quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Grande Ogro [2013]

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Por Rafael A. em Feira Moderna Zine

Sabe aquelas bandas que você deseja que muito mais gente ouça simplesmente pelo fato de serem excelentes? Pois bem, é basicamente essa sensação que bateu neste que vos escreve ao dar de cara com a O Grande Ogro. Já havia ouvido alguns sons da banda, mas agora saiu o EP! Este novo lançamento, disponível para download gratuito, traz quatro sons instrumentais incríveis! “Metal Frio”, “Sou Mais Esperto que a Maioria dos Ursos”, “Obscecado Pela Vida Preferiu Alimentar-se Para não Morrer” e “Robert Garcia” são a garantia de uma viagem e tanto! Não é à toa que Jackson(guitarra), Cesar Carlos (bateria), Andre Astro (guitarra) e Genésio Alves (baixo) mencionam nomes como At The Drive-In, The Mars Volta e Fugazi como influências do trabalho. Altamente recomendado, ok?

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Plebe Rude - Plebe Rude III [1988]

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Por Bianca Salgado
publicado em 21 de novembro de 1988 na Revista Amiga

Ná oito anos, em Brasília, havia uma turma jovem, cujo principal elo era o punk rock. Os rapazes se reuniam para ouvir novos ritmos estrangeiros e depois saíam tocando pelas esquinas da capital. Daí, surgiram bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude. Agora mais maduro e articulado, chega o terceiro disco da Plebe. Jander Bilaphra, André X, Philippe Seabra e Gutje, integrantes do grupo, garantem grandes mudanças nesse novo trabalho. "Estamos menos contestadores. Atualmente, fazemos músicas que a gente gosta. Esse disco é um trabalho muito heterogêneo, com várias propostas. Não é 100% rock, como os dois primeiros. Neste, estamos usando vários sotaques", explica Jander.

Sem perder o senso crítico, que tanto agrada ao seu fiel público, além de ter se tornado a marca registrada da banda, eles pretendem quebrar o mito de que não são músicos de mercado. "A gente quer ser comercial, sem ter que mudar para isso. Nós não vamos fazer músicas para tocar em rádio, porque isso não faz nossas cabeças e decepcionaria as pessoas que acreditam na gente, mas não significa que não queremos ouvir nossas músicas tocando em todos os lugares", acrescenta Jander. A proposta desse novo LP é basicamente "levar música consciente para os jovens que serão o futuro do país. É tarde para mudar a cabeça dos políticos, temos que tentar mudar essa geração que ouve Plebe Rude", concordam todos.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Azimüth [1975]



Por zarcecosta no Woodstock Sound

História
O grupo nasceu junto com a cervejaria Canecão em três palcos diferentes Zé, Alex e Mamão atuavam com seus grupos,revezando as apresentações Mamão com os “Youngsters”, Alex com um trio de bossa-nova e Zé Roberto resolveu se juntar com os caras que ele admirava outros pinguins. Maestro arranjador Zé Roberto Bertrami não parava nunca,hora escrevendo, hora gravando,hora tocando.

Contratado pela Philips (posteriormente Phonogram) os três gravavam e arranjavam as bases dos sucessos da época, entre eles estavam Raul Seixas, Tim Maia , Erasmo Carlos, MPB-4, Marcos Valle, Erlon Chaves, Sérgio Sampaio , Gonzaguinha e muitos outros o que totalizava 4 entre seis músicas que tocavam na Rádio Mundial e Tamoio em 1974.

Em 1970 faziam apresentações ao vivo com o grupo “Seleção” onde pretendiam fazer bailes que acabavam com o público sentado, ouvindo e aplaudindo como se fosse um show. Anos depois resolveram gravar um disco independente influenciados por seu amigo Tim Maia que já estava em estúdio fazendo, porém quando o LP ficou pronto a produção foi vendida a gravadora novata Som Livre que tratou de colocar a faixa “Linha do horizonte” na novela “Cuca Legal” o único sucesso cantado pelo grupo. O grupo passou a se chamar Azymuth por sugestão de Paulo Sergio Valle durante as gravações da trilha sonora do filme “O Fabuloso Fittipaldi”.

Em 1975 gravam “Melô da Cuíca”, música integrante da trilha sonora da novela “Pecado Capital“, o fusion samba funk trouxe o convite para o grupo participar do Festival de jazz de Montreaux na Suíça (foram os primeiros brasileiros então convidados para o evento). Logo depois de ser chamado para arranjar uma faixa do disco da Ella Fitzgerald, a cantora brasileira Flora Purim que havia recebido o prêmio demelhor cantora de jazz (Estados Unidos) daquele ano contratou o grupo para uma tourné por todo o país.
Ivan Conti: Baterista

Carinhosamente apelidado de “Mamão”, nascido na Tijuca no Rio de Janeiro iniciou-se em música tocando guitarra. Mas foram os solos de Gene Kruppa que o levou a trocar de instrumento. Sua coordenação motora e seu completo domínio nos tambores é impressionante. Já se apresentou com Ray Brown, Dizzy Gillespie, Milt Jackson, Elis Regina, Gal Costa, Erasmo e Roberto Carlos, Eumir Deodato, Rita Lee. Participou da orquestra Internacional do maestro Paul Mauriat que o incluiu em duas temporadas em que fez shows no Japão.

O álbum
Sonzera de primeira grandeza, power trio com um groove unico e nada de excesso de virtuosismo, a banda começou acompanhando o gênio Marcos Valle (com quem gravou discos e trilhas sonoras de filmes e novelas) e depois tomou vida prórpia e ficando mais famosa nos EUA e Europa que aqui onde não valorizam muita a música instrumental.

A maior parte do disco é instrumental, mas temos vocais em algumas como Faça de conta e Linha do Horizonte que é o hit da banda no Brasil, esses caras já faziam em plena década de 70 o que hoje é chamado de Longe Music , ou seja uma música relaxante, com harmonias belas e um groove que não deixa ninguém parado.

José Roberto Bertrami (Teclados)
Alex Malheiros (Baixo)
Ivan Conti ”Mamão” (Bateria)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Metal nacional: público quer tudo de graça e músico não se valoriza

Por Marcelo Moreira
publicado em 19 de junho de 2013 no Combate Rock

“Cultura e arte não valem nada. Ninguém mais dá valor, ninguém tá nem aí com quem toca ou com quem produz. É uma geração que se acostumou mal no século XXI, achando que tudo é de graça e que é um absurdo pagar por cultura. É gente que quer tudo de graça, e que se dane os custos de quem produz arte e cultura.” O desabafo é de um um produtor artístico em vias de abandonar a atividade, durante o minifestival de heavy metal ocorrido no domingo à noite em São Bernardo.

Não foram muitos os abnegados que saíram de casa à noite, no frio intenso, para ver Ratos de Porão, Nervosa, Forka e Bioface no Princípios Bar, no centro de São Bernardo, no ABC. Com ingressos na porta a R$ 50, o evento atraiu menos gente do que o esperado, mesmo em dia de jogo da Espanha contra o Uruguai pela Copa das Confederações.

O quase ex-produtor cultural pediu para não ter seu nome divulgado porque ainda tem alguns contratos a cumprir e teme represálias por suas posições, já que ainda não recebeu pela realização dos próximos eventos. “Hoje só é viável produzir cultura com razoável qualidade e alguma condição quando o poder público está envolvido, patrocinando ou organizando eventos. E estes geralmente são gratuitos. A galera acha que esse é o padrão. Não se incomoda em gastar R$ 300 para ver o Black Sabbath ou o Iron Maiden, mas se recusam a pagar R$ 50 para ver quatro bandas boas, uma delas o Ratos de Porão.”

A queixa tem a sua razão de ser. O Princípios Bar, na principal rua comercial de São Bernardo, teve público abaixo do esperado, e alguns incautos circulavam na rua, nas imediações, na tentativa de ouvir alguma coisa do som e tomar bebida alcoólica barata. “Jamais pagaria R$ 50 para ver banda nacional, seja quem for. É um roubo”, diz Renato Campos, office-boy de 20 anos que afirma gostar de rock pesado.

Já o auxiliar de escritório Carlos Henrique Medeiros, de 22 anos, teve disposição para sair da vizinha Santo André e ir ao Princípios, mas não entrou. “Vim encontrar os amigos e tomar uma pinga, mas não vou entrar. É ridículo pagar R$ 50 para ver uma banda velha e outras que nunca ouvi falar. Só vejo banda de graça, e ainda tem de ser muito boa”, fala com orgulho, provavelmente se referindo ao projeto Rock na Rua, da prefeitura de Santo André, que voltou com força em 2013, onde patrocina shows de rock ao vivo e gratuitos em alguns pontos da cidade, uma vez por mês.

“Todos nós nos desacostumamos a gostar de música”, sentencia Alexandre Barros Júnior, empresário de 30 anos e ex-guitarrista da banda Karpatos, de São Bernardo. Ele estava indeciso se entrava ou não para ver o minifestival. “Só me interessa o Ratos de Porão, mas teria interesse de ver as outras bandas se o evento não fosse terminar tão tarde.”

Barros afirmou que os músicos também têm culpa pela falta de interesse em artistas novos. “Nós nunca nos valorizamos como deveríamos, principalmente no rock e principalmente no heavy nacional. Nos anos 90 tinha gente que não tinha pudor em pagar para tocar em festivais grandes ou pequenos, ou mesmo para abrir shows de bandas internacionais de terceira categoria. Com o tempo teve gente que pagava até mesmo para abrir para bandas nacionais com algum nome. Essa concorrência predatória chegou aos barzinhos: bandas tocavam de graça em troca de espaço e, cúmulo do cúmulo, tinha banda pagando para tocar nos bares mais legais e mais concorridos. Ninguém pode reclamar hoje.”

O empresário diz que abandonou logo o sonho de tocar rock com sua banda de heavy/classic rock ao perceber que o público não tenha interesse em sua música e na dos colegas na mesma situação. “Minha banda durou pouco e fez poucos shows realmente dignos de nota. As apresentações eram caóticas, em locais cada vez mais fuleiros, sem apoio de ninguém, muito menos do público. As bandas, em vez de se ajudarem, brigavam por nacos e migalhas, para ver quem se sobressaía mais em um ambiente de caos e penúria. Desisti rápido disso, de tão enojado que fiquei. Vendi todo o equipamento e nem me lembro quando peguei em uma guitarra pela última vez. Não tenho saco nem mesmo para ensinar meu filho de 6 anos e meu sobrinho de 10 a tocar violão”.

Barros concorda com o produtor cultural desiludido sobre as “facilidades” imaginadas pelo público, mas enfatiza a culpa dos músicos pela situação ruim. “A era da internet trouxe mesmo uma cultura ruim de que tudo é fácil e de graça. Hoje só tem um pouco de atenção quem toca cover, e olhe lá. Por que os músicos deixaram que isso acontecesse? Porque não se valorizaram, queriam tocar de qualquer maneira, a qualquer custo e pisando em todos. Taí o resultado: o público ignora bandas novas e faz questão de ignorar, quer ouvir e ver de graça para ver se vale a pena, algum dia, voltar a ver essas bandas. Bato palmas para o Princípios Bar e para as bandas que estão tocando, mas o quadro é desolador, são idealistas que estão dando murro em ponta de faca.”

Prika Amaral, guitarrista do Nervosa, e João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, nos bastidores do Princípios Bar, em São Bernardo


Beco estreito

Falta de originalidade, de qualidade, ingressos com preços altos, falta de estrutura e preferência por bandas internacionais estão entre os motivos apontados por espectadores e apreciadores de rock pesado para a fuga do público dos shows de grupos nacionais. As lamentações são muitas, mas infelizmente há poucas pessoas preocupadas em encontrar soluções ao menos amenizar os problemas.

Tem de ser respeitada a posição de alguns músicos que bradam “tocar de graça jamais”. É legítimo, afinal músico também é uma profissão e tocar custa, ou seja, quem toca e se apresenta ao vivo tem despesas para viabilizar o seu trabalho. É legítimo um instrumentista ser remunerado por sua arte.

O problema é a realidade está demolindo conceitos e princípios. Não é de hoje que o público se recusa a pagar R$ 50 para ver um minifestival com quatro boas bandas, como o que ocorreu no último domingo em São Bernardo. Não se trata de discutir ser o valor é alto ou baixo. Trata-se de constatar a realidade: o fã de rock brasileiro, em especial o de rock pesado, só sai de casa para ver “jogo com resultado garantido”. Isso quando sai de casa.

Muita gente adora criticar as bandas e o público em si e não hesita em cravar: o brasileiro não tem maturidade para gostar de música e apreciar arte.

Claro que há um evidente exagero, mas quem diz isso não está totalmente errado. O fá brasileiro de rock guarda semelhança com a maioria dos brasileiros que vão hoje a um estádio de futebol ver o seu time jogar: as pessoas não gostam realmente de futebol, gostam apenas de ver o seu time ganhar. Se isso não acontece, abandonam sem pestanejar os estádios, algo muito diferente do que ocorre na Argentina.

Tem gente que sugere algo parecido com o que ocorre na Suécia e na Finlândia, onde o governo banca a cena musical do país, em qualquer estilo. Uma grande insanidade defender esse tipo de coisa em um país que ainda precisa utilizar programas assistenciais (e assistencialistas) como o Bolsa Família para tirar parte da população da miséria absoluta – e que não consegue pagar aposentadorias dignas aos trabalhadores idosos.

Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia são países desenvolvidos, bem administrados e com relativa folga de caixa para investir na educação musical de seu povo. Segundo Andre Matos, ex-vocalista do Angra e do Shaman e que hoje mora na Suécia, os países escandinavos têm projetos educacionais que estimulam o ensino de música nas escolas.

A Finlândia, além disso, investe dinheiro do Estado no financiamento de festivais de rock, de equipamentos para as bandas e até mesmo, dependendo do caso, no aluguel de estúdios e na gravação de CDs. Há dinheiro público também para estimular a produção literária e de artes plásticas. E o que é melhor, tudo isso aprovado pelo Parlamento, sem intenções eleitoreiras ou demagógicas. Tudo está inserido dentro de um projeto educacional bem elaborado e aprovado pela sociedade. Uma realidade de outro planeta, na comparação com o Brasil.

Alemanha, Holanda e Inglaterra não têm nada parecido com o que existe na Escandinávia, mas existem programas específicos e projetos artísticos e educacionais específicos para o estímulo da arte, seja diretamente com dinheiro público ou por meio de incentivos fiscais a quem apoia. É por isso, entre outras coisas, que ainda existem cenas roqueiras bem interessantes naqueles países.

Não posso deixar de dar razão a quem afirma sem medo que as nossas deficiências educacionais nos impedem de formar grupos organizados e politizados, que ao menos consigam produzir conteúdo decente e criar uma cena – os recentes protestos contra o aumento de tarifas de transporte público e contra os gastos da Copa do Mundo são exemplos da bagunça e da falta de foco que reinam quando se organiza qualquer manifestação por aqui.

Tirando um breve período envolvendo os punks de São Paulo, nos anos 80, nunca houve de verdade qualquer cena musical neste país, muito menos entre os roqueiros. O metal nacional dos 80 em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foi esporádicos e não sobreviveu como um todo à chegada dos anos 90.

Os medalhões logo seguiram seu caminho e nunca fizeram questão de apoiar e fomentar uma cena – é clássica a passagem do documentário “Ruído das Minas”, sobre o rock pesado mineiro, onde Max Cavalera comenta, lá nos anos 90, que existia somente o Sepultura no heavy metal nacional, e nada mais, quando perguntado por um repórter estrangeiro se havia uma cena importante do metal brasileiro.

Está claro que quem gosta de rock no Brasil hoje e que tem algum interesse em bandas nacionais de metal não está disposto a pagar por CDs e por shows. Portanto, é necessário rever os custos e os preços cobrados para começar a atrair novamente o público.

R$ 50 para ver quatro bandas, entre elas a excelente Ratos de Porão e a emergente Nervosa, não é caro, pelo contrário. Mas parte expressiva do público acha que é. Será que é viável fazer rock no Brasil com custos mais baixos do que estes? Será que as bandas terão de voltar a se apresentar de graça, sem ganhar nada, para ter alguns minutos de atenção?

Os Baobás - Bye Bye My Darling/Pintada de Preto [1966]



Por Roberto Iwai em The Freakium

O primeiro compacto d'Os Baobás é constantemente lembrado pela antológica versão de "Paint It, Black" dos Rolling Stones, vertida aqui por Ricardo Contins (guitarra e principal compositor da banda) e Arquimedes (percussão) para "Pintada de Preto" ("A minha vida é toda cheia de defeito/Ela para mim é toda pintada de preto"), mas o disco é composto também pela ótima "Bye Bye My Darling", de autoria original da banda, via Contins. 

Versando sobre uma relação à distância, originado por uma viagem de um dos interlocutores ("Bye bye my darling, goodbye/I'm going away just for a ride/And before this ride I'll be back again", canta o refrão) sobre uma base instrumental que já difere sutilmente de algumas ingenuidades da Jovem Guarda, tal música forma sua existência já na inusitada natureza de composição d'Os Baobás: o de lançar as suas próprias composições em idioma inglês.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Leo Gandelman - Pérolas Negras [1995]

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Por Moziel T.Monk
publicado em 10 de novembro de 2012 no Papo de Blodega

Demorou, mas finalmente ele deu as caras aqui no balcão. Leo Gandelman, que sem sombra de dúvida é o saxofonista mais famoso do Brasil (Ivanildo, fica tranquilo que tua pauta tá na vez). E transita tranquilamente entre a música popular brasileira, o Jazz e a música erudita, sendo compondo, gravando, produzindo, arranjando ou simplesmente tocando como solista em orquestras. Com carreira nacional e internacional bem consolidada, o veterano saxofonista tem décadas de estrada e fôlego para muitos solos, pelo visto.

Justamente por sua popularidade e sucesso alguns já o chamaram de “Kenny G brasileiro”. Eu particularmente me sentiria ofendido com a analogia. Até porque é difícil acusar o músico de meramente comercial, a não ser que se use o critério de se vender mais de dez cópias para se rotular algum músico assim, já que ao se observar sua discografia (dez álbuns, além de coletâneas e participação em projetos especiais) percebe-se uma diversidade de propostas, muitas vezes fugindo do óbvio ou do mero caça-níquel. Se nos primeiros anos algumas de suas músicas entraram para a trilha sonora de novelas globais, ao longo de sua carreira ele fugiu ao sucesso fácil. Mesmo revisitando algumas músicas conhecidas do cancioneiro brazuca, a maioria de seus álbuns tem composições próprias, que mistura sua educação formal em música (estudou nos anos 70 no Berklee College of Music), a influência do Jazz e as raízes de nosso cancioneiro.

Gravando desde a segunda metade dos anos 80, naqueles tempos sua música mais conhecida foi “Solar”, que praticamente o projetou. Desde então tanto flertou com o eletrônico em “Brazilian Soul” como também resgatou a obra de mestres como Radamés Gnatali em “Radamés e o Sax” e homenageou as baladas brasileiras em “Sabe Você”. Da sua discografia, o meu álbum preferido ainda é o excelente “Pérolas Negras”, nas quais reinterpreta em seu sax diversas canções cujo ponto comum é terem sido criadas por afrodescendentes, pra usar um termo politicamente correto. Resultou em revisitas instrumentais a pérolas de Milton Nascimento (Me Deixa em Paz), Paulinho da Viola (Choro Negro), Milton Santos (Naná), Stevie Wonder (Overjoyed), Jorge Benjor (Mas que Nada), Pixinguinha (Lamentos) e Luiz Melodia (Pérola Negra), só para citar alguns exemplos. Esse é daqueles que nunca me canso de ouvir.

Em DVD há três registros, todos imperdíveis. O “Ao Vivo”, de 2003, é uma boa introdução ao artista, já que ele apresenta alguns de seus sucessos até então. O álbum “Sabe Você” também rendeu um DVD que conta com as vozes de Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Leny Andrade, Ney Matogrosso, Leila Pinheiro e Luiz Melodia. E o projeto mais recente, “Vip Vop”, também foi lançado em DVD.

No momento o instrumentista está promovendo seu novo projeto “Vip Vop”, com composições na qual resgata o esquecido Samba Jazz, estilo que surgiu praticamente com a Bossa Nova e foi bastante popular no início dos anos 60 no Rio de Janeiro, e que serviu de plataforma para que talentosos músicos se projetassem no mercado internacional.

sábado, 10 de agosto de 2013

Cólera - Verde, Não Devaste! [1989]



Em seu quarto álbum lançado, o Cólera traz a tradicional pegada do grupo, muito punk rock, hardcore e letras de protesto. Destacam-se ainda trechos e canções mais elaboradas que intermediam as sonoridades punk. Lançado pela Devil Discos, ao ganhar o relançamento em CD o disco trouxe quatro faixas bônus, gravações avulsas e raras do grupo disponibilizadas como bônus. Disco incrível!

1. Introdução/Bombeiros
2. Minha Nação
3. Meia-Noite
4. Parasita
5. Presídio Zoo
6. Don't Waste It
7. Viva a N.G.
8. Verde
9. Ea Eo
10. Em Setembro
11. Cólera
12. R.P.
13. Teatrinho
14. Solidariedai-nos

Bonus Tracks:
15. Palpebrite
16. Porque
17. Pela Paz
18. Não Existe Mais

Formação para esse álbum:
Redson - Guitarra, voz
Pierre - Bateria, voz
Josué Correia - Baixo, voz

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Terço - Ao Vivo [2007]

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Por Rodrigo Werneck em Whiplash

O Terço é certamente uma das principais bandas brasileiras de rock progressivo de todos os tempos, juntamente aos Mutantes, Som Nosso de Cada Dia e poucos outros. Sempre liderados (desde a criação, em 1968) pelo guitarrista e vocalista Sérgio Hinds, o único integrante presente em todas as formações, reuniram em 2005 a lineup mais clássica, para uma série de shows que resultaram neste lançamento

Muitos músicos marcaram as diferentes fases do grupo, desde o início com o trio (daí o nome “Terço”) formado por Vinicius Cantuária (bateria), Jorge Amidem (guitarra) e Sérgio Hinds (baixo). Tais formações foram se sucedendo até culminar na mais cultuada, que incluiu Hinds (já na guitarra, e vocais), Flávio Venturini (teclados, vocais), Sergio Magrão (baixo, vocais) e Luiz Moreno (bateria), e que gravou os clássicos discos “Criaturas da Noite” (1975) e “Casa Encantada” (1976).

A formação foi variando, e em 1979 o grupo entrou em recesso por um tempo. Nos anos 80 e 90, Hinds reuniu ao seu redor uma série de músicos talentosos, gerando discos de qualidade variável. Até que, no show de comemoração dos 50 anos de Flávio Venturini no Directv Hall de São Paulo, foram reunidos no palco o próprio Venturini, mais Hinds, Magrão, Moreno, e o baixista César de Mercês, que já havia participado de várias fases do Terço (como músico e/ou compositor). O clima de congraçamento foi tão grande, que acabou gerando uma vontade de todos em reunir mais uma vez O Terço, neste caso com sua formação mais conhecida e festejada.

Um acontecimento, entretanto, acabou temporariamente com tais planos: o baterista Luiz Moreno veio a falecer (em 2002) após sofrer parada cardíaca. O choque adiou, mas não encerrou a questão. Apoiados pela viúva de Moreno (Irinéia Ribeiro), continuaram e convocaram o baterista Sérgio Mello, que já havia tocado com Venturini em sua carreira solo. Um ex-integrante, porém, que ficou de fora do retorno resolveu complicar as coisas: César de Mercês chegou a ser convidado para participar de uma música nos shows da volta (seria “Luz Na Escuridão”, dele próprio), mas não concordou com o formato planejado e, após idas e voltas, acabou por não ceder os direitos de suas composições para as gravações que seriam feitas. Cada lado tem os seus argumentos e é difícil afirmar quem tem razão, mas o fato é que o público saiu perdendo. Resultado: após mais de 2 anos de extensas negociações, não houve jeito. Ficaram de fora do CD e do DVD as seguintes composições: “Queimada”, “Jogo das Pedras”, “Foi Quando Eu Vi Aquela Lua Passar” (as 3 da dupla Venturini/Mercês), “Flor de la Noche II” e “Hey Amigo” (ambas de Mercês). Quem esteve presente nos shows de 2005, no Rio de Janeiro (onde foram feitas as gravações, no dia 4 de maio de 2005), em São Paulo e em Belo Horizonte, pôde conferir todas essas músicas, mas elas acabaram fora do CD e do DVD, finalmente lançados. Uma pena...

De qualquer forma, o registro acabou sendo finalmente lançado, e traz vários momentos antológicos. No palco de um Canecão (RJ) lotado foi montada uma estrutura de Primeiro Mundo, com várias estruturas armadas que suportavam uma iluminação de tirar o fôlego, com o uso de várias “vari-lites” (“spots” de luz rotatórios). Atrás dos músicos, um telão circular no melhor estilo Pink Floyd, onde eram projetadas imagens do passado e efeitos especiais feitos em computação gráfica.

Falando em computação gráfica, o seu uso teve algumas conseqüências negativas para o DVD. Entre todas as faixas, pequenos “filmetes” foram inseridos, incluindo o título da música a ser apresentada a seguir. Isso contribuiu para se tirar um bocado do “espírito de ao vivo”, pois inclusive todo o falatório dos integrantes no show foi praticamente limado. A introdução do DVD traz também um efeito em computação gráfica, com narração pomposa e auto-indulgente, na qual o locutor avisa que “a maior banda de rock progressivo do Brasil” iria subir ao palco. De efeito ao vivo, mas certamente dispensável no DVD...

Mas vamos aos pontos positivos, que são muitos. A qualidade de som e imagem é excelente, com ótimos takes de Sérgio Hinds e sua guitarra, e da bateria de Sérgio Mello. Sergio Magrão foi filmado somente através das câmeras frontais, mas ficou suficientemente bom. O mesmo não se pode dizer sobre as tomadas feitas de Flávio Venturini, em especial ao início da gravação. Os takes frontais foram bons, mas na maior parte do tempo faltaram alguns que mostrassem melhor seus teclados sendo tocados. Em algumas músicas, o cameraman chega visivelmente atrasado (como em “1974” e “Guitarras”, por exemplo). Isso foi felizmente aprimorado no decorrer do espetáculo. A edição de imagem, no entanto, está impecável, na cadência perfeita que cada música exige, e aproveitando muito bem a iluminação belíssima.

A banda se apresenta altamente ensaiada. A performance de todos é ótima. Hinds, um guitarrista que sempre se baseou mais no feeling do que na técnica, tira seus timbres característicos em solos e bases impecáveis, usando para tal uma bela guitarra Tagima, réplica de PRS. Magrão é um baixista sólido e vibrante, com um estilo pulsante que dá o ritmo das músicas. Não à toa, um dos mais aclamados do progressivo brasileiro. Venturini tira ótimos timbres de seus teclados digitais, emulando quase à perfeição os antigos analógicos, e toca visivelmente feliz seus antigos solos. Tira som de Hammond de um Kurzweil K2600 (provavelmente controlando um Roland VK7 ou algo similar), e som de Minimoog bem convincente, tirado de um Korg Prophecy. O novato do grupo, Sérgio Mello, mostra que é altamente técnico, mas que também consegue preencher com muita sutileza todos os espaços que lhe são conferidos, sem excessos. Mesmo em baladas, evita ficar meramente na marcação, lembrando um mix dos estilos de Carl Palmer e Neil Peart. Trata-se de um baterista muito “orgânico” e de muito bom gosto, e que conquistou o seu espaço no grupo.

Logo de cara, eles levam a suíte instrumental “1974”, tema consagrado que conquista a platéia de primeira com seus 15 minutos de duração, e vários climas e solos. Quer dizer, há varias vocalizações harmônicas (um dos pontos fortes do grupo), só que elas funcionam como um instrumento a mais, até porque não há letra. Prosseguem com uma bem antiga, “Tributo Ao Sorriso”, de um single de 1970. Nota-se que os vocais estão perfeitos, tanto nos momentos em que Hinds, Venturini e Magrão cantam juntos, quanto nos momentos solo. Talvez perfeitos até demais, sem qualquer falha em todo o decorrer da gravação, o que nos leva a crer que houve vários retoques, overdubs, etc. a posteriori.

“Guitarras”, um belo e vibrante tema instrumental de Hinds se segue, e logo após a (até então) inédita “P.S. Apareça”. Um set acústico vem logo depois (com Hinds assumindo a viola de 12 cordas e Venturini passando para o violão), algo bem característico em se tratando do Terço, que possui várias composições nessa linha mais “rural”. A primeira é “Pássaro”, para a qual Venturini convoca Ruriá Duprat (sobrinho do falecido maestro Rogério Duprat, que muito colaborou com O Terço no passado) para assumir os teclados, e Irinéia Ribeiro, viúva de Luiz Moreno, para ajudar nos vocais. Uma merecida homenagem aos dois nomes, tão importantes na história do grupo. Levam ainda “Casa Encantada”, embora ao vivo esse segmento “unplugged” tenha sido maior (pois as composições de César de Mercês foram limadas da edição final do DVD, conforme mencionado acima).

De volta à formação de quarteto, levam “O Vôo da Fênix”, com Venturini no vocal solo, e a viajante “Ponto Final” (de Luiz Moreno), com destaque para o sintetizador de Venturini e o baixo de Magrão. Neste momento, Sérgio Mello assume as rédeas com um inspirado solo de bateria, onde esbanja precisão, técnica, força e criatividade, seguido por um de piano (na verdade, um teclado Roland RS-50 posicionado ao lado da bateria), no melhor estilo progressivo. A composição de sua autoria, denominada “K”, é uma homenagem à sua esposa Kelly, mas também uma referência ao tecladista Keith Emerson (do ELP), um dos ícones do instrumento no estilo (junto a Rick Wakeman, do Yes).

O segmento final do DVD é totalmente preenchido por clássicos do grupo, e grandes momentos. “Sentinela do Abismo”, do disco “Casa Encantada”, é a próxima, trazendo somente Flávio Venturini no piano e vocal, e o Quarteto Uirapuru (um quarteto de cordas tradicional, com violoncelo, viola e dois violinos) contribuindo para o arranjo belíssimo (feito por Ruriá Duprat). A edição do DVD, entretanto, deixou de fora o anúncio da entrada do quarteto, que simplesmente aparece já no palco. Duprat retorna para a próxima, para reforçar o time dos teclados, ao mesmo tempo em que mais um convidado especial é convocado: Marcus Viana, líder do grupo progressivo mineiro Sagrado Coração da Terra. Com ele no violino, levam “Criaturas da Noite”, em mais um arranjo impecável, incluindo as indefectíveis e ricas harmonias vocais.

O Quarteto Uirapuru deixa o palco, e “Suíte” vem a seguir, uma ótima composição instrumental de Venturini que foi curiosamente gravada pela banda apenas após a sua saída do grupo (especificamente no disco “Som Mais Puro”, de 1982). Bons solos de guitarra de Hinds, e de teclados tanto de Venturini quanto de Duprat, numa faixa que alterna vários climas, fazendo jus a seu título. Agora é a vez de Viana deixar o palco, e para fechar o show (no DVD), tocam a excelente “Cabala”, onde mais uma vez todos se destacam, mostrando grande entrosamento.

Apesar das 5 músicas sacadas da edição final, mesmo assim sobraram 80 minutos da apresentação ao vivo, num registro digno da história do Terço. Entre o material extra incluído, há quase 30 minutos de entrevistas com os 4 integrantes, falando do passado, dos detalhes sobre a reunião, e sobre algumas idéias acerca do futuro da banda, que pelo jeito irá existir. A balada (também até então inédita) “Antes Do Sol Chegar” foi incluída como bônus, num videoclipe com cenas gravadas no próprio estúdio.

Tracklist:

1. 1974
2. Tributo Ao Sorriso
3. Guitarras
4. P.S. Apareça
5. Pássaro
6. Casa Encantada
7. O Vôo da Fênix
8. Ponto Final
9. “K”
10. Sentinela do Abismo
11. Criaturas da Noite
12. Suíte
13. Cabala

Material bônus:
- Clipe de “Antes Do Sol Chegar” (em estúdio)
- Entrevistas

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Botinada - A Origem do Punk no Brasil [2006]



Por Mauro Ferreira em Notas Musicais 

Em 1982, quando entraram num sonhado estúdio de oito canais para gravar a seminal coletânea Grito Suburbano, músicos das bandas Cólera, Inocentes e Olho Seco se depararam com a ignorância do técnico de som sobre o rock que já explodia nas periferias de São Paulo sob a ideologia punk. O tal técnico implicou com chiado que, a rigor, era o som distorcido das guitarras dos grupos. O episódio é relembrado com humor no documentário Botinada - A Origem do Punk no Brasil, produzido e dirigido por Gastão Moreira sobre a geração punk formada em São Paulo (SP) na virada dos anos 70 para os 80.

Com entrevistas inéditas e um farto material de arquivo, o filme rebobina a (des)articulação de um movimento que precisou aparar as próprias arestas para se firmar. "A maioria queria saber de farra e treta", dispara João Gordo, pioneiro militante punk que migraria para o metal ao ingressar no grupo Ratos de Porão. "No início, punk rock não era movimento. Era gangue. Que era contra o sistema e até o cara do outro bairro", corrobora Clemente, líder e mentor do Inocentes que atualmente se reveza entre seu grupo mais conhecido e o posto recém-adquirido de vocalista da Plebe Rude, banda nascida em Brasília também sob a influência do punk.

A propósito, a primazia de ter semeado o punk em solo brasileiro é reivindicada no filme (com razão) tanto por paulistas quanto por brasilienses. Botinada foca seu olhar terno, mas imparcial, sobre a geração de São Paulo, sem deixar de citar a desgarrada Banda do Lixo, nascida em Minas Gerais, e a cena gaúcha, representada no filme pelo lendário Wander Wildner, o líder do grupo Replicantes.

Entre imagens inéditas (como a histórica apresentação do Cólera no Olimpop, programa da TV Tupi) e depoimentos reveladores, o documentário historia a aglutinação dos punks no Metrô de São Bento e a rivalidade com as gangues do ABC que resultaria em conflitos sangrentos e triunfaria no clássico festival O Começo do Fim do Mundo, que deu em 1982 repercussão internacional a um movimento então (a rigor) desconhecido pelo próprio Brasil.

A riqueza do material de arquivo - que inclui trechos de corajosos documentários da época como Garoto de Subúrbio e Punks - contribui para atestar a veracidade dos depoimentos e fatos. É possível ver a banda Lixomania em show feito no Circo Voador (RJ) em 1983 e imagens da apresentação nada amistosa de grupos punks na boate Gallery (SP), reduto da elite burguesa, um alvo preferencial da revolta disseminada pelos repertórios das bandas.

Botinada lembra ainda que, impulsionada pela violência que insistia em se alastrar no universo punk, a incompreensão da mídia a respeito da ideologia dos grupos geraria desfocadas reportagens no jornal Estado de São Paulo e no programa Fantástico (da Rede Globo) que, em maior ou menor grau, contribuiriam para a diluição do movimento, cuja semente ainda germina em corações e mentes como a de Pádua. "Sou punk e vou morrer punk", diz o músico, que perdeu uma mão ao manusear bomba caseira em conflito com gangue rival. O depoimento firme de Pádua encerra o belo filme, sinalizando que a história continua.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Eu Toco Rock N' Roll [2012]


Por Gustavo Freitas
publicado em 21 de janeiro de 2013 no Whiplash


Produzido pelos jornalistas Daniel Faustino, Gustavo Freitas, Henrique Bovolenta e Rodrigo Gianesi para o Trabalho de Conclusão de Curso das Faculdades de Campinas (Facamp), o videodocumentário "Eu Toco Rock N' Roll" traz ao público a dificuldade de se viver de rock na atual realidade do espaço musical brasileiro.

Através de entrevistas com grandes nomes do rock nacional como Roger (Ultraje a Rigor), Rodrigo Lima (Dead Fish), Paulão (Velhas Virgens), Derrick Green (Sepultura), Jimmy London (Matanza), entre outros, o público passa a ver as dificuldades de se chegar ao mainstream em um país dominado pelo sertanejo universitário e pelo samba.

Bandas menores, que ainda não tocam em rádios e que ainda procuram o seu espaço partilham do mesmo desejo dos astros no início de carreira: alcançar o sucesso.

O Documentário ainda conta com a participação do editor-chefe da Rolling Stone do Brasil, Pablo Miyazawa e com o radialista Paulo de Barros, que pertenceu a primeira equipe da Rádio Rock.

sábado, 20 de julho de 2013

Paulo, Cláudio e Maurício [1972]




Formado em 1971 pelos irmãos gêmeos Paulo Guimarães e Cláudio Guimarães,e por Maurício Maestro.
Lançou, em 1972, o compacto duplo “Paulo, Cláudio e Maurício”, produzido por Marcos Valle para a EMI-Odeon e contou em todas as faixas com a participação do baterista Gustavo Schroeter, no mesmo ano, assinaram a trilha sonora do filme “Quem é Beta ?”, de Nelson Pereira dos Santos.Atuou até 1974, com composições próprias.

O compacto começa com 2 temas mais puxados pro jazz instrumental, depois passa pro um rock psicodélico em Morais Acadêmicas (com guitarra fuzz) e termina com um folk - Acordar, Acender que lembra muito a sonoridade do Karma e do começo do Terço.

Maurício Maestro depois ficou mais conhecido com o grupo boca Livre, já os irmãos gêmeos Paulo e Cláudio tocaram em disco do pessoal do Clube da Esquina, Marcos Valle Vento Sul) , Sidney Miller entre outros.

Paulo Guimarães (flauta e voz)
Cláudio Guimarães (guitarra e voz)
Maurício Maestro (baixo e voz)

terça-feira, 9 de julho de 2013

O tutano de Walter Franco

Por Gonçalvo Junior / Fotos Luiz Sigulem
publicado em 8 de julho de 2013 na Revista Brasileiros

Compositor paulistano de vanguarda prepara DVD pelos 40 anos de seu primeiro álbum, anuncia disco inédito e fala do episódio em que um júri foi destituído para que ele não ganhasse um festival da Globo. Ele conta ainda como foi vigiado pelo SNI durante a Diretas Já

Família Feliz - Dona Alice, seu Cid, Cícero (morto em 2003), Walter e o cachorro Moleque
A felicidade nunca foi tanta para o paulistano Walter Franco. É ele quem diz. Ainda sob o impacto da apresentação no palco do Theatro Municipal de São Paulo durante a última Virada Cultural, em maio passado, ele afirmou à Brasileiros que acredita viver o melhor momento de sua carreira, mesmo sem lançar um disco há 13 anos. Aos 68 anos, foi pontual, começou o show – acompanhado da banda de seu filho Diogo Franco – às 6 horas da manhã e viu emocionado uma plateia lotada, com três gerações de fãs, alguns bem garotos, instigados pelos pais ou pelos avós. A proposta da organização da virada foi para que ele cantasse ao vivo todas as faixas do seu mais badalado disco, Revolver (1975). “Gostaria de ter ensaiado mais, porém no palco tudo funcionou bem e o horário foi uma experiência interessante. Franco nunca vendeu muitos discos e nem tem fã-clube. Carrega consigo, entretanto, uma leva de dedicados seguidores, que ouvem seus raros discos como celebração da ousadia de se fazer música sem obediência ao convencionalismo ou às regras de mercado.

Há quatro décadas, Franco permanece como um autor singular, de vanguarda, provocativo, divertido em fundir a cabeça de todos. Não esconde a surpresa – e certo orgulho – ao lembrar que o esquartejador Chico Picadinho disse em uma entrevista que ouvia, na prisão, um disco seu. Considerado por alguns críticos e pares respeitados – na linha de Caetano Veloso – como gênio, esse senhor surpreende pela humildade. Pede desculpa ao repórter o tempo todo, caso suas respostas não estejam agradando. “Sinto que estou sendo redescoberto, que há público para mim”, observa. O entusiasmo é tanto que prepara uma série de shows para comemorar os 40 anos de seu primeiro disco, Ou Não, a gravação de um DVD ao vivo e anuncia que tem um disco inédito, fechado, com 12 faixas. Ele também negocia com as gravadoras a liberação para que todos os seus álbuns – hoje esgotadíssimos – sejam lançados em CD ao mesmo tempo. Walter Franco acredita que tudo isso acontecerá ainda ainda neste ano. “Por mais que eu me esconda, creio que tem acontecido um fortalecimento da minha imagem, do meu trabalho.”


Franco deixa perceber que passou por apertos financeiros nas duas últimas décadas. Por um tempo, seus shows rarearam e ficaram vazios por falta de aposta dos promotores, sem qualquer divulgação. Há alguns anos, felizmente, sua vida começou a tomar outro rumo. Tem feito uma média anual de 12 shows. “Sempre vivi de música, desde que nasci, mas eu vinha muito fora da mídia e sem isso fica difícil”, afirma ele, que tem pouco da imagem que criou de um artista zen, inovador e polemista, daqueles que vivem trancados experimentando sons tirados dos instrumentos ou da sonoridade das palavras e dos versos. Não é bem assim.

No seu apartamento, no bairro da Bela Vista, centro de São Paulo, uma pilha de jornais ao lado do sofá denuncia que o dono é um dedicado leitor de notícias de política e cultura – que também consome pela internet – e um consciente cidadão que se exalta ao falar da corrupção política e do processo de desumanização das pessoas, cada vez menos sensíveis no respeito ao próximo, na gentileza, na boa educação – coisas que ele trouxe do berço.

Tudo isso, na sua opinião, tem a ver com a violência “sem limites” que tomou conta das grandes cidades brasileiras, principalmente sua querida São Paulo. “Eu nem sabia dos fatos lamentáveis que tinham ocorrido na madrugada da Virada Cultural e, entre uma música e outra, falava que vou passar toda a minha vida pregando a não violência.” O compositor fica indignado ao falar do assunto. Lamenta que o poder público parece ter perdido a luta contra a banalização das agressões e dos assassinatos. “A violência é a ausência de cultura, de um processo de autoconhecimento que deveria haver de cima para baixo. Não há mais senso do coletivo, ninguém se preocupa com a vida e daí surge a violência.” Ele acredita que, em parte, o que acontece hoje é uma herança da ditadura militar, que tirou dos ensinos básico e médio disciplinas humanistas, como Filosofia, Psicologia etc., e tinham aproximação com a Literatura e a Poesia. Ele tem outra teoria: “Os adultos não ligam mais para a língua. O que o ser humano tem de melhor é a palavra. A nossa língua em especial é rítmica, harmônica, cheia de pausas e silêncios, temos uma riqueza extraordinária de sotaques por todo o País. Não é uma coisa pretensiosa ligar tudo isso a uma maior comunicação para acabar com a violência”.

Em seguida, Walter Franco volta à música. Apenas um compacto e seis discos ao longo da carreira não é algo que o incomode. Pelo contrário. É uma obra compacta, bem fechada, completa e acabada. “Nunca fiz um disco por ano, acho interessante esse caminho, o acaso me conduziu nesse sentido. Com isso, se deu um mistério em torno desse Walter Franco que eu tanto conheço.” No fundo, tem segurança na carreira que construiu, na importância que adquiriu para a música popular brasileira, como um artista original e solitário, que não seguiu e nem criou escola. O que não interfere em nada no seu valor. E brinca com a frase que sua mãe, dona Alice, gostava de dizer: “Meu filho, você não é flor que se cheire. Mas também não é muito porcaria não”.

Antes de cair de cabeça na música, fez vestibular e entrou para a Escola de Arte Dramática, criada e dirigida por Alfredinho Mesquita. Lá, foi contemporâneo de Ney Latorraca, com quem fez figuração em uma peça, além de Carlos Alberto Riccelli e Helena Rocha. Mas a música o arrastou quando soube do Primeiro Festival de Música Universitária, da TV Tupi, em 1968. Inscreveu a música Não se Queimam Sonhos, influenciada por Geraldo Vandré – que, para seu espanto e alegria, escolheu-a para interpretar. “Eu estava ainda procurando minha identidade musical, era um canto que lembrava muito ele”, admite. Na mesma época, Vandré competia noutro festival, o Internacional da Canção, com Caminhando – Pra Não Dizer que Não Falei das Flores, a música de protesto mais importante da história do Brasil. Em 1969, conseguiu classificar no mesmo evento Pátio dos Loucos, interpretada por Célia. O maestro Pocho, que fez o arranjo, rasgou a composição de elogios. Franco, que era intuitivo e autoditada, emocionou-se a ouvir o comentário: “Muito interessante, com quatro divisões dentro da mesma música, texto bastante denso, que permitiu um arranjo climático”.

Célia virou sua grande amiga. Alguns anos depois, ela o chamou para acompanhá-la em passeio pelo centro de São Paulo. Levou-o ao prédio da gravadora Continental, na rua 7 de Abril. Ela havia armado com o diretor Rodrigues Pozzo para lhe dar o maior presente sua vida: um contrato – que estava pronto – para lançar seu primeiro álbum (LP). Quando isso aconteceu, Franco era o nome mais polêmico e comentado da música brasileira, envolvido em um episódio obscuro. Sua sua música Cabeça foi classificada para o Festival Internacional da Canção da Rede Globo de 1972 – o mesmo que lançou Hermeto Pascoal, Alceu Valença e Raul Seixas, de quem se tornou grande amigo. Diz a lenda que Décio Pignatari, Rogério Duprat e Julio Medaglia, integrantes do júri, foram destituídos juntamente com os outros jurados pela direção do festival porque ousaram indicar seu nome como vencedor. “Não tinha precedente na música popular brasileira. Nem os protagonistas da Tropicália tinham ido tão longe”, escreveu depois seu amigo Augusto de Campos. “Era música concreta ‘in concreto’.”

A “vítima” confirma a história. “Medaglia me disse que quando o júri ouviu Cabeça, no processo de seleção, todos aplaudiram o gravador.” O registro era precário, em dois canais, mas só saiu em um na hora da audição. Só pouco depois um técnico percebeu e a música foi repetida. “Essa polêmica do FIC perdura até hoje e é uma faca de dois legumes”, brinca ele. “Ao mesmo tempo, se tivesse vocação para Dom Quixote talvez me sentisse honrado e aplaudido pelos meus moinhos de vento”, sorri. “O júri, presidido por Nara Leão, era a inteligência que soube valorizar aquela safra nova que surgia.” Nesse contexto, Cabeça causou um impacto avassalador. “Da noite para o dia, eu não podia sair de casa, foi uma loucura.” Para o bem e para o mal. A reação da plateia no Maracanãzinho veio com uma vaia ensurdecedora, que abafou os aplausos, em menor número. “O júri, então, deu o primeiro lugar a Cabeça, e Roberto Freire tentou entrar no palco para anunciá-la, mas virou a maior confusão.”

Seria ousadia demais premiar um cabeludo desconhecido que aparece no palco com uma barba imensa e vestido de pijama, sem instrumento nenhum, só com a sua presença e cantando com um teipe gravado em casa com vários timbres de vozes, feitos por ele mesmo a partir da experiência de ator de teatro. E a letra não podia ser mais subversiva: “O que tem dentro dessa cabeça? Saiba que ela pode explodir. Ou não”. Ninguém entendeu nada. “A ideia era colocar várias emoções dentro daquela gravação.” Até que Solano Ribeiro, diretor do festival, teria chamado Franco nos bastidores e dito: “Está sabendo que vai ser uma vaia tremenda que pode te prejudicar para sempre?”. A mensagem era clara, ele não deveria ganhar. Os dois primeiros lugares ficaram, enfim, com Fio Maravilha (Jorge Ben), com Maria Alcina e Paulinho da Costa na percussão; e Diálogo (Baden Powell e Paulo César Pinheiro), com Tobias e Cláudia Regina. “Houve uma censura política, não estética. Disseram que a ordem veio de cima, dos militares, porque minha postura foi de desafio às instituições, além de eu ser filho de um político cassado pelo regime militar.”

Um momento que ele não esqueceria foi quando Dorival Caymmi, com a doçura que lhe era peculiar, disse nos bastidores: “Fique calmo, Walter, eu já passei por isso, vai dar tudo certo”. O que ele pretendia comCabeça era fazer uma “revolução benigna, uma tentativa de se apurar os sentidos, influenciado pelas revoluções do mundo”. As influências, diz ele, vieram da convivência com Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, amigos de seu pai, da leitura de seus livros, da Poesia Concreta e do Tropicalismo – “no trato com as palavras, nas tentativas de rompimento”. Ele lamenta que o mundo tenha mudado muito nessa busca inquieta por desafios. “Hoje, o pessoal da música está navegando, altos cachês num País entregue a um abandono cultural, que leva à promiscuidade, a esse apelo a uma natureza que degenera com muita facilidade. É preciso entender que temos vários Brasis, não só esse que vive à beira da praia, em uma divisão que há com poucas opções para o povo”, avalia. “Existe uma espécie de poder subliminar agindo e tomando conta de tudo. O alimento da alma não existe. As pessoas são conduzidas como crianças que atravessam a rua.” Para ele, o verbo da moda é amealhar. “As pessoas valem pelo que têm, não pelo que são, enquanto o povo está ficando com a cara triste.” Por isso, o discurso do “eu sou mais eu” o incomoda muito.

O resultado em uma competição foi melhor em 1975, no Festival da Abertura, da Rede Globo. Ficou em terceiro lugar com Muito Tudo, “apesar da minha provocação com o limite do silêncio”. Enquanto isso, lançava discos. O primeiro compacto veio em 1972, com as duas faixas da novela Hospital, da TV Tupi. Cabeça e Me Deixe Mudo foram descritas por Augusto de Campos como “a explosão da letra em estilhaços de poesia e a sua implosão nos ecos do silêncio, racharam a cabeça da música popular”. Ambas fazem parte do primeiro LP, o “disco branco” Ou Não, gravado em fins de 1972 e editado no ano seguinte – e emprestou a Caetano o título que virou expressão muito usada por ele. “Quando saiu o disco, tive contato com Augusto e Haroldo de Campos, Décio Pignatari, Tom Zé e Caetano, eles vieram com aconchego. Lembro do encontro na casa de Tom Zé, em Pinheiros, todos se mostaram surpresos como eu havia gravado. Queriam saber como cheguei àquelas ‘soluções’, se eu tinha ouvido Jonh Cage, e eu disse que não, era tudo intuitivo.”

Revolver (1975), para Campos, continuou a antitradição do álbum anterior, com as explosões/implosões de seus mantras, do primal “feito gente” ao quase mudo “e(ter)na(mente)”. Dois novos passos foram dados com Respire Fundo (1978) e Vela Aberta (1979), apesar de ignorados pela mídia. Voltou com Walter Franco(1982) e Tutano (2001), que considera sua obra-prima. “Sempre fui muito desapegado. Eu escolhi a estrada mais difícil, fazer música da forma mais complexa. Estou sendo redescoberto porque acho que as pessoas precisam de um Revolver em suas vidas”, finaliza ele, antes de explodir numa deliciosa gargalhada.


Exemplos de casa

Família Feliz - Dona Alice, seu Cid, Cícero (morto em 2003), Walter e o cachorro Moleque
Ao ser perguntado sobre influências em sua música, Walter Franco aponta um único nome para a carreira que seguiu: o de seu pai, o jornalista, escritor, poeta e político Cid Seixas (1904-1972). E nada mais. “O amor pela palavra foi o que herdei dele, apesar de eu ser mal comportado nesse hábito. Meu pai foi o meu caminho maior, um homem que amava a poesia e nos presenteava com versos em datas especiais.” Dele veio quase tudo: a paixão pela música, pela literatura e poesia e os valores morais e éticos que até hoje o acompanham. Da mãe, Alice, ele herdou a sabedoria que expressava na visão poética de sintetizar as coisas e ensiná-las aos filhos – Walter era o caçula, sete anos mais novo que Cícero. “Ela dizia a coisa certa, no momento certo.” Uma dessas mensagens ele nunca esqueceu: “Quando estiver sozinho, haja sempre com a mesma espontaneidade de quando estiver acompanhado”.

Do pai ficaram também outros aprendizados. “Eu fico irritado quando dizem que não existem políticos honestos. Meu pai foi deputado (estadual) por várias legislaturas e deixou para a família apenas um apartamento financiado que nem terminou de pagar, porque morreu antes.” Quando isso aconteceu, Cid Franco havia sido cassado pelo golpe militar de 1964. Perdeu o mandato, foi preso e passou dificuldades por um bom tempo para suprir a família. A experiência ele relata no livro Anotações de um Cassado(Martins, 1965). “Sofremos muito por causa disso”, lembrou o filho. Mas nunca perdeu a dignidade em que pautou toda a sua vida.

Criado na rua Pedro Ivo, bairro do Paraíso, Walter Franco cresceu em uma biblioteca de seis mil volumes. A mesma onde seu pai recebia amigos notáveis, como Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e seu maior amigo, Aristides Lobo, lenda do jornalismo paulistano, redator da antiga Folha da Manhã, atualFolha de S. Paulo – que mantém um busto seu no salão de entrada. Lobo adorava o menino. “Hoje não vim te visitar, Cid, vim conversar com ele”, dizia, e apontava para Walter. Sua estreia na política aconteceu como vereador do Partido Socialista Brasileiro (PSD), do qual nunca se afastou e que abrigava, segundo o filho, “intelectuais de primeira grandeza”, como João Mangabeira. “Naquela época, a política era feita de maneira um pouco mais nobre”, observa o compositor.

A perseguição política a Cid Franco, na verdade, começou em 1937, quando foi instituída a ditadura do Estado Novo. “Meu pai veio da esquerda democrática e, por isso, acabou preso na cadeia do Parque Dom Pedro por um bom tempo.” Ao sair, para sobreviver, com ajuda de amigos, passou a escrever textos com o pseudônimo de Rodrigo Diaz de Bivar, em homenagem ao líder militar espanhol El Cid. Como radialista, foi precursor dos programas literários, de divulgação de livros, na Rádio Cultura. Trabalhou também naFolha da Manhã, O Estado de S. Paulo e Imprensa Oficial. Atuou como advogado e professor de Filosofia e Psicologia. No papel de tradutor, verteu para o português uma das obras mais importantes do século 20,Judeus Sem Dinheiro, de Michael Gold. Era, enfim, um intelectual completo, um homem extraordinário e, naturalmente, uma referência para os filhos.


O hino das diretas e a vigolância do SNI

Comícios - Franco fez o hino da campanha e cantou para 1,5 milhão de pessoas
Uma experiência inimaginável para Walter Franco foi cantar para uma plateia de 1,5 milhão de pessoas. Aconteceu no dia 16 de abril de 1984, no lendário comício das Diretas Já – movimento de oposição política e da sociedade civil para que o Congresso Nacional aprovasse a volta das eleições para presidente da República por meio do voto popular.

Franco se jogou na luta e compôs seu hino. Eram apenas dois versos, convencionais: “Seja feita a vontade do povo: liberdade/nas urnas o voto popular/Pra começar tudo de novo liberdade/Pra poder dormir e acordar/Pra começar tudo de novo, liberdade/Pra poder dormir e acordar/Com eleições diretas de verdade/e nas urnas o voto popular”.

Por estar emocionalmente envolvido, explica ele, foi fácil fazer a música. “E para apresentar aos organizadores, procurei um grande amigo, nosso querido e saudoso Rogê Ferreira. Lá fui eu a uma reunião na Câmara Municipal, violão embaixo do braço apresentar a minha música aos representantes de todos os partidos”, recorda. Sinfonia das Diretas, seu título, foi escolhida por uma comissão supra partidária. “Foi minha contribuição para a campanha. Digo com orgulho, sem cobrar um tostão sequer.”

A faixa foi gravada na cidade de Tatuí com a Orquestra e Coral em um especial da TV Cultura. “Participei da maioria dos comícios no Estado de São Paulo, em algumas apresentações, só com voz e violão. Eu me envolvi nessa odisseia com muito orgulho e posso falar por muitos dos meus amigos, músicos, cantores, compositores, atores e artistas de todos os matizes.

O que ele não sabia era que o Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão que monitorava a vida de brasileiros que considerava inimigos da ditadura, estava de olho nele. Todos os seus passos durante a campanha das Diretas foram acompanhados e suas atividades identificadas, assim como de outros artistas envolvidos no movimento.

domingo, 7 de julho de 2013

O Têrço [1971]



Compacto duplo da fase pré-progressiva da banda, ainda com a grafia O Têrço.

Músicas:
1. O Visitante (Jorge Amiden/Cezar de Mercês)
2. Adormeceu (Jorge Amiden/Cezar de Mercês)
3. Doze Avisos (Ivan Lins/Ronaldo MonteiroMero)
4. Ouvinte (Jorge Amiden/Cezar de Mercês)
5. Trecho da Ária Extraída da Suíte em Ré Maior (Bach)

Formação:
Sérgio Hinds - violoncelo elétrico e voz
Vinicius Cantuária - percussão e voz
Jorge Amiden - guitarra e voz
Cezar de Mercês - baixo e voz


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Entrevista com Tânia Braz (Ladylike), 14/06/2012

O que é rock progressivo ? Tânia Braz dá uma luz sobre o assunto nessa entrevista concedida ao programa Revista BHNews


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Titãs - Jesus Não Tem Dentes No País Dos Banguelas [1987]



Por Lucas Troglio
publicado em 24 de fevereiro de 2012 no Whiplash

Os Titãs se popularizaram a nível nacional em 1986 com o disco Cabeça Dinossauro, álbum que definiu o som da banda. O sucesso foi grande e trouxe um amadurecimento da banda, as músicas com letras marcantes e de grande efeito sobre o público deixam claro que a prisão de Arnaldo Antunes e Tony Bellotto causou um impacto grande na musicalidade deles.

"Jesus não tem dentes no país dos banguelas" que analiso como o melhor trabalho da banda é simplesmente fenomenal. Pense o seguinte: uma banda com 8 integrantes, cada um com seus gostos e concepções. Isso foi determinante pra uma banda como Titãs ser uma banda de rock tão eclética (e boa aliás).

O álbum inicia com uma sequência de músicas peculiares porém de grande qualidade, "Todo Mundo Quer Amor", "Comida" e "O Inimigo" são músicas difíceis de se ouvir, mas quando se presta atenção nota-se uma grande harmonia e um instrumental simples porém preciso.

Muita gente diz não achar Titãs especial devido a falta de complexidade em riffs e ritmos, porém poucas bandas tem essa capacidade de composição. "Corações e Mentes" mostra isso, excelente música. "Diversão" é uma das mais significativas no disco, com um início lembrando algo do rock progressivo e logo após passando para um punk estilo Clash a letra é simplesmente sensacional, ao vivo essa música consegue ser mais empolgante ainda.

"Infelizmente" tem um baixo marcante e vocal é praticamente falado, vale a pena conferir a letra dessa música que é bem bacana. Daqui pra frente a experiência torna-se incrível, a faixa-título possui apenas uma frase, mas uma frase que diz tudo por si só, muitas interpretações foram feitas a partir disso, faça a sua; o instrumental dela é muito bom, Nando Reis mostra que não é apenas um grande compositor e sim um baixista de mão cheia (coisa já mostrada no disco anterior "Cabeça Dinossauro"). "Mentiras" é uma das minhas favoritas, Charles Gavin simplesmente impecável na bateria e mostra um feeling incrível acompanhando a banda numa levada muito boa.

A faixa "Desordem" tem um refrão que cola e tem um grande impacto sobre o ouvinte, Sérgio Britto faz um vocal roqueiro porém sem extremos. Ouvir "Lugar Nenhum" é muito divertido, a letra encaixou no instrumental como uma luva, é muito legal essa música, assim como a composição de Branco Mello "Armas Pra Lutar" tem uma energia diferente do restante do disco, são mais punks. São as músicas que mais chamam atenção da galera do rock e do metal.

O disco termina com "Nome Aos Bois" que é uma prévia do hit "O Pulso" do disco "O Blesq Blom". A música possui nomes próprios apenas e é inexplicável como eles fazem harmonias legais com apenas citar palavras (vai entender). Destaca-se também os nomes citados, todos de personagens importantes da história mundial.



Quem adquiriu o disco na versão CD tem a faixa bônus, que é excelente, assim como "Desordem", "Violência" tem um refrão muito bom e uma crítica à sociedade. É uma das melhores do disco e deveria ter sido acrescentada desde o LP.

Vale a pena conferir esse grande trabalho de uma das maiores bandas do rock nacional, que estava a toda, Nando Reis mostrava ser um grande baixista e alinhando seu som a pegada de Charles Gavin na bateria que é um show a parte desempenhavam um trabalho de muita qualidade. As composições como sempre foram são muito inteligentes e trabalhadas.

Esse é uma grande prova de que o rock nacional tem qualidade suficiente para competir com o internacional, deixem o preconceito com música nacional de lado e curtam o bom e velho rock and roll.