domingo, 30 de setembro de 2018

Tim Maia - Disco Club [1978]

Mega .flac


Por Topsify

Mesmo que você não esteja tão por dentro da carreira de Tim Maia, só precisa bater o olho nas faixas de "Disco Club" (1978) para entender toda a importância do álbum. Suas três primeiras canções, "A Fim de Voltar", "Acenda o Farol" e "Sossego", foram alguns dos maiores sucessos do cantor, e, hoje, o trabalho é considerado um dos mais importantes da sua carreira. Além de ter representado o histórico mergulho do soulman brasileiro na disco music, o álbum teve nas suas gravações alguns dos episódios mais conturbados do cara dentro de estúdio, nos quais a genialidade de Tim se sobressaiu a tudo e a todos! 

A simples escolha do cara por um álbum de disco music deu início às polêmicas, já que o estilo era visto pelos puristas como uma visão "branca" para gêneros de origem negra como funk e soul. Tim pensava diferente - via as batidas dançantes e os trajes extravagantes como algo "complementar" à sua cultura e não teve medo de assumir a responsabilidade, mostrando que também quebrava tudo no som das pistas! O caminho até o resultado final, porém, teve alguns percalços.

Tim reuniu um time de músicos realmente incrível em estúdio, desde o ainda jovem Pepeu Gomes até o cantor e compositor Hyldon e o produtor Guti Carvalho. No entanto, ainda faltava uma das partes mais importantes de qualquer trabalho de disco music: os arranjos orquestrais, que contagiavam tanto quanto as batidas ou as guitarras. Depois da recomendação de Guti, o cantor chamou o maestro argentino Miguel Cidras para trabalhar nos arranjos, mas o trabalho do portenho demorou para agradar o soulman - chegando a ocasionar o momento mais tenso do processo. 

Nas gravações das cordas de "Pais e filhos", capitaneadas por Cidras, Tim surtou com o que estava ouvindo e chamou Guti para conversar. O arranjo do argentino era muito semelhante à melodia da voz do cantor, deixando alguns momentos bastante confusos - não dava para diferenciar se era Tim cantando ou os instrumentos ressoando. Segundo o biógrafo Nelson Motta, o soulman falou exatamente: "Pô, Guti, já te falei pra não chamar esse cara, mermão. Ele faz esses arranjos quatro-quatro-meia e assim não dá pra cantar.” O grande problema é que o produtor havia esquecido o microfone do estúdio aberto, e Cidras e a orquestra inteira ouviram a reação do cantor.

No linguajar de Tim, "quatro-quatro-meia" significava algo "menor que cinco", pior que mais ou menos/medíocre - e todos sabiam o que o cara queria dizer. Depois das frases, a reação de Miguel Cidras foi imediata: ele saiu de dentro do estúdio gritando com Tim e o derrubou, começando uma confusão generalizada. Os ânimos demoraram a se acalmar, com os dois se debatendo no chão e xingando um ao outro. Quando enfim pararam, toda a equipe foi para uma salinha separada e passou por uma verdadeira DR, de onde saíram conclusões essenciais para a finalização do álbum. 

O cantor resolveu chamar o lendário maestro brasileiro Lincoln Olivetti para o restante das faixas, e os arranjos novos realmente se mostraram melhores - mais sofisticados, mas sem deixar de grudar na cabeça. No fim das contas, metade do disco ficou com o trabalho de Cidras e a outra com o de Olivetti - e uma verdadeira obra-prima nasceu. 

Tim Maia era assim: do meio da confusão e de mil polêmicas, emergia a genialidade! 


A1 - A Fim De Voltar
(Hyldon, Tim Maia)
A2 - Acenda O Farol
(Tim Maia)
A3 - Sossego
(Tim Maia)
A4 - Vitória Régia Estou Contigo E Não Abro
(Tim Maia)
A5 - All I Want
(Tim Maia)
B1 - Murmúrio
(Cassiano)
B2 - Pais E Filhos
(Arnaud Rodrigues, Piau)
B3 - Se Me Lembro Faz Doer
(Tim Maia)
B4 - Juras
(Tim Maia)
B5 - Jhony
(Tim Maia)

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