domingo, 24 de janeiro de 2016

The900 - Queimando Tudo [2010]

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EP com cara daquela mistura setentista de som "pesado + balada", com clipes muito bem produzidos e mulher na bateria. Não tinha como eu não gostar.


1 - Hoje Tudo Está Bem
2 - Megalomaníaco
3 - Queimando Vivo
4 - V.G.S
5 - Westphalen
6 - 8 da Manhã


Laio Carvalho – Vocal e guitarra
Kleber Bovo – Baixo e back vocal
Alan Coelho – Guitarra e teclas
Nara Maciel – Bateria e back vocal




segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Os Incríveis - Para Os Jovens Que Amam Os Beatles e Os Rolling Stones e... Os Incríveis [1967]

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Por Augusto TM em Toque Musical

Este foi, sem dúvida, um dos mais importantes grupos de rock brasileiro. Me lembro, ainda menino, de ouvir direto este disco na casa de meus primos. Essa capa, com motivos psicodélicos, nunca saiu da minha cabeça, assim como as músicas deste disco. Quem nunca cantou, pelo menos o refrão, de "Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones" ou nunca ouviu o instrumental "O Milionário"? Apesar de versões, como era comum naquela época, Os Incríveis foi bem mais que um simples grupinho da Jovem Guarda. Eles tem uma história própria. São merecidamente os incríveis do rock nacional. Tem que ouvir direito. Tem que ouvir este toque...



A1 - Minha oração (My prayer)
(Boulanger - Kennedy)
A2 - Vai, meu bem (Hideaway)
(Blaikley)
A3 - Nosso trato (Sei giá d'un altro)
(Pantros - Wilson)
A4 - Era um garoto que como eu amava os Beatles e Rolling Stones (C'era un ragazzo che come me amava I Beatles I Rolling Stones)
(Migliacci - Lusini)
A5 - O homem do braço de ouro (Delilah Jones)
(Fine - Bernstein)
A6 - O milionário (The millionaire)
(MaxField)

B1 - Molambo
(Jayme Florence - Augusto Mesquita)
B2 - You know what I want
(Blaikley)
B3 - Czardas
(Monti)
B4 - Perdi você
(José A. Diogo - Carlos Mendes)
B5 - Nosso abraço aos Beatles e Rolling Stones: Twist and shout
(Russell - Medley)
B6 - Não resta nem ilusão
(Natal Maleski)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Esquadrão da Morte [1976]

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Na década de 70, era mais cuidadosa a elaboração artística brasileira, isso sendo na música, no teatro, na literatura, na dramaturgia, no cinema… Nisso, haviam as espetaculares trilhas sonoras, das quais sou vidrado. Em meu acervo tem algumas que recomendo, e desta vez indicarei uma das que mais gosto que é a do filme O Esquadrão da Morte de 1976 – um filme de Carlos Imperial, estrelando Carlos Vereza, Stênio Garcia, etc… Um disco que não é tão fácil assim de se encontrar, tive a sorte de conseguir de um acervo de rádio uma cópia em estado razoável, toca perfeitamente e tem um set primoroso.

Pois bem, a trilha foi composta pelo gênio Zé Rodrix ( exceto a faixa Mundo que é de Zé Rodrix e Carlos Imperial e declamada por Carlos Vereza) e executada por sua banda Agência de Mágicos. Boa parte do repertório é instrumental, com notável influência de trilhas norte-americanas da época – à la 007: cheia de grooves, baladas, climas… Lançado pela gravadora RCA, mesmo Zé Rodrix sendo da EMI Odeon, pela qual foi gentilmente cedido. Linda capa assinada pelo grande ilustrador Benício, a qual também seria a arte do cartaz do filme.

O disco é todo fantástico, uma pedrada atrás da outra, em destaque: Esquadrão da Morte – faixa que abre o disco, uma espécie de tema de perseguição, bem nervosa essa faixa. Assalto, faixa 3 do lado B, uma progressão harmônica de apenas uma sequência, porém, cheia de improvisos jazzísticos – com solos de flauta, trompete, saxofone… E a terceira é a logo após de Assalto, que se chama Esconderijo, esta tem uma pegada bem “groovada”, com um baixo pesado, um moog de fundo e um piano elétrico fazendo a base.

Gostaria muito de assistir o filme, mas o mesmo, não sei por qual motivo, é tão difícil de encontrar quanto o disco.

Então é isso, ta aí minha dica de um disco sensacional que não pode deixar passar quando vê-lo por aí, ouso em dizer que é a melhor trilha que tenho em meu acervo. Vou ficando por aqui, até a próxima com mais um papo sobre meus discos. Forte abraço!


A1 Esquadrão Da Morte
(Zé Rodrix)
A2 Um Homem É Um Homem É Um Homem
(Zé Rodrix)
A3 Chorinho Pro Tio
(Zé Rodrix)
A4 Tema De Amor
(Zé Rodrix)
A5 Bolero De Mangaratiba
(Zé Rodrix)

B1 Motoqueiros
(Zé Rodrix)
B2 Mundo!
(Zé Rodrix/Carlos Imperial)
B3 Assalto
(Zé Rodrix)
B4 Esconderijo
(Zé Rodrix)
B5 Rhumba
(Zé Rodrix)

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Carlos Café - 30 Anos De Estrada [2014]

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Gravado ao vivo em comemoração aos 30 anos de carreira de Café, o show traz canções que marcaram essa trajetória. Entre as músicas que integram o repertório estão diversas homenagens a ídolos do guitarrista. É o caso de “Blues pro Raul”, composta para Raul Seixas, e “A Lenda do Pai do Blues”, em celebração a Robert Johnson.


1. Santo Graal
(Carlos Café)
2. A Lenda do Pai do Blues
(Carlos Café)
3. Vivendo e Aprendendo
(Carlos Café)
4. Happy Blues
(Carlos Café)
5. O Rei do Blues
(Carlos Café)
6. Eu Sonhei
(Carlos Café)
7. Noite Fria
(Carlos Café)
8. Urublues
(Carlos Café)
9. Canto o Meu Blues
(Carlos Café)
10. Collin's Boggie
(Carlos Café)
11. Blues Porro Raul
(Carlos Café)
12. Dedo no Olho Não Vale
(Carlos Café)
13. Johnni Guitarra
(Carlos Café)

domingo, 10 de janeiro de 2016

Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho - O Grande Encontro [1996]

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Do Tumblr do Zé Ramalho

Após o lançamento do disco “Frevoador”, em 1992, a gravadora rompeu novamente com o cantor. Mesmo tendo sido um disco de razoável sucesso e retorno, Zé foi dispensado da então CBS e viu-se novamente sem contrato. Na época, já havia gravado o que viria a ser o seu próximo trabalho. Porém, sem acordos, Zé permaneceu sem gravar até 1995, quando combinou com Geraldo Azevedo, que era seu vizinho, shows pelo Brasil. A união da dupla foi chamada de “Dueto”, seria gravada em disco, e é a pré-história de O Grande Encontro.

Em um desses shows, Elba Ramalho e Alceu Valença estavam presentes. Na ocasião, Alceu subiu ao palco e os três — Geraldo, Zé e Alceu — cantaram juntos, pela primeira vez, a música Táxi Lunar, composição do trio. Logo surgiu a ideia de reunir os quatros: os convites foram feitos individualmente a cada artista, que se reuniram e decidiram o roteiro dos shows.

Assim nasceu O Grande Encontro. Os shows, de voz e violão, movimentaram os fãs por todo o Brasil. O sucesso foi imenso e marcou a história da música brasileira. Além de celebrarem a força da música de cada um, O Grande Encontro exalta a amizade e as memórias, lembranças nas quais quatro vidas se encontraram e tornaram-se grandes parceiras. O poder destas vozes lotou todos os lugares por onde cantavam e, sem demora, O Grande Encontro foi eternizado em disco.

Gravado em 1996, no Canecão, Rio de Janeiro, o álbum obteve grande projeção e sucesso, lançando também as carreiras individuais dos artistas a novos patamares. Músicas marcantes na trajetória dos trabalhos de cada um como “Dia Branco”, de Geraldo Azevedo, “Chão de Giz”, de Zé Ramalho, “Banho de Cheiro”, na voz de Elba Ramalho e “Pelas Ruas que Andei”, de Alceu Valença, além de canções que os inspiraram através dos tempos, dão ao disco mais beleza e singularidade.

Como era o único sem gravadora, Zé recebeu a oportunidade de um novo contrato único com a BMG e pôde voltar aos trabalhos para lançar o seu novo disco.


01. Sabiá
(Luiz Gonzaga / Zé Dantas)
02. Coração bobo
(Alceu Valença)
03. Jacarepaguá blues
(Zé Ramalho)
04. Pelas ruas que andei
(Alceu Valença / Vicente Barreto)
05. Talismã
(Alceu Valença / Geraldo Azevedo)
06. O ciúme
(Caetano Veloso)
07. Dia branco
(Geraldo Azevedo / Renato Rocha)
08. O amanhã é distante
(Bob Dylan / Vrs. Geraldo Azevedo / Vrs. Babaum)
09. Admirável gado novo
(Zé Ramalho)
10. Trem das sete
(Raul Seixas)
11. Chão de giz
(Zé Ramalho)
12. Veja (Margarida)
(Vital Farias)
13. A prosa impúrpura do Caicó
(Chico César)
14. Tesoura do desejo
(Alceu Valença)
15. Chorando e cantando
(Geraldo Azevedo / Fausto Nilo)
16.Banho de cheiro
(Carlos Fernando)

sábado, 9 de janeiro de 2016

Leno - Meu Nome é Gileno [1976]

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Por Assênia Vinil Ossamo no Almanaque do Malú

Tendo uma coleção quase completa do rock nacional dos anos 60 aos 80, posso afirmar sem pestanejar: "Meu nome é Gileno" é um dos melhores discos do rock tupiniquim, em todos os tempos. Instrumental impecável, composições que grudam no ouvido, produção limpa, foi aclamado pela crítica e não vendeu tão bem na época de seu lançamento (1976), recebendo uma edição em CD em 1999, dentro da série "Jovem Guarda" da Sony. O discão tem várias misturas no caldo do rock, até resquícios da jovem guarda, mas definitivamente não é um vinil retardatário do movimento jovem sessentista, onde Leno se destacou já no seu final. Pra começo, tem participações e acompanhamento que não são pra qualquer um:a cozinha pesada da cultuadíssima banda O Peso, o ritmo de Paulinho Braga, um dos melhores bateristas brasileiros, a onipresença de Paulo César Barros, ele mesmo, lendário co-fundador da banda do irmão Renato nos Blue Caps, Dominguinhos, que não carece de apresentações e o encandescente Zé da Gaita, mito entre os músicos de todas as épocas. Com essa turma, dá pra segurar bem a fervura de qualquer caldo, mas Leno foi além: construiu um disco milimetricamente dosado, com partes iguais de peso, balada, saudosismo e veia roqueira. 

Letra viajante empacotando um boogie danado (Semente Cósmica), gaita e teclado ponteando saudades sessentistas (Jovem Guarda), rock nostálgico com guitarra arrepiante (Em busca do Sol), cuíca em perfeito casamento com o baixo e guitarra (Depois do Carnaval), country rock de primeira (Grilo City), balada arrasadora - caramba, o Fabio Junior dos tempos de "Ciranda, Cirandinha" apareceu uma ano depois e acabou perdendo a chance de gravar essa!! (Chuva do Amanhecer), versão honesta (Luar do Sertão) , versão a la Stones (Me Deixe Mudo), blues estradeiro (Amigo Velho) e pop romântico (Céu Dourado, do compositor Guilherme Lamounier, esse sim gravado pelo Fábio Júnior - só não sei se essa música também). 

"Meu Nome é Gileno" é um disco a descobrir e certamente será uma grata surpresa para muitos, principalmente para quem deixar de lado o preconceito em torno da grife "Jovem Guarda". Parem de bobagem! o potiguar Leno, ex-Jovem Guarda, ex-parceiro de Lílian, amigão de Raul Seixas e compositor-cantor-instrumentista de mão cheia, fez e faz até hoje um rock autêntico e apaixonado. E esse petardo aqui, meus caros, é um grande momento dos anos setenta. (Assênia "Vinil" Ossamo) - colecionadora e autora do livro inédito "Discos, Discos, Amigos à Parte".


A1 - Semente Cósmica
(Gileno)
A2 - Jovem guarda
(Gileno)
A3 - Em Busca Do Sol
(Alessandoro/Gileno)
A4 - Depois Do Carnaval
(Gileno)
A5 - Grilo City
(Gileno)

B1 -  Luar Do Sertão
(Catullo da Paixão Cearense)
B2 - Chuva do amanhecer
(Gileno)
B3 - Me Deixe Mudo
(Walter Franco)
B4 - Amigo Velho
(Gileno)
B5 - Céu Dourado

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Bárbara Eugenia - Frou Frou [2015]


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Por Alexandre Matias*

2015 é um ano tenso, turbulento, agressivo. Polaridades disparam em radicais opostos para chocar-se de frente. Tudo está em xeque: comportamentos, ideologias, gêneros, classes sociais, estéticas, pontos de vista. O ano é uma catarse de emoções e elas vêm intensas, contraditórias, díspares, em bando.

Mas uma virada de bateria corta o horizonte sonoro, passeando pelas peças de seu instrumento numa lenta e didática virada que ao mesmo tempo em que testa a sonoridade de cada tambor e anuncia a suspensão da realidade para um anúncio importante, como um juiz da realidade que apita “tempo” para que possamos prestar atenção em um detalhe. Ao concluir no bumbo, a virada passa a contar o tempo num lento e hipnótico compasso bate-estaca em câmera lenta, perseguido por um baixo cúmplice e cordas dramáticas, que funcionam como base para um riff discreto e reverente, que reforçam o pedido de atenção exigido pelo ritmo com doses de elegância e reverência.

Bárbara Eugenia surge solene e séria, como se dispusesse a se tornar arauta deste ano turbulento. “Nesse tumulto de emoções”, canta quase conversando, antes de mudar drasticamente o ponto de vista do ouvinte, “que se chama ‘eu’, quero uma liteira que me carregue pra longe do meu coração para mantê-lo hermeticamente fechado, isolado da dor, imune. ”

A tensão começa a ser dissipada como uma manteiga cortada por uma faca quente – a guitarra que acaricia arabescos entre a surf music e o western spaghetti, pista de pouso para um teclado que repousa, a cada verso, acordes de sonho – baixo e bateria, seguem marcando o tempo e determinando o pulso marcial do início da canção que abre o terceiro disco de Bárbara.

“Acontece que não sei viver à margem. Prefiro ser assim – amando, sofrendo, gozando a vida de verdade”, Barbara segue implacável como se rogasse uma praga almodovariana sobre si mesma, aos poucos vai baixando a guarda, ao mesmo tempo em que o ritmo vai deixando a seriedade de lado para começar a instigar a dança – e ela mesma vai anuncia que cede à própria fragilidade: “Tentei fugir, fingir que nada se passava. Inevitável – essa amizade foi longe demais” – ela repete a última frase vocalizando as vogais e cedendo a um drama teatral que se entrega por inteiro quando o baixo se pronuncia em primeiro plano, como se acendesse luzes coloridas traduzidas em cordas de tom épico girando ao redor de um muquifo escuro que segundos antes era feio, forte e formal como um pub de filme policial.

“E quanto mais eu me aproximo, mais colada eu tô”, Barbara atira seu vocal à pista de dança e nos recebe em um delírio brasileiro de disco music, tecendo uma ponte entre a música pop e a música popular brasileira que foi abalada pelo surgimento da geração rock dos anos 80.

“Vidrada no teu sorriso com a cara de besta que sou” – ela canta o título da primeira canção – “Besta” – de forma quase jocosa, tirando toda a pseudosseriedade do início da faixa e exorcizando completamente as tensões do ano de seu lançamento. “Besta” é a melhor introdução a Frou Frou, um disco fútil e volúvel à primeira vista, que esconde exatamente essa necessidade de criar um hiato ou um aposto que consiga nos isolar da enxurrada de animosidade que convivemos diariamente. Bárbara Eugenia vem elegante como um trocadilho dadaísta, mas sua raiz é passional, quente, latina, novelesca. Ela abre uma fenda interdimensional para um universo minúsculo, um inferninho discothèque abrasileirado que daria continuidade à casa noturna carioca Noites Tropicais ao misturar as atmosferas de um Studio 54 à brasileira com todo o espectro emocional de programas de calouros e da Discoteca do Chacrinha nos anos 80. “Eu bem que sabia que isso era uma cilada”, ela confessa num momento de pausa da canção, “eu tinha certeza, mas adoro uma roubada” – e aí entra um sax rasgando tudo, tão clichê, autorreferente e eficaz quanto os “uh uhs” que fazem a canção retomar o tom solene inicial. Mas aí já era. Toda pose foi desfeita e o que parecia arrogância era só a própria insegurança esparramada em um comentário irônico e sério sobre este 2015. Com um risinho no canto da boca, piscando discretamente um dos olhos, ela nos pede um favor: “Menos, galera.”

A primeira metade do disco – e algumas faixas da segunda metade – traz outros exemplos desse campo de força criado ao redor de uma pseudofutilidade. “Vou Ficar Maluca” parece ecoar “Penny Lane” ironicamente, mas o groove puxado pelo piano como o de “Modern Love” nos devolve à pista de dança do início do disco. Prince e Debbie Harry se encontram num subúrbio brasileiro em “Pra Te Atazanar”, dobradinha com o arisco Rafael Castro (que também atravessa 2015 em fase dance) que nos dá uma explicação impossível de ser rebatida: “Por quê? Porque sim. Porque eu cismei com você. Por quê? Porque sim. Porque eu pirei, ” enquanto os dois nos levam madrugada adentro aos limites de uma relação afetada e paranoica. Mais adiante ela derrete-se blueseira cabaret no pé na buda de “Ai, Doeu!” que parafraseia Lulu Santos (“Tudo passa, tudo sempre passará”) bem temperada de órgãos elétricos, meio como os blues de Paul McCartney, que misturavam os sentimentos mistos das dores de cotovelo de Wanderléa com o andamento pesado da banda de Janis Joplin.

“Recomeçar”, composta pelo líder do Cidadão Instigado, o guitarrista Fernando Catatau, talvez seja um dos grandes momentos de Frou Frou. Bárbara já conhecia a canção desde antes do lançamento do disco Uhuuu, que a banda cearense lançou em 2009, e ao ver que ela não havia entrado nem naquele disco nem no Fortaleza, lançado este ano, chamou a responsabilidade para si e gravou uma canção romântica perfeita para ser tocada nas rádios brasileiras dos anos 70 e 80, uma música que Roberto Carlos, Fagner e Odair José provavelmente gostariam de tê-la escrito. Mesmo com seus “papapa” e “tchururu” próprios do pop brasileiro, “Recomeçar” também passeia pela pista de dança que aos poucos vai tomando conta do disco em um breque que aponta para os momentos disco music do disco The Wall do Pink Floyd. “Vamos parar algum momento pra recomeçar”, lamenta e confessa uma das músicas mais firmes de Fernando Catatau, “partir do princípio de quando nosso olhar se encontrou. ”

O ponto de meditação “Para Curar o Coração” reúne comadres – Andreia Dias, Blubell, Andrea Merkel, Claudia Dorei e Naná Rizzini – para repetir uma frase em português entreouvida por um acaso num mantra cantado em tibetano – e funciona como uma vinheta de transição para a segunda metade do disco, que deixa seu lado hedonista e porraloca em segundo plano para entrar numa internalização a respeito dos próprios sentimentos.

Como é o caso de outro ponto alto do disco, a delicada “Ouvi Dizer”, composta com o compositor Peri Pane – que faz um dueto com Bárbara na gravação – e o poeta arrudA, que contrapõe Pasárgada e Atlântida como ideais de utopias coletivas, refletindo sobre sua efemeridade num arranjo quase oriental. A versão para “Cama”, de Tatá Aeroplano, outro velho conhecido da cantora, assume outro holofote do disco, ao levar a canção de amor impulsivo e obsessivo naquele limite entre o hard rock e o rock progressivo, puxando a eletricidade no talo para amplificar ainda mais a birra original da música. Como na música de Catatau, Bárbara encarna o protagonista originalmente masculino da canção sem o menor estranhamento, trazendo completamente as músicas para o coração feminino.

“Doppelganger Love”, a primeira música composta em inglês do disco, retoma o tom dançante e aparentemente fútil do disco, chacoalhando-se retilínea entre a new wave e o pós-punk, a Gang 90 e o Gang of Four. A beatlesca “Tudo Aqui” equilibra as duas metades do disco à medida em que ele vai chegando perto do final. A faixa ecoa o trabalho anterior de Bárbara – o subestimado duo em inglês Aurora, que gravou ao lado de Fernando “Chankas” Cappi, do Hurtmold – e foi a primeira canção que ela compôs na guitarra, logo que começou a aprender a tocar o instrumento, uma mudança nas apresentações ao vivo.

A praiana “Só Quero Seu Amor” – com o cantor Pélico fazendo backing vocal ao lado dos outros integrantes de sua banda – aos poucos vai fazendo o sol do disco se pôr, depois de apresentar-se com um riff de guitarra glam rock. A sonhadora “Baby”, também em inglês e levada no ukulele, antecipa uma noite leve e tranquila, completamente diferente daquela em que começamos o disco. O disco termina com a música-tema, uma faixa instrumental que ela compôs em Lumiar para um pinheiro chamado Carvalhão (pois é). “Frou Frou” encerra o disco que batiza da forma mais sessão da tarde possível, liberando a banda que a acompanha para farrear à vontade, com vocais divididos com Tatá Aeroplano.

Esta é formada essencialmente pelo guitarrista Davi Bernardo, o baixista Jesus Sanchez e o baterista Clayton Martin, que coproduziu o disco ao lado de Bárbara, sugerindo instrumentos, virando músicas do avesso e compondo riffs. Ao redor dos três, um contingente de músicos de primeira desfila pelas faixas do disco – do piano de Dudu Tsuda ao minimoog do Astronauta Pinguim, passando pelos teclados de Pedro Pelotas, João Leão, André Whoong e Dustan Gallas, o violão de Regis Damasceno, o sax de Dharma Samu e o baixo de Diogo Valentino.

Um disco leve e alto astral, que funciona como um refúgio para o excesso de tensão deste ano.

Uma brecha aberta com gosto, que nos convida para a fuga. Siga aquela garota!


*Alexandre Matias é o dono do Trabalho Sujo

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Renato Russo - Só Por Hoje e Para Sempre [2015]



Entre abril e maio de 1993, Renato Russo passou vinte e nove dias internado numa clínica de reabilitação para dependentes químicos no Rio de Janeiro. Durante esse período, o músico seguiu com total dedicação os Doze Passos, programa criado pelos fundadores dos Alcoólicos Anônimos, que incluía um diário e outros exercícios de escrita. É este material inédito que vem à tona depois de mais de vinte anos em Só por hoje e para sempre, graças ao desejo de Renato de ter sua obra publicada postumamente. Entremeando as memórias do líder da Legião Urbana com passagens de autoanálise e um olhar esperançoso para o futuro, este relato oferece a seus fãs, além de valioso documento histórico, um contato íntimo com o artista e um exemplo decisivo de superação.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Jorge Leite de Siqueira - Faroeste Caboclo [2003]

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Livro de Jorge de Siqueira baseado na música da banda Legião Urbana, que conta toda a trajetória de João de Santo Cristo, em sua vida de muita aventura e sofrimento.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Johnny Love [1988]

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Trilha sonora do filme "Johnny Love" cujo astro principal foi o indefectível Maurício Mattar. No disco o vocal principal é dividido entre Sérgio Dias e uma vocalista chamada Mariza Belmont. Este trabalho gerou um show que fez Sérgio voltar a suas origens roqueiras e entre os músicos que acompanharam a temporada de duas semanas no teatro "Tereza Rachel", no Rio de Janeiro, estava de volta um velho companheiro, Rui Motta na bateria e com a presença de uma vocalista que roubou o show, uma loirinha espevitada com uma voz maravilhosa que ninguém conhecia mas que após uns dois anos ficou muito conhecida na "terra brasilis". Seu nome: Deborah Blando.


A1. Intro Dance 
(Sérgio Dias) 
A2. Prisioneiro do Amor
(Sérgio Dias)
A3. Deixa o Mundo Explodir
(Sérgio Dias)
A4. Panic Dance 
(Sérgio Dias)
A5. Aonde os Sonhos Vão Te Levar
(Sérgio Dias)
A6. Perseguição I
(Sérgio Dias)

B1. Paixão (Tema de Jô)
(Sérgio Dias)
B2. Perseguição II
(Sérgio Dias)
B3. Encurralado
(Sérgio Dias)
B4. Love Theme
(Sérgio Dias)
B5. Pesadelo
(Sérgio Dias)
B6. Aonde os Sonhos Vão Te Levar
(Sérgio Dias)