domingo, 27 de maio de 2012

Ângela Rô Rô - Ângela Rô Rô [1979]

Yandex 204kbps


Por Hominis Canidae

Ângela Rô Rô é o primeiro álbum de estúdio da cantora brasileira Ângela Rô Rô, lançado em 1979 pela PolyGram, dentro do selo Polydor Records. Marcado por grandes sucessos como Amor, Meu Grande Amor, Tola Foi Você, Agito e Uso, Gota de Sangue, A Mim e a Mais Ninguém e Não Há Cabeça, todas de sua autoria. O álbum carregava um estilo bluseiro, marcado pelo romantismo, algo inovador na época.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Made in Brazil - Minha Vida É Rock and Roll [1981]


Download


Por Fabio Cavalcanti

Apesar do seu título quase auto-indulgente, o álbum se mostrou como um trabalho consistente de hard rock, com uma produção sem firulas, além de músicas realmente grudentas. Definitivamente um dos melhores trabalhos da banda!

terça-feira, 22 de maio de 2012

FEMUCIC 2012, de 23 a 26 de Maio!!!

O Marcelão sabe, todos os anos aguardo ansiosamente o acontecimento deste que costumo dizer, é um dos maiores, senão o maior evento cultural da nossa cidade, música de excelente qualidade, um zelo enorme por parte dos organizadores para deixar tudo muito bem feito, qualidade de som primorosa no palco e a banda FEMUCIC muito bem ensaiada para companhar aqueles que vem só cantar e não vão tocar nenhum instrumento, no domingo conversando com a minha irmã Lê, comentamos o  seguinte; Para quem vai ao FEMUCIC todo ano, talvez um dos atrativos seja exatamente o de não ter certeza de quais tipos de qualidades iremos ver nas performances que se seguirão nas quatro noites, claro que acontece de um artista que já se apresentou em outras edições voltar, mas ele sempre que volta, tem que voltar com uma música nova, inédita e isso torna o espetáculo sempre melhor a cada ano, um exemplo é a catarinense Ana Paula da Silva, que já esteve em outras edições, ano passado não veio e este ano se apresenta de novo, em 2010 esta menina nos surpreendeu ao subir ao palco portando uma sacolinha plástica dessas que recebemos nos supermercados ao fazer compras, e não é que dali saiu um som suave que ajudou a compor a musicalidade da canção "Anágua de Iaraiêmanja", idéia que surgiu segundo ela mesma, ali nos bastidores do festival, nosso festival, é uma mostra, Mostra de Música Cidade Canção, mas não podemos deixar de lado a palavra Festival, pois é sempre muito festivo poder usufruir de toda a beleza e qualidade musical que nos é presenteada pelo SESC todos os anos através do FEMUCIC.



segunda-feira, 21 de maio de 2012

Luiz Caldas - Castelo de Gelo [2010]

Download 128kbps


Criador de Tieta, Pai do Axé dá uma aula de Rock!
Por Rubens Lisboa
Publicado em 19 de setembro de 2011 em Espelho, Espelho Mau...

Luiz Caldas é conhecido como o pai do axé, se consagrou com sucessos como “Tieta” e “Haja amor”, além de ter criado os singelos versos “pega ela aí para passar batom, de cor de violeta na boca e na bochecha” e “batom azul na boca e na porta do céu” em “Fricote”, também conhecida como “Nega do Cabelo Duro”. (obs.: os versos deixam no ar possíveis rimas que são de uma malícia digna do AC/DC)

Lembro que no início da década de 90 ainda era bem comum ver Luiz Caldas em programas de TV e ouvir suas músicas por aí. E aí o axé se consolidou. Vieram o Asa de Águia, o Chiclete com Banana, a Banda Eva (de onde saiu Ivete Sangalo) e mais um monte de gente.

O axé leva cada vez mais público seja no carnaval ou nas micaretas, enquanto ultimamente Luiz Caldas vivia à sombra do sucesso dos outros músicos do gênero. E então o baiano resolveu mostrar o seu vasto conhecimento musical e lançou no ano passado uma série de discos de diferentes estilos, sendo o mais surpreendente o rock.

Assim como Durval Lélys, do Asa de Águia, Luiz Caldas se declara fã de vários grupos de rock como o Pink Floyd e o AC/DC, além de já ter aparecido em público vestindo uma camisa da banda alemã de heavy metal Kreator.

O gosto do músico pelo rock talvez não seja muito novo, assim como a gravação do disco, já que diversos veículos de imprensa noticiaram o fato e recentemente ele esteve no Programa do Jô, na TV Globo, para cantar a música “Maldição”.

Mas o que pode surpreender a muitos é a pegada do som tocado por Luiz Caldas. É muito curioso dizer que o disco que talvez seja um dos melhores do Brasil no rock atual foi feito pelo “Rei do Axé”.

No álbum Castelo de Gelo, se destacam o heavy metal “Maldição”, que tem vocal agressivo, riffs pesados e uma letra característica, além de “No Bar”, veloz e ‘na cara’, além da faixa-título, um hard rock com uma ótima levada e uma melodia bacana.

Luiz Caldas é o exemplo claro de que não adianta caprichar mais nas cores do que na música, e também mostra ser possível fazer música boa apostando nos riffs de guitarra, em letras despojadas, sem aquele apelo que boa parte da garotada tem hoje em dia com o rock, que atualmente é tão cafona quanto o sertanejo universitário.


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Volver - Próxima Estação [2012]



Por Fernanda Blammer
Publicado em 02 de abril de 2012 no Miojo Indie

A Volver sempre pareceu uma resposta distinta às caracterizações e limites propostos em mais de duas décadas no cenário Mangue Beat. Enquanto parte quase absoluta dos artistas conterrâneos pareciam interessados em mergulhar na mistura de ritmos e formas musicais que praticamente se apresentavam como organismos vivos, o grupo vindo da mesma Recife de importantes nomes como Nação Zumbi e Mundo Livre S/A trouxe um jeito “novo” de explorar o rock, olhando para a produção musical da década de 1960 e incorporando elementos da nova vertente de bandas que tomaram de assalto os anos 2000.

Com quase uma década de caminhada, o grupo faz do recente Próxima Estação (2012, Trama) o mais coeso e doloroso trabalho da carreira da banda, imprimindo no disco uma sucessão de versos consumidos pela separação, angústias, desamores e solidão. Cada vez mais distante das velhas experiências relacionadas com a música sessentista, a banda aparece cercada de novidade, pendendo ora para o pulsante rock alternativo – proclamado pela soma de grandes grupos surgidos na última década -, ora para o rock firme e sóbrio que se expandiu ao longo dos anos 70.

Por mais que a abertura crescente e recheada por boas guitarras da poderosa Marizabel transmita a todo o momento a abertura de um trabalho impactante e marcado pela construção de um som grandioso, à medida em que passeamos pela dúzia de canções presentes no centro do obra, mais acabamos sufocados pela maré de obscuras melancolias autorizadas pela voz de Bruno Souto. Tudo ecoa sofrimento, não de maneira exagerada ou embebida em álcool, mas de forma honesta e naturalmente puramente melódica, como se os versos explorados no interior do álbum formalizassem uma espécie de ode natural em prol da tristeza e do abandono.

“Eu juro nunca mais te procurar/ Desapareço se você quiser/ Só não me faz pensar que eu fui mais um cara”, proclama Souto na amargurada Simplesmente, composição que melhor expõe (ou que mais concentra) toda a dor que permeia o registro. Por vezes essa mesma dor se mistura com outros sentimentos, como a raiva em Amargo (“Eu só queria te dizer/ Do teu amor eu prometo desistir/ Mas na tua cara/ Você não vai me ver passar”) e a saudade em Sincero (“Lá do alto eu quis/ Muitas vezes me jogar/ Pedaços de outro fim/ Novamente me lembrar/ Da paz que eu tanto quero/ E Ninguém deu/ E a falta que você ainda me faz”), gerando um misto complexo e envolvente de sensações.

Próxima Estação, entretanto, não é apenas um depósito de sentimentos obscurecidos ou versos marcados pela dor triste da separação. É possível, sem grandes esforços, encontrar alguns momentos em que músicas radiantes se fazem presentes. É o casa da adorável Ana, provavelmente uma das mais graciosas e delicadas criações da banda, uma faixa construída em cima de um confortável arranjo de cordas e versos que se desfazem delicadamente nos ouvidos. Há ainda outro ótimo exemplo, com a ensolarada Mallu, faixa marcada pelo uso de boas guitarras e que apresenta a divertida história de uma personagem que pretende se casar “ouvindo Bob Dylan no altar”.

Ao mesmo tempo em que promove um trabalho competente e recheado pelos mais ricos versos da carreira da banda, a Volver faz brotar o mais comercial e radiofônico álbum já proposto pelo grupo até hoje. A todo momento é visível a ruptura com os antigos limites que talvez prejudicassem comercialmente a expansão do projeto recifense, limites estes que não se evidenciam em nenhum momento no decorrer do disco, um trabalho que se desenvolve e cresce substancialmente a cada novo verso ou acorde.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Mutantes - A Divina Comédia ou Ando Meio Desligado [1970]

Download FLAC


Por Lazaro Cassar
Publicando em 01 de janeiro de 2010 no Galeria Musical

"A Divina Comédia Ou...", terceiro álbum dos Mutantes, fica páreo a páreo com os dois primeiros. Só que este, além de mais autoral que os outros, mostra a banda no ápice de sua inventividade e democracia, onde cada um exibia o melhor de si, sem roubar a cena de ninguém. 

Rita Lee, com seu vocal tatibitate ("Quem tem medo de brincar de amor") e Buble Gum ("Hey Boy"), parecia uma Nara Leão endemoninhada. Sérgio Dias, guitarrista, extrapolava os limites da distorção na instrumental "Oh! Mulher Infiel". É memorável também o caótico solo de guitarra que encerra a faixa-título, juntamente com o órgão "doidão" tocado por Arnaldo Baptista. 

Arnaldo, aliás, canta debochadamente o clássico da dor-de-cotovelo "Chão de Esmeraldas", incrementado por espalhafatosas onomatopéias. Fazem uma bucólica ode a Lúcifer ( "Ave Lúcifer") e ainda sacaneiam o Canto Gregoriano em "Haleluia".

No entanto, dois dos melhores momentos do disco estão na balada ‘Desculpe, Babe" e no Blues Janis-Jopliano "Meu Refrigerador Não Funciona", onde o supostamente banal título esconde outros sentidos. Rita poucas vezes em sua carreira exibiu uma performance tão histriônica quanto nesta faixa.

Era uma época difícil para o Brasil. Eram tidos como ameaça nacional qualquer veículo de mídia que insinuasse contextos não-adaptáveis aos padrões moralistas da época. No entanto, nunca uma banda nacional ousou tanto e com a mesma sobriedade como os Mutantes, desde então.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Selvagens a Procura da Lei - Aprendendo a Mentir [2011]




Banda cearense que tem como casa Fortaleza, Selvagens a Procura da Lei finalmente lança seu Debut Aprendendo a Mentir depois de dois EPs muito bem recebidos pela critica. Um Indie Rock com sonoridade do inicio do inicio deste milênio, que não esconde em nada suas influencias The Strokes, Arctic Monkeys entre outros, a banda traz riffs dançantes em guitarras sujas.

Selvagens a Procura da Lei trás canções com qualidade muito acima do atual cenário nacional, mas como sua sonoridade é o que é isso a torna uma banda com um publico um tanto restrito o que pode ser ruim para a lucratividade, mas contudo pode ser perfeito para formar uma pequena e solidada base de fãs.

A sonoridade do álbum da uma guinada perto do seu fim dando um pouco mais de identidade para a banda, o que é bom. No geral Aprendendo a Mentir é um ótimo Debut que funciona muito bem do inicio ao fim, mas contudo é um pouco vago (em termos de continuidade da banda) a consagração ou a queda da banda se dará quem sabe no próximo álbum, onde a banda terá de decidir beber no "lookalike" das influencias e ser rotulada como "aquela banda que lembra Arctic Monkeys" ou dará mais espaço para a identidade que começa a se criar a partir do fim deste álbum.

domingo, 6 de maio de 2012

Mercenárias - Cadê as Armas [1986]



Tudo começou em 1983, com três meninas e um menino. As meninas eram Sandra Coutinho (baixo), Rosália (vocal) e Ana Machado (guitarra), todas estudantes - Rosália fazia Psicologia na PUC e Ana e Sandra estudavam jornalismo, na ECA da USP. Na bateria, acreditem ou não, estava o ainda desconhecido Edgard Scandurra, que dividia seu tempo entre as Mercenárias, Smack e o nascente Ira (sem ponto de exclamação nessa época). 

Mas, Edgard, ficou pouco tempo por excesso de bandas - logo depois também sairia do Smack -, entrando Lou em seu lugar. As meninas começaram a se apresentar em pequenas casas de São Paulo chamando a atenção pela força dos temas e pela sonoridade, mesclando o punk de primeira hora dos Sex Pistols, com arranjos que lembravam Siouxsie and the Banshees, Joy Division, Slits, entre outros. 

Após muita luta, pouco dinheiro e divulgação, fecham um contrato com a loja Baratos Afins, que lança o primeiro LP das garotas, Cadê as Armas? 

Mesmo com poucos recursos financeiros, as Mercenárias estrearam com um LP de 10 faixas curtas, urgentes, destacando-se as faixas, a curta e violenta "Polícia",Santa Igreja e "Pânico".

Ludov - O Paraíso [2012]



Ainda sem previsão de lançamento de um novo álbum, os paulistanos do Ludov ocupam o tempo livre na produção de pequenos EPs. Depois da chegada de Minha Economia, apresentado ao público no ano passado, chega a vez de O Paraíso ganhar os ouvidos do público. Concentrado em cima da mesma sonoridade do grupo, o registro de quatro faixas traz a produção conjunta de Mauro Motoki e Habacuque Lima, além, claro, dos vocais sempre agradáveis de Vanessa Krongold e a bateria eficiente de Paulo Chapolin.

sábado, 5 de maio de 2012

Rock Brasileiro: 1 - Reflexões {1}

Por Paulo Marchetti
Publicado originalmente em 10 de novembro de 2011 no Sete Doses de Cachaça


O Terço
Preconceito. Ainda hoje há preconceito com o rock brasileiro, mas atualmente há motivo. Foi isso que pautou a década de 1980, quando o rock chegou ao mainstream.

Preconceito porque era mal gravado, mal produzido, mal tratado. Foi na onda. Era o que dava um bom dinheiro na época, assim como o sertanejo universitário hoje, e o pagode de outros tempos. “Tem uma música boa? Então gravaí, e solta pra vender. Se pegar, legal. Se não pegar chuta fora”. Asgravadoras tinham seus genéricos. Todas elas procuravam a sua Legião Urbana, o seu Paralamas, o seu Titãs ou o seu Barão Vermelho. Assim não tinha jeito: era um festival de coisa ruim na televisão e no rádio. Eram 700 nomes para ter 3 bons. Mas o preconceito também era alimentado por jornalistas arrogantes, mas esse é assunto para outro post.

As honestas foram poucas, e também sofriam para gravar seus discos. O 1º do Titãs, do Barão, da Legião, do Paralamas, do Kid Abelha, Camisa de Vênus, Capital Inicial, Engenheiros. Todos sofríveis e todos com suas histórias de luta. Apesar de clássicos, tudo ruim, gravado na raça, que no final das contas não agradou banda, produtor e gravadora. Essa má qualidade gera preconceito. O sonzin chinfrim, radinho de pilha, manja? A culpa não era das bandas, mas o sonzin chinfrim ficou.

Ultraje à Rigor
Algumas conseguiram tirar um bom som, ou por milagre, sorte, algo diferente aconteceu. Por exemplo, gosto demais do 1º disco do João Penca, “Os Maiores Sucessos...”, lançado pela Continental. Ainda hoje o acho bem gravado. Sei que não foi nada fácil, até mesmo trabalhar esse disco numa gravadora diferente, e ainda em 1982. Tem Ira!, Plebe Rude, Gueto, Ultraje, Blitz e outros poucos exemplos de 1º discos bem gravados, ou ao menos com qualidade acima da média na época.

Dificuldade pior foi a década de 1970, com o rock completamente no ralo, feito na unha, com amor, mas absolutamente de canto, apesar dos festivais, dos shows, dos discos lançados, e até filmes, como o Geração Bendita. A ditadura proibia festivais em SP, RJ e onde podia. Apesar disso, as coisas aconteciam, e há discos ótimos que marcaram, como Secos & Molhados, Os Novos Baianos, O Terço, Joelho de Porco, Os Mutantes, Bixo da Seda, Casa das Máquinas. Como nos 1980, tinham que se virar com ou sem gravadora. No caso dessa década de 1970, engraçado que os discos, mesmo os mal gravados, não soam tão ruim como os dos 1980, talvez por não ter o som de tecladinho new wave efêmero. Os timbres também contam muito, e como os próprios músicos faziam tudo (até mesmo oestúdio – quando havia!), então o som tinha um cuidado melhor. Ah! Muitos dos casos também não havia a pressão de fazer para vender zilhões. Não era por isso que os discos eram gravados.

Raimundos
Com o tempo, alguns dos músicos que faziamrock nos 1960, 1970, 1980, passaram a trabalhar nos bastidores, muitos comoprodutores, donos de estúdio, executivos, e aos poucos foram se equipando para gravar de jingle e MPB, até rock e pop. Isso ficou maisaparente a partir da segunda metade dos 1980.

Outro grande problema do rock brasileiro feito nos 1980 era a forte influência dos EUA e Reino Unido. Poucas eram as bandas que conseguiam escrever em português tendo essas influênciasgringas. Cantar em português é difícil. Não eram todas as bandas que tinham um bom texto com uma boa composição entre letra e música. Mas fundamental de tudo isso era ter personalidade. Nem preciso listar aqui as que tinham.

É nesse negócio de influência que a geração 1990 se assemelha a geração 1970. A brasilidade, o choro, o forró, a MPB, o folclore – e nos 2000 a bossa nova incorporada. 

Agora acontece o contrário, muitos artistas da nova MPB incorporaram o rock, voltou-se a fazer rock / MPB / bossa / psicodelismo. Atualmente se vê uma ultra mega influência de Tropicalismo e da MPB-1970.

Nevilton
O forrócore do Raimundos e o mangue beat de Recife pautaram a década 1990. Também passada a era xixi-coco Collor, aconteceu àestabilidade da moeda e as gravadoras investiram novamente no rock, mas dessa vez com bons estúdios, bom equipamento, produtores e executivos que ao menos já entendiam melhor do negócio. A maioria dos discos feitos a partir de 1994 tem ótima qualidade de produção e gravação, alguns podem derrapar na mixagem e masterização, mas não todos, e isso não acontece mais hoje.

Apesar de a música brasileira estar bastante presente no rock brasileiro, e ele não ser mais uma mera cópia do que é feito nos EUA e Reino Unido, ainda háresistência até mesmo do jornalismo especializado – já falei desse assunto aqui.Jornalistas gostam de reclamar da falta de novidade e quando aparece um raro nome bom, ele também é posto no mesmo saco das coisas ruins.

Vemos festas como a do Multishow, da MTV e outras, e é a mesma coisa, os mesmos artistas, as mesmas apresentações ao vivo, o mesmo formato, as mesmashomenagens. Porque a Tulipa não fez uma apresentação solo? Por que não chamaram o Nevilton pra fazer um som? Há espaço. Porque nenhuma revista faz uma boa entrevista com esses novos nomes em destaque? Não faz uma matéria de 4 páginas, contando tudo, depoimentos, mostrando o perfil e depois pode até se gabar de dizer que foi a primeira, coisa e tal. Porque não se dá capa para essesartistas? Põe todos juntos! Custa uma só capa? Uma só boa matéria?

Barão Vermelho
Pode ser Pop, Pipoca Moderna, Som Três, Roll, Bizz, Revista da MTV, Rolling Stone, Billboard e muitas outras que não citei. Pegue todas elas e me mostre uma que tenha colocado uma aposta na capa ou dado um relevante destaque para algum nome. Tudo isso é uma pena.

Apesar de gostar de nomes brasileiros que estão no mainstream (citei alguns aqui), não são todos que aceito. Gosto muito, como já escrevi, dessa cena pós-punk brasileira; do punk rock do Cólera, RDP, Olho Seco, Inocentes, Lixomania. É muito bom poder escutar, por exemplo, um Cadê as Armas?, um Tente Mudar o Amanhã, um Corredor Polonês, um Panis Et Circences, um Acabou Chorare ou um São Paulo 1554 / Hoje.

Com a situação atual (O Rock Está Morto!...) é impossível saber se ainda teremos uma cena brasileira como foi em 1980 e 1990. Com tamanha falta de apoio, está cada vez mais "cada um por si e Deus por todos".

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Distintivo Blue - Aplicando a Lei [2011]



*Texto retirado do site da banda

O blues é um gênero musical importantíssimo para a música ocidental contemporânea: simplesmente serviu de base para toda a música popular norte-americana, o que significa necessariamente que influenciou diversas gerações de músicos em todo o planeta. Com o fenômeno da globalização surgiu a possibilidade de se viver um estilo musical sem conhecer seu local de origem.Em Vitória da Conquista, capital do sudoeste baiano, existem aqueles que possuem o ritmo do Mississipi em suas veias. 

O grupo DISTINTIVO BLUE é uma das grandes provas disso: formado em meados de 2009, mostra o quanto uma banda nova, porém experiente, pode surpreender. Todos os integrantes são remanescentes de bandas conhecidas nos circuitos alternativos locais, como a Tomarock, The New Old Jam, Freebird e Tombstone. A proposta é difundir o blues, priorizando simplicidade e precisão, unindo os clássicos às composições próprias. Recém-lançado, O EP Aplicando a Lei traz seis canções autorais, bastante elogiadas e amplamente distribuidas gratuitamente pela internet. A banda tem por objetivo entrar para o cast dos grandes nomes do blues nacional representando bem o sudoeste da Bahia.


Em maio de 2011 foi lançado o primeiro CD da banda, o EP Aplicando a Lei, com seis faixas autorais e algumas particularidades: primeiro no tamanho. O EP, gravado em mini-CD cabe na palma da mão e traz ainda uma faixa multimídia com material exclusivo, incluindo o Encarte Virtual, em formato PDF, com todas as letras, textos, fotos e informações sobre essa primeira fase do grupo. Outra peculiaridade é o fato de o primeiro lote ser limitado a apenas 110 cópias numeradas e fabricadas artesanalmente. Na faixa multimídia há conteúdo exclusivo de cada cópia(não há um CD igual a outro). De brinde com o CD ainda vai um adesivo exclusivo. Hoje a banda já se prepara para o segundo CD, desta vez um álbum com 12 faixas, sendo que algumas já são executadas em shows. Assim como o primeiro CD, será também disponibilizado para download gratuito na internet. 

A DB possui um trabalho de divulgação não só de si mesma, mas de todo o universo blues/jazz nacional e internacional: em seu site oficial encontra-se reportagens sobre outros artistas, eventos, dicas de discos, vídeos, livros, imagens, links interessantes e muito mais do tema, produzidos pela própria banda. Algumas seções são semanais. Todas as informações sobre a DISTINTIVO BLUE sempre são publicadas primeiro nesse site, como o diário de bordo, MP3, imagens, agenda, contato, links para comunidades, etc. O endereço é www.distintivoblue.com e está em constante atualização. A banda também acaba de lançar a BLUEZinada!, zine distribuida gratuitamente em suas apresentações, servindo como uma extensão do site, com o objetivo de formar público. A DB entende que o artista é um formador de opinião, e por isso detém a responsabilidade de contribuir de forma educativa para a melhoria da sociedade.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Tau Ceti [1995]



Por Lanzarini¹

Tau Ceti é um trio a la Emerson, Lake & Palmer, mas não segue à risca a receita da banda em todos os momentos. Pelo contrário, mostram personalidade em faixas atonais como Nada de Cânticos e à quase suíte Divina Comédia. Visões Noturnas, com seu andamento melancólico é um dos grandes momentos do disco. Ainda sobre espaço para o Hammond/Moog destruirem em Pinguim Prismático e o baixo em Supperegus Metafisicus. Um disco que passou desapercebido nos anos 90. Pontos Fortes: A perfeita integração entre baixo, bateria e teclados. Pra que guitarras?

¹Lanzarini é gerente de conteúdo da Rock Progressivo Brasil

Formação que gravou Tau Ceti:

D'Elboux - teclados
Zé do Baixo - baixo
Ricardo Stuani - percussão

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Secos e Molhados – Ao Vivo no Maracanãzinho [1980]



Por Lucas Vieira
Publicado em 30 de março de 2011 no The Lucas's Discopédia

Fevereiro de 1974, estádio do Maracanãzinho. Trinta mil pessoas dentro do estádio lotado e mais noventa mil do lado de fora, números incríveis, recorde de público. Já não bastasse bater o “rei” Roberto Carlos em vendas, o Secos e Molhados estavam batendo recorde de público com um espetáculo! Lançado seis anos após a gravação, esse disco ao vivo é de derrubar o queixo de todo mundo que conheça o meteórico disco de estréia da banda, definido pelos próprios por vezes como “um disco de rock que não é um disco de rock”. No álbum vemos um grupo tocando rocks de forma mais contida, já nesse disco é uma pedrada só! Há uma combinação bastante perceptível entre os instrumentos e também juntos com a voz do Ney. 

O repertório é composto por oito músicas do primeiro álbum, duas passagens instrumentais e a até então inédita “Toada & Rock & Mambo & Tango & etc”, lançada no segundo disco do grupo. Nota-se bastante a mudança nos arranjos das músicas. O grupo já entra no palco com “As Andorinhas”. A banda denuncia o peso na primeira nota e o piano do Carrera segue incrível até Ney derramar os versos dessa verdadeira poesia cantada. Falando em poesia, em seguida ouvimos “Rosa de Hiroshima”, o poema de Vinícius de Moraes musicado por Gerson Conrad, dominado pela flauta de Rosadas e a magnífica voz do Ney Matogrosso. Detalhe que apesar da baixa qualidade da gravação, podemos ouvir o coro da platéia cantando a música. O primeiro tema instrumental aparece, de início bem pesado, com palhetadas rápidas no baixo e na guitarra. Por volta dos dois minutos de duração, as cordas dão lugar a flauta e ao piano, tornando a música mais calma e segue até a variação final, onde volta a parte pesada. Outra das canções mais ligadas ao rock aparece, “Mulher Barriguda”, sem muitas diferenças da versão original. Se no primeiro álbum “Primavera Nos Dentes” se mostrava parecida com “Breathe” do Pink Floyd, o mesmo não acontece na versão ao vivo. De início vemos efeitos bastante curiosos, as teclas em primeiro plano e depois Ney faz mais uma de suas incríveis interpretações, com um vocal bastante forte e presente. Passamos rapidamente por “El Rey”, também muito parecida com a versão do primeiro disco e depois vamos à “Toada & Rock & Mambo & Tango & etc”. A música é basicamente o violão na base e Flavin ditando regras com sua guitarra enquanto Ney, João Ricardo e Gerson Conrad passam o recado com a letra, até que ocorre uma variação onde a música fica mais pesada e até um acordeon aparece. Ney mais uma vez dá um show “solo” na música “Fala”, presente em seu repertório até os dias atuais, nesta ocasião sendo acompanhado apenas pelo piano. Para dar continuidade ao espetáculo, mais um classicão do grupo, “Assim Assado”, trocando as percussões e sopros da introdução por uma boa batida de bateria e o acompanhamento do baixo. A grande diferença nessa versão são as acelerações que ocorrem nos refrões e principalmente a parte final da música, uma passagem bem interessante destacando piano e baixo e por fim um solo de guitarra. Após tudo isso, aparece o segundo tema instrumental, bem curtinho, com pouco mais de um minuto de duração, soando mais com uma vinheta. Eis que o show encerra-se com o maior sucesso do grupo, sendo muito executada nas rádios até hoje, “O Vira”, também sem muitas diferenças da versão original. Um disco valioso, tanto pela raridade quanto por ser um registro histórico, sem falar da capa sensacional.

A psicodelia dos 60 & 70 no Brasil, da garagem às misturas regionais

* Fernando Rosa

A psicodelia se fez presente no rock nacional com suas guitarras distorcidas e letras lisérgicas desde o final dos anos sessenta, desdobrando-se em som progressivo e outras misturas afins até a primeira metade dos anos setenta, incorporando inclusive as sonoridades regionais, especialmente a nordestina. Enfrentando toda sorte de preconceito, o gênero contribuiu para alargar os horizontes da música jovem brasileira, cujas estruturas conservadoras haviam sido abaladas pouco tempo antes pelo som de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat e Os Mutantes, no movimento batizado de Tropicalismo. Sem apelo comercial, o som psicodélico ficou restrito a grupos mais radicais, ao público mais descolado e sintonizado com o movimento hippie e a poucas gravações, em raros e valiosos lps e compactos.

As primeiras manifestações psicodélicas ocorreram em São Paulo, por meio de grupos como The Beatniks, Os Baobás e The Galaxies, que introduziram em seus repertórios clássicos do gênero produzido nos Estados Unidos, especialmente. The Beatniks, grupo de palco do programa Jovem Guarda (Roberto Carlos) na TV Record, aliado ao agitador cultural e artista plástico Antônio Peticov, produziu ótimos compactos, com covers de Gloria (Them), Fire (Jimi Hendrix) e Outside Chance (The Turtles). Os Baobás, que teve Liminha entre seus membros, também destacou-se por meio de cinco ótimos compactos e um LP, onde registraram sua paixão por Doors, Jimi Hendrix e Zombies, entre outros. Enquanto The Galaxies, misto de paulistas, americanos e ingleses, deixaram um raro e clássico álbum gravado em 1968, contendo canções originais e covers para Love, Donovan e outros ícones da geração flower power.

Ainda nos anos sessenta, outras bandas como The Beat Boys, Os Brazões e Liverpool produziram obras geniais que ficaram na memória de quem viveu a época. The Beat Boys, depois de acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria e Gilberto Gil em Questão de Ordem, gravou um excelente álbum, lançado em 1968, que contém alguns clássicos da psicodelia nacional, como Abrigo de Palavras em Caixas do Céu. Os Brazões também gravaram apenas um ótimo e ultra-tropicalista lp, que contém Gotham City (regravada pelo Camisa de Vênus, nos anos oitenta), Pega a Voga Cabeludo (de Gil), Momento B8 (Brazilian Octopus) e Planador (Liverpool), entre outras pérolas sonoras. Já o grupo gaúcho Liverpool é responsável por um dos melhores álbuns gravados nos anos sessenta, o LP Por Favor, Sucesso, que contém as clássicas Impressões Digitais, Olhai os Lírios do Campo e Voando, entre outras.

Menos conhecidos, grupos como Spectrum, Bango, Módulo 1000, Equipe Mercado e A Tribo também marcaram com suas misturas sonoras o início dos anos setenta. O grupo Spectrum, de Nova Friburgo, com a trilha sonora do filme Geração Bendita, produziu um dos mais raros e desconhecidos discos de psicodelia dos anos setenta, com qualidade internacional, e ainda atual. O carioca Módulo 1000, por sua vez, marcou o início da década de setenta com seu som psicodélico-progressivo, registrado no disco Não Fale Com Paredes, outro clássicos do rock nacional de todos os tempos, relançado em CD. A Tribo, com Joyce, Toninho Horta e outros músicos que depois brilharam na MPB, e Equipe Mercado, tendo à frente a dupla Diana e Stull, transitaram entre a influência roqueira e as sonoridades regionais, deixando algumas poucas gravações.

A partir dessas primeiras experiências, e incorporando o som progressivo, inúmeros grupos transportaram a juventude brasileira para espaços mais livres e criativos, além dos limites impostos pela censura ditatorial. Apoiados na riqueza musical nacional, os grupos misturaram rock, tropicalismo, barroco, jazz, erudito, som oriental, música regional e tudo o mais disponível para criar um dos universos sonoros mais criativos do planeta, naquele momento. Grupos como A Barca do Sol, Som Nosso de Cada Dia, Moto Perpétuo, Som Imaginário, Terreno Baldio, Recordando o Vale das Maçãs, Soma, Veludo, Vímana e Utopia - uns mais conhecidos, outros ainda obscuros para a grande maioria - deram a sua contribuição de ousadia e de inventividade sonora e poética para a história do rock brasileiro.

Ainda, em meados dos anos setenta, Lula Côrtes, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Paulo Raphael, especialmente, deixaram a marca de uma nova e delirante mistura, que resultou na posterior invasão nordestina. Em 1972, com participação do maestro Rogério Duprat, Alceu Valença e Geraldo Azevedo produziram um disco em parceria, que trazia influências pós-tropicalistas, rock and roll e sonoridades nordestinas, que antecipou o clássico Paêbirú, O Caminho do Sol - raro e ultrapsicodélico álbum duplo, gravado em 1974, sob o comando de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Na seqüência, transitando para a afirmação dos ritmos mais regionais, Alceu Valença, Zé Ramalho e o grupo Ave Sangria (de Paulo Raphael), especialmente, ainda produziram peças com viés psicodélico, como Vou Danado Pra Catende (Alceu Valença), A Dança das Borboletas (Zé Ramalho) e Momento na Praça (Ave Sangria).

As bandas e artistas

Apresentamos aqui uma relação das principais bandas e intérpretes que fizeram a história da psicodelia brasileira, nos anos sessenta e setenta. Os verbetes são sintéticos, e alguns deles foram publicados originalmente na revista ShowBizz (de novembro/2000).

Beatniks

Legenda do rock paulistano, The Beatnkis foi o grupo de palco do programa Jovem Guarda e, ao mesmo tempo, responsável por surpreendentes compactos garageiro-psicodélicos. Entre 67 e 68, gravou quatro disquinhos pelo selo Rozemblit contendo covers para Turtles (Outside Chance), Them (Gloria) e Jimi Hendrix (Fire), entre outros. Em suas diversas formações, o grupo contou com Bogô, Regis, Nino, Márcio, Mário e Norival. Antônio Peticov produzia as capinhas psicodélicas da banda.

Código 90

Banda paulistana formada em 67 pelo ex-Top Sounds e Loupha, Marcos 'Vermelho' Ficarelli (guitarra), Mário Murano (teclado), Pedro Autran Ribeiro (vocal), Sérgio Meloso (bateria) e Vitor Maulzone, além do guitarrista Tuca. Agitaram as domingueiras do Clube Pinheiros, em São Paulo, com apresentações psicodélicas, e deixaram apenas um raro compacto pelo selo Mocambo/Rozenblit - Não Me Encontrarás/Tempo Inútil (67).

Serguei

Com visual/postura rocker-hippie e uma discografia dispersa em raros compactos, Serguei é um ser psicodélico por natureza. Em 67, gravou Eu Sou Psicodélico, As Alucinações de Serguei e o mix de rock-Jovem Guarda-protesto chamado Maria Antonieta Sem Bolinhos. Em 69, com a banda The Cougars, gravou Alfa Centauro, um flerte com o tropicalismo, sem perder a 'acidez'. Ouriço e Burro-Cor-de Rosa também são clássicos de sua discografia e da psicodelia nacional.


Grupo que antecipou a chegada do hit Light My Fire (The Doors) no Brasil, em gravação que contou com o futuro Mutantes e produtor Liminha no baixo. Inicialmente beat, enveredou pela psicodelia clássica "importada", que resultou na gravação do único álbum em 68, contendo diversos covers (entre eles, Oranges Skies, do Love), pelo selo Rozemblit. Também lançaram cinco compactos, com destaque para a versão de Paint It Black/Pintada de Preto (The Rolling Stones). O grupo tocou com Ronnie Von, com quem gravou um compacto (Menina Azul) e flertou com o tropicalismo, acompanhando Caetano Veloso em shows, em substituição aos Beat Boys. A primeira formação do grupo contou com Ricardo Contins (guitarra), Jorge Pagura (bateria), Carlos (baixo), Renato (guitarra solo) e Arquimedes (pandeiro). Também passaram pelas diversas formações da banda Rafael Vilardi (ex-O'Seis), Guga, Nescau, Tuca e Tico Terpins (depois Joelho de Porco).

Beat Boys

Um misto de brasileiros e argentinos radicados em São Paulo, o grupo Beat Boys ficou conhecido por acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria, no Festival da Record e em disco. Integravam o grupo Cacho Valdez (guitarra), Willy Werdaguer (baixo), Tony Osanah (vocal e pandeiro), Marcelo (bateria). Toyo (baixo e teclados) e Daniel (outra guitarra). Gravou um único álbum pela RCA Victor, lançado em 68, contendo Abre, Sou Eu (Billy Bond) e covers radicais como Wake Me, Shake Me (The Blues Project).

The Galaxies

O garageiro The Galaxies era formado pelo inglês David Charles Odams (guitarra e vocal), pela americana Jocelyn Ann Odams (maracas e vocal) e pelos brasileiros Alcindo Maciel (guitarra e vocal) e José Carlos de Aquino (guitarra e bateria. Lançado pelo selo Som Maior, o álbum contém cover para Orange Skies (Love) e composições próprias, como Linda Lee, de David e Carlos Eduardo Aun, o Tuca, ex-Lunáticos, e depois Baobás, que também toca no disco.


Grupo formado pela ex-O'Seis (o pré-Mutantes), Suely Chagas, mais os guitarristas Lanny Gordin e Rafael Vilardi (também do pré-Mutantes). O grupo ganhou o Festival Universitário de São Paulo, em 1968, com a música Que Bacana. Na linha tropicalista, gravou um único compacto (Que Bacana/Esperanto), que traz Lanny em um dos seus melhores e mais radicais trabalhos de fuzz-guitar.

Brazilian Octopus

Apesar da orientação jazística, com pitadas de bossa-nova, o grupo pincelava seu som com climas tropicalistas-psicodélicos (incluindo a logotipia do nome na capa do único álbum gravado). A distorção ficava por conta de Lanny Gordin e sua guitarra fuzz e seu wah-wah em canções como As Borboletas e Momento B/8 (parceria do grupo com Rogério Duprat) Integravam o grupo, entre outros, o multi-instrumentista Hermeto Paschoal e o guitarrista Olmir 'Alemão' Stocker.

Liverpool

Com atitutude e visual "Jefferson Airplane", e responsável por verdadeiras viagens sonoras nos palcos, transitou na fronteira do tropicalismo com a psicodelia universal, secundando os Mutantes em criatividade e, especialmente, qualidade instrumental. Integravam o grupo, Mimi Lessa (guitarra), Edinho Espíndola (bateria), Fughetti Luz (cantor), Pekos (baixo) e Marcos (base). Gravou o único álbum em 69, pelo selo Equipe, contendo elaboradas canções com fuzz-guitar no talo, a exemplo de Voando, Impressões Digitais e Olhai Os Lírios do Campo. No início dos anos 70, ainda gravou mais dois compactos, um (duplo) para a trilha do filme Marcelo Zona Sul, e outro, sob o nome de Liverpool Sound, com as músicas Fale e Hei Menina. Com o fim do grupo, seus integrantes, menos Pekos, juntam-se ao ex-A Bolha, Renato Ladeira, para formar o Bixo da Seda, que retornou ao rock and roll "stoniano" das origens da banda.


Um dos mais importantes grupos da história do rock, não apenas nacional, mas mundial, não ficando nada a dever aos grandes ícones da revolução musical dos anos sessenta, até mesmo aos Beatles, em vários momentos de sua obra. Deixaram pelo menos três discos clássicos da discografia brasileira e, outra vez, mundial, com uma riqueza de idéias, de arranjos e de soluções instrumentais, que surpreendem até hoje, e provocam uma "redescoberta" por parte dos mais importante músicos nacionais e estrangeiros. Apesar disso, permaneceram por um bom tempo ignorados, até serem relançados ainda em vinil pelo selo paulistano Baratos Afins, em meados dos anos oitenta. São donos de uma infindável coleção de hits e, também, de um baú de raridades, que, além do já lançado Tecnicolor (originalmente gravado em setenta, mas inédito até 2000), renderiam, pelo menos, um bom cd simples.


Iniciou a carreira cantando Beatles, e com seu terceiro disco, que tem participação dos Mutantes, Beat Boys e arranjos de Rogério Duprat, acabou virando uma espécie de laboratório experimental do tropicalismo. Mas sua mais importante contribiuição a história da psicodelia nacional é o o disco lançado em 68, com arranjos de Damiano Cozzela, que traz os mais radicais experimentos sonoros daquela segunda metade de década, somente igualados ou superados pelos Mutantes. É neste disco que está a clássica Silvia, 20 Horas Domingo, recentemente regravada pelo grupo gaúcho Vídeo Hits, com participação do próprio cantor. Ronnie Von ainda gravou mais dois álbuns com essa orientação: A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais e A Máquina do Tempo, o último antecipando o rock progressivo, que chegaria ao Brasil um pouco mais tarde. Atualmente, Ronnie Von tem sido alvo de um revival que, definitivamente, resgata a sua verdadeira importância na história do rock nacional.

Os Brazões

Grupo responsável por uma das melhores fusões de tropicalismo com psicodelia universal, festejada por Nelson Motta, na contra-capa do seu único álbum, lançado 70. Integravam os Brazões, Miguel (guitarra base), Eduardo (bateria), Roberto (guitarra solo) e Taco (baixo). Tornaram-se conhecidos por acompanhar Gal Costa em shows e defender Gothan City, de Macalé e Capinam, no IV Festival Internacional da Canção Popular, em 69 (a mesma que ganhou cover punk do Camisa de Vênus, nos anos oitenta). Lançaram um dos principais trabalhos da discografia psico-tropicalista, recheado de guitarras fuzz, contendo versões para clássicos como Pega a Voga Cabeludo, Volkswagen Blues e Modulo Lunar. Miguel, depois Miguel de Deus, entrou de cabeça na onda funk, gravando o álbum Black Soul Brothers (77).


Outra banda que misturou MPB, música regional e pitadas de psicodelia. Em 69, lançou seu único álbum, com arranjos dos maestros Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Júlio Medaglia. Em clima tropicalista, cantam Jorge Ben, Caetano Veloso e os novatos gaúchos Hermes Aquino e Lais Marques. Integravam O Bando, Diógenes, a cantora Marisa Fossa (que depois gravou com Duprat), Américo, Dudu, Emílio, Paulinho e Rodolpho.

Blow Up

Nascido em Santos, com o nome The Black Cats, começou tocando rock instrumental, passou pela beatlemania e, no final dos anos 60, acabou na psicodelia. Inspirado no filme homônimo de Antonioni, trocou de nome e gravou dois álbuns com a nova orientação: o primeiro em 69, e o segundo em 71, chamado apenas Blow Up, mas também conhecido como Expresso 21. Integravam a primeira formação Robson (guitarra solo), Hélio (bateria), Tivo (baixo e vocal), Zé Luis (vocal), Nelson (teclado) e Adalberto (guitarra base).

Os Leif's

Histórico grupo baiano formado pelo guitarrista Pepeu Gomes, seu irmão Jorginho, mais Carlinhos e Lico, que acompanhou Caetano Veloso e Gilberto Gil no show-disco Barra (69). Também foi responsável pelo acompanhamento psico-tropicalista em diversas faixas do primeiro álbum dos Novos Baianos - Ferro na Boneca (70), com destaque para a fuzz-guitar de Pepeu. Antes, formavam Os Minos, que gravou dois compactos, pelo selo Copacabana, em 67.


Outro grupo que passeou com maestria nas fronteiras da psicodelia e do progressivo com a moderna MPB e toques de jazz, produzindo clássicos do gênero como Morse, Super God, Cenouras (… "vou plantar cenouras na sua cabeça"). Integraram o grupo em suas várias formações mestres do instrumento, como Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira (percussão), Naná Vasconcelos (percussão) e, ainda, ocasionalmente, Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra). Gravaram os discos Som Imaginário (70), Som Imaginário - 2 (71) e Matança do Porco (73). Os três lps foram relançados conjuntamente em cd, em 98, pela gravadora EMI, enquanto a música Super-God (do primeiro lp) foi incluida na coletânea Love, Peace & Poetry - Latin American Psychedelic Music, lançada pelo selo alemão Q.D.K Media.


Legendária banda do rock nacional, formada em 65, no Rio de Janeiro, pelos irmãos Cesar e Renato Ladeira (guitarra e teclados), mais Lincoln Bittencourt (baixo) e Ricardo (bateria), gravou um único compacto nesta fase, com o nome The Bubbles, em 66. No final da década, assumiram o nome A Bolha e orientaram seu som para o hard rock, inicialmente, e depois para climas progressivos-psicodélicos. Em 1970, acompanharam Gal Costa na excursão a Portugal e assistiram ao festival da Ilha de Wight, na Inglaterra. Com nova formação - Renato (teclados), Pedro Lima (guitarra), Arnaldo Brandão (baixo) e Gustavo Schroeter (bateria), gravou o clássico compacto Sem Nada/18:30 (Os Hemadecons Cantavam em Coro Chôôôôô ...), em 1971, e mais dois álbuns - Um Passo à Frente (73) e É Proibido Fumar (77). O primeiro álbum já ganhou reedição em cd, que traz ainda o segundo compacto.


Um dos mais expressivos grupos dos anos 70, O Terço transitou por todas as praias, indo do folk-rock ao progressivo, sempre com elementos psicodélicos. Originalmente formado por Sérgio Hinds, Jorge Amiden, Vinicius Cantuária, gravou dois álbuns com orientação psicodélica (o primeiro) e progressiva (o segundo). Em 75, depois de alguns compactos, e incorporando o folk e sonoridades regionais, o grupo gravou Criaturas da Noite, com arranjos de Rogério Duprat e capa de Antônio Peticov. Na mesma época, com as mesmas bases instrumentais, mas com vocais em inglês, o álbum foi lançado na América Latina e na Europa (no Brasil, saiu apenas um compacto com Criaturas da Noite/Queimada - Creatures of Night/Shining Days, Summer Nights). O Terço ainda gravou outro clássico da discografia roqueira nacional, o álbum Casa Encantada (lançado em um "dois em um" junto com Criaturas da Noite).

Spectrum

Um dos mais raros grupos de psicodelia do Brasil, formado eventualmente pelos atores e participantes do filme Geração Bendita, dirigido por Carlos Bini e rodado em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1971. Denominado Spectrum, o grupo integrado pelos músicos/atores Toby, Fernando, Caetano, Serginho e David gravaram o disco Geração Bendita, com letras falando do clima do filme e da época e guitarras distorcidades. Lançado no mesmo ano, o disco é uma das peças mais raras da discografia do rock nacional, com edição apenas no exterior.

Equipe Mercado

Liderado pela dupla Diana & Stull, agitavam a cena carioca com seu rock psicodélico no início dos anos 70. Também integravam o grupo, Leugruber e Ricardo Guinsburg (guitarras, violões e vocais), Carlos Graça (bateria) e Ronaldo Periassu (percussão e texto). Participaram do show 'Betty Faria, Leila Diniz e o Mercado Na Deles', dirigido por Neville D'Almeida, com texto de Luis Carlos Maciel (editor do Rolling Stone). Participaram de coletânea ao lado de Som Imaginário, Módulo 1000 e Tribo, com a música Marina Belair.

A Tribo

Outro grupo que transitou entre MPB, jazz e sonoridade regionais, com roupagem psicodélica. Integravam o grupo os músicos Toninho Horta, Joyce, Novelli, Hélcio Milito, Nelson Angelo e Naná Vasconcelos. O grupo gravou as músicas "Kirye" e "Peba & Pebó", presentes na coletânea lançada pela Odeon, ao lado dos grupos Módulo 1000, Equipe Mercado e Som Imaginário.

Bango

Um dos raros grupos contemporâneos que demonstrou explícita influência dos Mutantes, que pode ser conferida em seu único álbum (Musidisc, 71). Som pesado, fuzz-guitar e letras viajandonas produziram um som com qualidade internacional. Seus integrantes - Aramis, Sérgio, Elydio e Roosevelt - eram oriundos do grupo carioca de Jovem Guarda, Os Canibais, autor de um ótimo disco (68), contendo covers de Turtles, Outsiders (EUA) e Turtles.


Grupo de hard-psicodélico-progressivo formado no início dos anos setenta, considerando internacionalmente um dos melhores do gênero, ao lado do também carioca Spectrum. Integravam o grupo Luis Paulo (órgão, piano, vocal), Eduardo (baixo), Daniel (guitarra, violão, vocal) e Candinho (bateria). Gravou um único lp chamado Não Fale Com Paredes, pelo selo Top Tape, em 71, e alguns poucos compactos. O lp original, incluindo a capa em três partes, foi relançado quase anonimamente pelo selo Projeto Luz Eterna (98). Em setembro de 2000, o álbum também ganhou reedição em vinil na Alemanha, novamente com reprodução integral da arte original. A música Lem Ed Êcalg (Mel de Glacê, ao contrário) ainda foi incluída na coletânea de bandas psicodélicas latinas Love, Peace & Poetry, ao lado do Som Imaginário.

Matuskela

Grupo brasiliense liderado por Anapolino (Lino), mais Didi, Toninho Terra, Zeca da Bahia e Vandão, que fez grande sucesso local no início dos anos setenta. Gravaram um lp chamado Matuskela, pelo selo Chantecler, com sonoridade folk-psicodélica, destacando-se a canção A Idade do Louco, de Zeca da Bahia e Clodo, que depois fez parte do trio Clodo, Clésio & Climério. A capa do álbum, com o grupo sentado em uma gigante mão de pedra, é outra raridade da iconografia nacional.

Damião Experiência

Autodefinindo-se como "doidão" e influenciado por Jimi Hendrix, produziu raros e surpreendentes discos, misturando psicodelia, blues, sons afro-orientais, guitarras "Frank Zappa" e letras absurdas e incompreensíveis. Lançou seu primeiro disco em 74, intitulado Damião Experiência no Planeta Lamma, que abriu caminho para outras clássicas raridades, como Damião Experiença Chupando Cana Verde no Planeta Lamma e Em Boca Calada Não Entra Mosca, Só Felicidade.

Scaladácida

Formado por Fábio (guitarra), Bartô (teclados), Sérgio Kaffa (baixo) e por Ritchie (flauta e vocais) brilhou no cenário underground paulistano da primeira metade dos anos 70. Com a maioria das letras em inglês, realizou shows sensacionais, mas não chegou a gravar. Seu integrante mais importante, antes de ressurgir nos anos 80 com Menina Veneno, ainda integrou o trio Soma e os grupos A Barca do Sol e Vímana - neste, ao lado de Lulu Santos, Lobão e Fernando Gama.


Em parceria, a dupla produziu a síntese mais alucinada do que se poderia chamar de psicodelia brasileira: o álbum duplo Paêbirú (O Caminho do Sol), que mistura sonoridades regionais, experimentalismo tropicalista e influência do rock internacional. Solo, Lula Côrtes gravou em 73, o também clássico Satwa, com participação de Lailson e do guitarrista Robertinho de Recife, onde repete a explosiva mistura em canções com nomes como Valsa dos Cogumelos ou Alegro Piradíssimo. Zé Ramalho, por sua vez, cinco anos depois, também lançou Avohay reverberando a já fora de moda psicodelia em canções como A Dança das Borboletas. Um álbum clássico, ainda por ser devidamente incluido entre as principais manifestações da mais radical psicodelia nacional e mundial. Exceto Avohay, os dois discos foram lançados de forma alternativa, por selos regionais.


Outro representante da geração nordestina pós-tropicalismo, que teve em Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, sua expressão mais radical. Também pernambucano, Flaviola e o Bando do Sul gravou apenas um álbum, lançado pelo selo local Solar, em 1974. Com base em ritmos regionais, produziram um raro mix de folk-rock-psicodelia, que permanece com extrema atualidade. Instrumental rico, na base de violões, violas, guitarras, flautas e percussão.

Soma

Trio formado pelo ex-The Outcasts, Bruce Henry (baixo), mais Jaime Shields (guitarra), Alírio Lima (bateria e percussão) e Court (vocal e flauta) - ou seja, Richard Court, o futuro Ritchie. Participaram do lp O Banquete dos Mendigos, gravado ao vivo em 1974, em comemoração dos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a música P.F., com letras em inglês. O grupo ainda gravou mais quatro músicas, que integram a obscura coletânea Barbarella, lançada em 1971.

A Barca do Sol

Em meados dos anos setenta, a Barca do Sol botou pra quebrar na cena underground, produzindo uma refinada mistura de MPB, sonoridades progressivas/psicodélicas, instrumental quase barroco e poesia (Geraldinho Carneiro). A apresentação das músicas do lp Durante o Verão, em forma de cardápio, define o clima da Barca do Sol: O Banquete (sal de frutas, Sargent Pepper's, sopa de cabeça de bode) … Beladonna, Lady od The Rocks (cogumelos, candomblé, corações solitários) … Espécie de padrinho do grupo, Egberto Gismonti produziu o primeiro álbum, que introduzia o uso de sintetizador em duas faixas, novidade na época. A Barca do Sol gravou três discos: A Barca do Sol (74), Durante o Verão (76) e Pirata (79), os dois primeiros reeditados no formato dois em um. A Barca do Sol, entre 74 e 81, contou com Jacques Morelembaum, Nando Carneiro, os irmãos Muri Costa e Marcelo Costa, Beto Resende, Marcelo Bernardes, Alan Pierre e David Ganc, além de Stull e Richard Court, o Ritchie.

Moto Perpétuo

Liderado pelo ex-Brazilian Boys, Guilherme Arantes, que depois fez sucesso como compositor e intérprete solo, gravou um álbum com forte influência do psicodélico-progressivo na linha "Yes". Integravam o grupo, além de Arantes (teclados e vocal), Egydio Conde (guitarra solo e vocais), Diógenes Burani (percussão e vocais), Gerson Tatini (baixo e vocal) e Claudio Lucci (violão, violoncelo, guitarra e vocal). O disco tem produção de Pena Schmit.


Grupo paulista formado por Ana (voz e piano), Benvindo (voz e violão), Jean (voz e guitarra) e Gil (bateria e vocal). Com visual hippie e psicodelia derivada de ritmos e instrumental regionais, gravaram um único álbum - Nascimento -, pelo selo Chantecler, em 1974. O baixista Pedrão, depois integrou o Som Nosso de Cada Dia, ao lado do ex-Íncríveis, Manito.


Transitando entre o glam e o hard rock, o grupo Casa das Máquinas gravou o álbum Lar das Maravilhas (75), um clássico do mix psico-progressivo nacional. Liderado pelo ex-baterista dos Incríveis, Netinho, o Casa contava ainda com o ex-Som Beat, Aroldo Santarosa, Pisca, Carlos Geraldo, Marinho, Marinho II, Simba.O futuro vocalista do Golpe de Estado, Catalau participava do grupo, dividindo a autoria de várias canções.


Na onda da "invasão nordestina", o Ave Sangria foi uma das primeiras e mais radicais bandas, misturando sonoridades regionais, blues e rock com roupagem psicodélica. Formada por Marco Polo (vocais), Almir (baixo), Israel Semente (bateria), Juliano (percussão), contava ainda com a presença de dois grandes guitarristas: Ivson Wanderley (Ivinho), que também gravou um raro álbum de viola ao vivo no Festival de Montreaux, e Paulo Raphael, que depois tocou com Alceu Valença. A banda gravou apenas um luminoso e instigante álbum, destacando as faixas Dois Navegantes, Momento na Praça, Cidade Grande e a instrumental Sob o Sol de Satã. Lançado pelo selo Continental em 75, o álbum Ave Sangria foi reeditado em vinil em 90 (pela Baratos Afins), mas permanece inédito no formato digital. Ainda por ser redescoberto em toda sua beleza, o álbum tem uma das mais criativas capas da iconografia roqueira nacional (Sérgio Grecu e Equipe).

Utopia

Legenda do rock rock gaúcho, que agitou a cena local em meados dos anos setenta. Misturando sonoridades regionais, músicas árabe e folk rock, realizou shows memoráveis na capital gaúcha. Integravam o grupo Bebeto Alves - que desenvolveu carreira solo - (guitarra, viola de 12 e flauta), Ricardo Frota (violino) e Ronald Frota (violões). Deixaram apenas registros radiofônicos (na legendária rádio Continental), tendo um deles - Coração de Maçã, resgatado no cd A Música de Porto de Alegre.


Liderado pelo multi-instrumentista Manito, ex-integrante do grupos Os Incríveis (antes, The Clevers), o Som Nosso de Cada Dia foi um dos expontes do som psicodélico-progressivo dos anos setenta. Ao lado de Manito estavam Pedrinho (baterial e vocal), Pedrão (baixo, viola e vocal). Além de Marcinha (coro), ainda participaram do grupo Egídio (guitarra), Dino Vicente (teclados) e Rangel (percussão). O grupo gravou dois lps, Snegs (1975) e Som Nosso de Cada Dia (1976).

Veludo

Uma das legendas do hard rock-progressivo nacional, formado por volta de 1974 por Nelsinho Laranjeiras (baixo), Elias Mizrahi (teclados), Paul de Castro (guitarra) e Gustavo Schroeter (bateria). Responsável por fantásticas e longas jams instrumentais, teve um desses momentos resgatado recentemente, com o lançamento de cd contendo o show realizado no festival Banana Progressiva, realizado em São Paulo, em 1975.

Vímana

Espécie de ponte entre os anos setenta e oitenta, o Vímana brilhou na cena carioca com seu hard-progressivo. Formado em 1974, contava com Lulu Santos (guitarra), Lobão (bateria), Fernando Gama (baixo) e Ritchie (vocais). Deixaram gravado um compacto, contendo a música Zebra e participaram de discos de outros artistas, destacando-se Luiza Maria e Fagner (nas músicas Riacho do Navio e Antônio Conselheiro, do disco Ave Noturna).


Contemporâneo de Lula Côrtes, Zé Ramalho e Lailson, Marconi Notaro gravou o LP 'No Sub Reino dos Metazoários', na linha de obras clássicas como 'Paebirú' e 'Satwa'. Lançado em 1973, e um dos mais raros da discografia nacional, o disco contém peças da mais radical psicodelia nordestina pós-tropicalista. Participam do disco Zé Ramalho, Lula Côrtes, Robertinho de Recife e outros músicos da região.

* Fernando Rosa é editor de Senhor F.