terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Secos e Molhados - Chato-Boy [2011]

Oitavo álbum da banda, que atualmente é formada pelo incansável João Ricardo e o novato Daniel Iasbeck. Por enquanto o álbum está só disponível na versão online, sendo que a versão física deverá ser lançada em 2012.

Essa ábum contém somente uma música, com duração de 29 minutos. Para ouví-lo ou baixá-lo clique no 'player' abaixo.

Chato-boy by secosemolhados

 Mais abaixo tem uma matéria que saiu no Correio Braziliense sobre esse lançamento.


Disco de João Ricardo e Daniel Iasbeck resgata sons dos álbuns conceituais

*Yale Gontijo 04/12/2011

Duas biografias se cruzaram no disco Chato-boy, lançado virtualmente no endereço www.secosemolhados.com.br em 11 de novembro (a data marcada pelo número 11-11-11 ganhou contornos místicos no mundo). A história do compositor e vocalista João Ricardo é mais extensa. Nascido em Portugal, aportou no Brasil em 1964. Ajudou a fundar o lendário Secos & Molhados, na década de 1970. O grupo foi um sucesso de vendas do disco homônimo. O primeiro LP do trio fez a marca de 700 mil cópias vendidas em 1973 e gravou um lugar cativo na história da indústria fonográfica brasileira. A formação original foi dissolvida no ano seguinte. A partir de 1974, ele passou a bancar o Secos, trocando de parcerias.

Aí entra a história do exímio multi-instrumentista Daniel Iasbeck, guitarrista da banda Exxótica e responsável pela parte musical deste disco comemorativo dos 40 anos dos Secos. Antes, é preciso explicar sobre o que é Chato-boy. O disco é formado por poesia escrita e declamada por Ricardo e casada com os acordes criados por Iasbeck. “É o meu histórico mesmo. Começa na minha infância, num processo pessoal. Não acho que as pessoas vão entender tudo. É mais ou menos como um quadro. Às vezes, na pintura, a gente não consegue racionalizar sobre o que se está vendo”, resume o veterano sobre as milhões de interpretações possíveis a respeito da poesia.


Daniel Iasbeck (E) e João Ricardo: como os Mutantes e os britânicos do Yes

Parceria

Iasbeck estava sozinho, no estúdio de casa, compondo e tocando todos os instrumentos. Depois, juntava os sons no computador pessoal e tentava dar forma a expressão pessoal represada. A sonoridade que ele resgata é de rock progressivo, como o dos britânicos Yes e dos brasileiros Mutantes. “Em 2011, parei tudo que fazia para gravar minhas músicas. É como se fosse uma biografia musical. Fiz com mais verdade do que antes, sem pretensão de colocar voz. Mostrei as músicas para o Ricardo e ele teve a sacada de que encaixaria na história dele”, recorda o instrumentista.

Não existem concessões mainstream no projeto. Chato-boy é um objeto íntimo, indecifrável. Por vezes, impenetrável e reafirma a parceria Ricardo-Iasbeck nascida com o álbum Puto, lançado no ano passado. “Daniel Iasbeck tem me estimulado muito a escrever novas músicas. A nossa parceria não tem idade e está dando muito certo. Estamos funcionando muito bem juntos. Fiz uma coisa completamente diferente do que ia fazer, de uma forma tão radical. Ouvi a música dele e casou com perfeição com a poesia que eu escrevia”, destacou o veterano.

Um dos representantes da época de ouro da indústria fonográfica, Ricardo não demonstra sentir saudades do vinil, mas, sim, do conceito em torno de uma obra musical. “Todos os discos que gosto são conceituais. Estou me ressentindo disso. O vinil acabou, o CD está acabando. Não sei como será o novo formato de lançamento de músicas. Colocamos o disco à disposição de quem quiser ouvir. Mesmo assim, já recebi vários pedidos do disco físico. Tem gente que ainda quer segurá-lo na mão, dizendo que não gosta de download.”

Memória // Toda nudez era provocativa

Existem várias revoluções relacionadas ao aparecimento dos Secos & Molhados na década de 1970 no Brasil. João Ricardo (vocais, violão e harmônica), Ney Matogrosso (vocais) e Gérson Conrad (vocais e violão) usavam figurinos provocativos e subiam ao palco com os rostos pintados. Ney exibia o dorso nu e rebolava de maneira provocativa. Era a época da ditadura militar e da revolução sexual iniciada nos anos 1960. Na verdade uma época em que homens não podiam se vestir como mulheres, exceto no carnaval.

A segunda revolução foi uma chacoalhada daquelas no mercado fonográfico brasileiro. O primeiro LP, batizado simplesmente como Secos & Molhados que aqueles homens de saia produziram vendeu mais de 700 mil cópias, guiado pelos sucessos O vira, Assim assado, Sangue latino e Rosa de Hiroshima. Fez muito sucesso, inclusive, entre o público infantil. A capa do disco, a ceia montada com os crânios dos integrantes é uma das mais lembradas até hoje. O barulho criado em torno do Secos é apontado como motivo para a separação dos integrantes por conta de desentendimentos financeiros um ano depois do estouro do grupo.

João Ricardo continua tocando o grupo, mantendo parcerias variadas. Depois da saída dos outros integrantes foram lançados os discos Secos e Molhados II (1974), Secos & Molhados III (1978), Secos e Molhados IV (1980), A volta do gato preto (1988), Teatro? (1999) e Memória velha (2000). Ney Matogrosso lançou 31 discos na carreira solo. Também foi iluminador, ator e diretor de teatro. É um dos principais intérpretes do Brasil até hoje. Conrad lançou dois disco solo Gérson Conrad e Zezé Motta (1975) e Rosto marcado (1981), sem alcançar um grande sucesso.

Um comentário:

  1. Muito bom. Me lembra algumas bandas de prog dos meios da década de 1970. Principalmente as Canterbury. Obrigado por compartihar.

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