sábado, 31 de dezembro de 2011

Poeta do Paraná faz letras para suecos cantarem em português

Entre minhas "andanças" pela internet achei esse artigo publicado em 27/05/2009 na Gazeta do Povo muito interessante. 

* Luiz Claudio de Oliveira


A poeta e compositora paranaense Etel Frota foi surpreendida pelo poder da internet. Ela publica no site MySpace algumas de suas canções e um belo dia recebeu uma mensagem de um músico sueco propondo que passasse a escrever letras para a banda A Bossa Elétrica, um grupo de suecos que tocam latin jazz com muita influência brasileira. Convite aceito, como a compositora não fala sueco, faz-se um complexo esforço para a criação de letras em português para um grupo sueco, com a intermediação do inglês.Um verso não define uma pessoa. Um livro inteiro de poesias também não. 

Toda uma obra pode chegar perto. Mas, para falar da poeta e letrista Etel Frota, vou usar alguns versos, escritos por ela: "a canção é/ meu pecado/ minha dor e redenção/ meu brinquedo, meu reisado/ o meu bocado de/ pão". Este é um trecho da canção "Sete Trovas, parceria de Etel com Rubens Nogueira e Consuelo de Paula, gravado por Ana Cascardo no disco "Esta noite vai ter sol" (e você pode escultar na internet aqui).

Poeta temporã, antes Etel foi médica por 18 anos, até que, como ela própria descreve, a profissão deu sinais de inanição. Trocou o estetoscópio por escritos que auscultam a alma. Transformou-se, publicou-se e musicou-se. Hoje é letrista de inúmeras parcerias. Já assinou letras para músicas de muita gente boa, entre os quais o recentemente falecido Zé Rodrix. Veja a lista atual de parceiros, por ordem alfabética, já que o número só cresce: Alexandre Lemos, Álvaro Ramos, Angel Roman, Ceumar, Claudio Menandro, Consuelo de Paula, Cris Lemos, Davi Sartori, Emerson Mardhine, Érico Baymma, Felipe Cerquize, Felipe Cordeiro, Felipe Radiccetti, Gerson Bientinez, Guilherme Rondon, Indioney Rodrigues, Iso Fischer, Kim Ribeiro, Liane Guariente, Lucina, Luhli, Luis Felipe Gama, Luís Otávio Almeida, Lydio Roberto, Milton Karam, Oswaldo Rios, Ozias Stafuzza, Rafael Altério, Raymundo Rollim, Renato Lucce, Rogério Gulim, Rosi Greca, Rubens Nogueira, Sérgio Santos, Sonekka, Tato Fischer, Tavito, Zé Gramani, Zé Rodrix.
Agora, inicia a parceria internacional, um processo sobre o qual ela mesma descreve:
"Esse pessoal só canta em português. O engraçado é que eles não dominam o idioma, então está funcionando assim: eles me mandam a melodia, eu escrevo a letra em português, gravo essa letra, falando pausadamente, na divisão da melodia, pra eles entenderem a acentuação e mando pra eles com um 'meaning' em inglês." É isso e mais um turbilhão de e-mails para tirar dúvidas de ambas as partes.
Mas qual o segredo para ser uma tão requisitada letrista? "O jeito que mais gosto de escrever letra é assim, como estou fazendo com os suecos, a partir de uma melodia que já existe. É desafiador e altamente gratificante ir encontrando as sílabas que melhor se entendem com as notinhas, as palavras que cabem no desenho da melodia, os sentimentos que melhor se encaixam nas nuances da harmonia. É uma viagem! Uma outra modalidade tem sido escrever um poema que alguém escolhe pra musicar. Escrever uma "letra" assim, pra ser letra mesmo, já aconteceu - muitas vezes - mas não é o meu modus operandi predileto."

Para finalizar, novos versos de Etel:
Sete Trovas
(Rubens Nogueira - Consuelo de Paula - Etel Frota)
a canção é
meu pecado
minha dor e redenção
meu brinquedo, meu reisado
o meu bocado de
pão
a canção é meu estado
minha sina, distração
meu folguedo, meu
congado
meu cajado, profissão
uma sorte, um presente
estandarte,
talismã
minha comissão de frente
uma filha temporã
um rebento, um
trovão
o estrondo da maré
água benta, devoção
luz pagã, auto de fé
uma
fonte, o santo forte
a função o meu papel
rosa dos ventos, meu norte
coração
vertendo mel
a canção é meu bailado
meu sinal e meu bastão
fandango,
sapateado
o final, a expressão
a canção é meu sossego
meu destino,
solidão
minha paz, meu desapego
minha dona, meu perdão

Onde os anjos não ousam pisar
(zé rodrix / etel frota - gravado por Nasi)
Equilibrista na
beirada do abismo
Quem sabe caia ou talvez vá voar
Noite cerrada, ferro,
fogo, batismo
Anjo nenhum vai conseguir me escorar
_vai com açucar, ou
prefere adoçante?
(anjo da guarda se recusa a provar)
Nada a perder
Nada a
ganhar
Enlouquecer
Ou delirar
E eu ainda insisto em andar
Onde os anjos não
ousam pisar
Na matinê morro de tiro ou de tédio
Se deus morreu, quem é que
vai me enterrar?
Prefiro o brilho do meu próprio remédio
Anjo da guarda não
se arrisca a provar
_a camisinha você trouxe, meu bem?
_deixa, meu anjo, que
eu não vou gozar
Nada a perder...
Alma vazia, vendi todos os
móveis
Levei na troca pó de pirlimpimpim
Luz na neblina, solidão,
automóveis
Molhado asfalto das esquinas de mim
Abandonado por meu próprio
destino
Buscando um rumo pra seguir sem pensar
Dentro do peito agonizando um
menino
Que se perdeu porque não soube chorar
Se não tem cura eu toco um tango
argentino
Olhando o anjo que não sabe dançar
Nada a perder...
Onde eu
ando sem ter que pensar
Nenhum anjo consegue voar

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Contato com o Blog

Essa semana o blog conseguiu alcançar a média de 40 acesso diários. Desde de setembro estávamos beirando essa marca mas no mês de novembro as postagens foram escassas e a média chegou a cair para perto de 20 acessos, coisa que não ocorria desde o fim de agosto.

Algumas postagens certeiras fizeram essa média subir e a expectativa e alcançar a média de 50 acessos antes do fim de janeiro já que comecei a "acertar" em alguns posts. Os posts do Marcelo Nova, do Lobão, do Carro Bomba e do Autoramas estão tendo uma boa procura mas foram aqueles "acertos" esperados. Os post do Anjo Gabriel e do Celso Blues Boy foram gratas surpresas já que ambos não tem a exposição fácil na mídia atual. 

O Anjo Gabriel é bem conceito no cenário underground e o número de acessos que conseguiu para o blog mostra sua crescente força, estando desde sempre entre os TOP em acessos semanais e sendo o post com maior acesso histórico do blog. Já o post do Celso Blues Boy mostrou-se uma grata surpresa pois eu não tinha noção da tamanha legião de fãs que ele tem. É um post que já ultrapassou 280 acessos e continua a ter uma quantidade de acessos diários muito boa.

Algumas postagem surpreenderam por serem de figuras completamente ignoradas pela mídia tradicional e muito pouca, ou quase nenhuma, exposição em mídias alternativas como são os casos do Jefferson Gonçalves e do Tésis Ársis. Isso só mostra que há muito espaço a ser explorado e o público quer sim boa cultura "dentro de casa".

Bem, o real motivo dessa postagem é tentar aproximar o blog do seu público e explico o porque: Quando criei o blog a ideia era além de sugerir artistas nacionais, colocar minhas opiniões sobre seus trabalhos. Logo aprendi que escrever não é algo fácil e pior, que isso requer um bom tempo, coisa que ultimamente não tenho disponível. Como resultado acabo por "chupinhar" muita coisa de outros blog ou sites para ao menos fazer o blog andar e apesar disso as coisas vem dando certo. Mas mesmo assim a muito material e ser postado e a dificuldade em postar está cada vez maior então essa aproximação é para conseguir sugestões para postagens e se possível conseguir parceiros que se identifiquem com o blog que gostariam de contribuir fazendo suas próprias postagens. 

Essa ideia de ter novos parceiros me parece muito boa visto que o Brasil é muito extenso e as cenas locais quase sempre não ganham o destaque merecido. Tendo fazer um trabalho bem eclético no que diz respeito a localidade dos artistas que posto mas ainda assim sei que tem muito gente boa que sequer conheço e merece destaque.

Então é isso aí, mandem sugestões ou pedidos para a gente, e ainda se quiser ser um parceiro entre em contato pelo e-mail portrasdavitrola@hotmail.com.


sábado, 24 de dezembro de 2011

Kiko Loureiro - Universo Inverso [2006]


* Rafael Sartori

“Universo Inverso” é um álbum suave, elegante, para ser ouvido com atenção e com a mente aberta. Profundo conhecedor de música, Kiko Loureiro se diferencia dos milhares de guitarristas na ativa por saber abordar diversos estilos sem cair no clichê e ganha ainda mais prestígio ao conseguir equilibrar técnica e ‘feeling’ com tamanha destreza.

Vale lembrar que a gravação de “Universo Inverso” foi ao vivo, ou seja, com os músicos tocando ao mesmo tempo, o que garante o clima de improviso e natural de cada música. Um ótimo trabalho, que deve impressionar principalmente os gringos e consolidar o nome de Kiko Loureiro no Brasi e no exterior.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Venda de música brasileira em formato digital dobra com o lançamento da iTunes Store

Segundo informações do braço brasileiro da ONErpm, empresa especializada em música digital, o lançamento da iTunes Store no Brasil representou um grande crescimento no comércio de música digital no país. A loja da Apple responde agora por 55% do mercado digital, dentro do catálogo da distribuidora.

iTunes“Como a maioria de nosso catálogo [em território nacional] é brasileiro, isso indica que o mercado de downloads e música digital está amadurecendo e o consumidor está disposto a comprar”, disse Emmanuel Zunz, CEO da ONErpm, no blog oficial da distribuidora.

Dentro do catálogo da ONErpm no iTunes, há nomes populares como Chitãozinho & Xororó e Erasmo Carlos, mas também da cena independente, como Kassin, Karina Buhr e Autoramas, entre outros. Inaugurando com um catálogo de 20 milhões de títulos no Brasil, a Apple promete que a nossa versão da iTunes Store será bem completa, contando com acordos com as grandes gravadoras nacionais e selos independentes. Ivete Sangalo, Marisa Monte e a estreia digital do catálogo de Roberto Carlos estão entre os destaques citados pelo comunicado de lançamento divulgado pela empresa.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Libra - Até Que A Morte Não Separe [2008]

Yandex  128kbps


Por *úlio César Bocáter

Descobri Libra faz algum tempo quando estava a vasculhar o youtube. O que me surpreendeu na época foi a qualidade na produção dos clipes e a temática, pouco explorada em canções em português. Informações sobre o Libra são escassas e tudo indica que o sujeito ao menos deu uma pausa na carreira. Achei uma entrevista dele para Rock Underground que disponibilizei abaixo:




RU – Como a banda LIBRA foi formada?
LIBRA – Na verdade, “Libra” não é uma banda (como muitos devem achar). Sei que parece confuso, mas “Libra”, na verdade, sou eu.


RU – Por que LIBRA? Algo a ver com o signo, ou tem outro significado.

LIBRA – O nome “Libra”, apesar de também ser meu signo astrológico, na verdade é uma homenagem à moeda do Reino Unido (de onde vieram praticamente todas as minhas influências). A Libra esterlina. Muita gente não sabe, mas, “libra” também é um verbo (“librar”), e significa “voar parado”, “pairar”, “estar suspenso no ar”. Gosto muito desse significado.


RU – Fale dos trabalhos lançados. Há algum trabalho (CD, demo, etc) lançado antes de Até Que A Morte Não Separe?
LIBRA – “Até Que A Morte Não Separe” é meu primeiro álbum. Em 1998 gravei uma DEMO em inglês chamada “Take Me Away”, mas nunca a mandei para nenhuma gravadora, selo ou sequer divulguei na internet.

RU – Fale então sobre Até Que A Morte Não Separe. Como conseguiu contrato com a Sony/BMG?
LIBRA – Depois de ter produzido e gravado o CD eu optei por tentar primeiro as grandes gravadoras (Sony/BMG, Warner, Universal, EMI) e, caso nenhuma se interessasse, eu partiria para outras alternativas. Para minha surpresa, fui contatado por algumas delas, mas a proposta da Sony foi infinitamente melhor (principalmente no que diz respeito à parte artística). Eles me deram liberdade total para dirigir e finalizar minha obra como eu sempre sonhei (gravação de cordas, masterização em Nova Iorque, concepção de capa e etc). 

RU – Fale da cena de sua cidade (qual sua cidade, São Paulo mesmo)?
LIBRA – Moro, e sempre morei, no Rio de Janeiro e infelizmente “acho” que não há realmente uma “cena” de Dark Rock por aqui. Mas não posso dizer isso com certeza, pois passo a maior parte do tempo dentro da “minha torre” (rsrsrsrsrs). Não costumo sair muito.

RU – O Gothic Rock e Gothic Metal, bem como o Black Metal, são estilos cujas letras e músicas são misantrópicas por si só. Por isso, você faz tudo sozinho no LIBRA?
LIBRA – Como sou produtor, possuo meu próprio estúdio e toco guitarra, baixo, bateria e teclado, optei naturalmente por gravar tudo sozinho. Não foi uma questão de demonstração de habilidades pessoais, egoísmo ou egocentrismo. Só achei desnecessário chamar alguém para gravar uma linha de guitarra (por exemplo), que eu mesmo compus e que eu saberia executar perfeitamente. Quando eu comecei a gravar o CD, na verdade eu não sabia que estava realmente gravando. Eu estava apenas registrando minhas composições e quando menos esperava, percebi que já estava longe demais. E eu não limitei o CD àquilo que eu sabia executar, tanto que, conto com varias participações (o vocalista da banda inglesa My Dying Bride, Aaron Stainthorpe, a cantora Marya Bravo, um octeto de cordas e um coral de meninas).

RU – A banda toca ao vivo? Vocês têm músicos contratados para isso?
LIBRA – Tudo aquilo que criei e gravei para Até Que A Morte Não Separe foi feito por pura satisfação pessoal. Era simplesmente a válvula de escape para meus sentimentos, mas, quando o CD ficou pronto, percebi que havia um grande potencial e que se eu não tentasse lançar o CD e reunir uma banda para colocá-lo no palco, eu estaria perdendo uma grande oportunidade de dividir esses sentimentos com o “mundo exterior”. Acho que, onde houver alguém que se sinta triste, desamparado, só ou com medo, meu CD pode ser uma boa companhia. Quanto à banda, demorei dois anos para achar o que hoje chamo de minha “banda dos sonhos” (Daroz na guitarra, Fifi no baixo e Adal na bateria).

RU – Qual a influência de Carlos Trilha (que trabalhou nos CDs solo de Renato Russo) para a concepção de seu trabalho?
LIBRA – Na concepção artística em si, não houve realmente uma contribuição. Quando uni forças com o Trilha, o CD já estava praticamente pronto. Eu apenas “migrei” a produção para o estúdio dele, onde re-gravei as baterias, gravei as cordas e mixei (juntamente com ele) todo o CD. Mas não posso deixar de dizer que, sem ele, o CD não existiria. Aprendi muito durante todo o tempo em que a casa deAté Que A Morte Não Separe foi o Estúdio Órbita. E mais do que isso, o Trilha veio a se tornar um dos meus maiores amigos. E para a vida toda.

RU – Qual o púbico que você quer atingir, apenas o Gothic e Dark ou o de Metal, como Gothic Metal e Doom também?
LIBRA – Nunca fiz nada visando um público “alvo”. Acho preconceito (e até falta de visão) querer restringir uma “obra” à apenas um segmento. Depois que a obra é colocada para fora, ela deixa de pertencer ao artista. Só espero que minhas músicas façam algum “sentido” para aqueles que tiverem acesso a elas. Que percebam que é um espelho da minha alma, e não um “produto”.

RU – Por que cantar em português?
LIBRA – Morei na Inglaterra e sempre compus e cantei em inglês, mas, por motivos pessoais e sentimentais, decidi que não poderia ficar longe daqui, mesmo sabendo que, “lá fora”, os artistas são muito mais respeitados e reconhecidos do que no Brasil. Então, como decidi ficar por aqui, resolvi me comprometer a “encarar” nossa difícil e traiçoeira língua. Pessoalmente, não gosto da idéia de morar num país e me comunicar artisticamente em outra língua. Se é para ficar por aqui, quero que todas as pessoas entendam as coisas que eu digo.

RU – O fato de cantar em português, de alguma maneira te influenciou o que outras bandas já fizeram antes, como o Rock Progressivo sombrio do Violeta de Outono, o Gothic Heavy Dooom dos cariocas do Imago Mortis ou ainda o Dark anos 80 do Zero, ou até o próprio Renato Russo que sempre teve letras sombrias e ainda qualquer banda dos anos 80 do Rock Nacional?
LIBRA – Na verdade (e infelizmente), nunca me interessei por praticamente nada em português (talvez alguma coisa bem remota e mais sombria de Legião Urbana). Mas respeito muitos artistas brasileiros.

RU – Musicalmente, há muito em sua música do Doom Metal inglês como My Dying Bride, Anathema, Paradise Lost entre outros. Quais as influências reais de Doom europeu em sua música.
LIBRA – Minhas maiores influências nesse “segmento” (que por acaso é meu maior “berço” artístico), são Paradise Lost, My Dying Bride, Type O Negative, Anathema, The Gathering... Outras grandes influências que marcaram minha história são Carcass, Death, A-Ha, Depeche Mode, David Bowie, Frank Sinatra, Johnny Cash...

RU – Fale sobre planos no futuro.
LIBRA – Meus planos são, naturalmente, colocar Até Que A Morte Não Separe na estrada e dar continuidade à minha obra lançando meu “Segundo Ato”.

RU – O final é seu!
LIBRA – A todos aqueles que puderem ouvir meu CD:
Espero, do fundo do meu coração, que todo o trabalho e dedicação que depositei em Até Que A Morte Não Separe, possa servir como trilha sonora para sua história. Que sirva como acalanto em uma noite de insônia e principalmente, sirva para mostrar para todos aqueles que se sentem solitários no meio de uma multidão, que vocês não estão sozinhos. Saudações, Libra.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Autoramas - Música Crocante [2011]

Download

Um dos projetos de mais interessantes que já tive notícia. O sexto álbum da banda foi financiado pelos seus próprios fãs. A idéia foi dar recompensas para cada X valor doado para banda poder gravar o disco.

Esse tipo de projeto poder ser realizado por qualquer artista de modo simples usando o site Embolacha. Sugiro clicar nesse link e conhecer essa espetacular iniciativa.

No vídeo abaixo, os Autoramas explicam como funcionou esse projeto. Mais abaixo vai um reportagem publicada em 27/10/11 no O Globo sobre o lançamento de Música Crocante.



*Michele Miranda

Gabriel Thomaz costuma dizer que toda a trajetória do Autoramas, que nasceu em 1997, é inusitada e esquisita. O processo de produção do sexto disco da banda, “Música crocante” – com 13 faixas -, comprova essa teoria.

- Nossa carreira sempre foi baseada em esquisitices. É tudo fora do padrão, então não é estranho que tenhamos gravado um disco nessas condições. Nossa história não é comum. Não lançamos um disco por uma grande gravadora e estouramos nas rádios. Inauguramos o estilo de vida independente. Todo mundo achava que éramos loucos por tentar viver de música sem nenhuma garantia – diz o vocalista e guitarrista de uma das maiores bandas do cenário independente do Brasil, em entrevista ao GLOBO.

Ao falar em “condições” Thomaz se refere ao projeto de “crowdfunding” (uma iniciativa de financiamento colaborativa) que o grupo criou na internet para captar verba e lançar o novo disco. Em 45 dias, eles conseguiram arrecadar R$ 14.562,03, graças a 149 patrocinadores que, ao investir uma quantia de dinheiro, ganharam determinados prêmios. As recompensas vão desde o download antecipado das canções a R$ 20 até a possibilidade de quem estivesse disposto a pagar R$ 10 mil ser creditado como patrocinador da banda no disco e em shows.

- Estávamos com vontade de lançar um CD novo e tivemos a ideia do crownfunding. Nos minutos finais, a banda Pink Big Balls comprou o show particular, que custava R$ 3 mil e conseguimos atingir a meta. Acho que vamos fazer um show com eles em algum evento – conta o baterista Bacalhau.

E as situações fora do comum não param por aí. Quem imaginaria que uma banda alternativa e independente de surf music-rockabilly-punk-garage teria a participação de Jô Soares na gravação do disco? É isso mesmo. O apresentador participa da faixa “Verdade absoluta”.

- Precisávamos de alguém para tocar bongô e pensamos no Jô Soares. Mandamos um e-mail e ele disse que topava. Mas foi tudo pela internet; ele pediu a mídia da música e mandou a gravação de volta. O problema é que a gente não tem certeza de que realmente foi ele que gravou – diverte-se a baixista Flávia Couri.
Mas será que um CD feito com verba limitada ao custeio de fãs pode ser moldado do jeito que a banda sempre sonhou? – O sexto disco é o melhor que já lançamos. As músicas estão em um nível de inspiração que me deixa orgulhoso. Estamos voltando ao estilo Autoramas. Depois de ter feito acústico, retomamos ao nosso som clássico, dançante, elétrico, que traz baixo com distorção e as letras temáticas. Os fãs já conseguem identificar nosso som e isso significa muito para nós – diz Thomaz.

- Ficou exatamente como queríamos. Se tivéssemos uma verba ilimitada, por exemplo, faríamos tudo igualzinho, mas acrescentaríamos um lançamento mundial – brinca Bacalhau. – Sempre produzimos nossos trabalhos de maneira independente. Desta vez, fizemos uma parceria com a gravadora Coqueiro Verde para trabalharmos a distribuição e logística, complementa.

A distribuição das recompensas

As recompensas estão sendo distribuidas aos poucos pelos integrantes das bandas. Um dos prêmios mais caros e de maior valor afetivo era a guitarra usada por Gabriel Thomaz em shows, gravações e aparições na mídia ao longo da existência do grupo, e custaria R$ 5 mil. Mas, apesar de ser uma quantia significativa e que ajudaria muito a banda, o vocalista se sente aliviado com a falta de compradores.

- Fiquei feliz de ninguém ter comprado a minha guitarra; dessa eu me safei. Eu tive a ideia de colocá-la à venda, mas na hora que o site entrou no ar, eu entrei em desespero. Tentei fazer uma tramoia para o pessoal do site fingir que já estava comprada, mas eles não me deixaram fazer essa falcatrua – relata Thomaz, aos risos. O sexto disco é o melhor que já lançamos. As músicas estão em um nível de inspiração que me deixa orgulhoso, diz Gabriel Thomaz

Um dos prêmios mais importantes para os colecionadores de boa música custava R$ 500. Além de receber o novo disco do Autoramas, o felizardo ainda vai ganhar dez vinis da coleção dos três integrantes.

- Não vamos dar o óbvio, tipo Beatles. Escolhi o “Femmes in the garage”, que é um disco de rock francês dos anos 1960. Bacalhau vai dar um do Roberto Carlos e Gabriel escolheu um do The Venture. Mas ainda não decidimos todos – diz Flávia. Para Flávia, aliás, o sexto disco teve um gosto – crocante – especial.

- Esse foi meu primeiro disco de estúdio com Autoramas e é a primeira vez que coloquei músicas de minha autoria. Então esse trabalho é ainda mais especial para mim.

E para finalizar a entrevista com o Autoramas, a pergunta que não queria calar: Por que o disco foi batizado de “Música crocante”? – O nome é bom, não é? Foi engraçado que a gente começou a usar essa palavra para tudo. E também vínhamos ouvindo muito, em diferentes circunstâncias. Percebemos que quando uma coisa soava bem, ou era legal, poderia ser chamada de… Crocante! Mas não tem uma explicação lógica. É tipo como o nome Autoramas nasceu – diz Thomaz.

Nelson Motta - Vale Tudo O Som e a Fúria de Tim Maia [2007]

Download

* Felipe Tadeu

Quando a imprensa divulgou, anos atrás, que o jornalista Nelson Motta iria se encarregar de contar em livro a vida de Tim Maia, não tive dúvidas de que seria uma ótima biografia. Quando Nelson deixa de lado sua faceta de romancista para fazer o que realmente sabe - jornalismo musical -, o leitor sempre sai ganhando em termos de informação e entretenimento. Depois de acertar a mão em "Noites Tropicais" (2000), Nelson se superou com o recente "Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia", que ganhou as ruas sob a tutela da editora Objetiva. 

Seja ainda como compositor ou produtor de eventos inesquecíveis, Nelson Motta sempre foi um cara qualificado para tratar de música. Como escritor, sabe solar e arranjar, tendo um estilo muito envolvente de narrativa e a mente sempre aberta, sem nutrir preconceitos contra o pop. Nelson foi ainda por cima amigo de Tim Maia, com quem trabalhou e curtiu muitos baratos e dores de cabeça. 

O porte do biografado já era um dado que contava a favor do jornalista, pois Sebastião Rodrigues Maia, o líder máximo da legendária banda Vitória Régia, foi um artista personalíssimo no contexto da música brasileira: em português mais claro, um senhor figuraça. Descobridor dos sete mares, Tim cruzou o baião e o samba com gêneros antes incompatíveis como o soul e o funk norte-americanos, fazendo impor sua moral com aquele vozeirão abençoado com que cavava seu lugar no mundo.

Como um dos integrantes da turma do Bar Divino, na Tijuca, Rio de Janeiro, de onde saíram os reis da Jovem Guarda Roberto & Erasmo Carlos, além do seminal Jorge Ben (dentre outros), Tim sempre fôra um intérprete poderosíssimo. Habilidoso como compositor, freqüentou as paradas de sucesso durante quase toda a sua carreira, seja cantando baladas de amor ou soltando seus rojões de baile, sucessos absolutos como "Sossego", "Do Leme ao Pontal", "A Festa do Santo Reis" ou "Rodésia".

Nelson Motta acompanhou de perto a explosão de Tim Maia como cantor e também como encrenqueiro sindicalizado (seu mais corriqueiro delito era não comparecer a shows para os quais fôra contratado). Dos primeiros furtos inocentes na Tijuca à passagem pelas prisões nos Estados Unidos (onde Tim viu a cena black florescendo em plenos 60), o jornalista descreve a turbulenta saga do "síndico" com humor providencial, revelando momentos incríveis da vida de Tim, como de sua adesão à seita da Cultura Racional, com quem se meteu em 1975 e, inspirado, criou uma de suas obras-primas, o álbum duplo Tim Maia Racional, que foi relançado há pouco pela gravadora Trama.


A biografia relata também sobre o curioso movimento Black Rio, que existiu na cidade do samba nos anos 70 e reunia nomes que íam de Cassiano a Carlos Dafé, passando por Hyldon, pela Banda Black Rio, Os Diagonais e etc. Uma cena que ainda precisa ser abordada em livro exclusivo, tal a riqueza dos fatos musicais de então.


A leitura deste novo livro de Nelson Motta foi quase que ininterrupta, num deleite total para mim, o "espectador" na Alemanha. Devoram-se as 389 páginas da biografia com a mesma sanha com que Tim abria a geladeira para fazer seus lanchinhos épicos e sarar suas laricas. É um livro muito engraçado. 

"Vale Tudo - O Som e a Fúria de Tim Maia" foi um presente e tanto que minha amiga Bete Köninger trouxe do Brasil, no meio de sua bagagem de máscaras de mergulhadora, tubos de oxigênio e pés-de-pato. Bete, sim, é que conhece o Azul da Cor do Mar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Marcelo Nova - Hoje no Bolshoi [2011]

Yandex 320kbps


Estava pensando em escrever algo sobre esse álbum mas como meu tempo quase sempre é curto e decidi  procurar algum artigo já publicado e colocá-lo aqui. Depois de uma breve pesquisa me deparei com um este sobre o Bolshoi Pub que achei interessante e de relevância visto o nome do álbum, que disponibilizo abaixo:


Por Pablo Kossa

Nesse sábado (18/8), é dia de tirar do fundo de sua alma o mais lendário grito de guerra da música brasileira. Quando o relógio der as doze badaladas que anunciam que o sabadão deixou de ser sábado e virou domingo, ele, (o mito, o homem, o cara), Marcelo Nova, vai subir ao palco do Bolshoi Pub e soltar seu brado. Quando Goiânia ouvir o primeiro “Bota pra fudê!” é a senha de que nas próximas horas o rock vai rolar. E vai rolar direto.

Ex-vocalista do Camisa de Vênus, ex- companheiro de Raul Seixas no disco A Panela do Diabo e em uma turnê de 50 shows pelo Brasil, considerado a encarnação do rock no País, Nova retorna a Goiânia para lançar o DVD e CD Ao Vivo no Bolshoi, gravados em cima do palco do pub goianiense. O evento faz parte das comemorações dos sete anos de aniversário daquela que é considerada por muitos a melhor casa de shows da cidade (do Brasil?), o Bolshoi Pub.

História
O proprietário do Bolshoi, Rodrigo Carrilho, 43, não é um novato quando o assunto é noite em Goiânia. Ele já foi proprietário do lendário Suíte – casa especializada em rock mas, veja você, pioneira na inserção da música eletrônica na cidade – e do Bistrô. Após essa experiência de trabalhar na balada e amargar alguns prejuízos, Carrilho fez de tudo: foi dono de academia, vendeu anúncio de revista, vendeu títulos de clube, vendeu muçarela, foi para os Estados Unidos trabalhar de pedreiro e voltou ao Brasil com uma grana no bolso. Com a poupança que conseguiu resguardar no período em que fazia reformas para gringos, Carrilho tinha a meta de abrir um restaurante que conciliasse boa gastronomia, música de qualidade e uma boa seleção de cervejas importadas. No dia 11 de agosto de 2004 as portas do Bolshoi eram abertas.

A ideia original da casa não contemplava shows. Carrilho diz que foi engolido pelo ao vivo e não podia negar a vocação da casa. "Comecei eu mesmo discotecando enquanto as pessoas estavam jantando. Tinha filas de fora, não tinha espaço para todos que queriam entrar. O primeiro show foi um tributo ao Cranberries, só com voz e violão. A partir daí, iniciei uma agenda esporádica de shows. Toda vez que tinha música ao vivo, o público lotava e pedia mais. Eu fui engolido pela música ao vivo", conta Rodrigo . Mas não foi engolido sem elegância, muito pelo contrário. Já que esse era o caminho a ser trilhado, que fosse com estilo! Carrilho investiu em equipamentos, reforma e acústica visando a excelência. Começou a trabalhar com bandas locais, da cena nacional, tributos aos grandes nomes do rock com bandas cover, uma atraçãozinha internacional aqui, outra acolá. Um dia foi colocado em cheque com um telefonema:

- Boa tarde! Sou produtor e estou fazendo a turnê do The Doors pelo Brasil. Uma data caiu e queremos fazer em Goiânia para preencher a agenda. Topa?
- Topo. Mas... quanto é?

Acertados os valores, a icônica banda dos anos 60 se apresentou no Bolshoi Pub – coisa que até hoje muita gente não acredita. Essa data é considerada o ponto de inflexão na trajetória da casa. Depois disso, vários nomes de deixar de boca aberta quem gosta de rock, blues e jazz pisaram naquele palco. Gente do naite de Johnny Winter, Udo, Focus, Stanley Jordan, Magic Slim e por aí vai. Atualmente, o Bolshoi é considerado uma referência quando o assunto é boa música ao vivo não só em Goiânia, mas em todo Brasil. O telefone de Carrilho toca o dia inteiro com propostas de shows. "O critério para tocar no Bolshoi é simples: tem que ser música boa. E eu vou muito pelo meu feeling para tentar acertar. Até agora, tem rolado", pontua. 

Mas nem tudo são flores na vida noturna. A pergunta que urge é: qual o pior dia da história do Bolshoi? "Todo dia é difícil, sustentar esse sonho é difícil. Mas se for para escolher um dia, foi quando a Amma (Agência Municipal do Meio Ambiente) fechou a casa. Eles chegaram no meio da noite, o Bolshoi estava cheio e foi muito constrangedor. Fiquei dois meses em reforma depois disso e voltei atendendo tudo solicitado", desabafa. E como imaginar o Bolshoi daqui oito anos, no aniversário de 15 anos da casa? "Não consigo pensar com um prazo tão longo", rebate Rodrigo, mesmo tendo tatuado o Bolshoi em seu braço direito. "Tatuei por tudo que já passou, não pelo que espero do futuro. Se continuarmos atendendo bem as pessoas, trazendo bons shows para Goiânia e sendo uma referência nacional quando o assunto é música boa, o aniversário de 15 anos do Bolshoi será de muita alegria", comemora. 

Depois disso, só uma coisa a dizer: vida longa ao Bolshoi Pub!

Viúva não quer que biografia de Raul Seixas seja publicada


*Publicado em 17/12/2011


Uma das ex-esposas de Raul Seixas, Kika Seixas, não quer que a biografia sobe o músico, que está sendo escrita pelo jornalista Edmundo Leite, seja publicada. A revelação foi feita numa matéria publicada hoje (17/12) no diário “Folha de S. Paulo”, acerca de biografias que têm a publicação barrada pela Justiça.

De acordo com a matéria, assinada por Fabio Victor, o autor disse que Kika Seixas “de início foi receptiva ao livro e deu a ele duas longas entrevistas. Mas, em 2009, enviou um telegrama ameaçando ir à Justiça caso o jornalista mantivesse o projeto.” A Folha não conseguiu ouvir Kika para compor a matéria.


Em depoimento ao jornalista, o autor promete publicar a biografia, a despeito das ameaças. “Não preciso de autorização. O livro vai ser publicado. Os direitos dos herdeiros têm de ser respeitados, mas não vou usar os direitos. Não vou contar somente a história do Raul, vou contar também parte da história do Brasil”, declara Edmundo Leite, que é Coordenador do arquivo do jornal “O Estado de S. Paulo”. Clique aqui para ler a matéria completa, replicada da Folha on line.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Entrevista com Marcelo Nova publicada em 17/12/2011

Marcelo Nova: uma ode à liberdade

* por Gislaine Gutierre

Marcelo Nova é um coiote solitário. Um sujeito que não segue bandos. Tem sido assim desde o começo, nos anos 80, quando o jovem baiano, roupas pretas e rosto cheio de espinhas, encarou com sua banda Camisa de Vênus um mercado dominado pelos nomes de São Paulo, Rio e Brasília. Mas o grupo tinha um grito de guerra, “bota pra f…”, e ele parecia se divertir em não fazer concessões para ser aceito naquele rol.

“Só respondo por mim”, costuma dizer ainda hoje, reforçando a condição de um profissional sem rabo preso com ninguém. Aliás, há 14 anos Marcelo não tem empresário nem assessor. “Sou meu próprio Roberto Marinho e meu próprio motoboy”, diz.

Uma liberdade que, se tem o preço de distanciá-lo do mainstream, o deixa livre para fazer um trabalho como o CD e DVD Hoje no Bolshoi, gravado num pub de Goiânia no ano passado, com um repertório que não se pauta pela obviedade de seus inúmeros hits.

Verdade que tem Hoje, Simca Chambord e Eu Não Matei Joana D’Arc. Mas tem também duas inéditas, canções da fase solo, com Raul Seixas e outras menos conhecidas. Com este trabalho, o músico celebra 30 anos de carreira – agora, são 31. Mas esse jeito independente e solitário não fez de Marcelo um tipo ranzinza.

Aos 60 anos, o pai de Drake (19 anos, guitarrista de sua banda), Felícia (dançarina de flamenco) e Penélope (ex-VJ da MTV) e avô de uma menina de 3 anos é sarcástico, afável e divertido. E não poupa palavras.


Antes de formar o Camisa de Vênus, você se inspirava na banda Os Panteras, de Raul Seixas. Queria fazer rock e pegar as menininhas, como eles. Depois, foi do jeito que imaginava?

Foi, claro que foi. Mas devo acrescentar que não era só para pegar menininhas. Eu amava profundamente a música. Aos 9 anos, ouvi Little Richard na rua. Pedi para o meu pai comprar o disco e eu não sabia o que era rock ‘n’ roll, não sabia falar inglês e me apaixonei por aquilo.

Seus pais faziam o quê?

Meu pai era médico e minha mãe era terapeuta ocupacional. Eles trabalhavam juntos. E tenho uma irmã 12 anos mais velha, que naquela época gostava de me massacrar com João Gilberto.

Para seguir a vida de roqueiro, teve aquela coisa de sair de casa?

Não, não. É uma cultura nordestina. Você cresce com seus pais, casa e continua morando com eles. Aí você tem filhos e seus pais cuidam de seus filhos como se fossem deles. Casei aos 19 anos, minha mulher tinha 15 e continuei morando com os meus pais. Com duas filhas.

E você tinha de se manter, financeiramente?

Sim, fui radialista, vendi seguros. Fui um péssimo vendedor, tinha um cabelo enorme, abaixo do ombro, numa época em que isso era muito incomum. As pessoas ficavam chocadas, gritavam na rua: ‘mulherzinhaaa!’ (risos).

Em 1972, você compôs ‘Quando Eu Morri’, em que narra sua experiência com o LSD. Em 1973, nasceu a Penélope. Como foi a chegada do bebê em meio a tanta loucura?

Ela foi a principal responsável por eu ter parado o meu envolvimento com drogas. Muito jovem que era, quando eu ouvia Lucy in The Sky With Diamonds, eu pensava, ‘pô, será que se eu tomar LSD eu vou ver uma vaca voando?’ E eu era um jovem muito curioso.

Que tipo de droga experimentou?

De tudo. Só não me injetei nada. Só fui tomar morfina pouco tempo atrás porque tenho cálculos renais e a anestesia é através de morfina, que é uma delícia. É uma droga que tira todo e qualquer desejo. Você não precisa de dinheiro, de sexo, de poder, de nada. E é completamente diferente do LSD, que lhe joga num outro universo durante 16, 17 horas. Quando eu Morri tem um verso que diz “eu sentia tanto medo, eu só queria dormir cedo pra noite passar depressa e não poder me agarrar”. Eu tinha a sensação de que a noite queria me sugar para dentro dela e que eu jamais ia conseguir sair. Era uma sensação pavorosa. Dito assim, é engraçado. Vivenciado, é terrível.

Você teve sua segunda filha em 1979. Elas te acompanhavam na vida do Camisa?

Não, elas ficavam com a minha mãe, que era uma avó muito extremada. Em 1984 meu casamento acabou e eu mudei para São Paulo. Menos de dois anos depois, meu pai faleceu, então eu trouxe minha mãe para morar comigo. Falei, ‘ agora é a vez de eu cuidar de você’. E ela tá ali, ó, naquela caixa vermelha (aponta para o alto da estante cheia de discos). Os restos dela estão ali. Ela faleceu há três anos. É tão bacana, taí, é uma lembrança. Como não tenho nenhum vínculo religioso, é apenas uma referência. Eu a deixei ali, junto de Alice Cooper. Porque ela ia ao show do Camisa toda maquiada nos olhos, botava coleira, umas correntes no pescoço, ia para a linha de frente e gritava ‘bota pra f…’. E a molecadinha adorava.

O disco ‘Viva’, do Camisa, foi censurado no finzinho já da ditadura. Por que motivo?

Porque não submeti o disco a nenhuma apreciação da censura federal. Vi meu disco sendo preso na loja Hi-Fi do shopping Iguatemi. Os caras pegaram duas caixas com 50 discos. Eu só fiquei rindo. Perguntei: ‘vem cá, não seria mais sensato me prender?’ Ele me olhou de cima a baixo, e falou: ‘quem é o senhor? Eu disse, ‘a pessoa que gravou esse disco’. ‘Isso aí não é função nossa. Nossa função é recolher o álbum que está proibido’. ‘Então tá’ (risos). Que coisa ridícula! Isso tudo em nome da moral, dos bons costumes, e de seja lá o que for.

Hoje a gente não tem essa censura formal, mas há uma onda do politicamente correto cada vez mais forte. Acha que uma música como ‘Bete Morreu’ passaria por esse crivo?

O que tem Bete Morreu para ser censurada? ‘Amordaçaram Bete, espancaram Bete, violentaram Bete, ela nem se mexeu, Bete morreu!’ Liga no Datena, que é dez vezes pior! (risos). Bete Morreu na verdade é uma canção que escrevi no meio de uma dor de barriga. Fui para o banheiro, catei o jornal, e lá estava falando do assassinato de uma garota cujo corpo tinha sido encontrado por um chofer de caminhão. Saí de lá e meio que transcrevi aquilo. Então Bete Morreu é apenas e tão somente uma canção de um cara que estava começando a escrever.

Você gravou com Raul Seixas o disco ‘Panela do Diabo’ e juntos fizeram uma turnê numa época em que ele estava na pior. Como foi essa fase?

Ele estava muito mal fisicamente, economicamente e eu ficava fazendo feira para ele comer. Ele ficou internado uma semana no Sírio-Libanês, atendido e sendo examinado e o médico lhe indicou atividade moderada. Porque ele estava em casa, enlouquecendo diuturnamente, não só bebendo. Fizemos 50 shows. E ele não faltou em nenhum.

Com tantos anos de estrada e sucesso, você deve ter conquistado uma certa estabilidade financeira. Pra que serve o dinheiro para você?

Eu sou um cara absolutamente insano em relação a dinheiro. Quando tenho, gasto tudo. Gasto com viagem CDs, vinis, Blu-Rays, DVDs, filmes. São meus deleites. Sou um hedonista completo. E quando estou sem dinheiro, corro atrás. Porque todo mundo acha que o Marcelo Nova é doido, mas ninguém sabe o sangue que custa ser louco (bate no braço). Ser louco e manter uma família, assumir responsabilidades. Mas eu nunca consegui pensar no dinheiro como uma coisa que tenho de fazer, fazer e guardar. Meu pai, quando morreu, me deixou US$ 2 mil. Eu nunca o censurei por isso, pelo contrário. Ele me ajudou em vários momentos da vida quando eu não tinha dinheiro.

Você tem 60 anos, mas parece que pouco mudou na fisionomia. É o rock que não deixa envelhecer ou um roqueiro não pode envelhecer?

Não, isso é lenda. Eu envelheci sim. Tenho cabelos brancos que cobrem as minhas têmporas, a carne flácida das papadas que estão começando a se pronunciar pela força da gravidade. Envelheci como todo mundo. Essa mítica de que o rock é jovem, acho uma bobagem total. Detesto. Eu vejo por exemplo o Mick Jagger, que é de uma banda que eu gosto muitíssimo. Vejo um senhor de quase 70 anos, mexendo aquele c… magro, prum lado e pro outro naquele frenesi, de mãozinha na cadeira, eu fico com vergonha, a tal vergonha alheia.

Mas você tem vaidade?

Tenho. Gosto de andar bem vestido, até porque não gosto mais de andar de camiseta e jeans. Sim, cultivo o meu topete, então, como vou dizer para você que não sou vaidoso?, Mas evidentemente, tudo na vida tem limites e parâmetros. Não seria nem sensato eu, aos 60, querendo parecer um menino de 20 anos. Eu tenho 60. Se quiser entro no ônibus sem pagar, tem uma vaga de idoso no shopping center me esperando agora. Não posso aceitar essa ideia de que o rock vai me mumificar, não. Não acredito nisso.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Alquimistas do Som [2003]


Por The Metropolis Music

Um projeto muito interessante do Curta Petrobras, com produção da TV PUC, lançado em 2003, Alquimistas do Som é um documentário de pouco mais de uma hora de duração que fala sobre o experimentalismo na música popular brasileira, com entrevistas com alguns dos marcos do experimentalismo no país, como o tropicalista Tom Zé, Egberto Gismonti, Carlos Rennó e Arrigo Barnabé, além do maestro Júlio Medaglia, Lenine e Arnaldo Antunes.

O documentário mostra não apenas os nomes mais famosos do tropicalismo, mas também conta como a bossa nova de João Gilberto, ''o cantor ventríloquo'', foi experimental para sua época, e também mostra importantes, mas esquecidos músicos que também construíram a música experimental brasileira, como Smetak.

Um delicioso passeio informativo por um lado menos badalado, mas genial, da nossa música popular.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Carro Bomba - Carcaça [2011]

Yandex 320kbps

Deu um trabalho enorme conseguir disponibilizar esse álbum. Não achei em lugar algum para baixar, creio estar colocando em primeira mão. Para quem já conhece é um prato cheio, para aqueles desinformados leiam essa postagem (Rock pesado em português, uma nova e bem-vinda tendência).


1 - Bala Perdida
2 - Queimando a Largada
3 - Carcaça
4 - Combustível
5 - O Medo Cala a Cidade
6 - Mondo Plastico
7 - Blueshit
8 - Corpo Fechado
9 - O Foda-se III
10 - Tortura (Pau Mandado)

Isenção de impostos sobre CDs e DVDs nacionais é aprovada definitivamente


Foi aprovada na última terça, 13, a emenda que visa a isenção de impostos sobre CDs e DVDs produzidos em território nacional. Votada em segundo turno, a chamada PEC da Música foi aprovada por 393 votos a favor e seis contra.

A aprovação da lei foi comemorada com show de Fafá de Belém, Sandra de Sá e Margareth Menezes dentro do plenário. Introduzidas pelo deputado Tiririca (PR-SP) e pelo presidente da Casa, Marco Maio (PT-RS), as cantoras apresentaram a canção "Carinhoso", de Pixinguinha, nos corredores da Câmara dos Deputados.

A Proposta de Emenda à Constituição (98/07), intitulada PEC da Música, sugere que fonogramas e videofonogramas produzidos no Brasil não pagarão mais taxas. A emenda foi elaborada por 15 deputados de diferentes partidos e regiões e a intenção é ampliar a comercialização de CDs e DVDs de música brasileira e inibir a pirataria.

"Com a imunidade tributária, o músico iniciante terá muito mais condições de se introduzir no mercado e, inclusive, vender seus CDs oficialmente, fora da informalidade", explicou o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), autor da emenda, ao jornal Folha de S. Paulo. Leite ainda frisou que os CDs e DVDs devem ficar cerca de 25% mais baratos a partir de agora.

Houve, no entanto, represálias à emenda. A principal veio da bancada do Amazonas: parlamentares afirmaram que a proposta seria prejudicial à Zona Franca de Manaus, principal produtor de itens do gênero no Brasil. Por causa disso, a isenção não valerá para as empresas do setor da cidade. Mesmo assim, os deputados amazonenses voltaram a votar contra a PEC da Música.