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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Lobão - Lino, Sexy & Brutal [2012]



Por Julio César Biar

Lobão (@lobaoeletrico) passou boa parte da última década se dedicando à TV, onde exerceu o papel de apresentador de programas na MTV. Mantendo a controvérsia que caracteriza sua carreira artística, lançou em 2010, ‘50 anos a mil’, autobiografia que logo entrou para as listas dos livros mais vendidos. Agora é a vez de chegar às lojas ‘Lobão elétrico – Lino, sexy & brutal’, registro audiovisual de sua mais recente turnê.

Gravados em uma única noite em outubro deste ano, em São Paulo, o DVD e o CD lançados pela gravadora Deck trazem uma vigorosa exibição de rock’n’roll tupiniquim que enfileira sucessos como ‘Me chama’ (Lobão, 1984), ‘Decadence avec élegance’ (Lobão, 1985) e ‘Rádio blá’ (Lobão/ Arnaldo Brandão/ Tavinho Paes, 1987). Acompanhado por Duda Lima (baixo/ vocais), Armando Cardoso (bateria) e André Caccia Bava (guitarra/ vocais), Lobão também faz versões incendiárias de ‘Corações psicodélicos’ (Lobão/ Julio Barroso/ Bernardo Vilhena, 1984) e ‘O rock errou’ (Lobão/ Bernardo Vilhena, 1986).

“Finalmente estou ouvindo as minhas músicas do jeito que eu queria”, diz o velho Lobo em entrevista contida nos extras do DVD masterizado nos estúdios Abbey Road (Londres). A qualidade do projeto assinado por ele salta aos olhos e, principalmente, aos ouvidos também no clássico romântico ‘Por tudo que for’ (Lobão/ Bernardo Vilhena, 1988).

A produção autoral nascida longe das grandes gravadoras e da programação das FMs mantém o elevado nível da apresentação e distancia ‘Lino, sexy & brutal’ do caráter meramente comercial/revisionista. De 1999 aparecem ‘A vida é doce’ e ‘El desdichado II’. Do álbum ‘Canções dentro da noite escura’, de 2005, Lobão recupera ‘Você e a noite escura’, ‘Balada do inimigo’ e ‘Não quero seu perdão’ (Lobão/ Julio Barroso/ Taciana Barros). Lançada simultaneamente com sua autobiografia, ‘Das tripas coração’, “uma homenagem aos amigos Julio Barroso, Cazuza e Ezequiel Neves”, também está no roteiro.

Corroborando uma das inúmeras declarações polêmicas de Lobão – “‘O rock’n’roll é a trilha sonora da humanidade a partir dos anos 1950” – a quantidade de excelentes guitarristas brasileiros impressiona. Único cover do roteiro, ‘Ovelha negra’ (Rita Lee) traz a participação especialíssima de um deles: Luiz Carlini, guitarrista do extinto grupo ‘Tutti Frutti’, que recria o memorável solo da gravação original registrado no álbum ‘Fruto Proibido’ (1975). A luxuosa guitarra de Carlini permanece em cena em outros números, contribuindo para a alta voltagem de ‘Lobão elétrico – Lino, sexy & brutal’.

domingo, 21 de outubro de 2012

Lobão e Os Ronaldos - Ronaldo Foi Pra Guerra [1984]




Por Marcus Vinícius Beck

Não trata-se de um enorme sucesso comercial, mas sim de um disco ótimo, musicalmente, lembrando muito a new wave, que vinha sendo um sucesso no Reino Unido deste o final dos anos 70. Ronaldo foi pra guerra também foi uma critica ao então regime militar, no qual ele meio que obrigava você a escolher uma profissão muito cedo, chamado de tecnocracia. Me chama, feita para a sua namorada Alice Pink Punk, fora um sucesso nas rádios de todo o país,figurando entre as primeiras musicas mais tocadas dos anos 80.

Destaque vão para as musicas: Me chama, Ronaldo Foi Pra Guerra, Corações Psicodélicos, Bambino, Os Tipos Que Eu Nunca Fui (que acabou sendo a musica de trabalho do álbum, o que segundo Lobão foi um tremendo de um erro), Rio de Delírio.

Os Ronaldos eram:
Guto - guitarra e voz
Alice Pink Pank - teclados e voz
Odeid - baixo
Baster Barros - bateria

sábado, 6 de outubro de 2012

Lobão - Acústico MTV [2007]


Yandex 320kbps]
Mega 320kbps


Por Ricardo Seelig em Whiplash

Afastado da grande indústria musical há vários anos, o velho lobo tirou o comando da sua carreira das mãos das grandes gravadoras e passou ele mesmo a lançar seus trabalhos de forma independente. A revista Outra Coisa, seu cartão de visita, além de colocar nas bancas de todo o país seus novos CDs, foi também a responsável pelo lançamento de ótimos novos artistas, sendo o mais destacado deles o excelente Cachorro Grande (que por sinal participa do CD, na faixa “A Gente Vai Se Amar”).

Esse “Acústico MTV” marca o retorno de Lobão ao sistema, ao estabilishment que ele tanto combateu, e continua combatendo, ao longo dos anos. Lançado pela Sony Music, apresenta uma super produção, com belíssimos cenários e uma senhora banda de apoio. Mas o que realmente salta aos olhos no projeto é a qualidade das composições de Lobão, imunes ao tempo.

Esse aspecto fica ainda mais evidente pela inteligente construção dos arranjos para as versões acústicas. Nada soa óbvio no trabalho. “Decadence Avec Elegance” surge com uma introdução irreconhecível, que evolui para uma levada que é pop puro. “Essa Noite, Não” virou um baião nordestino. O mesmo vale para “Canos Silenciosos”, “Rádio Blá” e “Corações Psicodélicos”, com versões superiores às originais.

Mas o maior destaque do disco vai para o quarteto formado por “Por Tudo Que For”, “Noite e Dia”, “Me Chama” e “Você e a Noite Escura”. Nestas quatro canções fica evidente a qualidade do material composto por Lobão ao longo de sua carreira. Quatro lindas baladas, que emocionam sem cair na pieguice em nenhum momento. Até mesmo a mais que batida “Me Chama”, presença certa em qualquer roda de amigos com um violão, ganha ares novos e desce redonda.

Uma coisa que devo dizer: eu não acompanhei a carreira de Lobão quando ele começou a lançar seus discos de forma independente. Talvez por isso, eu tenha ficado tão impressionado com “Você e a Noite Escura”. Dona de uma letra belíssima, é, com certeza, a melhor canção deste “Acústico MTV”.

Lobão conseguiu fazer um belo disco neste seu projeto acústico. Suas versões soam renovadas e refrescantes, inserindo novos elementos e construindo novas sonoridades em músicas que fazem parte do imaginário pop brasileiro. Eu torço para que, com a exposição que esse disco deve proporcionar a Lobão, sua carreira ganhe um sopro e que a sua obra seja descoberta por novos fãs.

O cenário pop nacional fica melhor quando um artista inquieto e contestador como Lobão está em evidência na grande mídia. Que essa fase dure.


1. El Desdichado II
2. Essa Noite, Não
3. Decadence Avec Elegance
4. Bambina
5. Vou Te Levar
6. Quente
7. Por Tudo Que For
8. Noite e Dia
9. Me Chama
10. Você e a Noite Escura
11. A Queda
12. A Vida É Doce
13. Pra Onde Você Vai
14. O Mistério
15. Canos Silenciosos
16. Rádio Blá
17. Corações Psicodélicos
18. A Gente Vai Se Amar

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Lobão - Cena de Cinema [1982]


Por Bruno França

Em 1982, depois de uma saída conturbada da Blitz, Lobão apostou todas suas fichas na improvável e inviável (segundo ele) carreira solo, nascia assim uma estrada cheia de sucessos, confusões, amizades e amores. 

Como o próprio Lobão dizia “sou músico de banda, preciso de um grupo, sou baterista”. Mas foi derrubando e esquecendo esse pensamento que se lançou em carreira solo sem menos saber cantar diante de um microfone ou front a um palco. Só veio conhecer sua voz e construí-la na gravação do que seria seu primeiro álbum, “Cena de Cinema”. Gravação que foi feita antes do desligamento da Blitz.

Mas Joãoluizinho não fez tudo sozinho, claro que não, contou com com ajuda de uma banda de apoio de peso. Nos vocais de apoio participaram a cantora Marina Lima, e o gringo Richie, ex-companheiro de Lobão no grupo Vímana. Outro ex-integrante do Vímana que tomou as partes das guitarras foi o músico Lulu Santos. Completando o “fraco” lineup, no baixo de seis cordas Marcelo Sussekid (ex-bolha, Herva Doce), e William Forghieri no conjunto de teclados. 

Assim foi produzido e gravado “Cena de Cinema”, que foi inicialmente lançado somente no formato K7 precariamente, mas logo em seguida foi adquido pela gravadora RCA Victor (hoje BMG). Atualmente seria uma façanha encontrar algum exemplar deste disco, seja em LP ou em fita K7, pela mal distribuição efetuada pela RCA Vector, fato ocasionado por vários fatores, mas um em especial : Lobão simplesmente destruiu a sala do diretor da gravadora em um dia de fúria, após saber de algumas restrições impostas em seu trabalho. 

Para a nossa felicidade, com a tecnologia que nos é fornecida hoje em dia, podemos encontrar “Cena de Cinema” facilmente nos quatro costados da Internet, e nos deliciar com esse belo trabalho que Lobão realizou na sua estréia como músico e cantor solo. Destaque para a faixa que da título ao disco, “Cena de Cinema” com uma levada pop rock apaixonante e um primeiro verso viciante “Tava queimando no meu carro, a tal da gasolina”, na quinta faixa do álbum “Doce da Vida” percebe-se um certo sentimento solitário, um pelo blues para ser ouvido à noite. Logo em seguida vem “Stopim”, a rock balada do disco contando causos e história em meio a um refrão dos mais grudentos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Cantor Lobão exalta a ditadura militar e ataca Chico Buarque

Publicado em 1 junho 2011

Entre aplausos e vaias, o egocêntrico classificou a esquerda brasileira de “gente rancorosa e invejosa” e diz que torturadores arrancaram “apenas umas unhazinhas”

Lobão pirou de vez. De crítico da indústria da música e do regime militar, no passado, ele hoje se converteu num direitista bravateiro. Até parece que faz as suas declarações bombásticas para atrair os holofotes. Mas agora ele exagerou.

Durante o Festival da Mantiqueira, ocorrido na cidade de São Francisco Xavier (SP), ele criticou o cantor João Gilberto – que “virou um ser sagrado e nós temos que destronar tudo o que é sagrado” –, atacou Chico Buarque e ainda afirmou que “a MPB é de uma mediocridade galopante”.

“Torturadores arrancaram umas unhazinhas“

Entre aplausos e vaias, o egocêntrico classificou a esquerda brasileira de “gente rancorosa e invejosa”. No auge das suas baboseiras reacionárias, Lobão afirmou que há “um excesso de vitimização na cultura brasileira… Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização para quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores que arrancaram umas unhazinhas”.

Lamentável. O que não se faz por dinheiro e por alguns minutos de fama na mídia brasileira.

Leia abaixo a fala de Lobão:

“” A gente tinha que repensar a ditadura militar. Por que as pessoas acham… Essa Comissão da Verdade que tem agora. Por que que é isso? Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não [risos]. Essa foi horrível [risos]. Mas é, é bem isso. Quem é que vai falar isso? Quem é que vai ter o colhão de achar que bunda de pinto não é escovinha? Porque não é. Não é. Então é o seguinte: a gente viveu uma guerra. As pessoas não estavam lutando por uma democracia, as pessoas estavam lutando por uma ditadura de proletariado. As pessoas queriam botar um Cuba no Brasil, ia ser uma merda pra gente. Enquanto os militares foram lá e defenderam nossa soberania. “”

Em seguida Lobão afirma que Che Guevara foi um facínora que assassinou camponeses.

“Por que ele [Che] é mais humano que um torturador? Essa é uma pergunta que é capciosa, é corrosiva, mas é pertinente. Então os caras que sequestravam fulano, beltrano, então eles eram mais bonzinhos do que o cara que arrancava unha nos calabouços? Vamos fazer essa equação? Empate, cara. Pensa bem. Tem que ser um cara muito escroto pra poder falar sobre isso, mas é a pura verdade.“


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Lobão e Claudio Tognolli - 50 Anos a Mil [2011]

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De certa forma fiquei um pouco decepcionado com o livro pois ele não é transmitido toda irreverência que se encontra nas entrevistas do Lobão. Tirando isso o livro é bem interessante, a parte em que ele retrata seus dias na prisão é chocante.

Livro em formato ePub.