quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Humberto Gessinger - Canções de Amor, Filmes de Guerra [2018]

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Há 25 anos, em 1993, os Engenheiros do Hawaii lançaram o disco Filmes de Guerra, Canções de Amor. Como todos os meus registros ao vivo - seja com EngHaw, Pouca Vogal ou solo - ele trazia, ao lado de regravações, material inédito. Com o passar do tempo, percebi que as músicas que escrevo para estarem ao lado dos clássicos nestes trabalhos acabam formando um “álbum dentro do álbum”.

Para comemorar um quarto de século da gravação do Filmes de Guerra, Canções de Amor, regravei as quatro músicas inéditas do disco .

Nas versões de QUANTO VALE A VIDA e REALIDADE VIRTUAL, a releitura ficou a cargo de um trio acústico: toquei viola caipira ao lado de Paulinho Goulart no acordeon e Nando Peters no baixo. Paulinho participou do DVD inSULar Ao Vivo e Nando está presente nos meus trabalhos mais recentes.

Em MAPAS DO ACASO e ÀS VEZES NUNCA, estou no baixo, acompanhado por Rafa Bisogno na bateria e Felipe Rotta na guitarra. É o mesmo power-trio do DVD Ao Vivo Pra Caramba.

Este trabalho se chama Canções de Amor, Filmes de Guerra e, além das plataformas digitais, também estará disponível numa edição especial em vinil e CD que, além das quatro regravações, trará (apenas no vinil) as demos de ÀS VEZES NUNCA e QUANTO VALE A VIDA. São gravações caseiras que fiz em 1992, sem muita preocupação técnica, mas que registram bem o nascimento das canções.

Assim, a tour Ao Vivo Pra Caramba se renova e segue na estrada até março de 2019, quando começarei as gravações de meu novo disco. Ele trará canções inéditas, escritas entre fevereiro e outubro deste ano e deve ser lançado ainda no primeiro semestre do próximo ano.

Até lá, os shows ganham este novo elemento: o diálogo entre as inéditas de 1993 e as de 2018. Diferente de um livro, que podemos ler na velocidade que quisermos ou de um quadro que podemos apreciar no nosso ritmo, a música traz, em si, seu próprio tempo. Os segundos de um acorde, os minutos da canção, os três quartos de hora de um disco, as duas horas do show, o ano da tour, as décadas de uma carreira longeva. Tempos subjetivos, mas tão (ou mais) reais do que os do relógio. Como o pulso, o coração.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Nei Lisboa - Pra Viajar No Cosmos Não Precisa Gasolina [1983]

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Por Caio Miranda em Disco a Disco

Nei Lisboa morou em diversas capitais do país e nos EUA, mas gravou seu primeiro disco aqui mesmo, em 1983. Antes disso já tinha frequentado o Liceu Musical Palestrina e ingressou no Curso de Composição e Regência de UFRGS, isso em 77. Em 79 inicia sua carreira participando em espetáculos teatrais, como "Lado a lado" e "Deu pra ti, anos 70". Esse último virou trilha de filme homônimo em 81, com participação do ator Werner Schünemann (!!!). Nessa época, Nei trabalhava bastante em parceria com o (até então) futuro guitarrista do Engenheiros do Havaí, Augusto Licks, que já estava com ele em "Verde", show que apresentavam em 81.

"Pra viajar no cosmo..." foi gravado e lançado de forma independente, com dinheiro que Nei conseguiu com amigos. Mesmo sendo um disco indie e de estreia, impressiona pela qualidade da gravação, a riqueza de arranjos e instrumentos usados nas canções, como por exemplo:


1. A tribo toda em dia de festa

Primeira faixa, já mostra a que veio. Um reggae cheio de instrumentos de percussão (muitos mesmo!), atabaques, bongôs, agogô, carrilhão, sinos, até barulhinhos de pássaros. Doidera. Tem uma harmonia instrumental muito bem feita, tudo conversando bem. A letra é uma viagem pop, mas já mostra algum tipo de engajamento político de Nei (que depois se torna mais forte). O meio da faixa tem uma quebra de tempo, uma levada mais pop, com melodias jazzy, quebra essa bem característica das faixas desse disco. Essa entrou no "Deu pra ti, anos 70".


2. Me chama de Robert

Essa faixa é demais, letra extremamente debochada e hedonista ("Quando bebo bebo até cair, quando fumo viro chaminé"), um frevinho nervoso (meio marchinha de carnaval, também), que também tem uma quebra de tempo incidental, um 4/4 bem lentinho, genial. Acho que é a faixa mais divertida do disco. Uma verdadeira ode aos vícios, diversão, prazeres e ressacas.


3. Não me pergunte a hora

Mais lentinha, uma coisa meio blues, meio jazz, bem mais melódica que as anteriores e uma das mais dramáticas. Com um tom romântico/nostálgico no som e na letra, tem dois belos solos de piano e guitarra, no melhor estilo "piano bar". Essa, aliás, foi feita em parceria com o Licks.


4. Síndrome de Abstinência

Essa tem caráter bem regional, pelo menos na estética do som, lembra algo muito popular da região dos pampas, Paraguai (que aliás está na letra). A letra é genial porque de forma bem sutil Nei fala de uma espécie de "seca" de maconha ("Lembro dos tempos de fartura, Maria, Joana, todo mundo tinha..."). Um cool jazz incidental traduz bem a "viagem" do cara. Ou a falta dela, rs. Maravilhoso exemplo de como Nei usa referências regionais combinadas com temas globais.


5. Doody II

Som mais melancólico, intimista, apenas violão e voz. Parece que Nei faz algum tipo de auto reflexão na letra, fala de se olhar no espelho. Outra que entrou no "Deu pra ti, anos 70".


6. Pra viajar no cosmo não precisa gasolina

Outra parceria de Nei e Licks. Tem um pouco da pegada de blues/jazz de "Não me pergunte a hora", um tanto mais bem arranjada, mais complexa em harmonia, mas também tem uma roupagem mais pop. Além de uma guitarrinha bem blues do Licks. A letra é bem sarcástica, também com uma conotação bem mais política ("O povo tem fome, o povo quer comer"). Aliás, o Nei era irmão do Luiz Eurico Tejera Lisbôa, perseguido e desaparecido político durante o regime militar dos anos 60.


7. No, No Chance

Canção de Luiz Carlos Galli, o "Boina", compositor gaúcho amigo e parceiro de Nei e Licks ("Verdes" era uma parceria entre os três). Cool jazz bem comportado, é na verdade uma grande piada, porque a letra diz basicamente "I have no chance in jazz, because a sing brazilian songs", e aquele jazzínho maroto de fundo. Aí vem o melhor, quando ele canta "I sing the samba" o tempo quebra num 2/4 sincopado, e quando ele canta "I sing the frevo", o frevo come solto, caindo sempre de volta pro jazz. Simplesmente genial. 


8. Rabo de Foguete

Minha faixa favorita. Que coisa linda a harmonia entre teclados, guitarra e baixo. Aliás, todos os instrumentos aqui merecem atenção. Os riffs precisos de guitarra, o teclado que "leva" o som, uma linha de baixo sofisticadíssima. E a bateria, então? Muito bem marcada, dinâmica, cheia de "truques". Não sei descrever bem a estética, mas é um som bem positivo, marcação forte de chimbal (no melhor estilo "bate estaca"), melodias suaves, harmonias jazzísticas, sei lá. Talvez "fusion melódico brasileiro", kkkkk! E o melhor, a letra fala sobre uma mina doida, dessas que bebe, fuma, fala palavrão e arruma briga, foi escrita em parceria com um tal de Iotomar Polsko.


9. Exaltação

Mais uma regionalista, no que parece ser literalmente uma exaltação ao chimarrão, ou melhor, a erva que vai na bebida, o chimarrão Crioulo. Basicamente isso, são bem bacanas os arranjos de violões, lembra mesmo (se eu não estiver bem enganado) algo como o som da catira. 


10. Sinal Azul

Essa faixa tem clima mais ameno, também mais inclinada ao popular e regional, composta por Nei, Licks, Glauco Sagebin (tecladista de Nei) e Peninha (não sei se é o mesmo de "Sonhos"). A letra, porém, é bem tropicalista, mistura índios com anjos e Exu e blue jeans. Parece uma canção que nos lembra que somos todos iguais, nesse sinal azul... digo, planeta azul. Tem um solo lindo de piano no final, um piano bem "campestre", do Glauco. 


11. Água Benta 

A última faixa é bem animada, tem um instrumental foda também, me lembra o fusion/jazz/soul de bandas como Azymuth e Grupo Medusa, cheios de virtuose e feeling, tempos quebrados. A letra é totalmente naturalista (óbvio), fala da água, da vida, do planeta e do corpo humano. Composta por Nei, Licks e um tal Clóvis Frimm. Fecha bem o disco, é bem pra cima, e mostra o melhor da banda... 

Que infelizmente eu não consegui descobrir quem são (fora o Glauco Sagebin). Infelizmente tem pouca informação na web sobre esse disco. Mas vou caçar essa e prometo que faço um post extra. Os títulos das das faixas também são links pras letras. Dá pra ouvir ele na íntegra no YouTube (vídeo abaixo). Espero que tenham gostado. Comentem, por favor. No próximo post o segundo disco, "Noves Fora", de 1984. Valeu! \o/

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Bebeco Garcia - Confidencial [2003]

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1 - Sorte no Amor
2 - Pra Mais de Mil Alto-Falantes
3 - Você Ainda É Um Misério
4 - Mexe Rebola
5 - Eu Sei Que Você Sabe
6 - Pra Ela
7 - Pouco Importa
8 - Hotel Virtual
9 - Vitória
10 - Acredita em Mim

Mortal Kombat Musical

Por Ruan Matheus

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Molho Negro - Não É Nada Disso Que Você Pensou [2017]

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Por Vladmir Cunha em Whiplash

O tempo e a maturidade são os maiores inimigos do rock. É difícil envelhecer num ramo movido às crises existenciais que precedem a vida adulta. Como me disse certa vez um conhecido rockstar brasileiro: "eu comecei a me achar meio ridículo cantando sobre temas 'juvenis' com apartamento, grana no banco e carro na garagem".

Mesmo sem grana, sem apartamento e sem as toalhas brancas no camarim o Molho Negro, já neste segundo disco, coloca em xeque a sua perspectiva artística e a sua visão de mundo. E deu um passo necessário para seguir em frente sem se tornar uma caricatura de si mesmo. A angústia e a raiva continuam, mas surgem de outros questionamentos e percorrem novos caminhos. Sai a preocupação de pegar uma menina na festinha ou de estar em dia com "as novas bandas da moda" e entra o choque absoluto de viver em um país brutal e desigual, em um tempo e espaço marcados por egoísmo, violência, consumismo e darwinismo social.

É como se Travis Bickle, o angustiado motorista de Taxi Driver, largasse o carro no acostamento e saísse para comprar uma guitarra na loja de penhores mais próxima. Se Travis era um termômetro emocional para os problemas da Nova Iorque dos anos 1970, o Molho Negro cumpre a mesma função no Brasil de 2017. O choque e o poder de observação são os mesmos. Não trancado em um táxi com uma arma na mão, mas em um estúdio caseiro gravando um track de guitarra.

Mas o rock, esse estilo gregário por natureza, se apresenta aqui como uma saída e não como um fim. Essa possibilidade de redenção pessoal e de construção coletiva muitas vezes atrapalhada pela noção, em voga no momento, de que a música pop é escapismo adolescente e não pode ser tratada como nada mais que isso. Pelo contrário. "Não é nada disso que você pensou" sugere que é possível essa conciliação. "Classe Média Loser", "SUV", "Mainstream" e "Ansioso, Deprimido, Entediado" são alguns dos mini-manifestos surgidos dessa capacidade de observar a
realidade de um país cada vez mais sombrio e sem perspectivas.

A mudança é temática e também sonora. Uma engenharia de som adulta e obscura, que tangencia o clima de tensão social que dá o tom dessa nova fase do Molho Negro. O recado é direto: a violência nos espreita e viver é um perigo. Mas tempos perigosos podem ser, também combustível para a criatividade. A relevância está em saber o que tem que ser queimado.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Huey - Ma [2018]

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Ma é a palavra japonesa usada para identificar um espaço ou pausa entre duas partes. Sugere intervalo, une uma coisa a outra. Ma é também o segundo disco do quinteto paulistano Huey, sucessor do aclamado Ace, de 2014.

Quatro anos se passaram, e Ma, sob a perspectiva do Huey, é mais que intervalo: é conexão. Em 8 faixas, o disco nos traz variadas possibilidades de preencher o vazio e o espaço com riqueza instrumental, além de demonstrar trânsito fácil entre o peso e a sutileza. Muita teoria? Então imagina o silêncio valorizado pelas entradas e saídas das guitarras incandescentes de Vina, Dane e Minoru e pela cozinha furiosa de Vellozo (baixo) e Rato (bateria), evidenciado pela produção do norte-americano Steve Evetts (The Dillinger Escape Plan, Sepultura, The Cure), que capturou o vigor espontâneo da banda e o expandiu em camadas ainda mais definidas. A masterização, a cargo de Alan Douches (Baroness, Year of No Light, Earth), deixa a propulsão sonora do Huey ainda mais explícita.

Com um segundo álbum, as marcas próprias de uma banda se tornam mais nítidas, e uma que sobressalta no Huey são as admiráveis mudanças de dinâmica em cada música. Como se cada faixa se desmembrasse em três, quatro, cinco estruturas próprias, autônomas, mas que quando ouvidas juntas, estabelecem um corpo sonoro único e diferente. Um soco de vitalidade proposto em riffs rasgados, acordes proeminentes e graves em plena combustão com as batidas. É uma exaltação à criatividade permitida pela música, que consegue contar histórias diferentes a partir de bases comuns.

E qual história o Huey quer contar com as músicas de Ma? A julgar pelas emendas improváveis em cada compasso, conectando o que parecia então inconectável, assimilando o que é diferente sem colocar nele um véu de semelhança, é uma história de pluralidade e de reconhecimento das diferenças. Uma espécie de antagonismo às tendências, mas despretensioso. Quando o movimento mundial parece ser de se fechar em comunidades baseadas na concordância, inclusive na arte, o Huey propõe o apagamento de fronteiras como nota primordial de suas músicas.

O que traz peso, propulsão e relevância a uma música? Certamente é a forma com que melodias, linhas, batidas e riffs são costurados. Mas até que ponto as influências precisam traduzir, de maneira explícita, o som de uma banda? A resposta, em Ma, é imprevisível. Sabe aquele ponto imaginário onde o hard rock Sunset Strip se encontra com o nerdismo do Rush, com a brutalidade do Sepultura, com a visceralidade do Neurosis, com o experimentalismo do Faith No More? Com a delicadeza de Emma Ruth Rundle, a velocidade do thrash, com o sentimento calamitoso do Napalm Death, com a poesia do post rock e com a globalização do Asian Dub Foundation?

Acredite, esse imaginário é traduzido em canções. Mais especificamente, nas poderosas “Pei”, “Wine Again”, “Zero”, “Mar-Estar”, “Inverno Inverso”, “Adeus Flor Morta”, “Fogo Nosso” e “Mother’s Prayer”, que despertam peso a partir dos tempos, flertam com o blues e com o noise, abraçam o stoner e o doom como canal de comunicação do metal e fazem guitarra, baixo e bateria materializarem versos emocionantes, por vezes apoteóticos.

Dos repertórios distintos dos cinco amigos emerge uma identidade afeita à construção e à singularidade. O Huey assume uma personalidade cada vez mais… Huey. Com assinatura própria, a banda mostra um segundo disco confiante de seu ponto de partida e completamente aberto aos caminhos improváveis que a arte pode tomar. É o registro onde o quinteto lapida o peso de suas expressões mais desenfreadas e o reveza com momentos melancólicos e reflexivos, endossando a riqueza de emoções da vida.

FICHA TÉCNICA

Produzido por Steve Evetts
Gravado no Family Mob Studios por Steve Evetts
Mixado por Steve Evetts e masterizado por Alan Douches
Arte por Fábio Cristo
info@hueyband.com
Spotify: Hueyband

SOBRE A BANDA

domingo, 21 de outubro de 2018

Huey - ¡Qué No Me Chingues wey! [2011]

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O HUEY é uma banda formada por cinco amigos que decidiram buscar um caminho diferente, fazendo música sem muitas regras e querendo sempre algo novo.

Em 2010 fizeram sua estreia nos palcos, o que rendeu à banda o primeiro lugar no festival Tech, Brands and Rock n’ Roll.

O HUEY era a única banda instrumental presente no festival. E a unanimidade entre jurados e público provou que muita gente se identifica com esta vertente musical.

Em novembro do mesmo ano participaram e conquistaram o primeiro lugar do Festival PIB. Um evento importante e inovador do circuito da vanguarda instrumental brasileira.

Em resposta, ocuparam por 6 semanas o TOP 40 do portal Trama Virtual, participaram dos programas Ensaio (TV Trama), Oi Novo Som e Showlivre.

Ainda em 2010, lançam ¡Que no me chingues wey!. Um EP com quatro músicas que teve todas as cópias esgotadas em apenas um dia e rendeu uma parceria com o selo Sinewave.

A gravação ficou nas mãos de Bernardo Pacheco (Elma), no estúdio Fábrica de Sonhos. Ele também gravou e produziu alguns artistas importantes e de diferentes vertentes como Ratos de Porão, Guizado, M.Takara e Are you God?

Já em 2011, o HUEY pôs no ar o novo site, com todo o material disponível da banda, como: músicas (EP em streaming e para download), vídeos, fotos, pôsteres. Em março iniciam a turnê brasileira de divulgação no sul do País, em pleno carnaval.

A cada show, uma nova arte visual é produzida em conjunto com diferentes artistas. Assim, no espírito coletivo, eles produzem um evento único em celebração à música.

domingo, 14 de outubro de 2018

Canhoto da Paraíba - Pisando em Brasa [1993]

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Por Eugenio em brazilianguitar.net

Francisco Soares de Araújo, cujo nome artístico é Canhoto da Paraíba, nasceu em 1927 (embora só tenha sido registrado em 1928) na pequena cidade de Princesa Isabel, interior da Paraíba. Canhoto da Paraíba é um dos três raros casos de violonistas e virtuoses brasileiros que tocam violão canhoto sem inverter as cordas.

Ele nasceu numa família musical e o violão era tocado por seu pai e compartilhado com outros membros da família. Canhoto sempre se interessou em tocar, mas não conseguia fazê-lo como se fosse destro e nem podia trocar as cordas, de maneira que acabou aprendendo sozinho e desenvolvendo sua própria técnica.

Músico muito talentoso, começou a criar suas próprias composições ainda novo, e valsas e choros eram seus estilos preferidos. Quando Canhoto Paraíba se mudou para o Rio de Janeiro, todos ficaram assombrados com sua técnica e a qualidade das suas composições. Seus choros têm um sabor nordestino e suas idéias harmônicas eram deveras interessantes e incomuns naquela época.

Infelizmente, Canhoto parou de tocar e compor devido a um derrame que o deixou parcialmente paralisado e comprometeu sua capacidade de tocar o instrumento.


1 - Pisando Em Brasa (Temas Incidentais - Asa Branca E Vassourinhas)
2 - Tá Quentinho
3 - Reencontro Com Paulinho
4 - Memórias De Sebastião Malta
5 - Lá Vai Barreira
6 - 19 De Março
7 - Mulher Rendeira
8 - Glória Da Relâmpago
9 - Lourdinha
10 - Escadaria
11 - Ilha De Santo Aleixo
12 - Codão Amigo

domingo, 30 de setembro de 2018

Tim Maia - Disco Club [1978]

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Por Topsify

Mesmo que você não esteja tão por dentro da carreira de Tim Maia, só precisa bater o olho nas faixas de "Disco Club" (1978) para entender toda a importância do álbum. Suas três primeiras canções, "A Fim de Voltar", "Acenda o Farol" e "Sossego", foram alguns dos maiores sucessos do cantor, e, hoje, o trabalho é considerado um dos mais importantes da sua carreira. Além de ter representado o histórico mergulho do soulman brasileiro na disco music, o álbum teve nas suas gravações alguns dos episódios mais conturbados do cara dentro de estúdio, nos quais a genialidade de Tim se sobressaiu a tudo e a todos! 

A simples escolha do cara por um álbum de disco music deu início às polêmicas, já que o estilo era visto pelos puristas como uma visão "branca" para gêneros de origem negra como funk e soul. Tim pensava diferente - via as batidas dançantes e os trajes extravagantes como algo "complementar" à sua cultura e não teve medo de assumir a responsabilidade, mostrando que também quebrava tudo no som das pistas! O caminho até o resultado final, porém, teve alguns percalços.

Tim reuniu um time de músicos realmente incrível em estúdio, desde o ainda jovem Pepeu Gomes até o cantor e compositor Hyldon e o produtor Guti Carvalho. No entanto, ainda faltava uma das partes mais importantes de qualquer trabalho de disco music: os arranjos orquestrais, que contagiavam tanto quanto as batidas ou as guitarras. Depois da recomendação de Guti, o cantor chamou o maestro argentino Miguel Cidras para trabalhar nos arranjos, mas o trabalho do portenho demorou para agradar o soulman - chegando a ocasionar o momento mais tenso do processo. 

Nas gravações das cordas de "Pais e filhos", capitaneadas por Cidras, Tim surtou com o que estava ouvindo e chamou Guti para conversar. O arranjo do argentino era muito semelhante à melodia da voz do cantor, deixando alguns momentos bastante confusos - não dava para diferenciar se era Tim cantando ou os instrumentos ressoando. Segundo o biógrafo Nelson Motta, o soulman falou exatamente: "Pô, Guti, já te falei pra não chamar esse cara, mermão. Ele faz esses arranjos quatro-quatro-meia e assim não dá pra cantar.” O grande problema é que o produtor havia esquecido o microfone do estúdio aberto, e Cidras e a orquestra inteira ouviram a reação do cantor.

No linguajar de Tim, "quatro-quatro-meia" significava algo "menor que cinco", pior que mais ou menos/medíocre - e todos sabiam o que o cara queria dizer. Depois das frases, a reação de Miguel Cidras foi imediata: ele saiu de dentro do estúdio gritando com Tim e o derrubou, começando uma confusão generalizada. Os ânimos demoraram a se acalmar, com os dois se debatendo no chão e xingando um ao outro. Quando enfim pararam, toda a equipe foi para uma salinha separada e passou por uma verdadeira DR, de onde saíram conclusões essenciais para a finalização do álbum. 

O cantor resolveu chamar o lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti para o restante das faixas, e os arranjos novos realmente se mostraram melhores - mais sofisticados, mas sem deixar de grudar na cabeça. No fim das contas, metade do disco ficou com o trabalho de Cidras e a outra com o de Olivetti - e uma verdadeira obra-prima nasceu. 

Tim Maia era assim: do meio da confusão e de mil polêmicas, emergia a genialidade! 


A1 - A Fim De Voltar
(Hyldon, Tim Maia)
A2 - Acenda O Farol
(Tim Maia)
A3 - Sossego
(Tim Maia)
A4 - Vitória Régia Estou Contigo E Não Abro
(Tim Maia)
A5 - All I Want
(Tim Maia)
B1 - Murmúrio
(Cassiano)
B2 - Pais E Filhos
(Arnaud Rodrigues, Piau)
B3 - Se Me Lembro Faz Doer
(Tim Maia)
B4 - Juras
(Tim Maia)
B5 - Jhony
(Tim Maia)

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Tim Maia [1977]

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8º álbum do síndico, um excelente álbum, vindo na mesma vertente do álbum anterior, muito Soul Groove e Funk, o destaque do álbum foi "Pense Menos", tema da Telenovela "Sem Lenço, Sem Documento" de 1977, "Venha Dormir em Casa" e "Não Esquente a Cabeça", foram sucesso garantido, o que rendeu uma grana para o Tim poder prensar o seu álbum em Inglês em 1978. os grooves são: "Verão Carioca" e "Flores Belas", mas no geral muito bom.


A1 - Pense Menos
(Paulinho Guitarra, Tim Maia)
A2 - Sem Você
(Paulinho Guitarra, Tim Maia)
A3 - Verão Carioca
(Paulinho Guitarra, Paulo Roquete, Reginaldo Francisco, Tim Maia)
A4 - Feito Para Dançar
(Paulinho Guitarra)
A5 - É Necessário
(Tim Maia)
A6 - Leva O Meu Blue
(Tim Maia)
B1 - Venha Dormir Em Casa
(Tim Maia)
B2 - Música Para Betinha
(Carlos Simões, Paulinho Guitarra, Reginaldo Francisco, Tim Maia)
B3 - Não Esquente A Cabeça
(Carlos Simões, Tim Maia)
B4 - Ride Twist And Roll
(Tim Maia)
B5 - Flores Belas (Instrumental)
(Tim Maia)
B6 - Let It All Hang Out
(Tim Maia)

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Sérgio Ferraz - Concerto Armorial [2014]

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Por Sérgio Ferraz em Tratore

Concerto Armorial é o quinto CD do violinista e compositor pernambucano, Sérgio Ferraz. Neste CD, Ferraz apresenta seu Concerto Armorial para violino e orquestra composto e solado pelo próprio Sérgio Ferraz e acompanhado pela Orquestra de Câmara de Pernambuco. O concerto divide-se em três partes, cada qual com um ritmo característico pernambucano. Essa obra foi dedicada ao Escritor Ariano Suassuna. Além do Concerto, destaca-se também a Suite Ibérica, para violino, violão flamenco e percussão. Também a Suite Mouresca-Nordestina para rabeca e percussão e a Sarabanda Mouresca para rabeca solo.


1 - Travessia e Tormenta
2 - Festa na Aldeia
3 - A Chegada (Saudade)
4 - Sonata Romanesca
5 - Cortejo (abertura)
6 - Cantiga e Dança
7 - Armoriando
8 - Sarabenda Mouresca
9 - Mestre Salu (Brincadeira)
10 - Lamento
11 - Zumbi

sábado, 22 de setembro de 2018

Sérgio Ferraz - Dançando Aos Pés de Shiva [2011]

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Por Sérgio Ferraz em Tratore

Dançando aos Pés de Shiva é o primeiro trabalho solo do violinista e compositor pernambucano Sérgio Ferraz. O CD contem 12 faixas autorais e foi todo produzido, arranjado e executado pelo próprio Sérgio que além do violino elétrico toca também no CD piano e teclados. O trabalho conta ainda com a participação do percussionista Jerimum de Olinda em 6 músicas do CD. Trata-se de um trabalho instrumental onde o violino elétrico é o instrumento solista explorando diversos timbres, e dialogando com a percussão.


1 - O Caminho Iniciático
2 - A Sublime Ciência e O Soberano Segredo - part 1
3 - A Grande Batalha de Arjuna
4 - O Conselho de Krishna
5 - Lamento
6 - Zumbi
7 - Deus dos Ventos
8 - Ventos Solares
9 - A Sublime Ciência e O Soberano Segredo - part 2
10 - Xaxado Eletroacústico

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Cálix - Caminhante [2017]

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Um ser que se move, que vai em frente. Não há espaço pra outra imagem quando o nome caminhante é dito. É direto, sonoro, um sopro adiante. Como o mais novo trabalho do Cálix. Um calejado caminhante sabe como poucos usufruir de tamanha liberdade. Como nos versos da faixa-título: “Não vá duvidar de onde quer chegar. Tudo está em seu lugar. O que foi e o que será.” E é exatamente o que o quarteto experimenta nesse novo disco, que alterna as passadas entre o inglês e o português, podendo se dar ao luxo de encerrar a jornada com um tema instrumental com título em espanhol – Passeo por los Campos de Maiz. Seria um rock progressivo de curta duração ou um sonho delirante com a concisão de uma pop song?

Um caminhante costuma carregar uma bagagem de vida que ninguém vê. Afinal, seria ele um andarilho, um trabalhador, um sonhador, um fugitivo? Ou um pouco de tudo isso? Cada um que use seu leque pessoal de referências pra tentar decifrar os diferentes trechos percorridos por esse organismo vivo cheio de histórias, notas, acordes e segredos, traduzidos em música de ontem, hoje e sempre, aliás, o que melhor define algo ou alguém que está em progressão, caminhando sem parar.


1 - Barco À Vela
2 - Can You See It?
3 - Não Vou Além
4 - Mil Coisas
5 - Caminhante
6 - Go For it
7 - Sempre Assim
8 - Magic Summer
9 - Duality
10 - Valsa Pagã
11 - Passeo Por Los Campos De Maiz

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Egberto Gismonti - Sol do Meio Dia [1978]

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Por Márcio Aquino em Palavras Domesticadas

Egberto Gismonti é um músico que sempre me chamou a atenção. Seu trabalho é riquíssimo, e transita por várias vertentes musicais com grande desenvoltura. Multiinstrumentista, compositor e arranjador dos mais respeitados aqui e no exterior, Egberto tem uma discografia em que podemos encontrar diversas obras-primas. Possuo uma boa parte dessa discografia em vinil, e poderia enumerar vários de seus discos, mas vou destacar Sol do Meio Dia, de 1978. Na ocasião de seu lançamento, o crítico Roberto Muggiati escreveu a seguinte resenha, para a revista Manchete, intitulada O Xingu em Oslo:

"Não se pode falar no novo Lp de Egberto Gismonti, Sol do Meio Dia (EMI-ODEON), sem mencionar Manfred Eicher, dono das Edições de Música Contemporânea (ECM) e produtor deste álbum, gravado em Oslo. Esse jovem alemão, que já foi contrabaixista da Filarmônica de Berlim, lançou uma nova filosofia no mercado fonográfico: produzir 'música através de composições improvisadas espontâneas, em vez de colocar tudo no papel para ser executado por um intérprete clássico acadêmico'. Não só seu lema deu certo, como a ECM criou até um som próprio, embora dê aos músicos a maior liberdade, a ponto de permitir as edição de coisas como um álbum de dez LPs de Keith Jarrett, feitos exclusivamente de solos de piano. Chick Corea, Gary Burton, Pat Metheny e Jack Dejonette são outros jazzmen que separam o seu trabalho mais comercial, feito nos EUA, da parte pura que fazem, geralmente na Europa, com a ajuda de Eicher - e ajudando-o, também, pois a ECM se tornou um sucesso.

Depois de Dança das Cabeças, Eicher volta a Gismonti. E outros ecemistas acompanham o brasileiro neste Sol: Jan Garbarek (sax), Ralph Towner (violão), Collin Walcott (tabla) e Naná Vasconcelos (percussão). Gismonti toca violão, piano, flauta de madeira e canta. Esse LP coloca a questão típica nos casos dos álbuns da ECM: seria jazz? Parece ser música de vanguarda, sem a camisa-de-força de rótulos mais específicos.

Assim como Jarrett na ECM se afasta das raízes do jazz e pende mais para o erudito, Gismonti parece se distanciar do que seriam as raízes desse LP - 'dedicado a Sapaim e os índios do Xingu' - para operar num nível musical mais elaborado. Como ele mesmo escreve no Jornal Caipira que acompanha o disco, 'tem uma brecha entre a razão e a loucura/o acabado e o provisório/a natureza e a cultura/a vida e a arte. Vamos procurar'."


A1 - Palácio De Pinturas / Construçao Da Aldeia
A2 - Raga / Festa Da Construção
A3 - Kalimba / Lua Cheia
A4 - Coração / Saudade
B1 - Café
B1.1 - Procissão Do Espírito
B1.2  - Sapain / Sol Do Meio Dia
B1.3 - Dança Solitária No. 2 / Voz Do Espírito
B1.4 - Baião Malandro / Fogo Na Mata / Mudança

domingo, 16 de setembro de 2018

Egberto Gismonti - Solo [1979]

Mega .flac


A1.1 - Selva Amazonica
A1.2 - Pau Rolou
A2 - Ano Zero
B1 - Frevo
B2 - Salvador
B3 - Ciranda Nordestina