a letra.

“Gostaram, né? Vão comprar o disco do Barão Vermelho! É do caralho! Os meninos são ótimos e eu adoro as letras do Cazuza.”

O disco não vendeu, mas é marcante. A abertura, com “Posando de Star”, comprou briga com a moribunda Censura Federal, que implicou com a letra que dizia ‘você precisa é dar’. Zeca, escolado com as coisas da ‘índústria pornográfica’, sugeriu a Cazuza gravar ‘você precisa é dar-se’ e cantar a letra original nos shows. Deu certo e a faixa passou.

Cazuza destacou-se não só pelas letras marcantes, mas também como um intérprete que, por vezes, emulava Janis Joplin. Ele deixou isso claro na sensacional “Down em Mim”, com direito a introdução bluesy de Maurício Barros ao piano e um rascante solo de guitarra de Frejat.

O único ‘ponto fraco’ – sem trocadilho algum com uma das faixas do álbum – na opinião do próprio pai de Cazuza, era que o vocalista ‘ciciava’, por um defeito na fala não corrigido na infância/adolescência. Registre-se também que Cazuza falava ‘filiz’ ao invés de ‘feliz’, como em “Por aí”.

Mas isso é irrelevante perto do material que o grupo trouxe em seu disco de estreia e principalmente a poesia selvagem e urbana do vocalista – alvo de admiração de grandes nomes da MPB pelos anos seguintes que o Barão se manteve na ativa com a formação original.

Em 2012, quando o disco foi relançado em versão remasterizada, vieram além das faixas originais do bolachão, o descaralhante reggae “Nós” – que seria gravado em Maior Abandonado, com outro arranjo; “Por Aí” em versão alternativa; a inédita “Sorte e Azar” e “Down em Mim” numa versão inacreditável com Cazuza cantando… em espanhol.

Um disco histórico que vale ser ouvido do princípio ao fim.



A1 Posando de Star
(Cazuza)
A2 Down em Mim
(Cazuza)
A3 Conto de Fadas
(Cazuza/Maurício Barros)
A4 Billy Negão
(Cazuza/Guto Goffi/Maurício Barros)
A5 Certo Dia na Cidade
(Cazuza/Guto Goffi/Maurício Barros)
B1 Rock n’Geral
(Cazuza/Frejat)
B2 Ponto Fraco
(Cazuza/Frejat)
B3  Por Aí
(Cazuza/Frejat)
B4 Todo Amor que Houver Nessa Vida
(Cazuza/Frejat)
B5 Bilhetinho Azul
(Cazuza/Frejat)

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Berro [1997]

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Mais um resgate do nosso colaborador Iluvatar Orozimbo. 

Esse álbum teve produção de Maurício Barros (baixista/tecladista) do Barão Vermelho, além de Ezequiel Neves (produtor do mesmo Barão).


Rodrigo Big - voz
Clower - guitarras, violões e vocais
Tiba Magalhães - bateria
Lancaster - baixo
Daniel Katzenstein - teclados


1 Teu Passado Te Entrega
2 Só Pode Ser Você
3 Conselhos
4 Psicotrópico
5 Descendo A Ladeira
6 As Plantas
7 Namorada Cibernética
8 Flutuar
9 Hollywood
10 A Cobra
11 Borboletas
12 Uszomi

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Minha Fama de Mau [2019]

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Por Renata Nogueira em UOL

As regravações de clássicos de Erasmo Carlos, Roberto Carlos e Wanderléa para a trilha sonora de "Minha Fama de Mau" não ficarão restritas ao filme que chega aos cinemas na quinta-feira (14).

Remasterizadas e com as vozes originais dos atores Chay Suede (Erasmo Carlos), Gabriel Leone (Roberto Carlos) e Malu Rodrigues (Wanderléa), as músicas chegaram ontem aos serviços de streaming.

O disco, que foi gravado antes do início das filmagens e com a presença de Erasmo Carlos, tem 17 faixas. São nove músicas na voz de Chay Suede, seis interpretadas por Gabriel Leone e três por Malu Rodrigues.

No filme, além de cantarem, os atores são acompanhados pela atual banda de Erasmo Carlos, formada pelo maestro José Lourenço (arranjos, órgão Hammond, pianos, harmônica e flauta), Rike Frainer (bateria), Billy Brandão (guitarras, violão e cítara), Pedro Dias (baixo e vocais), Luiz Lopez (violão, voz guia e vocais) e Dirceu Leite (saxes e flautas).

"Queria que as pessoas que assistirem ao filme sentissem a pressão sonora para complementar as alegrias e aventuras que estão rolando na tela. A Jovem Guarda é foda", declara Erasmo Carlos.

O filme "Minha Fama de Mau" retrata desde o início da carreira do Tremendão e sua relação com grandes nomes da música brasileira, como Tim Maia (Vinicius Alexandre).A Jovem Guarda ganha espaço especial na produção, mostrando a relação de Erasmo com Roberto Carlos e Wanderléa.


1. Minha Fama De Mau
2. Festa De Arromba
3. Parei Na Contra Mão
4. Eu Sou Terrível
5. Lobo Mau
6. É Proibido Fumar
7. Prova De Fogo
8. Sentado À Beira Do Caminho
9. Vem Quente Que Eu Estou Fervendo
10. Suzie
11. Meu Anjo Da Guarda
12. Gatinha Manhosa
13. O Calhambeque
14. Devolva-me
15. Pra Sempre
16. Amigo
17. João E Maria

terça-feira, 27 de agosto de 2019

Cotonete & Di Melo - Atemporal [2019]

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Por Fred Melo Paiva e Pedro Alexandre Sanches em Carta Capital

O cantor pernambucano ressurge em disco com a banda francesa Cotonete e explica a relutância em voltar a cantar o alegre hino black Kilariô


Kilariô/ raiou o dia/ eu vi chover em minha horta/ ai, ai, meu Deus do céu,/ quanto eu sofri ao ver a natureza morta. A tristeza estava inscrita nos versos vivos de Kilariô, de Di Melo, mas a sonoridade do samba-rock era pura alegria. Hoje, aos 70 anos, o cantor e compositor pernambucano do Recife mantém relação conturbada com o maior sucesso popular de uma errática carreira comercial, que ficou interrompida entre 1975, ano de Kilariô, e 2015, quando ele lançou o autorreferente Imorrível. Desaparecido Di Melo nesse ínterim, eram constantes os boatos de que ele teria morrido. Os discos que lançou nesse período passaram completamente despercebidos.

Eram exagerados os boatos. Di Melo ficou na retranca até que, em 2009, ouvidos estrangeiros começaram a prestar atenção nas faixas do antigo LP Di Melo (1975), em que figuravam músicos acompanhantes virtuosos como Hermeto Pascoal, Heraldo do Monte e Geraldo Vespar. O grupo de rap Black Eyed Peas sampleou Di Melo em um de seus discos. Imorrível proporcionou a renascença (quase) comercial, agora aprofundada pelo recém-lançado álbum duplo inédito Atemporal, dividido com a big band francesa Cotonete. Mais uma vez se repete a enfadonha história do artista brasileiro que só renasce das cinzas depois de percebido por ouvidos gringos. Com exemplares de Di Melo vendidos na Europa a 700 euros, veio o documentário em média-metragem Di Melo – O Imorrível, dirigido em 2011 por Alan Oliveira e Rubens Pássaro.

Di Melo explicita a relutância que exibe sempre que lhe pedem para executar Kilariô: “Ela me remete a algumas coisas que foram tristes na minha vida. Quando foi gravada, era para ser uma coisa bonita, mas fui muito sacaneado naquela época. Me surrupiaram de todas as formas, me sacanearam sob todas as normas. Eu nunca falei isso para ninguém, mas sempre que me vem à mente Kilariô surge a cena. No palco ela distribui energia e alegria. É uma música iluminada, abençoada, mas só quem vive é que sabe e sente, não é? Aconteceram coisas imperdoáveis, que me trouxeram até aqui”. A sombra de tristeza aparece e logo é espantada pelo homem-alegria que Di Melo aparenta ser. Clareou, raiou o dia.

O compositor guarda 12 inéditas em parceria com Geraldo Vandré

Antes da estreia em disco e da relativa fama, Di Melo (ou Boby d’Melo, como Roberto de Melo Santos assinava no princípio) foi guardador e lavador de carros no Recife. Mudou-se para São Paulo em 1968 e, já engrenando na carreira artística, viajou para trabalhar em Tóquio, no Japão, onde Kilariô foi composta. De volta a São Paulo, foi levado pela cantora de bossa negra Alaíde Costa ao mítico bar Jogral, onde passou a se apresentar como número de abertura. O sucesso veio com o LP que, além de Kilariô, trazia títulos de grande expressividade, agridoces, como A Vida em Seus Métodos Diz Calma, Conformópolis e Se o Mundo Acabasse em Mel.
DI MELO TEVE UMA CARREIRA INTERROMPIDA POR 40 ANOS, E ACABA DE LANÇAR O ÁLBUM INÉDITO ATEMPORAL. (FOTO: ACERVO PESSOAL)
A cidade acorda e sai pra trabalhar/ na mesma rotina, no mesmo lugar (…) ela então desperta, ela tenta gritar/ contra o que lhe aperta e que lhe faz calar/ mas ela, deserta, começa a chorar, canta em sotaque nordestino o tango soul Conformópolis, metáfora de um Brasil que teima em se perpetuar. Vai com calma, você vai chegarvem na contramão à inspirada A Vida nos Seus Métodos Diz Calma. Nessa época, Di Melo passou a ter sucessos gravados por nomes mais ou menos black power, como Jair Rodrigues (Paspalho) e Wando (Volta), este em fase samba-rock, pré-romântica.

“O disco da Odeon estava tocando, tudo que puseram na rua vendeu”, Di Melo relembra a primeira rodada de glória. “Fui receber o trimestre de direito autoral, vieram 11 cruzeiros. Fiquei desencantado, me senti dando murro em ponta de faca, assinando atestado de imbecil. Aí saí de cena, fui para as praias, não levei o som mais a sério, fiquei curtindo, batendo viola em praia. Mas nunca parei de cantar e compor.” No documentário, ele fala sobre esse período: “Quando você é jovem, acha que para você o mundo não vai acabar nunca. Mulher, bebida, noites, farras. Você se perde”.

Di Melo filosofa sobre o que foi e o que poderia ter sido: “Não fico chateado porque a vida foi ingrata comigo. Se eu tivesse a cabeça que tenho hoje, eu teria dado seguimento. Mas eu era muito jovem e decidi sair do lodaçal. Quando a coisa tem que ser, você persegue ela durante uma periodicidade e depois ela passa a te perseguir”.

Antes que Kilariô passasse a persegui-lo, houve, nos anos 1980, o encontro de Di Melo com o homem para sempre perseguido por Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores (1968). Na semiclandestinidade (de ambos), conheceu o paraibano Geraldo Vandré, com quem, revela agora, compôs 12 canções, suficientes para um álbum inteiro Di Melo-Vandré. Uma delas, a latina Canta Maltina, foi apresentada no disco Imorrível, e se vale de um idioma inventado, latino-indígena-brasileiro. Outra, Linhas de Alinhar, de acento nordestino, vem à luz no novo Atemporal. “A priori imaginei que Vandré quisesse que eu desse sequência ao trabalho dele”, conta. “Ledo engano, ele queria passear. Gostou de mim porque eu estava cantando uma música muito poderosa. Ele achou que eu poderia dar essa sequência, e eu também imaginei que isso fosse rolar. A gente saiu viajando, fomos num Galaxy para a Paraíba, para o Paraguai.”
A CANTORA ALAÍDE COSTA LEVOU DI MELO AO BAR JOGRAL, E COM GERALDO VANDRÉ GRAVOU PARCERIAS. (FOTO: ACERVO PESSOAL)

Linhas de Alinhar evidencia o que já sabia quem ouviu o Di Melo de 1975: para lá de um artista suingueiro de black music, Di Melo ostenta poderosa veia brasileira, nordestina, pernambucana. Misteriosa e narrada por alguém “farto da angostura”, a canção fala de uma “explicação que não houve, não há, nem haverá”, e de um “clima que apavora nessa estrada tão escura”. Linhas de Alinhar é exemplo perfeito daquilo que Di Melo diz sobre as próprias canções: “Qualquer música minha tem nexo e tem plexo, não só sexo”. No embalo, o intérprete de Conformópolis critica o estado das coisas: “A música está resumida a peitos e bundas. É triste, é dolorido, porque você trabalha, trabalha, trabalha e não tem usufruto do teu trabalho”.

“Qualquer música minha tem nexo e tem plexo, não só sexo”

A sombra triste reaparece quando é hora de falar do Brasil atual. “Temos tudo pra ter tudo. Temos amianto, bauxita, prata, ouro, cobre, manganês, zinco. Mas não vira, não vira, e não vai virar nunca. É tudo muito difícil. Às vezes você levanta o pé pra dar um passo pra frente e sente dando dez passos pra trás.” A vida, ele admite, segue difícil e distante dos métodos da calma: “A coisa chegou num momento crucial. Eu olho pro lado e não vejo ninguém feliz, ninguém satisfeito. Todo mundo reclamando. Está difícil pagar as contas. As pessoas estão cada vez mais perdendo tudo que conseguiram na vida. É só problema, problema, problema, problema. Não vejo ninguém apontando muita solução, é desesperador. Às vezes você quer conseguir andar e está ali brecado, no freio de mão. É tudo muito estranho, errado, truncado”.

O álbum com o Cotonete (que em 2017 gravou um disco com outra brasileira, a paranaense Simone Mazzer) é o antídoto de Di Melo para as previsões mais sombrias (“liberar armas não é solução, e daqui para frente vai piorar cada vez mais”). Entre as oito canções, há uma regravação alegre-e-triste de Kilariô. Para explicar a contradição e a relação de amor e ódio com Kilariô, Di Melo se vale de uma antiga composição do paraense Billy Blanco, Canto Chorado (1968). “Nunca vi uma coisa tão certa (declama): o que dá pra rir dá pra chorar/ questão só de peso e medida/ problema de hora e lugar”, gargalha.


A1 Papos Desconexos (Part. 1)
A2 Papos Desconexos (Part. 2)
A3 A.E.I.O.U. (Album Mix)
B1 Muhler Instrumento (Part. 1)
B2 Muhler Instrumento (Part. 2)
C1 Canto Da Yara
C2 Kilario (2019 Version)
D1 Linhas De Alinhar
D2 Verso E Prosa

sábado, 24 de agosto de 2019

Barão Vermelho - VIVA [2019]

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O Barão Vermelho iniciou nesta sexta-feira (16) uma nova fase ao disponibilizar para as plataformas digitais um álbum de inéditas que leva o nome de Viva.

Trata-se de um trabalho emblemático da veterana banda de rock nacional, já que é o primeiro em 15 anos e marca a estreia de Rodrigo Suricato como vocalista. Ele já ocupa a vaga de Frejat desde 2017, mas é a primeira vez que um disco do Barão sai com a voz dele.

Viva, como o título sugere, é um trabalho que busca celebrar a vida e também a trajetória da banda, que mais uma vez precisou se reinventar após perder um vocalista. Sobre a sonoridade, o grupo não deixou de lado os elementos sonoros característicos da era Frejat, em faixas nas quais os vocais de Suricato encaixam-se perfeitamente e, em certos momento, fazendo lembar o antigo vocalista.

O disco foi gravado nos estúdios Toca do Bandido e Estúdio 2, no Rio de Janeiro e é assinado por Maurício Barros (teclado), Guto Goffi (bateria) e Fernando Magalhães (guitarra).


1. Eu Nunca Estou Só
2. Por Onde Eu For
3. Jeito
4. Tudo por Nós 2
5. Um Dia Igual ao Outro
6. Vai Ser Melhor Assim
7. Castelos
8. A Solidão Te Engole Vivo
9. Pra Não Te Perder

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Sérgio Sampaio - Cruel [2006]

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Por Marcelo Augusto D’Amico em Jornal CGN


Nome Completo: Sérgio Moraes Sampaio Nome Artístico: Sérgio Sampaio
Nascimento: 13 de abril de 1947 Natural de: Cachoeiro de Itapemirim/ES
Falecimento: 15 de maio de 1994, na cidade do Rio de Janeiro.

Muito se perdeu sobre Sérgio Sampaio, e mais ainda se perderia sem o empenho de Rodrigo Moreira (autor da biografia), Sérgio Natureza (amigo e parceiro de Sérgio), Zeca Baleiro (que recuperou material inédito), Charles Gavin (que realiza a recuperação de obras nacionais esquecidas pelas gravadoras) entre outros. Nascido na mesma cidade que Roberto Carlos (cidade onde foi muito mais visto que seu conterrâneo, “O Rei”), mudou-se definitivamente para o Rio de Janeiro aos vinte anos. Boêmio por natureza, chegou a passar fome na cidade maravilhosa, dormir na rua e outras coisas mais. Mas sua sorte começou a mudar, quando certo dia entrou na gravadora CBS, e mostrou suas músicas para o então produtor, um tal de Raul Seixas. De imediato, Raulzito viu em Sérgio Sampaio uma promessa para a música brasileira, e ele estava certo. Gravou um compacto e foi contratado como músico da gravadora.

Em 1971, Raulzito e Sérgio Sampaio, acompanhados de Edy Star e Miriam Batucada, gravaram o antológico “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista apresenta Sessão das Dez”. Naqueles dias, o Brasil era obrigado a engolir a Ditadura, e em 1972, no Festival Internacional da Canção, surge “Eu quero é botar meu bloco na rua”, defendida pelo próprio autor no palco, acompanhado apenas de seu violão. Sua canção não venceu o festival, mas o compacto vendeu assustadoramente bem. Era como se Sérgio dormisse boêmio e anônimo e acordasse como o maior cantor do país. Mas com a melhora financeira, veio também o aumento intenso da vida noturna.

O brilhante compositor também teve suas mágoas, pois seus discos venderam abaixo do esperado. O público parecia gostar apenas de um “Bloco”. Sampaio era intransigente quanto a pressão das gravadoras, que tentavam tornar suas músicas prontas para o consumo imediato, e não se iludia com a mídia que tentava transformá-lo em um novo “Roberto Carlos”. Estes fatores, somados a intensa vida boêmia, alcoólica e entorpecida do cantor, fariam-no desaparecer de cena a partir de 1982, quando lançou seu terceiro e último LP, de forma independente.

A verdade é que em suas composições, Sérgio alfinetou grandes nomes como Roberto Carlos (Meu Pobre Blues), a indústria musical brasileira (Cantor de Rádio), ao mesmo tempo em que gravou com Altamiro Carrilho, teve arranjos de João de Aquino, foi gravado por Erasmo Carlos, tem parcerias com Sérgio Natureza, gravou com Luiz Melodia, dividiu vocais com Jane Duboc, trabalhou com Roberto Menescal, ganhou troféu imprensa de Silvio Santos, fez show com Jards Macalé, Dona Ivone Lara e Xangai, entre tantos outros feitos notórios.

Em 2007, ano em que completaria 60 anos, na então conhecida cidade-natal do “Rei Roberto”, não houveram passeatas, nem festejos, não possui uma rua ou praça com seu nome e nem teve um único evento que lembrasse a data, a não ser um breve comentário numa festividade feita para homenagear o carioca Vinícius de Moraes. Seja em Cachoeiro ou em qualquer outra cidade brasileira, ouve-se muito mais o adjetivo “maldito da MPB” do que qualquer outro, quando se referem a Sérgio Sampaio. Os próprios conterrâneos parecem querer apagá-lo da história

Mas em 1993, quando declarou ter parado com as bebidas, o compositor trazia planos consigo. Começava a apresentar uma lista de 50 canções, das quais escolheria o repertório do CD “Cruel”, que seria lançado pelo selo paulista “Baratos afins”, projeto que ficou inacabado por conta de sua morte, no ano seguinte. Este projeto foi retomado por Zeca Baleiro, quando conheceu a ex-mulher de Sampaio, Ângela, e ganhou dela uma fita contendo músicas inéditas. Após isso, ele começa a buscar por outras gravações inéditas e faz a recuperação dos respectivos áudios, material lançado no CD “Cruel”, em 2006, que traz violão e voz original com Sérgio Sampaio, e arranjos de acompanhamento, trazendo músicos como Bocato, entre outros. Eu, autor destas palavras, que desconhecia este disco, ouvi todas as músicas antes de escrever este artigo, e confesso-lhes que tímidas lágrimas desceram em meu rosto, diante de tamanho brilhantismo e maturidade musical que Sérgio Sampaio havia atingido, num trabalho que jamais seria conhecido sem o empenho dos já citados, além de outros que colaboraram com o projeto.

Para finalizar esta pequena homenagem, gostaria de lamentar a grande maioria dos artigos que li a respeito de Sérgio Sampaio, onde alguns chegam a dizer que ninguém mais do que ele merecia ser chamado de “maldito”. Alguns jornalistas, do presente e do passado, continuam produzindo “blocos” de lama, julgando muito mais pejorativamente, do que propriamente dando-se ao trabalho de conhecer a fundo sobre o que escreve. Por tudo isso, deixo uma pergunta: quem é cruel?


Músicas:

1 – Em Nome De Deus
2 – Roda Morta
3 – Polícia Bandido Cachorro Dentista
4 – Brasília
05 – Magia Pura
6 – Rosa Púrpura De Cubatão
7 – Muito Além Do Jardim
8 – Real Beleza
9 – Pavio Do Destino
10 – Quero Encontrar Um Amor
11 – Quem É Do Amor
12 – Cruel
13 – Uma Quase Mulher
14 – Maiúsculo

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sérgio Sampaio - "Sinceramente" [1982]

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Por Thalita Pires em Rede Brasil Atual

Talvez você nunca tenha ouvido falar no cantor e compositor Sérgio Sampaio. Ou então só ouviu falar do maior sucesso dele, “Eu quero botar meu bloco na rua”, que é também o nome do primeiro disco, lançado em 1973. Em 1976, ele gravou “Tem Que Acontecer” e, em 1982, seguiu o modelo da produção independente, e colocou no mercado “Sinceramente”. Porém, desde então, ele descobriu como a música brasileira pode ser cruel. Caiu em profundo ostracismo e morreu em 1994, sem lançar o tão sonhado quarto álbum, “Cruel”, que só veio à tona em 2006 por insistência de Zeca Baleiro, que o produziu e lançou pelo selo Saravá Discos, o mesmo que relança agora o terceiro trabalho.

A premonição do que aconteceria já se manifestava na ótima faixa de abertura, “Homem de Trinta”: “Quase que eu fui pro buraco, / Por pouco não fui morar no porão, / Dancei, mas não sei não, / Tive cuidado de ter os pés / Quase sempre no chão / E a cabeça voando / Como se voa na imaginação”. Porém, a obra-prima é mesmo “Nem Assim”, que faz uma fantástica caricatura da mulher abandonada: “Pode inventar mentiras e até publicar, Que eu não sirvo mesmo pro amor, / Que eu sou um narcisista e mau compositor /… / Pode fazer comício nas praças do Rio / Em nome da dignidade da mulher, / Mostrar pra todo mundo as marcas / Que eu não fiz, /… / Você pode dizer o que quiser de mim… / Nem assim”. Espécie de complemento é “Faixa Seis”: “Você hoje pra mim / É a faixa seis / Do lado ‘B’ / Do meu último elepê / Aquela que o programador de rádio nunca toca / Aquela que o divulgador do disco evita / Aquela que fica espremida entre a quinta… /A quinta faixa e o final da fita”.

Ao escutar o álbum, é possível reconhecer a injustiça cometida pela indústria fonográfica voraz que não reconhece a força de boleros como “Tolo Fui Eu”, por exemplo, é arrasador: “Tolo fui eu / Quando em vão quis lhe dar meu amor / Que você nem sentiu, nem ligou / Mas aí pude ver meu valor, / Compreender que a razão de viver / É maior do que ter ou querer / Se você não quis ser minha razão, / Tola você”. O tormento segue na desbragada “Só Para o Seu Coração”, que parece um misto de Caetano Veloso com Eduardo Dussek.

A produção independente fica clara ao se saber que ele contou com a ajuda da família da esposa, Angela Breitschaft. O pai dela bancou o disco e o irmão Paulo fez as fotos da capa em Teresópolis. Certamente, eles não se arrependeram ao escutarem uma canção de extrema força dramática, como “Essa Tal de Mentira”: “De novo recomeçar, / Outra vez acreditar, / Compor, escrever, cantar, / Por música no ar…”. Tem um quê de Gonzaguinha e poderia – se é que não o fez – muito bem ter influenciado Chico César no modo de cantar. Mas nem tudo é tão desesperado. A prova é a animadinha “Meu Filho, Minha Filha”.

O único parceiro de Sérgio Sampaio nesse álbum é Sérgio Natureza, na balada “Cabra Cega”, que é sublime, graças ao saxofone tocado por Oberdam Magalhães e à letra que remete ao delírio coletivo e aos discos voadores. Nada mais setentista. A influência de Caetano Veloso também é nítida. Já Luiz Melodia participa do samba em homenagem a ele, “Doce Melodia”. Mas a proposta do álbum fica explícita mesmo é na faixa-título: “Não há nada mais bonito / Do que independente / E poder se conquistar, / Sair, chegar, / Assim tão simplesmente /… / Não há nada mais sozinho / Do que ser inteligente / E poder cantarolar, / Errar, desafinar / Assim sinceramente”.


A1 Homem de Trinta
(Sérgio Sampaio)
A2 Na Captura
(Sérgio Sampaio)
A3 Tolo Fui Eu
(Sérgio Sampaio)
A4 Só Para O Seu Coração
(Sérgio Sampaio)
A5 Essa Tal de Mentira
(Sérgio Sampaio)
B1 Meu Filho, Minha Filha
(Sérgio Sampaio)
B2 Cabra Cega
(Sergio Natureza, Sérgio Sampaio)
B3 Sinceramente
(Sérgio Sampaio)
B4 Nem Assim
(Sérgio Sampaio)
B5 Doce Melodia
(Sérgio Sampaio)
B6 Faixa Seis
(Sérgio Sampaio)