terça-feira, 28 de março de 2017

Célio Albuquerque - 1973 – O Ano Que Reinventou a MPB [2015]

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Por Adriano Mello Costa em Cinezen

Em 1973 o Brasil estava sobre o comando do General Emílio Garrastazu Médici. O golpe militar estava prestes a completar dez anos e o cenário, se por um lado apresentava o (ilusório, em vários aspectos) “milagre econômico”, do outro lado minava mais ainda as liberdades individuais e criativas naqueles anos conhecidos como de “chumbo”. A censura sobre produções culturais estava cada vez mais acentuada e eliminava (na maioria das vezes sem base alguma) frequentemente partes de canções, de discos, de peças, de filmes, de livros.

Apesar disso, o ano de 1973 foi fecundo na parte musical e mesmo com a censura no pé, discos memoráveis foram produzidos nesse ano. O jornalista Célio Albuquerque percebeu isso e idealizou e organizou um livro que disserta sobre esses registros. O resultado é o livro “1973 – O ano que reinventou a MPB”, lançado pela Editora Sonora efetivamente no início desse ano com 432 páginas, comemorando assim os 40 anos da concepção dos álbuns. Com direção editorial de Marcelo Fróes, 50 e poucos discos foram pinçados e resenhados por jornalistas, pesquisadores, músicos e outras pessoas do meio.

A ideia – muito boa na percepção – também se mostrou bem interessante na prática. Mesmo que você não compreenda a inserção de um álbum ou outro, ou não goste do teor do texto e das considerações de algum trabalho, no aspecto geral o livro agrada confortavelmente. Além de servir como um documento histórico desses trabalhos pelas histórias contadas e fichas técnicas completas fornecidas. Dispostos em ordem alfabética por nome do artista (exceção feita a primeira e a última redação), os escritos podem ser divididos em várias pequenas categorias.

Uma dessas categorias é a dos melhores textos. Nela se incluem as palavras de Vagner Fernandes sobre “Clara Nunes”, de Nilton Pavin e Sílvio Atanes sobre “Chico Canta (Calabar, o Elogio da Traição)”, de Antonio Carlos Miguel sobre “Quem é Quem” de João Donato, de Pedro Só sobre “Pérola Negra” do Luiz Melodia, de Sílvio Essinger sobre “Krig-Ha, Bandolo!” do Raul Seixas, além do texto final do Marcelo Fróes sobre discos que não foram lançados em 1973 por algum motivo (mas que seriam desse ano), como o “A e o Z” dos Mutantes e o “Banquete dos Mendigos”, clássico ao vivo com vários artistas.

Por serem textos mais extensos, dá para encaixar um pouco da vida do artista em questão, e quando isso ocorre sempre funciona, como no caso dos discos da Clementina de Jesus (que começou a cantar somente aos 63 anos) e do Elton Medeiros (que mesmo bastante conhecido só gravaria o primeiro álbum aos 43 anos). Uma outra categoria interessante é formada por aqueles discos meio esquecidos que o livro aproveita e joga luz, composta, por exemplo, pelos registros do quarteto formado por Beto Guedes, Danilo Caymmi, Novelli e Toninho Horta, assim como pelo álbum homônimo do Guilherme Lamounier, o “Matança do Porco” do Som Imaginário e o “Matita Perê” do Tom Jobim.

Contudo, existem alguns pequenos problemas no livro. Em uma reduzida leva de textos, os autores (competentes e qualificados, isso não se discute) acrescentam demasiada carga de admiração e paixão pelo álbum escolhido, até mesmo se inserindo em determinados momentos, o que acaba por não funcionar tão bem, deixando o teor meio maçante. Isso acontece nos textos sobre os discos de João Gilberto, Marcos Valle e Maria Bethânia. Em outros o, autor simplesmente não conseguiu fazer o conteúdo fluir, como ocorre em “Araçá Azul” do Caetano Veloso. Acontece.

Para quem gosta de música, e principalmente de música brasileira, “1973 – O ano que reinventou a MPB” é puro deleite. Mesmo que alguns discos você pessoalmente entenda que não mereçam tanto entrar nessa lista por conta do título do livro (casos do disco de sambas de enredo, do João Bosco, do Fagner e do Gonzaguinha), isso não afeta a obra. Passear por palavras sobre clássicos exuberantes como alguns já citados e outros como “Milagre dos Peixes” do Milton Nascimento, “Índia” da Gal Costa, “Nervos de Aço” do Paulinho da Viola e “Todos os Olhos” de Tom Zé, satisfaz bem. É daqueles livros para acabar de ler, guardar na estante mais próxima para futuras consultas e ligar o som para escutar aquilo que foi lido.


*Agradecimento ao colaborador Diego Doi por ter disponibilizado o arquivo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Transcendental Cid - Não Existe Feriado no Mundo do Estresse [2016]

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Por Isadora Tonini em Guarany

A banda chapecoense Transcendental Cid lançou “Não Existe Feriado no Mundo do Estresse” conta com composições 100% autorais e une faixas produzidas durante a trajetória do grupo, incluindo ex-membros.

Muito sensível, reflexivo e lírico, o disco se baseia em canções instrumentais – com exceção de “Viagem Astral” (participação das bandas chapecoenses Epopeia e Repolho) – que conduzem o ouvinte a uma viagem sensorial nostálgica e futurista, tudo ao mesmo tempo.

“Não Existe Feriado no Mundo do Estresse” começou a ser produzido em Fevereiro de 2016, sendo gravado, mixado e masterizado no estúdio Garagem 50, de Chapecó.

O título surgiu durante um ensaio da banda, que conversava sobre a exaustão do trabalho repetitivo e sem sentido, que acelera a mente e a conduz a pensar sobre isso todo o tempo, mesmo fora do ambiente de serviço. Cada uma das nove faixas busca repassar, através da melodia, a ideia que oferece seu próprio título.


quarta-feira, 22 de março de 2017

Cosmo Drah [2015]

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Por Alexandre Campos Capitão em Whiplash

O primeiro e autointitulado disco do Cosmo Drah apresenta uma banda surpreendente, que traz os melhores elementos que remetem às grandes bandas como Uriah Heep, Sabbath, Captain Beyond. Canções inspiradas, com mudanças de andamento, dinâmica, e ambientadas num clima de jam session, tornam esse álbum uma grande estreia.

Formado por Ruben Yanelli (vocal), Anderson Ziemmer (guitarra e backing vocal), e a cozinha dos irmãos Elton Amorim (baixo) e Renato Amorim (bateria). O Cosmo Drah adotou o português como língua, e ao ouvi-los, além de pensarmos em grandes nomes internacionais, também nos lembramos de Mutantes, Patrulha do Espaço, Casa das Máquinas.

A bateria abre os trabalhos, e já na primeira faixa temos um resumo de tudo que essa banda tem a oferecer. Logo de cara, você encontra tudo ali, sem cartas escondidas na manga. Timbres inspirados, solo sem base, poucos overdubs de guitarra, mudança de andamento. A propósito, o título Labirinto é bastante apropriado. O Cosmo Drah entrou nesse labirinto chamado 60/70 e não encontrou e nem quer encontrar a saída, e lá fincaram sua bandeira.

Na sequência vem Hospício, que apresenta uma percussão bem colocada. E se repete uma característica positiva da banda, a mudança no andamento e da dinâmica durante o solo de guitarra. Ah, como são bons nisso.

O Poder é a faixa mais blues do álbum. A condução no aro da caixa segue até o final do primeiro refrão, quando entra toda a bateria e a canção cresce. “O que eu posso fazer, a não ser dizer: Deus me livre do poder”.

Subversão aos meus ouvidos é o ponto alto desse trabalho. Novamente a dinâmica se destaca. O baixista Elton também faz um órgão nessa canção, acrescentando muito à versão final. E o guitarrista Anderson mostra o quanto é valiosa sua mão direita.

Cosmo Drah me faz pensar, a canção deu nome à banda, ou à banda deu nome à canção? O que eu sei de fato é que o wah deu uma bela embalagem para o riff principal. Dessa vez o solo veio com efeitos interessantes, e sem guitarra base, remetendo ao que aconteceria ao vivo. É muito interessante ouvir várias camadas de guitarra, mas aqui não é de quantidade que estamos falando, mas sim de qualidade. Cosmo Drah, a música, tem ainda um trecho com dedilhado, coral, o que nos faz constatar que Cosmo Drah, a banda, tem muitos recursos que domina e que enriquecem sua música. E não hesita em usá-los.

Caos tem um dos melhores riffs do disco. O trabalho de baixo e bateria é muito consistente, e aqui faço uma nova pergunta, será que o fato de serem irmãos contribui pra força desse trabalho conjunto?

Nova Estação se inicia com um timbre de guitarra diferente dos demais. E o refrão com um clima bluesy “Porque é difícil de entender que eu tenho vida longe de você”. E o wah trabalhando muito novamente.

Salamandrah (opa, olha o Drah aí) começa com cara de balada, mas vai além, apresentando momentos de Stoner Rock e outros com um clima dramático. Renato Amorim desce a mão na batera, sem dó do couro.

A balada enfim aparece em Velhos Mestres. E Elton novamente mostra sua versatilidade, novamente no órgão, mas também com um solo de violão. E se você é daqueles que fogem de balada, pode destorcer o nariz, pois aqui é tudo está em nível elevadíssimo.

Mágica do Tempo apresenta alguns momentos de diálogo guitarra com bateria, na sua condução, em outro dos grandes ápices desse cd. “Na poeira do passado escrevemos o futuro”.

Os 55 minutos desse álbum se encerram com Roedor Renegado, faixa cantada pelo guitarrista da banda. Aquele momento que ao vivo o vocalista vai buscar uma cerveja. Se os Stones fazem isso, o Cosmo Drah também pode. E tenho dito. Aliás, timbre de voz de Ruben casa perfeitamente com o estilo da banda, e suas linhas vocais costuram com habilidade o trabalho dos seus companheiros.

O Cosmo Drah é uma bandaça, amigo. Todos seus integrantes se destacam em igualdade. Suas canções chamam a atenção pela riqueza nos arranjos, variações, e até pelo seu tamanho, geralmente com mais de 5 minutos, afinal, não há razão para serem curtas se os caras sabem como preencher sem entediar. O cd foi muito bem produzido, traz uma capa muito interessante, representando seu conteúdo, e traz as letras das canções. Além desse texto:

“O registro de quem somos e do que fomos aqui se encontra. Daquilo que desejamos, lutamos, criticamos e amamos, deixamos uma parte. Fazer algo que queríamos ouvir é mais difícil do que se pensa. Ao compor cada um de nós se torna admirador e ao mesmo tempo algoz. Custou-nos alguns anos, planos e sacrifícios”. Verdadeiro como os grandes artistas devem ser.

Encontrei no Wikipédia a seguinte definição para Cosmo “é um termo que designa o universo em seu conjunto, toda a estrutura universal em sua totalidade”. É adequado dizer que o Cosmo Drah concentra em sua música a totalidade dos elementos que fizeram o rock mudar o universo. Uma sonoridade madura e consistente, que você precisa conhecer. Vida longa ao Cosmo Drah.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Necro - Adiante [2016]

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Por André Luiz em metalrevolution

Totalmente cantado em português, o álbum da banda Necro intitulado ‘Adiante’ marca a estreia da Abraxas Records no mercado fonográfico. O terceiro registro do trio de Maceió (Alagoas) revela uma banda madura que foge de clichês e lugares comuns do “rock pesado”, experimentando sem medo todas as nuances poéticas e musicais propostas pelas canções. “Em português pudemos nos expressar melhor e, livres da responsabilidade de uma pronuncia correta do inglês, as melodias e as vozes puderam também fluir com maior consistência”, conta Pedro Salvador, guitarrista e vocalista da Necro.

Gravado em novembro de 2015 no Estúdio Superfuzz com o produtor Gabriel Zander (que assina a engenharia de som, mixagem e masterização) e lançado em 19 de dezembro de 2016 pela Abraxas, ‘Adiante’ pode ser considerado o trabalho menos “sombrio” da Necro. O disco traz 7 músicas que trilham os caminhos da psicodelia, do rock progressivo brasileiro e do hard rock setentista.

‘Adiante’, que também é o nome da segunda faixa do álbum, fala da necessidade de seguir em frente apesar de quaisquer dificuldades ou contratempos. Não é um disco conceitual, todavia cada letra foi pensada como um universo fechado em si, mas através de reflexões e conjecturas sobre o EU, o Outro, dogmas, ideias e a morte; o conceito de “seguir em frente” se mostra uma espinha dorsal da lírica do disco.

A Abraxas já disponibilizou o disco nas plataformas digitais (https://onerpm.lnk.to/Adiante Necro) e a expectativa é que o lançamento físico seja feito no começo de 2017, quando a banda sairá em turnê.


sexta-feira, 17 de março de 2017

Quarto Ácido - Volume II [2014]

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Por TNB

Em 2014, com produção de Felipe Dutra lançou seu segundo trabalho, "Volume II", recebido com excelente critica, proporcionando diversos shows no Rio Grande do Sul e sua estreia em terras Catarinenses, além da trilha sonora no programa Rota Explosiva da MTV Brasil com a faixa "Euphrates".


quinta-feira, 16 de março de 2017

Quarto Ácido - EP I [2013]

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Por TNB

Quarto Ácido é um trio instrumental que investe na união de timbres pesados e psicodelia, influenciado pelo rock dos 70s e o stoner das últimas duas décadas, com um pé no post-rock.

Formada em Panambi, no interior do Rio Grande do Sul, com a proposta de um som diferente e original, figurou em diversos festivais de música autoral como: Acid Rock Festival; Fest Malta; Pira Rural; Morrostock; entre outros.

Seu primeiro EP, lançado em 2013, contém 4 faixas produzidas por Jamil Moreira e Alécio Costa. Com ótima aceitação na cena local, o disco foi fundamental no processo de formação de público e seguidores do trio.

quarta-feira, 15 de março de 2017

Macaco Bong [2016]


Produzida a partir de diferentes recortes, imagens sobrepostas e cores saturadas, o trabalho concebido como capa para o quarto álbum de estúdio da Macaco Bong diz muito sobre a direção seguida pelo trio mato-grossense. Entregue ao público poucos meses após o lançamento de Macumba Afrocimética (2015), o registro de oito canções inéditas joga com as possibilidades, costurando diferentes ritmos, fórmulas e referências em um curto intervalo de tempo.

Movido pela urgência dos arranjos, conceito explícito na inaugural Lurdz, o registro homônimo faz de cada composição um ato isolado, sempre intenso. Salve exceções, como a extensa Chocobong, grande parte das músicas no interior do disco se revela em totalidade logo nos primeiros minutos. Um permanente diálogo entre a guitarra versátil de Bruno Kayapy e o baixo de Daniel Hortides com a bateria de Daniel Fumegaladrão.

Interessante notar que mesmo esse propositado sentido de urgência em nenhum momento interfere na construção de faixas mais complexas, detalhistas. Um bom exemplo disso está na segunda canção do disco, Beijim da Nega Flor. De essência melancólica, a composição que flerta com a obra de veteranos como Slint e Mogwai se espalha sem pressa, mergulhando na construção de bases melódicas e instantes de maior delicadeza, capazes de estimular a consturção de letras imaginárias na cabeça do ouvinte.

O mesmo cuidado acaba se refletindo na derradeira Macaco. Em um intervalo de quase seis minutos, Kayapy e os parceiros de banda visitam a mesma sonoridade incorporada pelo Pixies dentro de obras como Bossanova (1990) e Trompe le Monde (1991). Blocos imensos de ruídos que acabam silenciados em poucos instantes, como se o trio brincasse com o uso de pequenos contrastes, conceito que acaba se repetindo nos quase nove minutos de Chocobong.

Tão versátil quanto os iniciais Artista Igual Pedreiro (2008) e This is Rolê (2012), o novo álbum concentra no segundo bloco de composições o lado mais inventivo da banda. São elementos regionais que se cruzam em Baião de Stoner e Saci Caraquente, o flerte com o heavy metal em Carne Loca, guitarras levemente dançantes na rápida Distraídos Venceremos, música que parece ter saído de algum disco recente do Queens of The Stone Age.

A principal diferença em relação aos dois primeiros trabalhos da Macaco Bong está na forma como grande parte das canções acabam se conectando de forma torta no interior da obra. Lurdz emenda com naturalidade nos ruídos de Bejim da Nega Flor, Chocobong funciona como base para a construção de Baião de Stoner e Saci Caraquente, enquanto o estouro raivoso de Carne Loca serve de estímulo para as últimas músicas do disco.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Metalmorphose - Ação & Reação [2017]

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O novo álbum do METALMORPHOSE, ‘Ação & Reação’, acaba de ser lançado nas plataformas digitais. O trabalho está disponível tanto para streaming quanto para download, confira alguns links:


Além de ser nosso novo disco, ‘Ação & Reação’ marca também a despedida do vocalista Tavinho Godoy, que se mudou para a Europa (saiba mais: https://goo.gl/gKUCqE).

O disco foi gravado nos estúdios HR Estúdio e Naked Butt, sob a produção do talentoso Gustavo Andriewiski, que já havia feito os dois álbuns anteriores do grupo. A capa do disco ficou a cargo de Victor Santiago.

Um primeiro videoclipe foi retirado do álbum. A faixa escolhida é ‘A Cobra Fumou’ e conta com imagens reais, cedidas pelo Exército Brasileiro. As imagens da banda ficaram a cargo de Carlos Galvão (RJ) e Savi Giessevideo & Peter Lanz (Itália), com edição de Justo Lyra. Assista:

sábado, 4 de março de 2017

Rock Grande do Sul [1985]

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Cultuado álbum que reunia algumas das principais bandas gaúchas da época. A coletânea foi uma tentativa, bem sucedida, de lançar o rock gaúcho para o mercado além das fronteiras do pampa.


A1 - Engenheiros Do Hawaii - Sopa De Letrinhas
A2 - Os Replicantes - Surfista Calhorda
A3 - TNT - Entra Nessa
A4 - Garotos Da Rua - Sozinho Outra Vez
A5 - Defalla - Você Me Disse

B1 - Garotos Da Rua - Tô De Saco Cheio
B2 - Engenheiros Do Hawaii - Segurança
B3 - TNT - Estou Na Mão
B4 - Defalla - Instinto Sexual
B5 - Os Replicantes - A Verdadeira Corrida Espacial