domingo, 30 de agosto de 2015

Do Caos À Utopia [2012]

Por Afonso Rodrigues no For Heads

O documentário "Do Caos à Utopia" mostra através de depoimentos de diversas bandas gaúchas a realidade do Rock independente. Chama atenção a qualidade da produção, sendo que se trata de um TCC (trabalho de conclusão de curso). Feito por alunos da UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul), temas como "a dificuldade do início de carreira", "o lado bom e ruim de ser independente", "a concorrência entre as próprias bandas", "o que as bandas novas precisam aprender", além de causos como o de não tocar para ninguém ou "para um casal de velhinhos comendo pizza em um rodízio".



Direção - Diego Tafarel
Assistência de direção - Pablo Melo
Fotografia - Lucas Ferreira
Produção - Andressa Marmitt, Andréa Schu e Jonatan Adam
Orientado por - Professor Jair Giacomini
Produção em mídia audiovisual - Comunicação Social - Unisc

Participação de - Fresno, Esteban, Apanhador Só, Tópaz, Cartolas, doyoulike?, O Curinga, Tampa e Léo Soares (produtor de eventos de rock)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Paulo Ricardo & RPM [1993]

Yandex 128kbps


Por Davi Pascale no Rock Nation

Muitas vezes o carisma de um artista acaba encobrindo seu talento. As pessoas começam a olhar com certa desconfiança e deixam de acompanhar o trabalho de artistas extremamente competentes por conta do visual do cantor, da sua popularidade com as garotas e outras bobeiras mais. Acabam pegando raiva sem mesmo ter ouvido algo do mesmo. Poderia citar uma infinidade de exemplos. Um exemplo polêmico no Brasil é o doo eterno “RPM”, Paulo Ricardo. A coisa piorou ainda mais depois que na segunda metade da década de 90 ele se arriscou em uma (curta) carreira romântica. E, para ser honesto, os discos não eram ruins. Dentro daquilo que ele se propunha a fazer, eram projetos bem sucedidos. 

É verdade que o rapaz fez alguns discos realmente questionáveis (como o fraco projeto PR.5), mas fez muita coisa legal também. E dentro do nosso tão amado rock n´ roll, inclusive. Nem só de Revoluções Por Minuto vive sua discografia. Aposto que muitos leitores que acompanham esse site, nunca ouviram o trabalho que o músico lançou no longínquo ano de 1993. E aposto que uma boa parte iria se apaixonar pelo disco se deixasse o preconceito de lado. 

Na época, Paulo Ricardo Oliveira Nery de Medeiros, queria retomar o grupo RPM. Na década anterior, o grupo tinha sido o grande vendedor de discos do Brasil. O sucesso que esses caras fizeram na época do LP Rádio Pirata talvez só pudesse ser comparado ao estardalhaço causado pelo Secos & Molhados, nos anos 70. Até hoje ninguém conseguiu repetir o sucesso deles. Quem mais chegou perto foi o irreverente grupo Mamonas Assassinas, talvez o último verdadeiro fenômeno da música popular brasileira. Os caras eram perseguidos nos aeroportos, os shows eram verdadeiras histerias, capa de tudo quanto é revista, aparição em todos os programas de televisão. Venderam 2.500.000 de discos em uma época onde 500.000 era um megasucesso. Tiveram até LP´s pirateados. Pode acreditar, naquela época isso era raro. Viviam literalmente uma “beatlemania”. Portanto, não é de se estranhar essas novas tentativas de resgatar o RPM. Concordo que é praticamente impossível que repitam o sucesso daquela época, mas é bem provável que nasçam registros bem interessantes como esse álbum. 

Quando reformulou a banda, o musico decidiu que não queria uma volta nostálgica. Não queria soar como os anos 80. Resolveu fazer um som mais voltado para a época. Daí a razão de eu falar que muitos leitores iriam adorar esse disco. Nesse LP, Paulo Ricardo resolveu flertar com o hard rock. Os teclados ganharam mais corpo, a bateria ganhou mais peso, as guitarras ganharam mais volume. Da formação original veio o guitarrista Fernando Deluqui (que já tinha participado dos primeiros trabalhos solo de Paulo como musico convidado). Completavam o time, o tecladista Franco Junior e o baterista Marquinho Costa. 

O disco abre com a primeira musica de trabalho, “Perola”, uma musica bem pra cima que conta com um bom riff de Fernando Deluqui. “Genese” vem em seguida dando uma cara um pouco mais sombria. A primeira balada do disco vem em seguida com a belíssima “Veneno”. Mas, calma, não é uma balada sonsa, trata-se da famosa balada rocker, manja? “Surfista Prateado” traz uma sonoridade mais pop. O lado mais hard volta na ótima “O Fim”, incrível como essa letra ainda soa atual. “Outro lado”, faixa que encerra o lado A traz uma sonoridade pop/rock, mesclando momentos calmos com momentos mais pesados. 

O lado B começa bem com “Hora do Brasil”. Trazendo uma sonoridade mais pesada e direta. “Eclipse” e “Ninfa” trazem o lado baladeiro de volta. Essa ultima já recebeu várias regravações de Paulo mas, na minha opinião, nenhuma chega perto dessa. O lado pop/rock reaparece com “Trem”, “Virus” e “Falsos Oasis”, que encerra o disco. 

Quando lançou o famoso Revoluções Por Minuto, o musico dividiu o LP deixando as musicas que julgava possíveis hits no Lado A e as musicas que julgava de mais difícil compreensão no Lado B. Aqui não foi diferente. As musicas com uma pegada mais pesada ficaram, em sua maioria, na lado A. Enquanto as músicas mais comerciais, digamos assim, ficaram em maioria no Lado B. Esse disco era pra ter sido lançado com o nome de RPM, mas o até então ex-tecladista Luiz Schiavon (que tinha direito do nome) abriu um processo judicial impedindo que eles se apresentassem com o nome que os tornaram famosos. Depois de muita conversa e negociação, Schiavon cedeu, porém com uma condição, teria que ter um outro nome na frente. Nada mais eficaz do que utilizar a velha prática de colocar o nome de seu líder na frente, até porque todos já sabiam quem ele era. Pronto! Nascia ali o projeto Paulo Ricardo & RPM. 


Nas apresentações, algumas músicas antigas foram rearranjadas para combinar com esse novo repertorio. Caso da clássica “London, London” (musica escrita por Caetano Veloso em seu tempo de exílio, que fez grande sucesso com a versão teclado e voz gravada pelo RPM em 1985). 

As letras desse disco seguem a mesma lógica de sempre. Nesse ponto, as características principais de seu líder aparecem por aqui intactas: oras com letras românticas, oras com criticas políticas. Paulo Ricardo, além de ser um bom showman, sempre foi um bom letrista. Portanto, é interessante parar para ler as letras enquanto se escuta o álbum. O disco também ganhou uma versão em espanhol que nunca foi lançada no Brasil. Apenas no exterior. Se houver algum colecionador por aí, corra atrás. Eu consegui o meu. 

Muitos julgam esse LP como o terceiro trabalho solo de Paulo Ricardo (uma vez que ele sucedia o também ótimo Psicotropico e fugia um pouco da sonoridade clássica do grupo), muitos como o terceiro do RPM (alguns fãs, inclusive, têm pedido para que os músicos incluam canções desse disco no seu show atual). Eu sempre preferi considerá-lo um trabalho solo. E você? Já ouviu esse disco? Como o encara? 


Músicas:

1 -  Pérola
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
2 - Gênese
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
3 - Veneno
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
4 - Surfista Prateado
(Paulo Ricardo) 
5 - O Fim
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
6 - Outro Lado
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
7 - Hora do Brasil
(Paulo Ricardo, Fernando Deluqui e Franco Júnior)
8 - Eclipse
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
9 - Ninfa
(Paulo Ricardo e Paulo P. A. Pagni)
10 - Trem
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui) 
11 - Vírus
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)
12 - Falsos Oásis
(Paulo Ricardo e  Fernando Deluqui)


Banda:

Paulo Ricardo - baixo, vocal
Fernando Deluqui - guitarra
Franco Júnior - teclados
Marquinho Costa - bateria

*Lançado simultaneamente em LP e CD. A faixa Falsos Oásis só foi incluída no CD.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

RPM [1988]

Mega FLAC


Após breve separação, ocorria em 1987, a banda retorna ao estúdios para gravação do novo álbum intitulado apenas "RPM" mas mais conhecido como "Quatro Coiotes", talvez por causa da primeira faixa do disco que leva esse nome.

A quem preferia esse álbum ao "Revoluções por Minuto", por ser um álbum mais técnico e com um som mais pesado. Com grande divulgação nas rádios o disco chegou a 250 mil cópias vendidas, um bom número para época mas um fracasso em se tratando de RPM.


Músicas:

A1 - Quatro Coiotes
(Fernando Deluqui; Luiz Schiavon; Paulo Ricardo)
A2 - A Dália Negra 
(Luiz Schiavon; Paulo P.A. Pagni; Paulo Ricardo)
A3 - Um Caso de Amor Assim... 
(Fernando Deluqui; Paulo P.A. Pagni; Paulo Ricardo)
A4 - Ponto de Fuga 
(Fernando Deluqui; Luiz Schiavon; Paulo Ricardo; Péricles Cavalcanti)
A5 - Partners 
(Luiz Schiavon; Paulo P.A. Pagni; Paulo Ricardo)
B1 - A Estratégia do Caos 
(Fernando Deluqui; Luiz Schiavon; Paulo Ricardo)
B2 - Sete Mares 
(Fernando Deluqui; Luiz Schiavon; Paulo Ricardo)
B3 - Quarto Poder 
(Luiz Schiavon; Paulo Ricardo)
B4 - O Teu Futuro Espelha Essa Grandeza... 
(Fernando Deluqui; Luiz Schiavon; Paulo P.A. Pagni; Paulo Ricardo)
B5 - Show It to Me 
(Paulo P.A Pagni; Paulo Ricardo)

Banda:

Paulo Ricardo: Voz e Baixo
Fernando Deluqui: Guitarra e Violão
Paulo P.A. Pagni: Bateria
Luiz Schiavon: Teclados


Músicos Convidados:

Paulinho Da Costa: Percussão
Bezerra da Silva: Vocais

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

RPM & Milton - Homo Sapiens / Feito Nós [1987]

Yandex FLAC


Por Aramis Millarch no Tabloide Digital
originalmente publicado em 12 de junho de 1987 no Estado do Paraná

O projeto foi tão inusitado como atraente em termos de marketing que a CBS não deixou por menos: para o lançamento oficial do mix em que se encontram o grupo de rock de maior sucesso do Brasil - o RPM (mais de 3 milhões de cópias vendidas de seus dois elepês) e um dos monstros sagrados da moderna MPB - Milton Nascimento, teria que haver mesmo um evento especial. Assim foram reunidos num dos salões do Cesar Park Hotel, em Ipanema, Rio de Janeiro, na terça-feira, 9, jornalistas da área musical vindos das principais capitais do país, mais colegas do Rio de Janeiro e São Paulo, para um papo descontraído e simpático com Milton, Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Paulo Pagni e Fernando Deluqui. Só que estes dois últimos - mais o baterista Robertinho Silva - praticamente não abriram a boca, justificando que Paulo Ricardo e Schiavon falassem por eles. Óculos escuros - que tirou apenas uma vez durante os 60 minutos da entrevista - Paulo Ricardo, transformado em sex symbol masculino do rock tupiniquim no ano passado, falou bastante sobre a parceria com Milton Nascimento - resultando nas duas músicas que compoem o mix mais sofisticado já editado no Brasil (capa dupla, ilustrações interiores de Marcelo Grasman): "Homo Sapiens" e "Feito Nós". xxx Cada vez menos tímido - justificando que na verdade, no íntimo nunca foi introvertido, apenas que no início de sua carreira temia a imprensa pelo que pudesse "distorcer de minhas palavras" ("mas agora a imprensa ficou diferente"), Milton falou bastante. Disse de como nasceu a idéia de uma associação musical com os rapazes do RPM, há mais de um ano, durante um encontro que teve com eles, em Los Angeles, após um show - quando o grupo musical lá se encontrava, com o produtor Mazzola, mixando o lp "Rádio Pirata ao Vivo" (que vendeu mais de 2 milhões de cópias). Assistindo a Milton, naquela noite, estavam também Herbie Hancock, Tina Turner e Lee Ritenour. "E Milton esbanjando energia no palco", depõe Mazzola. Os rapazes do RPM falaram ao Milton de sua admiração, cantaram suas músicas - "não só as mais novas, mas aquelas mais antigas". A idéia de uma marceira Milton-RPM começou a germinar, mas se passaram muitos meses para que se concretizasse - com Milton colocando a letra em "Homo Sapiens", música de Paulo e, depois, Paulo fizesse a letra para "Feito Nós". Feito um anjo/ Decadente Meio santo, meio gente/ à meia luz xxx O projeto conseguiu ser guardado em segredo. "O que acho surpreendente, já que raramente se consegue no meio artístico se manter algo em sigilo", comentou Milton, acrescentando, humorado: Um segredo que três sabem só continua segredo se dois morrem... Os jornalistas perguntavam bastante a Paulo, Schiavon e, especialmente a Milton, sobre esta associação - aparentemente estranha, considerando que em 20 anos de carreira o Bituca tem trabalhado basicamente com um grupo de velhos amigos, a maioria mineiros - entre os quais se destaca Fernado Brandt, poeta e letrista com quem tem inúmeros sucessos. Em sua voz pausada, com segurança, Milton falou: - "Não tenho e nunca tive barreiras. Tenho mais estrada do que os rapazes do RPM, mas houve uma identificação com a sua música. Não separo o rock, discriminadamente, embora, muitas vezes, exista quem procure colocar as questões em termos de crítica. Sempre busquei lições de companheirismos, pois o artista, com o microfone, tem uma responsabilidade do encontro, da amizade e da comunicação." Paulo Ricardo, com lucidez, também procurou colocar a sua participação: - "Este encontro, naturalmente, tem muitos reflexos. O resultado, nas duas canções que fizemos, encontrou um significado. Afinal, procuramos, a nossa maneira, dizer as coisas que ele procura dizer." Luiz Schiavon, em intervenções bem humoradas, respondeu as questões relacionadas aos caminhos artísticos do RPM, o próximo disco do grupo - no qual utilizarão inclusive sons de berimbau - e do desejo de não asfixiarem "apenas pela vendagem de milhões de cópias". Paulo Ricardo, tranqüilo e calmo o tempo todo, só sobressaltou-se quando uma repórter lhe indagou sobre a fofoca que mais foi noticiada no ano passado: a sua saída do grupo para uma possível carreira solo. - "Em absoluto, nem pensar!" No final não poderia faltar a questão das drogas, a propósito da condenação do roqueiro Lobão. Paulo Ricardo, que no ano passado teve problemas com o porte de maconha (preso no aeroporto do Galeão, quando viajava para Londrina), foi enfático: - "De princípio, nossa solidariedade ampla, integral e irrestrita com o amigo Lobão. Já fomos visitá-lo na prisão no Ponto Zero e estamos confiantes na justiça..." E acrescentou: - "Eu acho que a gente tem milhões de outras bandeiras. No Brasil, na maneira como está a gente batalhar pela discriminalização da maconha, acho que é um luxo. Afinal, há tantas outras prioridades, que esta é uma questão para países desenvolvidos, onde as elites conquistam seus direitos - como na Espanha, onde a maconha foi liberada. Enfim, cada civilização tem as leis que merece..."


Músicas:

A1 - Homo Sapiens
B1 - Feito Nós

sábado, 22 de agosto de 2015

RPM - Rádio Pirata Ao Vivo [1986]

Mega FLAC


Por Luiz Felipe Carneiro no SRZD

Quando Roberto Medina conseguiu juntar bandas como Queen, AC/DC e Yes no mesmo palco, no Rock in Rio de 1985, uma palavrinha teve que entrar na cabeça das bandas de rock brasileiras: "profissionalização". Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Kid Abelha, Lulu Santos, entre outros, haviam participado (e, de um modo geral, mandado bem) do festival. E, na verdade, foram eles mesmos os responsáveis pela existência do Rock in Rio, quando mostraram (ou relembraram) que o brasileiro era capaz de fazer rock de boa qualidade. Os fãs entenderam o recado, compraram os discos, lotaram os shows e, assim, viabilizaram a realização do Rock in Rio. Mas, depois do Rock in Rio, esses mesmos fãs ficaram mais exigentes. E se não houvesse "profissionalização" - o Kid Abelha, por exemplo, nem tinha empresário no início de 1985 -, as bandas poderiam sumir do mapa, o que, aliás, aconteceu com muitas delas.

No momento em que aquele imenso palco aportou na Cidade do Rock de Jacarepaguá, Paulo Ricardo, Luiz Schiavon e Fernando Deluqui ainda estavam fazendo pequenos shows pelo circuito paulistano, e nem sonhavam em tocar no festival. De fato, o RPM não foi convidado para o evento (até mesmo porque, o álbum de estreia ainda nem tinha sido gravado), mas, no ano seguinte, foi a banda que mais soube levar ao pé da letra aquela palavrinha mágica que o festival impôs. Resultado: em 1986, não havia banda de maior sucesso no Brasil do que o RPM.

Vale aqui um parêntese para explicar a ascensão meteórica do RPM antes de atingir o estrelato. Em abril de 85, o grupo (que já tinha o baterista Paulo Pagni, ou, simplesmente, P.A. entre os seus integrantes) colocou nas lojas o álbum "Revoluções Por Minuto", com pelo menos cinco clássicos - "Rádio Pirata", "Olhar 43", "Louras Geladas", "A Cruz e a Espada" e a faixa-título. Com a produção de Luiz Carlos Maluly, o álbum foi muito bem recebido pelo público, que transformou as canções em hits instantâneos do Rock Brasil. No total, foram mais de meio milhão de cópias vendidas. O RPM virou febre nacional e ganhou até um programa "Globo Repórter" inteirinho em sua homenagem.

Tendo ciência do poder de fogo da banda, os seus integrantes se cercaram do bom e do melhor para fazer uma grande turnê, com shows que entrassem para a história do show business brasileiro e nada ficassem a dever aos espetáculos de som e luz de bandas como o Queen e o AC/DC - se lembra da tal "profissionalização"?.

Dessa forma, o empresário Manoel Poladian (o mesmo de Roberto Carlos e Simone, dois dos maiores vendedores de disco do Brasil) foi contratado pela banda, e Ney Matogrosso foi chamado para dirigir o show de divulgação do álbum "Revoluções Por Minuto". A turnê estreou no dia 19 de setembro de 1985, no Teatro Bandeirantes, em São Paulo. Muito rapidamente, percebeu-se que os pouco mais de mil lugares do teatro eram pouco, mas muito pouco, para o RPM.

Desde a estreia, o RPM mostrou que aquele era um show diferente. Se, musicalmente, ele pouco fugia do que era apresentado no disco, cenicamente, era algo impressionante, cheio de raio laser, gelo seco, cenários imensos e iluminação estonteante. Tudo isso, misturado às músicas que o público sabia de cor e salteado, fez com que a banda começasse a se apresentar em lugares maiores, como o Palácio de Convenções do Anhembi ou o Canecão carioca, que presenciou semanas e mais semanas seguidas de show do RPM, que ainda chegou a lotar, por dois finais de semana seguidos, o ginásio do Maracanãzinho, também no Rio de Janeiro.

No repertório do show, entravam todas as músicas do único disco do grupo. Para o espetáculo ficar um pouco mais (e geralmente eles não passavam de 80 minutos de duração), o RPM incluiu duas inéditas (o sucesso "Alvorada Voraz" e a instrumental "Naja") e duas covers ("London, London", de Caetano Veloso, e "Flores Astrais", canção obscura do Secos & Molhados, ex-banda do diretor do show). E isso foi o suficiente para o RPM ter absolutamente todos os shows lotados de sua turnê.

Os teclados iniciais de "Revoluções Por Minuto" eram a deixa para a banda entrar no palco. Falar da histeria das adolescentes aqui seria perda de tempo. Usando "estilosos" blazers para os anos 80 (e que hoje são de gosto bastante duvidosos), Paulo Ricardo (com um sobretudo de gosto mais duvidoso ainda), Schiavon, Deluqui e P.A. chegavam atacando no som enquanto o raio laser encantava a plateia, que imaginava estar em um show de rock de alguma banda internacional.

A diferença é que nesse show, o público podia cantar as músicas em português. E assim foi feito, em sucessos como "Louras Geladas" (a segunda do roteiro), "A Cruz e a Espada", "Olhar 43", "Rádio Pirata", entre outras menos conhecidas - pelo menos para os pais das crianças e dos adolescentes -, como "Juvenília", "Liberdade / Guerra Fria", "Sob a Luz do Sol" e "A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade".

Mesmo no momento em que cantava em inglês, Paulo Ricardo era (bem) acompanhado pelo público. "London, London", faixa do álbum lançado por Caetano Veloso durante o seu exílio na capital inglesa, em 1970, logo caiu no gosto popular com a interpretação melosa de Paulo Ricardo (que, a essa altura do show, já estava com os seus ombros, tão elogiados pelo compositor da canção, de fora), acompanhado apenas pelo teclado de Luiz Schiavon. O motivo de tamanho sucesso era simples e até mesmo inusitado no Brasil, em tempos de pré-internet. Durante um show no Festival Atlântida, no Rio Grande do Sul, alguém conseguiu gravar a canção direto da mesa de som. A música foi parar nas rádios e logo se transformou em uma das mais pedidas, de norte a sul do país. Segundo Marcelo Leite de Moraes, biógrafo da banda (e que lançou o ótimo livro "Revoluções Por Minuto"), a versão para a música de Caetano chegava a tocar 85 vezes por dia nas rádios do eixo Rio-São Paulo.

Assim, a banda não perdeu tempo e convocou o produtor Marco Mazzola para gravar o show nos dias 26 e 27 de maio de 1986, no Palácio de Convenções do Anhembi. Com uma produção de luxo (a começar pelo renomado produtor e terminando com uma mixagem em Los Angeles), "Rádio Pirata Ao Vivo" vendeu 2,5 milhões de cópias e, até hoje, é um dos discos mais vendidos no Brasil. No total, foram mais de 200 apresentações em um ano e quatro meses de turnê pelo Brasil. No derradeiro show, no dia 17 de dezembro de 86, dessa vez no Ginásio do Ibirapuera, o RPM gravou o VHS com a íntegra da apresentação, e que foi recentemente lançado em DVD (sem a imagem restaurada) no box "Revolução! - RPM 25 Anos".

De fato, naquele longínquo ano de 1986, o RPM fez a "revolução" no show business brasileiro. E pelas muitas produções brasileiras que nós vemos hoje em dia, em tantos palcos por aí, devemos agradecer a Paulo Ricardo e companhia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

RPM - Revoluções por Minuto [1985]

Mega FLAC


Por Renan Pereira no Rpblogging

Uma das melhores bandas da história do rock brasileiro é o RPM. E em seu disco de estréia, a banda formada pelo vocalista e baixista Paulo Ricardo, o tecladista Luiz Schiavon, o guitarrista Fernando Deluqui e o baterista Paulo P.A. Pagni mostra um som cheio de atitude, combinando o rock alternativo do R.E.M. e do The Smiths com uma inundação de sintetizadores, trazendo ainda as inteligentes e arrebatadoras letras de Paulo Ricardo, lotadas de boas tiradas e de críticas à sociedade. “Revoluções por Minuto” é, inclusive, o significado das letras do nome da banda.

“Rádio Pirata” é a primeira faixa, já trazendo a sonoridade característica da banda, com uma letra bastante inteligente, mostrando o intuito do álbum; ironicamente, o RPM realmente invadiu as ondas do rádio país afora, se tornando um dos maiores fenômenos comerciais da música brasileira. “Olhar 43” é um dos maiores clássicos da história do rock brasileiro, uma dançante música, com ótimo ritmo e boas variações, que traz um romantismo repleto de bom humor e com versos inusitados, retratando de forma perfeita o mundo boêmio dos jovens da época. A terceira, “A Cruz e a Espada”, é uma ótima música, melodicamente muito superior às anteriores, cujo instrumental impressiona positivamente por se mostrar muito bem trabalhado e de completo bom gosto.

“A Estação no Inferno” é uma faixa mais densa, cujos sons sintéticos a tornam especialmente obscura; porém, é uma música bem mais fraca comparada às anteriores do álbum, tanto na letra quanto no instrumental. Um ritmo contagiante e ótimos riffs de guitarra constroem a quinta faixa, “A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade”, que retrata, como seu título já deixa transparecer, a luta e o sentimento feminista existente na época, com uma letra repleta de ironias.

“Louras Geladas” é outra música clássica presente no “Revoluções por Minuto”, contando um inusitado romance, trazendo em sua estrutura instrumental ótimos riffs de guitarra e uma interessante linha de baixo. “Liberdade/Guerra Fria” peca na utilização exagerada de bateria eletrônica, o que torna o instrumental da faixa extremamente fraco, soando como uma demo mal feita e ainda esperando uma primeira edição; a letra é boa, mas o vocal acaba abafado pela má produção da faixa. “Sob a Luz do Sol” é muito superior à faixa anterior, cujo instrumental executa muito bem o clima obscuro da boa letra.

“Juvenília” procura retratar com um clima depressivo a situação da política na época, com uma letra cheia de críticas pessimistas. A penúltima, “Pr’esse Vício”, contém como introdução um ótimo solo de baixo, que se transforma em um instrumental denso e obscuro, combinando muito bem com o tema que a canção trata. A última faixa do álbum, a clássica “Revoluções por Minuto”, com instrumental repleto de elementos eletrônicos, contém uma das melhores letras de Paulo Ricardo, que consegue criticar a situação política da época trazendo, ao mesmo tempo, veemência e sutileza.

Poucos álbuns tiveram tanto êxito em retratar uma época como o primeiro do RPM. Ele traz todas as dúvidas, anseios, tristezas e alegrias presentes na juventude da metade da década de oitenta, tendo como principal ponto de apoio as letras inteligentes e objetivas. Se você deseja entrar numa máquina do tempo e pousar no cerne de 1985, é só ouvir o “Revoluções por Minuto” e se deixar levar pela música do RPM. Então, o que me resta, para finalizar este post, é somente te desejar uma boa viagem, torcendo por um “até breve”.


Músicas:

A1. Rádio Pirata (P. Ricardo/L. Schiavon) [03:29]
A2. Olhar 43 (L. Schiavon/P. Ricardo) [02:59]
A3. A Cruz e a Espada (L. Schiavon/P. Ricardo) [03:15]
A4. Estação no Inferno (L. Schiavon/P. Ricardo) [03:09]
A5. A Fúria do Sexo Frágil Contra o Dragão da Maldade (Schiavon/P. Ricardo) [02:41]
A6. Louras Geladas (P. Ricardo/L. Schiavon) [03:00]
B1. Liberdade/Guerra Fria (L. Schiavon/P. Ricardo) [03:44]
B2. Sob a Luz do Sol (Deluqui/Schiavon/P. Ricardo) [03:44]
B3. Juvenília (L. Schiavon/P. Ricardo) [03:30]
B4. Pr’esse Vício (L. Schiavon/P. Ricardo) [03:50]
B5. Revoluções por Minuto (L. Schiavon/P. Ricardo) [03:18]


Banda:

Luiz Schiavon - piano, sintetizadores e caixa de rítmos
Paulo Ricardo - voz e baixo
Fernando Deluqui - guitarras e violão
Paulo P.A. Pagni - bateria e percussão

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

RPM: Quatro Coiotes [2014]


Neste episódio, o Bis Docs faz um apanhado geral da carreira de um dos mais célebres grupos da história da música brasileira. "RPM: Quatro Coiotes" traz os integrantes da banda, que foi das garagens aos estádios lotados, contando a história do fenômeno RPM no rock nacional.

Em depoimentos exclusivos, Paulo Ricardo, Luiz Schiavon, Fernando Deluqui e Paulo Antônio passam a limpo a carreira da banda. Do término da meteórica carreira até o retorno aos palcos, passando pelos excessos e as brigas.

O documentário conta ainda com performances exclusivas num clima íntimo em estúdio, onde eles relembram os velhos sucessos e ainda apresentam uma canção inédita, “Primavera Tropical”.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

République du Salém - O Fim da Linha Não é o Bastante [2013]

Yandex 128kbps


Por Jean Peixoto no New Yeah Música

Os paulistanos da Republique du Salem lançaram em abril seu álbum de estreia, intitulado O Fim da Linha Não é o Bastante. Formada em 2010 por Guido Lopes (guitarra, violão, piano) e Davi Stracci (vocais), a banda hoje conta com Marcio Albano no baixo e Raul Lino na bateria. Apresentando uma sonoridade com base no rock clássico, porém com uma roupagem moderna, o som do grupo é permeado pela sua veia southern e folk. A produção do álbum ficou a cargo de Adriano Daga (premiado pelo Grammy 2005) e Brendan Duffey (Angra, Andre Mattos, Billy Sheehan, entre outros). O CD foi gravado no Norcal Studios, em São Paulo.

Já nos primeiros segundos de "Cidadão Kane", faixa de abertura, podemos identificar os acordes vigorosos que nos remetem à sonoridade setentista de bandas como Lynyrd Skynyrd e Deep Purple, presentes ao longo de todo o álbum. "Esperar sem agir, confrontar sem lutar, escolher sugerir, não acreditar". Com esse refrão marcante, a banda segue na faixa de número dois, "Corpo Achado, Bala Perdida", onde a guitarra southern rock de Guido Lopes volta a dialogar harmoniosamente com o afinadíssimo vocal de Davi Stracci.

Na terceira faixa, temos uma baladinha estratégica para acalmar os ânimos. "Apenas uma Canção de Amor", ao contrário do que o nome possa sugerir, trata-se de uma belíssima composição da banda, que conta ainda com a ilustre participação da cantora americana de gospel/bluegrass, Rachael Billman.

Com acentuadas linhas de baixo, "Sem Hora Pra Voltar", apresenta uma sonoridade diferenciada. Recomendada tanto aos fãs dos Stones de Tatoo You (1981) quanto aos fãs do ZZ Top em seu antológico Eliminator (1983). A despretensiosa e cadenciada faixa traz em sua letra um sutil recorte da boemia paulistana.

Em um novo momento de introspecção, "Os Homens" destaca-se pela sua primorosa introdução ao piano e pelo eficiente solo de guitarra, no qual Lopes apresenta toda a sua habilidade com as seis cordas.

A última e derradeira faixa do álbum, "Expresso 212", sintetiza vertiginosamente todo o conceito proposto pela banda. Com uma letra positivista e um ritmo moderno, porém calcado na veia clássica, o grupo encerra o seu debut deixando um gostinho de quero mais no ouvinte. Vale cada segundo.


Músicas:

1 - Cidadão Kane
2 - Corpo Achado, Bala Perdida
3 - Apenas uma Canção de Amor
4 - Sem Hora Pra Voltar
5 - Os Homens
6 - Expresso 212


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

In The Mood - Eu Só Preciso de Blues [2012]

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Em setembro de 2004 numa garagem em João Pessoa, amigos resolvem arriscar algo fora de moda no cenário musical de João Pessoa, tocar Blues e afins. No começo a coisa funcionava mais como um prazer restrito ao grupo, já que na época os integrantes da banda estavam envolvidos em outros projetos musicais, no entanto aquilo que parecia ser apenas um prazer do grupo acabou por tomar proporções maiores, na medida em que os amigos ouviam o som, incentivavam os integrantes da banda em levar o projeto mais adiante, com este estímulo o som saiu da garagem. 

As oportunidades foram surgindo e como surpresa para os integrantes da banda, foi descoberto que havia uma fatia de público carente desse estilo musical que, apesar de centenário, continua tão forte e tão presente nos nossos dias. Mesmo tendo no repertório muitos clássicos do estilo, estamos longe de ser puristas, entendemos que sempre haverá um clima pesado em torno do tema e alguns aspectos devem ser preservados, mas não entendemos isto como um limitador do estilo, basta ouvir Hendrix, Doors, Zeppelin, Marsalis, Coltrane e inúmeros outros artistas de rock, jazz e diversos outros estilos para notarmos como o blues se faz presente em suas obras e esta foi a forma que o blues encontrou para se renovar, sem perder a essência de suas raízes. Tentamos seguir essa trilha ao longo dos anos, vendo as duas luzes atras do trem que parte da estação.

A banda é formada por Levi Blues (vocal), Eliezer Rocha (guitarras), Degner Queiroz (baixo), Elias Ferreira (harmônicas) e Maquilson Cordeiro (bateria) e em novembro de 2014 irão lançar seu primeiro álbum, "Eu Só Preciso de Blues", que já pode ser escutado no Soundcloud.

sábado, 15 de agosto de 2015

Tiregrito - Sul do Mundo [2015]

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A banda Tiregrito foi formada no ano de 2010 pelos músicos Jhonatan Trindade (bateria), Marco Antônio Tesser (guitarra), Rodrigo Tartari (baixo) e Rafael Barzotto (vocal e violão). A intenção era fazer um som diferente, executado de um jeito inédito na região Sudoeste: o country rock. Uma mistura da música country brasileira e americana com clássicos do rock and roll nacional e internacional.

O primeiro show aconteceu fora das fronteiras da região sudoeste do Paraná, na cidade de Foz do Iguaçu. O excêntrico nome surgiu da habilidade de improvisação nos primeiros shows da banda, quando o repertório ainda era curto e os shows precisavam ser longos. Tudo era "no grito", como dizem por aí. Com o passar do tempo e o convite para shows na região Sudoeste e Oeste do Estado, o repertório foi consolidado, escolhido a dedo, e está em constante evolução.

Recentemente a banda lançou seu primeiro álbum de estúdio, "Sul do Mundo", que pode ser escutado no Soundcloud da banda. O EP foi gravado no estúdio The Magic Place, em Florianópolis, com produção de Renato Pimentel. O Ep ainda tem a participação mais do que especial de Mutant-cox, vocalista do Hillbilly Rawhide.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Rodrigo Morcego - Café Preto, Jornal Velho [2013]

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Por Guilherme Fernandes no Obvious

Diferente de outros artistas, Rodrigo Morcego consegue transpor toda a efervescência do Blues-Rock para o cotidiano nordestino. É Blues feito com alma, vigor, tesão e tempero brasileiro. O primeiro registro solo de Rodrigo Morcego é visceral, acompanhado com farinha e temperado com pimenta.

Rodrigo Morcego é um dos muitos casos em que a baixa expectativa lhe gera boas surpresas. Quando ouvi falar sobre "mais um brasileiro fazendo blues com pitadas de rock" já imaginei um cenário batido, que sempre passa pelos meus olhos (e ouvidos): um cara, com sotaque americanizado, bons riffs e nenhuma identidade musical.

Em alguns casos, a questão da "influência" abre um precedente para uma imitação descarada, o que acaba por me desmotivar um pouco de procurar coisas boas sobre esse estilo em nossas terras.

Existem bons nomes cantando Blues em inglês? É claro que sim! Felipe Cazaux e Rodrigo Nézio estão ai para provar isso. No entanto, apesar de boas coisas, ainda sofre-se bastante com um cenário de blues genérico. E sempre, quem sai perdendo é o publico, com uma gama de lançamentos "perfeitinhos demais", com arranjos elaborados e bem tocados, entretanto, sem alma. E, convenhamos, Blues sem alma não é Blues. Nem aqui, nem no Mississipi.

Por essas e outras que recebi o trabalho de Rodrigo com desconfiança. Desconfiança essa que, após o primeiro minuto de "Irmão Blues", foi categoricamente chutada para longe.

Diferente de outros artistas, Rodrigo Morcego consegue transpor toda a efervescência do Blues-Rock para o cotidiano nordestino. Alguns reviews falam que "Café Preto, Jornal Velho" é bom porque é algo original, reduzindo o trabalho a um “Blues com sotaque”. Na opinião deste que vos fala, o álbum é muito mais que um álbum de Blues com sotaque. É Blues feito com alma, vigor, tesão e tempero brasileiro. O primeiro registro solo de Rodrigo Morcego é visceral, acompanhado com farinha e temperado com pimenta.

Se em "Irmão Blues" a desconfiança foi chutada, em "Carrego do Satanás" é a vez de acender um cigarro e completar o copo de Bourbon. De refrão fácil, levada maliciosa, o tema seduz logo de cara, fazendo aqueles longos 6 minutos passarem rapidinho. Não passei para a canção seguinte enquanto não fiquei "enjoado" dessas duas. Assim, fiquei durante uma semana ouvindo apenas as duas primeiras faixas do álbum.

Passado isso, me apaixonei por "Ladjane", a guria bêbada que foi encontrada trocando as pernas em praça pública. Emocionei-me a historia da Socialite internada após tentativa de suicídio, em “Os punhos ao espinho”. Chacoalhei o esqueleto em "Hey Mama". E completei a viagem com “Outro lugar”, celebrando a volta do filho pródigo.

Falar que Rodrigo é um ótimo guitarrista é chover no molhado, assim como falar da qualidade de suas composições. Entretanto, é necessário que se faça justiça em duas frentes: sua banda de apoio e a produção do disco. Formada pelo baixista Gilson ‘Biu’ Jr e pelo baterista Jô Pinto, a banda segura às pontas nas bases, e não perde a pegada nem mesmo nas canções mais lentas.

Já a produção do álbum, feita por Iuri Freiberger, deixa tudo bem na cara, com timbres limpos e sujos convivendo em perfeita harmonia, agradando tanto aos mais blueseiros quanto aos roqueiros, qualificando ainda mais um trabalho que, por si só, já tem muito a dizer no que tange à relevância dentro de um gênero clássico como o Blues.

Vida longa ao Blues Nacional!


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Sillverado Rock Blues - Velhos Tempos [2012]

Link oficial 320kbps ou FLAC



Enraizada no Blues e Country, mantendo o peso do Rock e elementos do Funk Music, a Sillverado teve sua primeira formação em 2010 em Indaiatuba, interior de São Paulo. O vocalista e gaitista Marcelo Ferreira, após um longo tempo lutando para construir a estrutura da banda, juntou-se ao baixista William Dias. Juntos definiram a formação que gravou o CD “Velhos Tempos” em 2012, com Thiago Henrique na guitarra e Steve França na bateria.

Após a gravação do CD o guitarrista Thiago se desligou da banda, abrindo espaço para Dennis Marcos assumir o seu posto e definindo a formação atual. Com essa atual formação a banda já correu várias emissoras de TV, tais como EPTV - Campinas, TVI - Itapetininga, TV sol - Indaiatuba e TVV – Votorantim. A banda também teve o privilégio de ser convidada para participar da Virada Cultural Paulista, grande evento que acontece todos os anos no Estado de São Paulo. Atualmente a banda participou do Festival de Rock de Indaiatuba, concorrendo com outras 89 bandas do Brasil e região, com jurados de renome como Luiz Thunderbird (MTV), Hélcio Aguirra (Golpe de Estado) e Miro de Mello (365) se classificando em 1º Lugar.

Com influências de bandas como Maylene and the Sons of Disaster, The Black Crowes e Rage Against the Machine, o album “Velhos Tempos” trás 10 faixas, cada uma com sua individualidade. Gravado no Studio Track Sound em Indaiatuba, o álbum mostra a proposta da banda, tanto em suas letras e temáticas quanto no instrumental. Atualmente a banda encontra-se em estágio de pré-produção do seu 2º álbum, intitulado “Terra do Fogo”.


Músicas:

1. Olhe Para o Céu
2. Horizonte
3. Algo Além
4. Sem Rumo
5. Caminhos
6. Ainda Há Tempo
7. Garra Para Vencer
8. Onde Os Fracos Não Tem Vez
9. Poderia Ser Pior
10. Velhos Tempos

Banda:

Marcelo Ferreira - vocal, gaita
William Dias - Baixo
Thiago Henrique - guitarra
Steve França - bateria

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O Berço [2012]

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Por Filipi Junio no Whiplash

O EP "O Berço" é o primeiro trabalho da banda mineira O Berço lançado em 2012. A banda O Berço é de Patos de Minas e é formada pelos irmãos Biel Faria (voz, violão e guitarra) e Junior Faria (voz, baixo e gaita), o primo Henrique Faria (voz e bateria) e o primo Lucas de Paula (voz, violão e guitarra) e é influênciada pelo Southern Rock, Country Rock, Blues, Rockabilly e British Rock.

O EP começa com a faixa "Palpitante", uma música com uma letra muito bem escrita, assim como todas as composições da banda, e uma parte instrumetal impecável, principalmente as partes em que surge o trompete, tocado pelo Lustosa, músico convidado. Como diz a música, "me entrego ao incerto, o que é certo só me resta esperar".

O EP continua com a bela "Insisto", que eu insisto em confundir o início dela com a da música "Me Neither" do Brad Paisley. O vocal do Biel Faria é o diferencial dessa banda, pois bons guitarristas, baixistas e bateristas existem aos milhares no Brasil, mas encontrar um bom vocalista é uma tarefa complicada. A letra é mais uma vez destaque.

"Pense, dance" começa com o som do baixo e um som que fazemos com os dedos, que não me lembro o nome, e logo em seguidado o Biel começa a cantar bem suavemente. Mais uma bela música. O EP chega ao fim com "Agridoce", uma faixa suave e regada a muito banjo, violão e flauta.

Vale destacar o trabalho feito por todos os membros dessa banda, que tocam seus instrumentos com muita perfeição. Fora o belo trabalho dos músicos convidados, Ciro Nunes (bateria e flauta) e Lustosa (trompete).

Esse EP mostra que ainda existem boas bandas em nosso país, muitas escondidas e sem divulgação, a banda O Berço é uma dessas. É uma banda independente que está buscand seu espaço e já mostra que tem muito potencial.


Músicas:

1 - Palpitante
2 - Insisto
3 - Pense, dance
4 - Agridoce

Banda:

Biel Faria (voz, violão e guitarra)
Junior Faria (voz, baixo e gaita)
Henrique Faria (voz e bateria)
Lucas de Paula (voz, violão e guitarra)

domingo, 9 de agosto de 2015

Made in Brazil - Made Pirata Vol. II [1986]

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Músicas

A1 - Anjo Da Guarda
A2 - Fim De Semana
A3 - Mexa - se Boy
B1 - Vou Te Virar de Ponta Cabeça
B2 - Gasolina
B3 - Paulicéia Desvairada


Relação de Músicos

Oswaldo Vecchione - Vocal, Baixo, Guitarra, Gaita e Back vocal
Celso Vecchione - Guitarra, Baixo e Back vocal
Dimas Zanelli - Bateria
Dudu Chermont - Guitarra e Back vocal

Participações Especiais

Percy Weiss - Vocal e Back vocals
Cornélius Lúcifer"- Vocal e Back vocals
Tony "Babalú" Medeiros - Guitarra
Joaquim "Kim" Kelgh - Guitarra e Back vocals.
Octávio Bangla"" Garcia - Sax

sábado, 8 de agosto de 2015

Made in Brazil - Made Pirata Vol. I [1986]

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Músicas

A1 - Minha Vida é Rock' N ' Roll
A2 - Mickey Mouse A gata e Eu
A3 - Não Transo Mais
A4 -  Jack o Estripador
B1 - Uma Banda Made In Brazil
B2 -  Doce
B3 -  Me Faça Sonhar ...(Venha Me Arranhar)



Relação de Músicos

Oswaldo Vecchione - Vocal, Baixo, Guitarra, Gaita e Back vocal
Celso Vecchione - Guitarra, Baixo e Back vocal
Dimas Zanelli - Bateria
Dudu Chermont - Guitarra e Back vocal

Participações Especiais

Percy Weiss - Vocal e Back vocals
Cornélius Lúcifer"- Vocal e Back vocals
Tony "Babalú" Medeiros - Guitarra
Joaquim "Kim" Kelgh - Guitarra e Back vocals.
Octávio Bangla"" Garcia - Sax

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Patrulha do Espaço - Primus Inter Pares [1994]

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Álbum gravado em 1992 mas foi lançado em 1994.

Percy Weiss - Voz.
Xando Zupo - Guitarra.
Rubens Gióia - Baixo.
Rolando Castello Júnior - Bateria.


A1.Satisfação
A2.Olho Animal
A3.Cidade Nua
A4.Robot
A5.Cão Vadio

B1.Festa do Rock
B2.Bomba
B3.Mulher Fácil
B4.Columbia
B5.Serial Killer

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Harppia - 7 [1987]

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Por Leandro M. Brauna no Whiplash

O ano era 1987. Lá fora bandas como Helloween estava lançando "Keeper of the Seven Keys Part 1", Manowar, o seu "Fighting the World", Black Sabbath estreava o "novo" vocalista com "The Eternal Idol", entre muitas outras facetas no mundo do Heavy Metal. Aqui na terra das "palmeiras onde canta o sabiá" o movimento "Underground" há muito já estava disseminado, e uma das pioneiras do Metal Tradicional acabara de lançar o segundo álbum, 7 (sete), falo de Harppia, a banda que adicionou mais qualidade à música pesada tupiniquim, mas que nunca teve o reconhecimento que chegasse a altura de suas composições.

Dois anos após a chegada do EP "A Ferro e Fogo" (outro patrimônio histórico do Metal Nacional), a banda capitaneada por Tibério Luthier assina com a Rock Brigade Records para o lançamento oficial de "7 (sete)", mesmo assim o primeiro trabalho que havia saído pela gravadora Baratos Afins, ainda hoje é o preferido para a maioria dos fãs. No entanto este segundo "petardo" oferece uma técnica diferente tanto nos solos e riffs como nas vocalizações, contribuições nítidas de seus "novos" integrantes ao lado de Tibério.

Logo na primeira faixa, "Na Calada da Noite", já dá para perceber uma produção que encaixa melhor os sons agudos e graves quanto ao vocal límpido de Percy Weiss. Nesse álbum também há uma quantidade enorme de solos em cada canção que impressiona. "Voz da Consciência", por exemplo, faz arrepiar até os pelos da coluna vertebral logo na entrada.

Assim como "Salem (A cidade das Bruxas)" do primeiro disco, "Magia Negra" também traz um tema que explora o ocultismo. Refere-se à agonia de um homem que luta para sair do domínio das forças malignas para vencer na vida. Destaque para a cozinha afiada numa cadência e marcação de baixo perfeitos.

Esse queridíssimo álbum azul, ainda traz uma surpresa, a faixa "Balada" que quebra um pouco o clima Metal da banda, mas que mostra outra competência dos músicos também nesse campo. A música que dispensa o uso da bateria define um clima muito propício para a letra emotiva. Grande execução!

Pouco mais de dois minutos depois, o Metal retorna com todo vapor, "Guerras", têm riffs que se associam muito ao movimento NWOBHM, e essa comparação não é por acaso, pois a década de oitenta serviu de grande abrigo para bandas desse estilo seja fora ou dentro da Inglaterra.

"AIDS" se tornou mais um clássico do grupo, pode-se até dizer que essa é a "Doctor, Doctor" do Harppia. Um rockão irado tocado com muita classe e um refrão simples, mas que marcou toda uma geração de Headbangers brasileiros.

Por fim, a faixa título chega com o aviso do armagedon, onde o narrador interpreta a extinção do mundo através de sete bestas que trarão dor e sofrimento aos povos. Essa faixa eleva mais ainda a qualidade dos guitarristas que naquela época já faziam escola. As dobras de solos e algumas passagens de teclados deixam um clima empolgante e ao mesmo tempo "tenso", mas que define perfeitamente o tema. Genial!

Após a gravação desse "documento", o guitarrista Filippo Lippo saiu para seguir em outros projetos deixando a vaga para uma classe infinita de grandes talentos. Hoje a banda deve seguir na cena tendo à frente o incansável Tibério com uma formação totalmente reformulada a dessa época.


Banda:
Percy Weiss – vocal;
Filippo Lippo – guitarra;
Flávio Gutok – guitarra;
Cláudio Cruz – baixo;
Tibério "Luthier" Correa – bateria.

Músicas:
01 – Na Calada da Noite;
02 – Voz da Consciência;
03 – Magia Negra;
04 – Balada;
05 – Guerras;
06 – AIDS;
07 – Sete.
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