sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Altamiro Carrilho - Flauta Maravilhosa [1996]

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Por Diego Lima em Bandolins e Afins

Olá pessoal, temos aqui mais uma flauta bem interpretada e composta, nada mais nada menos que Altamiro Carrilho, lenda viva do choro.

Esse disco de 1996 traz composições do próprio Altamiro.

Produzido por Jorge Gambier, com o próprio Jorge na percussão, Keko Brandão nos teclados, Márcio Almeida no cavaquinho, Maurício Almeira no baixo elétrico e Voltaire Muniz de Sá no 7 cordas.

Não consegui até hoje escolher uma música favorita nesse disco, todas são muito boas, porém destacarei "Frevinho carioca", simplesmente por ter sido a música que me trouxe até esse disco.

No demais, apreciem Altamiro, uma rica fonte pra quem gosta de choro.


1 -. Agarradinho
2 - O eterno jovem Bach
3 - Prelúdio pro Voltaire
4 - Chorinho do Rodrigo
5 - As andorinhas de Campinas
6 - Contatos imediatos
7 - João teimoso
8 - Bem-te-vi tristonho
9 - Frevinho carioca
10 - Forró nº1
11 - Batuque nº1
12 - Momento musical nº1
13 - Flauta chorona
14 - Momento musical nº2

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Eduardo Lira - The First Concept Project [2016]

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Por Marcos “Big Daddy” Garcia em Metal Samsara

Nos dias de hoje, pensar em discos instrumentais é quase sempre sinônimo de pensar em aulas de instrumentos musicais, especialmente quando falamos em guitarras. Isso ocorre devido às overdoses sucessivas de discos orientados para guitarra, sem vocais, e onde exclusivamente elas são o foco, suprimindo completamente os outros instrumentos musicais. Mas de uns tempos para cá, bons trabalhos assim tem surgido, onde baixo, bateria e teclados também mostram boa técnica, ou seja, o guitarrista se esforça para compor temas, não solos mirabolantes. E um dos melhores trabalhos feitos no Brasil do tipo é do guitarrista carioca EDUARDO LIRA, que em seu primeiro disco, “The First Concept Project”, não vem para massagear o próprio ego, mas nos conceder músicas incríveis, do mais alto nível.

Óbvio que no disco, se percebe que ele possui uma ótima técnica nas seis cordas, mas ao mesmo tempo, busca dar ênfase no seu lado mais compositor, se permitindo manter um ótimo nível técnico e musical ao mesmo tempo, onde a técnica é consequência da música, e não uma motivação. Os fraseados e riffs de Eduardo são muito próximos ao ecleticismo do Jazz Fusion, mas com uma boa dose de Rock e Metal. E, além disso, com o nível dos convidados que temos no baixo, fica clara a proposta musical do CD: criar música de alto nível, e para todos.

Produzido por Eduardo Lira, Alexandre Oliveira e David Cid (este fazendo a mixagem e masterização do álbum), “The Firts Concept Project” tem uma sonoridade equilibrada e bem feita. É polido e limpo na medida certa, mas ao mesmo tempo, quando precisa de peso, ele se faz presente. E o design gráfico de Gustavo Sazes ficou muito bom, casando muito bem com as idéias musicais do álbum.

O disco é todo bom e sedutor aos nossos sentidos, mas é impossível não destacar a emocionante “The Edge Part 2 – A Path to Enlightenment” (pegada pesada, andamento moderado, e os fraseados de guitarra nos agarram pelos ouvidos), a forte e pesada “Catharsis”, a sensível e envolvente “Enjoyment” (que lindas guitarras, sem mencionar que baixo e teclados fazem um trabalho perfeito), a debulhada de baixo e peso da bateria em “Kaleidoscope” (existem até alguns toques de estilos fora do Rock em alguns momentos), a diversidade pesada de arranjos de “Intention Divine”, e a beleza introspectiva de “Raining Day” (belíssimos acordes de piano).

Esperemos que “The Firts Concept Project” seja o primeiro de muitos discos de Eduardo!


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Pense - Além Daquilo Que Te Cega [2014]


Por Guilherme Guedes em Tenho Mais Discos Que Amigos

Oriundo de garagens suburbanas dos rincões dos Estados Unidos nos anos 1980, o hardcore chegou ao Brasil pouco depois, ainda mais próximo do punk, com a veia política inflada pela ditadura militar então prestes a acabar. De lá para cá, vimos várias gerações de subgêneros do HC brasileiro nascerem e morrerem, muitas vezes optando por letras em inglês ou naquele português macarrônico, com sílabas distorcidas para melhor se adaptarem aos nossos ouvidos colonizados.

De vez em nunca, uma ou outra banda acerta na balança entre a nossa complexa e rebuscada língua e a retidão do rock. Na maioria das vezes, o equilíbrio é alcançado pelo empobrecimento do vocabulário, em rimas previsíveis, daquelas que conseguimos adivinhar como termina antes mesmo do verso acabar. Não é o caso do Pense, excepcional banda mineira de hardcore que lançou o seu segundo álbum, Além Daquilo Que Te Cega, na última Sexta-feira (27).

O Pense surpreendeu a todos com Espelho da Alma (2011), o álbum de estreia do quinteto de Belo Horizonte. Altamente técnico e repleto de energia, o disco foi um sopro de esperança para os fãs do hardcore nacional, ainda dependentes demais de bandas que estavam na estrada muito antes de boa parte dos fãs atuais nascerem. Mas as letras das doze faixas de Espelho da Alma eram o destaque evidente do disco: furiosas mas sempre positivas, e distantes do óbvio apesar da ingenuidade ocasional, demonstravam o comprometimento do grupo com o nome de batismo – a proposta não era apenas moshar, gritar em coro ou lamentar relacionamentos platônicos frustrados; era instigar os ouvintes.

Assim, Além Daquilo Que Te Cega nasce com a missão de cumprir a expectativa gerada pela boa recepção do anterior. Para aumentar a pressão, do primeiro álbum para cá a banda trocou três integrantes – da formação prévia, estão apenas o vocalista Lucas Guerra e o baixista Judá Ramos – mas o que poderia representar uma mudança drástica transformou-se em evolução nítida, com arranjos e versos ainda mais intrincados que garantem não apenas a manutenção do nível do grupo, mas um crescimento incontestável.

O som, uma espécie de filho bastardo do Dead Fish com o Comeback Kid criado por padrastos fãs de metalcore, não é muito diferente, apenas um toque mais pesado. O segundo álbum do Pense parece amarrar melhor as influências, de forma que elas dialoguem melhor entre si em uma mesma abordagem, sem parecer um quebra-cabeça desorientado de referências. O ritmo é sempre frenético. Sempre mesmo, o tempo todo, do início ao fim. Bem, com exceção da introdução de “Contra-cultura”, faixa de abertura do álbum que começa com um discurso de Lucas sobre dedilhados límpidos, interrompidos antes do primeiro minuto por um riff feroz das guitarras de Cristiano Souza e Ítalo Nonato. Os dois abrem alas para a cozinha do grupo, composta por Judá e pelo habilidoso baterista Danilo Vilarino, que irrompem com velocidade e ditam o rumo do restante do álbum.

A maior parte das faixas preza pela celeridade, e a solução do Pense para evitar o tédio vem na forma de breakdowns e conversões, como o solo duplo de guitarras em “Aponte Pro Espelho”, ou a metade final de “Andando Sobre Pedras”, que vai de um hardcore veloz a um final grandioso intermediado por um breve momento de calmaria. A banda também acerta quando pisa no freio, como na ótima “Ismos”, que compensa o BPM mais baixo com linhas pesadas e aponta uma possibilidade interessante para o futuro musical do Pense.

E mais uma vez a habilidade de Lucas Guerra como letrista é digna de destaque. Lucas não canta versos complicados, pelo contrário. É adepto da simplicidade, mas até quando fala de relacionamentos, como em “Falta”, evita clichês exauridos por anos de abuso de compositores menos inspirados. Os alvos ainda são similares: a parcela conservadora da sociedade e da mídia em “Contra-cultura”, a egolatria em “O Que Me Cega” e o comodismo em “Seguro Demais”, que ecoa, intencionalmente ou não, grandes momentos do Noção de Nada, extinta banda de Gabriel Zander, atual líder do… Zander. Lucas acompanha o desenvolvimento do time instrumental entre os dois álbuns e também mostra avanço em “Expansão da Consiência”, que em versos mais abstratos parece pregar uma união coletiva em prol de um bem maior não-identificado, em versos igualmente empolgantes.

Além Daquilo Que Te Cega é superior a Espelho da Alma em todos os sentidos, e apesar de pecar pela falta de criatividade em alguns momentos em que a receita de oitavadas + tupa-tupa toma conta, mostra que o progresso do Pense continua a surpreender e a gerar frutos da melhor qualidade. Que venham os próximos.


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