segunda-feira, 30 de abril de 2012

Tellah - Continente Perdido [1980]

*Download FLAC


Por Olímpio Cruz Neto
Publicado originalmente em 13 de setembro de 2007 no radicaos

Qualquer roqueiro que viveu em Brasília em 1980 e fosse um pouco ligado à cena musical da cidade se surpreendeu com o lançamento naquele ano do álbum Continente Perdido, da banda de rock Tellah. O álbum – hoje uma raridade disputada a tapa em sebos de disco – jamais fez o sucesso que merecia, de acordo com parte da crítica especializada. Sequer foi notado pelo então incipiente mercado fonográfico de rock brasileiro, embora tenha sido relançado em CD já no início dos anos 90 e ganho o reconhecimento entre roqueiros da Europa e do Japão.

Um feito e tanto para uma banda que encerrou suas atividades justamente quando acabara de lançar o disco em 1980. Três meses depois de Continente Perdido chegar às lojas da cidade e ocupar espaço nas rádios locais, o grupo resolveu pendurar os instrumentos. A verdade é que a própria banda não tinha maiores pretensões quando lançou o LP. Isso pode ser percebido pela prensagem do disco: precárias 1.000 cópias. A baixa tiragem, considerada irrisória hoje mesmo para uma banda de garagem, foi o bastante para manter vivo o mito em torno da banda.

O lendário grupo surgiu na cidade em 1974 e, ironicamente, jamais teve a chance de experimentar o gosto do sucesso quando o rock de Brasília ganhou fama no eixo Rio-São Paulo, em meados da década de 80. É bem verdade que o estilo diferia muito do que estava sendo feito na mesma época pela Turma da Colina, que optara por uma postura mais punk e rocks mais nervosos. Grupos como Aborto Elétrico, Blitx 64 e Metralhaz – antecessores da Legião Urbana, Capital Inicial e Plebe Rude – estavam começando a detonar suas guitarras toscas e letras de forte temática, que levariam seus integrantes ao auge do sucesso cinco anos depois, mas estavam anos-luz de distância dos músicos do Tellah.

Herdeira da vertente mais podicrê do rock brasileiro nos anos 70 – quando estavam no auge do "sucesso" (?!) as viajandonas O Terço, Vímana, Som Imaginário e Os Mutantes na fase pós-Arnaldo/Rita e tendo Sérgio Dias como band leader – a banda Tellah tinha grandes instrumentistas – Dênis Torre (bateria), Cláudio Felício (guitarra) e Marcone Barros (baixo) – e muitos admiradores confessos, como Renato Russo. "Eu pentelhava os caras, após suas apresentações", recordou o líder da Legião Urbana, quando já estava sentado sobre a própria fama e mais milhões de discos vendidos.

"Quando a gente se apresentava, o pessoal que depois foi da Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial era todo garoto", recordou o próprio Dênis Torre, na última entrevista concedida em 1992. "Acho que foi a primeira vez que vi um show de rock", relembra Philippe Seabra, guitarrista da Plebe Rude. "Tinha até o disco, que tinha uma entrada bem progressiva: tchan-tchanananan-tum- tum-dum-dum".

No show de lançamento do disco Continente Perdido, no final de 1980, em frente ao Cine Karim e à lanchonete Food’s – o mesmo point utilizado pela Blitx, Metralhaz e Aborto para propagar seus acordes nervosos na época – a moçada compareceu em massa, inclusive alguns personagens que viriam a integrar a nata da nova música brasileira pouco tempo depois. "Quem sabe não tenhamos motivado alguns deles?", declarou Dênis, anos depois.

A primeira formação do Tellah, em 1974, reunia Cláudio Felício, José Veríssimo (baixo) e Felipe Guedes (bateria), apontando o caminho que seria trilhado no primeiro e único disco da banda. Foi com essa formação que o Tellah chegou a montar uma peça de teatro, em 1977, chamada "O Cavalo de Guerra", em que também fizeram a trilha sonora. O trabalho ainda não era marcadamente progressivo, mas uma mistura de hard rock ao estilo do Deep Purple. Somente com a entrada de Marcone Barros, já em 1978, a banda evolui para o estilo que lhe renderia fama, com influências claras de grupos ingleses como Genesis e Yes, e o canadense Rush.

Em torno de 1979, o Tellah saiu em excursão pelo país, tocando com diversas bandas famosas no circuito roqueiro daqueles tempos. Foi nessa excursão que os três músicos puderam exibir para o resto do país o seu repertório, numa excursão em que compartilhavam do mesmo palco que bandas como O Bixo da Seda, O Terço, Mutantes, Rita Lee e Joelho de Porco. Nos dois anos seguintes, o Tellah se apresentaria consecutivamente no Festival Interno do Colégio Objetivo (Fico). Logo depois, trabalhariam nas bases daquele que seria o primeiro e derradeiro disco da banda.

Continente Perdido foi gravado entre abril e agosto de 1980, nos estúdios Cruzeiro do Sul, de oito canais, em São Paulo. A maior parte das músicas registradas no primeiro álbum era de autoria de Felício, Dênis e Marcone, embora as que chegaram a ser executadas nas rádios locais fossem canções de alguns amigos famosos: as baladas Tributo ao Sorriso, de Sérgio Hinds (Terço), e É melhor voar, de Jorge Amiden e Zé Rodrix (Sá, Guarabyra & Rodrix e, depois, Joelho de Porco).

Em 1984, o grupo se reuniu para uma única apresentação, realizada a convite de um shopping de Brasília, onde executaram todo o repertório do disco e incluíram algumas surpresas, como Caçador de Mim, de Sérgio Magrão, do grupo mineiro 14 Bis; e Visitante, de Jorge Amiden. As duas canções foram relançadas em CD. 

Na época em que a banda encerrou suas atividades, nenhum dos três poderia imaginar que o álbum chegaria a ter vida própria ao longo da década de 90, sendo comercializado no mercado internacional por US$ 100 – UAUUU!!!

O responsável pelo relançamento em CD daquela que é hoje considerada uma obra-prima do progressivo brasileiro, e não deixa nada a deseja a de muitas bandas internacionais famosas, foi o empresário Márcio de Melo. Dono de uma loja especializada em rock progressivo em São Paulo, a Progressive Rock Worldwide, Melo teve acesso ao original em vinil quando fazia intercâmbio de outras raridades do gênero com aficcionados.

Entusiasmado com a (re)descoberta do disco, ainda em 1992 o empresário – também produtor – tentou motivar Dênis, Marco e Felício a retomar a banda e a lenda em torno da banda, sugerindo inclusive uma agenda de shows no exterior. A boa vontade, entretanto, esbarrou nos próprios integrantes. "Não há a menor possibilidade disso acontecer", descartou Dênis, que ainda trabalha com música, mas fora das luzes dos palcos.

Ele hoje é empresário em Brasília, trabalhando com a montagem de palco e fornecimento de equipamento profissional para a realização de shows. Foi sua empresa – a Instrumental Produções Musicais – que montou, por exemplo, o som para o histórico show da Legião Urbana no Estádio Mané Garrincha, na fatídica noite de 11 de julho de 1988. O sócio de Dênis na empresa é o baixista Marcone, que também largou definitivamente o instrumento.

Já o guitarrista Cláudio Felício, que até o início dos anos 90 ainda mantinha outra banda na ativa, aBeta Pictoris, também leva hoje uma vida longe dos palcos. Ele é fazendeiro em Formosa, município de Goiás distante cerca de 100 quilômetros de Brasília, mas volta e meia apresenta-se ao lado de amigos músicos da cidade, dando canjas na noite apenas por prazer.

*versão da reedição lançada pela Progressive Rock Worldwide

sábado, 28 de abril de 2012

Possessonica - Rifferama [2004]



Por Daniel Dutra
Publicado originalmente da revista Disconnected


Trio carioca formado em 2000, o Possessonica não esconde sua intenção nem mesmo no título de sua primeira demo, lançada apenas no ano passado. Com forte influência de Black Label Society, Bebeto DarOZ (vocal e guitarra), Jorge bezerra (baixo e backing vocals) e Gustavo boletta (bateria) fizeram de Rifferama um ótimo cartão de visitas, trabalhando peso e riffs nervosos – incluindo até mesmo os harmônicos que viraram marca registrada de Zakk Wylde – com letras em português bem acima da média. Descontando a vinheta (...) –sim, o nome é este mesmo! – temos oito músicas de qualidade inegável embaladas por uma produção caprichada de Alex Frias. Rebelião (pois somos muitos), Sem destino e N.H.D., na qual DarOZ prova ser capaz de mandar bem também nos solos, mantêm o bom nível do trabalho, assim como Você que Pensa e Rota 93 são ainda melhores.Mas não dá para ficar indiferente às ótimas A Arte e o Dom, que abre a demo; e Asa Negra, com seu andamento mais arrastado. E ainda há a excelente A Festa para ratificar ao Possessonica que o futuro já aponta promissor.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Cruzadas - Idades das Trevas [2010]



Por Guilherme Neto

O epic metal é uma vertente conhecida e, diria eu, tem sido bem explorada ao longo dos anos. O CRUZADAS é uma das ótimas bandas que exploram essa vertente, assim como muitas outras no cenário nacional já fizeram ou fazem até hoje, porém, além de cantar em português, a banda possui uma soniridade diferenciada e particular, tanto na parte dos vocais como na parte instrumental.

Formação:

Daniel Wallançuella - vocal e guitarra
Leomar Correia - guitarra
Jarbas Caribé - baixo
Stanley Pereira -bateria

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Engenheiros do Hawaii - ¡Tchau Radar! [1999]



Por Haig Berberian

Às vezes a gente pensa que determinados álbuns – daqueles que levaríamos junto se fôssemos a exílio para o Uzbequistão ou Marte – são igualmente considerados importantes para todos os outros fãs da banda que os produziu. Partindo dessa premissa, eu não conseguia entender a razão pela qual “¡Tchau Radar!”, um dos discos mais importantes da minha vida, está a tantos anos fora de catálogo, sendo achado – e a preços absurdos – apenas em sites como o Mercado Livre.

Conversando com uns amigos meus, também fãs dos Engenheiros do Hawaii, a mais controversa banda gaúcha, descobri algo que mudou meu modo de ver o mundo: eles não davam a mínima pro “¡Tchau Radar!”! Relutei em aceitar, bati o pé, impliquei, mas tudo que ouvi foram respostas do tipo “ele não está nem entre os meus 10 favoritos dos Engenheiros”. Será, oh céus, que meu disquinho de estimação não passa de um coadjuvante na discografia hawaiiana?

Bem, é claro que minha opinião a respeito do 11° trabalho de carreira de Humberto e seus capangas é completamente passional. Afinal, esse jovem redator que vos escreve teve tal álbum como porta de entrada ao universo musical dos Engenheiros, há 10 anos, quando o CD foi lançado. Lembro-me, ainda hoje, de assistir aos primeiros segundos do clipe de “Eu Que Não Amo Você” no Top 10 da MTV, e me perguntar “o que diabos seriam esses Engenheiros do Hawaii??”. Essa pergunta precedeu uma explosão mental tão expressiva que, até hoje, depois de ter passeado por vários estilos e tendências roqueiras, “¡Tchau Radar!” ainda configura em minha lista de álbuns mais preciosos.

Mas a obra não é feita somente de nostalgia. Esse é o trabalho de amadurecimento da formação Humberto, Lúcio, Luciano e Adal, grupo que perduraria somente por mais um registro, o matador “1000 Destinos Ao Vivo”, lançado no ano seguinte. Aliás, poucas vezes a banda soou tão poderosa no palco, provando a indubitável qualidade do grupo. Infelizmente o General Gessinger não agüenta ninguém ao seu lado por muito tempo – ou seria o contrário? – e no ano seguinte o exército de um homem só já contava com outra tropa.

“¡Tchau Radar!” já começa com uma porrada, “Eu Que Não Amo Você”, o carro chefe do disco. A tecladeira marcante, a guitarra destorcida e a batera agressiva dão peso à composição, um tanto fechada e escura, assim como a maioria das demais canções do trabalho. Destaque para o solo de guitarra, simples e preciso, dando à faixa exatamente o que ela precisava.

O disco segue com uma brilhante adaptação de “It’s All Over Now Baby Blue”, de Bob Dylan, recriada por Péricles Cavalcante e Caetano Veloso sob o título de "Negro Amor". Humerto ataca com sua gaita, na época não tão utilizada em canções da banda quanto na fase mais recente. A faixa, uma balada semi-acústica, foi extremamente bem produzida e esbanja bom gosto, agradando a gregos e troianos.

A estradeira “Concreto e asfalto”, direta e indomável, faz com que o ouvinte transporte-se imediatamente a uma BR qualquer. Letra e melodia dão show, e a instrumentação mostra-se extremamente competente, com timbragem impecável. A faixa traz consigo um ar nostálgico irresistível, e apresenta coesão perfeita com o restante do álbum.

A melancolia que permeia todo o disco encontra um de seus mais belos momentos em “Até Mais”. Poucas vezes Humberto Gessinger falara de amor tão abertamente, tão assumidamente, tão sentimentalmente até essa canção. Audição agradabilíssima.

“Nada Fácil” e “O Olho do Furacão”, as duas faixas seguintes, abordam temas mais pesados, como suicídio, depressão e desamparo, tendo reflexo em sua musicalidade obscura e febril. Ambas as faixas possuem letras fantásticas, em que HG soube dosar sua compulsão metafórica.

Retomando o tema de “Concreto e Asfalto”, a banda nos traz “Seguir Viagem”, apresentando, a exemplo dessa última, uma ótima orquestração e produção esmerada. Mais um grande momento do disco, lírico e poderoso ao mesmo tempo.

A próxima canção, “1000 Destinos”, outra balada muito elegante, apresenta ótimas letra e melodia.

Quebrando totalmente o clima e diferenciando-se substancialmente de todas as canções anteriores, a descontraída “Na Real” questiona forças transcendentais, misturando um tema de filme de terror e musicalidade western. Humberto diz ter composto a letra sob uma perspectiva literal, mas aprendeu a considerá-la como uma canção de amor, devido ao fato de vários fãs terem a considerado como tal.

O álbum segue com a beleza rara de “3x4”, uma belíssima homenagem de Gessinger à sua esposa. Diferentemente da roupagem “bobo-alegre” dada à canção no show acústico da banda, aqui “3x4” é revelada com sua real essência: vulnerável e sublime. A gaita e o violão envolvem a voz de maneira perfeita, gerando um momento intimista e sincero.

“Melhor Assim”, outro momento um pouco mais descontraído do trabalho, é um conselho de amigo para amigo. A faixa possui bom trabalho de guitarra e teclado, dispensando maiores comentários.

Eu não consigo pensar em uma conclusão melhor para um álbum de tamanha expressão que a releitura de “Cruzada”, composição brilhante de Tavinho Moura e Márcio Borges. O arranjo de cordas desarma qualquer ouvinte, banhando a canção de maneira tocante. É claro que há o dedo de um grande músico por trás uma tão magistral roupagem: nosso velho conhecido Jacques Morelembaum, para quem já rasguei a seda diversas vezes aqui no blog.

“¡Tchau Radar!”, em minha concepção, foi o último grande álbum de estúdio dos Engenheiros do Hawaii, antes de a banda entrar na veia mais modernosa dos álbuns-gerúndio “Surfando Karmas e DNA” e “Dançando no Campo Minado” e, posteriormente, afundar de vez no patty-pop normalzinho dos discos acústicos. Agora resta esperar e rezar para que Humberto apareça novamente com um trabalho de tão poucas vogais e tanta qualidade quanto esse.


Formação para gravação desse álbum:

Humberto Gessinger - voz e baixo
Luciano Granja - guitarra
Lúcio Dorfman - teclados
Adal Fonseca - bateria

terça-feira, 24 de abril de 2012

Made in Brazil - Paulicéia Desvairada [1978]



O rock paulista do MADE explode com o terceiro disco, “Paulicéia Desvairada”, um tributo da banda à cidade de São Paulo, “... que o gerou e alimenta, um poema adolescente cheio de malícia urbana e vontade de sobreviver ao “Way of Life” postiço do subdesenvolvimento não assumido...”, como escreveu na contra-capa do disco o crítico e amigo Okky de Souza. Zeca Jagger, além de backing vocals, co-produziu o disco junto com Oswaldo.

O lançamento de “Paulicéia Desvairada”, se dá num espaço que raramente o rock conseguiu ocupar: o Teatro Municipal de São Paulo (aliás foi a única oportunidade em que o verdadeiro rock ‘n’ roll conseguiu espaço dentro desse espaço cultural tão prestigiado). Foi uma grande festa com lotação esgotada, muita agitação dentro e fora do Teatro, pois ficaram muitas pessoas de fora por falta de lugares.

Formação que gravou esse álbum:

Oswaldo Vecchione - baixo e vocal
Naná - guitarra
Franklin Paolilo - bateria
Caio Flávio - vocal solo
Lúcia do Vale e Juju Nogueira- backing vocals

domingo, 15 de abril de 2012

Vendo 147 [2009]



Na foto que deveria ser usada para divulgar a banda, um bumbo gigante com uma inscrição. Vendo 147. Poderia ser um site desses de negócio de quinquilharias usadas com o tal bumbo sendo vendido por módicos R$ 147, o que, convenhamos, seria um pechincha, mesmo sem analisar o material de perto. Ou, por outra, 147 poderia ser o modelo não só do bumbo, mas de toda a bateria que o sujeito estaria interessado em passar pra frente. Mas não é nada disso. Vendo 147 é o nome de uma bela banda de rock instrumental arraigada em Salvador.

Se o assunto é comprar e vender bateria, bem que eles poderiam adquirir uma outra, já que o grupo tem Glauco Neves e Dimmy Drummer tocando numa só. Ou, para ser mais correto, um único bumbo, já que o kit com toda a parafernália – caixa, pratos, ton tons - é adaptado para que os dois sentem a mão, um de frente para o outro, ao mesmo tempo, e quem sofre mesmo, no fim das contas, é o bumbo comum aos dois insensíveis espancadores e suas ágeis baquetas. Se o nome Dimmy Drummer lhe chamou a atenção, sim, é ele mesmo, que tocava no Honkers, lenda do rockabilly baiano.

Vejam como são as coisas: sobra baterista e falta quem cante. Não que isso seja invenção de baiano deitado em rede; como eles explicam no MySpace.com, a invenção vem da Suíça, da Suécia, da Cochinchina, mas caiu muito bem ali na terra da Pitty. Além dos dois bateras “clones”, fazem parte da patota Pedro Itan e Duardo Costa (guitarras) e Caio Parish (baixo). Sim, Duardo toca no Snooze, lá de Sergipe, e os demais também têm outras bandas só pra não fugir à regra das cenas rock pelo mundo afora, onde todo mundo toca com todo mundo pra ver no que vai dar.

E, a julgar pelas quatro músicas que estão lá no MySpace, a coisa é muito séria. Os caras bebem em fontes do classic rock, heavy rock e da psicodelia contemporânea para fazer rock com revolução, sem firulas. Eles nem precisariam citar Queens Of The Stone Age e Danko Jones como principais referências; tá na cara! O trabalho de guitarras em “Skate O Matic” é excepcional; “Satangoz”, com instigantes e ligeiras mudanças de andamento, traz ecos do psychobilly; “Kill Bill” é uma porrada dançante como o rock sempre deveria ser e desafia o ouvinte a ficar parado; e “Hell” soa simplesmente como um chamado para o pogo em um show de hardcore dos bons, com direito uma paradinha à Metallica que deságua em guitarras duelando em profusão.


Assistindo ao videoclipe de “Hell”, que rola no youtube, é que se percebe o estilão dos caras, todos vestidos de preto e com máscaras que fazem jus ao nome da música: parece que foi tudo gravado no inferno. O melhor é que são todos músicos adeptos da virtuose, sem cair no lugar comum do tecnicismo estéril. É bem verdade que ás vezes sente-se falta de um vocalista gritando no meio daquele esporro, mas nem tudo é perfeito, né? Só faltou dizer que as quatro músicas fazem parte do primeiro EP da banda (virtual, claro), que tem uma bela capa e desde junho pode ser baixado em tudo que é site independente, cujos links aparecem lá no MySpace. Para quem queria só comprar uma bateria, até que valeu a pena.

Sagrado Coração da Terra [1985]

Download 320kbps


Por Márcia Tunes

Este disco foi um dos maiores lançamentos do progressivo nacional dos anos 80. Fundada pelo compositor e violinista Marcus Viana em 1979, logo após sua saída da então extinta Saecula Saeculorum. Marcus é um musico tremendamente sensível, arrojado e corajoso (porque fazer musica instrumental de altissima qualidade no Brasil requer coragem).

O primeiro do show do Sagrado que fui, era exatamente o do disco em questão, lembro de ficar muito impressionada com tudo, o clima do show me remeteu a shows na Europa, a sala Cecilia Meirelles estava esfumaçada o Marcus com um enorme sobretudo tocando violino, (cheguei com o show já começado, péssimo isso) aquele climão intenso de vamos viajar no ar! Bárbaro!!! Altamente recomendado! Este é sem a menor sombra de dúvidas o disco que mais gosto do Sagrado.

Canções:

1 - Asas (Marcus Viana)
2 - Lições da história (Marcus Viana)
3 - Arte do sol (Marcus Viana)
4 - A glória das manhãs (Marcus Viana)
5 - Feliz (Marcus Viana)
6 - Deus dançarino (Marcus Viana)
7 - Memória das selvas (Marcus Viana)
8 - Corpo veleiro (Marcus Viana)
9 - Sagrado (Marcus Viana)
10 - A vida é terra (Marcus Viana)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Entrevista com Marcos Valle, 12/04/2012

“A música brasileira se tornou imbatível.” Marcos Valle fala sobre shows com Stacey Kent
Publicado em 12 de abril de 2012 no site Billboard Brasil

Por Gabriel Daher


Um dos músicos brasileiros de maior prestígio no exterior, o carioca Marcos Valle se uniu à cantora americana Stacey Kent para realizar uma série de shows no Brasil. A dupla tocará canções de Valle com a companhia do saxofonista Jim Tomlinson, marido de Stacey.

A união não é novidade. A dupla já havia se apresentado no show de comemoração dos 80 anos do Cristo Redentor, em outubro de 2011. Agora, Valle e a cantora – nomeada para o Grammy de 2007 – voltam aos palcos para mostrar seu show especial em quatro apresentações brasileiras. A dupla se apresentou na noite de ontem, dia 11, no Teatro do Via Sul Shopping, em Fortaleza, e hoje toca no Bourbon Street, em São Paulo. A breve turnê terá seu encerramento no Rio de Janeiro, onde Valle e Stacey se apresentam na sexta-feira, dia 13, e no sábado, dia 14, no Miranda.

Em entrevista a Billboard Brasil, Marcos Valle falou sobre o reconhecimento da música brasileira no exterior e revelou detalhes de sua parceria com a cantora americana. Com o cacife de ter tido sua música “Samba de Verão” regravada por mais de 80 artistas nos EUA, Valle destaca que a qualidade da bossa nova e da MPB “tornou a música brasileira imbatível no mundo todo”. Confira a entrevista completa abaixo:


Você e Stacey Kent já haviam se apresentado no show de 80 anos do Cristo Redentor, em outubro do ano passado. Como vocês se conheceram?

A gente se conheceu como fãs. Eu a conheci uma vez em que eu estava no carro, aí eu ouvi aquela voz no rádio e adorei. Eu não sabia quem era, ela estava cantando em francês, e eu estava pensando ‘que voz linda, quem é?’. E aí no final eu pude descobrir que era a Stacey Kent, e quando cheguei em casa fui saber quem ela era. Aí que eu vi os discos que ela tinha gravado, que tinha sido nomeada para o Grammy, então eu a conheci como fã e descobri sobre o marido dela, o saxofonista Jim Tomlinson, e pensei: ‘que dupla incrível’.

Mal sabia eu que ela era minha fã e gostava das minhas músicas. Aí por uma coincidência, eles resolvem promover um encontro entre eu e Stacey no evento do Cristo Redentor. Naquele momento a ideia então foi de fazer uma música, que é o meu “Samba de Verão. Aí eu fiz um arranjo especial, e um dia antes da gente fazer o show a Stacey e o Jim foram lá em casa, e parecia que a gente já se conhecia há muito tempo. São pessoas maravilhosas. Isso estabeleceu um contato muito bom entre a gente, não só profissional, mas pessoal. E no palco a gente sentiu isso, então ficou esse clima perfeito.

De lá pra cá a gente ficou esperando fazer mais alguma coisa juntos. Aí quando vimos que dava pra fazer essa pequena turnê, eu conversei com a Stacey e nós escolhemos 14 músicas minhas para esse show. Algumas antigas, como a própria “Samba de Verão”, “Preciso Aprender a Ser Só”, mas tem coisas mais recentes que vão chegando mais pros dias de hoje, e músicas novas, músicas que nunca foram cantadas e que vão ser cantadas pela primeira vez pela Stacey nesse show.


Vocês tem interesse em realizar essa apresentação também nos EUA? Exista essa possibilidade?

Tenho sim. Eu acho que a gente vai querer ampliar isso aí. Nós vamos gravar esses shows ao vivo pra ver como é que fica o resultado, e se o resultado for positivo nós vamos inclusive usar em gravação. Embora ela tenha a agenda dela e eu tenha a minha, a gente sabe que isso aí é um show especial e que tem uma vida tranquila tanto no Brasil quanto fora, como nos EUA, na Europa, então eu tenho certeza que é um projeto que a gente vai usar pelo mundo afora.


Você é um dos artistas brasileiros que alcançou maior reconhecimento no exterior. Em sua opinião, como é a visão dos estrangeiros sobre a música nacional?

É a melhor possível. A música brasileira tem um prestigio desde a época da bossa nova, mas acho que o principal trunfo da música brasileiro foi que entrou nos músicos americanos, nos músicos de jazz, que são realmente a grande força da base da música americana. Os músicos americanos se encantaram com a bossa nova pelas qualidades que ela tinha e tem, que são as belas melodias, belas harmonias e o ritmo interessantíssimo que permite a eles improvisações e criações. E isso se incorporou de tal forma que os jazzistas americanos começaram até a fazer bossa nova.

Esse prestígio da música brasileira, desde aquela época até hoje, é inabalável. E é impressionante como essas gerações novas da Europa, dos EUA, do Japão, garotos novos que não sabiam disso, o interesse que eles tem pela música brasileira é fortíssimo e cada vez maior. E é por isso que quando eu vou pra fora eu tenho um público muito jovem. Eu acho que é essa junção de melodia, harmonia e ritmo, isso foi o que tornou a música brasileira imbatível no mundo todo.


Tem ouvido algum novo artista?

Eu ouço muita gente, cantoras como a Monique Kessous, como a Céu, como a Tulipa Ruiz, como Mart’nália. Também gosto muito do trabalho do Max de Castro, do Celso Fonseca, cantoras que tem surgido que eu admiro muito. Eu falo das cantoras porque elas têm surgido mais do que os cantores. Essas cantoras são maravilhosas, cantam num estilo diferente e ao mesmo tempo trazem um respeito pela música brasileira, pelo que já foi feito na bossa nova, no samba. Existe uma renovação da música brasileira em cima do que já foi feito. Não tem uma ruptura, pelo contrário, existe um elo muito grande. Essa é uma das grandes vantagens da música brasileira. Quem surge hoje utiliza muito o que já foi feito, eles ouvem muito, tem um respeito, tem os discos, e com isso forma-se um elo muito interessante sobre o que foi feito e o que está sendo feito.


Há alguém que você gostaria de realizar uma parceria e que ainda não o fez?

Sempre tem, né? Sabe com quem eu gostaria? Não é das novíssimas, mas é uma pessoa que a gente já conversou de fazer umas coisas juntos, é a Adriana Calcanhoto. A Adriana tem uma maneira de compor, ela é abrangente, cai pelo pop, cai pela bossa, cai pela canção, e como eu também tenho essa abertura eu acharia muito interessante se a gente pudesse fazer alguma coisa juntos.


Neste ano completam-se 30 anos da morte de Elis Regina, data marcada com shows comemorativos e exposições. Recentemente também foi lançado o documentário A Música Segundo Tom Jobim, e outro ícone da MPB, João Gilberto, deve sair em turnê em breve. Acha que a nova geração está conhecendo melhor a música de sua geração?

Certamente. Inclusive, eu vou dizer uma coisa pra você: o interesse do público lá fora, na Europa, que começou pela bossa nova e por outros tipos de música brasileira, teve uma repercussão muito boa no Brasil, porque o que acontece é o seguinte: os DJs da Europa começaram a se ligar muito na minha música, na música do [João] Donato, músicas de Jorge Ben. Esses DJs começaram a influir as nossas músicas nos trabalhos deles, e a garotada no Brasil começou a escutar coisas que eram brasileiras através dos DJs e começaram a perceber o quanto a nossa música era apreciada pelo público lá fora. Isso ajudou muito pra que o pessoal daqui também se ligasse nisso.

E isso vem crescendo. Hoje eu acho que há um conhecimento muito grande do que foi feito, principalmente com a internet, que permite que você troque ideias e mande informações pra tudo que é lado. Essa garotada tá sabendo e muito. Aí eles começaram a comprar discos e descobrem um show que foi feito não sei aonde e já põem na internet. Inclusive nos shows que eu faço no Brasil, tem um pessoal bastante jovem que não tinha antigamente.


Acha que falta algo para a música nacional ser ainda mais reconhecida no exterior?

Olha, eu acho que o que pode ser feito - e eu acho que é assim que a música brasileira está cada vez mais conhecida - é através dos shows lá fora. Porque quando você vai - logicamente os discos, as gravações, isso tudo atrai o público - e foi assim que eu fiquei conhecido novamente por essa garotada lá fora. Eles começaram a tocar meus discos, aí formou um público muito grande e eu comecei a gravar, mas eu também comecei a ir lá.

Quando você vai fazer um show e eles te veem, a mágica é muito grande. Você conquista aquele público que já conhece a tua música, mas eles ficam loucos de estar te vendo, é quase um sonho pra eles. Eu acho que quanto mais observarem a música do Brasil, melhor. Às vezes pra começar um trabalho você não pode ficar esperando muito, porque, no início, se você quiser botar seu trabalho, é melhor você ir, sem pensar muito no lucro. Quanto mais shows você fizer lá fora, vai ajudar cada vez mais a continuar divulgando a música brasileira e aumentando ainda mais esse interesse.


Atualmente estamos vendo um artista brasileiro fazendo bastante sucesso no exterior com uma música popular, que é o Michel Teló. Qual é a sua visão sobre isso? Você acha que é interessante o Brasil divulgar diversos tipos de música lá fora?

Eu acho que qualquer estilo de música que você tocar lá fora é interessante, disso eu não tenho dúvida. Eu apenas acho que em termos de cultura brasileira, cultura de um povo, você quando mostra a música que é característica da tua terra, por exemplo, o baião, o samba, a bossa nova, o rock brasileiro, o samba mais moderno, eu acho que essas coisas que são características do Brasil são muito legais. Isso por uma questão de cultura brasileira, que eu acho importante que seja reconhecido lá fora.

Existe um tipo de música que também tem sucesso no Brasil, mas não é exatamente música de origem brasileira. E como eu adoro música, eu adoro o fato da música ser uma coisa pra ser levada a sério, eu gosto de ver as características da música brasileira, que nasceram aqui - e nisso eu incluo até o próprio rock brasileiro, porque ele é rock, mas ele tem uma linguagem brasileira.

Eu gosto mais de ver esse estilo de música do samba, da bossa nova, do baião, do maracatu, todas essas coisas brasileiras que eu realmente acho muito importante de serem lançadas lá fora. Mas todos os artistas tem o direito de divulgar seu trabalho, e é muito bom de qualquer maneira, porque você traz mais atenção para o Brasil quando você leva qualquer artista nacional para fora.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Diapasão - Fogo no Balão [2010]


O grupo surgiu em 2004 e gravou seu primeiro álbum em 2005 intitulado Opus I, lançado em 2006 pelo selo carioca Masque Records. Em 2009 o grupo foi vencedor do IX Prêmio BDMG Instrumental nas categorias Composição e Melhor Arranjo com as músicas de Alexandre Andrés. Em 2010 gravou o EP Fogo no Balão, atualmente o grupo se apresenta em importantes palcos da música instrumental brasileira, como Savassi Jazz Festival, Festa da Música, Sesc Instrumental, dentre outros. Para 2011 prepara o lançamento de seu segundo disco, gravado ao vivo na Sala Juvenal Dias - Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

Diapasão é composto por Alexandre Andrés (Flautas), Rodrigo Lana (Piano), Gustavo Amaral (Baixo, violão e bandolim), Adriano Goyatá (Bateria e Marimba) e Leandro César (Violão, bandolim e outros). Fortemente influenciado por Marco Antônio Guimarães e o grupo Uakti, Leandro César desenvolve um trabalho de pesquisa e construção de novos instrumentos que, cada vez mais, são inseridos no trabalho do grupo Diapasão. No grupo todos são compositores e arranjadores, buscando alcançar as pessoas através da música e romper com o paradigma de que a música instrumental é feita para um público seleto.

Sérgio Dias - Jazz Mania Live [2003]

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Gravado entre 23 e 26 de julho de 1986, esse belo álbum só foi lançado em 2003 com uma tiragem de apenas 2500 cópias. Aqui podemos constatar mais uma vez toda virtuosidade de um dos maiores guitarristas do Brasil.

Participaram da gravação de Jazz Mania Live:

Sérgio Dias - guitarra
José Lourenço - teclados
Jurim Moreira - bateria
Paul Lieberman - saxofones e flauta
Tony Mendes - baixo

Chave do Sol: Resgate de mais um inédita, O Cometa de 1986

O Portal "Orra Meu", continuando seu trabalho de resgate da cultura paulista, soltou no youtube um vídeo que vai fazer a alegria dos fãs de Hard Rock oitentista. Trata-se do sonzão "O Cometa", música inédita da banda A CHAVE DO SOL. "Esta gravação rara é oriunda de uma demo-tape gravada pela banda, em abril de 1986. Foi gravada em oito canais e preservada em fita K7", declarou o portal na descrição do vídeo.

Para acompanhar a música inédita o Portal "Orra Meu" editou um vídeo todo especial com imagens raras de acervo, assim como fotos pessoais, ingressos e matérias em periódicos igualmente impossíveis de se encontrar. 

Diferente da música "Confissões", outro som inédita resgatado recentemente pelo portal "Orra Meu", "O Cometa" possui todos elementos fundamentais do que se costuma chamar de o "som clássico" d'A CHAVE DO SOL, devendo agradar a todos os fãs do Hard Rock / Heavy Metal praticado pelo conjunto. A sonoridada da canção é uma perfeita transição entre as fases dos vocalistas Fran e Beto. No ano seguinte o grupo lançaria o disco The Key, em que todas composições esbanjam criatividade, porém "O Cometa" havia perdido seu rastro; só sendo (re)encontrado 15 anos depois.


Formação para O Cometa:

Rubens Gióia - Guitarra e vocal
José Luis Dinola - Bateria e vocal
Roberto Cruz - Vocal 
Luis Domingues - Baixo e vocal

terça-feira, 10 de abril de 2012

Phil Manzanera & Sergio Dias - Mato Grosso [1990]



Por Márcia Tunes

A veia progressiva do Sérgio Dias estava pulsando a mil quando ele compôs e gravou este álbum com o Phil Manzanera. Bonito, sensível, agradável de ouvir, um disco imperdível!

MATO GROSSO 
(Expression, 1990)

1- Mato Grosso - (Sérgio Dias / Phil Manzanera) 
2- The Mission - (Sérgio Dias  / Phil Manzanera) 
3- Pink Dolphin - (Sérgio Dias / Phil Manzanera) 
4- Brazillia - (Sérgio Dias / Phil Manzanera) 
5- Floresta - (Sérgio Dias / Phil Manzanera) 
6- Espiritu - (Sergio Dias / Phil Manzanera) 

Participações: 

Phil Manzanera (bateria programada, guitarra acústica, guitarra elétrica & teclados)
David Kingsley (baixo, teclados & percussão)
Keith Bassey (bateria programada)
Bosco De Oliveira (percussão)

Desenho Da Capa: Foto tirada da região do Mato Grosso pelo satélite LANDSAT
Designed: Fernando Lippa

Marcelo Nova no Lollapalooza, 07/04/2012, show na íntrega

Youtube é coisa de Deus !!!!


segunda-feira, 9 de abril de 2012

Fóssil - Mocumentário [2012]



Por Vitor Colares & Fóssil

Carta ao Mocumentarista.

Mocumentário, 19 de Março de 2012

Mocumentário é o nome dado a um tipo de filme que é feito como se fosse um documentário, mas que na verdade cona uma história fictícia. Ao longo do processo de composição desse disco, na hora de escolher o nome das músicas, discutindo os arranjos e o desenvolvimento de cada uma delas a gente costuma conversar sobre imagens, sobre os climas que determinada música tem e ao que ela remete. Todas essas conversas que acontecem, seja numa mesa de bar, entre uma música e outra durantes os ensaios ou em uma conversa qualquer, acontecem espontaneamente e terminam por criar(-se) uma história que vai dando cara e cor para a música em forma de arranjos, sons, combinação de momentos e dinâmicas. As histórias contadas nesse album por cada uma das músicas tem uma ligação entre si, elas contam uma jornada, uma vida, uma história de vida, uma busca que talvez “apenas” uma procura por si mesmo. Seja quem for… Um viajante, um trabalhador da construção civil, um médico ou um escritor recluso. A vida é uma jornada!

Este album é um retrato assim, fiel e espontâneo. É como se fosse uma coletânea de contos, onde cada trilha possui uma história/trama que se desenvolve, que conta algo, descrevendo sentimentos e sensações. São aventuras, caminhos do destino, “histórias de vida, morte e amor”: “Aéropostale” é nome de uma empresa francesa responsável pelas primeiras rotas aéreas entre a Europa e a América do Sul. Por volta dos anos vinte, vindo pela França, Espanha, Estreito de Gilbratar, Marrocos, seguiam pela África, até o ponto mais próximo do litoral nordestino, voavam até Natal (RN) e desciam pelo litoral brasileiro até Buenos Aires. Antoine de Saint-Exupéry foi aviador desta empresa.

Alguma dessas músicas presentes no Mocumentário começaram a partir de levadas de bateria do Victor. “Secesso” é uma delas e foi também a primeira composição desta fase do Fóssil vindo morar em São Paulo.

“Lençóis” tem esse nome porque o clima dela nos lembra dunas de praia (Como Lençóis Maranhenses, ou das Dunas do Cumbuco), calor. Ao mesmo tempo queríamos um nome que falasse dos casais, do calor e do amor dos casais. Pensando nisso e querendo expressar isso tudo poeticamente, a ideia de ter um texto sendo lido num determinado momento da música foi praticamente consequência. As palavras inspiradas da Natércia Pontes na interpretação de Elisa Porto (ambas são cearenses, moradoras de SP atualmente) foi a cereja do bolo. O haicai que é dito no final da canção foi inventado por mim.

“Missa Nova”, essa música nasceu nas mesmas seções de ensaio que criamos “Secesso”. Existe outra versão dessas duas músicas (“Secesso” e “Missa Nova”) numa coletânea, chamada dis1. Lá elas estão gravadas como um trio e nós nem pensavamos em regravá-las. Com a entrada do Rodrigo, os sintetizadores deke foram essenciais para que nos decidicemos colocá-las noMocumentário. Outra música originada de uma batida do Victor (“Missa Nova”).

“Marraquexe” é outra música que traz um texto da Natércia na voz da Elisa. “Meus cabelos dançam areia”, esse texto é como um pensamento que navega na cabeça do pescador que navega pelo mar ouvindo no barulho do vento a soprar o canto familiar de uma sereia/ninfa dos verdes mares, “ruma a Marraquexe”, no caminho de volta para as dunas do Saara, como a area que voa pelo Atlântico até as dunas nordestinas.

Para uma criança bastam um jipe, mesmo que seja sem pneus, e um boneco de robô sem braço para que debaixo da sombra de um cajueiro aconteça uma grande batalha como nos seriados japoneses. Era dia do indentor (dia 4 de Novembro), a gente tava ensaiando, e aí o Victor fez um batida, o Klaus colocou esse baixo e o Rodrigo inventou essa linha, “O Inventor”.

“Trip-Charme” é nome dado pelo Daniel Groove, é a terceira música do disco a trazer um texto (dessa vez escrito por mim e a Natércia). É o texto que meio que deu a ideia de que algumas músicas podiam trazer algumas palavras. Um post-baião-trip-charme na noite de folgança e de paz.

“Esmeralda”, eu brinco sempre dizendo que ela é a indie dos lábios de mel. Esmeralda que em hindu significa pedra verde. Jóia rara da cor do mar do Ceará, ponte metálica, lido manso do espigão uns gostam de nadar, mergulho de tainha, pegar jacaré, ou apenas ir ao calçadão da PI (Praia de Iracema) para caminhar. Um pouco da vida de viajante, um pouco de histórias para contar. O Mocumentário é como um mapa, um labirinto de contos, músicas que se bifurcam, tudo o que nos leva. O Mocumentário é o nome do novo disco do Fóssil.

Muito Obrigado!


Formação:

Eric Barbosa - guitarra
Klaus Sena - baixo
Rodrigo Colares - teclado
Victor Bluhm - bateria
Vitor Colares - guitarra

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Blitz: Produtor pede ajuda para finalizar documentário

Publicado em Catarse.

O documentário “Mais de três foi o diabo que fez” é fruto do desejo de 2 amigos fanáticos pelo rock dos anos 80 e que queriam contar esse capítulo de uma forma diferente e de um ponto de vista que ainda não havia sido explorado. O caminho escolhido foi entender qual foi o fator que determinou essa verdadeira avalanche. Depois de estudar minuciosamente, achamos o “chute na porta”: “Você não soube me amar” foi a verdadeira anunciação de que uma nova onda estava chegando para ficar pra sempre na história da música brasileira. O documentário então foi estruturado para contar a história da música. Sendo assim, nada melhor do que os próprios autores contarem. Nas filmagens, percebemos que a história da música era muito mais do que imaginávamos, com passagens curiosas, engraçadas e comoventes. Para as filmagens, obtivemos apoio da produtora Matizar que nos emprestou sem nenhum custo os equipamentos. Depois do filme filmado, uma série de detalhes precisam ser zerados para, se tudo der certo, o filme estar figurando em breve nos principais festivais de cinema do Brasil nos próximos meses.

O filme já está sendo amplamente divulgado por diversos meios de comunicação, digitais e impressos, sendo capa do Estado de S. Paulo (Estadão) do dia 18/02/2012, entre outras publicações que nos deixaram muito gratificados, pois estamos produzindo a obra de maneira totalmente independente.

Precisamos de R$10.000 (dez mil reais) para quitar com todas as despesas de produção e poder arcar com os custos das recompensas e as taxas operacionais.

Como será investido o valor?

Apesar do projeto ter despertado grande interesse de veículos de mídia, infelizmente não fechamos com nenhuma empresa patrocinadora. Por isso, contamos com a sua ajuda para finalizar e mostrar esse emocionante capítulo da história da música brasileira.

O valor vai ser investido na aquisição e direito de usar imagens de época da Rede Globo, através de sua terceirizada, a Conteúdo Expresso. Usaremos também no pagamento de direitos de uso da canção para as editoras Warner, Universal, EMI e Copyright. Além disso, precisaremos de serviços de edição e finalização de áudio, colorista e finalização de edição.

Estamos nos dedicando de corpo e alma para poder colocar esse filme na rua e poder mostrar para o Brasil esse incrível capítulo da história da nossa música.

Conheça mais sobre o projeto