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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Cassiano - Cedo ou Tarde [1991]

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Por Mauro Ferreira em Notas Musicais

Um dos gênios da soul music nacional, Cassiano esboçou a partir da década de 70 uma carreira fonográfica que logo empacou, após três álbuns lançados entre 1971 e 1976. Cedo ou Tarde - o disco do artista ora reeditado na série Caçadores de Música, da Sony Music - foi tentativa vã de trazer Cassiano à tona com regravações de suas principais músicas em duetos com notórios admiradores de sua obra. Lançado já no formato de CD em 1991, para festejar os 20 anos da edição do primeiro LP do compositor de Primavera, Cedo ou Tarde aglutinou participações de peso na ficha técnica. A começar por Marisa Monte, convidada da boa faixa-título. Discípulo ardoroso do mestre, Ed Motta soltou a voz em Know-How. Já Luiz Melodia dividiu Salve Essa Flor com Cassiano, engrossando time que contou também com Djavan (em Coleção, um dos poucos hits populares do compositor), Claudio Zoli (em A Lua e Eu, o outro sucesso de Cassiano) e Sandra de Sá (numa esmaecida Primavera). Prefira os álbuns da década de 70...


1 - Eu Amo Você
2 - Primavera (com Sandra De Sá)
3 - Salve Essa Flor (com Luiz Melodia )
4 - Bye Bye (com Karla Sabah )
5 - Rio Best-Seller
6 - Cedo Ou Tarde (com Marisa Monte )
7 - Setembro
8 - Coleção (com Djavan )
9 - A Lua E Eu (com Claudio Zoli)
10 - Know-How (com Ed Motta )
11  - Intro III

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Cassiano - Apresentamos Nosso Cassiano [1973]

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Por Ricardo Schott em discotecabasica.com via Brazilian Nuggets

Lançado depois do fracasso inicial de Imagem e Som e após um período em que o autor de "Primavera" estava sumido da mídia, Apresentamos... é o álbum mais ousado do cantor - mas era o pior disco que Cassiano poderia lançar para tentar chegar ao estrelato. O que era deliciosamente soul-pop no primeiro disco, com quedas para o rock e para o hippismo, tinha se tornado um soul psicodélico, experimental, com viradas bruscas na harmonia, orquestrações quase cinematográficas e letras de escrita automática. Vem daí a fama de "difícil" de Cassiano, que provavelmente deve ter descido o remo nos músicos que o acompanhavam para que mantivessem o ritmo e a melodia em músicas totalmente doidas, como o funk "Me chame atenção" e as progressivas "A casa de pedra" (com falsetes e vibratos que até assustam quem só conhece o Cassiano de "A lua e eu") e "Castiçal", cheias de partezinhas e de harmonias que poderiam estar num disco do Yes. As letras são um caso à parte: completamente surreais e experimentais, inserem viagens lisérgicas até mesmo em canções românticas, como na contemplativa balada "O vale" e no soul "Slogan" - isso sem falar na doideira da soul-country "Cinzas", a canção mais inventiva do disco, quase lembrando um Syd Barrett negão e convertido ao funk. Já "Melissa", canção que Cassiano havia feito para a filha recém-nascida, insere viradas na melodia em cortes bruscos. E na bela "Cedo ou tarde", as variações harmônicas e rítmicas são tantas que Cassiano tem até dificuldades de entrar no tom certo. Dá até para começar a entender aquelas histórias que dizem por aí de que Tim Maia e Cassiano nunca conseguiram fazer um disco em parceria porque o Tim morria de vergonha de cantar na frente dele. 

Além de inovar em composição e arranjo, Apresentamos... vale por uma aula de gravação-mixagem, especialmente em faixas como "Calçada", rock´n roll conduzido por piano Fender Rhodes e cheio de efeitos de eco, psicodelia pura. O disco soa como herança direta do lado mais experimental do soul, feito por artistas como Isaac Hayes e George Clinton, e como uma perversão lisérgica de todo o cenário soul-funk, ousando como poucos já haviam feito no Brasil em matéria de música. Acabou resultando em mais alguns anos na geladeira para o cantor, que só voltaria a gravar em 1976, com os singles "A lua e eu" e "Coleção" (em parceria com Paulo Zdanowski, músico de São Gonçalo - hoje médico - que já colaborava com Cassiano na época de Apresentamos...). Lançado nessa época, o LP Cuban Soul vinha com uma proposta mais pop, mas não deixava de mesclar vários ritmos latinos ao funk, soul e ao rock, revelando vários hits e se tornando o álbum mais popular do soulman. 

Nos últimos tempos, pouco se ouviu falar de Cassiano. Em 1991 a Sony Music foi pioneira ao fazer um tributo ao cantor (Cedo ou Tarde, com Marisa Monte, Ed Motta, Luiz Melodia, Cláudio Zoli, etc) e Cassiano, sumido até então, seguiria dando esporádicos shows. Em 1999, pouco antes do lançamento da coletânea Coleção, chegou a ser alardeado que Cassiano iria trabalhar com Guto Goffi, baterista do Barão Vermelho, e que tinha canções novas esperando para serem gravadas (algumas delas compostas nos anos 70, em parceria com Paulo Zdanowski) mas tudo ficou só no quase. Dono de um estilo e de um ritmo de trabalho próprios, Cassiano sofre até hoje com dificuldades de inserção no mercado - o resultado é que o Brasil, um país acostumado a estilos e ritmos de trabalho padronizados, quase não conhece a genial arte de Cassiano, um cantor-compositor fenomenal que chegou ao século XXI tendo que ser permanentemente "redescoberto". Uma merda. 


A1 - O Vale
(Cassiano)
A2 - Slogan
(Cassiano)
A3 - A Casa De Pedra
(Cassiano)
A4 - Chuva De Cristal
(Cassiano)
A5 - Melissa
(Cassiano)
B1 - Castiçal
((Cassiano)
B2 - Me Chame Atenção
(Cassiano/Renato Britto)
B3 - Calçada
(Cassiano/Suzana)
B4 - Cinzas
(Cassiano)
B5 - Cedo Ou Tarde
(Cassiano/Suzana)

domingo, 14 de junho de 2015

Cassiano - Cuban Soul [1976]

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Por Vitor Ranieri em Samba Safari

Zico nunca ganhou uma Copa do Mundo. Chaplin nunca recebeu um Oscar como ator. Gandhi foi morto por um hindu. Cassiano, um dos maiores cantores que o Brasil já teve, vive hoje no esquecimento. Pai da Soul Music brasileira, ao lado de Tim Maia, Cassiano é dono de um jeito inconfundível de cantar, uma mistura de Lupicínio Rodrigues e Stevie Wonder que levou o estilo a um novo patamar.

Poucos sabem, mas além de cantor, Cassiano participou em 1970 do primeiro disco de Tim Maia tocando guitarra e fazendo backing vocals. Os eternos hits deste disco, “Primavera” e “Eu amo você”, são músicas de sua autoria, assim como os sucessos populares “A lua e eu”, regravada pelo grupo de pagode Pixote, e “Coleção”, também conhecida na voz de Ivete Sangalo. Para os mais atentos, “Onda”, também de Cassiano, é a canção que abre “Da Ponte pra Cá”, dos Racionais MCs.

No álbum “Cuban Soul”, de 1976, Cassiano mistura seus dois primeiros discos e encontra a fórmula mágica do Soul. Embora goste muito, muito mesmo, de “Imagem e som”, de 1971, e “Apresentamos nosso Cassiano”, de 1973, escolhi este disco para ilustrar a sonoridade deste gênio. Infelizmente, “Cuban Soul” seria o último disco de músicas inéditas do cantor.

Espero que gostem e passem adiante!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cassiano - Imagem e Som [1971]

Download FLAC


Por Rodrigo Mattar em A Mil Por Hora

O paraibano Genival Cassiano dos Santos, nascido em Campina Grande no ano de 1943, é um dos nomes mais injustiçados da história da música brasileira. Já faz três décadas desde seu último lançamento de músicas inéditas e só uma coletânea alentadíssima organizada por Ed Motta para o selo Dubas Música da Universal foi capaz de resgatar parte da fecunda obra do cantor/compositor.

Cassiano é um dos pais do soul e do funk no Brasil. No começo da carreira musical, formou o grupo Bossa Trio, mais tarde rebatizado Os Diagonais, com o irmão Camarão e os também nordestinos Amaro e Hyldon. Gravaram um álbum que continha uma surpreendente versão de “Na baixa do sapateiro”, de Ary Barroso, cheia de suingue. O disco teve pouca repercussão e vendas baixas, mas Tim Maia adorou e ouviu – tanto que chamou o quarteto para participar de seu primeiro disco, lançado em 1970.

O sucesso instantâneo de músicas como “Primavera” foi a prova de que Cassiano estava para o soul e o funk como João Gilberto para a Bossa Nova, no sentido do fraseado harmônico das canções e harmonias rebuscadas. Tanto que o próprio Tim dizia que pra cada nota que escrevia, Cassiano dava cinco.

E assim no início de 1971 o paraibano, com a ajuda de músicos como Capacete (baixo elétrico), Charles (piano) e Paulinho (bateria), com participação dos Diagonais nos vocais e arranjos de Waldyr Arouca Barros, gravou enfim seu primeiro disco, pela RCA Victor.

Imagem e Som, título do álbum de estreia de Cassiano, traz grandes canções do mestre. A inevitável “Primavera”, uma regravação do estouro nacional de Tim Maia, acaba sendo apenas mais uma das 12 faixas do álbum, que abre com “Lenda”, parceria de Lula Freire com Marcos Valle. Com Tim Maia, Cassiano assina duas músicas – os funks “Ela mandou esperar” e “Tenho dito”.

Mas as melhores de todo o álbum são as composições assinadas somente pelo paraibano. A lindíssima balada “Já” tem grande influência harmônica do que os Beach Boys fizeram em Pet Sounds, com uma levada de bateria típica dos anos 60. “É isso aí” (que, ainda bem, não é aquela da Ana Carolina com o Seu Jorge) remete aos grandes grupos da Motown, como Four Tops e Temptations. Nessa faixa, a linha de baixo de Capacete é simplesmente espetacular.

Mas não ficou por aí: “Uma lágrima”, canção que o próprio Cassiano qualifica como uma das mais bonitas que fez, ganhou lindo arranjo de Waldyr Arouca Barros. A letra é o que se pode descrever como o mínimo dentro do máximo. Poucos versos, frases curtas, diretas e tocantes.

Sonho que sonhei, lindo amanhecer
Natureza que te amo
Hoje o amor se faz em forma de canção
Até o luar presente se fez
Uma lágrima que em santas lágrimas
A nova época já viu passar sem se lamentar
Só o amor constroi, só o amor reviverá
Uma lágrima…

E ainda existe “Não fique triste”, que fecha em grande estilo o belo disco de estreia de Cassiano como artista solo. Ela é construída numa harmonia do tipo vai-volta-vai-volta. Parece que a música nunca acaba, algo parecido com “We’re going wrong”, do Cream, só que com muito mais doçura e num andamento mais lento. Realmente, um momento brilhante de um artista que, volto a repetir, não merecia nunca ser esquecido pela MPB. Cassiano é um gênio e poucos sabem reconhecê-lo.


Ficha técnica de Imagem e Som

Selo: RCA Victor
Gravado em 1971
Produção de Alfredo Corleto

Músicas:

1. Lenda (Lula Freire/Marcos Valle)
2. Ela mandou esperar (Cassiano/Tim Maia)
3. Tenho dito (Cassiano/Tim Maia)
4. Já (Cassiano)
5. É isso aí (Cassiano)
6. O caso das bossas (Gil Rosendo/W. Namor)
7. Eu, meu filho e você (Cassiano)
8. Primavera [Vai chuva] (Cassiano/Sílvio Rochael)
9. Minister (Cassiano)
10. Uma lágrima (Cassiano)
11. Canção dos hippies [Paz e amor] (Professor Pardal)
12. Não fique triste (Cassiano)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Cassiano - Amor Imenso / Tá Dando Mole, Zé [1984]

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Ficha Técnica:

Amor Imenso e Tá Dando Mole,Zé (ambas de Cassiano)

Arranjos, Regências, Rhodes, Piano Acústico e Roland Juno 60: Dom Charles
Violão Giorgio, Guitarra e Percussão: Cassiano
Baixo: Pedrinho
Percussão: Paulo Ribeiro e Tureko
Vocais: Amaro, Camarão, Tureko, Carlinhos, Tinho e Cassiano
Primeiro Trumpete e Flugelhorn:Paulinho
Trompetes: Adoniram e Carlinhos
Sax-alto: Tinho
Sax-Tenor: Netto
Trombone de Vara: Ricochete