segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Tianastácia - Criança Louca [2000]



O quarto álbum do Tia veio em 2000. Criança Louca é, provavelmente, seu trabalho mais diversificado. Às vezes folk, às vezes distorcido, "às vezes mais sério, outras galhofeiro", o estilo vai do blues ao rock and roll, do hard rock ao grunge. A ficha técnica do disco traz profissionais do primeiro time: Carlo Bartolini (ex-guitarrista do Ultraje a Rigor) foi o responsável pela produção, mixagem e gravação, que contou ainda com Miranda na pré-produção e Torcuato Mariano como diretor artístico - que, além do trabalho executivo, fez uma participação especial em Tchau.

Mais de Três Foi o Diabo que Fez

Filme conta os bastidores da criação de "Você não soube me amar" no 30º aniversário de lançamento da canção


O Documentário “Mais de três foi o diabo que fez”, sobre a canção “Você não soube me amar”, com direção de Leonardo Souza e produção de Daniel Accioly será lançado em 2012 no Rio de Janeiro. A data marca as comemorações pelos 30 anos de lançamento do álbum “As aventuras da Blitz”.

O filme descreve como foi composta a canção, que foi um dos grandes ícones da música brasileira dos anos 80 e é apontada como um divisor de águas dentro do gênero Rock no Brasil. Cada detalhe sobre a composição da canção é desvendado. Como foram pensados os acordes, como surgiu o refrão e qual a inspiração para criar a história daquele rapaz que estava numa daquelas noites em que se sai caminhando, sozinho, de madrugada, com a mão no bolso, na rua. A história da canção é contada por seus quatro autores, o cantor e ator Evandro Mesquita, os guitarristas Guto Barros e Ricardo Barreto, e o compositor Zeca Proença.

Além dos detalhes da canção, o contexto musical e político são debatidos abertamente. Uma leitura pontual sobre a época explica os motivos pelos quais a canção surgiu na hora certa, no lugar certo e para as pessoas certas.

O documentário, em fase de finalização, é realizado de forma independente, tendo a Matizar Filmes como apoio. Além da finalização, estão sendo concluídas as últimas conversas com potenciais investidores.

Claudio Francioni, do portal SRZD, fala sobre o trabalho: “Durante o filme, há passagens comoventes e outras curiosas, como o fato de que dois dos quatro compositores não se conhecem pessoalmente até hoje! O nome do filme se refere a uma frase que certa vez Caetano Veloso falou para Ricardo Barreto: ‘Essa música foi feita por quatro autores, né? Você sabia que parceria de mais de três foi o diabo que fez?’”.


MAIS DE TRÊS FOI O DIABO QUE FEZ (2012; 15 min)
Direção: Leonardo Souza
Produção: Daniel Accioly
Edição: Alan Ribeiro e Tita Berredo
Fotografia: Leonardo Magliano
Assistente de fotografia: Leonardo Neumann
Som direto: Ivan Mussa

domingo, 15 de janeiro de 2012

Projeto Sonho - Estação [2012]



O Projeto Sonho, banda alagoana de rock instrumental, lançou em janeiro de 2012 seu primeiro EP, intitulado “Estação”. O disco divulgado em parceria com os selos Sinewave (SP) e Popfuzz (AL) registra cinco composições que marcam a primeira fase do grupo.


Formada em 2008, por Gabriel Cerqueira, Ítalo Bruno, Victor Caesar e Hugo Lyra, a banda tinha como ideia inicial a criação de músicas fazendo uso apenas de guitarras e bateria. Em 2011, o grupo passou por transformações na sonoridade e na formação. Assimilando referências sonoras locais e incorporando outros instrumentos, o Projeto Sonho se tornou um quinteto com a entrada de Victor de Almeida, que assumiu baixo, teclado e escaleta.


Gravado de maneira independente na casa dos próprios integrantes, o EP “Estação” tem como ideia norteadora o ciclo de formação da vida. Da destruição ao nascimento, do caos à criação da vida, da tempestade à calmaria. Como sugerem os títulos e a sonoridade de cada faixa: “Tormenta”, “Chuva”, “A Espera do Triste Fim”, “O Próprio Caos Tem Sua Magia” e “Aurora”.


Ao todo, o trabalho levou dois anos para ser concluído e foi produzido pela própria banda, além de contar com a mixagem de Pedro Ivo Euzébio, responsável pela produção de Wado, Mopho e Cris Braun, e masterização de Sérgio So atti. O lançamento está disponível para download gratuito no site da banda (www.projetosonho.com.br).
de Sinewave


Formação:
Gabriel Cerqueira - guitarras
Victor Cesar - guitarras
Hugo Lyra - guitarras
Italo Bruno - bateria
Victor Almeida - baixo, teclado, escaleta

sábado, 14 de janeiro de 2012

Entrevista com Rodrigo Santos (Barão Vermelho), 08/01/2012

Publicado em 08 de janeiro de 2012 no Blog do Brunocos

*Bruno Moreira


Bruno: Nos anos 80 você tocou com muita gente, grandes ícones da música. O que essa geração representou (ou representa) pra você e pra música brasileira? 

Rodrigo: Como faço parte dessa geração, não costumo ficar puxando brasa pra nós. Apenas demos continuidade ao que aprendemos com Rita Lee, Raul Seixas, Belchior, Jorge Benjor, Bezerra da Silva, Moreira da Silva, Tim Maia, Mutantes, Novos Baianos,Pepeu Gomes, A Cor do Som, Alceu Valença, Zé Ramalho, Ney Matogrosso, Renato Barros Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Secos & Molhados, Gil, Chico e Caetano. Basicamente isso formou a nossa geração. Junta-se tudo isso a influência que também tinhamos da New Wave, Rockabilly, Punk, Rock,n,Roll e Reggae/Ska lá de fora e aí está formada a nossa geração, que também vinha com vontade de quebrar os resquicios finais de ditadura que ainda permeavam o país. Letristas como Cazuza, Renato Russo, Lobão, Roger Rocha Moreira, Evandro Mesquita, Herbert Vianna, Leoni, Marcelo Nova, Bernardo Vilhena, Julio Barroso, Tavinho Paes e Arnaldo Antunes davam a diferença. Chutamos a chatérrima MPB que volta agora novamente a equilibrar a mesmice do mercado. A grande diferença que demos no mercado foi arrombar as portas das rádios Fm que não acreditavam no rock, até escutarem a Blitz, o Ritchie e o Lulu Santos. A partir daí não parou mais. Obviamente que com o surgimento do sertanejo universitário, da música Baiana, do pagode mauricinho, do funk carioca e da volta da chatérrima MPB, isso deu uma esfriada, e graças ao surgimento do Skank, Raimundos, Chico Science, Cidade Negra, Detonautas, Cassia Eller, Planet Hemp, e Charlie Brown Jr, o rock deu uma pequena renovada. O resto é mais do mesmo. Dos novos que estão quebrando pedras para chegar ao mainstream, os Autoramas estão a frente! Cito também a cantora Marilia Bessy (de Rock e não de MPB!!! que incrível!!!) . Dos compositores-solo destaco Zeca Baleiro, Nando Reis, Zélia Duncan, Isabela Taviani, Moska, Mauro Sta Cecilia, Lobão e me incluo, sem nenhuma modéstia, nos que se preocupam com a continuidade das letras e sua capacidade de propagar pensamentos e reflexões. Somos da geração que escutou Bob Dylan, Stones, Bezerra da Silva e Beatles. A geração dos 80 também trouxe a tona em suas canções, referências do que estava rolando lá fora na época, como Men At Work, Pretenders, Police, U2, Cure, Smiths, Clash e outros. O Barão era mais da galera do blues, ou rock swingado como Rolling Stones e Santana. Mas a abertura das rádios, o Rock in Rio 1 e os equipamentos (instrumentos, PAs, mesas de som ,etc) que começaram a entrar no Brasil, foram lutas que nossa geração conquistou. Claro, boa música e bons letristas tambem, senão não existia nada.

Bruno: E o Barão? Como tudo começou? 

Rodrigo: Eu entrei no Barão em 91. Cheguei a ver shows deles em 82,83...Eu tocava com Leo Jaime, Front, Eletrodomesticos e João Penca & Miquinhos Amestrados. O começo foi como todo mundo daquela geração - impulsionado pela Radio Fluminense e Circo Voador. Depois do sucesso de Bete Balanço, Maior Abandonado e Pro Dia Nascer Feliz (essa antes executada exaustivamente nas radios, na voz de Ney Matogrosso), o Barão se destacou das demais bandas e subiu um degrau acima, coisa que só aconteceu com Paralamas, Lulu, Kid, Legião, RPM, Titãs, Ultraje, Leo Jaime e Lobão. Hoje em dia o Capital Inicial pode entrar nessa lista também. E o Engenheiros do Hawaii saiu..rs

Bruno: Você teve um lance com drogas, álcool, e conseguiu superar. Conte um pouco sobre essa experiência.

Rodrigo: Como acontece com todo mundo era bom no inicio, com 18, 19 anos... foi ficando mais constante entre 25 e 35 anos (tempo tambem em que fiquei praticamente de segunda a segunda na estrada fazendo shows) e começou a virar vício entre 35 e 40. Começou a atrapalhar compromissos e perder dias seguintes dormindo. Aí resolvi parar. Procurei ajuda numa clínica (Centro Vida) e logo a seguir me tornei coordenador na mesma clínica (coordenei reuniões durante 3 anos e meio). Parei com álcool e drogas em 02.08.2005. Hoje em dia não tenho sequer vontade de beber ou usar drogas. Apenas nos primeiros dois meses ficava um pouco saudosista. Criei minha carreira solo toda na abstinência a partir de 2007. Mantive meu casamento (14 anos) e nasceu nosso segundo filho. Só ganhos! Faço muitas palestras hoje em dia sobre isso e falo de uma maneira real, mas leve. 

Bruno: Você tem uma carreira solo bem interessante. Quando decidiu lançar essa carreira? 

Rodrigo: A partir de 2005, quando o Barão anunciou que ia parar de novo - só que dessa vez sem previsão de volta - eu resolvi me preparar para encarar uma nova empreitada na minha vida. Sou surfista de onda grande, gosto de desafios e também não tinha opção, era aquela hora ou nunca. Já vinha cantando nos Britos (banda minha que gravou um DVD todo de Beatles, na Inglaterra). Preparei o repertório novo durante a turne do Barão em 2006 e durante minhas horas vagas no RJ. Era um sonho antigo, mas esperei a hora certa, quando realmente tivesse tempo grande para dar continuidade ao trabalho. São 4 discos em 5 anos, sendo o último um DVD. Muitas músicas tocaram em rádio, outras em novelas. A Som Livre me contratou em 2007 e fiquei lá até 2010 lançando dois discos autorais ( Um Pouco Mais de Calma 2007 e O Diario do Homem Invisível 2009). O mercado mudou e fiz o terceiro disco por um selo em 2010, a convite de Marcelo Froes. O cd "Waiting On a Friend" foi meu único não autoral, todo em inglês e com músicas inéditas de John Lennon e Paul McCartney. A música "Waiting On a Friend " tocou muito em rádios, comigo e Frejat dividindo os vocais, e todos os Barões na faixa. Em 2011 resolvi lançar o DVD que gravei em 2010, "Ao Vivo em Ipanema" gravado no Teatro Ipanema e em cima de uma Kombi na Praia do Arpoador (participações de Evandro Mesquita, Ney Matogrosso, Frejat, Leo Jaime, Miquinhos, Leoni, Isabela Taviani, Pepeu Gomes e Chris Pitman, do Guns n´ Roses). Foram até agora 5 músicas em rádios e 1 em novela. 1001 shows. Hoje em dia faço uma media de 15 shows solo por mês e já não dependo do Barão para viver. Isso aconteceu com muita ralação. Apesar de estar muito bem nesse momento da vida, amo tocar com o Barão e portanto na volta da banda, estarei tocando feliz e com muitas saudades de 
encontrar meus companheiros de muitos anos. Sem abandonar a carreira solo.

Bruno: Dos seus shows, tem algum que mais te marcou?

Rodrigo: Da carreira solo: O Rock in Rio 2011, sem dúvida foi o mais impressionante. Foi na Rock Street para 10.000 pessoas e volta para 3 bis. Além desse, teve o que abri o Skank na Praia de Copacabana para 70.000 pessoas.Inesquecivel, em 2008. Em 2011 fiz 221 shows, muitos importantes, muitas temporadas lotadas e tambem um show memorável: o da praia do Arpoador, no Verão da OiFm. Os shows que inventei em cima de uma Kombi também foram inesquecíveis (Leblon e Arpoador, esse ultimo registro do meu DVD) e as duas festas de Reveillon nos locais mais nobres do Rio (Forte Copacabana e Iate Clube) tambem ficarão na memória, aconteceram agora, de 2011 para 2012. Com o Barão: a abertura dos 5 shows dos Rolling Stones na turne Voodoo Lounge e o Rock in Rio 3, em 2001. Com Lobão: O Hollywood Rock de 1990 onde gravamos o LP "VIVO". Com o Kid Abelha a temporada no Credicard Hall SP, com mais de 12 shows lotados. Com Leo jaime o show Alternativa Nativa, no Maracanazinho lotado em 1986. Com os Britos os 3 shows no Cavern Club, em 2005 e 2006.

Bruno: Como surgiu o projeto "Os Britos" (com George Israel, Guto Goffi e Nani Dias)? Continuam?

Rodrigo: Os Britos surgiram em 94 a convite do pessoal do Circo Voador para lançarmos o filme Back Beat nos moldes do lançamento no exterior, com musicos de diferentes bandas tocando musicas dos Beatles. Aqui fomos nós os escolhidos. Deu tão certo que continuamos e gravamos um dvd na Inglaterra, Ganhamos medalha do principe inglês e acabamos a banda em 2008. Ou seja, nossa historia é quase igual a dos Beatles!! rs

Bruno: Qual sua visão do atual momento da música no Brasil?

Rodrigo: Boa, se procurar encontra coisa muito boa. Claro que o que a mídia empurra no momento é a porcaria de sempre com novos nomes incluídos - nomes do momento. Esse momento-mídia-música está horroroso, mas por tras de tudo isso chegam bandas boas. Falta algo no movimento para quebrar a concorrência dos programas de TV e rádios, mas em compensação tem integridade e musicalidade. Enquanto os diretores de TV e programadores de rádios estiverem por tras disso tudo, teremos as mesmas ruindades sertanejas, axés, funks, rock infantil, mpb sem alma e muitas armações de encontros fakes. Sobre o último armado pela maior gravadora no Brasil não vou nem comentar..mas o efeito vem...o público é enganado por um tempo, mas na geração seguinte isso dá efeito. Afinal, quem vai aturar armações entre ícones da MPB e novos "talentos" unica e exclusivamente criados para empurrar o novo produto da gravadora? Fica fácil...empurra 4 músicas para novelas e o resto vem junto. Tem muito diretor jogando esse jogo e mais, pessoas que eram excelentes musicos na década de 70, 80...entraram direitinho nesse jogo - claro, para manter seu emprego e sua grana na conta. Enquanto isso a produção musical é sofrível!

Bruno: Que conselho você dá pra turma que tá começando na música?

Rodrigo: Não desista, mesmo tendo pela frente pessoas idiotas que nos cercam nesse meio. Não desistam, essas pessoas enriquecem e somem... a nossa arte fica!! E assim vamos crescendo e essas pessoas "diminuindo" - com o tempo isso faz a diferença. Caráter não se aprende na faculdade.

Bruno: Quais são seus projetos pra 2012? Barão volta? 

Rodrigo: Vou ser apresentador de um programa de televisão fechada e continuarei meus shows até maio, quando o Barão volta para shows! Vou tentar conciliar algumas atividades, como palestras-shows e os programas que estarei apresentando, contanto que nao bata com as datas do Barão. Essa é a grande novidade de 2012 - a volta do Barão Vermelho!! Tenho milhares de pedidos de shows solo. Os que conseguir conciliar farei, os outros ficarão para 2013. Tenho meu público hoje em dia, que sai de casa para me ver cantar. Isso eu tenho de cuidar, regar e manter a chama acesa também. Sou muito grato a todos e estou apenas começando minha historia solo.

Bruno: Para o Rodrigo Santos, a vida é... (?)

Rodrigo: Perseverar, as vezes recuar, mas nunca desistir. A vida é...harmonia e desafio!!!

Bruno: Valeu Rodrigo! Que seus trabalhos continuem dando certo, com muito sucesso. Um grande abraço.

Rodrigo: Abração Bruno e aos seus leitores!! Tamos na área! Nos encontramos nos meus facebooks I, II e III , no Twitter @rodrigosantosbv e no site www.rodrigosantos.com.br

Vlad V - A Espada e o Dragão [1998]

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Depois do álbum de estréia, Vlad V, a banda lança o álbum que lhe rendeu o apelido de rush brasileiro devido a virtuosidade e ao timbre de voz de Jean Carlo.

Formação em A Espada e o Dragão:

Jean Carlo - guitarra, violão folk, flauta, harmônica e voz
Doriga - teclados, acordeon e vocais
Humberto Klitzke - baixo, violão clássico, bandolin e vocais
Flavio Theilacker - bateria, percussão e vocais

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Entrevista com ruído/mm. "Às vezes, a melhor música é o silêncio"

*Cristiano Castilho, 13/01/2012

Coloco ruído/mm para escrever sobre ruído/mm. Introdução à Cortina do Sótão começa delicado. O piano melancólico é como um afago na cabeça, ainda que intermitente. E também a chavinha que dá a partida para essa viagem de seis músicas, carregadas de brumas e dor, tensão e alívio. O álbum é um dos melhores discos de 2011. Foi citado em diversas listas nacionais. E comentado, destrinchado, digerido.


Formado atualmente por André Ramiro (guitarra), Ricardo Pill (guitarra), Giovani Farina (bateria), Alexandre Liblik (piano) e Rafael Panke (baixo), o ruído/mm tem quase dez anos de história. Passou por diversas formações. Lançou seu primeiro disco, o EP Série Cinza, em 2003.

Na longa e divertida entrevista a seguir, a banda curitibana demonstra um impressionante domínio sobre o “fazer artístico”. Falam também sobre o processo criativo do quinteto, que envolve esquimós e Edgar Alan Poe; contam como receberam as boas críticas; e divagam sobre Curitiba, cidade essa que, como o pós-rock, vive entre luz e sombras.
“O artista não pode se fechar na torre de cristal e achar que cada ideia que produz é brilhante, nem pode ficar sempre copiando os outros por falta de assunto e querendo agradar.”

O que estão ouvindo nesse exato momento?


Ramiro: Sleep Party People e Sonic Youth (Bad Moon Rise), ao mesmo tempo e aleatório, rs.

Panke: Shuffle on! Mas o Last.fm denuncia: Neutral Milk Hotel, Swervedriver, My Midi Valentine e Akron/Family.

Liblik: Ando ouvindo os pilares do jazz boliviano (uma gravação histórica que resgatei em La Paz) e Hierofante Púrpura, banda doidona que lançou um belo disco neste ano.

Introdução à Cortina do Sótão está em diversas listas de melhores discos de 2011 – inclusive na deste blog. Por que ele foi o grande álbum do ruído/mm?



Ramiro: Porque existe uma sincronicidade beirando a exaustão por coisas sinceras no mundo da música.

Liblik: Sincronicidade é a palavra. São cinco melhores amigos que se acharam, mas que sempre estiveram se procurando.

Vi que vocês comemoraram muito essas boas notícias. Qual era a expectativa da banda na época do lançamento do álbum



Panke: Havia uma certa insegurança devido ao relativo sucesso do disco anterior, A Praia. Estávamos nos enveredando por caminhos diferentes, e a comparação seria inevitável. Como isso seria percebido pelos outros? E, em geral, quando se lança um disco não se faz a menor ideia de como ele será recebido; perde-se o distanciamento da obra durante o processo, fica difícil apreciá-la objetivamente. Além disso, o reconhecimento de um trabalho depende de n fatores não relacionados à música em si... há discos bons que não nunca chegam aos ouvidos certos, há tanta porcaria que ganha destaque. Aprende-se a não esperar nada: assim, quando surgem opiniões favoráveis, é uma festa.

Ramiro: Não temos expectativas para muitas coisas. ruído é lado B da vida. É a cor do nosso sangue. Quando alguém diz que gosta do disco, acaba sendo um prazer conhecer esta pessoa, porque alguma coisa está nos fazendo convergir para o mesmo canal. Isso é bom demais.

Liblik: A alegria de fazer música compartilhando com nossos amigos é a nossa expectativa realizada. É isto que comemoramos.

Ruído/mm - Introdução à Cortina do Sotão [2011]

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Não chega a ser uma parede ou uma barreira sonora, mas Zarabatana, a primeira faixa de Introdução à cortina do sótão, o novo disco do grupo de rock instrumental ruído/mm, começa com uma certa elevação de som. No mínimo uma pedra no caminho. Se a primeira faixa do disco é uma curta introdução de clima tranquilo, Zarabatana faz o disco começar todo de uma vez e meio rápido. Você só viu a pedra no caminho depois que já estava tropeçando nela.


Segundo a Wikipedia e o Dicionário Informal, Zarabatana é uma arma de sopro. Um tubo oco pelo qual são soprados dardos ou projéteis. Os tiros podem atingir grandes velocidades e distâncias. Mas o nome antigo da mesma música, Mariachis, parece ter mais a ver com ela. Há algo em sua estética que relembre do clichê mexicano: calor, areia, sombreros, deserto. E esse começo seco e duro dos primeiros segundos lembra milhares de agulhadas de uma tempestade de areia. Depois dela, a bonança, a escaleta tocada por Alexandre Liblik (falaremos mais dele aí para frente), a calma. O vento parou e fica tudo em silêncio até que surja a primeira parede sonora do disco, formada por 1) a guitarra de André Ramiro gritando aguda e profundamente, como se um grão de areia da tempestade tivesse chegado ao osso e fosse a maior dor possível -- essa guitarrinha aproxima Introdução à cortina do sótão ao post-rock; 2) a guitarra grave de Pill gritando "porra!" entre os dentes e o vento, mas ficando apenas incomodada com a tempestade; e 3) o grave do baixo incrivelmente calmo de Rafael Panke, que parece nem se incomadar com tudo aquilo, ou ainda, imponentes, talvez sejam estas notas graves as responsáveis pela construção e arquitetura da tempestade.

De repente, como um herói, surge um piano. A tempestade imediatamente começa a enfraquecer e acaba poucos instantes depois. Volta o calor infernal do deserto, mas pelo menos as agulhadas de areia pararam.

Assim começa a Introdução à cortina..., o sucessor do muito bem falado A Praia (2008). Mas se o disco anterior falava (murmurava) sobre os problemas e as impossibilidades da vida -- ou pior, sobre o medo de enfrentá-la -- Introdução à cortina resolve escapar do incômodo momento em que se hesita perante as dificuldades e parte para o enfrentamento delas. Analisa que coisas boas e ruins podem acontecer e conclui, emocionado, que é pela chance de tudo dar certo que vale a pena enfrentar os problemas da vida.

Mesmo sem palavras, é sobre essa decisão feliz e emocionada que os instantes finais de Zarabatana parecem tratar.

Petit Pavé, a terceira faixa do disco, resolve ir ao enfrentamento. Tal qual as tramas complicadas dos calçamentos do nome da música, a tomada de uma decisão é sempre um processo complexo. Cada caminho leva a uma nova escolha, a novas bifurcações, a novas dúvidas.

Agora, falando sobre a estética da música, Petit Pavé é uma caminhada por morros verdes e céu nublado. Mas antes da sensação de calma e paz por se presenciar uma paisagem bonita, o que temos aqui é uma certa angústia de se estar perdido e sem saber para onde ir (vida?). De repente você passa por uma colina pela qual jura ter passado há trinta minutos atrás, mas descobre, perplexo, índios eletrônicos em ritual de dança que não estavam ali antes (para quem quiser ver com os próprios olhos, eles estão entre 2:01 e 2:30).

Esquimó é a penúltima música do disco. É aqui que voltamos a falar sobre o piano de Alexandre Liblik. Decisão acertada essa do ruído/mm de botar um pianista na banda. Liblik, deixe-se bem claro, não é tecladista, mas exímio pianista (pelo menos dentro do âmbito roqueiro a que avalio).

Se antes, em A Praia, sem o piano de Liblik, o ruído/mm era uma grande banda de um disco excelente, com Liblik e a Introdução à cortina do sótão o ruído sobe vários degraus e chega ao status de, sei lá, banda superior. É aquele ponto em que há deslumbramento. É o ponto em que se evolui e se faz uma música complexa, de díficil compreensão, e assim mesmo há a aceitação de público considerável. É um ponto em que você transmite mensagens inteiras (quiça sentimentos completos) sem dizer uma única palavra.

É o piano que começa O Prestidigitador, a última e mais ensolarada faixa do disco. Nela há, além da nova aparição dos índios eletrônicos de Petit Pavé, a sensação de que tudo passou, afinal. Os problemas foram enfrentados. As nuvens sumiram, você está nas mesmas colinas verdes de antes, mas agora está tudo ensolarado. E você sabe muito bem onde está. Sorriso no rosto, na alma. Deu tudo certo.

Dizer que Introdução à cortina do sótão é um grande disco é pouco. O terceiro lançamento do ruído/mm está para além de "bom", "ótimo", "excelente". É um disco que, para fazê-lo não basta ser ótimo músico ou compositor. É preciso ser louco, e depois disso ser são, e depois ainda desenvolver a capacidade de transitar com desenvoltura entre a loucura e a sanidade, a vida e suas complexidades, os problemas e suas soluções. Aí sim, depois disso tudo, transpor com leveza e descompromisso as experiências obtidas para guitarras, pedais e partituras. E ter feeling.

Camarones Orquestra Guitarrística - Espionagem Industrial [2011]


Qualquer um que reclame ou há anos vem reclamando sobre a baixa variedade de estilos e bandas voltadas ao rock instrumental no Brasil talvez precise rever seus conceitos tamanha a profusão de artistas que tiveram seus trabalhos lançados na última década. Se antes a música instrumental parecia refúgio de indivíduos que buscavam por um som conceitual e amarrado de forma experimental em sua essência, hoje o que não faltam são projetos que atendem todos os gostos e demandas musicais, com grupos cada vez mais voláteis e que mesmo sem pronunciar uma única palavra sabem como cativar seu público.

Assolados pela mesma efervescência que toma conta de bandas como Pata de Elefante e Retrofoguetes, o grupo potiguar Camarones Orquestra Guitarrística faz de seu novo registro uma sucessão de acertos e composições instrumentais que bebem de forma entusiasmada do bom e velho rock. Composto de 17 músicas, Espionagem Industrial (2011, DoSol) converge em seus pouco mais de 50 minutos de duração, tudo que o grupo de Natal, Rio Grande do Norte vem acumulando em quase quatro anos de apresentações e um repertório sempre movido por composições intensas. 

Mesmo partilhando de certa similaridade entre as composições – que não poupam em confortar os ouvintes em espessas camadas de guitarras e batidas projetadas para levantar o ouvinte do chão – cada música do disco conta com algum elemento de diferenciação, que inclui desde travessias pelo Ska (Ula-Ula), Stoner Rock (Rock de Roqueiro), Dance Punk (Peggy Lucura) e até surf music (Surfando em Boa Viagem). Convidado para assumir a produção do disco, Chuck Hipolitho (Vespas Mandarinas) surge como um verdadeiro artesão, proporcionando certa conexão entre as faixas e proporcionando limpidez às mesmas.

Dividido em duas partes (ou lados), na primeira “metade” do registro temos a banda apresentando 11 canções extremamente acessíveis e que flertam com uma tendência mais pop em diversos momentos. Faixas que aos poucos vão construindo pequenos ou grandes versos no cérebro do ouvinte, gerando uma experiência de interatividade involuntária enquanto a dançante Peggy Loucura, a pesada Bronx ou mesmo a sossegada Delayte vão aos poucos soltando suas bem desenvolvidas emanações, canções que mesmo “indisponíveis” de letras e vozes falam em alto e bom tom.

Para a segunda metade do álbum, o quinteto – composto por Ana Morena (baixo), Anderson Foca (tecladista e co-produtor do disco), Karina Monteiro (guitarra), Leo Martínez (guitarra) e Xandi Rocha (bateria) – não apenas investe na mesma sonoridade carregada de referências que delimita a totalidade do “Lado A”, como chega cercado por um número mais do que suficiente de grandes representantes do rock alternativo atual. Dos cariocas do Canastra na música Camastra aos sergipanos do The Baggios nas faixas Terror em Burzaco eBaggiones, por todos os lados as pequenas parcerias transformam o álbum em um trabalho ainda mais vasto e delicioso de ser apreciado.

Voltado para agradar os mais distintos público, Espionagem Industrialinviabiliza a propagação de sons demasiadamente densos ou experimentações musicais que possam tornar complexa a audição do trabalho. Cada mínimo acorde, batida ou harmonia que se projeta através do disco parece se limitar em agradar ao ouvinte, sem que para isso sejam necessárias longas transições instrumentais ou exercícios acústicos tomados por uma fluência virtuosa. Básico, porém fugindo do óbvio, o disco parece ser a trilha sonora perfeita para animar conversas empolgadas entre amigos enquanto alguns goles de cerveja gelada são bebericados.


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra lançam CD e DVD

Projeto "A Curva da Cintura" combina rock com composições confluindo entre a poesia e a urbanidade

A amizade de longa data de Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra fez estreitar ainda mais a relação musical entre eles. Livres para encaminhar seus próprios projetos, sobretudo depois que se desligaram de suas respectivas bandas - Arnaldo dos Titãs, na década de 1990, e Edgard do Ira!, em 2007 -, os dois foram se esbarrando pelos palcos (e pelos discos) da vida nas últimas duas décadas. 

Em 2008, Arnaldo e Edgard, ao lado de Taciana Barros, Antonio Pinto e dos filhos do quarteto, criaram o elogiado projeto infantil Pequeno Cidadão e, com o grupo, têm cruzado o Brasil fazendo shows. Além disso, Edgard, em paralelo aos seus próprios trabalhos, voltou a gravar e excursionar com Arnaldo no mais recente disco dele, o Ao Vivo Lá Em Casa, lançado em 2010. A proximidade fez com que eles criassem ainda um show só com voz, guitarra e bumbo eletrônico, em que cantam e tocam suas parcerias.

Desse formato de show, com o qual se apresentam desde 2009, surgiu a vontade de fazer um disco de inéditas e que levasse o nome dos dois. Mergulharam em um processo de composição e, quando estavam com o repertório praticamente pronto, eis que aparece um terceiro elemento que não estava no script: o músico Toumani Diabaté, de Mali (àfrica), e sua kora, uma espécie de harpa com 21 cordas, tradicional na àfrica Ocidental. Dessa nova configuração, que deu origem a uma tríade, nasceu o projeto A Curva da Cintura, que inclui CD e DVD (com direito a documentário sobre os bastidores).

Antes de descrever como e onde se deu esse projeto, vale contar de que maneira Toumani atravessou o caminho da dupla brasileira. Em 2010, Arnaldo e Edgard foram convidados para dividir o palco com o instrumentista maliense no festival Back2Black, no Rio. Eles gostaram da ideia e foram pesquisar mais sobre aquele ilustre - e para eles, até então, desconhecido - convidado. 

– Eu não só não conhecia a música dele como não conhecia também a kora – afirma Arnaldo. 

– Fui buscar material na internet para ver de que se tratava.

Apesar de os três pertencerem a origens, sonoridades e idiomas diferentes, o entrosamento daquele encontro abriu precedentes para confabulações futuras. A troca de e-mails evoluiu para a formalização do convite para que Toumani participasse do projeto que, a princípio, só era dos dois. O passo seguinte foi Arnaldo e Edgard viajarem até Bamako, capital do Mali, onde conviveram com o simpático Toumani e seus músicos, dentro e fora do estúdio, durante duas semanas, no ano passado. O entendimento entre o trio se deu por intermédio da língua inglesa e da música. Naturalmente, Toumani contribuiu para o álbum com alguns temas, como Kaira e Rio Seco.

A Curva da Cintura testa a combinação da guitarra meio rock&roll de Edgard e das composições confluindo entre a poesia e a urbanidade de Arnaldo com a docilidade sonora da kora. De fato, a composição deles foi preservada, abrindo espaço apenas para uma musicalidade atípica e, por que não, inusitada a eles. Para quem quiser ouvir as músicas do disco em versão redux, sem a kora de Toumani, Arnaldo e Edgard vão continuar com a formação minimalista nos shows da dupla. Para a audição da versão original, Toumani deve participar de alguns shows aqui no Brasil neste ano.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Matanza - Odiosa Natureza Humana [2011]



*Tiago El Cid Cardim

Os cariocas do Matanza passam por uma situação bastante atípica não apenas para o rock brasileiro, mas também no que diz respeito ao mundo da música como um todo. Fundador e principal compositor da banda, o guitarrista Donida ficou de saco cheio da dinâmica das turnês, da obrigação de ter que subir aos palcos, de ter que cair na estrada. Mas ao invés de abandonar o grupo, como era esperado, ele permaneceu como compositor e músico de estúdio.

No recente “Odiosa Natureza Humana”, seu quinto álbum de estúdio (e o quarto de inéditas), ele assina a maior parte das canções e registra a violência das seis cordas – só que, nas apresentações ao vivo, ele será devidamente substituído por Maurício Nogueira, ex-integrante da ótima banda Torture Squad. O resultado acabou sendo prejudicado? Muito pelo contrário. Em “Odiosa Natureza Humana”, ouvimos um Matanza mais afiado e pesado do que nunca, com seu country-hardcore ganhando ainda mais temperos thrash metal e letras que refletem o mal-humor e a ironia sobre os rumos da humanidade. Dá para dizer até que “Odiosa Natureza Humana” é o disco mais sombrio do grupo, aquele que carrega menos fé e esperança no que o ser humano anda fazendo em suas andanças neste maltratado planetinha azul. Fúria em estado bruto.

Novamente com produção de Rafael Ramos, “Odiosa Natureza Humana” foi gravado ao vivo no estúdio Tambor e registrado em apenas três dias. E um detalhe: todo o trabalho em fita de rolo, sem qualquer tipo de trucagem digital. Coisa raríssima na nossa indústria fonográfica, o expediente mostra-se bem efetivo já na abertura, com a politicamente incorreta “Remédios Demais”, estrelada por um protagonista que anda fazendo das suas ao volante e passa por cima de quem estiver pela frente. Praticamente colada na primeira faixa, “Em Respeito ao Vício” então inaugura oficialmente a seqüência de petardos que dão pouca ou nenhuma chance para respirar – e tampouco para acreditar na raça humana (repare na letra: “mundo horrível, gente desprezível, a quem vou me justificar”).

O grande momento de “Odiosa Natureza Humana”, contudo, vem lá pela metade da bolacha – começando pela “negative vibrations” faixa-título, cujo trabalho vibrante e brilhante de baixo e bateria embalam a letra que já começa assim: “se todo mundo fosse embora / e só eu ficasse aqui / eu teria nessa hora / um bom motivo pra sorrir / se tudo desaparecesse / e não ficasse mais ninguém / somente num dia desses / eu passaria muito bem”. A dobradinha se completa de maneira perfeita com a poderosa “Carvão, Enxofre e Salitre” – na opinião deste que vos escreve, o grande ápice do disco, talvez uma das melhores canções da discografia do grupo.

Não dá para deixar de falar sobre “Tudo Errado”, um crossover daqueles que o Matanza faz com precisão, com uma guitarra cavalgando de maneira alucinante e convidando para o bate-cabeça e para a roda de pontapés. Por falar em guitarra, aliás, repare ainda na gigantesca e monumental palhetada metálica da guitarra em “Saco Cheio e Mau-Humor”, que tem lá um jeitão meio Metallica das antigas, em especial no refrão. O clássico clima Velho Oeste pode ser conferido em faixas como “Escárnio”, talvez uma das letras mais inspiradas do álbum, sobre como, no dia do juízo final, de nada vão adiantar os carrões, mansões e mulheres acumulados por certos calhordas ao longo da vida.

Um dos poucos alívios para o tom mais pessimista do disco é “Ela Não me Perdoou”, uma espécie de continuação não-oficial das simpáticas “Ela Roubou Meu Caminhão” (do disco “Santa Madre Cassino”) e “Bota com Buraco de Bala” (do álbum “Música para Beber e Brigar”). Naquele clima “dor de cotovelo from hell”, a canção é um divertido retrato sobre uma mulher teimosa e tão sem paciência quanto o próprio estereótipo do brigão vivido pelo vocalista Jimmy, que se recusa a perdoar o que quer que o personagem da música tenha feito e ainda responde à serenata com uma pedrada no meio da testa. Mas acordando sem lembrar o que fez, devidamente acometido por uma dor de cabeça, ele vai para o bar e esquece que esta mulher existe em “Melhor Sem Você”. E assim como em “A Arte do Insulto”, o disco “Odiosa Natureza Humana” se encerra com um ode etílico. Mas ao invés de uma balada de inspiração celta, “O Bebum Acabado” é um country envenenado do tipo que dá até para dançar alegre e contente - mas sem se esquecer que a letra diz “não penso mais sobre a vida / não mais me ocupo com Deus / a mim basta a bebida / que serve a todos os problemas meus”. Matanza à décima potência, senhoras e senhores. Saúde!

Formação:
Jimmy London – Vocal
Donida – Guitarra
China – Baixo
Jonas – Bateria


Tianastácia - Na Boca Do Sapo Tem Dente [2003]




Lançado em 2003, "Na Boca do Sapo tem Dente" é o quinto álbum da banda; mostra o sexteto atento à evolução de seu som, de seu público e de si próprio. Com quase oito anos de carreira, os músicos deixam claro que o passar dos anos só deixou boas marcas em suas vidas, além de tê-los aproximado ainda mais. O amor e a crítica social constituem o tema das composições. Algumas parcerias foram fundamentais para a conclusão do CD, como a de Rogério Flausino e Márcio Buzelin(Jota Quest) em "O Sol"; de Paulinho Santos(Uakti) em "Sapo Antunes", "Aldeia" e "Desperdícios"; e de Tom Zé em "Sapo Antunes". A produção é de Carlo Bartolini, mais uma vez, junto com Ronaldo Villas e o próprio Tianastácia. O trabalho foi feito de forma independente e, mais tarde, foi lançado pela EMI.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Raimundos - Roda Viva [2011]



*Fabiano Cruz

O Raimundos foi uma das bandas nacionais que fizeram muito barulho nos anos 90, alcançando uma grande parcela de fãs de Rock com suas músicas pesadas, sujas e desbocadas que misturavam o Hardcore com a música de diversas partes do país de uma forma genial e, como todas outras bandas, caiu nas “garras” da mídia, mudando seu som visceral a algo mais leve para as rádios (leia-se: “MTVzou-se), teve uma drástica mudança de formação, com Rodolfo, vocalista original, se tornando evangélico e perdeu a mão em seus últimos álbuns. Nada que uma banda nacional nunca tenha passado em sua carreira nas, agora revitalizado, o Raimundos vem tentando – e de certo modo conseguindo – resgatar muito do que foi no passado, principalmente nos primeiros discos, fazendo shows e mais shows Brasil afora.

E não teria outra maneira melhor do que se levantar lançando um disco ao vivo de um registro atual, mais precisamente na casa Kazebre em São Paulo. Hoje contanto com Digão (vocal e guitarra), Canisso (baixo), Marquim (guitarra) e Caio Cunha (bateria), o Raimundos levou fãs e mais fãs, lotando a casa, e tornando esse disco ao vivo bem forte e natural. A banda fez um set list bem equilibrado, tocando bastante sons do que foi outrora, em músicas rápidas e pesadas e com letras geniais – para muitas pessoas, pura sem-vergonhice: Bê A Bá, Esporrei na Manivela, Pitando No Kombão, Tora Tora, entre outras, sendo que foi intercaladas com as mais “sossegadas” – entre aspas, porque aqui ao vivo ficaram com uma pegada bem forte – de sua época “MTV”, músicas que rodaram as rádios e televisão com clipes, como Me Lambe, Pão da Minha Prima e A Mais Pedida. O público participa muito, chegando a cantar junto com Digão estrofe por estrofe, principalmente em clássicos do Rock Nacional como Puteiro Em João Pessoa e Eu Quero Ver o Oco. O resgate do que a banda foi outrora é muito bem vista no jingle Jaws, um Hardcore sujo que tem a identidade da banda.

A produção ficou perfeita, com os sons bem limpos, e a banda transparece que deu tudo de si em palco, pois a pegada está bem forte, principalmente na “cozinha”, onde Canisso e Caio literalmente “voam baixo”. Outro destaque é Digão, que está cantando muito, que foi bem acertado ele tomar as vozes da banda do que contratarem algum outro vocalista. Lançado também como DVD, não teria outra forma melhor da banda dar a volta por cima do que com esse trabalho ao vivo que soa forte; resta agora eles lançarem algum trabalho de estúdio à altura de seus primeiros trabalhos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Canto dos Malditos na Terra do Nunca [2006]


Yandex 320kbps


Esse blog recebe mensalmente algumas dezenas de acessos atrás dessa banda e por isso decidi disponibilizar esse álbum.

O nome dessa banda baiana são homenagens ao livro "Canto dos Malditos", de Austregésilo Carrano Bueno (que inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças); e à "Terra do Nunca" (Neverland) de "Peter Pan". A banda fundada em 2003 gravou dois EP's antes desse álbum e por ironia acabou cerca de um ano depois de lançado o álbum oficial. Segundo a banda o fato de não conseguirem mudar para São Paulo acabou por dar um fim na banda.


Formação:
Andréa Martins - vocal
Danilo - guitarra e vocal de apoio
Helinho - guitarra
David - baixo
Léo - bateria

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Terra Celta - Folkatrua [2011]

Download 320kbps


Segundo álbum dessa banda paranaense sem igual. Quem teve a oportunidade de assisti-los ao vivo só pensa em repetir a dose mais vez e outra e outra e.....

Abaixo vai um release que achei no site da banda:

"Misture melodias celtas tradicionais, rock, MPB, folk, rap, moda de viola, baião e outros estilos, adicione pitadas generosas de bom humor e letras satíricas, e sirva tudo em apresentações divertidas e contagiantes. É com essa receita que o Terra Celta vem criando uma nova linguagem musical, uma linguagem sem tribos, rótulos ou definições onde não existem limites para que as apresentações tornem-se sempre animadas algazarras. 

Há 4 anos na estrada o grupo hoje formado por Elcio Oliveira (vocal, violino, gaita de foles, Nyckelharpa), Alexandre Garcia (acordeom), Edgar Nakandakari (banjo, mandolin, flautas), Luiz Fernando Sardo (bateria, percussão), Eduardo Bracalion (guitarras e violão) e Bruno Guimarães (baixo) leva aos expectadores músicas da Escócia e Irlanda, além de composições próprias, com letras que enaltecem o que deve ser enaltecido.....a Cerveja, a Alegria e as Donzelas, não exatamente nesta ordem...   

Nos shows há interação total entre a banda, público, garçons, tecnicos de som, etc...transformando o recinto hora em um animado pub irlandês, hora em um navio pirata até parar num programa de auditório! Em meio a essa algazarra bacana todo mundo, canta, dança, bate palmas e se diverte...
e no dia seguinte parece que passou um caminhão por cima! hehehehe!!!

BEM VINDOS...

A TERRA CELTA!"

Entrevista com Raimundos, 03/01/2012, no Agora é Tarde