sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Pepeu Gomes - Geração do Som [1978]

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Por Eduardo Rodrigues em Boca Fechada

Geração do Som, de Pepeu Gomes é considerado um dos primeiros discos de instrumentais do rock brasileiro. O ano é 1978 e Pepeu tinha acabado de sair dos Novos Baianos, onde já vinha experimentando e misturando ritmos que estão nesse seu primeiro álbum solo. O disco é prova do virtuosismo e liberdade do guitarrista, já que foi nele que suas ideias se soltaram, dando outra sonoridade à suas composições.

Uma grande aula de um dos maiores guitarristas brasileiro. Aulas do próprio instrumeto e da síntese explosiva da música brasileira, representada por ritmos como frevo, maracatu, baião, choro e samba com rock progressivo, jazz fusion e música pop. Esse disco se tornaria um grande marco da música brasileira, além de ajudar Pepeu a se tornar um grande ícone do BRock dos anos 80. No final da mesma década, Pepeu voltaria a fazer um disco instrumental denominado “Instrumental On the Road”, mas que já não possuia toda criatividade e sonoridade novíssima do “Geração do Som”. É pedrada e das grandes!


A1 - Saudação Nagô 2:21
A2 - Fissura 3:21
A3 - Linda Cross 3:41
A4 - Belo Horizonte 3:02
A5 - Odette 2:56
A6 - Toninho Cerezzo 2:59

B1 - Malacaxeta 4:32
B2 - Alto Da Silveira 2:57
B3 - Didilhando 3:10
B4 - Tambaú 3:26
B5 - Buchinha 2:40
B6 - Flamenguista

terça-feira, 25 de outubro de 2016

BB & Co. - Aleluia Aleluia [1997]

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Lançado de forma independente esse é o primeiro álbum solo de Bebeco Garcia que deu a toada blues que caracterizou seus trabalhos seguintes. Não se encontra quase nada na rede sobre esse álbum. Créditos? só especulações.


1. Bagdá 40°
2. Eu já sei
3. Aleluia Aleluia
4. Sempre indo embora
5. Ando tão só
6. Quando se fecha o bar
7. Dizer aquilo
8. Tudo por amor
9. Tarde demais
10. Fale de você
11. Coração satânico

sábado, 22 de outubro de 2016

Bebeco Garcia - Rio Grande Rio Blues [2005]

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Origens

Bebeco Garcia nasceu em Rio Grande no dia 11 de outubro de 1953. Em sua cidade natal tocou com a banda A Farinha do Bruxo, mas logo se mudou para Porto Alegre, onde fez parte da banda A Barra do Porto, juntamente com o músico Mutuca. Em 1982 gravou com Mutuca & Amigos nos estúdios da ISAEC, ao lado do baterista Edinho Galhardi e do baixista Flávio Chaminé. Em 1983 Bebeco participou da gravação de Risco no Céu, LP de Carlinhos Hartlieb, como co-autor e guitarrista da música Nós Que Ficamos Sós, feita para John Lennon que há pouco tempo havia sido assassinado.
A farinha do Bruxo

Bebeco, guitarrista, cantor e compositor tocou com sua banda riograndina A Farinha do Bruxo, ao lado das bandas porto alegrenses Bixo da Seda e Almondegas e da banda catarinense A Comunidade que foi a última a se apresentar no espetacular 1º Festival de Música Pop ao Ar Livre, mostra coletiva de rock, no Estádio Renato Silveira do Guarani, na cidade de Palhoça, Santa Catarina, nos dias 19 e 20 de outubro de 1974.

Garotos da Rua

Em julho de 1983 Bebeco, Edinho, o saxofonista King Jim e o baixista Mitch Marini fundaram a banda Garotos da Rua, inicialmente tocando como a banda da casa no bar Rocket 88, um reduto do rock and roll de propriedade de Mutuca. O primeiro demo do grupo Sabe o Que Acontece Comigo? Foi gravada seis meses depois, com a entrada do baixista Geraldo Freitas e do guitarrista Justino Vasconcelos. Em seguida os Garotos da Rua iniciaram uma série de shows em Porto Alegre e percorreram mais de 50 cidades do Rio Grande do Sul.

No início de 1986 participaram da célebre coletânea Rock Grande do Sul, da qual também fizeram parte os grupos Engenheiros do Hawaii, Defalla, TNT e Replicantes. Ainda naquele ano ficaram conhecidos nacionalmente com a música To de saco cheio, o sucesso desta música além de fazer com que a banda se transferisse para o Rio de Janeiro, incentivou a gravadora RCA a lançar três LPs dos Garotos da Rua entre 1986 e 1988, através do selo Plug, dedicado a revelações do rock brasileiro.

Empolgados os músicos lançam seu primeiro disco, Garotos da Rua, que inclui Você é Tudo que Eu Quero, Sabe o Que Acontece Comigo? Babilina e Gurizada Medonha. Em1987 gravam o disco Dr. em Rock ´n´ Roll, e a música Eu Já Sei alcança grande sucesso em todo o país, ao fazer parte da trilha sonora da novela Mandala, da Rede Globo.

Em 1990, o grupo participou da trilha sonora da novela Gente Fina da Rede Globo com a música Bagda 40º, tema do personagem Maurício Em 1992, lançam o sensacional disco ao vivo Blues Climax 900 (Overseas/BMG) gravado no Clube 900 Executivo em Lages, Santa Catarina, onde Bebeco morou por algum tempo anos depois.

A formação original da banda teve fim em 1989 após o lançamento do disco Não Basta Dizer Não, de 1988, mas até 1994 Bebeco manteve o nome Garotos da Rua realizando show acompanhado por músicos convidados.


A barra do porto

No Auditório Araújo Vianna, o Festival da Primavera, onde A Barra do Porto se apresentou, abrindo o espetáculo que trazia Carlinhos Hartlieb, Fafá de Belém, Dominguinhos e Gilberto Gil como estrela máxima.

Logo, a primeira separação, com Bebeco seguindo com seus companheiros de Rio Grande e o nome da banda encurtado para A Barra. Enquanto Mutuca experimentava a vida de casado, com a jornalista Malú Guimarães. Bebeco se casaria com a artista plástica Delfina Reis

A seguir, em 1979, de Rio Grande vem Bebeco com Luis Tadeu de Marco (baixo) e o porto alegrense Ricardo Pinote (bateria), integram a nova banda que a essa altura só usava o nome Mutuca. O espetáculo de retorno aos palcos foi realizado no teatro do Instituto de Artes na Rua Senhor dos Passos.

Em novembro, o retorno da dupla cantor / guitarrista; Bebeco / Mutuca com os novos parceiros, o baixista André Gomes e o baterista Ricardo Pinote, com o espetáculo Óculos Escuros, que em 1980, já estava com Renato Machado (Canhoto) no baixo e Edinho Galhardi na bateria, o espetáculo cresceu, apresentando um cenário, de Beto Shuch e cartaz de Caiado Athanazio, passando a se chamar Óculos Escuros 2, estreando no Teatro de Câmara, na Rua da República. No espetáculo as músicas Blues Da Casa Torta, Declaração e Viagem A Saturno (todas de Nei Duclós-Mutuca), e também Os Meninos, Pecado e Óculos Escuros (todas de Bebeco e Ângelo Vigo).

Em 1981, com o grupo Mutuca & Amigos, formado por Mutuca, Bebeco, Flávio Chaminé no baixo e Edinho Galhardi na bateria, aconteceram às primeiras gravações no Estúdio ISAEC. Em 1982, a música Chove Em Porto Alegre, foi gravada e a Rede RBS fez um clipe para o quadro local do programa Fantástico, no domingo. Com direito a chamadas no sábado. Exposição com respeito. Tomadas na casa de Arthur Guarisse com chuva artificial. Música de Mutuca e Bebeco com letra de Dedé Ferlauto, dirigido por Alfredo Fedrizzi. A rádio Bandeirantes-fm começa a tocar Na Mesma Fogueira (composição de Mutuca com versos de Nei Duclós), com a apresentação de Mauro Borba.

Em 1983, no estabelecimento noturno para música de rock and roll, bar Rockett 88, no bairro Menino Deus, iniciativa de Mutuca, foi incubada a banda Garotos da Rua, que iria lançar nacionalmente Bebeco Garcia.

Carreira Solo

Em 1997 lançou Aleluia, Aleluia, disco que marcaria a transição do rock para o blues, e que abriu os horizontes para Bebeco que havia encerrado suas atividades com os Garotos três anos antes. A partir de 1999, ano de lançamento de Me Chamam Curto Circuito, Bebeco alternou períodos no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e em São Paulo. Neste período lançou álbuns individuais como Bebeco Garcia & O Bando dos Ciganos (2001), Confidencial (2003) e Rio Grande Rio Blues (2005), sempre acompanhado do Bando de Ciganos, formado pelos músicos Egisto Dal Santo e Edinho Galhardi. Todos estes discos confirmaram a reputação do músico como um dos melhores guitarristas gaúchos.

Em 19 de maio de 2010, após uma operação para retirada de um tumor no cérebro no mês anterior, não resistiu às complicações pós-operatórias e faleceu no hospital da PUC-RS vítima de uma infecção generalizada. Durante seu sepultamento Egisto Dal Santo, seu amigo e parceiro musical fizeram uma homenagem ao cantor.


Influências e Reconhecimento

Bebeco Garcia levou seu talento por mais de 50 cidades do RS e teve seu trabalho reconhecido por vários artistas dentro e fora da música, e influenciou muitos jovens a correrem atrás de seus sonhos e nunca desistirem de mostra seu talento para o mundo, ele não nos deixou apenas uma lição de vida, mas sim um verdadeiro exemplo de um homem que decidiu ser músico e foi para o mundo correr atrás do seu reconhecimento.

Deveríamos agir mais como Bebeco Garcia e não nos deixar abalar pelas dificuldades que iremos encontrar no caminho, ele foi um grande exemplo para a nossa sociedade tão acostumada a optar pelo mais fácil, acredito que se Bebeco pudesse nos passar alguma mensagem hoje seria para que nunca desistamos de nossos sonhos, mas que possamos batalhar para que eles se tornem realidade.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Toninho Horta - Diamond Land [1988]

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Por Daniel Braz em Espelho Translúcido

"Diamond Land" foi o disco que, finalmente, fez com que Toninho Horta conquistasse o mercado dos EUA.

Para quem não sabe, Toninho Horta é um dos ícones mineiros da música brasileira. Ainda nos anos 70, o guitarrista já era uma referência nacional, principalmente após ter gravado com Elis Regina e ter integrado o Clube da Esquina, juntamente com os conterrâneos Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Beto Guedes, Flávio Venturini, Wagner Tiso, Fernando Brant, entre outros. Também não demorou muito para que o seu trabalho começasse a ser apreciado por músicos estrangeiros, e, já que toquei no assunto, não há como não citar o famoso guitarrista de jazz, Pat Metheny, como um verdadeiro apóstolo de Toninho Horta.

Convenhamos que é um pecado que um músico extraordinário como Toninho, tendo reconhecimento internacional e integrando inúmeras listas como um dos guitarristas mais influentes do jazz mundial, receba tão pouco destaque em seu próprio país. Por isso, ouçam o disco que estou postando hoje, é um carinho para os ouvidos. Ao contrário dos seus lançamentos nacionais anteriores, "Diamond Land" é um álbum totalmente instrumental, com exceção, apenas, da última faixa, "Broken Kiss" (a clássica "Beijo Partido", já eternizada por Milton Nascimento em seu álbum de 1975, "Minas", e composta por Toninho Horta). Falando nisso, outras faixas com o nome disfarçado são "Sunflower", que é, nada mais, nada menos, que "Um Girassol da Cor de Seu Cabelo", de Lô Borges e Márcio Borges, e a própria faixa-título, que corresponde a "Diamantina", do violonista mineiro Juarez Moreira.

Não vou dar destaque a nenhuma faixa em especial pois, sinceramente, o álbum inteiro é maravilhoso.


Ficha técnica AQUI.

domingo, 16 de outubro de 2016

Nicola Stilo & Toninho Horta - Duets [2005]

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Flauta e guitarra formam, aparentemente, uma dupla estranha. Até pode ser. Com o italiano Nicola Stilo e o brasileiro Toninho Horta as dúvidas e estranhezas desaparecem. As texturas vindas das Minas Gerais e das terras do outro lado do oceano são uma fusão de jazz com música popular brasileira. E da melhor qualidade. Stilo foi um dos pilares do quarteto de Chet Baker nos anos oitenta. Horta, criador de “Manuel, o audaz”, é assíduo do Clube da Esquina. Raízes mineiras profundas. E é desta mescla que Duets invade com delicadeza cada espaço onde sua sonoridade entra. Aqui e ali um sombrio vocal de Toninho, um quê de John Coltrane, e as harmonias hospedam criatividade e alma. Por vezes, é o violão que leva Horta a solos impressionantes e acompanhado por Nicola. Em outras, a flauta conduz a melodia e o brasileiro vai junto com leveza, suavidade. Um disco alimentador de bons momentos de dois virtuoses.


Ficha técnica AQUI.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

The Baggios - Brutown [2016]



Por Bruno Eduardo em Rock on Board

Há discos que precisamos escrever sobre. Há outros que sentimos a necessidade de gritar ao mundo sua existência - que toca o coração, alerta os ouvidos e arrepia a alma. Brutown é desses de compartilhamento obrigatório. Disco que dá vontade de mostrar aos amigos, dar de presente à namorada e ouvir bem alto com a janela aberta para acordar os vizinhos.

Considerando a discografia do The Baggios, podemos dizer que 'Brutown' é um salto ornamental na carreira dos caras. Esqueçam aqueles dois rapazes fazendo rock and roll hendrixiniano, crú e impiedoso. Aqui nasce outra banda. A expansão musical é violenta e igualmente divina. E sua encarnação aconteceu no cultuado estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, pelas mãos de Felipe Rodarte. 

Tal crescimento sonoro é evidente e pode ser conferido logo na faixa de abertura, "Estigma" - rock estiloso e cheio de metais, que lembra Jack White e conta com a bela participação de Emmily Barreto da Far From Alaska. A ótima "Brutown", faixa que leva o nome do disco, segue o mesmo caminho de rock refinado, só que imersa no rock setentista e de teclados à la Deep Purple. Já "Desapracatado" ganha a roupagem retrô dos Autoramas, numa participação da dupla Gabriel Thomaz e Érika Martins. Essa é apenas mais uma das várias participações especiais do disco. Outra que também merece destaque é "Saruê", que traz a voz inconfundível de Jorge Du Peixe da Nação Zumbi. 

Mas o que realmente define a riqueza artística de 'Brutown' é o seu Know-how para manter uma inabalável brasilidade mesmo quando as referências são das mais variadas. Ouça "Sangue e Lama", de levada blues e letra que retrata o nosso atual cenário ganancioso e intolerante. "Bebem da lama que já foi rio", canta Júlio, com sotaque à combinar com o tema. "Padece Ser" representa a luta do povo humilde num rock de primeiríssimo nível. Mas a melhor de todas é "Alex San Drino", que resume toda a categoria do novo The Baggios em cima dos palcos - agora com um tecladista.

Candidato a disco de rock do ano, 'Brutown' é sangue, suor e lágrimas. Tem o talento musical do - agora - trio Julio / Gabriel / Rafael exposto de uma forma lapidada, com uma produção de estúdio habilidosa. Além disso, o feeling permanece gritante em todas as faixas. Como dito anteriormente, é trabalho que merece epidemia, principalmente por retratar tão bem o rock brasileiro - esse mesmo que alguns medalhões teimam em dizer que morreu nos anos oitenta. Destaque também para a lindíssima capa do disco, assinada por Neilton Carvalho. Essencial em qualquer esfera!

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Diabo Verde - Veni, Vidi, Vici! [2016]

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Por Bruno Eduardo em Rock on Board

Reza a cartilha que as bandas punk / hardcore precisam acima de tudo ter o que dizer. Precisam ser honestas e igualmente amadoras - não no sentido pejorativo, mas naquele de amar o que faz. É aquilo de ter tesão em tocar por todos os cantos (dos grandes palcos aos pequenos becos esfumaçados). Para comprovar a autenticidade da proposta, o Diabo Verde veio para deixar sua mensagem de forma categórica no afiado Veni, Vidi, Vici!. 

Nos tempos atuais, são pouquíssimas bandas que possuem um discurso tão bem definido e honesto quanto esse quarteto carioca. A luta por igualdade, livre-arbítrio e justiça fazem parte de um roteiro de causas defendidas pelo Diabo Verde. Se você é um cidadão de bem, que acredita que o seu direito começa quando o do outro termina (e vice versa), posso garantir que de alguma forma ou de outra você será fisgado por este disco. "A nossa liberdade não está à venda", diz a banda em uma narrativa inicial. Toda essa transpiração de sentimentos e vontade de transformar a sociedade em um lugar melhor pode ser resumida na incrível arte de capa do álbum, assinada por ninguém menos que Marcelo Vasco (que também foi responsável pela polêmica capa de "Repentless", último disco do Slayer). De acordo com a banda, o artista produziu a capa após estudar minuciosamente todos os temas relatados nas canções, e teve total liberdade de interpretação. 

Sonoramente falando, Veni, Vidi, Vici! remete aos melhores momentos da cena punk / hardcore vivida nos anos noventa, principalmente no cenário americano. As guitarras fraseadas, o ritmo enérgico e o conjunto riffs / estrofes / refrões colantes sintetizam a proposta musical do quarteto. "Escravo da Liberdade", por exemplo, traz elementos característicos de um Offspring (fase 94/97), como a bem tramada jogada de vocais e bateria nervosa. Outra que segue essa linha é a badreligiana "O Mal Não Pode Triunfar", que tem também uma das melhores letras do disco. Já a trilha sonora para o pogo comer solto nos show estão em pancadas como "Senhor do Destino" - que conta com a participação de Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish - e a derradeira do álbum "Ninguém Vai nos Derrotar". Atenção especial também para o riff levanta-defunto de "Golpe Baixo" e sua crítica ao oportunismo do sistema.

Mas o que impressiona de verdade ao ouvir este novo disco da Diabo Verde é a capacidade da banda em unir peso e melodia num mesmo plano. Talvez por esse motivo, a referência no punk californiano noventista seja tão acentuada. Por mais pesadas que as músicas possam ser, quase todas elas possuem uma força melódica surpreendente, com grande destaque para os refrões - que grudam na cabeça logo na primeira audição. Tente resistir ao dueto de Paulinho Coruja e Badauí (CPM22) na ótima "A Missão". O verso é forte e igualmente atrativo: "Siga aquilo o que você acredita / Faça o bem sem olhar a quem". Tal fórmula sedutora é sentida de forma muita mais evidente em "O Prisioneiro", que não à toa, saiu como primeiro single do disco. Nessa, Paulinho diz que somos responsáveis por nossas atitudes e podemos mudar quando quisermos: "Não vou ser prisioneiro de todos os meus erros / Pra frente eu devo caminhar / E se eu falhar de novo / refaço a estratégia até a hora de acertar". 

Como foi falado anteriormente, o Diabo Verde acertou em cheio no contexto da obra, principalmente pela mensagem indiscutivelmente relevante e por sua interpretação artística. Mas vale ressaltar que Veni, Vidi, Vici! é acima de tudo um disco tipicamente hardcore, que além de ser muito bem executado, é curto, direto e dá o seu recado em pouco mais de meia hora.


01. Intro
02. Escravo Da Liberdade
03. Senhor Do Destino
04. Recompensa
05. O Mal Não Pode Triunfar
06. Nada É Impossível De Mudar
07. O Prisioneiro
08. Velhos Hábitos Nocivos
09. Golpe Baixo
10. A Missão
11. Ninguém Vai Nos Derrotar

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Nas Paredes da Pedra Encantada [2011]


Documentário de Cristiano Bastos e Leonardo Bomfim, Nas Paredes da Pedra Encantada remonta a mítica criação do álbum mais raro e psicodélico já produzido no Brasil: Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, de Zé Ramalho e Lula Côrtes. O álbum foi lançado com uma tiragem única de 1300 exemplares e cerca de mil cópias se perderam com a enchente que assolou Recife no mesmo ano de estreia do disco, 1975. Hoje, o vinil original (ele foi relançado no formato pelo selo inglês Mr. Bongo, em 2008) chega a custar R$ 4 mil.


No documentário, Bastos e Bomfim arrumaram uma Kombi para levar Côrtes de volta a Ingá, recanto do agreste paraibano envolto no misticismo de uma pedra talhada com signos pré-milenares. Entre as lembranças de Lula e as histórias de figuras diversas da cena udigrudi nordestina (como Lailson, Alceu Valença e Kátia Mezel), o filme investiga, não só a riqueza musical de Paêbirú, mas também o imaginário particular do interior da Paraíba e o momento psicodélico dos anos 70 na ponte entre Recife e João Pessoa.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Labirinto - Gehenna [2016]


Por Gabriel Rolim em MonkeyBuzz

Muita vezes e de forma errônea, a música instrumental pode ser considerada “simples” ou de “fácil expressão” - dado que a canção não precisa de uma letra como fio condutor e suas portas se abrem para um universo gigantesco em que, basicamente, tudo é possível. Justamente por isso, pela folha em branco, que caminhamos para uma opinião contrária: é muito difícil criar uma música instrumental em que forma e conteúdo se tornem um só elemento, ou seja, criar a arte que te prenda justamente pela narrativa de instrumentos orquestadores meticulosamente.

Dentro de um espectro amplo dentro da música brasileira, temos diversos exemplos de bandas bem sucedidas em tais narrativas e Labirinto é uma delas - a ponto de realizar turnês cada vez mais frequentes ao exterior e intercambiar ideias (como o split lançado pelo grupo em 2014 junto com o canadense This Quiet Army). Vislumbrar a capa de Gehenna traz muito sobre o conteúdo que iremos encontrar, uma trilha-sonora pós-apocalíptica que consegue capturar toda a essência da destruição e, ainda sim, trazer beleza em momentos essenciais.

Construído ao redor de alguns gêneros como o Post-Metal e o Post-Rock, o grupo soube realizar uma obra que prende o ouvinte do começo ao fim e se torna mais prazerosa a cada nova audição - a faixa título pode muito bem sintetizar todo o disco ao longo de seus doze minutos de duração. Construções progressivas vão trazendo camadas por camadas: linhas soltas de guitarra primeiro, quase em câmera lenta, antecedem a destruição, mas, não obstante, o anúncio do desastre vem através de um baixo cuidadosamente colocado. Após ele, temos a contemplação de uma das faixas mais interessantes de todo o disco. Ao vivo, se torna o tipo de experiência necessária uma vez na vida, ao menos.

Não faltam motivos para agradar fãs de Metal, como Mal Sacré e Enoch, faixas adequadas paraheadbangs e moshes, mas também satisfaz os fãs de Rock com Locrus ou Alamut. Ao mesmo tempo, não se pode negar que os momentos em que temos maior contemplação e respiros vem com o Post-Rock, pontuados milimetricamente dentro do disco para que o peso de faixas anteriores não não torne tudo muito excessivo. Os melhores momentos do disco residem nas transições bonitas de faixas, como a ótima Avernus, que poderiam aparecer com mais frequência.

Dentro do espectro de gêneros que Labirinto se insere, podemos considerar os detalhes de produção, escolha de timbres e narrativa como muito bem feitos e mostram um trabalho impressionante. Mesmo que o Metal possa assustar uma galera por simplesmente ser um rótulo com diversas direcões, quem se arriscar dentro do desconhecido tenderá a se prender ao longo de mais uma hora de duração do álbum para saber o que acontecerá.

Se o único acompanhamento visual para a obra é sua capa nebulosa, não restam outras formas de se alcançar o imaginário do ouvinte se não pela música proposta aqui - extremamente visual e cinematográfica. Para quem foi recentemente no show realizado pelo Monkeybuzz de Deafheaven, será certamente um prato cheio e, ao mesmo tempo, constatar que tal qualidade é encontrada em territorio brasileiro torna Gehenna ainda mais recompensadora.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Lumina - Project [2008]

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Por Ricardo Seelig em Collector´s Room

O Lumina é um trio de free jazz / fusion formado por instrumentistas experientes e acima de qualquer suspeita. Fazem parte do grupo o guitarrista Johny Murata (que também atua como compositor, arranjador, engenheiro de som e produtor, além de ser um músico disputadíssimo no cenário da world music), o baixista Sizão Machado (que já tocou com ícones como Chet Baker, Chico Buarque, Elis Regina, Airto Moreira e inúmeros outros) e o baterista Fabio Fernandes (também na Banda do Sol, e com passagens pelos conjuntos de Rogério Duprat e Hermeto Paschoal). Como se vê, todos com currículos extensos e muita estrada nas costas.

A banda surgiu de uma jam session entre Murata e Fernandes, que, entusiasmados com o resultado, decidiram entrar em estúdio para registrar suas composições. Para isso convocaram Sizão Machado, e o resultado é esse "Project", primeiro álbum do Lumina.

Totalmente instrumental, o trabalho transita com autentidade e conhecimento de causa pelos caminhos sinuosos do fusion, em construções harmônicas complexas, melodias inusitadas e alto apuro técnico nas performances. Johny Murata exala sensibilidade em notas que flutuam sobre as bases intricadas criadas por Sizão Machado e Fabio Fernandes.

A melodia de "Crystal Tower" evoluiu sobre escalas de acordes que hipnotizam o ouvinte. "Sahara" abre com um solo de bateria de Fernandes que me trouxe à mente o solo fenomenal de Elvin Jones em "Pursuance", faixa do clássico "A Love Supreme", lançado por John Coltrane em fevereiro de 1965. Em "Sahara" cada um dos três instrumentos parece, em um primeiro momento, seguir caminhos independentes, que na verdade se revelam entrelaçados de maneira univitelina, alcançando um resultado final não menos que soberbo.

A densa "Thar" nos transporta para outro mundo, enquanto "Lonely" cativa instantaneamente, além de conter a melhor performence de Sizão em todo o disco. A abertura apocalíptica de "Karakum" evolui para um exercício de instrospecção, com os músicos entregando notas que parecem se abraçar e girar pelo ar. O álbum se encerra com a demonstração de técnica explícita de "Atacama" e com os climas contrastantes de "Genesis".

"Project" traz oito faixas exemplares, em um resultado final que paira muito acima daquilo que o mercado brasileiro está acostumado a receber. Uma pequena observação deve ser feita em relação à produção do disco, que, se está longe de deixar a desejar, poderia, sem dúvida, explorar melhor os timbres dos instrumentos de Murata, Machado e Fernandes. Merece menção também a bela arte da capa, desenvolvida por Robson Piccin, que transmite de forma certeira o conceito do grupo.

Se você curte jazz e, principalmente, fusion, esta estreia do Lumina irá lhe agradar em cheio.


1. Crystal Tower
2. Siberia
3. Sahara
4. Thar
5. Lonely
6. Karakum
7. Atacama
8. Genesis 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Jorge Ben - Samba Esquema Novo [1963]


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Para a maioria dos pesquisadores da música popular brasileira o período mais importante de nossa história concentra-se entre os anos de 1930 a 1945. É o que chamam de época de ouro. Sem dúvida que esse foi um dos momentos mais ricos que tivemos, pois naquele espaço de 15 anos vimos florescer nomes como Noel Rosa, Ary Barroso, Dorival Caymmi, Carmen Miranda, Orlando Silva, Sílvio Caldas, Ataulfo Alves, Custódio Mesquita e muitos outros grandes artistas que marcaram o cancioneiro popular do Brasil. Contudo, um fato importante deve ser citado com o mesmo destaque, qual seja a grande coincidência que viria também 15 anos depois em 1960, quando o Brasil já demonstrava a maturidade de uma nova geração de músicos que despontaram nos meados dos anos cinqüenta e que se juntariam a outros que fariam da década de sessenta mais uma fase de ouro, fazendo-nos concluir que não tivemos um hiato muito grande de carência musical, apenas uma fase de adaptação durante os dez primeiros anos do pós-guerra e depois uma avalanche de novos talentos, que renovariam a música popular brasileira, e a fariam universal, desta vez de forma definitiva. 

Após o advento da Bossa Nova o mercado e as condições históricas visualizavam um campo extremamente fértil para o surgimento de novos artistas e novas tendências musicais. Nesse contexto é que surge a figura de Jorge Ben, cantor e compositor carioca que iria trazer para o público brasileiro um novo som, um samba estilizado, diferente das concepções bossanovistas, com uma negritude e um balanço jamais vistos em nossa música popular, onde sua batida de violão, aliada a uma linha melódica totalmente renovada e moderna mais a ingenuidade de suas letras revelaram uma nova maneira de interpretar o samba, que ele chamou de esquema novo, título de seu primeiro LP lançado em 1963. 

O destaque maior do disco estava nas canções "Mas que nada", e "Por causa de você, menina" anteriormente gravadas em um disco 78 rotações com Jorge Ben acompanhado do conjunto Copa 5 formado por, Meireles no sax, Pedro Paulo no trompete, Toninho no piano, Do Um Romão na Bateria e Manuel Gusmão no baixo, gravações estas que foram reaproveitadas no LP. 

O sucesso foi imediato apesar de alguns críticos acharem as letras infantis, as harmonias pobres e o violão tocado errado e o que é mais curioso, eles pensavam que Jorge Ben seria um fenômeno passageiro, contrariando, pois os "entendidos" no assunto, o disco alcançou em apenas dois meses a cifra recorde para a época de 100 mil cópias vendidas transformando Jorge Ben da noite para o dia no maior fenômeno da música popular brasileira e não em mais um modismo efêmero, fato este que veio a se confirmar com seus discos posteriores, todos eles com músicas de excelente qualidade e grande apelo popular. 

É importante citar algumas partes do comentário de Armando Pittigliani na contra-capa do disco: "O samba de Jorge Ben, da batida de seu violão à linha melódica e letra de suas composições revela um novo caminho nos horizontes de nossa música popular. É o esquema novo do samba. Reparem que a harmonia negróide transborda em todos os momentos de sua música (...) Seu inato talento musical proporcionou-lhe descobrir uma nova puxada para o nosso samba, fazendo do violão um instrumento, sobretudo, de ritmo. Na sua batida tanto se destaca o baixo como o desenho rítmico de sua pontuação na maneira toda sua de tocar. Um exemplo disso é o fato de várias faixas deste disco não contarem com o contra-baixo na orquestração. Somente o violão de Jorge já da a necessária marcação dispensando, portanto, aquele instrumento de ritmo. O balanço do acompanhamento repousa quase sempre no seu violão". 

Outra música incluída no disco e que se tornaria em grande sucesso foi "Chove chuva", um dos clássicos de seu repertório. Em "Por causa de voce, menina", ele inova na letra fazendo menção a Obá (deusa nagô do amor) e aos santos Sacundin e Sacundém e ainda aos guerreiros Dombim e Dombém, além de pronunciar a palavra você como "voxê", dando um toque especial e único à interpretação. Misture, portanto, essas expressões em nagô, inclua umas inflexões rítmicas influenciadas pelo som "mbira" rodesiano mais o balanço rítmico de seu violão que temos então a receita perfeita de realmente um novo som, popular, brasileiro e universal. 

Mas a negritude estilizada do som de Jorge Ben e a influencia dos elementos afro em suas canções vem por ele mesmo traduzida ao afirmar em "Mas que nada", que "este samba que é misto de maracatu, é samba de preto velho, samba de preto tu". O LP Samba Esquema Novo contava também com as músicas, "Tim dom dom", de João Mello, única música não assinada por Jorge Ben, "Balança pema", "Rosa, menina, rosa", "Quero esquecer voce", "Ualá ualalá", "Vem morena", "É só sambar", "A tamba" e "Menina bonita não chora". 

Quando hoje em dia fala-se em renovação na música popular brasileira, mistura de ritmos e novas experiências sonoras, que invariavelmente caem na mediocridade ou na mera preocupação de consumo, verificamos ao ouvir este disco de Jorge Ben, o quanto ainda precisamos aprender a sermos talentosos e revolucionários sem a necessidade de simplesmente ganhar dinheiro a qualquer custo, pois o talento é um dom natural que nem todos possuem e que não se vende barato. Viva seu Jorge Ben ou Benjor, voce que já esta com todos os méritos na galeria dos grandes de nossa canção popular, continue com seu balanço, pois ele já é eterno. Sacundim, sacundem! 


Músicas: 
A1 - Mas que nada
A2 - Tim dom dom 
A3 - Balança pema 
A4 - Vem morena, vem 
A5 - Chove chuva 
A6 - É só sambar 

B1 - Rosa, menina rosa
B2 - Quero esquecer voce 
B3 - Ualá ualalá 
B4 - A tamba 
B5 - Menina bonita não chora 
B6 - Por causa de voce, menina 


Ficha Técnica AQUI

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Altas Doses - É Tudo Tão Blues [2015]


A banda maranhense Altas Doses é um projeto que já vinha sendo elaborado há um tempo pelos amigos Jacob Viana (guitarra) e Wytanyel (bateria), que já tocavam juntos em outra banda. Depois de um tempo resolveram finalmente tirar a banda do papel, então chamaram Gil (gaita) que já era amigo deles e Wesley Rain (vocal e baixo) para completar o projeto. Todos com o intuito de tocar o blues, pois sentiam essa falta na noite ludovicense.

Formada em agosto de 2014, a Altas Doses tem esse nome em referência à boemia, à vida desregrada na noite, que tem a ver com a vibe da banda. As canções da banda contam o dia a dia de quem vive na noite, de amores trágicos à bebidas. A Altas Doses tem como objetivo levar o blues feito no nordeste para todo o território nacional e quem sabe até internacional.


1 - É tudo tão blues
2 - Blue Sky
3 - Noite no bar
4 - Sem bilhetinho nem tchau/Sweet home Chicago
5 - BVB
6 -Undead man

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mais Valia [2015]

Link oficial 320kbps



Após dois anos de experimentações fazendo música instrumental autoral por festivais e casas do interior paulista, a Mais Valia finaliza seu primeiro álbum e se prepara para o início de sua turnê de lançamento.

O trio formado por Ricardo Cezario (guitarra), Alexandre Palácio (baixo) e Vitor Martins (bateria) produziu de forma independente, em parceria com Josiel Rusmont, seu primeiro álbum. As sete faixas são influenciadas por elementos do post-rock, agregando pitadas ácidas de stoner e space rock, transitando por diversos momentos climáticos e ambientações.

O álbum é retrato da paisagem sonora ligada à sociedade moderna, seus conflitos, abusos, aflições e necessidades. Mais Valia (será) foi lançado em CD, em edição especial Fita K7.


Banda:
Ricardo Cezario – Guitarra
Alexandre Palácio – Baixo
Vitor Martins – Bateria

Músicas:
01. Belzebu
02. Nova
03. Mumbai
04. Bio
05. Crimeia
06. Guarapuã
07. Metropolis


domingo, 7 de agosto de 2016

Camisa de Vênus - Dançando na Lua [2016]

Yandex 320kbps


Por Mauro Ferreira em G1

Camisa de Vênus volta corrosivo e revigorado no CD 'Dançando na lua'

"Se a dor é constante / Mas o trajeto é comprido / Não reclame da vida / Antes de tê-la vivido", adverte Marcelo Nova em versos do rock Sibilando como cascavel, uma das dez músicas de Dançando na lua, primeiro álbum de músicas inéditas do grupo baiano Camisa de Vênus em 20 anos.

O trajeto da banda é longo e, após sair em turnê nacional com show que percorreu o Brasil em 2015 para celebrar os 35 anos da formação do grupo (em 1980, na Salvador pré-axé), o Camisa de Vênus volta ao mercado fonográfico com repertório novo duas décadas após o álbum de estúdio Quem é você? (1996).

Lançado via Radar Records neste mês de julho, Dançando na lua é álbum que tem pegada e sonoridade roqueira que destacam as guitarras proeminentes de Drake Nova (guitarra solo) e Leandro Dalle (guitarra base). Filho de Marcelo Nova, Drake produziu o disco com o pai. Por isso mesmo, não espere ouvir em Dançando na lua o Camisa de Vênus da década de 1980. Até porque, além do vocalista Marcelo Nova, somente o baixista Robério Santana, integrou a formação original do grupo, fazendo parte do atual quinteto completado com o toque seco (e bem marcado) da bateria de Célio Glouster.

Contudo, o som de músicas como A urna da obsessão e Como no inferno de Dante (em cuja letra Marcelo se queixa do "cheiro insuportável dos domingos") é fiel aos cânones básicos do rock. Sem inventar moda, mas tampouco sem soar retrô, o Camisa de Vênus dança na lua conforme a música ditada pela cartilha do rock.

Marca forte do Camisa, o tom corrosivo das letras do grupo reverbera no disco em músicas como O estrondo do silêncio e, sobretudo, A raça mansa, grande petardo do repertório quase inteiramente autoral. A exceção é Só morto (Burning night), parceria de Jards Macalé com Duda Machado lançada por Macalé em compacto de 1969. O Camisa de Vênus dá peso e se ajusta ao tema tenso de Macalé, de cujo cancioneiro o grupo já gravara Gothan City (Jards Macalé e José Carlos Capinam, 1969) no álbum Batalhão de estranhos (1984).

Por mais que o título Dançando na lua sugira leveza, o álbum é pautado pelas sombras que enevoam o rock do Camisa de Vênus. A hard balada Manhã manchada de medo exemplifica o tom sombrio embutido em repertório que alfineta Deus e a raça humana. O fato é que o Camisa de Vênus volta revigorado, adulto, sem os ímpetos juvenis de sucessos da fase inicial como Simca Chambord (Marcelo Nova, Gustavo Mullen, Karl Hummel e Marcelo Cordeiro), hit radiofônico do álbum Correndo o risco (1986), lançado há 30 anos.

Entre idas, vindas e brigas (algumas resolvidas na Justiça), o trajeto do grupo é dos mais compridos e coerentes do rock nacional. Só que o Camisa de Vênus ainda corre riscos ao lançar autoral álbum de músicas inéditas que dá novo fôlego ao grupo na longa caminhada.


1. Dançando na Lua
2. A Raça Mansa
3. Chamada a Cobrar
4. Vento Insensato
5. Manhã Manchada de Medo
6. Sibilando Como Cascavel
7. A Urna da Obsessão
8. Só Morto/Burning Night
9. O Estrondo do Silêncio
10. Como no Inferno de Dante