sábado, 23 de março de 2019

Marya Bravo - Água Demais Por Ti [2009]

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Por Câmbio

Conheço Marya Bravo há muito tempo. Mesmo antes dela nascer. O ano era 1966 e o saudoso Bruni-Copacabana (hoje, um paraíso chamado “Modern Sound”) recebia um bando de pré-adolescentes e adolescentes louco pelos Beatles que, viam, diariamente, das 14hs às 18hs, “Help!”, aos gritos. Uma das fãs mais exaltadas era, justamente, a Lizzie Bravo. Pouco tempo depois, na verdade, um par de anos, a Lizzie sumiu. Cadê a Lizzie? “Foi atrás do sonho, Flávio”, ouvi.

1969. Ano de um dos melhores “álbuns” dos Beatles, “Abbey Road”. Na faixa “Across The Universe”, lá estava o nome dela no coro, para espanto de todos nós: “Lizzie Bravo”. Ela conseguiu! Era impossível acreditar. Às vezes, como num desenho da Disney, o sonho se torna realidade.

Desde então, perdi o contato da Lizzie. Os Beatles acabaram em 1970, fui fazer jornalismo e soube que Lizzie casara com o papa do rock rural, Zé Rodrix, com quem havia tido uma filha, Marya. Já na década de 1990, o jornalismo não fazia mais parte da minha vida – estava metido na atividade teatral até a raiz dos cabelos – quando soube da existência profissional de Marya como atriz de musicais. “Canta pra cacete”, me disseram. “Também, com esse DNA…”, pensei eu. Mas o que não me disseram e o que eu não sabia é que ela era um das nossas melhores atrizes-cantoras, dona de carismática presença cênica e de uma das mais lindas vozes do teatro brasileiro. Qualidades que tive oportunidade de acompanhar de perto quando ela interpretou uma arrebatadora Ângela Maria num musical de minha autoria, “Cauby! Cauby!”

O ano era 2006 e, volta e meia, Marya me falava do sonho de lançar seu primeiro cd, cuja elaboração já rolava há seis anos. Marya canta MPB e musical americano como ninguém, mas, com o “encosto” do rock rural e dos Beatles, Miss Bravo, como não poderia deixar de ser, é roqueira – na alma e no coração. Mas o disco tava difícil de sair.

E não é que, em pleno 2009, com a obsessão das grandes cantoras e com a determinação das grandes atrizes, Marya está conseguindo lançar o seu “Água Demais Por Ti” – nove anos depois? E, deixando de lado todo o carinho pessoal, devo confessar que valeu a espera. A estréia fonográfica de Marya é das mais promissoras que ouvi nos últimos tempos. E olha que o que tenho ouvido de talento emergente nestes três anos graças ao “Som Brasil” não está no gibi…

O CD é bom porque a cantora não nega suas raízes, sua formação, nem seu gosto pessoal. A tal “verdade” que a gente tanto procura num palco está lá, impressa em cada faixa. E a sua verdade promove um encontro de Beatles, Mutantes e Secos & Molhados (coisas que Lizzie sempre colocou para ela ouvir) com o que ela curte no momento: a cena undergound hardcore atual. Esta pororoca de estilos que desembocou em “Água Demais Por Ti” encontrou uma unidade de sonoridade muito em função dos músicos diferentes que ela escolheu para ajudá-la no sonho: nomes de formação clássica juntando-se a outros ligados à contemporaneidade.

Mas não foi nada de “caso pensado”. Como ela levou cinco anos gravando o cd, o conceito dele foi surgindo, aos poucos, meio ao acaso, na medida em que ela ia formando a banda. “Virou quase um disco de banda, admite Marya, quase ao vivo, sem participações, de rock bem tocado.” E muito bem produzido por Carlos Trilha – que trafega, com naturalidade, pelos universos musicais propostos pelo cd.

“Fiz como eu quis, no meu tempo, sem compromissos com o mercado musical – até porque a minha sobrevivência vem do teatro”, confessa Marya. Resultou num disco autoral e muito pessoal sob todos os pontos de vista: grande parte das músicas leva a assinatura da própria cantora. “O disco todo fala de relacionamentos pessoais que não deram certo. A cada desgosto amoroso, eu me rasgava toda e saía uma música.” O resultado são letras que têm a força do vômito e uma comunicação clara, direta, sem rodeios.

Então, entra em cena a cantora. Como é bom – e raro – ouvir uma vocalista de banda de rock que sabe cantar! Além de boa cantora, de voz afinada, belo timbre, volumosa e de grande extensão, ouvimos uma intérprete que não nega a “práxis teatral” e se apropria das letras, como uma boa atriz. Basta ouvir suas muito pessoais regravações de “Fala”, “Pra Você Gostar de Mim” e “Imitação da Vida” pra gente ter certeza disso.

“É até meio irônico que este cd só esteja saindo agora, quando estou casada e feliz e que meu pai já não esteja mais aqui para ouvi-lo”. O sonho de Zé Rodrix, como está bem estampado em seu maior sucesso, “Casa No Campo”, era ter “um filho de cuca legal”. Ele deve estar muito feliz de saber que, mais do que isso, ele teve uma filha de extraordinário talento. Às vezes, os sonhos, realmente, se tornam realidade.

Ficha Técnica do álbum: Produzido por Carlos Trilha Co-produzido por Nobru Pederneiras Mixado e Masterizado por Carlos Trilha (Orbita Studio RJ) Gravado por Carlos Trilha (Orbita Studio RJ) Arranjos Nobru Pederneiras e banda

Serviço:

Marya Bravo
Daniel Martins – Baixo
Nobru Pederneiras – Guitarra
Pedro Garcia – Bateria


1 Se Deixe
(Marya Bravo)
2 Relacionamento Saudável
(Rockz
3 Nós
(Marya Bravo, Bobru Pederneiras
4 Pra Você Gostar de Mim
(Vital Farias
5 Vazio
(Marya Bravo
6 Imitação Da Vida
(Batatinha
7 Fala
(João Ricardo, Luhli
8 Água Demais Por Ti
(Marya Bravo, Mauro Diniz
9 Cólera
(Marya Bravo, Nobru Pederneiras, Tiago Tostes
10 Clássica
(Benflos
11 Contos de Fadas Tropical
(Marya Bravo

terça-feira, 19 de março de 2019

Marya Bravo - De Pai Para Filha - Marya Bravo Canta Zé Rodrix [2011]

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Marya Bravo,filha de Zé Rodrix, canta a obra de seu pai nesse disco gravado em estúdio, resultado do show apresentado no Rio de Janeiro com sucesso de crítica e público.


1. Roupa Prateada
(Zé Rodrix)
2. Casa no Campo
(Tavito, Zé Rodrix)
3. Ama Teu Vizinho
(Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix)
4. Casca de Caracol
(Zé Rodrix)
5. Hoje Ainda É Dia de Rock
(Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix)
6. Primeira Canção da Estrada
(Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix)
7. Eu Vou Comprar Esse Disco
(Lamis, Zé Rodrix)
8. Hey Man
(Tavito, Zé Rodrix)
9. Eu Preciso de Você para Me Ligar
(Zé Rodrix)
10. Soy Latino Americano
(Livi, Zé Rodrix)
11. Quando Você Ficar Velho
(Zé Rodrix)
12. Mestre Jonas
(Guarabyra, Luis Carlos Sá, Zé Rodrix)

Egberto Gismonti - Dança dos Escravos [1989]

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Por Márcio de Aquino em Palavras Domesticadas

Na véspera da data de lançamento de mais um disco - "A Dança dos Escravos", Egberto Gismonti ganharia destaque na edição de 17/12/89 do jornal O Globo, numa entrevista em que fala de seu novo trabalho. Seria o segundo disco lançado pelo músico naquele ano. A matéria, intitulada "Samplers fora da tomada", é assinada por Helio Muniz:

"Egberto Gismonti tirou os samplers da tomada e está lançando um LP sem acompanhamentos eletrônicos. Em 'A Dança dos Escravos' as engenhocas high-tech foram banidas. O disco é de Egberto Gismonti e seu violão, está pronto há sete meses, foi gravado na Suécia e lançado em toda a Europa. Aqui no Brasil, 'A Dança' chega às lojas amanhã, com 200 mil cópias vendidas, segundo a EMI-Odeon.

Apesar da expectativa de sucesso, Gismonti não vai fazer nenhuma turnê nacional para divulgar este que é o seu segundo lançamento em menos de um mês. O primeiro foi 'Kuarup', com a trilha sonora do filme de Ruy Guerra, que ele considerou 'uma ação entre amigos'.

Completando 21 anos de carreira, Gismonti diz que a trilha é um dos trabalhos mais bonitos de sua vida, mas admite ser parcial quando faz coisas com os amigos. E em 'Kuarup', Gismonti é amigo de todo mundo. Antonio Callado foi o primeiro a entrar no circuito, em 1968, quando lançou o romance 'Quarup' e pediu ao compositor para musicar o livro. Depois chegou Ruy Guerra, que encomendou a trilha sonora. Por último, veio Mário de Aratanha, dono da Kuarup Discos, gravadora que lançou o LP.

São grandes as diferenças entre os dois trabalhos. Enquanto em 'Kuarup' há duas orquestras - uma é a Transarmônica D'Amla D'Omrac, modo como Egberto chama seus samplers e computadores - na 'Dança dos Escravos' o músico optou pela simplicidade. Para Gismonti, cada trabalho nasce de uma forma diferente, não há fórmulas ou caminhos a serem seguidos:

- 'A Dança' é meu primeiro disco com violão puro, e estou muito ligado nele. Mas não significa que vou trabalhar sempre assim. Meu próximo disco pode ser completamente diferente. Gosto de experimentar e adoro os instrumentos eletrônicos.

Os compromissos internacionais não deixam muito espaço em sua agenda. Ele viaja para os Estados Unidos e Canadá no final de março, numa grande turnê. Volta em julho, toca por aqui e em outubro vai ao Japão e à Austrália.

- O desgaste existe, mas me divirto muito também. Numa hora, desço no aeroporto de Tóquio, com violão do lado, depois estou no piano na Austrália. Isso é gozado. E não me impede de compor, porque faço música em qualquer canto, não tenho frescura para criar.

Egberto Gismonti é o artista brasileiro que mais faz shows no exterior e um dos mais respeitados pela crítica internacional. Apesar disso, ele diz que quanto mais viaja pelo mundo, mais se considera um cidadão de Carmo, um lugarejo perdido na fronteira do Rio de Janeiro com Minas Gerais:

- Lá eu me sinto reconhecido sem precisar fazer nada. Sou só um sujeito que conhece todo mundo e é lembrado como o 'filho de mestre Antonio'. Essa é a minha forma meio irracional de encarar certas coisas. Aliás, tem horas em que o racionalismo só atrapalha.

A conversa volta sempre para o tema preferido de Egberto: os amigos.

- Considero o filme o melhor do mundo e a trilha sonora uma das melhores coisas que fiz porque estava entre amigos. Para mim, amigo não erra nunca, tudo o que eles fazem é o melhor que existe.

Num ano normal, Egberto Gismonti faz quase 200 shows pelo mundo inteiro. Ele não considera muito, mesmo para quem garante detestar o esquema do show business. A explicação é muito simples. Depois de conseguir da EMI os direitos de comercialização de seus discos no exterior, ele tem que tocar mais. Quando termina um trabalho, o esquema de lançamento envolve mais de 20 países:

- Eu não faço música para a maioria. Meus discos atingem um consumidor específico, uma minoria. Tenho que chegar junto desse público em todos os cantos do mundo. E sendo dono dos direitos de comercialização eu mesmo tenho que vender o trabalho.

Ele acredita que esse será o método do futuro. As grandes gravadoras vão transformar em distribuidoras levando o mercado fonográfico a se especializar mais, com os autores fornecendo o trabalho pronto. "


A1 2 Violões (Vermelho)
A2 Lundu (Azul)
A3 Trenzinho Do Caipira (Verde)
A4 Alegrinho (Amarelo)
B1 Dança Dos Escravos (Preto)
B2 Salvador (Branco)
B3 Memoria E Fado (Marrom)


Mais detalhes sobre o álbum AQUI.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Egberto Gismonti - Works [1984]

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No seu 15º aniversário, o selo ECM lança 10 coletâneas e Egberto foi um dos artistas escolhidos. Suba o volume.


A1 Lôro
A2 Raga
A3 Ciranda Nordestina
B1 Magico
B2 Maracuta
B3 Salvador


Mais detalhes do álbum AQUI.


domingo, 10 de março de 2019

Egberto Gismonti - Em Família [1981]

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Por Márcio de Aquino em Palavras Domesticadas

Egberto Gismonti é um dos mais respeitados e produtivos músicos brasileiros. Dono de uma discografia das mais celebradas, valorizadas e reconhecidas até internacionalmente, Egberto entre os anos 70 e 80 especialmente, lançou várias pérolas musicais que tornam seu trabalho um dos mais ricos em qualidade e experimentações. Em 1981, celebrando o nascimento de Alexandre, seu primeiro filho, Egberto lançou o disco Em Família, que trazia a particularidade do vinil ser branco. Em sua edição de 09/08/81, o jornal O Globo trazia uma matéria sobre o disco, assinada por Léa Penteado:

"Egberto Gismonti - 34 anos de idade, 14 de vida profissional - já gravou mais de 30 discos, em quatro países, mas diz encarar de modo especial o elepê que está lançando, 'Em Família'. É que depois de conquistar os mais cobiçados prêmios, como o Grammy e a Coruja de Ouro, ele explica que o novo disco reflete a melhor experiência de sua vida: a de ser pai. Daí a escolha do título e da capa do álbum, em que Egberto aparece ao lado do filho, Alexandre, e da mulher, a atriz Rejane Medeiros. Esta semana, de sexta a domingo, ele apresenta um espetáculo na Sala Cecília Meireles. O título do show: 'Em Família', naturalmente.

O apartamento de solteiro que até há poucos meses Egberto Gismonti ocupava na Gávea ganhou vida nova com a presença de Rejane Medeiros e a chegada de Branquinho - é assim que ele chama o filho Alexandre. Nada foi programado, tudo aconteceu de repente.

-Não pensei que fosse acontecer uma mudança tão grande em minha vida. Sempre tive uma vida muito louca, de viagens, gravando em diversos países e, desde que aconteceu a gravidez de Rejane, tudo foi mudando. Não foi nada programado, nós não pensávamos em ficar juntos, ou em ter filho; quando vimos, as coisas estavam acontecendo e, a partir de novembro do ano passado, comecei a desmarcar todos os compromissos, até os meses de junho e julho deste ano, para poder acompanhar o nascimento do meu filho.

Egberto conta que o relacionamento com Rejane, baseado em muita tranquilidade, surgiu sem que nenhum dos dois esperasse. Depois de um mês, ele teve de viajar para a Alemanha e foi em Hamburgo que recebeu um telefonema dela, comunicando a gravidez. À princípio, diz que não sabia o que fazer e, quando voltou, resolveu dividir seus espaços com ela e com o filho que chegaria.

- Desmarquei compromissos, para não perder essa relação que estou tendo com Rejane e Alexandre, querendo ficar esse tempo de papai e babá. Gostaria de ficar com ele um tempo até muito maior, mas sinto que não tenho preparo físico. Esse negócio de natureza é meio louco - o fato de uma mulher gerar uma criança faz com que ela desenvolva uma força muito maior do que a do homem, aguentando as barras, sabendo até fazer parar o choro...

Em termos musicais, Egberto Gismonti ainda não sabe até que ponto sua obra vai mudar, com a presença de Alexandre. Apesar de o filho participar de uma das faixas do novo disco, chorando, o trabalho de composição já estava concluído antes do nascimento.

- Não fiz ainda nenhum disco depois que ele nasceu, mas acredito que o fato de ter parado de viajar, estar vivendo dentro de casa com ele e com a Rejane, tendo um tipo de vida que antes não tinha, possivelmente vai me estimular a fazer outra coisa. Eu tenho certeza de que, antes, meus filhos e filhas eram os discos e shows, mas quando pintou o meu filho de verdade, fiz uma troca com a maior facilidade e não sei o que será dos outros. Mas também não estou nada preocupado, me dei o direito de não pensar. Sei que mudou a emoção e a vida, mas a música é difícil. Alguns amigos, que já ouviram esse novo disco, fizeram comentários, não a respeito da música propriamente dita, mas sobre a maneira de transar o disco.

Esse 'transar o disco' começa com a própria capa. Poucas vezes Egberto Gismonti se expôs em capas e nesse fez questão não só de aparecer como também de mostrar a mulher e o filho. Os detalhes ainda vão mais longe. A letra A da palavra família é representada por alfinetes de fralda e o encarte da capa do disco o 'Jornal Caipira', é dedicado às crianças, com desenhos variados e uma enorme fotografia do filho.

Egberto também fez questão de que todo o disco fosse em branco, até mesmo o acetato, que é branco translúcido. No selo, em lugar da marca da gravadora, há o sorriso de Alexandre impresso em preto e branco.

- Nunca pensei fazer um disco com uma capa mostrando a família, mas está me dando imenso prazer mostrar este meu outro lado.

O não pensar, não programar, sempre foi uma constante na vida de Egberto. Ele lembra que há 13 anos, quando começou a trabalhar com música, profissionalmente, tinha a família que o apoiava. Depois de dois ou três anos, mais pessoas já se interessavam por seu trabalho. Tudo foi indo nessa proporção, até chegar a um ponto que ele acha contraditório.

- Ao mesmo tempo que tenho consciência de não fazer uma música para a grande massa, me pergunto como em 13 anos, essa música foi gravada em mais de 30 discos. Às vezes até estranho porque, se não é comercial não deveria ter tantos discos gravados. É, se existe uma crise na indústria fonográfica, no mundo todo, por que os brasileiros, americanos, alemães e japoneses estão investindo tanto em mim?

Egberto Gismonti é contratado de quatro gravadoras: no Brasil, na Alemanha, no Japão e ainda nos Estados Unidos. Seus discos, somente no Brasil, vendem em média 30 mil cópias, um número considerável, já que seu trabalho não é considerado popular.

- Eu tenho consciência de ter um público pequeno em cada país e, por essa razão, saí do Brasil há alguns anos e comecei a buscar esse meu público. Isso me diferencia um pouco da maioria dos músicos instrumentais. Se eu ficasse no Brasil meus discos continuariam na faixa de vendas em que estão - o que para a companhia parece ser muito bom e pra mim é fantástico, permanecer em catálogo dez anos. Também tenho consciência de que minha música não chegaria num tempo curto a um número grande de discos, mas o que consigo já me permite viajar pelo Brasil fazendo shows, como se fosse um cantor popular.

- Tenho como função também juntar um pouco de música erudita com a popular. Não é nem para instruir. Na realidade, não estou querendo brigar com ninguém, nem sou contra música nenhuma, só quero deixar claro que existem outras músicas.

Segundo Egberto, a sua música permite imaginar o que se quiser, não direciona o pensamento de acordo com a letra, abre a possibilidade de sonhar. E é assim que ele vive, também.

- Vivo sonhando, sem nenhuma alienação, apenas com a possibilidade de liberdade, que acho ser muito mais importante do que a minha música. Não acho que tenha atingido algum ponto com a música; não fico chorando quando não dá certo, nem fico soltando foguetes quando tudo vai bem. Tive um disco muito premiado em 1978, 'Dança das Cabeças', festejado em diversos países, e não fui a nenhuma entrega de prêmios no exterior, como também não fui receber o troféu Villa-Lobos, nem a Coruja de Ouro, nem o prêmio de Gramado. Não é o fato de não curtir prêmio, mas prefiro não ficar envolvido com festejos, acho que tenho mais é que ficar fazendo música.

A música e os prêmios ganhos por Egberto Gismonti ficam em segundo plano, com a entrada de Alexandre na sala. Branquinho, como o apelido dado pelos pais, ele tem fisionomia tranquila, no colo da mãe, e sorri quando vê o pai. Tanto Egberto quanto Rejane acreditam que o ar de tranquilidade que o filho irradia é o reflexo da vida que eles têm.


A1 Lôro
(Egberto Gismonti)
A2 Don Quixote
(Egberto Gismonti, Geraldo E. Carneiro)
A3 Em Família
(Egberto Gismonti)
B1 Sanfona
(Egberto Gismonti)
B2 Folia
(Egberto Gismonti)
B3 Chôro
(Egberto Gismonti)
B4 Auto-retrato
(Egberto Gismonti, Geraldo E. Carneiro)
B5 Branquinho / Passarinho / 11/6/81 (Feito Em Casa)
(Egberto Gismonti, Marilda Pedroso)



Mais detalhes do disco AQUI.

sábado, 9 de março de 2019

ruído/mm - A é Côncavo, B é Convexo [2018]

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A é Côncavo, B é Convexo, novo álbum do ruído/mm, evoca uma reflexão sobre perspectivas, paralaxes, a aparente dualidade entre diferentes enfoques: um mesmo objeto pode parecer maior ou menor dependendo de que lado da lente esteja o observador; um cilindro, visto ortogonalmente, pode ser percebido tanto como um retângulo quando como um círculo. Percepções distintas podem ser igualmente válidas – pares de opostos são complementares, não excludentes. A verdade é uma falácia, o paradoxo é real. O absurdo reina absoluto.

No microcosmo da banda, a jornada de produção envolveu um distanciamento da sua zona de conforto, uma desconstrução de métodos e a consequente atribulação com que costumam se deparar os que decidem trilhar caminhos não familiares. Os pontos de referência e o senso de individualidade de cada integrante foram em boa parte substituídos por arranjos e sutilezas que a banda não consegue mais distinguir a fonte de origem. A é Côncavo, B é Convexo é o resultado de um processo de encontros e desencontros, de entrelaces e solturas e da angústia em tornar algo de si algo de todos.


1. Niilismo
2. Volca
3. Antílope
4. Ouroboros
5. Tesserato
6. Esporos
7. Jacó
8. MMC

quinta-feira, 7 de março de 2019

The Baggios - Vulcão [2018]

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Por Mauro Ferreira em G1

Quarto álbum de estúdio do grupo sergipano The Baggios, Vulcão irrompeu esta semana no mercado fonográfico brasileiro com a voz da cantora Céu na música Bem-te-vi e o toque da banda Baiana System na faixa Deserto.

Parceria de Russo Passapusso com Júlio Andrade, vocalista e guitarrista do grupo de blues-rock, Deserto é a única das onze composições do álbum Vulcão que tem duas assinaturas. As outras dez são criação da lavra solitária de Júlio Andrade, artista que criou o The Baggios em 2004 na cidade de São Cristóvão (SE).

De 2008 a 2016, The Baggios foi essencialmente um duo centrado na interação de Júlio com o baterista Gabriel Carvalho, que se firmou no posto pelo qual já tinham passado os bateristas Lucas Goo (de 2004 a 2006) e Elvis Boamorte (de 2006 e 2008).

Em Vulcão, Rafael Ramos (piano, órgão e baixo) já aparece efetivado na banda, inclusive nas fotos promocionais, após ter atuado como músico convidado do álbum anterior dos Baggios, Brutown (2016).

Brutown foi lançado há dois anos pelo mesmo selo da banda, Toca Discos, que ora edita Vulcão, álbum que conecta o The Baggios aos sons da África e a ritmos do Brasil com o nordestino baião.

Com toque psicodélico e levadas orientais na música Vermelho rubi, o álbum Vulcão versa sobre a intolerância religiosa em Louva-a-Deus e joga a dicotomia yin-yang no Caldeirão das bruxas.

Já Limaia liquidifica ritmos de manifestações folclóricas de Sergipe como a Marujada, o Reisado e a Caceteira. Os afrobeats atravessam o disco, gravado no estúdio Toca do Bandido, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), com produção orquestrada pelo mentor Júlio Andrade.



1 - Louva-a-Deus
2  Caldeirão das Bruxas
3 - Deserto (part. Baiana System)
4 - Espada de São Jorge
5 - Em Si Menor
6 - Vermelho-Rubi
7 - Samsara
8 - Limaia
9 - Fera
10 - Bem-Te-Vi (part. Céu)
11- Vulcão

quarta-feira, 6 de março de 2019

Vlad V - Stratovladis [2017]

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Por Willba Dissidente em Whiplash

Pronunciando-se Vlad Quinto, o grupo é referência nacional quando se trata de Hard Rock Progressivo. A banda mais velha de Rock pesado na ativa em Santa Catarina, e também com a reputação de fazer os melhores shows no estado barriga-verde, o VLAD V já se mudou para SP, fez tour pelo RJ e passou por altos e baixos e diversas mudanças de formação. Claro, afinal, 31 anos de banda não é para qualquer um. Após um hiato de sete anos sem registros, vem "Stratovladis", disco que prova e reforça que o VLAD V continua relevante e importante para o som pesado tupiniquim e mundial.

Não querendo desmerecer ou polemizar, mas antes que alguém pense em STRATOVARIUS, o nome do novo disco do VLAD V é uma referência às guitarras Stratocraster. Mensagens essa super acertada, pois "Stratovladis" é um disco guitar driven, mais direcionado ao instrumento de seis cordas. Apostando no formato de power trio, o veterano conjunto já abre o cdzinho apostando na força pesada de seu característico Hard Rock Progressivo. Mas que raios de estilo é esse? Hard Rock Progressivo não é o THIN LIZZY misturado ao KING CRIMSON. Também chamado de Neo Progressivo, esse estilo muito difundido à partir dos anos oitenta com nomes como SAGA, TERCER ACTO, PENDRAGON etc em que, falando vulgarmente, temos o Hard Rock clássico dos anos 1970 com convenções mais jazzísticas, trabalhadas e virtuosas. Alguns grupos usam muito o teclado para tornar o progressivo mais "pop", mas no caso do VLAD V, temos mesmo som pesado com uma cara progressiva e muitos solos de guitarra fenomenais.

Falando no multi-instrumentista Jean Carlo, seus vocais estão mais refinados, menos abusando dos agudos, daquele jeito que só que é fã de Alceu Valença a Bruce Dickinson poderia fazer. No grupo desde o segundo disco Flávio Theilacker continua surpreendendo nos andamentos na bateria, sempre com o auxílio do "cara novo" Pablo Demarchi em seus acompanhamentos de baixo só nas palhetadas. "Stratovladis" é um disco de três momentos distintos. Um mais pesado, outro mais viagem e a retomada para o peso. Falando em peso, os timbres de baixo e guitarra estão matadores e acentuados até pela bateria não estar com muito punch; criando assim um todo consistente.

A abertura com a trinca "Cidade Nua" mostra o lado mais porrada do VLAD V, seguida por "Estrada Vazia" e "Chuva de Outono". Esses dois Hard mais cadenciados como bandas do fim dos anos 60 para 70 como o canadense WARPIG ou estadunidense BLUE CHEER. "Chuva de Outono" tem, inclusive a interpretação vocal mais sentimental e melhor refrão do trabalho.

"Devaneio Blues", aquela balada chorosa que você respeita tem as letras mais belas do trabalho e abre a seção viagem do disco. "Ponta da Vigia" é uma base de bandolim à la LED ZEPPELIN com uma poesia de Ernesto Wenth Filho (que também acima "Estrada Vazia") sendo declamada. "Montanhas do Sul", uma regravação do "Viagens Acústicas" traz, finalmente, a flauta, instrumento marcante para o VLAD V. Essa versão com guitarras elétricas (que não tinham na original) mostra também o lado mais progressivo do grupo. O devaneio se fecha com a regravação de "Asas de um Louco", faixa do primeiro disco do Vladão que ganha sua terceira versão. Versão essa estendida em relação às anteriores e com o melhor solo de guitarra do trampo.

Vem um cover de THE ANIMALS, "House of the Rising Sun", num arranjo de Jean Carlo que faz a canção começar mais lenta que a clássica e ir ganhando peso no desenvolvimento. Muito legal! É a transição da viagem para os sons mais agitados. Na sequência, abre-se uma cerveja e vem ai "Dia Vagabundo", esse ode aos dias de de ir para um festival de Hard Rock que é single do trabalho e cujo vídeo-clipe precedeu "Stratovladis". Destaque do álbum, assim como a instrumental que é a faixa-título. Riffs e mais Riffs matadores e mais leads impressionantes de guitarra no melhor estilo MICHAEL SCHENKER GROUP. E não acaba ai; a canção ainda tem uma passagem mais blues no meio para sobressair a cozinha; sendo a melhor atuação da dupla no álbum.

Ao final desses 50 minutos percebemos que a espera de sete anos por um registro novo do VLAD V foi recompensada em cada segundo desse CD. Todo auto-produzido pela banda e cheio de bom gosto e finesse em cada detalhe, "Stratovladis" é aquele raro caso de um disco novo que irá agradar os fãs guerreiros que acompanham a banda desde os primeiros dias e também abrirá as Asas dos loucos às novas gerações para conhecer a extensa carreira do VLAD V.

Quem quiser adquirir o disco "Stratovladis" deverá contatar a banda nos sites relacionados ao final, ou, com os próprios membros do Vladão nos shows, ou ainda no Takio Rock Bar (em Timbó/SC) e também nas lojas Be Bop Discos e Bruneti Discos (em Blumenau/SC). O disco vêm em cd prensando em formato de lua cheia e a embalagem é um digipack sem encarte com uma foto bem legal do VLAD V (só não entendi o porquê do baixista estar segurando um pedestal de bateria com o prato de ataque). A arte computadorizado de "Stratovladis" é muito bonita e remete muito bem às paisagens noturnas nas estradas catarinenses.

Que a borboleta da noite, sétima filha de sabbath, bata eternamente suas asas!

VLAD V:

Jean Carlo - voz, guitarra, flauta, violões, bandolin
Pablo Demarchi - baixo e teclados
Flavinho Theilacker - bateria

Discografia:

Demo Tape (1990, K7)
Vlad V (1993, LP)
Espada e o Dragão (1996, CD)
O Quinto Sol (1999, CD)
Volume IV (2002, CD)
Viagens Acústicas (2005, CD)
Siga o Som (2007, CD)
Na Casa do Rock (2010, CD)
Stratovladis (2017, CD)

Stratovladis - Nacional - Independente - 50 min.

01 . Cidade Nua
02 . Estrada Vazia
03 . Chuva de Outono
04 . Devaneio Blues
05 . Ponta da Vigia
06 . Montanhas do Sul
07 . Asas de Um louco
08 . House of the Rising Sun
09 . Dia Vagabundo
10 . Stratovladis

Tavito - Número 3 [1982]

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A1 Pé De Vento
A2 A Nossa Casa
A3 Flor Da Manhã
A4 Essa Música
A5 Dona Rita
B1 Briga De Rua
B2 O Rio
B3 Jeito De Viver
B4 Romance De Estrada

terça-feira, 5 de março de 2019

Tavito - Tavito 2 [1981]


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A1 O Maior Mistério
A2 Aquele Beijo
A3 Sou Eu
A4 Dela
A5 Balada Para Voz E Esperança
B1 Enquanto O Dia Me Trouxer Você
B2 Jamais, Jamais
B3 Companheira
B4 Canção Do Sul
B5 Olá

Tavito [1979]

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Por Carlos Eduardo Lima em Monkeybuzz

Leitor/a, vou contar uma história singela e pessoal. Eu tive a sorte de passar boa parte da minha infância numa cidade pequena da Serra do Mar que você deve conhecer, pelo menos de nome: Petrópolis. Era uma média de quatro meses por ano passados em Correias, um dos distritos de Petrópolis. Meus avós tinham uma bela casa afastada da cidade, para a qual rumávamos nas férias de julho e do fim do ano. Uma vez lá, naquele clima maravilhoso em que faz calor apenas sob o sol, comecei a ter as primeiras noções de música, que chegava a meus ouvidos através do rádio AM/FM da minha mãe, que sintonizava emissoras como a Mundial AM ou a Tamoio FM. Pouco tempo depois viriam as primeiras explorações no acervo de discos da família, formado pelos baianos, discos de trilhas sonoras de novela e a coleção completa de Roberto Carlos, pertencente ao meu avô. Naquela época, 1978/79/80, eu, com dez anos, já gostava de Beto Guedes, Djavan, Boca Livre e Tavito, todos com canções na programação dessas emissoras de rádio.

Tavito é o apelido de Luís Otávio de Melo, violonista autodidata, nascido em Belo Horizonte em 1948. Começou a tocar desde cedo, aos 13 anos, explorando as possibilidades do violão que ganhara do pai. Aos 22 anos, ele já empunhava as guitarras do Som Imaginário, mitológica banda mineira que foi criada para acompanhar os shows de Milton Nascimento. Naquela época já existia o famoso Clube da Esquina, na verdade, uma entidade musical-social, formada por vários jovens cantores, músicos e compositores mineiros, que se conheciam, colaboravam e gravavam juntos. Com o sucesso de Milton a partir do fim dos anos 60, o Clube veio surgindo como o grande elemento aglutinador daquela jovem galera. Tavito fazia parte desse pessoal, mas era um integrante discreto das fileiras. Participou das gravações do próprio disco Clube da Esquina, em 1972 e seguiu com o Som Imaginário até 1974, quando foi lançado o disco Milagre Dos Peixes Ao Vivo. Aos poucos a carreira na publicidade foi tomando ares mais sérios e, a exemplo de seu grande amigo, Zé Rodrix, com quem compôs a clássica Casa no Campo, Tavito tornou-se um produtor e compositor de jingles, mas nunca perdeu de vista seu “lado B”.

Em 1979, com o crescimento do chamado “rock rural” ao longo dos últimos anos, Tavito teve a chance de iniciar sua carreira solo. Seu primeiro disco, homônimo, é uma preciosidade. A exemplo da parte mais elétrica e roqueira do Clube da Esquina, Tavito é totalmente influenciado pelos Beatles e por ecos de progressivo. O grande sucesso Rua Ramalhete, seu maior hit em todos os tempos, entrou de sola na programação das rádios e foi direto para a trilha sonora da novela Três Marias. Com letra cinematográfica, cheia de reminiscências da juventude em Belo Horizonte, Rua Ramalhete vai revisitando namoros, tardes, colégios, tudo com muita naturalidade, com especial destaque para a admiração pelos Fab Four, que são mencionados textualmente na letra, além da citação singela de Here Comes The Sun, em meio à melodia da canção. O site do cantor e compositor (www.tavito.com.br) explica a rua com mais habilidade:

“A Rua Ramalhete era uma ruazinha de Belo Horizonte composta de um quarteirão só. Começava na Rua do Ouro, no alto da Serra, bairro de classe média onde a família de Tavito residia, e terminava num córrego cristalino que corria onde hoje é a extensão da Rua Estêvão Pinto. Havia o costume entre a meninada que estudava no Colégio Estadual (Sucursal Serra), de se sair das aulas à tardinha e varejar pela Rua Ramalhete. Explica-se; a rua era povoada por moças, lindas todas, naquela idade em que se adolesce – e o coração dos moços adoece. Não havia trânsito de automóveis na Rua Ramalhete. Aos domingos, as meninas estendiam a rede de vôlei de lado a lado, jogava-se o dia inteiro, e os carros que se danassem. As noites sempre eram sonorizadas por rodas de violão entremeadas de castos namoricos furtivos. Aos sábados, festinhas onde se dançava coladinho ao som da boa música da época, Beatles e bossa-nova, Luiz Eça e Herman’s Hermits. Isso tudo ficava a poucos quarteirões do vetusto Colégio Sacré Coeur de Marie, severo que só, com suas freiras de cenho franzido e hábitos negros como a noite negra. Esse colégio despejava na rua, duas vezes por dia, magotes de moças ensolaradas e sonhadoras, com suas saias de madras enroladas na cintura para que os moços pudessem ver seu joelhos (quem sabe a primeira sugestão das coxas), tudo dentro dos limites do combinado como “linha da decência”. Esse trajeto Sacré Coeur / Rua Ramalhete constituía o dia-a-dia de Tavito e sua turminha de garotos normais, na fase mais doce da vida, tão doce que às vezes não nos apercebemos dela – a não ser anos mais tarde.

Outro belo exemplo da admiração pelos rapazes de Liverpool está na sensacional Naqueles Tempos, composta por Mariozinho Rocha e Renato Corrêa, em que Tavito cita o arranjo de cordas de The Long And Winding Road e o refrão de Hey Jude. Além delas, Você Me Acende (de Erasmo Carlos), Cowboy e uma bela versão pessoal para Casa No Campo, são momentos dignos de nota. Com participação de gente como Marcio Montarroyos, Sérgio Dias, além dos amigos do Clube da Esquina aqui e ali, o primeiro disco de Tavito é bastante difícil de achar. Foi relançando em CD em 1997 pela pequena Savalla Records e está fora de catálogo desde então. É possível encontrá-lo à venda em sites da internet pelo valor de R$350,00.

A1 Cowboy
(Eduardo Souto Neto, Paulo Sergio Valle)
A2 Rua Ramalhete
(Ney Azambuja, Tavito)
A3 Voce Me Acende
(Erasmo Carlos)
A4 Longe Do Medo
(Ivan Lins, Tavito)
A5 Cravo E Canela
(Milton Nascimento, Ronaldo Bastos)
B1 Naquele Tempo
(Mariozinho Rocha, Renato Correa)
B2 Começo, Meio E Fim
(Paulo Sergio Valle, Tavito)
B3 A Ilha
(Sá & Guarabyra)
B4 Coração Remoçado
(Eduardo Souto Neto)
B5 Casa No Campo
(Tavito, Zé Rodrix)

segunda-feira, 4 de março de 2019

Marcelo Falcão - Viver (Mais Leve Que O Ar) [2019]

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O cantor e líder da banda O Rappa, Marcelo Falcão, lançou o seu aguardado primeiro álbum solo, "Viver (Mais leve que o ar)". Produzido em parceria com Felipe Rodarte, Falcão aposta em uma sonoridade que passeia entre o reggae e o pop/rock.

Portanto, pode-se dizer que o disco tem tudo para agradar em cheio aqueles que acompanharam a carreira do cantor na banda O Rappa. O álbum traz 13 faixas inéditas, incluindo os singles já conhecidos pelo grande público, "Viver (Part. Lula Queiroga)" e "Hoje Eu Decidi".


1. Hoje Eu Decidi
2. Quando Você Olhar Pra Mim
3. Voar, Flutuar
4. Mais Leve Que o Ar
5. Só Por Você
6. Viver (Part. Lula Queiroga)
7. I Don't Wanna Be King
8. Diz Aí (part. Cedric Mayton)
9. Meu Caminho
10. Eu Quero Ver o Mar
11. Gold Coast
12. Me Entende
13. Senhor Fazei de Mim (Um Instrumento de Tua Paz)

domingo, 3 de março de 2019

Camisa de Vênus - Dançando em Porto Alegre [2018]

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Por Mauro Ferreira em G1

Mais de dois anos separam a gravação ao vivo do show feito pela banda baiana Camisa de Vênus em 22 de outubro de 2016, em Porto Alegre (RS), do efetivo lançamento em CD e DVD do registro da apresentação captada no Auditório Araújo Vianna, na capital do Rio do Grande do Sul.

Dançando em Porto Alegre – Ao vivo no Auditório Araújo Vianna(Radar Records) alude no título ao nome do revigorante último álbum de músicas inéditas do grupo, Dançando na lua, lançado em julho de 2016, três meses antes do show perpetuado em CD duplo e em DVD com o registro integral dos 17 números da apresentação.

Ao longo do show, o grupo Camisa de Vênus – de volta à cena em 2015 como quinteto formado pelos remanescentes Marcelo Nova (voz) e Robério Santana (baixo) com Drake Nova (guitarra), Leandro Dalle (guitarra) e Célio Glouster (bateria) – rebobina, na pressão, os principais sucessos acumulados pela banda, entre idas e vindas, em 38 anos de trajetória.

Bete morreu (Marcelo Nova e Robério Santana, 1983), Eu não matei Joana D'Arc (Marcelo Nova e Gustavo Mullen, 1984), Silvia (Marcelo Nova, Robério Santana e Gustavo Mullen, 1986) e Simca Chambord(Marcelo Nova, Gustavo Mullen, Karl Hummel e Marcelo Cordeiro, 1986) figuram no roteiro entre artilharias recentes do álbum de 2016, como A raça mansa, a música-título Dançando na lua e Manhã manchada de medo.

sábado, 2 de março de 2019

Wander Wildner - O Mar Vai Muito Mais Além no Meu Olhar [2019]

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1 Éter Na Mente
2 Beachboys
3 A Dança de Tudo
4 Campeche Beach
5 O Sinal
6 Imagination
7 Caminando y Cantando

sexta-feira, 1 de março de 2019

Camisa de Vênus - Quem É Você? [1996]

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Por Fábio Cavalcanti em Whiplash

O cenário musical brasileiro dos anos 80 foi bastante benéfico para o rock, visto que tal estilo se tornou uma febre durante boa parte da década. Mas, ainda que o rock estivesse na moda, a rara banda soteropolitana Camisa de Vênus trouxe um som recheado de atitude, acidez, e um leque de influências que iam além da new wave e do pós-punk - estilos esses que ainda dominavam o rock nacional oitentista.

Após quatro álbuns de estúdio - além do lendário ao vivo "Viva" -, o Camisa de Vênus encerrou as suas atividades, antes de entregar um trabalho que corrigisse os erros do "grandioso" e entediante "Duplo Sentido" (1987). Em meados dos anos 90, eis que a banda retoma suas atividades, e lança o excelente "Quem é Você?", um de seus melhores trabalhos!

Lapidando de vez o seu estilo, calcado em rocks energéticos e algumas baladas reflexivas, a trupe liderada pelo vocalista Marcelo Nova conseguiu entregar verdadeiras pérolas do rock nacional, com uma produção realmente "roqueira" (finalmente!), e um balanço impecável na track list.

Entre os rocks, na melhor tradição do 'Camisinha', temos a visceral "Quem é Você?", a gostosa "Seu Jeito de Olhar", o rockabilly safado "O Ponteiro tá Subindo", e a pesada "Bem Vinda ao Meu Pesadelo", além de outros pontos altos como "E se Eu Chegar?", "O Poder" e "Forças Ocultas".

Destaque ainda mais especial para duas faixas bastante engraçadas: a dançante e "nordestina" "Radinho de Pilha" (cover de Genival Lacerda), e o blues rock grudento "Essa Linda Canção". Diversão garantida!

Entre as baladas, nada de exageros melosos ou bregas, o negócio aqui é um conjunto de faixas que possuem os requisitos necessários para chamar a atenção de qualquer roqueiro dito "maduro" (ou baladeiro mesmo). São elas: "Não sou Passageiro", "Eu vi o Futuro", "O Mal Que Habita em Mim", e "Esperando um Milagre". Classe A!

No final das contas, entre acertos e mais acertos, o único ponto fraco do álbum fica por conta do desnecessário cover de "Don't Let me Misunderstood" (Nina Simone, The Animals, entre outros). Obviamente, nada que prejudique o resultado final de forma significativa, pois ainda temos aqui um álbum que merecia estar entre as obras mais clássicas do rock brasileiro.

E como diriam os fãs fervorosos do Camisa de Vênus: "Bota pra fudê!"


1 Quem É Você?
(Marcelo Nova)
2 Seu Jeito De Olhar
(Karl Hummel, Marcelo Nova)
3 O Ponteiro Tá Subindo
(Marcelo Nova)
4 Não Sou Passageiro
(Marcelo Nova)
5 E Se Eu Chegar?
(Karl HummelMarcelo Nova)
6 Don't Let Me Be Misunderstood (participação Eric Brudon)
(Bennie Benjamin, Gloria Caldwell, Sol Marcus)
7 Eu Vi O Futuro
(Marcelo Nova, Robério Santana)
8 Bem-vinda Ao Meu Pesadelo
(Karl HummelMarcelo Nova)
9 Radinho De Pilha
(Graças Góes, Namd)
10 O Mal Que Habita Em Mim
(Marcelo NovaRobério Santana)
11 Essa Linda Canção (participação Raimundos)
(Marcelo Nova)
12 O Poder
(Karl HummelMarcelo Nova)
13 Esperando Um Milagre
(Marcelo Nova)
14 Forças Ocultas (Rockabilly Janio)
(Marcelo Nova)