domingo, 5 de fevereiro de 2017

Sérgio Ferraz - A Sublime Ciência & o Soberano Segredo [2013]


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Por Sérgio Ferraz

O segundo cd solo do virtuoso violinista e compositor pernambucano traz de volta a ideia do disco conceitual, muito difundida no início dos anos 70. Esse trabalho nasceu sobre a inspiração do livro sagrado dos Hindus, o Bhagavad-Gîtâ. Em sua forma literal apresenta o Bhagavad-Gitâ um interessante diálogo entre Krishna e o guerreiro Arjuna. Arjuna ver-se na eminente e dura tarefa de travar uma batalha, uma batalha de significado esotérico que se trava no interior de cada Homem, entre o Bem E o Mal, levando-o ao caminho da superação.


1. O Caminho Iniciático
2. A Sublime Ciência e o Soberano Segredo
3. A Grande Batalha de Arjuna
4. O Conselho de Krishna
5. Lamento
6. Zumbi
7. Deus dos Ventos
8. Ventos Solares
9. A Sublime Ciê ncia e o Soberano Segredo, Parte II
10. Xaxado Eletroacustico

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Sérgio Ferraz - Flutuando Sobre As Ondas [2016]

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Trata-se de um trabalho conceitual no qual Sergio explora as sonoridades dos sintetizadores analógicos além do violino elétrico. O CD é totalmente produzido, gravado, composto e tocado por Sergio Ferraz. Flutuando Sobre As Ondas tem forte influencia dos compositores de música eletrônica alemã do Kraut Rock e do Rock Progressivo instrumental.


1. Missão Júpiter
2. Cartas de Saturno
3. Vishnu e os Nove Avatares - o Senhor das Águas
4. Matsya - o Guardião do Universo
5. A Ira dos Deuses
6. Na Imensidão Infinita
7. A Sétima Encarnação de Vishnu
8. Entre Deuses e Demônios
9. Nas Águas do Oceano Cósmico

domingo, 29 de janeiro de 2017

Fernando Vidal - Shulling [2013]

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Fernando Vidal é um dos músicos mais instigantes destes tristes felizes trópicos. Há um pensamento claro, uma visão do mundo, no que ele faz. Como os grandes artistas, conta de maneira íntegra a sua experiência.Como os maiores músicos, aprende na oficina infinita da música. Vai contando, com clareza, o que a vida dá e nega. Tomamos conhecimento, por exemplo, de que John Coltrane e Jimi Hendrix não se encontraram, mas, certamente, iriam se encontrar. E o fizeram, por que não? A guitarra de Fernando é uma boa prova disso. Tocando o blues com verdadeiro espírito, apoiado por seus fiéis parceiros André Vasconcelos no baixo e Marc William na bateria num trio perfeito, Vidal se lança, em outro momento, à investigação harmônica mais ousada. Nunca abandona, contudo, seu élan, sua vitalidade (inscrita já no sobrenome). Sua guitarra nasceu pra ser vigorosa, seja no rock, no jazz, no blues ou no funk. Ele domina estes estilos com uma grande verdade, uma total segurança, sempre sacudindo o quarteirão.

Um faixa a faixa bem breve:

Velhaco – Rock’n roll com pegada e inteligência na composição. Um solo sensacional do guitarrista, com passagens que muita gente vai querer aprender.

Funk Batalha – Segundo Vidal, uma peça que exige destreza na mão direita. Funk mesmo, direto do Rio de Janeiro. Sem solos, mas, de novo, uma construção toda especial. Polirritmia nos acentos da guitarra e bom humor. 

Bb Coltrane – O baixo cria a atmosfera inicial do blues, a bateria entra com classe, e em seguida a guitarra, num inesperado “turnaround” em B, C e D, pra cair no chorus básico: Bb7;Ab7;G7 e F7, todos com 13ª. E 9ª. Simples, sofisticado e bonito. Na passagem para o jazz mais rápido, cromatismos e ótimas frases . Quase no fim, uma explosão de acordes ascendendo até o clímax: uma paisagem sônica de efeitos, harmônicos, alavanca, etc. E fechando essa suíte guitarrística, um rock apoiado num riff curto e pesado. A faixa recria magistralmente as influências de Fernando Vidal.

Blues Rodrigo de Freitas – Blues nada óbvio. “Você sabe, eu adoro um bluesinho”( Miles). Uma ponte diferente, antes e depois de Fernando nos brindar com mais um de seus grandes solos.

Shulling - Uma síntese de tudo. Humor, clareza, concepção. Um solo perfeito, primeiro em G, depois em F, um som de arrepiar. Volta o inusitado chorus D,G,Bb,B, para terminar na subida cromática final.

Matemático Freezer – Leveza e malícia. Atmosfera lírica, como numa composição de Charles Mingus.

C.T#01 - Rock and roll + Fusion + um solo definitivamente incomum. Cumplicidade importante de ...(baixo) e ....(bateria) na central de aquecimento. 

Funk ao Alvinegro - Funk com sopros e a guitarra fazendo o chacundum com malícia, bem pra trás. Depois um pequeno trecho em 6/8 que desemboca num free, com intervenções de trompete e sax tenor. O groove é retomado com mais vigor, para a entrada de um breve e expressivo solo de Fernando.

Jimi Shuffler - Pequeno tema sobre uma levada “nova orleans”, de onde vem, afinal, o funk e tudo mais. Um solo genial do guitarrista, que vale este disco e o próximo. Música cheia de imaginação, como a do próprio Hendrix.

Kamasutra - Groove bem suingado, meio caribe, meio oriente médio, recheado de trechos harmônicos especiais. Destaque para o solo de --- no piano elétrico. A guitarra se encarrega do final, repetindo uma cadência harmônica inusitada.

Kardekiando - Jazz-rock de muita pegada. Fernando Vidal toca como se sua vida, o trânsito, o aluguel, o Botafogo, a distribuição de renda nacional, a saúde do amigo, dependessem de sua música.

Zagamiando - O riff em Sol menor abre caminho para um solo de guitarra cheio de paixão e fúria. Um pequeno especial de três acordes para o solo de baixo e a volta no riff com vigor, para fechar.

Vinheta (Scott) – Saudação ao guitarrista Scott Henderson. Uma cadência de acordes contemplativos em Dó maior/Lá menor, fechando com serenidade este trabalho extraordinário de Fernando Vidal.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Fernando Pacheco - Himalaia [1986]

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Por Mairon Machado em Consultoria do Rock

O grupo Recordando o Vale das Maçãs lançou apenas um álbum, o cobiçado e essencial As Crianças da Nova Floresta, em 1978. Quatro anos depois, acabou separando-se pouco depois de começar as gravações daquele que seria o seu segundo disco. Um dos principais líderes do grupo - o guitarrista, vocalista e compositor Fernando Pacheco - seguiu peregrinando pela música. Em 1986, misturou talento e genialidade naquele que é em um dos mais belos álbuns da década. 

Trata-se de Himalaia. Esse diamante começou a ser lapidado no final dos anos setenta. Ali, o compositor e músico Fernando Pacheco, junto com os demais seis integrantes do grupo Recordando o Vale da Maçãs, lançava o magnífico As Crianças da Nova Floresta. O progressivo tradicional ganhava espaço entre a disco music e o punk.

Fernando sempre se caracterizou por ser um talentoso músico. Tendo diversos professores em sua vida, multi-instrumentista, acompanhou bandas de baile, sendo líder da conhecida banda santista Tropical Jungle. Contou com a ajuda de diferentes pessoas para consolidar sua marca entre os grandes no cenário brasileiro. Foi no Recordando o Vale das Maçãs que começou a ganhar destaque. Ao mesmo tempo em que se tornou professor no Grupo AMA e no Conservatório Musical Heitor Villa-Lobos, ambos em Sampa, ficou reconhecido como o Robert Fripp brasileiro. Graças à sua genialidade nas composições.

Fernando Pacheco, liderando o Recordando o Vale das Maçãs
Mesmo com o fim precoce da banda em 1982, não parou no tempo (como por exemplo, nosso querido guitarrista Mario Neto). Antes, a RVM havia lançado o compacto Sorriso de Verão/Flores na Estrada, que ficou no primeiro lugar das paradas brasileiras durante seis meses. Fernando ainda apresentou-se com o projeto Pacheco e Carioca, ao lado de Carioca Freitas, antes de mudar-se para o sul de Minas Gerais onde assumiu a função de professor titular do Conservatório Estadual de Música J.K.O. (Pouso Alegre). Em 1985, lançou o magnífico álbum Instrumental junto com Fernando Pereira com o nome de Duo Fernando's. Os dois já vinham ensaiando e fazendo shows desde 1983. 

A pergunta que fica é: seria Fernando Pacheco capaz de produzir uma Maravilha Prog, assim como fez quando liderava o Recordando o Vale das Maçãs? A resposta é sim e não, já que Himalaia apresenta dois lados distintos.

O lado A, "The Past", foi gravado com o Recordando o Vale das Maçãs na cidade de Curitiba, durante o ano de 1982, e traz indícios do que seria o segundo álbum do grupo. O lado B, "The Present", apresenta Pacheco tocando todos os instrumentos. Ambos os lados demonstram uma aula de sentimentalismo e técnica com o músico viajando por onde mais gostava: os temas instrumentais. Apesar de composto por apenas cinco faixas, as mesmas são certeiras e grudam no cérebro de qualquer apreciador de boa música. 

Mas é em "The Past" que está a nossa maravilhosa canção. A abertura do LP é feita com "Sonho", tendo um arranjo similar ao que foi gravado em As Crianças da Nova Floresta. Depois, entramos nos maravilhosos treze minutos da faixa-título.


Pacheco e o renomado violonista e compositor Leo Brower

Ela começa com o embalo lento e cadenciado de "Sonho", quebrado por uma emotiva introdução recheada com violão, flautas e pássaros. No melhor estilo Recordando o Vale das Maçãs! Apresenta um lindo solo de flauta enquanto Pacheco dedilha seu violão. A marcação aumenta seu ritmo, trazendo um lindo solo de guitarra e de teclados. 

Após começar lenta e suave, vai aumentando a cadência e atinge seu pique no rápido e complicado solo de violino. O clima muda, com flauta e teclados duelando sobre dedilhados de violões e baixo. Parece uma guerra de cantos entre pássaros na floresta. Inicia uma sessão mais viajante com solos de flauta, violino e guitarra, sempre acompanhados pela cadência RVMiana. Por fim, a bela introdução é retomada com o violão solando mais agressivo enquantos teclados e violinos deliram. A canção termina em um climão de floresta com a levada principal executada anteriormente sendo acompanhada pelos viajantes solos de teclado, flauta, guitarra e, principalmente, pelo violão dedilhado que acompanha toda essa faixa. Encerra o lado "The Past" com um tema de flauta daqueles tão grudentos como a introdução. 

O lado "The Present" possui outra canção digna de ser chamada de maravilha, a complícadissima "Progressivo L-2 Sul". Aqui, Fernando mostra todo o seu trabalho e aprendizado no violão clássico. Complementam o álbum a mini-suíte "Ciclo da Vida" - outra nos velhos moldes de As Crianças da Nova Floresta - e "Civilização", um pequeno dedilhado de violão com um belíssimo solo de flauta. 

Himalaia não fez muito sucesso no Brasil, mas acabou estourando no exterior (como já havia acontecido com a RVM). Fernando Pacheco ainda gravaria o CD As Crianças da Nova Floresta II (1993) e o trabalho 1977-82 (1994), ambos ao lado do Recordando o Vale das Maçãs. Em termos de carreira solo, lançou em 1998 Himalaia II (realizando concertos e trabalhos de divulgação na Espanha e Portugal) e em 2005, com o Duo Fernando's, lançou Homenagem a Johnny Alf. No ano seguinte, lançou o belo trabalho Spirals of Time ao lado de Giuliano Tiburzio (baixo), Antonio Bortoloto (bateria), Leonardo Zambianco (voz), Nélio Porto (teclados) e Eduardo Floriano (vocais).

Fernando Pacheco, o Robert Fripp brasileiro
Em termos docentes, Pacheco assumiu o cargo de professor de violão e guitarra no curso de música da Universidade Vale do Rio Verde (UninCor) em Três Corações (MG). Nessa mesma universidade, assumiu o cargo de coordenador e professor do curso de Pós-Graduação em Música. Leciona até os dias atuais, ao mesmo tempo em que apresenta-se em concertos com o Recordando o Vale das Maçãs e em trabalhos de jazz instrumental brasileiro com o Duo Fernando's e Fernando Pacheco Trio. Assim, mostra todo o seu talento e inteligência para o público que sabe valorizar um trabalho de primeira qualidade.


A1 - Sonho
A2 Himalaia

B1 Progressivo L-2 Sul
B2 Ciclo Da Vida

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Toninho Horta [1980]

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Por Renato em Musica e Literatura

Este é um disco muito especial, pois além da guitarra de Toninho Horta, com seus toques oitavados e toda a sua pegada jazzística, há a presença do Pat Metheny em duas músicas: "Prato feito" e "Manuel, o audaz". Mas todo o disco é excelente, e destacamos o solo de Toninho em "Era só começo nosso fim", de Yuri Popov e Murilo Antunes. Nesse ano de 1980, aconteceu o Monterey Jazz Festival, no Rio de Janeiro, e dentre as presenças internacionais (John Mclaughlin, Weather Report, Stanley Clarke e mais) estava o Pat Metheny Group, na época lançando o seu "American Garage". Pat era um desconhecido da maioria do público brasileiro, mas sua guitarra já havia chamado a atenção de muitos. A guitarrista e compositora Célia Vaz era sua amiga e fora aluna em Barkcley. Como estava em estúdio, Pat deu uma passada por lá e deu uma "canja", gravou em seu disco. Neste mesmo período Pat entrou no estúdio com outro amigo, Toninho Horta, e gravou estas duas jóias presentes no álbum. Em entrevista na 92,5, antiga Globo FM, Toninho Horta comentou que após a apresentação de Pat no Brasil, já nos Estados Unidos, os dois guitarristas passaram uma temporada nas montanhas, isolados, acompanhados do Naná Vasconcelos. Os três e somente a música. O álbum "Offramp", de Pat, reflete um pouco desse encontro, pois é nele que são exploradas as linhas melódicas e ritmos "abrasileirados" e dá um passo crucial na carreira da mais influente guitarra de jazz dos últimos 25 anos. Aqui o que vale é ouvir os dois juntos e se deliciar.

1 - Aqui, oh! 
(Toninho Horta - Fernando Brant)
2- Saguin 
(Toninho Horta)
3 - Vôo dos urubus 
(Toninho Horta)
4 - Caso antigo
(Toninho Horta - Ronaldo Bastos - Fernando Brant)
5 - Prato feito 
(Toninho Horta - Ronaldo Bastos)
6 - Era só começo nosso fim
(Iuri Popoff - Murilo Antunes)
7 - Minha casa 
(Toninho Horta)
8 - Bons amigos 
(Toninho Horta - Ronaldo Bastos)
9 - Vento 
(Toninho Horta)
10 - Manuel, o audaz 
(Toninho Horta - Fernando Brant)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Alex Buck - Luz da Lua [2006]

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Por Clube do Jazz

Segundo o próprio Alex, "nada mais justo, que meu primeiro disco tenha o nome de minha primeira música, composta à luz da lua". Produzido em 2004 e lançado em 2006 pela Maritaca, Luz da Lua reafirma o talento de um dos melhores instrumentistas da atual safra instrumental (bateria e piano). O cd é totalmente autoral, composto por doze músicas, com destaques para "Sambeti", " Luz da Lua", "Novos Amigos" e "Pai de Som". Os músicos presentes nas gravações formam um time de primeiro mundo: Neylor Proveta, Filó Machado, Sandro Haick, Nenê, Vinícis Dorin e Walmir Gil, entre tantos outros.


1 - Toninho Pinheiro
2 - Luz da lua
3 - Espírito Santo
4 - Que não seja a última vez
5 - Alô Brasil
6 - Três gerações
7 - Amarelinha
8 - Novos amigos
9 - Pai de som
10 - Que pena
11 - Sambeti
12 - Que não seja a última vez

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Altamiro Carrilho - Flauta Maravilhosa [1996]

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Por Diego Lima em Bandolins e Afins

Olá pessoal, temos aqui mais uma flauta bem interpretada e composta, nada mais nada menos que Altamiro Carrilho, lenda viva do choro.

Esse disco de 1996 traz composições do próprio Altamiro.

Produzido por Jorge Gambier, com o próprio Jorge na percussão, Keko Brandão nos teclados, Márcio Almeida no cavaquinho, Maurício Almeira no baixo elétrico e Voltaire Muniz de Sá no 7 cordas.

Não consegui até hoje escolher uma música favorita nesse disco, todas são muito boas, porém destacarei "Frevinho carioca", simplesmente por ter sido a música que me trouxe até esse disco.

No demais, apreciem Altamiro, uma rica fonte pra quem gosta de choro.


1 -. Agarradinho
2 - O eterno jovem Bach
3 - Prelúdio pro Voltaire
4 - Chorinho do Rodrigo
5 - As andorinhas de Campinas
6 - Contatos imediatos
7 - João teimoso
8 - Bem-te-vi tristonho
9 - Frevinho carioca
10 - Forró nº1
11 - Batuque nº1
12 - Momento musical nº1
13 - Flauta chorona
14 - Momento musical nº2

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Eduardo Lira - The First Concept Project [2016]

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Por Marcos “Big Daddy” Garcia em Metal Samsara

Nos dias de hoje, pensar em discos instrumentais é quase sempre sinônimo de pensar em aulas de instrumentos musicais, especialmente quando falamos em guitarras. Isso ocorre devido às overdoses sucessivas de discos orientados para guitarra, sem vocais, e onde exclusivamente elas são o foco, suprimindo completamente os outros instrumentos musicais. Mas de uns tempos para cá, bons trabalhos assim tem surgido, onde baixo, bateria e teclados também mostram boa técnica, ou seja, o guitarrista se esforça para compor temas, não solos mirabolantes. E um dos melhores trabalhos feitos no Brasil do tipo é do guitarrista carioca EDUARDO LIRA, que em seu primeiro disco, “The First Concept Project”, não vem para massagear o próprio ego, mas nos conceder músicas incríveis, do mais alto nível.

Óbvio que no disco, se percebe que ele possui uma ótima técnica nas seis cordas, mas ao mesmo tempo, busca dar ênfase no seu lado mais compositor, se permitindo manter um ótimo nível técnico e musical ao mesmo tempo, onde a técnica é consequência da música, e não uma motivação. Os fraseados e riffs de Eduardo são muito próximos ao ecleticismo do Jazz Fusion, mas com uma boa dose de Rock e Metal. E, além disso, com o nível dos convidados que temos no baixo, fica clara a proposta musical do CD: criar música de alto nível, e para todos.

Produzido por Eduardo Lira, Alexandre Oliveira e David Cid (este fazendo a mixagem e masterização do álbum), “The Firts Concept Project” tem uma sonoridade equilibrada e bem feita. É polido e limpo na medida certa, mas ao mesmo tempo, quando precisa de peso, ele se faz presente. E o design gráfico de Gustavo Sazes ficou muito bom, casando muito bem com as idéias musicais do álbum.

O disco é todo bom e sedutor aos nossos sentidos, mas é impossível não destacar a emocionante “The Edge Part 2 – A Path to Enlightenment” (pegada pesada, andamento moderado, e os fraseados de guitarra nos agarram pelos ouvidos), a forte e pesada “Catharsis”, a sensível e envolvente “Enjoyment” (que lindas guitarras, sem mencionar que baixo e teclados fazem um trabalho perfeito), a debulhada de baixo e peso da bateria em “Kaleidoscope” (existem até alguns toques de estilos fora do Rock em alguns momentos), a diversidade pesada de arranjos de “Intention Divine”, e a beleza introspectiva de “Raining Day” (belíssimos acordes de piano).

Esperemos que “The Firts Concept Project” seja o primeiro de muitos discos de Eduardo!


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Pense - Além Daquilo Que Te Cega [2014]


Por Guilherme Guedes em Tenho Mais Discos Que Amigos

Oriundo de garagens suburbanas dos rincões dos Estados Unidos nos anos 1980, o hardcore chegou ao Brasil pouco depois, ainda mais próximo do punk, com a veia política inflada pela ditadura militar então prestes a acabar. De lá para cá, vimos várias gerações de subgêneros do HC brasileiro nascerem e morrerem, muitas vezes optando por letras em inglês ou naquele português macarrônico, com sílabas distorcidas para melhor se adaptarem aos nossos ouvidos colonizados.

De vez em nunca, uma ou outra banda acerta na balança entre a nossa complexa e rebuscada língua e a retidão do rock. Na maioria das vezes, o equilíbrio é alcançado pelo empobrecimento do vocabulário, em rimas previsíveis, daquelas que conseguimos adivinhar como termina antes mesmo do verso acabar. Não é o caso do Pense, excepcional banda mineira de hardcore que lançou o seu segundo álbum, Além Daquilo Que Te Cega, na última Sexta-feira (27).

O Pense surpreendeu a todos com Espelho da Alma (2011), o álbum de estreia do quinteto de Belo Horizonte. Altamente técnico e repleto de energia, o disco foi um sopro de esperança para os fãs do hardcore nacional, ainda dependentes demais de bandas que estavam na estrada muito antes de boa parte dos fãs atuais nascerem. Mas as letras das doze faixas de Espelho da Alma eram o destaque evidente do disco: furiosas mas sempre positivas, e distantes do óbvio apesar da ingenuidade ocasional, demonstravam o comprometimento do grupo com o nome de batismo – a proposta não era apenas moshar, gritar em coro ou lamentar relacionamentos platônicos frustrados; era instigar os ouvintes.

Assim, Além Daquilo Que Te Cega nasce com a missão de cumprir a expectativa gerada pela boa recepção do anterior. Para aumentar a pressão, do primeiro álbum para cá a banda trocou três integrantes – da formação prévia, estão apenas o vocalista Lucas Guerra e o baixista Judá Ramos – mas o que poderia representar uma mudança drástica transformou-se em evolução nítida, com arranjos e versos ainda mais intrincados que garantem não apenas a manutenção do nível do grupo, mas um crescimento incontestável.

O som, uma espécie de filho bastardo do Dead Fish com o Comeback Kid criado por padrastos fãs de metalcore, não é muito diferente, apenas um toque mais pesado. O segundo álbum do Pense parece amarrar melhor as influências, de forma que elas dialoguem melhor entre si em uma mesma abordagem, sem parecer um quebra-cabeça desorientado de referências. O ritmo é sempre frenético. Sempre mesmo, o tempo todo, do início ao fim. Bem, com exceção da introdução de “Contra-cultura”, faixa de abertura do álbum que começa com um discurso de Lucas sobre dedilhados límpidos, interrompidos antes do primeiro minuto por um riff feroz das guitarras de Cristiano Souza e Ítalo Nonato. Os dois abrem alas para a cozinha do grupo, composta por Judá e pelo habilidoso baterista Danilo Vilarino, que irrompem com velocidade e ditam o rumo do restante do álbum.

A maior parte das faixas preza pela celeridade, e a solução do Pense para evitar o tédio vem na forma de breakdowns e conversões, como o solo duplo de guitarras em “Aponte Pro Espelho”, ou a metade final de “Andando Sobre Pedras”, que vai de um hardcore veloz a um final grandioso intermediado por um breve momento de calmaria. A banda também acerta quando pisa no freio, como na ótima “Ismos”, que compensa o BPM mais baixo com linhas pesadas e aponta uma possibilidade interessante para o futuro musical do Pense.

E mais uma vez a habilidade de Lucas Guerra como letrista é digna de destaque. Lucas não canta versos complicados, pelo contrário. É adepto da simplicidade, mas até quando fala de relacionamentos, como em “Falta”, evita clichês exauridos por anos de abuso de compositores menos inspirados. Os alvos ainda são similares: a parcela conservadora da sociedade e da mídia em “Contra-cultura”, a egolatria em “O Que Me Cega” e o comodismo em “Seguro Demais”, que ecoa, intencionalmente ou não, grandes momentos do Noção de Nada, extinta banda de Gabriel Zander, atual líder do… Zander. Lucas acompanha o desenvolvimento do time instrumental entre os dois álbuns e também mostra avanço em “Expansão da Consiência”, que em versos mais abstratos parece pregar uma união coletiva em prol de um bem maior não-identificado, em versos igualmente empolgantes.

Além Daquilo Que Te Cega é superior a Espelho da Alma em todos os sentidos, e apesar de pecar pela falta de criatividade em alguns momentos em que a receita de oitavadas + tupa-tupa toma conta, mostra que o progresso do Pense continua a surpreender e a gerar frutos da melhor qualidade. Que venham os próximos.


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Pense - Espelho da Alma [2011]

Link oficial Bandcamp


Por Gravando Bandas

Pense é uma banda de rock/hardcore de Belo Horizonte/MG nascida em 2007 e formada por nomes bem conhecidos e experientes da cena mineira: Lucas Guerra (vocal), Cristiano Souza (guitarra), Judá Ramos (baixo), Ítalo Nonato (guitarra) e Danilo Vilarino (bateria). Em outubro de 2011 lançaram seu primeiro disco, intitulado Espelho da Alma. O álbum recebeu diversas criticas positivas da mídia especializada, por ser o primeiro trabalho de estúdio da banda e já apresentar grande maturidade sonora e na composição das letras. Através deste trabalho, a banda recebeu convites para tocar em várias cidades brasileiras, tendo já percorrido os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Distrito Federal.

De lá pra cá, as incursões na imprensa aumentaram e o grupo tem experimentado ótima recepção da mídia e do público, que tem festejado a banda com resenhas positivas dos shows e bastante intensidade na frente dos palcos.

Já em 2014, a banda lançou seu segundo álbum de estúdio, intitulado Além Daquilo Que Te Cega, detalhe que este disco foi totalmente pago via financiamento coletivo, arrecadando mais de 11 mil reais e tendo 250 apoiadores de todo o Brasil e exterior. O álbum conta com 10 faixas gravadas entre abril e maio de 2014 no Pacific Áudio Studio, em Belo Horizonte. O registro foi gravado, mixado e masterizado pelo próprio vocalista da banda Lucas Guerra.

Agregando velocidade, peso e melodia, com letras que tenham relevância, o resultando é uma proposta no mínimo interessante. O que dá pra garantir é que é difícil ficar parado nos shows.


1. Dia Corrido
2. Amigos Valem Mais do Que Asfalto
3. Máquina do Tempo
4. O Homem do Centro da Cidade
5. O Mundo é dos Espertos
6. Vida Urbana
7. Espelho da Alma
8. Redenção
9. Coragem
10. O Rebelde Virtual
11. Não, Nós Não Somos Originais
12. Eu Prometo Que Vou Tentar


segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Eumir Deodato - Prelude [1973]


Lançado em 1973, pelo selo americano CTI Records, movido pelo sucesso de Also Sprach Zarathustra, tema de 2001: Uma Odisseia no Espaço, Prelude arrebatou milhões de ouvintes

Àqueles que desconhecem a dimensão da importância do carioca Eumir Deodato, alguns fatos: ele havia acabado de completar 18 anos quando um certo Antônio Carlos Jobim encomendou seus préstimos para orquestrar canções; precoce e solícito, também ajudou a formar outro grande arranjador, o pianista Cesar Camargo Mariano; antes de lançar Prelude a convite do manda-chuva da CTI, Creed Taylor (daí o nome do selo: as iniciais acrescidas do “incorported”), Deodato já havia escrito arranjos para dois de seus ídolos, o guitarrista Wes Montgomery e Frank “The Voice” Sinatra. 

Mas Eumir Deodato de Almeida, nome de batismo do menino prodígio, é muito mais do que isso. De “Catedrático” do samba-jazz, liderando o grupo de nome acadêmico, à “Embaixador do Funk”, epíteto atribuído a ele nos EUA, Deodato é dos talentos mais completos a surgir naquele inspirado Brasil do início dos anos 1960. Como compositor, arranjador, produtor e músico ele conquistou o mundo. Vendeu mais de 25 milhões de álbuns e tornou-se artista dos mais requisitados na indústria fonográfica mundial. Até mesmo a cantora Bjork, de seara musical completamente adversa, requisitou préstimos de arranjador de Deodato nos álbuns Post, Telegram e Homogenic.

O primeiro capítulo dessa consolidação global foi escrito com Prelude. Como o título sugere, o LP foi só a preliminar de uma carreira internacional impecável. Impulsionado pelo arranjo de Deodato para Also Sprach Zarathustra, Prelude vendeu milhões de cópias e chegou ao terceiro posto da parada Pop, da Billboard. O segredo? A apropriação ímpar e funky do tema de Richard Strauss a partir da versão de Karl Bohm e Orquestra Filarmônica de Berlim, que está presente na trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. 

Produzido por Creed Taylor e gravado entre os dias 12 e 14 de setembro de 1972, no lendário estúdio do produtor Rudy Van Gelder, engenheiro de som do LP, Prelude foi lançado no início de 1973. Se o produtor e o engenheiro de som eram dos mais insuspeitos, o que dizer do time de músicos reunidos para as sessões de estúdio? Tome fôlego, caro leitor: Ron Carter e Stanley Clarke (contrabaixo); Ray Barreto (congas); Billy Cobham (bateria); Hubert Laws. Phil Bodner, Romeo Penque e George Marge (flautas); Jay Berliner e John Tropea (guitarras); Airto Moreira; Charles McCracken, Seymour Barab e Harvey Shapiro (cellos); Peter Gordon e Jim Buffington (french horn); Garnett Brown, George Starkey, Paul Faulise e Wayne Andre (trombones); John Frosk, Mark Markowitz, Marvin Stamm e Joe Shepley (trompetes); Emanuel Vardi e Al Brown (violas); Elliot Rossoff, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookosfsy, Paul Gershman, Max Ellen e David Nadien (violinos).

Quanto a Deodato, coube a ele pilotar dois instrumentos, com a usual maestria: piano acústico e piano elétrico, no caso, o lendário Fender Rhodes. Os arranjos também são todos dele. E impressionam pela destreza em transformar tradições sem cometer heresias. Como a mesma reverência presente na releitura de Strauss, Deodato também subverteu compositor dos mais influentes para a Bossa Nova, Claude Debussy, em Prelude To Afternoon of a Faun. E fez o mesmo com o standard da canção americana Baubles, Bangles and Beads, de George Forrest e Robert Wright, dupla que também deu ao o mundo o clássico Strangers in Paradise.

E o que dizer das composições do próprio Deodato? Carly & Carole, Spirit of Summer (tema que foi surrupiado na trilha do filme O Exorcista) e September 13 (escrita em parceria com o baterista Billy Cobham no segundo dia de registros, daí o nome) são irresistíveis, à primeira audição – a despeito dos outros temas, mais afeitos a arranjos eruditos, exigirem dedicação maior do ouvinte, na velha e saudável lógica do álbum que cresce a cada nova escuta.

Prelude foi seguido por outra obra-prima, Deodato 2, e abriu caminho para uma série de álbuns americanos, todos impregnados da sofisticada arte de criação e reinterpretação de Eumir Deodato. Àqueles que desconhecem sua discografia – sobretudo os álbuns feitos anteriormente por ele, no Brasil –, bom conselho é: corra já atrás deles!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Wander Wildner y Sus Comancheros - Mocochinchi Folksom [2014]

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Por Marcelo Costa em Scream & Yell

O bardo punk folk está de volta e seu sétimo disco solo reúne oito canções inéditas compostas no verão porto-alegrense e gravadas por um time de luxo. Iluminada, divertida e matinal, “O Breakfast do tio Dylan” abre o lado A do vinil exibindo um Wander Wildner em paz com o mundo, catando laranjas caídas no chão enquanto ouve vinis e observa o sol no cabelo da garota sob um arranjo que traz Jimi Joe na guitarra, Pedro Borghetti no cajón e Arthur de Faria se dividindo entre acordeon, tiple requinto, derbaks e glockenspiel. “Com o Vento ao Seu Favor” é um punk rock acústico movido a pandeirola enquanto “Folksom” – que traz bandolim, gaita e acordeon – e “Enquanto a Terra Girar” são as típicas canções que só Wander mesmo poderia cantar: a primeira avisa que o bardo está caminhando e vivendo “como um Rolling Stone, como um Beatleson, como um Kings of Leon e como um Bat Masterson” enquanto a segunda cita Elvis Costello, Jimi Joe, o show de Joan Jett no Lollapalooza, Robert Shelton e Johnny Rotten. No lado B, “Mocochinchi” (bebida tradicional boliviana) relembra o mítico discurso de David Choquehuanca, ministro de Relações Exteriores da Bolívia – que dizia que 21 de dezembro seria uma data perfeita para deixar de beber Coca-Cola e passar a beber Mocochinchi, marcando, assim, “o fim do capitalismo e o começo da cultura da vida” – enquanto Hique Gomes (do Tangos e Tragédias) toca violino em “O Homem Que Caminha a Noite Toda”. Lançado em vinil, CD e disponível virtualmente, “Mocochinchi Folksom” flagra um compositor meio punk, meio folk, meio hippie, mas totalmente Wander Wildner.

domingo, 6 de novembro de 2016

Wander Wildner y Sus Comancheros- Paraquedas Do Coração [2004]

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O quarto álbum de estúdio do Wander Wildner é também seu primeiro disco que leva o nome da banda que o acompanha, os Comancheros, uma formação mutante, mas que aqui atendia pelos nomes de Tom Capone, João Vicenti, Mauro Manzoli e Glauco Fernandes & Quarteto de Cordas. Um disco essencialmente acústico,mas que carrega aquelas peculiaridades já conhecidas dos trabalhos anteriores, canções de amor e pé na estrada, espanhol forjado nos pampas e pequenos espaços para guitarras, para não esquecer que por trás deste violão de 12 cordas, que ilustra a capa, há um coração punk.

O disco abre com a já conhecida "Rodando el mundo", de "Buenos dias", aqui numa versão estendida com direito à citação de "Machu Pichu", do Hermes Aquino. "A última canção" segue no estilo de baladas de amor e abandono que alçaram Wander à condição de expoente do estilo punk-romântico-brega. "Candy", sucesso dos anos 80 de Iggy Pop, ganha uma boa versão, com violinos e sotaque carregado. "Eu acredito em milagres" nada mais é que "I Believe in miracles" do Ramones vertida para português, esta deveria figurar no tributo brasileiro ao Ramones, que nunca saiu, mas pode ser encontrado para download sob o nome de "Você se lembra do rock'n'roll que tocava no rádio?". "Ganas de vivir" encerra o disco, numa versão diferente da que também encerra o disco 'Baladas sangrentas"

"Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro" é o hit do disco e caiu nas graças da MTV Brasil, que também exibiu com frequência o clipe para nova versão de "hippie´Punk-Rajneesh", clássico do primeiro álbum gravado por Wander Wildner, "O futuro é vórtex", com Os Replicantes. Por sinal, Wander já tentara algumas vezes furar o bloqueio da MTV, mas seus clipes teimavam em não frequentar a programação, alguns sequer foram exibidos. Com este disco o gaúcho foi indicado à maior premiação da emissora, o VMB Brasil, e em seguida convidado para estrelar o cast de artistas selecionados para o programa e disco "Acústico MTV Bandas Gaúchas", lançado no ano seguinte.

"Paraquedas do coração" foi lançado pelo próprio selo de Wander Wildner, o Fora da Lei, ainda que em nenhum momento o disco informe o nome do selo. A produção ficou a cargo de Tom Capone, parceiro e incentivador da carreira solo do Wander desde o primeiro disco, "Baladas sangrentas", do qual também assinalara a produção. Este disco foi uma das últimas produções de Tom Capone, que falecera pouco depois de seu lançamento. O projeto gráfico é de Diego Medina, o "multi-homem" por trás do lendário Doiseu Mimdoisema, além de Vídeo Hits, Jesus Buceta e outros projetos musicais inomináveis. A tiragem pequena de 2 mil cópias fez com que "Paraquedas do coração" logo sumisse do catálogo, boa parte consumida nos shows do Wander Wildner.


01 - Rodando El Mundo
02 - A Última Canção
03 - Candy
04 - Eu Acredito Em Milagres
05 - Correndo Por Correr
06 - Pablo, Aonde Estás
07 - Eu Não Consigo Ser Alegre O Tempo Inteiro
08 - Hippie, Punk, Rajneesh
09 - Sonho De Verão
10 - Ganas De Vivir