sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Raul O Início, O Fim E O Meio [2012]



Por Lu Tazinazzo

Bom, a princípio, para ver esse documentário você precisa ou ser fã do Raul ou querer conhecer a obra do cantor. Julgar atitudes e estilo de vida não é uma opção para quem assiste esse filme. No geral, a minha impressão do filme é que foi uma obra bem produzida, cuja principal função é esclarecer diversos pontos na vida do cantor.

Eu já conhecia bastante da obra de Raul Seixas, mas nunca tinha realmente me aprofundado nas curiosidades de sua vida pessoal. Achei muito bacana ver Paulo Coelho esclarecendo sua relação com o cantor, seus erros e acertos, e mostrando para todos que a parceria não terminou na inimizade e não mal entendido.

Achei muito bacana também como pessoas próximas ao cantor falaram sobre seu processo criativo, seu jeito de ser. O documentário contém muitas imagens de Raul Seixas em shows, apresentações e entrevistas, o que enriqueceu a obra e garantiu boas risadas ao público, já que, dono de um senso de humor inteligentíssimo, Raulzito sempre soltava pérolas quando resolvia falar.

O grande problema é que Raul era uma pessoa de diversas camadas, sempre buscando mais, vivendo a vida no limite. Sua obra, se analisada profundamente, daria uma novela, por isso, neste ponto, o documentário passou a impressão de ser um pouco superficial. O roteiro quase quis explicar as confusões e idas e voltas em suas relações pessoais, e simplesmente falou aquilo que já sabemos a respeito de seus álbuns mais importantes.Gita, que considero seu melhor álbum, foi friamente destacado, enquanto a Sociedade Alternativa recebeu uma pincelada.

Raul Seixas mudou todo o ambiente da música popular brasileira quando surgiu, e não é à toa que até hoje mobiliza fãs por todo país. Por alguns momentos, acho que o diretor acabou destacando demais as loucuras do cantor, de seus fãs, e de seus amigos, dando a impressão que o universo Raulzito respira drogas e a obra é uma consequência. Eu garanto a vocês, odeio qualquer tipo de droga, mas não me identifiquei como fã naquele mundo, que é muito mais além das loucuras dos anos 1970.

No geral, o documentário é bom, mas Raul merecia um especial ou série em capítulos, para receber a atenção que merece. Mas vale muito a pena ver seu ídolo não apenas falando, mas ensinando, e a trilha sonora é simplesmente perfeira.

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