segunda-feira, 25 de junho de 2018

Protofonia [2013]




O Protofonia é um trio instrumental surgido em 2006, em Brasília, com um trabalho que reúne o rock progressivo e o jazz a elementos de música contemporânea, eletroacústica e improvisação livre. As influências são várias, desde bandas progressivas como King Crimson e Henry Cow a artistas de vanguarda, como Keith Tippet e Ornette Coleman. O Protofonia é um laboratório, um lugar seguro onde os rótulos podem se despir: uma tela em branco e três pincéis, infinitas cores. Tudo que estiver relacionado ao experimentalismo e improvisação o Protofonia estará de acordo. Música Livre!

Músicas:

01. Jardim de Maytrea
02. Antropofagia Moderna
03. Cavalgando a Máquina Flexível
04. Eugênia, a Ingênua
05. Não Conte Nada pra Sua Irmã
06. Triturador de Dejetos
07. No Palco Atrás dos Olhos
08. Doce Carne (Suíte Flesh)


Músicos:

André Chayb: Guitarra, Ukelele, Theremin, Teclado e Ruídos.
Janari Coelho: Bateria, Percussão, Paisagens e Intervenções Sonoras e Ruídos.
André Gurgel: Baixo, Violão, Teclado, Plásticos e Ruídos.

domingo, 24 de junho de 2018

Supercordas - Seres Verdes Ao Redor [2006]


Por Cleber Facchi em Miojo Indie
Seu cérebro vai derreter. Condensando quase quatro décadas de inventos psicodélicos e experiências marcadas pela lisergia, Seres Verdes ao Redor, obra que apresentou oficialmente o Supercordas, é um verdadeiro delírio. Ainda que a essência de grupos veteranos como Os Mutantes e Clube da Esquina esteja estampada nas canções do grupo, é no teor bucólico próprio da banda, que o trabalho cresce. Com o subtítulo de “música para samambaias, animais rastejantes e anfíbios marcianos”, o registro é um passeio por um terreno úmido e fértil, uma charneca criativa como uma das primeiras canções logo entrega. Íntimo do rock rural, mas não necessariamente imerso em um ambiente confortável, o álbum se modifica a todo o instante. São emanações puramente melódicas (Ruradélica), doses condensadas de nostalgia (Frog Rock) ou mesmo instantes de puro experimento (Sobre o Calor). O ecoar de sapos e sons orgânicos por toda a obra expande ainda mais a percepção de que não se trata apenas de um disco, mas um espaço aberto para qualquer visitante.

1. E o Sol brilhou sobre o verde
2. A charneca
3. Ruradélica
4. 3000 folhas
5. Mofo
6. Sobre o frio
7. Ricochete
8. Musgo
9. Frog rock
10. Sobre o calor
11. Mangue
12. Fotossíntese

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Os da Bahia - Fobus In Totum / Nem Sei De Mim [1970]

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Por Ariel Fagundes em Noize

Antes dos Novos Baianos surgirem e conquistarem o Brasil com sua psicodelia, os irmãos Pepeu Gomes e Jorginho Gomes já eram músicos fenomenais. Ao lado do seu irmão Carlinhos e de um vocalista chamado Lico, essa dupla que depois tocaria com Moraes Moreira e cia. formou no fim dos anos 1960 um grupo chamado Leif’s. Hoje, a banda é pouco conhecida, mas na época ela se destacou por sua fúria e virtuosismo, especialmente entre os outros músicos, que lhe respeitavam muito. Tanto que o grupo foi chamado por Caetano Veloso e Gilberto Gil para ser a banda de apoio do lendário show Barra 69 que a dupla fez em Salvador pouco antes de ser mandada para seu exílio em Londres pela Ditadura Militar.

Infelizmente, esse disco do Caetano e do Gil é um dos raros registros da sonoridade do Leif’s. Em 1970, a banda gravou um compacto com a gravadora Beverly que nunca chegou às lojas, pois foi feito apenas para circular entre as principais rádios do país. Porém, em uma atitude de extremo desrespeito, a gravadora ignorou o nome do grupo e lançou o disco como se eles se chamassem Os Da Bahia, fato que revoltou Pepeu e seus colegas. Só há alguns meses esse compacto histórico foi relançado através de uma iniciativa do selo Psico BR, capitaneado pelo designer Fabricio Bizu. A trajetória meteórica do Leif’s, que acabou com o nascimento do Novos Baianos, foi o fio condutor da conversa que você lê AQUI.


Lado A
Fobus In Totum
(Lico, Pepeu)

Lado B 
Nem Sei De Mim
(Lico, Pepeu)


Carlinhos - baixo
Jorginho Gomes - bateria
Lico - guitarra, vocais
Pepeu Gomes - guitarra, vocais

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Jorge Ben - Força Bruta [1970]

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Outra obra-prima. É um disco mais soturno, a começar pela singela melancolia de Oba Lá Vem Ela, um libelo ao amor platônico. Em Força Bruta há o equilíbrio perfeito entre baladas e canções mais agitadas. A presença do Trio Mocotó também precisa ser ressaltada. O entrosamento de João da Parahyba, Fritz Escovão e Nereu Gargalo com Jorge Ben é algo de outro mundo.


A1 Oba, Lá Vem Ela
A2 Zé Canjica
A3 Domenica Domingava Num Domingo Linda Toda De Branco
A4 Charles Jr.
A5 Pulo, Pulo
B1 Apareceu Aparecida
B2 O Telefone Tocou Novamente
B3 Mulher Brasileira
B4 Terezinha
B5 Fôrça Bruta

terça-feira, 19 de junho de 2018

Donato e Seu Conjunto - Chá Dançante [1956]

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A1 - Comigo É Assim
(Luiz Bittencourt, Zé Menezes)
A2 - No Rancho Fundo
(Ary Barroso, Lamartine Babo)
A3 - Se Acaso Você Chegasse
(Felisberto Martins, Lupicínio Rodrigues)
A4 - Carinhoso
(João de Barro, Pixinguinha)
B1 - Baião
(Humberto Teixeira, Luiz Gonzaga)
B2 - Peguei Um "Ita" No Norte
(Dorival Caymmi)
B3 - Farinhada
(Zé Dantas)
B4 - Baião Na Garoa
(Hervê Cordovil, Luiz Gonzaga)

domingo, 17 de junho de 2018

Wander Wildner - De Gritar Me Cansei Rouco e ao Pensar no Mundo Eu Me Vi Louco [2018]

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Por Felipe Lucena em Galeria Musical

"Bebendo Vinho" é uma das canções mais famosas de Wander Wildner, o brega punk. Seu mais recente álbum, lançado este ano, “De Gritar Me Cansei Rouco e ao Pensar no Mundo eu Me Vi Louco”, tem muito a ver com a música gravada pelo Ira!. É um disco para mergulhar em uma embriagante viagem. Wander, como um bom vinho, melhora com o tempo. 

Após uma sequência de excelentes trabalhos, Wander Wildner, novamente, não decepcionou. Um disco com composições profundas, apesar de pouca sofisticação sonora, letras para ouvir várias vezes e instrumental convidativo, envolvente. 

Destaque para a lírica de "Canivetes, Corações e Despedidas", poesia ébria. "Devolve" é a belíssima brega que fala de uma separação conjugal. 

A veia punk, crítica, não ficou de fora. Algumas doses dessas são brindadas em "De Gritar Me Cansei Rouco e ao Pensar no Mundo eu Me Vi Louco". "Boliviano", que fala da presença de imigrantes no Brasil é uma delas. “O mundo sem Joey”, que fecha o disco, é clara referência ao estilo musical. 

"Ladrão de Automóveis e Motocicletas", que tem o título quase autoexplicativo, fala de como o consumo vira a cabeça de muitas pessoas, que perdem o rumo por isso. 

No geral, este mais recente trabalho de Wildner soa doce, porém, com acidez precisa. A garrafa é funda e fácil de consumir. Saborosa. 

É disco para se entorpecer bebendo qualquer coisa. Ou até mesmo sóbrio. Certo mesmo é o ótimo envelhecimento de Wander Wildener, na contramão do mundo, que costuma envelhecer mal e amargar as doses na vida.


1 - Peyote
2 - Boliviano
3 - Roubadas, Vícios e Malhos
4 - Ladrão de Automóveis e Motocicletas
5 - Estradas de Sc
6 - Canivetes, Corações e Despedidas
7 - Devolve!
8 - O Último Romântico da Rua Augusta
9 - Thomas Edison
10 - O Mundo Sem Joey

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Ira! - Folk [2017]

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Por Marcelo Moreira em Combate Rock

A ideia era inusitada, mas muita gente achou péssima: converter músicas a um formato folk, só com voz e violão, isso bem depois da moda dos “acústicos/unplugged” ter passado.

Muitos fãs torceram o nariz, mas Edgard Scandurra e Marcos “Nasi” Valadão apostaram alto, pois avaliavam que não tinham muito a perder.

O risco era grande, mas o projeto Ira Folk! foi a grande sacada mercadológica da carreira da dupla, que se reconciliou em 2013 após seis anos brigados.

Amigos de novo, recriaram o Ira! sem o baterista André Jung e o baixista Ricardo Gaspa, estavam curtindo tocar os velhos sucessos com uma banda revigorada, mas qual seria o próximo passo? Haveria espaço para um CD de inéditas?

Ira Folk! era uma experiência limitada, de início, mas o nome da banda ainda é muito forte e o formato agradou. Para quem esperava uma reedição do MTV Unplugged que a banda fez há mais de dez anos, a surpresa foi enorme.

É violão e voz, somente, com arranjos muito diferentes e mais lentos, bem ao gosto daqueles fãs de Neil Young e Cat Stevens.

Algumas músicas tiveram a sua característica preservada, com levadas bem próximas das versões originais graças ao talento de Scandurra, que usa e abusa de um repertório e influências sessentistas em que predominam a pegada típica de Pete Townshend (The Who), Dave Davies (The Kinks) e Paul Weller (The Jam).

O projeto acabou crescendo demais e o som teve de ser encorpado. Entram em cena então os companheiros do Ira! para dar uma força à dupla principal – Daniel Scandurra, filho de Edgard, no baixolão (um violão com características de baixo) e Jhnny Boy, no violão e nos teclados.

Para arrepio daqueles que desdenharam da ideia inicial, o resultado é muito bom, tanto que virou DVD e um CD digital – vendido apenas em MP3, nas plataformas digitais.

Com um repertório extraordinário e rico para escolher, Nasi e Scandurra foram certeiros e aproveitaram para recriar alguns sucessos e revisitar músicas bem legais que estavam perdidas no catálogo – cortesia da liberdade que o formato oferece, sem algumas amarras que o formato baixo-guitarra-bateria limita.

O DVD foi um projeto que nasceu em parceria com o Canal Brasil e teve as participações especiais da cantora Fernanda Takai (Pato Fu) e do violonista monstro Yamandú Costa.

O que vemos na apresentação de 11 de março de 2017, gravada no Citibank Hall, em São Paulo, é um primor de profissionalismo e qualidade, ainda que houvesse menos espontaneidade – parece até que havia certo nervosismo, natural para um evento tão importante.

No último dia 20 de janeiro, quase um ano depois do registro para o DVD, o Ira!Folk lotou o teatro do Sesc Vila Mariana, na zona sul de São Paulo, em uma performance ainda melhor.

Mais relaxados e mais seguros, Nasi e Scandurra dominaram palco e plateia de uma forma soberba, extasiados pelo sucesso do projeto. Certamente, no começo do show, estavam se divertindo mais do que os espectadores.

Desta vez não havia convidados especiais, mas nem precisava. A sequência de hits melhorou o clima de “já ganhou”, tornando-o “somos campeões”. Scandurra esbanjou técnica e virtuosismo na condução de “Tardes Vazias” e na fantástica “Dias de Luta”, colocando efeitos que aproximaram a canção dos momentos de glória sessentistas do Who.

Nasi aprendeu faz tempo a domar as mudanças ocorridas em sua voz em mais de 35 ano de trajetória e se mostrou muito à vontade em canções emblemáticas, como “Boneca de Cera”, “Rubro Zorro” e “Receita Para Se fazer Um Herói”: canta com leveza, sem esforço, dando-se ao luxo de fazer alguns malabarismos vocais.

Bem diferente dos excessos de produção que os unpluggeds costumavam ostentar, como naipes de metal e camas de pianos, teclados e vocais, o formato “folk” criado pelo Ira! exaltou a máxima de que menos e mais.

Os violões predominam de forma a tornar possível ouvir todas as nuances sonoras dos dedilhados inspirados de Scandurra, além de mostrar a evolução de Nasi como cantor e frontman.

No DVD, o grande destaque é “Dias de Luta”, onde Yamandú Costa dá uma aula de violão em uma caprichada introdução e fazendo uma base extraordinária, onde chega a duelar com o dono da festa.

A participação de Fernanda Takai em “Tolices” se mostrou tímida e reverente demais, pouco acrescentando à delicada versão recriada por Nasi e Scandurra.

“Flerte Fatal” e a pouco conhecida “Mesmo Distante”, com seus arranjos precisos e delicados, transportaram a plateia para a gênese do rock nacional, na primeira metade dos anos 80, deliciando os contemporâneos das músicas e surpreendendo os mais jovens, que não imaginavam o poder acústico das canções.

“Nada mais natural que fosse assim”, comentou Nasi em um dos intervalos do show do Sesc Vila Mariana. “Tínhamos muita confiança de que o formato iria funcionar porque 80% das nossas composições começaram somente com violão e voz. É bom que ver que o desnudamento das músicas agrada e surpreende.”

Houve quem duvidasse das possibilidades de sucesso do Ira! Folk – muita gente, aliás. Houve até quem dissesse que se tratava de um acústico disfarçado com motivação caça-níqueis.

Alheios a isso, os integrantes do Ira! Folk tinham outras preocupações. Precisavam se concentrar em oferecer um produto de qualidade, com uma nova cara e que, de certa forma, surpreendesse quem esperasse o mesmo de sempre. O resultado é altamente satisfatório.


1. Mudança De Comportamento
2. Flerte Fatal
3. Eu Quero Sempre Mais
4. Quinze Anos (Vivendo E Não Aprendendo)
5. Receita Para Se Fazer Um Herói
6. Mesmo Distante
7. O Girassol
8. Culto De Amor
9. Tarde Vazia
10. Dias De Luta
11. Perigo
12. Rubro Zorro
13. Tolices
14. Telefone
15. Flores Em Você
16. Envelheço Na Cidade
17. Boneca De Cera
18. Núcleo Base

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Nenhum de Nós - Doble Chapa [2018]

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“Uma Vida Ordinária”, a nova música do Nenhum de Nós, fala de alguém que deseja sair de uma vida sem perspectiva e que acorda cedo para conseguir isso. Alguém que busca seu próprio caminho. A faixa que abre o EP ganhou versão para o espanhol, já que sua autoria em parceria com Thedy Corrêa é assinada também pelo músico uruguaio Fede Lima, cujo projeto artístico se chama SOCIO. É com ela que o quinteto gaúcho renova parcialmente seu repertório e inicia uma nova tour em abril. E, mais uma vez, começando por São Paulo, onde a banda faz temporada no Teatro J. Safra em abril.

As interações com o pop & rock uruguaio não param por aí: a faixa “Fã de Faith No More” é uma versão do Nenhum para um dos maiores hits de SOCIO. E a música “O Aprendiz”, é uma versão para o português de uma canção da banda uruguaia Cuarteto de Nos.

Doble Chapa é uma expressão que define as pessoas que vivem na fronteira próxima ao Uruguai. Motivo de documentários, ensaios literários e canções, inspirou o grupo gaúcho no momento de batizar o EP. “Fronteiras podem ser legais na medida que abrigam iniciativas culturais marcadas por peculiaridades. Misturar estas particularidades para gerar algo novo é o tom deste novo trabalho”, revela o guitarrista Carlos Stein. “Com Doble Chapa reforçamos nossa identidade latino americana” complementa Thedy Corrêa. E prossegue: “somos apaixonados pelo nosso continente e temos especial orgulho de nossa condição de sulistas e gáuchos (com o acento castelhano). Nossa cultura é o resultado desta mistura que não conhece fronteiras e que faz com que haja sintonia mesmo falando línguas diferentes”.

Com o lançamento deste EP, o primeiro nos 31 anos de carreira da banda, o Nenhum prossegue reforçando seus laços com os artistas do Prata, desta vez também no campo autoral. Sobre isto fala Carlos Stein: “temos uma identificação natural com o rock produzido nesta região. Usamos as mesmas fontes. Mas isso não é novidade em nossa carreira. A novidade é lançar um trabalho totalmente voltado para isto”. E Thedy Corrêa reforça: “quando ouço uma canção em castelhano que eu gosto, automaticamente faço versões na minha cabeça como um exercício criativo. Algumas destas versões entraram em discos, outras apenas ficaram como experimentos. Mas o vai e vem do idioma é incrivelmente estimulante.”

E Thedy fecha uma reflexão sobre os percalços da integração musical latina: “falta um fortalecimento do mercado latino no Brasil, que o ignora solenemente. Somos mais suscetíveis às influências europeias e americanas do que aquela que nos proporciona a proximidade com os vizinhos de continente. É uma visão colonialista que atrapalha o intercâmbio cultural. Bandas como Nenhum de Nós e Paralamas do Sucesso fazem esta aproximação há décadas. Falta que outros artistas resolvam aderir à causa.” E Carlos completa: “embora exista muita admiração de parte a parte entre nossos países, o lado cultural ainda se ressente do tamanho do mercado. Acho que trabalhos como esse e investir nestes intercâmbios através de shows, podem ser o caminho para se construir algo mais concreto”.

Prontos para a nova tour cuja estreia será em abril por São Paulo no Teatro J. Safra, o Nenhum vai mantendo sua trajetória bem sucedida no mercado brasileiro, mas continua atento à cena musical dos países latinos.

O single “Uma Vida Ordinária”, também com versão em espanhol, está disponível nas plataformas digitais. O EP em formato físico chega às lojas na segunda semana de abril. Período em que estará também estará na íntegra para distribuição digital. Lançamento da Ímã Records.

domingo, 10 de junho de 2018

Paulo dos Santos - Raul Seixas A Mosca na Sopa da Ditadura Militar, Censura, Tortura e Exílio (1973-1974) [2007]

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Resumo

Esta dissertação busca resgatar a importância do cantor e compositor Raul Seixas (1945-1989) no período entre a ditadura militar e a promulgação da Constituição de 1988. Procura, ainda, verificar sua inserção no cenário artístico brasileiro e em outros segmentos durante a década de 1970, como a contracultura, a censura, a repressão e a tortura a todos os considerados subversivos. Reconhecido como compositor de muitos talentos, o cantor figurou entre os mais renomados artistas dos últimos anos na Música Popular Brasileira. Divulgador da Sociedade Alternativa, que em pleno regime militar tinha como lema faz o que tu queres, pois é tudo da lei , fez de suas músicas discursos dotados de um espírito inovador para dizer coisas velhas com características novas, misturando diferenciados ritmos que, segundo o artista, tinham as mesmas malícias , como o rock and roll e o baião, e, assim, constituindo tendências. O presente estudo está dividido em três capítulos: no primeiro Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou... de Raulzito a Raul Seixas narram-se a trajetória do artista desde o início de sua carreira, o sucesso e os últimos anos de vida. No segundo O monstro SIST é retado e tá doido pra transar comigo... Raul Seixas e a Censura são estudados a censura, o gibi-manifesto, principal instrumento teórico para a implantação da Sociedade Alternativa no Brasil, e o diálogo entre a censura e as músicas censuradas. Por fim, no terceiro Porque só tem verdades pra dizer, pra declarar... Raul Seixas e a Polícia Federal apresenta-se como ocorreram a perseguição, a prisão, a tortura e o exílio ao artista

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Alexandre Lucchese - Infinita Highway Uma Carona Com Os Engenheiros do Hawaii [2016]

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Descrição

Era pra ter durado uma noite só. Era pra ter sido somente uma banda de abertura. Era pra ter outro nome. Não era pra ser um trio. Eram várias variáveis. Graças a essa sucessão de fatos estranhos, quando não ter plano é o melhor plano, nasceu uma das maiores bandas do rock brasileiro: Engenheiros do Hawaii. Uma história cheia de lances improváveis que o jornalista Alexandre Lucchese conta nesta biografia, depois de ter entrevistado mais de uma centena de pessoas ligadas à banda, inclusive Humberto Gessinger, Carlos Maltz e Augusto Licks, o trio responsável pela fase de maior sucesso, que acabou se desfazendo anos mais tarde em meio a brigas e processos judiciais. Embarque na infinita highway para ver como nada do que foi planejado para a viagem deu certo, mas, nesse caso, ter dado tudo errado não poderia ter sido o mais certo.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Alexandre Petillo e Mauro Beting - A Ira de Nasi [2012]

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Descrição

Nasi não nasceu para ser santo. Nasceu para ser a voz de um pecado capital. Quando foi fundo ele acabou indo além do permitido e recomendado. E, na volta, trouxe com ele tudo que o dragou – do melhor e do pior. Nas travessias ao céu e nas travessuras abaixo do inferno das drogas químicas e das porcarias das pessoas físicas e jurídicas que experimentou, o ex-vocalista do Ira! se tornou homem com todas as letras. Desde as bem feitas e de boa métrica até as malfaladas e malditas. Você ficará vermelho de raiva e de paixão com a história de um dos roqueiros mais polêmicos do Brasil, com tantas tretas que fizeram da vida de Marcos Valadão, este Wolverine brasileiro contraditório e solitário, coisa de ficção, de horror, de comédia e de drama, mas também de muito amor.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Johnnt Alf [1965]

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A1 Kaô Xango
(Johnny Alf)
A2 Canção Pra Disfaçar
(Johnny Alf, José Briamonte)
A3Ceu Alegre
(Johnny Alf)A4 Imenso Do Amor
(Durval Ferriera, Humberto Pires)
A5 Quase Tudo Igual
(Ary Francisco, Johnny Alf)
A6 Gismi
(Johnny Alf, José Briamonte)

B1 Samba Sem Balanço
(Vera Brasil)
B2 Se Eu Te Disser
(Johnny Alf)
B3 Bossa Só
(Johnny Alf)
B4 Tudo Que É Preciso
(Durval Ferrerra, Pedro Camargo)
B5 Eu Só Sei
(Armando Cavalcanti, Victor Freire)
B6 Eu Quis Fugir De Teus Olhos
(Laercio Vieria, Johnny Alf)

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Johnny Alf - Diagonal [1964]

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Diagonal é um grande disco. Alf não toca piano, apenas canta. E poucas vezes o fez tão bem. O acompanhamento é fora de série, com a bateria de Edson Machado, a flauta de Jorginho, o sax de Zé Bodega, a guitarra de Neco e o piano e órgão de Celso Murilo se destacando entre outros tantos cobras. Cinco das 12 faixas são de sua autoria. Uma em parceria com o padrinho Vítor Freire. Três velhos sucessos do início da carreira, “Podem Falar”, do disco de Mary Gonçalves; “O Chorinho Seu Chopin, Desculpe” e o baião moderno “Céu e Mar”, dos tempos do bar do Plaza. E Disa. Temos ainda um sambinha carioca de Vítor Freire e Armando Cavalcanti, sucesso na voz de Isaurinha, Bondinho do Pão de Açúcar. Uma bossa curtinha de Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo. E gente nova, ou quase nova: Marcos e Paulo Sérgio 58 Valle, Durval Ferreira, Maurício Einhorn, Lula Freire e Tita.

Ficha técnica AQUI.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Os Diagonais - Cada Um Na Sua [1971]

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Liderado pelo cantor, compositor e instrumentista paraibano Cassiano, Os Diagonais, originalmente chamados de “Bossa Trio”, foi criado em 1964. Com carreira curta, o grupo gravou, além de compactos, apenas dois LPs um pela CBS e esse segundo pela RCA. Com uma mistura original de samba e soul, o grupo teve uma ênfase grande na parte dos vocais, antes de ser desfeito, excursionou por cidades do interior da Bahia e de Minas Gerais, além de servir de banda de apoio para Tim Maia no início da carreira do “síndico” no final dos anos 60.

A1 Sai De Lado
(Marcos)
A2 Adivinhe Meu Pensamento
(Cassiano, Sérgio Luiz)
A3 Vou Perder Você
(Cassiano)
A4 Todo Meu Amor
(Cassiano)
A5 Atrás Do Sorriso
(Carlinhos, Amaro)
A6 Eliana
(Cassiano)
B1 Nem Adeus
(Carlinhos, Amaro)
B2 Não Vou Chorar
(Cassiano)
B3 Novos Planos Para O Verão
(Luiz Vagner, Tom Gomes)
B4 Cada Um Na Sua
(Os Diagonais)
B5 O Mal Passará
(Cassiano, Marcos)
B6 Tema De Fanny
(Marcos)

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Titãs - Doze Flores Amarelas A Opéra Rock Ato III [2018]

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Por Marco Aurélio de Souza em Collectors Room

É Rita Lee quem nos conta, em terceiro e último interlúdio, sobre o plano de vingança das Marias: “Juntas de novo, queríamos enfrentar aqueles cinco filhos da puta”. Auxiliadas novamente pelo aplicativo Facilitador – o que não fica claro nas canções, mas sim no espetáculo –, as meninas acabam concebendo a morte de um dos seus agressores. Sobre este evento misterioso, a consumação da vingança, é que a maior parte das canções do terceiro ato irá repercutir.

Com vigoroso riff de guitarra, "Me Chamem de Veneno" nos devolve à história com uma dose extra de peso e energia renovada. Sugerindo a via encontrada pelo aplicativo para dar fim à vida de um dos estupradores, ela abre caminho para o clímax sombrio da história. Mais grave e soturno do que os anteriores, o terceiro ato de Dozes Flores Amarelasencontra nos arranjos de piano e orquestra um diferencial que, na reta final da narrativa, engrandece o desfecho da ópera e contribui para a sua plena realização – a canção título é, por metonímia, o exemplo mais preciso desta contribuição. Apresentada em show do Rock in Rio, "Doze Flores Amarelas" já era conhecida pelos fãs mais atentos, porém, sua execução ao vivo, com certa crueza garageira que é marca da formação atual dos Titãs, não nos permitia vislumbrar todo o seu potencial. Aqui, em sua versão de estúdio, melhor experimentamos o seu clima denso. Em termos de estrutura lírica e melódica, a canção difere de tudo o que o grupo paulista já fez. Ritmo cadenciado e atmosfera fúnebre, com direito a Sérgio Britto e Branco Mello em dueto de vozes e solo de guitarra de Belloto. É um dos grandes momentos do disco. 

Em sequência de contraste irônico, "Ele Morreu" nos toma de assalto com sua levada pop, dançante e descontraída, enquanto aborda a repercussão da morte inesperada (não para nós, é claro) do agressor. A morte do rapaz reverbera ainda em três canções subsequentes. "Pacto de Sangue" é, em todo o disco, o primeiro e único momento em que temos uma canção cantada exclusivamente pelas atrizes convidadas. Sua letra aborda o compromisso de silêncio que as Marias assumem frente aos desdobramentos da vingança, sugerindo, enfim, a gravidade e a culpa que a situação de fato as impõe. Aqui, Corina Sabbas, Cyntia Mendes e Yas Werneck comandam o curso da narrativa, preparando o terreno para a participação decisiva que terão, também, nas canções finais do álbum. Por seu sabor performático e sua presença vocal, a canção é um dos raros momentos em que, deixando de lado a própria banda, encontramos o formato musical em sua potência máxima, tendo a sensação de acompanharmos uma trilha sonora de espetáculo hollywoodiano.

"O Jardineiro", por sua vez, embora estruturalmente dispensável à narrativa, traz à ópera um delicioso slide de guitarra que, com sua levada de surf music, cativa o ouvinte logo à primeira audição. Nela, Branco Mello encarna o coveiro gago que enterrou o defunto da história, esbanjando carisma por sua dicção peculiar: “Eu sósósó sou o coveiro / deste lugar”. A morte será tema, por fim, de outro rock com roupagem mais pesada. Iniciada por um zunido de guitarra, que mais parece ter fugido de algum metal alternativo, "Réquiem" resgata a voz do falecido que, como um Brás Cubas juvenil, sugere que os mortos devem ser esquecidos, em favor dos vivos. Sua letra nos confronta com um dado etário perturbador: pedindo para que o lembrem “saindo da aula”, “andando de skate”, “falando no Face como todo o mundo fala”, a letra nos lembra da juventude das personagens que, vítimas ou culpadas, partilham todas de uma mesma inconsequência adolescente.

Os momentos finais da ópera titânica reforçam as características anteriormente evocadas, com duas grandes melodias que, no plano instrumental, são acompanhadas por belíssimos arranjos de piano e orquestra, além de excelentes atuações das vocalistas convidadas, tanto no que se refere aos backing vocals quanto nas vozes principais. Em sua formação clássica, contando com a presença incomum – em se tratando de uma banda de rock – de cinco vocalistas, o bom uso do backing vocal foi sempre uma das marcas mais evidentes da música dos Titãs. Com tantas baixas, reduzida a sua oferta de vozes, as participações especiais proporcionaram à banda um excelente recurso que, muito bem explorado, é um dos pontos altos do trabalho inteiro.

"É Você" anuncia a transformação interior das Marias, que começam seu percurso de reconstrução identitária resgatando uma autoconfiança perdida diante dos acontecimentos traumáticos por que passaram ao longo da história. Identidade, aliás, é o grande tema que, motivo na canção inicial, retorna através da derradeira "Sei que Seremos". Nesta, as três Marias reassumem o controle sobre suas vidas, delineando um grande final para o projeto que, certamente, ficará marcado na discografia dos Titãs, ocupando nela um lugar especial. Contando com o melhor riff de guitarra de todo o disco, "Sei que Seremos" peca apenas pela sua brevidade: seus pouco mais de dois minutos nos deixam, ao final, com um gostinho de “queria ter um pouco mais disso”, afinal, a canção põe fim a um conjunto expressivo de 25 novas composições, número inédito em toda a história da banda, e por isso bem merecia um seu prolongamento natural.

Fechado o terceiro ato, temos, por fim, melhor visão de conjunto e condições efetivas para exprimir uma visão de panorama. De forma geral, a ampla maioria das canções sobrevive de forma autônoma, embora bem integradas à narrativa. Isto importa na medida em que garante a sobrevivência dos temas para além da experiência do espetáculo, ou da audição integral do álbum. A necessidade de contar uma história, por sua vez, inseriu muitos elementos estranhos à sonoridade titânica, o que, longe de ser algo ruim, expande os limites (já tão elásticos) que a estética da banda possui. Doze Flores Amarelas corresponde, portanto, à expectativa que o grupo promoveu e está promovendo em torno de seu lançamento, assumindo a forma de um grandioso disco de rock, com os elementos todos que são esperados a este formato – versatilidade, relevância, força de composição. Projeto inédito no Brasil, somente este feito já garantiria a presença do álbum nos anais da história do rock brasileiro. Mais do que isso, porém, o disco também nos entrega um conjunto de canções que, mesmo diante de uma concorrência de alto nível, podem conquistar seu lugar em qualquer coletânea do grupo, a exemplo de "Nada nos Basta", "Disney Drugs", "Eu Sou Maria", "O Bom Pastor" ou "Doze Flores Amarelas". Por outro lado, a descontextualização de certas letras – a exemplo de "Fim de Festa" e "Não Sei", que dão voz aos agressores – e, especialmente, a qualidade do registro em estúdio, podem se tornar um problema para as apresentações ao vivo: neste último quesito, para além dos espetáculos de teatro, muitas destas composições encontrarão dificuldade de espaço no repertório de eventuais futuras turnês, por limitações materiais de execução – caso, por exemplo, das canções que contam com grande presença dos vocais femininos e de arranjos de orquestra, as quais podem perder força em um formato mais cru.

Evidentemente, ainda é cedo para compreendermos ou afirmarmos qual será o status de Doze Flores Amarelas dentro da obra completa dos Titãs. As comparações, embora inevitáveis, carregam sempre um quê de injustiça, por não levarem em consideração os fatores inúmeros que se conjugam no momento da construção de um disco – bem como o fato de que o tempo, inexorável, a tudo e a todos transforma. Independente do juízo crítico, porém, faz-se imperioso reconhecermos que Sérgio Britto, Branco Mello e Tony Belloto, acompanhados de um grande time, por aceitarem (e se auto imporem) tamanho desafio criativo a esta altura do campeonato, demonstram grande compromisso com sua própria trajetória, entregando a seus fãs um trabalho com a dimensão e a estatura que se espera sempre de uma grande banda de rock. Ambiciosos como nunca, os integrantes remanescentes mostraram seu poder de fogo com este lançamento memorável, provando que a força da banda, mais do que em um ou outro nome, sobrevive mesmo através do peso que sua história investe naqueles que a continuam. Para além de um grande disco, Doze Flores Amarelas é, portanto, uma demonstração inequívoca que os remanescentes da formação clássica deixam ao seu público de que, sim, continuaremos carregando enquanto possível este nome, de Titãs, não como um meio mais cômodo para pagarmos as contas, mas sim pela consciência aguda daquilo que somos e já fizemos, mirando sempre no muito que, é claro, ainda se está por fazer.