quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Moptop [2006]

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Por Cleber Facchi
Publicado originalmente em 31 de março de 2011 no Miojo Indie

Muito além de ser uma mera versão, um “Strokes brasileiro”, os cariocas do Moptop tiveram um papel essencial para apresentar ao grande público a forma com que o rock, as guitarras e a poesia juvenil se movimentavam dentro do novo século. Lançado em 2006, a autointitulada estreia do quarteto do Rio de Janeiro mostrou todo o frescos, sons polidos e uma forma até então diferente de fazer música. Em meio a canções de amor e questionamentos sobre amadurecer, o grupo brinca, despeja suas doses de energia e nos convida pra dançar.

Seria claramente um erro caracterizar a banda como “inovadora”, afinal, boa parte do que figura dentro desse debut do Moptop provém em grande quantidade de Is This It (2001), disco de estreia dos norte-americanos do The Strokes. Entretanto, o simples fato de Gabriel Marques, Rodrigo Curi, Daniel Campos Mário Mamede exporem seus versos em português prova que há aí uma sincera adaptação, uma forma de enxergar o som dos anos 2000 com outros olhos.

Fundada em 2003, a banda tinha em seu embrião músicas cantadas em inglês e que bebiam perceptivelmente do rock britânico dos anos 90 (quando ainda se chamavam DeLux). Após o CD demo Moonrock lançado em 2005 e rápida aceitação do público pelas canções em língua pátria, o grupo mudou de nome (inspirado nos cortes de cabelo dos Beatles) e se assumiu de vez como uma genuína banda brasileira. Dali para a boa repercussão, em boa parte gerada pela internet seria um pulo, ou mais especificamente, uma música.
Três minutos e dezessete segundos, esse é o tempo necessário para os cariocas virarem sua cabeça com O Rock Acabou, faixa que concentra todas as referências que convergem para dar origem ao som do grupo. Guitarras aceleradas, uma letra muito bem construída e os vocais de Marques explodindo de forma emocionada e sincera. Você pode simplesmente se esquivar de todas as outras faixas do disco, mas escapar de ser atingido por esse brilhante registro é simplesmente impossível.

Seguindo uma linha bem similar, o grupo ainda nos presenteia com ótimas canções, como Bem Melhor, com sua poesia melancólica e ainda assim esperançosa, ou ainda a dicotômica Paris, um ótimo tratado sobre términos de relacionamentos e um dos melhores feito nos últimos tempos. Acima de tudo, o quarteto consegue soar pop, grudento e não descartável como boa parte dos artistas “emo” que passavam a se evidenciar durante o período, provando que o grupo ia muito além de uma cópia.

Colhendo os frutos do álbum e tocando de leve no Mainstream, os cariocas fariam parte do especial DVD MTV Ao Vivo: 5 bandas de rock (2007), além de figurarem na novelinha global Malhação. A boa repercussão da banda dentro da mídia convencional, além de uma série de shows garantiria ainda um segundo disco – Como se Comportar (2008) – com o grupo dando sequência ao mesmo tipo de som enérgico e dinâmico do álbum de estreia.

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