segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Eumir Deodato - Prelude [1973]


Lançado em 1973, pelo selo americano CTI Records, movido pelo sucesso de Also Sprach Zarathustra, tema de 2001: Uma Odisseia no Espaço, Prelude arrebatou milhões de ouvintes

Àqueles que desconhecem a dimensão da importância do carioca Eumir Deodato, alguns fatos: ele havia acabado de completar 18 anos quando um certo Antônio Carlos Jobim encomendou seus préstimos para orquestrar canções; precoce e solícito, também ajudou a formar outro grande arranjador, o pianista Cesar Camargo Mariano; antes de lançar Prelude a convite do manda-chuva da CTI, Creed Taylor (daí o nome do selo: as iniciais acrescidas do “incorported”), Deodato já havia escrito arranjos para dois de seus ídolos, o guitarrista Wes Montgomery e Frank “The Voice” Sinatra. 

Mas Eumir Deodato de Almeida, nome de batismo do menino prodígio, é muito mais do que isso. De “Catedrático” do samba-jazz, liderando o grupo de nome acadêmico, à “Embaixador do Funk”, epíteto atribuído a ele nos EUA, Deodato é dos talentos mais completos a surgir naquele inspirado Brasil do início dos anos 1960. Como compositor, arranjador, produtor e músico ele conquistou o mundo. Vendeu mais de 25 milhões de álbuns e tornou-se artista dos mais requisitados na indústria fonográfica mundial. Até mesmo a cantora Bjork, de seara musical completamente adversa, requisitou préstimos de arranjador de Deodato nos álbuns Post, Telegram e Homogenic.

O primeiro capítulo dessa consolidação global foi escrito com Prelude. Como o título sugere, o LP foi só a preliminar de uma carreira internacional impecável. Impulsionado pelo arranjo de Deodato para Also Sprach Zarathustra, Prelude vendeu milhões de cópias e chegou ao terceiro posto da parada Pop, da Billboard. O segredo? A apropriação ímpar e funky do tema de Richard Strauss a partir da versão de Karl Bohm e Orquestra Filarmônica de Berlim, que está presente na trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick. 

Produzido por Creed Taylor e gravado entre os dias 12 e 14 de setembro de 1972, no lendário estúdio do produtor Rudy Van Gelder, engenheiro de som do LP, Prelude foi lançado no início de 1973. Se o produtor e o engenheiro de som eram dos mais insuspeitos, o que dizer do time de músicos reunidos para as sessões de estúdio? Tome fôlego, caro leitor: Ron Carter e Stanley Clarke (contrabaixo); Ray Barreto (congas); Billy Cobham (bateria); Hubert Laws. Phil Bodner, Romeo Penque e George Marge (flautas); Jay Berliner e John Tropea (guitarras); Airto Moreira; Charles McCracken, Seymour Barab e Harvey Shapiro (cellos); Peter Gordon e Jim Buffington (french horn); Garnett Brown, George Starkey, Paul Faulise e Wayne Andre (trombones); John Frosk, Mark Markowitz, Marvin Stamm e Joe Shepley (trompetes); Emanuel Vardi e Al Brown (violas); Elliot Rossoff, Emanuel Green, Gene Orloff, Harry Lookosfsy, Paul Gershman, Max Ellen e David Nadien (violinos).

Quanto a Deodato, coube a ele pilotar dois instrumentos, com a usual maestria: piano acústico e piano elétrico, no caso, o lendário Fender Rhodes. Os arranjos também são todos dele. E impressionam pela destreza em transformar tradições sem cometer heresias. Como a mesma reverência presente na releitura de Strauss, Deodato também subverteu compositor dos mais influentes para a Bossa Nova, Claude Debussy, em Prelude To Afternoon of a Faun. E fez o mesmo com o standard da canção americana Baubles, Bangles and Beads, de George Forrest e Robert Wright, dupla que também deu ao o mundo o clássico Strangers in Paradise.

E o que dizer das composições do próprio Deodato? Carly & Carole, Spirit of Summer (tema que foi surrupiado na trilha do filme O Exorcista) e September 13 (escrita em parceria com o baterista Billy Cobham no segundo dia de registros, daí o nome) são irresistíveis, à primeira audição – a despeito dos outros temas, mais afeitos a arranjos eruditos, exigirem dedicação maior do ouvinte, na velha e saudável lógica do álbum que cresce a cada nova escuta.

Prelude foi seguido por outra obra-prima, Deodato 2, e abriu caminho para uma série de álbuns americanos, todos impregnados da sofisticada arte de criação e reinterpretação de Eumir Deodato. Àqueles que desconhecem sua discografia – sobretudo os álbuns feitos anteriormente por ele, no Brasil –, bom conselho é: corra já atrás deles!

2 comentários:

  1. Este é um ótimo disco.
    O blog é muito legal.

    O caminho para o download não está correto.

    Muito obrigado pelas postagens.

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