domingo, 24 de abril de 2016

Alexandre Guerra - Concerto para a Alma [2009]

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Concerto para a Alma é um álbum que celebra o reencontro, é como virar a página da memória pra revisitar queridas lembranças que fizeram parte de um universo musical distante, mas sempre presente. Saudade tem sido uma herança recorrente na minha música, talvez um pouco desse tempero português que trago, mas acima de tudo, me vejo refém dessa vontade de traduzir imagens e seu coração atmosférico em música.


1 - Em Algum Lugar da Saudade
2 - Descobrindo a Paz Numa Tarde de Verão
3 - Um Tema de Amor
4 - Novo Luar
5 - Rosa dos Ventos
6 - Memórias e Outras Histórias
7 - Distante Lembrança
8 - Outonecendo
9 - Tema Triste
10 - Eterno Instante
11 - Adágio Amoroso
12 - Siciliana

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Sergio DiasTributo [2016]


Este trabalho é um tributo virtual sem fins lucrativos e de distribuição gratuita, autorizado por Sérgio Dias e produzido por João Pacheco entre os meses de julho a dezembro de 2015.

Produção das faixas feita pelas bandas participantes, exceto as faixas 02 produzida por Kiko Peres e João Pacheco, 06 produzida por Márcio Okayama e João Pacheco e 07 produzida por Marcos Mamuth e João Pacheco.

Arte de capa feita por Paulo Lima PP graphix.



domingo, 17 de abril de 2016

Bike - 1943 [2015]

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Por Cleber Facchi em Miojo Indie

Que viagem. Durante os mais de 30 minutos de duração de 1943 (2015, Independente), estreia da banda paulista Bike, vozes, melodias e doses consideráveis de distorção se articulam de forma a distanciar o ouvinte da realidade. Como uma verdadeira experiência lisérgica, cada verso ou ruído dissolvido pela obra transporta o espectador para um mundo de sons, cores e emanações cósmicas. Arranjos e letras que mudam de direção a todo o instante, crescendo e diminuindo, como se reações típicas do consumo de LSD fossem transformadas em música.

Com título inspirado no ano em que o cientista suíço Albert Hoffman descobriu o LSD – abril de 1943 -, e deu uma volta de bicicleta ao tomar a primeira grande dose da substância, cada uma das oito faixas que marcam a estreia do Bike se projetam com pequenas viagens. Sem necessariamente perder o caráter homogêneo das canções – sempre próximas, como se tudo não passasse de um mesmo ato instrumental -, o grupo parece brincar com a mente do ouvinte, dançando em meio a reverbs, distorções e solos de guitarra que explodem a todo o instante.

Nos versos, o mais completo delírio. Músicas que relatam experiências cósmicas, falam sobre o amor e até temas existencialistas. “Arco-íris distorcem a minha visão / Me guiando à outra dimensão / E amanhã será um belo dia / Outra tarde de psicodelia”, canta o vocalista Julito Cavalcante na mágica Alucinações e Viagens Astrais, música que resume toda a estrutura montada pela banda ao longo do disco.

Ainda que lembrar de Beatles, Tame Impala e outros gigantes da música psicodélica seja um ato natural no decorrer do álbum, muito do que orienta a estreia do Bike parece ancorado em conceitos e distorções típicas do Shoegaze / Rock Alternativo da década de 1990. Basta voltar os ouvidos para os antigos projetos de boa parte dos integrantes da banda – completa com Diego Xavier (guitarra e voz), Gustavo Athayde (bateria e voz) e Hafa Bulleto (baixo e voz) -; grupos como Sin Ayuda e The Vain, que conseguiram relativo destaque no meio independente no começo da presente década.

Logo na abertura do disco, a dobradinha composta por 1943 e Enigma do Dente Falso reforçam essa inevitável associação com o passado. Difícil não lembrar de grupos como Ride e Slowdive quando as vozes abafadas e batidas tentam escapar da avalanche de temas sujos lentamente incorporados pelas guitarras. A relação com a música dos anos 1990 ainda volta a se repetir em faixas densas como A Vida é uma Raposa e Luz, Som & Dimensão, composições escolhidas pela banda para encerrar o disco e uma espécie de diálogo com a obra do grupo norte-americano The Flaming Lips no mesmo período.

Embora constante, a relação da banda com o passado está longe de parecer um problema durante a execução da obra. Trata-se apenas de uma fina tapeçaria referencial, uma espécie de tempero para o conjunto de experimentos delicadamente incorporados em cada música. De fato, poucos grupos recentes conseguiram reproduzir um trabalho tão dinâmico e atual quanto o Bike em 1943. Da avalanche de ruídos ao uso de versos marcados pela leveza – “Vulcões cospem fogo e as geleiras derretem / Resolvemos os problemas do mundo e eles se repetem” -, é fácil ser seduzido e hipnotizado pelo som do grupo.


domingo, 3 de abril de 2016

Flávio Guimarães - Navegaita [2003]

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Este CD é fruto de uma longa trajetória geográfica e musical : do Sul dos Estados Unidos ao Nordeste brasileiro , passando de raspão pelo Caribe e desembocando por fim no Rio de Janeiro. 

O terceiro álbum do gaitista Flávio Guimarães , produzido entre julho de 2000 e maio de 2002, foi gravado nas cidades de Recife , São Paulo , Rio e Amsterdam . Na maior parte do disco , o músico conta com o apoio da banda que o vem acompanhando na estrada : Danny Vincent nas guitarras , Silvio Alemão no baixo e Mario Fabre na bateria. Flávio fez novos arranjos para "Estrela da Noite", de Jorge Mautner e "Menina Mulher da Pele Preta", de Jorge Benjor. Nas duas e nas originais "Não Pára" e "Mãe dos Vícios", ele assume os vocais , respaldado pelas vozes femininas de Cidália e da parceira Andrea Paola. 

Flávio Guimarães , que já havia lançado Little Blues , em 1995 e On The Loose , em 2000 , foi além do formato do blues tradicional , indo em direção à musica brasileira. No dueto A Formiga e a Saúva com o "tocador de realejo" Tavares da Gaita , de Caruaru , presenciamos duas culturas, duas histórias, duas respirações diferentes entrelaçando-se musicalmente como se as duas se conhecessem desde nascidas. O virtuosismo do artista se faz presente em faixas instrumentais como Cão Comendo Mariola , Pinote , sua gaita dialoga em Maracagroove com percussões de maracatu de Pernambuco, em Caba Véi com clarineta, em S Dobrado com berimbau, e em Boomerang com didgeridoo e atabaque. Em encontros desse tipo, Flávio Guimarães se afasta das raízes do blues e estabelece um confronto onde a gaita conduz e deixa-se conduzir por outras regiões de ritmos e timbres. Trata-se menos de ultrapassar fronteiras nacionais do que estabelecer (ou revelar) laços entre formas de fazer música que têm histórias parecidas, mesmo tendo geografias diferentes. 

Reunir um ícone do repente , como Sebastião da Silva e o poeta Bráulio Tavares para contar a história da vida de Robert Johnson comprova a universalidade e proximidade do blues e do repente. O berimbau de Chocolate , o didgeridoo aborígene de Nemo , a clarineta de Paulo Moura e a presença do também gaitista norte-americano Howard Levy , além de um time de músicos de primeira comprovam o talento de Flávio Guimarães como produtor e arregimentador. Composições próprias e arranjos originais expõe um lado pouco conhecido desse instrumentista , que já deu o ar de sua gaita em gravações de artistas como Zeca Baleiro, Ed Motta, Titãs, Cássia Eller, Zélia Duncan, Gabriel o Pensador, Fernanda Abreu e Rita Lee, além do grupo Blues Etílicos, onde se projetou.


1 - Cão Comendo Mariola
2 - Não Para
3 - Pinote
4 - Maracagroove
5 - Menina Mulher Da Pele Preta
6 - Balada De Robert Johnson
7 - A Formiga e a Saúva
8 - Mãe Dos Vícios
9 - Caba Véi
10 - 'S' Dobrado
11 - Estrela Da Noite
12 – Boomerang