quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Labirinto - Anatema [2010]

Baixei esse álbum faz algum tempo e só agora fui ouvir e posso dizer com toda sinceridade que foi uma das melhores surpresas que tive essa ano. A banda instrumental de post-rock é simplesmente excepcional. Formada em 2003 a banda passou por quatro EP´s até chegar a esse belo álbum que já lhes renderam algumas turnês internacionais tamanha qualidade sonora.

Achei um artigo na edição 55 de abril da Rolling Stone Brasil sobre a banda e disponibilizo abaixo:

* José Julio do Espirito Santo.

A parafernália de instrumentos que parecia não caber no estúdio no dia em que a banda Labirinto fez um webcast ao vivo para a TV Trama não estava lá. O andar de cima da Casa Dissenso - misto de loja, selo, estúdio de gravação e pequeno espaço para shows, em São Paulo - está praticamente vazio. Erick Cruxen e Muriel Curi, casal que forma o núcleo do Labirinto, conversam com Bruno Pietoso, antigo membro do grupo, que saiu e retornou para tocar lap steel e sintetizadores na formação atual. Fora o papo tranquilo, ouvem-se poucos sons sob o céu carregado que antecipa mais um dilúvio vespertino na capital. Se houvesse uma trilha sonora para o momento, a música do Labirinto seria ideal. O primeiro álbum do grupo, lançado em 2010, traz seis longas faixas de angústia contida e clímaces estrondosos e inesperados, como os temporais que nunca se sabe onde vão cair. Mais do que o pior castigo religioso, Anatema encerra um outro significado para "maldição" em seu título, segundo Cruxen. "É uma história elíptica, como se fosse o eterno retorno", ele explica. "Tem um começo, mas não tem um fim. Na verdade, o fim volta para o começo. Um começo, talvez reformulado, reconfigurado."

Conceitual? Até o talo e com muito orgulho. Para chegar aí, o Labirinto foi aprimorando seu som em diferentes formações nos quatro EPs, lançados em CD-R - Pseudo-Segurança Compensatória (2005), um split com a banda Ordinária Hit; Cinza EP (2006); Labirinto EP (2007); e Etéreo(2009) - e nas faixas que fizeram para a coletânea Dis (2008).

O background dos fundadores do Labirinto - Cruxen (guitarra) e Muriel (bateria), além de Daniel Fanta (guitarra e piano) e o ex-integrante Joaquim Prado (guitarra, baixo e sintetizadores) - estava no hardcore e no metal. O desvio comum a muitos artistas do estilo foi para o post-rock. "Foi Godspeed You! Black Emperor que mudou a vida", Cruxen declara. "Os caras conseguem ter um lado contestador político-social e as músicas são lindas. Não precisa ser um agressivo feio", ele completa.

Anatema, que também sai em vinil, foi gravado em três estúdios diferentes, em São Paulo. Foi produzido por Cruxen e Muriel e finalizado em Chicago, no lendário estúdio de Steve Albini. "Não tinha ninguém no Brasil que eu conhecia que poderia fazer um trabalho tão legal", Cruxen fala sobre Greg Norman, que já produziu Pelican e Russian Circle (ambas de som instrumental pesado), e mixou o disco.

A ideia do atual sexteto (noneto quando estão no palco) é levar em frente o conceito contido no álbum. "Pretendemos entrar em estúdio novamente no fim do ano", ele diz aludindo a sequelas cinematográficas. "Este disco vai ter continuação."

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Jefferson Gonçalves - Encruzilhada [2011]





"O gaitista carioca Jefferson Gonçalves, considerado por críticos e público como um dos mais expressivos nomes da nova geração de instrumentistas brasileiros, está lançando seu quarto CD – Encruzilhada(Bluestime Records). O novo trabalho, gravado entre o Rio de Janeiro, São Luís (MA), Vitória (ES), Nova Olinda (CE) e Dakar, no Senegal, aprofunda de modo definitivo uma opção criativa que Jefferson adotara em discos anteriores e em turnês pelo Brasil e por vários países, a de promover fusões, diálogos e intercessões entre gêneros que aparentemente são distintos mas que têm similaridades inescapáveis a ouvintes atentos.

Com essa convicção, Jefferson Gonçalves deixa de traçar paralelas e investe nas confluências, ou em autênticas encruzilhadas, entre ritmos africanos e nordestinos e o blues, com o qual se lançou na carreira artística.


É uma proposta ousada, mas tem a mesma essência que marca na genuína música brasileira – formatada ao longo de cinco séculos por influências e interferências do que se fez e se faz na Europa, na América do Norte e na África, tudo isso temperado com uma malemolência e uma criatividade tipicamente subtropical.


Encruzilhada reúne em 13 faixas, o que inclui duas faixas-bônus, com um time de músicos de primeira linha. Kleber Dias (voz, guitarra, bandolim, violões de 6 e 12 cordas e lap steel), Anderson Morais (bateria e percussão), Sérgio Velasco (guitarras), Fábio Mesquita (baixo), Marco BZ (bateria e percussão), da banda que acompanha Jefferson Gonçalves, se uniram a convidados muito especiais e de igual pluralidade, entre os quais os cantores e percussionistas senagaleses Cheikh e Aliou Guissé, o tocador de Kora Baila Fall Kora, o gaitista argentino Nicolás Smoljan, o cantor americano Richard Werner, o paulista André Magalhães (percussão), o carioca Marco Arruda (percussão), os capixabas Marcelo Maia (viola de 10 cordas) e Fabricio Drummond (baixo acústico), os maranhenses Oliveira Neto (bateria), Samir Aranha (baixo), Ronald Santos (violão de 12 cordas) e Carlos Pial (percussão), os cearenses Ranier Oliveira (sanfona), Beto Lemos (Rabeca, viola de 6 e 10 cordas e percussão), Geraldo Júnior (flauta, ferro e triângulo), Michael “Pipoquinha” (baixo), os meninos da Fundação Casa Grande Aécio Diniz (moringa), Hélio Filho (caxixi e efeitos) e, do caldeirão de sons que o Cariri produz, Dantas Aboiador, misto de vaqueiro e artista popular de Nova Olinda (CE).

Essa troupe mergulhou em composições do próprio Jefferson, ora individualmente ora em parceria com Ranier Oliveira, Beto Lemos, Marcelo Maia, Kleber Dias, Marco BZ, Anderson Morais, Samir Aranha e Cheikh Guissé, e de nomes referenciais do blues, como Muddy Waters, Roy Rogers, Norton Buffalo e Mavis Staples, e da música brasileira, como Carlos Malta. Formou-se daí uma substanciosa leitura de música de qualidade.

“O que está registrado nesse quarto CD, que considero um divisor de águas na minha carreira, retrata um momento da minha vida no qual estou mais preocupado com música do que com estilo”, diz Jefferson.

O novo CD de Jefferson Gonçalves é uma produção iniciada em 2009 e concluída em 2011. Foi gravado nos estúdios Making Of (Rio de Janeiro/RJ), Satori (São Luís/MA), Djijack (Dakar/Senegal), Chachalote (Fradinhos, Vitória/ES) e Zabumba no Kariri (Nova Olinda/CE), respectivamente com os técnicos Fábio Mesquita, Edson Travassos, Paul Ernest “Bugz”, Ricardo Mendes e André Magalhães. A pré-mixagem é assinada por por Fábio Mesquita, Marco BZ e Jefferson Gonçalves, no Making Of, e Edson Travassos, Oliveira Neto e Jefferson Gonçalves, no Satori, para a faixa “Na Hora”. A mixagem final e a masterização foram feitas por André Magalhães, no Zabumba no Kariri."

Release retirado do site do Jefferson Gonçalves

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Kleiderman - Con El Mundo a Mis Pies [1994]

Download 192kbps


Lendo o artigo do Marcelo Moreira, que coloquei no post anterior, há um parte em que ele escreve que o hard rock brasileiro sempre caía nos manjados temas "mulheres, bebidas, zoeira, bebidas, carros, bebidas, mulheres…". Imediatamente me veio a mente a primeira, ou umas nas primeiras, bandas de rock nacional no estilo que ouvi lá no longínquo 1994: Kleiderman.

Eu tinha cerca de 15 anos, vivia em uma época que internet não existia ou praticamente isso. Minhas amizades eram de colégio e não havia roqueiros nesse meio. Raimundos ainda não haviam lançado seu primeiro álbum, ou pelo menos eu ainda não havia ouvido já que os ambas as bandas lançaram seus álbuns no mesmo ano. Ouvir rock nacional um pouco mais pesado era algo praticamente impossível devido ao círculo de amizades e somando-se ao fato de morar fora dos grandes centros. Se morar em Maringá City é complicado hoje, imagine naquela época !!!

Grana para comprar discos era outra coisa que eu não tinha. Então o que eu conseguia ouvir de rock era o que passava na findada rádio Alternativa FM e na (pasmem) Transamérica, que tinha um programa durante as tardes do meio de semana em que ocorria uma apresentação ao vivo na rádio.


Numa dessa tardes pego o programa já perto do fim com a banda Kleiderman detonando tudo. Naqueles tempos ouvir palavrões na música era o máximo do "foda". Veja bem, é diferente ouvir a sátira "Filha da Puta" do Ultraje a Rigor e ouvir palavrões em uma batida pesada que quer realmente agredir.


Mais do que rápido coloquei minha fita k7 no player e gravei o resto do programa. Sim, naquela época para  conseguir músicas das bandas, sem ter grana para comprar os discos, nós gravávamos o que passava nas rádios. Boa época e também "camela". Ouvi aquela fita inúmeras vezes me sentindo o "foda".


Depois disso surgiu Raimundos que monopolizou por um tempo o hard rock nacional e logo em seguida a internet ficou acessível, ao menos no trabalho, e as, até então, "obscuras" bandas foram se apresentando a esse que escreve e a vida ficou um pouco mais fácil.


O mais intrigante do Kleiderman é a formação. Sergio Britto e Branco Mello (são os caras dos Titãs mesmo) que fundaram essa banda, o que parece incrível visto que o Titãs sempre foi um metamorfose de estilos, apesar de terem lançado o então recente e aclamado Titanomaquia.  A eles se juntou a baterista (uia !!) Roberta Parisi, ex-Volkana. Para quem não sabe Volkana foi uma banda de metal só com garotas.


Resultado foi um hard rock muito bom. Se as letras não são aquelas coisas a pauleira dá conta do recado. A banda só gravou esse álbum e o projeto do Sergio e do Branco de tentar levar a banda em paralelo ao Titãs não vingou.


Quase esqueci de citar outro estranho detalhe. O nome da banda era para ser Richard Kleiderman (!?) em homenagem ao próprio mas no fim colocaram só Kleiderman por não terem problemas. Mas mesmo assim na capa do álbum há um band-aid sobre o nome Richard, logo antes de Kleiderman. Só para provocar.


Vale o registro histórico.


Rock pesado em português, uma nova e bem-vinda tendência

*Marcelo Moreira 12/12/2011

Enquanto artistas nacionais que fazem heavy metal em inglês estrebucham contra a suposta falta de público em seus shows – o que rendeu uma patética e rasteira entrevista de Edu Falaschi, cantor do Angra, recheada de palavrões –, começa a ganhar corpo um movimento de bandas que fazem rock pesado em português, apesar do preconceito dos puristas. Entre esses abnegados, as reclamações são poucas, e o público está crescendo ano a ano.


A banda paulistana Carro Bomba desponta, por enquanto, na liderança dos metaleiros que cantam em português. O recém-lançado álbum “Carcaça”, pela Laser Company, traz tudo o que não existe mais quase desaparecido no pop rock nacional: qualidade, espontaneidade e garra.



Carro Bomba

“Carcaça” é uma pedrada na cabeça do headbanger nacional. Nunca uma banda brasileira que canta em português tinha atingido um peso tão grande nas músicas e tinha alcançado uma timbragem tão forte e limpa nas guitarras, que estão na cara. E tudo isso sem recorrer tanto aos manjados temas de sempre no hard rock brasileiro – mulheres, bebidas, zoeira, bebidas, carros, bebidas, mulheres…



“O som pesado sempre foi a nossa característica, sempre buscamos aprimoramento e pesquisamos novos timbres. ‘Carcaça’ é resultado de muito trabalho em estúdio, mas principalmente também de muita pesquisa para achar exatamente o que queríamos”, diz o baixista Fabrizio Micheloni, um dos fundadores. Estão ainda na formação o vocalista Rogério Fernandes, o guitarrista Marcello Schevano e o bateria Heitor Shewchenko.

Os mineiros do Uganga preferem um som mais moderno e mais calcado no hardcore dos anos 90, apesar dos ecos de clássicos como AC/DC e Motorhead, as principais influências do Carro Bomba. O som pesado era o caminho natural para a banda, que tem em sua formação Manu “Joker” Henriques, ex-baterista da lendária Sarcófago, que teve bastante prestígio no metal dos anos 80. “São mais de 2o anos tocando rock pesado e passando por várias situações. Não dá para ficar reclamando de falta de público. Temos de ralar e trabalhar”, diz o músico.



Uganga
O Uganga lançou no primeiro semestre o álbum “Vol.3: Caos, Carma e Conceito”, também lançado na Europa, e prepara para 2012 um álbum ao vivo gravado no Razorblade Festival em 2010, na Alemanha. “Nossa primeira turnê internacional, com 18 shows em dez países, mostrou que o rock pesado em português é uma alternativa mais do que válida”, afirma Henriques.


Merecem menção ainda no “movimento” o Baranga (hard rock) e o Muqueta Na Oreia (punk/harcore).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Vlad V - Vlad V [1994]




Uma da bandas brasileiras com mais tempo de estrada na ativa, a catarinense Vlad V é uma banda com influências de hard rock progressivo. Fundada em 1986, a banda teve várias formações até o lançamento, em 1994, do seu primeiro álbum que curiosamente só contava com Jean Carlo na sua formação oficial. 

Abaixo tem um artigo de julho de 1994 escrito por Ingo Campos Soares para a Rock Brigade sobre a banda.


"O sul do país continua uma grande fábrica de novos valores do rock nacional. De Santa Catarina, vem o grupo Vlad V, que conseguiu uma mistura perfeita entre rock'n'roll, progressivo, música folclórica e generosas doses de Rush. A formação do grupo conta com Jean Carlo (G/V), Humberto Klitcke (B), Jairson (K) e Flávio (D).


Seu primeiro álbum, editado recentemente de forma independente e que leva o nome da banda, já conseguiu uma aceitação muito boa na crítica especializada. "Se formos analisar música por música, vamos perceber que esse álbum agrada diversos segmentos, pois tem folk, progressivo, etc. É um apanhado de estilos", explica o guitarrista e vocalista Jean Carlo. "Em nossa cidade, Blumenau, nenhuma banda de rock tem disco, por isso, esse LP foi um fato marcante por lá. Isso se refletiu nas vendagens, que estão muito boas", conta.


O grupo já se preparava para esse álbum há algum tempo, desde que decidiram armar seu quartel-general em São Paulo. "Quando viemos para SP, há dois anos, não estávamos preparados para gravar um disco. Mas fizemos bons contatos, conhecemos muita gente do meio e o resultado está aí", diz. O tempo passou e o grupo voltou para Santa Catarina com muitas novidades na bagagem. Uma delas, é lógico, era a gravação do primeiro LP.

Antes de entrar em estúdio, a banda passou por alguns períodos de instabilidade que, felizmente, não alteraram em nada a qualidade do trabalho. "Eu havia reformulado tudo e chamado outras pessoas para gravar comigo. Nunca havíamos tocado juntos antes. Mas, quando entramos no estúdio, eles sacaram logo o que eu queria e todos os esforços foram para criar uma identidade para o trabalho", diz Jean Carlo.

Ao contrario da esmagadora maioria das bandas de rock nacionais, o Vlad V canta em português, apesar de ter algumas composições em inglês (que não estão no álbum). "Se você trabalhar bem as letras, dá para cantar rock pesado em português. É até mais difícil cantar em português do que em inglês, pois nossa língua é bem mais complicada", explica.

O Vlad V Batalha por um lugar ao sol buscando trilhar os caminhos do profissionalismo que, segundo o próprio Jean Carlo, é o único meio de se chegar a algum lugar. "Fomos pioneiros em nossa região, pois a maioria das bandas não leva seu trabalho muito a sério. Por isso admiro o pessoal de São Paulo, pois eles correm atrás e acreditam de verdade no seu trabalho", finaliza ele."

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Músicos se pronunciam a favor do Megaupload e lançam vídeo


Alvo constante de acusações de pirataria, o famoso site de compartilhamento de arquivos, Megaupload, se defendeu em um vídeo promocional gravado com a colaboração de diversos artistas que possuem contratos em vigor com grandes gravadoras, como Universal, EMI, Warner e Sony.

O Megaupload defende a legitimidade do serviço assegurando que age com diligência quando um titular de direitos autorais denuncia que sua obra está sendo distribuída ilegalmente, removendo-a do site quando a denuncia prossegue.

Alicia Keys, Chris Brown, Game, Kayne West, Kim Kardashian, Mary J. Blige, P. Diddy, Snoop Dogg, Will i.am, entre outros, aparecem no vídeo de apoio ao site que começou a circular na internet nesta madrugada e que provavelmente trará várias dores de cabeça à RIAA ("Associação da Indústria de Gravação da América", ao qual as grandes gravadoras americanas estão associadas, além de ser uma das principais responsáveis por ações contra sites de compartilhamento).

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

O Terço tem reeditados dois álbuns, 'Criaturas da Noite' e 'Casa Encantada'



* Mauro Ferreira

Quase um ano após o selo Discobertas ter relançado dois CDs com as então raras gravações feito pelo grupo O Terço na gravadora Forma, na fase pré-progressiva de sua discografia, a Microservice reedita na série Bilogia os dois álbuns mais bem-sucedidos do grupo, Criaturas da Noite (1975) e Casa Encantada (1976), ambos gravados e lançados pela extinta Copacabana Discos. Nessa fase, O Terço tinha virado um quarteto - formado por Flávio Venturini (teclados, viola e vocal), Sérgio Hinds (guitarra, viola e vocal), Sérgio Magrão (baixo e vocal) e Luiz Moreno (bateria, percussão e vocal) - e mergulhado na onda progressiva que inundou a cenaunderground brasileira dos anos 70. Obra-prima do Terço, Criaturas da Noite conseguiu vendas expressivas - alardeia-se que teria chegado às 100 mil cópias vendidas - no rastro do sucesso da faixa-título e de Hey Amigo. Com título que reproduz o apelido do sítio onde a banda concebeu e desenvolveu o repertório de seu álbum de 1976, Casa Encantada roçou o êxito de seu antecessor, bisando a fórmula que misturava sons progressivos, rock rural (Pássaro, tema de Sá & Guarabyra, fecha o disco) e MPB. Tanto Criaturas da Noite e Casa Encantada já tinham sido reeditados em CD pela EMI Music - gravadora herdeira do catálogo da Copacabana, ora licenciado para a Microservice - mas voltam oportunamente ao catálogo encaixotados em box da série Bilogia (pena que em edições pobres que não reproduzem a arte gráfica original dos álbuns). Ambos os títulos representam o auge do grupo. Na sequência da edição de Casa Encantada, Flávio Venturini deixou o grupo em 1977, abrindo caminho para a dissolução do Terço (em 1978) e para a criação do grupo 14 Bis (em 1979). Sérgio Hinds ressuscitaria o Terço a partir de 1982 com outra formação, mas os tempos já eram outros e, entre idas e vindas, o grupo permanece como lenda do rock progressivo brasileiro dos anos 70.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Secos & Molhados - Chato-Boy [2011]

Oitavo álbum da banda, que atualmente é formada pelo incansável João Ricardo e o novato Daniel Iasbeck. Por enquanto o álbum está só disponível na versão online, sendo que a versão física deverá ser lançada em 2012.

Essa ábum contém somente uma música, com duração de 29 minutos. Para ouví-lo ou baixá-lo clique no 'player' abaixo.

Chato-boy by secosemolhados

 Mais abaixo tem uma matéria que saiu no Correio Braziliense sobre esse lançamento.


Disco de João Ricardo e Daniel Iasbeck resgata sons dos álbuns conceituais

*Yale Gontijo 04/12/2011

Duas biografias se cruzaram no disco Chato-boy, lançado virtualmente no endereço www.secosemolhados.com.br em 11 de novembro (a data marcada pelo número 11-11-11 ganhou contornos místicos no mundo). A história do compositor e vocalista João Ricardo é mais extensa. Nascido em Portugal, aportou no Brasil em 1964. Ajudou a fundar o lendário Secos & Molhados, na década de 1970. O grupo foi um sucesso de vendas do disco homônimo. O primeiro LP do trio fez a marca de 700 mil cópias vendidas em 1973 e gravou um lugar cativo na história da indústria fonográfica brasileira. A formação original foi dissolvida no ano seguinte. A partir de 1974, ele passou a bancar o Secos, trocando de parcerias.

Aí entra a história do exímio multi-instrumentista Daniel Iasbeck, guitarrista da banda Exxótica e responsável pela parte musical deste disco comemorativo dos 40 anos dos Secos. Antes, é preciso explicar sobre o que é Chato-boy. O disco é formado por poesia escrita e declamada por Ricardo e casada com os acordes criados por Iasbeck. “É o meu histórico mesmo. Começa na minha infância, num processo pessoal. Não acho que as pessoas vão entender tudo. É mais ou menos como um quadro. Às vezes, na pintura, a gente não consegue racionalizar sobre o que se está vendo”, resume o veterano sobre as milhões de interpretações possíveis a respeito da poesia.


Daniel Iasbeck (E) e João Ricardo: como os Mutantes e os britânicos do Yes

Parceria

Iasbeck estava sozinho, no estúdio de casa, compondo e tocando todos os instrumentos. Depois, juntava os sons no computador pessoal e tentava dar forma a expressão pessoal represada. A sonoridade que ele resgata é de rock progressivo, como o dos britânicos Yes e dos brasileiros Mutantes. “Em 2011, parei tudo que fazia para gravar minhas músicas. É como se fosse uma biografia musical. Fiz com mais verdade do que antes, sem pretensão de colocar voz. Mostrei as músicas para o Ricardo e ele teve a sacada de que encaixaria na história dele”, recorda o instrumentista.

Não existem concessões mainstream no projeto. Chato-boy é um objeto íntimo, indecifrável. Por vezes, impenetrável e reafirma a parceria Ricardo-Iasbeck nascida com o álbum Puto, lançado no ano passado. “Daniel Iasbeck tem me estimulado muito a escrever novas músicas. A nossa parceria não tem idade e está dando muito certo. Estamos funcionando muito bem juntos. Fiz uma coisa completamente diferente do que ia fazer, de uma forma tão radical. Ouvi a música dele e casou com perfeição com a poesia que eu escrevia”, destacou o veterano.

Um dos representantes da época de ouro da indústria fonográfica, Ricardo não demonstra sentir saudades do vinil, mas, sim, do conceito em torno de uma obra musical. “Todos os discos que gosto são conceituais. Estou me ressentindo disso. O vinil acabou, o CD está acabando. Não sei como será o novo formato de lançamento de músicas. Colocamos o disco à disposição de quem quiser ouvir. Mesmo assim, já recebi vários pedidos do disco físico. Tem gente que ainda quer segurá-lo na mão, dizendo que não gosta de download.”

Memória // Toda nudez era provocativa

Existem várias revoluções relacionadas ao aparecimento dos Secos & Molhados na década de 1970 no Brasil. João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão) usavam figurinos provocativos e subiam ao palco com os rostos pintados. Ney exibia o dorso nu e rebolava de maneira provocativa. Era a época da ditadura militar e da revolução sexual iniciada nos anos 1960. Na verdade uma época em que homens não podiam se vestir como mulheres, exceto no carnaval.

A segunda revolução foi uma chacoalhada daquelas no mercado fonográfico brasileiro. O primeiro LP, batizado simplesmente como Secos & Molhados que aqueles homens de saia produziram vendeu mais de 700 mil cópias, guiado pelos sucessos O vira, Assim assado, Sangue latino e Rosa de Hiroshima. Fez muito sucesso, inclusive, entre o público infantil. A capa do disco, a ceia montada com os crânios dos integrantes é uma das mais lembradas até hoje. O barulho criado em torno do Secos é apontado como motivo para a separação dos integrantes por conta de desentendimentos financeiros um ano depois do estouro do grupo.

João Ricardo continua tocando o grupo, mantendo parcerias variadas. Depois da saída dos outros integrantes foram lançados os discos Secos e Molhados II (1974), Secos & Molhados III (1978), Secos e Molhados IV (1980), A volta do gato preto (1988), Teatro? (1999) e Memória velha (2000). Ney Matogrosso lançou 31 discos na carreira solo. Também foi iluminador, ator e diretor de teatro. É um dos principais intérpretes do Brasil até hoje. Conrad lançou dois disco solo Gérson Conrad e Zezé Motta (1975) e Rosto marcado (1981), sem alcançar um grande sucesso.

Pública - Canções de Guerra [2011]

Download

Gravado durante 11 dias, em janeiro, no Rio de Janeiro, “Canções de Guerra” é o terceiro disco da Pública, banda gaúcha radicada em São Paulo desde abril passado.

Com produção da banda e de Marcelo Fruet, mesma parceria dos outros discos, as gravações foram feitas no Estúdio Jimo, de propriedade de Marcelo Lobato, integrante do grupo O Rappa, que tocou Vibraphone, Steel Drums e Harmonio em algumas faixas.

Literalmente um disco de canções, as 11 faixas que compõe o álbum tratam um pouco sobre os sentimentos em relação a mudança de cidade, ao atual mundo da música e, claro, questões cotidianas.
A banda sofreu alterações na sua formação desde o último álbum. O integrantes de "Canções de Guerra" são:
Pedro Metz (voz/backing/guitarra/violão)
Guri Assis Brasil (guitarra/backing)
Guilherme Almeida (baixo/guitarra/backing/violão/harmonio)
Alexandre Papel Loureiro (bateria/backing)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Xuxa e o Xatanás

*Jaime Vounessa

Uma das lendas mais enigmáticas do show business brasileiro é aquela que fala do suposto pacto firmado entre a Rainha dos Baixinhos e o Tinhoso Capiroto. Diz a lenda que ao se girar os antigos discos de vinil da Xuxa no sentido contrário, era possível ouvir mensagens e orações satânicas. Houve até um especial no Programa do Ratinho, há alguns anos, cujo tema foi exatamente a comunicação do inferno com os homens via discos girados ao contrário. Um marco no jornalismo investigativo televisivo.

Mas, vejamos. Por que cargas d’água o cramulhão, sabidamente apreciador de heavy metal, resolvera se comunicar com os brasileiros nos discos da Xuxa?? Um misto de axé e lambada com letras ainda mais infanto-retardadas e aparentemente inofensivo? Simples. A rainha seria simplesmente a própria personificação do tinhoso e seus discos e músicas o instrumento de dominação intelectual.

Vamos lá. A mulher se chama Maria da Graça MenegHELL, o que por si já entrega a identidade nas entrelinhas. Mas, tem mais. A música “Marquei um X” delata as reais intenções de sua autoria e faz uma clara menção à intenção de dominar a alma do ouvinte. Pois sim, caros leitores, todos sabemos que o número do Pé de Cabra é o 666. Ou six-six-six, em inglês, o idioma internacional. E quando a música diz “Marquei um x (que ao contrário fica, vejam bem, six), um x, um x no seu coração”, ela, na verdade, está narrando, em tempo real e com fina ironia, o processo de dominação ao qual está sendo submetido o ouvinte.

Seu segundo disco, Xou da Xuxa 2, de 1987, é um desfile de heresias. Com direito a uma diabólica troça com a chegada do Juízo Final e as epidemias que assolariam a humanidade. "O dengue na guitarra/A praga no tambor/O xuxo a latir/Essa banda é um terror!" E aqui, os quatro Cavaleiros do Apocalipse entram em cena: "Quatro paquitas botando pra quebrar/Todos pulando juntos/Não vai dar para parar!" Realmente, Xuxa, não vai dar para parar mesmo....

E no terceiro disco, Xou da Xuxa 3, de 1988, então? As coisas chegam ao ponto do exagero, com Xuxa convocando Lúcifer na cara dura, com os versos do Necromancium (Livro dos Mortos): "Eu quero ver tindolelê yecoyeco chiquechiquebalancê".

Pra encerrar, a última e mais contundente das provas. No DVD Xuxa para baixinhos, um verdadeiro sabbath é comandado pela rainha. Onde as crianças, em transe, entoam mantras de louvor e obediência ao cão.

"Mexe a cintura com o Txutxucão
Mexe a cabeça com o Txutxucão
Mexendo as mãos e o joelho assim
Dançando com o Txutxucão 

Levante as mãos com o Txutxucão
Abaixe as maões e a cabeça assim
Sai do lugar nessa posição
Dançando com o Txutxucão"

Levante as mãos com o Txutxucão
Abaixe as mãos e a cabeça assim
Sai do lugar nessa posição
Dançando com o Txutxucão"

Cachorro Grande - Baixo Augusta [2011]



* Luiz Cezar Pimentel


A Cachorro Grande gosta de fazer viagens no tempo. Já foram mods à medula no início de carreira, assim como tão Beatles quanto Stones nestes 12 anos de banda. Já flertaram com cada uma das décadas roqueiras desde 50 em “Todos os Tempos” (de 2007). E neste sexto disco de estúdio, Baixo Augusta, dá para traçar um fio condutor, que começa no Exile on Main Street, dos Rolling Stones, em 1972, e vai até Entertainment, do Gang of Four, de 1979.



Dados os gostos de Beto Bruno (vocal), Marcelo Gross (guitarra), Rodolfo Krieger (baixo), Gabriel Azambuja (bateria) e Pedro Pelotas (bateria), poderia bem ser qualquer Stone. Mas Baixo Augusta tem aquele quê rasgado da assinatura mais forte de Keith Richards do que de Mick Jagger. Como a obra-prima de 72.


Dados os gostos de Beto, Gross, Rodolfo, Gabriel e Pedro, poderia bem ser linha do tempo que segue por Primal Scream, Supergrass e Kasabian. Mas Baixo Augusta tem aquele bom gosto da batida no peito, do teclado synth e das linhas de baixo da gangue de quatro seminal do pós punk.


E dentro dessa áurea faixa dos anos 70, ainda sobra para um rock de arena traçar costuras na receita.
O tum-tum-tá da bateria de Gabriel acompanha o riff pesado e os brados de “Não Entendo, Não Aguento”, que abre o trabalho.



“Difícil de Segurar” sustenta tudo o que foi posto acima de característica stoniana no disco com o (talvez) melhor timbre de guitarras gravado este ano no país.

Os cachorros dão uma guinada de 180º em “Tudo Vai Mudar”, canção de Beto, Gross e Rodolfo, um quase synth-pop-rock de batidão de bateria e a linha de baixo em primeiro plano. O pós punk segue dominando na música que dá nome ao disco.

Aliás, aqui vale abrir um parêntese para explicação do nome quase piada interna paulistana ao trabalho dos gaúchos.

(A região mais próxima ao centro da famosa rua Augusta teve nos anos recentes a mudança de área dominada pela prostituição a região das casas noturnas alternativas mais descoladas da cidade. Os integrantes da banda moraram na região e o rock dançante é a trilha sonora dessa área da cidade. Fecho parêntese.)

O clima synth, mas agora embalado em hard rock, volta em “Só Você que Não”, música de autoria de Beto com Gabriel.

Já a assinatura de Gross vem na belíssima balada, num clima 60´s byrdiano, “Corda Bamba”. Você pensa que, dado o clima George Harrison, a seguinte, “Volta Pro Mesmo Lugar”, igualmente leva o crédito do guitarrista, mas a levada indiana é composta pelo baixista Rodolfo.

“Fantasma do Natal Passado” é mais uma balada sessentista, psicodélica e voltada aos Mutantes, agora composta p elo vocalista. O baixista Rodolfo também assina o hard rock dance-psicodélico “Surreal”.

O disco entra na reta final, com uma Power balada, “Cinema, e (mais) um rock blueseiro stoniano, “Mundo Diferente”. São as duas canções mais longas do disco.

Aí você conta o tempo (43 minutos), o número de faixas (11), vê a distribuição das mesmas e percebe que lá na frente os desgraçados já pensaram em seis pro lado A de um vinil e as cinco últimas para o Lado B. E você espera pelo vinil, que é o formato mais justo para um trabalho tão rico quanto atemporal como esse – contrariando tudo o que foi posto no início deste texto.

E você por acaso não estava esperando distorção (mesmo que) em um texto da Cachorro Grande?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Lobão em entrevista para Folha, 30/11/2011

Lobão fecha o ano com show em SP e atropela Lollapalooza
*Rafael Gregorio

O show, no Studio SP (centro), fecha um período repleto de notabilidades. Nos últimos 12 meses o cantor e compositor, que completou 50 anos em outubro, lançou uma biografia ("50 Anos a Mil", editora Nova Fronteira, R$ 60) e uma série de discos reeditados com antigos clássicos, inclusive o "Acústico MTV". Fez turnê pelo país e, há poucas semanas, envolveu-se em polêmica com a organização do Lollapalooza.


Lobão recusou convite para tocar no festival organizado por Perry Farrel, também vocalista do Jane's Addiction, por discordar das condições oferecidas aos artistas brasileiros. Farrel respondeu, e o tempo fechou.



"Acho que ele foi ingênuo e caiu numa armadilha", diz, para emendar que "a guerra não é contra o Lollapalooza, mas contra os empresários e os artistas que 'abrem as pernas'".


A Folha conversou por telefone com o cantor e compositor que, entre lembranças, risadas e muitos neologismos, falou da turnê, da economia nacional, dos empresários, de seu processo "autoritário" de composição, do Otto ("Ele é o cara!"), dos festivais e, é claro, do show de hoje à noite. Confira a seguir.



Como foi a turnê?

Para minha surpresa, bastante movimentada. Fizemos uma excursão dupla pelo Nordeste. Não fazia isso há anos, eram sempre um ou dois shows. Percorremos o Brasil inteiro. E isso numa época muito adversa: em todos os lugares em que chegávamos as pessoas diziam "Socorro! Estamos sendo afogados pelo sertanejo!" Elas se sentem reféns disso.

Essas pessoas precisam do rock n' roll?

Não digo nem do rock n' roll. Precisamos mesmo é sair da "monomania". Há uma tendência na nossa cultura empresarial de fugir do risco e só investir no que está, entre aspas, "dando certo". Isso é muito ruim. Precisamos ser mais ousados.

Qual é a da apresentação de hoje?

Foi algo que surgiu no meio daquela discussão do Lollapalooza. Chegou um ponto em que eu pensei: "Quer saber de uma coisa? Vou exorcizar toda essa merda e tocar num lugar bem aconchegante!". Vai ser um show sem luz, sem um setlist rígido. Vou improvisar. Também queria agradecer a todos que ficaram do meu lado. A gente hoje tem uma plataforma que nos permite ao menos começar uma conversa, mesmo com toda a resistência, o "cagaço" e a subserviência bovina que nos é incutida há séculos. Parecemos um pouco aquela prostituta da "Zorra Total": estamos cheios de dinheiro, só nos falta o glamour! [risos] O "upgrade" econômico está muito legal, mas precisamos nos fazer respeitar.

O que você achou das respostas do (Perry) Farrel?

Tadinho... Achei de uma ingenuidade e de uma desatenção totais. Acho que ele caiu numa armadilha. Eles [da produtora GEO Eventos] mentiram descaradamente para ele, dizendo que não teria shows de brasileiros das 10h às 15h (em um vídeo na internet e em um artigo publicado naIlustrada, Lobão criticou a organização o horário reservado às atrações nacionais no festival; a organização negou essa informação). Todo mundo vai ver que vai ser nesse horário.

Como foi seu "não" ao festival?

Eu disse "não" porque eles simplesmente me disseram assim: "Você vai ser o 'filé mignon', vai 'fechar os brasileiros'". Em momento algum pedi para ser headliner. O que eu pedi foi uma horazinha ao cair da tarde, um pouquinho mais de respeito. Já era o suficiente. Um festival tem uma energia diferente. Se você tem as condições corretas, produz uma vibração épica. Imagina o Roger (Ultraje a Rigor) no SWU com a mesma estrutura de som e luz do Peter Gabriel? Ia ser grandioso! Por que as pessoas têm medo disso? Por que seria ruim ver no Lollapalooza um cara que você vê no Sesi (unidades culturais do Serviço Social da Indústria que abrigam apresentações musicais)? Os caras que tocam no Lollapalooza fazem todo o circuito dos "Sesis" de lá. Não é nacionalismo, eu adoro a cultura americana e a inglesa. E nem é algo contra o Lollapalooza em particular, porque são todos os festivais. A nossa guerra é contra os empresários brasileiros e os artistas que abrem as pernas. Todos podem ganhar mais dinheiro se não for de uma forma predatória.

Você tem planos de gravar material novo?

Tô gravando agora. Estou com um estúdio em casa, e tocando tudo: bateria, guitarra, baixo. Um "controlfreakismo" total! (do inglês "control freak", sobre pessoas maníacas por perfeição). Acho inclusive que essa é que é a minha onda: compor e conceber. Tenho feito isso proficuamente e me faz muito feliz.

Quem é a nova voz da música brasileira?

O Otto. Não tenho nem dúvida! Tem que prestar atenção no Otto, ele é o cara. Vanguart também é uma banda para se prestar atenção. O B Negão vem por aí também, correndo na raia de fora também, e o Casca Dura (banda de rock baiana).

Estado Deplorável - Ordem e Progresso [2010]


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Em homenagem a "Balé" faço a postagem do primeiro álbum oficial do "Estado Deplorável". Essa banda punk catarinense já havia gravado três demos até conseguir lançar "Ordem e Progresso".

Morre Rafael “Balé” Rosa, baixista da Estado Deplorável

O rock catarinense perde mais uma grande figura. Rafael Rosa, 23 anos, baixista da banda punk Estado Deplorável, faleceu na madrugada desta quarta-feira (30), em Jaraguá do Sul. Segundo informações do site do 14º Batalhão da Polícia Militar, Balé – como era conhecido, pilotava sua moto e se envolveu em um acidente de trânsito com um carro. A polícia afirma que o condutor do Wolksvagen Saveiro apresentava sinais de embriaguez. “O motorista estava com a carteira habilitação vencida. Ele foi notificado e será acusado por crime de trânsito”, ressalta a nota. 

“Foram bem mais do que oito anos de amizade. Foram oito anos de convivência com uma pessoa ímpar, de maldade zero no coração. Sempre disposta a ajudar os outros. O baixista que eu sempre implicava pela falta de técnica. O mau humor mais bem humorado que já vi neste planeta”, comenta em nota no Facebook Ismael Niels, vocalista da Estado Deplorável. A banda estava em processo de gravação do novo álbum. Segundo informações, o corpo de Balé será velado a partir das 13h, anteriomente havia sido informado de que o velório começaria às 10h. O local será a capela da Paróquia Evangélica Luterana da Barra do Rio Cerro, localizada na rua Pastor Alberto Schneider, número 353, bairro Barra do Rio Cerro – Jaraguá do Sul.

Claviceps Purpurea - Entre o Arco e o Pote [2008]



No ano de 2005, reúnem-se em uma sala de ensaio Luís Machado, Felipe Zen, Marciel Borba e Daniel Fisher para desmanchar um antigo projeto musical e fundar a banda Claviceps. A iniciativa foi expandir sua liberdade criativa em novas composições, bem como assumir um compromisso com uma proposta nascente de outros grupos da cidade de Brusque (SC) em produzir música de forma independente.

As primeiras composições foram marcadas por uma forte veia grunge revelada em músicas como: "parafuso", "o vírus" e "não me importo com você". Mas em pouco tempo, os trabalhos ganharam elementos crescentes do rock psicodélico caracterizados em uma primeira canção do gênero, "o homem do paletó". Com a entrada de Jean Hochsprung como segundo guitarrista, as canções adquiriram mais peso e novas texturas, assim como, a experimentação com falsetes encontrados na música "Luxúria". As cinco canções aqui citadas formaram o primeiro disco que leva como título apenas o nome da banda. Gravado entre o ano de 2005 e 2006, este álbum representou uma das primeiras materializações dos trabalhos das bandas independentes locais.

A partir do lançamento do primeiro álbum, iniciam-se shows em diferentes locais da cidade apesar da resistência da indústria do entretenimento dominante que privilegiava exclusivamente os gêneros musicais "populares" (para não utilizarmos outras palavras menos cordiais nessa definição). Esta atividade de shows continuou até meados do ano de 2006 quando ocorreu a saída de Marciel Borba e, posteriormente, a saída de Jean Hochsprung, fato este que comprometeu temporariamente o andamento dos trabalhos da banda.

Inicia-se uma nova fase. A banda passa a se chamar "Claviceps Purpurea". André Seco é convidado para compor e tocar as linhas de baixo. Luis Machado compõem no piano um novo repertório que assume de vez o rock psicodélico como paradigma. Dentre as canções destacam-se: "Casa da cura", "Alien I e II" e "Jaula dos bugres", (esta última com 10 minutos de puro experimentalismo). Estas canções somadas a "Ira das Máfias", "Cordeiros da noite", "Chicote industrial" e "8 de maio" formaram o álbum "Entre o Arco e o Pote" lançado em 2008. O lançamento deste álbum consagrou o trabalho da banda que passou a representar o maior nome da música independente local.

A partir dai as atividades do Claviceps Purpurea persistiram em um novo volume de composições, shows seletos e letras cada vez mais labirínticas. Felipe Zen aplicou em sua guitarra uma gama de efeitos e distorções contundentes delineados pelo baixo marcante de André Seco. As linhas de bateria de Daniel Fisher tornaram-se mais marcadas dando mais velocidade ao som. Canções como: "Enceladus", o interlúdio "Além do vale das sombras" seguidas de "O espantalho" mostram estes novos elementos. Em outras canções percebe-se uma nova complexidade de arranjos onde os vocais acompanham as melodias, e em alguns momentos quase se confundem em seus efeitos. Trata-se das canções: "Perda total", "O impostor" e "De novo". Já "Branca de Neve" e "Flores de Jasmin" recuperam um romantismo trágico nas letras e melodias que contam com a beleza de um piano tocado de forma precisa. O conjunto destas canções somado a uma nova versão de "Homem do paletó", correspondem ao novo álbum da banda denominado "Merlot Cabriolet" (2011).

Acompanhando este novo disco, há o clipe da música "Branca de Neve" que representou um esforço coordenado entre amigos em sua produção. Reunindo produtores, artistas plásticos, fotógrafos e atores, este clipe foi realizado de forma coletiva tendo como resultado mais do que um vídeo promocional, mas uma verdadeira prova de que a união faz a força e força faz a história.

 * texto extraído do release da banda