terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Zé Ramalho - Orquídea Negra [1983]



Apresentação
Zé Ramalho

oi o meu quinto disco. Realizado em 1983, trouxe-me grandes e ilustres parceiros como: Fagner, Robertinho de Recife, Capinam e Maria Lúcia Godoy, que também participaram cantando comigo em suas respectivas faixas. Há a presença marcante de músicos extraordinários como: Egberto Gismonti, A Côr do Som e o Trio Elétrico de Armandinho, Dodô e Osmar. Foi um disco difícil de fazer, pelo envolvimento dos participantes em relação aos horários e época de gravação. A música que dá título ao disco "Orquídea Negra", foi feita por Jorge Mautner, que me entregou-a dizendo: - "Zé, você é a Orquídea Negra que brotou da máquina selvagem". Depois que o disco ficou pronto, achei, durante muito tempo, que ele era o meu self-portrait (auto-retrato). Foi muito bom ter tido a chance de reunir tantos nomes brilhantes em um dos meus discos. Arranjadores excepcionais me honraram com seu talento: Radamés Gnatalli e Chiquinho de Moraes. Por eles e por tudo isso, é um dos meus discos prediletos.


Texto da reedição, 2003
Marcelo Fróes

Com "Orquídea Negra", Zé Ramalho entra no inferno através de seu mergulho no universo das drogas - quando tornou-se viciado em cocaína por conta do marasmo que sucedeu à frustração do projeto "Força Verde" no ano anterior. Com tudo isso, a interrupção dos trabalhos pós-lançamento do disco anterior não impediu que este novo projeto fosse extremamente bem produzido já em 1983. Mais caro ainda que o anterior, este trabalho novamente surpreende pela capa interna, que inclui fotografia tirada em Búzios, com o artista ateando fogo ao oceano (!). Presente de Jorge Mautner, a faixa-título serviu de abertura ao disco - e para que o artista vislumbrasse o segmento que seria dado à sua carreira. Zé Ramalho resolve divulgar o estereótipo que tentaram lhe impor, o daquele que efetivamente havia "roubado" a cultura européia ao apoderar-se do texto de um poeta irlandês.

A abertura do disco, com efeitos especiais de tiros de canhão, deu muito trabalho, e "Orquídea Negra" é até hoje considerado pelo artista como seu fiel auto-retrato. Contou com muitas participações especiais, de pessoas que resolveram apoiar o artista como num desagravo pelas acusações que sofrera no ano anterior. Nada aconteceu com o disco, que também não teve turnê de divulgação. "Orquídea Negra" minou a carreira do artista e representou também o encerramento de sua fase em Fortaleza, diante da iminente separação da cantora Amelinha.

Janeiro, 2003

Nenhum comentário:

Postar um comentário