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sexta-feira, 26 de abril de 2019

Ave Sangria - Vendavais [2019]

Mega 320kbps


Lançado no primeiro instante desta sexta-feira (26/abr) o tão aguardo segundo álbum de inéditas da lendária banda Ave Sangria.

O fim de semana promete. 

Bora baixar e dar o play!


1. O Poeta
2. Silêncio Segredo
3. Vendavais
4. Dia a Dia
5. Olho da Noite
6. Carícias
7. Sete Minutos
8. Ser
9. Sundae
10. Marginal
11. Em Órbita

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Ave Sangria - Dia a Dia [2019]

Mega 320kbps


Depois de décadas a icônica Ave Sangria lança material inédito. Esse single demonstra que a banda mesmo sendo atual na construção dos acordes soube manter suas características inconfundíveis. Dá-lhe Ave Sangria.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Crônica : A fita perdida do último show do Ave Sangria

Por José Teles publicado em 1 de junho de 2014 no  Jornal do Commercio


Este ano completam-se quatro décadas do álbum de estreia do Ave Sangria. Torçamos para que a Warner Music, que herdou o acervo da Continental, a gravadora que contratou o AS, se sensibilize e reedite o álbum. E mais: que a sorte nos sorria, e os caras da Warner cismem, e lancem em edição de luxo, com um CD adicional. Este segundo CD traria o derradeiro show do Ave Sangria em 29 de dezembro de 1975, no Teatro de Santa Isabel.

Taí, Olívia Mindelo, se fiz alguma coisa importante nesta labuta de escrever sobre música, foi salvar a fita K-7, marca TDK, alemã com o registro do supracitado show. A história como a história foi acho que já contei, mas vale apena contar de novo.

Não lembro exatamente em que ano peguei emprestada a fita cassete. Fiz uma visita ao guitarrista Paulo Rafael, no Jardim Botânico, no Rio. Ele me levou a um dos quartos onde montou um estúdio doméstico, que se limitava basicamente a um Macintosh. Enquanto ele tocava algumas trechos de músicas, vislumbrei em cima de uma caixa de fita de rolo Scotch, um K-7 com uma capinha azulada. Apanhei a fita e me surpreendi. PQP! Era a gravação do concerto final do Ave Sangria.

Fizeram uma capinha pro K-7, com uma foto colorida do grupo, e o título escrito à mão. Pedi a fita emprestada, Paulo liberou, eu trouxe pro Recife. Como a gente se via pouco, nem Paulo me cobrou a fita, nem eu devolvi. Um dia um Rogério, outro amigo, de sobrenome também Telles (acho que com dois “L”), me contou que tinha comprado um aparelho que copiava cassete pra CD. Uma novidade. Lembrei da fita do Ave Sangria. Perguntei se ele podia passar a bicha pra CD, eu pagaria. Ele disse que nem precisava pagar. Entreguei fita a ele. E o cara sumiu. Até hoje não sei por onde anda Rogério que, no tempo que todo mundo ia na Toca de Humberto, na Rua d Matriz, era conhecido por Rogério Punk.

Já havia dado a fita por perdida. Uns quatro anos depois, começo de 2001, vou saindo de casa pro jornal, umas dez da matina. Na esquina funcionava um bar, àquela hora fechado. Quem vejo sentado numa das mesas do bar, que ficava na parte de fora. Mesas pesadas, de cimento, sem perigo de serem afanadas. Quem eu vejo? Rogério. Quase nem o cumprimento, pergunto logo pela fita . Continuava com ele, disse o cara. Pedi de volta. Ele me devolveu alguns dias depois. Esta fita teria importância grande no interesse que surgiu novamente em torno do Ave Sangria.

Reencontrei a fita exatamente na época em que eu, Paulo André, Débora Nascimento e Rogê participávamos do projeto, da Fundarpe, Sintonize Pernambuco, na Universitária FM. O meu programa se chamava Do frevo ao manguebeat, mesmo nome do livro que lancei em 2000, e situou o udigrudi pernambucanos dos anos 70 no mapa da MPB (com várias incorreções, o que é natural, já que o assunto nunca havia entrado em livro, e tive pouco tempo praescrever aquele, para a Editora 34, de São Paulo).

Fiz um programa especial com a fita, de que participou Almir, o baixista do Ave Sangria. Entrevistei também Marco Polo no programa. A fita foi gravada, copiada, compartilhada em blogs que disponibilizavam discos para download gratuito. Um documento importante de uma época, porque só se conhecia o Ave Sangria daquele único LP, saído pela Continental, em 1974, e de uma coletânea da mesma gravadora. Uns dois anos depois, Almir me pediu a fita. Achei que ela pertencia tanto a ele quanto a Paulo Rafael, e entreguei.

Mais alguns anos, tô eu lá na calçada do Bar Central, conversando com Paulo Rafael, acho que era véspera de Carnaval, porque o movimento da rua tava intenso. Alguém na roda de papo, puxou o assunto da fita, e Paulo Rafael comentou: “Era minha, algum feladaputa deu o ganho”. E eu: “Fui eu. Mas tu liberou”. Pois é, se eu não tivesse dado o ganho, a fita talvez tivesse sumido, oxidado-se, e a saideira do Ave Sangria, no Santa Isabel, iria ficar somente na memória de quem assistiu (foram duas apresentações). Isto é, na memória de quem assistiu, e tava ciente disto. A maioria da plateia não lembra nem se foi ao show.

Confiram o Ave Sangria, num clipe de Cidade grande:

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ave Sangria - Ave Sangria [1975]

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Ave Sangria, os 'Stones do Nordeste', uma história interrompida
Por José Telles 
publicado no SenhorF

Eles usavam batom, beijavam-se na boca em pleno palco, faziam uma música suja, com letras falando de piratas, moças mortas no cio. E eram muito esquisitos; "frangos", segundo uns, e uma ameaça às moças donzelas da cidade, conforme outros. Estes "maus elementos" faziam parte do Ave Sangria, ex-Tamarineira Village, banda que escandalizou a Recife de 1974, da mesma forma que os Rolling Stones a Londres de dez anos antes. Com efeito, ela era conhecida como os Stones do Nordeste.

"Isto era tudo parte da lenda em torno do Ave Sangria" - explica, 25 anos depois, Rafles, o ministro da informação do grupo. "O baton era mertiolate, que a gente usava para chocar. Não sei de onde surgiu esta história de beijo na boca, a única coisa diferente na turma eram os cabelos e as roupas." Rafles por volta de 68, era o "pirado" de plantão do Recife. Entre suas maluquices está a de enviar, pelo correio, um reforçado baseado, em legítimo papel Colomy, para Paul McCartney. Meses depois, ele recebeu a resposta do Beatle: uma foto autografada como agradecimento.

Foi Rafles quem propôs o nome Tamarineira Village, quando o grupo tomou uma forma definitiva, com a entrada do cantor e letrista Marco Polo. Isto aconteceu depois da I Feira Experimental de Música de Fazenda Nova. Até então, sem nome definido, Almir Oliveira, Lula Martins, Disraeli, Bira, Aparício Meu Amor (sic), Rafles, Tadeu, e Ivson Wanderley eram apenas a banda de apoio de Laílson, hoje cartunista do DP.

Marco Polo, um ex-acadêmico de Direito, foi precoce integrante da geração 45 de poetas recifenses. Com 16 anos, atreveu-se a mostrar seus poemas a Ariano Suassuna e a Cesar Leal. Foi aprovado pelos dois e lançou seu primeiro livro em 66. Em 69, iniciou-se no jornalismo, como repórter do Diário da Noite. Logo ganhou mundo. Em 70, trabalhou por algum tempo no Jornal da Tarde, em São Paulo, mas logo virou hippie, trabalhando como artesão na desbundada praça General Osório, em Ipanema. O primeiro show como Tamarineira Village foi o Fora da Paisagem, depois do festival de Fazenda Nova. Vieram mais dois outros shows, Corpo em Chamas e Concerto Marginal. A partir daí a banda amealhou um público fiel.

Ciganos

A mudança do nome aconteceu quando o grupo passou a ser convidado para apresentações em outros Estados. Os músicos cansaram-se de explicar o significado de Tamarineira Village. O Ave Angria, segundo Marco Polo, foi sugestão de uma cigana amalucada, que encontraram no interior da Paraíba: "Ela gostou de nossa música e fez um poema improvisado, referindo-se a nós como aves sangrias. Achamos legal. O sangria, pelo lado forte, sangüíneo, violento do Nordeste. O ave, pelo lado poético, símbolo da liberdade do nosso trabalho.

Na época, o som do Quinteto Violado era uma das sensações da MPB. Não tardou para as gravadoras mandarem olheiros ao Recife em busca de um novo quinteto. A RCA foi uma delas. O Ave Sangria foi sondado e recusou a proposta (a RCA contratou a Banda de Pau e Corda).

O disco viria com a indicação da banda, pelo empresário dos Novos Baianos, à Continental, a primeira gravadora a apostar no futuro do rock nacional. Antecipando a gozação por serem nordestinos, os integrantes da banda chegaram no estúdio Hawai, na Avenida Brasil, Rio, todos de peixeira na mão: "Falamos para o pessoal ter cuidado, porque a gente vinha da terra de Lampeão", relembra Almir Oliveira. Foi um dos poucos momentos de descontração da banda. Com exceção de Marco Polo, nenhum dos integrantes conhecia o Rio e jamais haviam entrado num estúdio de gravação.

De peixeira na mão

Como agravante, quem produziu o disco foi o pouco experiente Marcio Antonucci. Ex-ídolo da Jovem Guarda (formou a dupla Os Vips, com o irmão Ronaldo), Antonucci ficou perdido com o som que tinha em mãos, e o pôs a perder: "Ele não entendeu nada daquela mistura de rock e música nordestina que a gente fazia, e deixou as sessões rolarem. O diabo é que a gente também não tinha a menor experiência de estúdio", conta o guitarrista Paulo Rafael. Resultado: o disco acabou cheio de timbres acústicos. O Ave Sangria, involuntariamente, virou uma espécie de Quinteto Violado udigrudi. E adulterado não foi apenas o som. A gravadora não topou pagar pela arte da capa e colocou em seu lugar um arremedo do desenho original, assinado por Laílson.

O disco, mesmo pouco divulgado, conseguiu relativo sucesso no Sudeste, e vendeu bastante em alguns Estados do Nordeste. Uma das músicas que fizeram mais sucesso, e polêmica, foi o samba-choro Seu Waldir. "Seu Waldir o senhor/ Machucou meu coração/ Fazer isto comigo, seu Waldir/ Isto não se faz não... Eu quero ser o seu brinquedo favorito/ Seu apito/ Sua camisa de cetim..." Numa época em que a androginia tornava-se uma vertente da música pop. Lá fora com o gliter rock de David Bowie, Gary Glitter e Roxy Music com Alice Cooper, a aqui com o rebolado dos Secos & Molhados, Seu Waldir foi considerado pelos moralistas pernambucanos como uma apologia ao homossexualismo, quando não passava de uma brincadeira do irreverente do Ave Sangria.

Seu Waldir por pouco não vira mito. Uns diziam que era um senhor que morava em Olinda, pelo qual o vocalista do Ave Sangria apaixonara-se. Outros, que se tratava de um jornalista homônimo. Enfim, acreditava-se que o tal Waldir era um personagem de carne e osso. Marco Polo esclarece a história do personagem "Eu fiz Seu Waldir, no Rio, antes de entrar na banda. Ela foi encomendada por Marília Pera para a trilha da peça A Vida Escrachada de Baby Stomponato, de Bráulio Pedroso, que acabou não aproveitando a música".

. O Departamento de Censura da Polícia Federal não levou fé nesta versão. Proibiu o LP e determinou seu recolhimento em todo território nacional. A proibição incitada, segundo os integrantes do Ave Sangria, pelo hoje colunista social do Diário de Pernambuco, João Alberto: "Ele tocava a música no programa de TV que ele apresentava e comentava que achava um absurdo, que uma música com uma letra daquelas não poderia tocar livremente nas rádios", denuncia Rafles. Almir Oliveira diz que lembra dos comentários do jornalista na televisão: "Mas não atribuo diretamente a ele. Se não fosse ele, teria sido outra pessoa, a música era mesmo forte para a época", ameniza. A proibição, segundo comentários da época, deveu-se a um general, incentivado pela indignação da esposa, que não simpatizou com a declaração de amor a seu Waldir.

O disco foi relançado sem a faixa maldita, mas aí o interesse da mídia pelo grupo já havia passado. A Globo, por exemplo, desistiu de veicular o clipe feito para o Fantástico, com a música Geórgia A Carniceira. O grupo perdeu o pique: "A gente era um bando de caras pobres, alguns já com filhos, a grana sempre curta. No aperto, chegamos até a gravar vinhetas para a TV Jornal (uma delas para o programa Jorge Chau)", relembra Marco Polo.

Em dezembro de 1974, o Ave Sangria parecia querer alçar vôo novamente. O grupo fez uma das suas melhores apresentações, com o show Perfumes & Baratchos. O público que foi ao Santa Isabel não sabia, mas teve o privilégio de assistir ao canto de cisne da Ave Sangria. Foi o último show e o fim da banda.