terça-feira, 18 de abril de 2017

Os Selvagens [1970]

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Por Hedson Souza em La Playa Music - Oldies

Ao vento do Movimento Jovem Guarda, muitas bandas surgiram de forma meteórica e não se firmaram no contexto musical da época. Uma desses grupos foi Os Selvagens, que surgiu no Rio de Janeiro no final dos anos 1960, no pós Jovem Guarda, sob a produção de Rossini Pinto. 

Provavelmente se tivesse surgido alguns anos antes poderia ter melhores oportunidades. Outro fato que foi manifestado em publicações do ramo foi quanto a falta de esforços da gravadora na divulgação do grupo.

Sua proposta inicial visava realizar uma fusão de estilos do Pop com o Soul, o que não ocorreu na prática, ficando no pop jovem guarda da época. Sua formação original era composta por Marcos (vocal), Antonio (guitarra), Ciro (órgão), Afonso (baixo), Tinho (sax e vocal) e Ivo (bateria). Também fizeram parte do grupo Hildon Souza e Michael Sullivan.

O álbum desta postagem é o segundo da banda, lançado em 1970, pela gravadora CBS, com o selo Epic. O disco contém as seguintes músicas:


A1 - Juro (Groovin') (Out On Life)
(Bobby Charles, versão Rossini Pinto)
A2 - Maria José
(Dom)
A3 - Você Já Não É Meu Grande Bem
(Alvaro Menezes)
A4 - Não Vou Negar (Heaven Knows)
(D. Walsh, H. Price, versão Rossini Pinto)
A5 - Você Não Liga Pra Mim (Green Tambourine)
(Paul Leka, Shelley Pinz, versãon Rossini Pinto)
A6 - Deixa Pra Lá (Swingin Tight)
(B. Barash, M.Barkan, versão Rossini Pinto)
B1 - Sabes Que Eu Te Amo (Baby I Couldn't See)
(Myers, Worsley, versão Rossini Pinto)
B2 - Sou Timido (Soy Timido)
(Manuel Najar, versão Rossini Pinto)
B3 - Meu Êrro
(Reinaldo Rayol, versão Rossini Pinto)
B4 - Não Devia Ver Você Passar (Who'll Stop The Rain)
(J. Fogerty, versão Rossini Pinto)
B5 - Coração De Pedra
(João José, Pedro Paulo)
B6 - Vem Ficar Comigo (Rainy Jane)
(Greenfield, Sedaka, versão Rossini Pinto)

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Os Jovens [1966]

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A1 - Se Você Me Abandonar 
(Rossini Pinto)
B1 - Eu Não Sei
(Francisco Fraga)

Os Jovens - Apresentando Os Jovens [1965]

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Por Hedson Souza em La Playa Music - Oldies

Há pouco material disponível para pesquisa, em livros ou internet sobre a dupla brasileira, Os Jovens, que fez relativo sucesso, principalmente entre os anos 1965 a 1969, por ocasião do movimento Jovem Guarda. 

Sabe-se que era a dupla era formada por Francisco Fraga e João José, tendo gravados vários compactos e apenas um álbum Long Playing, em 1967. Suas gravações tiveram o acompanhamento do grupo Renato e Seus Blue Caps. Passaram por três grandes gravadoras que foram a CBS, Polydor e RCA.


A1 - Quero Falar Com Você
A2 - Sofrendo Por Amor
B1 - Louca Paixão
B2 - Sinto-me Feliz

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Leo Gandelman - Origens [2011]

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Por João Luiz Sampaio

Voltar às origens, no caso de Leo Gandelman, é antes de mais nada lembrar daquelas manhãs de sábado e domingo nas quais, ainda menino, era acordado pela música que vinha da sala, onde a mãe tocava com amigos ou trabalhava com seus alunos; o pai, o maestro Heinrich Gandelman, também ajudava a fazer da música presença constante. E não por acaso Leo descreve os momentos musicais como os mais especiais de sua infância. Momentos dos quais não participava apenas como ouvinte. O piano ele estudoudesde pequeno, mas não só. Com a flauta doce, foi solista da Sinfônica Brasileira aos 15 anos – e, em um conjunto dedicado à música barroca, tocou até viola da gamba.

A carreira de concertista parecia o caminho natural – mas, talvez pela rebeldia da adolescência, ele acabaria em outras paragens. Leo foi fotógrafo, trabalhou com cinema. Até que a música o chamou de volta, agora com o saxofone. Foi para os EUA, estudou composição em Berklee. Voltou ao Brasil no final dos anos 70, dedicando-se ao jazz e à música instrumental – e o resto é história: ou melhor, um dos capítulos mais marcantes da história da música brasileira. Como arranjador, produtor e saxofonista trabalhou em mais de 800 gravações, além dos onze discos solo, gravados a partir do fim da década de 80, que levam a algo como 500 mil cópias vendidas durante a carreira.

O passado clássico parecia adormecido quando, em 1999, ele recebeu um convite do maestro Silvio Barbato, então à frente da Sinfônica do Teatro Nacional de Brasília: ser solista da “Fantasia para Saxofone e Orquestra”, de Villa-Lobos. Projetos dos anos seguintes – e o desejo do intérprete de continuar se aventurando por este repertório – são talvez o melhor testemunho do sucesso da empreitada. Leo passou a atuar como solista ao lado de grupos como a Sinfônica do Estado de São Paulo e a Petrobrás Sinfônica, com a qual inclusive gravou o “Concertino” de Radamés Gnatalli, regido por Isaac Karabtchevsky. Estabeleceu ainda parceria com as pianistas Estela Caldi e Maria Teresa Madeira, com quem formou um duo regular que lhe permitiu trabalhar sistematicamente o repertório clássico para saxofone e piano.

Levando tudo isso em consideração, é possível entender “Origens” de duas maneiras distintas, que dialogam entre si: o disco é ao mesmo tempo o retrato privilegiado do recente trabalho do artista e uma volta à sua origem na música. Leo selecionou para o álbum compositores fundamentais da música de concerto brasileira no século 20 – Villa-Lobos, Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga e Radamés Gnatalli –, além do francês Jacques Ibert. Além do momento histórico, há uma característica comum que os une de maneira particular: a liberdade com que trabalharam os mais diferentes materiais musicais na criação de suas obras, desde elementos do folclore e da música popular até os principais gêneros da tradição musical ocidental.

Transitando ele também, ao longo da carreira, entre o erudito e o popular, é tentador definir Leo Gandelman como o intérprete ideal dessas obras. O raciocínio, em si, não está equivocado – e a experiência musical do artista com certeza o prepara de maneira especial para esse repertório. Mas a excelência de sua interpretação tem outras e mais importantes justificativas. A construção sensível das linhas melódicas no Villa-Lobos; o virtuosismo que jamais abre mão da musicalidade no Ibert; a construção das atmosferas musicais da “Brasiliana” de Gnatalli; a musicalidade solta e envolvente em Nazareth e Chiquinha Gonzaga – todos esses elementos mostram conhecimento da partitura, da linguagem específica de cada autor e, acima de tudo, a capacidade de dialogar com elas de modo extremamente pessoal. Acima de qualquer rótulo, é isto, afinal, que se espera do grande artista – e que dá a ele a capacidade de reinventar o repertório a que se dedica.


1. Fantasia Para Saxofone Soprano
2. Concertino Para Sax Alto
3. Brasiliana 7 
4. Quatro Canções Da Floresta Do Amazonas
5. Brejeiro
6. Gaúcho (Corta-Jaca)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Leo Gandelman - Vip Vop [2012]

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Por Marcos Sampaio em O Povo

Tenório Jr, Dom Um Romão, Edison Machado. Até o Sérgio Mendes, bem antes de fazer uma parceria milionária com Will.I.Am. É longa a lista de músicos brasileiros que fizeram história nas décadas de 1950 e 60 com um som sincopado, dançante, cheio de suingue, que ficou conhecido como sambajazz. Tal qual escrito, trata-se de uma fusão da liberdade do jazz com o molejo do samba. Sofisticados e bons de improviso, boa parte desse time acabou encontrando admiradores nos Estados Unidos e na Europa. Diante de propostas tentadoras, poucos voltaram para o Brasil. Ainda hoje, discos hoje raros do Som 3, Zimbo Trio e Os Cobras valem ouro em sebos internacionais.

Para o saxofonista Leo Gandelman, a produção instrumental brasileira desse período é importante pela quantidade, pela qualidade e pela criatividade. Como apresentador do programa Instrumental MPB, na rádio MPB FM, ele pode confirmar isso sempre que pedia para um convidado trazer seus discos preferidos ao estúdio. A playlist só dava o balanço do sambajazz. A medida que aquele som ia se tornando mais familiar, ele foi começando a responder com seu próprio instrumento e assim nasceram as canções do seu mais recente disco, Vip Vop.

Com nove composições inéditas, em parceria com o pianista David Feldman, e uma releitura de Reza, de Edu Lobo e Ruy Guerra, Vip Vop mergulha numa época em que os instrumentistas reinavam acima dos cantores. “O sambajazz surgiu como uma forma muito palatável para os músicos. A composição brasileira ganhou um refresco muito grande e nesse momento ela se fixou como uma grande opção musical. Em meados de 1960, quando começou o cancionismo, os músicos brasileiros saíram viajando e ganhando muito”, lembra o saxofonista que passou cerca de três anos ouvindo a nata do gênero.

Ao lado de um quarteto formado por Alberto Continentino (baixo), Renato Massa (bateria), Serginho Trombone (trombone) e David Feldman, e alguns convidados, Leo Gandelman parece voltar décadas no tempo ao mostrar seu Vip Vop, apesar de não ter tido intensão de prestar tributo ou homenagem. “Não tive que vestir roupa de época. Não tenho a pretensão de fazer como era feito na época. Pra mim é uma coisa muito espontânea, é uma visão pessoal. Até por que, até hoje, (o sambajazz) é atual”, explica.

Se aventurar na música já faz parte da carreira de Leo Gandelman. Eclético bem antes desse termo se tornar banal, ele já acompanhou quase todo mundo na música brasileira, de Paralamas do Sucesso a Leny Andrade. Do pop ao erudito, ele adquiriu um traquejo para passear entre os estilos, sempre dando uma assinatura própria ao som. Por isso mesmo, ele renega imediatamente quem tem como única referência para o sax os chatos solos do Kenny G. “Costumo dizer: não faça do seu instrumento uma arma, a vítima pode ser você. Eu mesmo faço vários trabalhos diferentes com o sax. Existe um universo de coisas para o saxofone. Realmente, acho uma pena que as pessoas tenham uma visão tão limitada sobre o instrumento”.

De fato, voltando alguns discos para trás, Leo Gandelman lançou em 2011 o disco Origens, onde se debruça sobre temas eruditos ao lado da pianista Maria Tereza Madeira. No mesmo ano, participou do disco Memphis Blues, de Cindy Lauper. Antes ainda, em 2008, ele reuniu um time de cantores populares – de Lirinha a Luiz Melodia – num repertório bem Bossa Nova e MPB. Depois de três anos “cozinhando”, ele então voltou com este Vip Vop, que logo no título brinca com as siglas “very important people e very ordinary people. “Nessa era de celebridades a jato, hoje um vip vira vop, depois vop vira vip, e somem num vapt vupt”.


1 - Sinal Vermelho
2 - Nego Tá Sabendo
3 - Vip Vop
4 - Luz Azul
5 - Lançamento
6 - Numa Boa
7 - Neshama (Para o meu Pai)
8 - Camisa 7
9 - Reza
10 - Alma Cubana

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Cassiano - Cedo ou Tarde [1991]

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Por Mauro Ferreira em Notas Musicais

Um dos gênios da soul music nacional, Cassiano esboçou a partir da década de 70 uma carreira fonográfica que logo empacou, após três álbuns lançados entre 1971 e 1976. Cedo ou Tarde - o disco do artista ora reeditado na série Caçadores de Música, da Sony Music - foi tentativa vã de trazer Cassiano à tona com regravações de suas principais músicas em duetos com notórios admiradores de sua obra. Lançado já no formato de CD em 1991, para festejar os 20 anos da edição do primeiro LP do compositor de Primavera, Cedo ou Tarde aglutinou participações de peso na ficha técnica. A começar por Marisa Monte, convidada da boa faixa-título. Discípulo ardoroso do mestre, Ed Motta soltou a voz em Know-How. Já Luiz Melodia dividiu Salve Essa Flor com Cassiano, engrossando time que contou também com Djavan (em Coleção, um dos poucos hits populares do compositor), Claudio Zoli (em A Lua e Eu, o outro sucesso de Cassiano) e Sandra de Sá (numa esmaecida Primavera). Prefira os álbuns da década de 70...


1 - Eu Amo Você
2 - Primavera (com Sandra De Sá)
3 - Salve Essa Flor (com Luiz Melodia )
4 - Bye Bye (com Karla Sabah )
5 - Rio Best-Seller
6 - Cedo Ou Tarde (com Marisa Monte )
7 - Setembro
8 - Coleção (com Djavan )
9 - A Lua E Eu (com Claudio Zoli)
10 - Know-How (com Ed Motta )
11  - Intro III

sábado, 1 de abril de 2017

Camarones Orquestra Guitarrística - Feeexta [2017]



Por Paulo Floro em O Grito!

Com dez anos de carreira, a potiguar Camarones Orquestra Guitarrística ainda mantém a instiga de fazer um tipo de rock independente cujo suporte principal é colocar o pé na estrada. Uma das bandas mais ativas do país, o Camarones segue em turnê e lança o terceiro álbum, Feeexta. Mas eles chegam agora menos despretensiosos e com um desejo grande de experimentar dentro de seu som.

A celebração dá o tom nesse registro que é todo talhado para funcionar bem no palco. Ainda misturando rockabilly com surf music e ska, o trabalho é mais dançante que os anteriores, mas mantém a mesma base sonora do grupo, que é bastante orientada pelas guitarras pesadas. Este é também o primeiro registro com o novo guitarrista, Alexandre Capilé (do Water Rats/Sugar Kane). O álbum traz ainda participações especiais de Rick Mastria (Dead Fish), David Datcho (Los Tormentos) e Arnauld Merckling (Dot Legacy). Feeexta mostra uma clara evolução no som do Camarones, que agora estão mais diversificados nos arranjos e no ritmo. Em Rytmus Alucynantis tínhamos um som mais moncórdico, engessado até.

Agora temos uma miríade de humores que vão desde a animada “Discopunk”, com sua cara de trilha sonora de filme de ação até “Datcho Reverb” e “Earlyrichard”, em que o grupo explora outros movimentos, desacelerando e apostando em uma proposta mais cadenciada. É interessante o quanto a banda despertou para as possibilidades de experimentar em seu gênero. Agora já estabelecidos como nomes importantes do rock brasileiro, o grupo pode se arriscar por novos caminhos.


terça-feira, 28 de março de 2017

Célio Albuquerque - 1973 – O Ano Que Reinventou a MPB [2015]

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Por Adriano Mello Costa em Cinezen

Em 1973 o Brasil estava sobre o comando do General Emílio Garrastazu Médici. O golpe militar estava prestes a completar dez anos e o cenário, se por um lado apresentava o (ilusório, em vários aspectos) “milagre econômico”, do outro lado minava mais ainda as liberdades individuais e criativas naqueles anos conhecidos como de “chumbo”. A censura sobre produções culturais estava cada vez mais acentuada e eliminava (na maioria das vezes sem base alguma) frequentemente partes de canções, de discos, de peças, de filmes, de livros.

Apesar disso, o ano de 1973 foi fecundo na parte musical e mesmo com a censura no pé, discos memoráveis foram produzidos nesse ano. O jornalista Célio Albuquerque percebeu isso e idealizou e organizou um livro que disserta sobre esses registros. O resultado é o livro “1973 – O ano que reinventou a MPB”, lançado pela Editora Sonora efetivamente no início desse ano com 432 páginas, comemorando assim os 40 anos da concepção dos álbuns. Com direção editorial de Marcelo Fróes, 50 e poucos discos foram pinçados e resenhados por jornalistas, pesquisadores, músicos e outras pessoas do meio.

A ideia – muito boa na percepção – também se mostrou bem interessante na prática. Mesmo que você não compreenda a inserção de um álbum ou outro, ou não goste do teor do texto e das considerações de algum trabalho, no aspecto geral o livro agrada confortavelmente. Além de servir como um documento histórico desses trabalhos pelas histórias contadas e fichas técnicas completas fornecidas. Dispostos em ordem alfabética por nome do artista (exceção feita a primeira e a última redação), os escritos podem ser divididos em várias pequenas categorias.

Uma dessas categorias é a dos melhores textos. Nela se incluem as palavras de Vagner Fernandes sobre “Clara Nunes”, de Nilton Pavin e Sílvio Atanes sobre “Chico Canta (Calabar, o Elogio da Traição)”, de Antonio Carlos Miguel sobre “Quem é Quem” de João Donato, de Pedro Só sobre “Pérola Negra” do Luiz Melodia, de Sílvio Essinger sobre “Krig-Ha, Bandolo!” do Raul Seixas, além do texto final do Marcelo Fróes sobre discos que não foram lançados em 1973 por algum motivo (mas que seriam desse ano), como o “A e o Z” dos Mutantes e o “Banquete dos Mendigos”, clássico ao vivo com vários artistas.

Por serem textos mais extensos, dá para encaixar um pouco da vida do artista em questão, e quando isso ocorre sempre funciona, como no caso dos discos da Clementina de Jesus (que começou a cantar somente aos 63 anos) e do Elton Medeiros (que mesmo bastante conhecido só gravaria o primeiro álbum aos 43 anos). Uma outra categoria interessante é formada por aqueles discos meio esquecidos que o livro aproveita e joga luz, composta, por exemplo, pelos registros do quarteto formado por Beto Guedes, Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta, assim como pelo álbum homônimo do Guilherme Lamounier, o “Matança do Porco” do Som Imaginário e o “Matita Perê” do Tom Jobim.

Contudo, existem alguns pequenos problemas no livro. Em uma reduzida leva de textos, os autores (competentes e qualificados, isso não se discute) acrescentam demasiada carga de admiração e paixão pelo álbum escolhido, até mesmo se inserindo em determinados momentos, o que acaba por não funcionar tão bem, deixando o teor meio maçante. Isso acontece nos textos sobre os discos de João Gilberto, Marcos Valle e Maria Bethânia. Em outros o, autor simplesmente não conseguiu fazer o conteúdo fluir, como ocorre em “Araçá Azul” do Caetano Veloso. Acontece.

Para quem gosta de música, e principalmente de música brasileira, “1973 – O ano que reinventou a MPB” é puro deleite. Mesmo que alguns discos você pessoalmente entenda que não mereçam tanto entrar nessa lista por conta do título do livro (casos do disco de sambas de enredo, do João Bosco, do Fagner e do Gonzaguinha), isso não afeta a obra. Passear por palavras sobre clássicos exuberantes como alguns já citados e outros como “Milagre dos Peixes” do Milton Nascimento, “Índia” da Gal Costa, “Nervos de Aço” do Paulinho da Viola e “Todos os Olhos” de Tom Zé, satisfaz bem. É daqueles livros para acabar de ler, guardar na estante mais próxima para futuras consultas e ligar o som para escutar aquilo que foi lido.


*Agradecimento ao colaborador Diego Doi por ter disponibilizado o arquivo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Transcendental Cid - Não Existe Feriado no Mundo do Estresse [2016]

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Por Isadora Tonini em Guarany

A banda chapecoense Transcendental Cid lançou “Não Existe Feriado no Mundo do Estresse” conta com composições 100% autorais e une faixas produzidas durante a trajetória do grupo, incluindo ex-membros.

Muito sensível, reflexivo e lírico, o disco se baseia em canções instrumentais – com exceção de “Viagem Astral” (participação das bandas chapecoenses Epopeia e Repolho) – que conduzem o ouvinte a uma viagem sensorial nostálgica e futurista, tudo ao mesmo tempo.

“Não Existe Feriado no Mundo do Estresse” começou a ser produzido em Fevereiro de 2016, sendo gravado, mixado e masterizado no estúdio Garagem 50, de Chapecó.

O título surgiu durante um ensaio da banda, que conversava sobre a exaustão do trabalho repetitivo e sem sentido, que acelera a mente e a conduz a pensar sobre isso todo o tempo, mesmo fora do ambiente de serviço. Cada uma das nove faixas busca repassar, através da melodia, a ideia que oferece seu próprio título.


quarta-feira, 22 de março de 2017

Cosmo Drah [2015]

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Por Alexandre Campos Capitão em Whiplash

O primeiro e autointitulado disco do Cosmo Drah apresenta uma banda surpreendente, que traz os melhores elementos que remetem às grandes bandas como Uriah Heep, Sabbath, Captain Beyond. Canções inspiradas, com mudanças de andamento, dinâmica, e ambientadas num clima de jam session, tornam esse álbum uma grande estreia.

Formado por Ruben Yanelli (vocal), Anderson Ziemmer (guitarra e backing vocal), e a cozinha dos irmãos Elton Amorim (baixo) e Renato Amorim (bateria). O Cosmo Drah adotou o português como língua, e ao ouvi-los, além de pensarmos em grandes nomes internacionais, também nos lembramos de Mutantes, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas.

A bateria abre os trabalhos, e já na primeira faixa temos um resumo de tudo que essa banda tem a oferecer. Logo de cara, você encontra tudo ali, sem cartas escondidas na manga. Timbres inspirados, solo sem base, poucos overdubs de guitarra, mudança de andamento. A propósito, o título Labirinto é bastante apropriado. O Cosmo Drah entrou nesse labirinto chamado 60/70 e não encontrou e nem quer encontrar a saída, e lá fincaram sua bandeira.

Na sequência vem Hospício, que apresenta uma percussão bem colocada. E se repete uma característica positiva da banda, a mudança no andamento e da dinâmica durante o solo de guitarra. Ah, como são bons nisso.

O Poder é a faixa mais blues do álbum. A condução no aro da caixa segue até o final do primeiro refrão, quando entra toda a bateria e a canção cresce. “O que eu posso fazer, a não ser dizer: Deus me livre do poder”.

Subversão aos meus ouvidos é o ponto alto desse trabalho. Novamente a dinâmica se destaca. O baixista Elton também faz um órgão nessa canção, acrescentando muito à versão final. E o guitarrista Anderson mostra o quanto é valiosa sua mão direita.

Cosmo Drah me faz pensar, a canção deu nome à banda, ou à banda deu nome à canção? O que eu sei de fato é que o wah deu uma bela embalagem para o riff principal. Dessa vez o solo veio com efeitos interessantes, e sem guitarra base, remetendo ao que aconteceria ao vivo. É muito interessante ouvir várias camadas de guitarra, mas aqui não é de quantidade que estamos falando, mas sim de qualidade. Cosmo Drah, a música, tem ainda um trecho com dedilhado, coral, o que nos faz constatar que Cosmo Drah, a banda, tem muitos recursos que domina e que enriquecem sua música. E não hesita em usá-los.

Caos tem um dos melhores riffs do disco. O trabalho de baixo e bateria é muito consistente, e aqui faço uma nova pergunta, será que o fato de serem irmãos contribui pra força desse trabalho conjunto?

Nova Estação se inicia com um timbre de guitarra diferente dos demais. E o refrão com um clima bluesy “Porque é difícil de entender que eu tenho vida longe de você”. E o wah trabalhando muito novamente.

Salamandrah (opa, olha o Drah aí) começa com cara de balada, mas vai além, apresentando momentos de Stoner Rock e outros com um clima dramático. Renato Amorim desce a mão na batera, sem dó do couro.

A balada enfim aparece em Velhos Mestres. E Elton novamente mostra sua versatilidade, novamente no órgão, mas também com um solo de violão. E se você é daqueles que fogem de balada, pode destorcer o nariz, pois aqui é tudo está em nível elevadíssimo.

Mágica do Tempo apresenta alguns momentos de diálogo guitarra com bateria, na sua condução, em outro dos grandes ápices desse cd. “Na poeira do passado escrevemos o futuro”.

Os 55 minutos desse álbum se encerram com Roedor Renegado, faixa cantada pelo guitarrista da banda. Aquele momento que ao vivo o vocalista vai buscar uma cerveja. Se os Stones fazem isso, o Cosmo Drah também pode. E tenho dito. Aliás, timbre de voz de Ruben casa perfeitamente com o estilo da banda, e suas linhas vocais costuram com habilidade o trabalho dos seus companheiros.

O Cosmo Drah é uma bandaça, amigo. Todos seus integrantes se destacam em igualdade. Suas canções chamam a atenção pela riqueza nos arranjos, variações, e até pelo seu tamanho, geralmente com mais de 5 minutos, afinal, não há razão para serem curtas se os caras sabem como preencher sem entediar. O cd foi muito bem produzido, traz uma capa muito interessante, representando seu conteúdo, e traz as letras das canções. Além desse texto:

“O registro de quem somos e do que fomos aqui se encontra. Daquilo que desejamos, lutamos, criticamos e amamos, deixamos uma parte. Fazer algo que queríamos ouvir é mais difícil do que se pensa. Ao compor cada um de nós se torna admirador e ao mesmo tempo algoz. Custou-nos alguns anos, planos e sacrifícios”. Verdadeiro como os grandes artistas devem ser.

Encontrei no Wikipédia a seguinte definição para Cosmo “é um termo que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade”. É adequado dizer que o Cosmo Drah concentra em sua música a totalidade dos elementos que fizeram o rock mudar o universo. Uma sonoridade madura e consistente, que você precisa conhecer. Vida longa ao Cosmo Drah.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Necro - Adiante [2016]

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Por André Luiz em metalrevolution

Totalmente cantado em português, o álbum da banda Necro intitulado ‘Adiante’ marca a estreia da Abraxas Records no mercado fonográfico. O terceiro registro do trio de Maceió (Alagoas) revela uma banda madura que foge de clichês e lugares comuns do “rock pesado”, experimentando sem medo todas as nuances poéticas e musicais propostas pelas canções. “Em português pudemos nos expressar melhor e, livres da responsabilidade de uma pronuncia correta do inglês, as melodias e as vozes puderam também fluir com maior consistência”, conta Pedro Salvador, guitarrista e vocalista da Necro.

Gravado em novembro de 2015 no Estúdio Superfuzz com o produtor Gabriel Zander (que assina a engenharia de som, mixagem e masterização) e lançado em 19 de dezembro de 2016 pela Abraxas, ‘Adiante’ pode ser considerado o trabalho menos “sombrio” da Necro. O disco traz 7 músicas que trilham os caminhos da psicodelia, do rock progressivo brasileiro e do hard rock setentista.

‘Adiante’, que também é o nome da segunda faixa do álbum, fala da necessidade de seguir em frente apesar de quaisquer dificuldades ou contratempos. Não é um disco conceitual, todavia cada letra foi pensada como um universo fechado em si, mas através de reflexões e conjecturas sobre o EU, o Outro, dogmas, ideias e a morte; o conceito de “seguir em frente” se mostra uma espinha dorsal da lírica do disco.

A Abraxas já disponibilizou o disco nas plataformas digitais (https://onerpm.lnk.to/Adiante Necro) e a expectativa é que o lançamento físico seja feito no começo de 2017, quando a banda sairá em turnê.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Quarto Ácido - Volume II [2014]

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Por TNB

Em 2014, com produção de Felipe Dutra lançou seu segundo trabalho, "Volume II", recebido com excelente critica, proporcionando diversos shows no Rio Grande do Sul e sua estreia em terras Catarinenses, além da trilha sonora no programa Rota Explosiva da MTV Brasil com a faixa "Euphrates".


quinta-feira, 16 de março de 2017

Quarto Ácido - EP I [2013]

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Por TNB

Quarto Ácido é um trio instrumental que investe na união de timbres pesados e psicodelia, influenciado pelo rock dos 70s e o stoner das últimas duas décadas, com um pé no post-rock.

Formada em Panambi, no interior do Rio Grande do Sul, com a proposta de um som diferente e original, figurou em diversos festivais de música autoral como: Acid Rock Festival; Fest Malta; Pira Rural; Morrostock; entre outros.

Seu primeiro EP, lançado em 2013, contém 4 faixas produzidas por Jamil Moreira e Alécio Costa. Com ótima aceitação na cena local, o disco foi fundamental no processo de formação de público e seguidores do trio.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Macaco Bong [2016]


Produzida a partir de diferentes recortes, imagens sobrepostas e cores saturadas, o trabalho concebido como capa para o quarto álbum de estúdio da Macaco Bong diz muito sobre a direção seguida pelo trio mato-grossense. Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Macumba Afrocimética (2015), o registro de oito canções inéditas joga com as possibilidades, costurando diferentes ritmos, fórmulas e referências em um curto intervalo de tempo.

Movido pela urgência dos arranjos, conceito explícito na inaugural Lurdz, o registro homônimo faz de cada composição um ato isolado, sempre intenso. Salve exceções, como a extensa Chocobong, grande parte das músicas no interior do disco se revela em totalidade logo nos primeiros minutos. Um permanente diálogo entre a guitarra versátil de Bruno Kayapy e o baixo de Daniel Hortides com a bateria de Daniel Fumegaladrão.

Interessante notar que mesmo esse propositado sentido de urgência em nenhum momento interfere na construção de faixas mais complexas, detalhistas. Um bom exemplo disso está na segunda canção do disco, Beijim da Nega Flor. De essência melancólica, a composição que flerta com a obra de veteranos como Slint e Mogwai se espalha sem pressa, mergulhando na construção de bases melódicas e instantes de maior delicadeza, capazes de estimular a consturção de letras imaginárias na cabeça do ouvinte.

O mesmo cuidado acaba se refletindo na derradeira Macaco. Em um intervalo de quase seis minutos, Kayapy e os parceiros de banda visitam a mesma sonoridade incorporada pelo Pixies dentro de obras como Bossanova (1990) e Trompe le Monde (1991). Blocos imensos de ruídos que acabam silenciados em poucos instantes, como se o trio brincasse com o uso de pequenos contrastes, conceito que acaba se repetindo nos quase nove minutos de Chocobong.

Tão versátil quanto os iniciais Artista Igual Pedreiro (2008) e This is Rolê (2012), o novo álbum concentra no segundo bloco de composições o lado mais inventivo da banda. São elementos regionais que se cruzam em Baião de Stoner e Saci Caraquente, o flerte com o heavy metal em Carne Loca, guitarras levemente dançantes na rápida Distraídos Venceremos, música que parece ter saído de algum disco recente do Queens of The Stone Age.

A principal diferença em relação aos dois primeiros trabalhos da Macaco Bong está na forma como grande parte das canções acabam se conectando de forma torta no interior da obra. Lurdz emenda com naturalidade nos ruídos de Bejim da Nega Flor, Chocobong funciona como base para a construção de Baião de Stoner e Saci Caraquente, enquanto o estouro raivoso de Carne Loca serve de estímulo para as últimas músicas do disco.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Metalmorphose - Ação & Reação [2017]

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O novo álbum do METALMORPHOSE, ‘Ação & Reação’, acaba de ser lançado nas plataformas digitais. O trabalho está disponível tanto para streaming quanto para download, confira alguns links:


Além de ser nosso novo disco, ‘Ação & Reação’ marca também a despedida do vocalista Tavinho Godoy, que se mudou para a Europa (saiba mais: https://goo.gl/gKUCqE).

O disco foi gravado nos estúdios HR Estúdio e Naked Butt, sob a produção do talentoso Gustavo Andriewiski, que já havia feito os dois álbuns anteriores do grupo. A capa do disco ficou a cargo de Victor Santiago.

Um primeiro videoclipe foi retirado do álbum. A faixa escolhida é ‘A Cobra Fumou’ e conta com imagens reais, cedidas pelo Exército Brasileiro. As imagens da banda ficaram a cargo de Carlos Galvão (RJ) e Savi Giessevideo & Peter Lanz (Itália), com edição de Justo Lyra. Assista: