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sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Marcelo Nova - 12 Fêmeas [2013]



Postado por Alexandre Campos Capitão
publicado no Blog oficial do Marcelo Nova

Após O Galope do Tempo, Marcelo Nova se colocou numa sinuca de bico, pois como iria suceder aquela que é considerada sua obra-prima? Marceleza passou o giz e numa tacada de mestre não apenas encontrou uma saída para esse momento da sua carreira, como também concretizou 12 Fêmeas como o trabalho em que elevou a música que emoldura a grandiosidade dos seus textos ao mesmo patamar do conteúdo das suas palavras. Seu novo disco apresenta um Marcelo Nova tendo suas emoções, dramas, histórias e poesia em voz e caneta também interpretadas com complexidade e riqueza de detalhes musicais sem precedentes em sua obra.

Drake Nova, como já escrevi em outra oportunidade, deixou o papel de guitarrista para encarnar o de cenógrafo, compondo o ambiente ideal que cada texto, cada sentimento, e cada situação pede. Drake é o maior responsável pela complexidade de cores, nuances, ruídos, harmônicos e todo tipo de dinâmica contida nesse álbum. Não bastasse isso, ainda é responsável pela arte gráfica do álbum. Sim, meus amigos, o gênio encontrou o parceiro ideal.

Marcelo Nova entrou no New Studio em São Paulo, que se transformou no seu Abbey Road, com 12 canções definidas e planos de fazer um disco apenas com violões e guitarras. Mas ao longo do processo as participações foram se ampliando, inicialmente as intervenções começaram através de Luiz de Boni, uma espécie de Ian Stuart marcelonovista. Mas esse processo se ampliou de tal forma, que até surgiram contribuições internacionais bastante inusitadas.

A trindade Marcelo Nova/Drake/De Boni formou a base do álbum, com De Boni assumindo o papel de multi instrumentista, tocando baixo, percussão, além do órgão e piano. Os membros da banda que acompanham nos shows há vários anos, Leandro Dalle (baixo) e Célio Glouster (bateria), também se fazem presentes em 3 faixas.

Mas o acaso também teve sua participação. Você pode chamar de sorte, destino ou do que preferir.

O rei do rock jantava num shopping da capital paulista quando começou uma apresentação de música escocesa executada com a tradicional gaita de fole. Marceleza se aproximou e convidou um dos músicos para gravar uma participação no álbum. Acabou descobrindo que se tratava de um autêntico escocês, Aindan Drummond. Drummond como Marcelo Drummond Nova, seu nome completo. O que poucos sabem é que a origem do sobrenome Drummond de Marceleza(pronuncia-se Dramom) também é a Escócia. E assim dividiram as coincidências e a canção A Morte Da Mão Que Afaga. Das highlands para São Paulo, assim se escreveu mais um capítulo do disco.

Num outro dia, chegando ao estúdio encontrou um grupo de monges tibetanos que viajava pelo mundo gravando canções e arrecadando fundos para o movimento de libertação do Tibet. Estava definida mais uma participação internacional, com tambores artesanais quase impossíveis de nominá-los. Não pense em percussão étnica tibetana, hare krishna, do tipo que George Harrison utilizou. Mas antes, próximo ao que fazia John Bonham. Logo Marcelo o rei do rock e dos apelidos passar a chamar o monge Goba Wangka de “Prachanska”, ou você acha que ele perdoaria um serviçal do Dalai Lama? Do Himalaia para São Paulo, 12 Fêmeas seguia evoluindo. Quase como se tivesse vida própria, mas sempre comandado pelas rédeas firmes do seu mentor.

Só que esse condutor apresenta-se sob o nome de Marcelo Nova. Um homem que quando ouve falar em auge, Correndo o Risco, A Panela do Diabo, Quem é Você?, O Galope do Tempo, respira fundo e sobe mais um degrau. Preserva tudo que tornou seu trabalho tão notório, como também mantém sua dialética profunda e viva, adicionando amplitude e profundidade. Quando o ouvinte se entrega para 12 Fêmeas é possível sentir como se as dores e os dramas cantados fossem seus, ou contassem a sua própria história, uma espécie de bônus track interior. O sangue respingado no espelho ainda parece quente. Suspiros e gemidos ecoam pelos cômodos... Marcelo Nova é capaz de fazer isso. O maior letrista desse país.

Marceleza continua sendo também um produtor do primeiro time. Auxiliado por Drake e De Boni, por trás dos botões da mesa de som, um incansável perseguidor da qualidade, com o ouvido apurado pela sua coleção de CDs, LPs, e a dinâmica quem reconhece o elevado nível do próprio trabalho. E para a masterização foi escalado Ricardo “Franja” Carvalheira, também responsável pelo O Galope do Tempo.

12 Fêmeas é mais do que uma experiência sonora, é mais do que uma experiência sentida, é mais para Are You Experienced?, sendo também uma experiência visual. Num trabalho gráfico primoroso, a começar pela capa, bela e fora do lugar comum de se relacionar com o título, passando por várias telas que evoluem ao longo do encarte, muito mais para um livreto. Trabalho da artista plástico, esposa, mãe (você escolhe a ordem), Inêz Nova. Família que trabalha unida, bota pra fudê unida.

Marcelo fez mais que canções, criou 12 atos que traduzem o espírito do seu trabalho.

Faixa a faixa:

Claro Como a Luz (Escuro Como Breu)

A faixa de abertura já dá a tônica do que está por vir. Não se trata de um álbum do tipo 1,2,3 e o pau come. 12 Fêmeas é para ser ouvido com o cérebro e não com a cintura. Drake coloca o dedo em nossa cara e mostra logo a que veio. A passagem em que a sua guitarra simula bandolins pode ser colocada junto dos momentos instrumentais mais célebres de toda obra de Marcelo Nova. O violoncelo tocado Antonieta Minella adiciona mais drama. E a percussão do monge de “Dalai Nova” quebra os últimos paradigmas que restavam. Dona de um refrão privilegiado, ainda traz a frase que não me sai da cabeça “meu sótão está lotado de macacos”.

Inverno Impiedoso

Um riff tenso de blues vai se repetindo de forma neurótica. A evolução dessa canção lhe dá uma sensação de entrar sanatório em formato espiral, e que a cada passo a saída se torna mais distante. Vem o órgão, vem o tímpano. Marcelo canta “esse deve ser o inverno mais impiedoso que já vi”. Eu penso que essa é a canção mais impiedosamente outsider que já ouvi. Doentiamente genial.

Eu Lhe Vejo Em Sonhos

Essa canção ganhou um lyric vídeo. Um rock estradeiro daqueles que dá vontade de ligar o carro e pisar fundo. Marcelo ao volante, Drake no bando da frente, Leandro, Celio, De Boni e você no banco de trás. Entre uma troca de marchas e outra, o motor v8 se enche de potencialidade: “Sempre penso em você quando vou me deitar, pois só no mundo dos sonhos posso lhe encontrar”. Mas com Marcelo Nova sempre tem mais “Meu anjo de olhos de fogo e língua de querosene”. Acabamos multados...

Anjo Doce Anjo

O drama volta à pauta. Violão e órgão conduzem as imagens construídas. De mãos dadas com a tensão, o violoncelo também retorna. “A sua criança está de volta, quase irreconhecível, a dor ainda é a mesma, ela só aumentou de nível”. A canção termina e você ainda aguarda a resposta: “anjo doce anjo, me responda se é visível”.

A Minha Inveja

“Eu invejo o sol, que derrete seu gelo, faz seus dias mais longos, aquece seus pelos”. Entre muitos violões e muitas guitarras, Marcelo e Drake celebram a primeira parceria musical.

Blue Eyes

O baixo chama e um belo trabalho de bateria começa. Blue Eyes tem um dos grandes solos de guitarra do álbum. “Então seus dedos tocaram os meus e roçando me deixaram mudo, me pegando desprevenido quando estar preparado é tudo”. Marceleza sempre nos pega desprevenidos.

O Nome do Jogo

A capacidade da descrição transporta você para aquele quarto de hotel. Cuidado com o que leva na mala. O aviso lá está: “paixão é um jogo violento e perigoso, com seus arames farpados, seu terreno pantanoso”. As descrições continuam, você segue pelos cenários criados e se depara com uma constatação dolorosa: “eu sigo quebrando o que não sei consertar”. Que belo violão. Que bela canção.

Temporada No Inferno

Marcelo nos recepciona: “bem vinda à outra temporada no inferno”. E atenção, a pausa contida nessa canção é outro momento memorável. Drake não perde oportunidade de mostrar competência. Ele não costuma perder gol dentro da área. Atrai a atenção da zaga e livre de marcação deixa Marceleza chutar no ângulo, indefensável: “nós somos a prova viva do imenso mal gosto de Deus”. Poderia terminar aí, mas não termina, sorte nossa.

O Ódio da Mão Que Afaga

A única canção não inédita de 12 Fêmeas. Lançada anteriormente no ao vivo Hoje no Bolshoi, ela ganha sua versão definitiva. Os violões estão lá, as guitarras também, o órgão, o piano, e Aindan Drummond solando com sua gaita de fole. Que final épico.

Mistério Para Mim

O sabor jazzy é adotado pela décima fêmea. Drake conversando fluentemente com De Boni. “Com a cabeça fez que não, mas acabou dizendo sim, nada que esclarecesse o seu mistério para mim”. Mas quem disse que todo mistério deve ser resolvido? Por exemplo, por onde andou Drake nos últimos 20 anos?

Não Consigo Escapar de Você

Marcelo não pede permissão e novamente te transporta: “era o último minuto do ano e os fogos bailavam no ar”. Imediatamente você se vê numa daquelas tantas noites de réveillon. Novas imagens vão sendo descritas, sem que se encontre uma solução. “Lembrar daquele beijo roubado me deixou algemado, impossível me locomover, todos os trens já partiram, e eu não consigo escapar de você”. Um belo solo de piano no meio da canção e um de guitarra que culmina com um final original e caótico, daqueles que você não consegue escapar.

Sinais de Fumaça

Para falar da canção que fecha 12 Fêmeas preciso cometer uma heresia, mas afinal quem pode escrever algo relevante sem alguns bons pecados? Sinais de Fumaça é uma espécie de A Ferro e Fogo sem orquestra. Talvez não tão lírica, mas igualmente ousada e longa, com muita dinâmica, e com todos os ingredientes para também se transformar em clássico. Ao invés dos clarins, a microfonia da Gibson Chet Atkins de Marceleza introduz o que vem a seguir. Ao invés do mar, o fogo. O refrão “Tem algo queimando baby, tem algo cheirando mal” será cantado nos shows pelas mesmas vozes que cantam “bota pra fudê”. Um longo solo de órgão mostra todo o gabarito de De Boni. E no solo de guitarra surge outro candidato a melhor performance do álbum. Os tambores se apresentam de forma única, trazendo ainda mais personalidade para a composição. “Deus está roendo as unhas em sua suíte nas alturas, contemplando toda a insanidade das suas próprias criaturas”.

12 Fêmeas possui um defeito grave, e vou te contar agora qual é: ele possui um fim. Pois esse é daqueles que discos que você gostaria que nunca acabasse. Mas Marcelo Nova encerra 12 Fêmeas sem guardar o melhor para o final. O melhor está em cada segundo desse que já é o melhor álbum de 2013.

sábado, 4 de maio de 2013

Raul Seixas e Marcelo Nova - A Panela do Diabo [1989]

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Por Ayrton Mugnaini Jr. 
Publicado em novembrro de 1989 na Revista Bizz


A Panela do Diabo — Raul Seixas e Marcelo Nova (WEA)

Quis o Diabo, o grande Pai do Rock, que um de seus mais ilustres netos — e talvez o mais influente músico do rock brasileiro (não confundir com rock feito no Brasil) fosse embora no mesmo dia do lançamento do seu último LP.

Embora, nos seus últimos shows, Raul se mostrasse fora de forma — era Marcelo Nova que segurava a festa —, o vinil prova o contrário. Na verdade, esta Panela é bem melhor do que já prometiam o primeiro LP solo de Marcelo, ou mesmo a parceria de ambos (“Muita Estrela pra Pouca Constelação) no álbum de despedida do Camisa de Vênus (Duplo Sentido, 1987).

O interessante é notar que o tema “morte” aparece apenas nas composições de Marcelo — na metafórica “Quando Eu Morri”, e em “Rock’n’Roll” (“Por aí os sinos dobram... / Se são sinos da morte ainda não bateram para mim”).

Ninguém adivinharia que Raul estava na reta final. Aqui, ele canta melhor do que Marcelo, embora eles acabem formando uma dupla vocal tão desafinada quanto os Vips — o que se encaixa perfeitamente no espírito country rock de todo o LP. Além disso, Raul conta com o acompanhamento instrumental mais do que adequado da Envergadura Moral, secundada por Rick Ferreira (da banda de Raul) na guitarra, e André Christovam, tocando guitarra e violão. Sinal dos tempos: Raul e Marcelo já podem se apresentar na contracapa como “Putos Brothers”.

O LP faz jus à veia debochada de Raul e Marcelo, tratando de assuntos de qualidade como Rushdie ou o cacique Sting. A dupla fala ainda de seus problemas com bebida e/ou drogas (“Banquete de Lixo”, “Quando Eu Morri”). Raul, grande personalista do rock, assume mais um título: “Eu sou o mistério do sol” (em “Nuit”, sua faixa-solo neste LP).

Não deixa de ser tocante ouvir Raul dizendo “Aqui é Raulzito... this is rock’n’roll... the real one” (na faixa “Rock’n’roll”, que começa com vinte segundos a capella de “Be-Bop-A-Lula”, de Gene Vincent). Este LP é uma celebração do rock tão boa quanto os Traveling Wilburys da vida.

Ayrton Mugnaini Jr. (novembro de 1989)

de O Berro

A1 Be-Bop-A-Lula
(Gene Vincent, Bill "Sheriff Tex" Davis)
A2 Rock 'N' Roll
(Marcelo Nova, Raul Seixas)
A3 Carpinteiro Do Universo
(Marcelo Nova, Raul Seixas)
A4 Quando Eu Morri
(Marcelo Nova)
A5 Banquete De Lixo
(Marcelo Nova, Raul Seixas)

B1 Pastor João E A Igreja Invisível
(Marcelo Nova, Raul Seixas)
B2 Século XXI
(Marcelo Nova, Raul Seixas)
B3 Nuit
(Kika Seixas, Raul Seixas)
B4 Best Seller
(Marcelo Nova, Raul Seixas)
B5 Você Roubou Meu Videocassete
(Marcelo Nova, Raul Seixas)
B6 Cãibra No Pé
(Marcelo Nova, Raul Seixas)


segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Marcelo Nova - Hoje no Bolshoi [2011]

Yandex 320kbps


Estava pensando em escrever algo sobre esse álbum mas como meu tempo quase sempre é curto e decidi  procurar algum artigo já publicado e colocá-lo aqui. Depois de uma breve pesquisa me deparei com um este sobre o Bolshoi Pub que achei interessante e de relevância visto o nome do álbum, que disponibilizo abaixo:


Por Pablo Kossa

Nesse sábado (18/8), é dia de tirar do fundo de sua alma o mais lendário grito de guerra da música brasileira. Quando o relógio der as doze badaladas que anunciam que o sabadão deixou de ser sábado e virou domingo, ele, (o mito, o homem, o cara), Marcelo Nova, vai subir ao palco do Bolshoi Pub e soltar seu brado. Quando Goiânia ouvir o primeiro “Bota pra fudê!” é a senha de que nas próximas horas o rock vai rolar. E vai rolar direto.

Ex-vocalista do Camisa de Vênus, ex- companheiro de Raul Seixas no disco A Panela do Diabo e em uma turnê de 50 shows pelo Brasil, considerado a encarnação do rock no País, Nova retorna a Goiânia para lançar o DVD e CD Ao Vivo no Bolshoi, gravados em cima do palco do pub goianiense. O evento faz parte das comemorações dos sete anos de aniversário daquela que é considerada por muitos a melhor casa de shows da cidade (do Brasil?), o Bolshoi Pub.

História
O proprietário do Bolshoi, Rodrigo Carrilho, 43, não é um novato quando o assunto é noite em Goiânia. Ele já foi proprietário do lendário Suíte – casa especializada em rock mas, veja você, pioneira na inserção da música eletrônica na cidade – e do Bistrô. Após essa experiência de trabalhar na balada e amargar alguns prejuízos, Carrilho fez de tudo: foi dono de academia, vendeu anúncio de revista, vendeu títulos de clube, vendeu muçarela, foi para os Estados Unidos trabalhar de pedreiro e voltou ao Brasil com uma grana no bolso. Com a poupança que conseguiu resguardar no período em que fazia reformas para gringos, Carrilho tinha a meta de abrir um restaurante que conciliasse boa gastronomia, música de qualidade e uma boa seleção de cervejas importadas. No dia 11 de agosto de 2004 as portas do Bolshoi eram abertas.

A ideia original da casa não contemplava shows. Carrilho diz que foi engolido pelo ao vivo e não podia negar a vocação da casa. "Comecei eu mesmo discotecando enquanto as pessoas estavam jantando. Tinha filas de fora, não tinha espaço para todos que queriam entrar. O primeiro show foi um tributo ao Cranberries, só com voz e violão. A partir daí, iniciei uma agenda esporádica de shows. Toda vez que tinha música ao vivo, o público lotava e pedia mais. Eu fui engolido pela música ao vivo", conta Rodrigo . Mas não foi engolido sem elegância, muito pelo contrário. Já que esse era o caminho a ser trilhado, que fosse com estilo! Carrilho investiu em equipamentos, reforma e acústica visando a excelência. Começou a trabalhar com bandas locais, da cena nacional, tributos aos grandes nomes do rock com bandas cover, uma atraçãozinha internacional aqui, outra acolá. Um dia foi colocado em cheque com um telefonema:

- Boa tarde! Sou produtor e estou fazendo a turnê do The Doors pelo Brasil. Uma data caiu e queremos fazer em Goiânia para preencher a agenda. Topa?
- Topo. Mas... quanto é?

Acertados os valores, a icônica banda dos anos 60 se apresentou no Bolshoi Pub – coisa que até hoje muita gente não acredita. Essa data é considerada o ponto de inflexão na trajetória da casa. Depois disso, vários nomes de deixar de boca aberta quem gosta de rock, blues e jazz pisaram naquele palco. Gente do naite de Johnny Winter, Udo, Focus, Stanley Jordan, Magic Slim e por aí vai. Atualmente, o Bolshoi é considerado uma referência quando o assunto é boa música ao vivo não só em Goiânia, mas em todo Brasil. O telefone de Carrilho toca o dia inteiro com propostas de shows. "O critério para tocar no Bolshoi é simples: tem que ser música boa. E eu vou muito pelo meu feeling para tentar acertar. Até agora, tem rolado", pontua. 

Mas nem tudo são flores na vida noturna. A pergunta que urge é: qual o pior dia da história do Bolshoi? "Todo dia é difícil, sustentar esse sonho é difícil. Mas se for para escolher um dia, foi quando a Amma (Agência Municipal do Meio Ambiente) fechou a casa. Eles chegaram no meio da noite, o Bolshoi estava cheio e foi muito constrangedor. Fiquei dois meses em reforma depois disso e voltei atendendo tudo solicitado", desabafa. E como imaginar o Bolshoi daqui oito anos, no aniversário de 15 anos da casa? "Não consigo pensar com um prazo tão longo", rebate Rodrigo, mesmo tendo tatuado o Bolshoi em seu braço direito. "Tatuei por tudo que já passou, não pelo que espero do futuro. Se continuarmos atendendo bem as pessoas, trazendo bons shows para Goiânia e sendo uma referência nacional quando o assunto é música boa, o aniversário de 15 anos do Bolshoi será de muita alegria", comemora. 

Depois disso, só uma coisa a dizer: vida longa ao Bolshoi Pub!