terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Dom Salvador e Abolição - Som, Sangue e Raça [1971]

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Por Tárik de Souza no Cliquemusic

Este não é apenas um disco seminal, recuperado pelo trabalho meticuloso do titã pesquisador Charles Gavin. É um estuário. Todos os rios negros que formaram o funk/hip hop nativo confluem para ele. Comandado pelo pianista paulista Salvador Silva Filho, o Dom Salvador, Som, Sangue e Raça, de 1971, um ano depois da explosão de Tim Maia, cataliza a formação bossa nova & jazz do lider com rhythm & blues de integrantes como o saxofonista Oberdã Magalhães, sobrinho do mestre do samba enredo Silas de Oliveira e futuro líder da Banda Black Rio, que desde o grupo Impacto 8 (entre outros Robertinho Silva, bateria, Raul de Souza, trombone) já vinha tentando agregar MPB com Stevie Wonder & James Brown. Entram ainda na mistura samba, sotaque nordestino e até o lado negro gato da Jovem Guarda representado pela presença autoral de Getúlio Cortes (irmão do posterior Gerson King Combo, o nosso James Brown cover) em Hei Você!, uma das faixas mais destacadas. Além destes elementos e da presença de Rubão Sabino (baixo), que ainda se assinava Rubens, do baterista Luis Carlos (outro que integraria a Black Rio), o disco arregimenta o trompete e flugelhorn do músico de sinfônica Darcy no lugar do original Barrosinho (mais um fundador da BR), que estava excursionando durante a gravação, mas seria o titular da banda.

Egresso do Beco das Garrafas e a caminho dos EUA, para onde se mudaria em definitivo ainda nos 70, Dom Salvador liderou o Copa Trio ao lado do baixista Gusmão e do batera Dom Um Romão. O grupo serviria de suporte para as decolagens de Elis Regina e Jorge Ben (antes do Jor), entre outros. Formou também o Rio 65 Trio com o baterista Edison Machado. O noneto Abolição (aí incluído o vocal de sua esposa, Mariá) foi uma saída para o desgastado formato trio da bossa nova. E não só. Cada faixa de Som, Sangue e Raça é diferente da anterior por conta de um cuidadoso trabalho de fusão de elementos sonoros até contraditórios como o pique folk de retreta de Folia de Reis moldado em acordeom, sopros (até tu, tuba?) e uma intrusa cuíca. Moeda, Reza e Cor tem um encadeamento de sopros que lembra os arranjos de Gil Evans para Miles Davis, mas logo deságua num solo de piano funkiado pelo baixo elétrico. Samba do Malandrinho levado pianinho (no elétrico digitar de Don Salvador) remete para a bossa nova com direito a improvisos jazzísticos.

Já Tio Macrô, repleto de reviradas de sopro e contrarritmo sustentado por baixo engata num samba funk. Intercalando grandiloquência e balanço, Uma Vida abre com declamação e uma longa introdução pianística depois picotada pelos sopros. E tome funk na veia como nas instrumentais Guanabara e Number One. O piano elétrico alicerça O Rio, um funk andante que desata em samba de escola com direito a apitos. Também a construção de sopros funkiados da faixa título acaba num samba, movido a cuíca. Com acordeon e costura acústica, Tema pro Gaguinho lembra o choro dos regionais, só que devidamente turbinado. Hey! Você (belíssima a condução de sopros) combina R&B com um ritmo de baião que antecipa a fusão de Burt Bacharach. A tamborilada Evo emoldura um funkafro com cuíca e coro. A riqueza das combinações torna o resultado muito acima da média do pop ralo das FMs, o que talvez explique o fato de o disco não ter estourado a despeito de tantos ganchos no recheio. Agora em CD remasterizado haveria até uma nova chance, se a situação não tivesse mudado. Para pior.


1. Uma Vida (Dom Salvador / Abolição)
2. Guanabara (Dom Salvador / Arnaldo Medeiros)
3. Hei! Você (Nelsinho / Getúlio Côrtes)
4. Som, Sangue e Raça (Dom Salvador / Marco Versiani)
5. Tema pro gaguinho (Dom Salvador)
6. O Rio (Dom Salvador / Arnoldo Medeiros)
7. Evo (Dom Salvador / Pedro Santos)
8. Number One (Dom Salvador)
9. Folia de Reis (Jorge Canseira / Paulo Silva)
10. Moeda, Reza e Cor (Dom Salvador / Marco Versiani)
11. Samba do Malandrinho (Dom Salvador)
12. Tio Macrô (Salvador / Arnoldo Medeiros)


Ficha Técnica

Dom Salvador (piano e acordeon)
Luiz Carlos (bateria e voz)
Rubão Sabino (baixo)
Oderbam P. Magalhães (sax alto e flauta)
Serginho (trombone)
Darcy (trompete e flugelhorm)
José Carlos (guitarra)
Nelsinho (percussão e voz)
Mariá (voz)

domingo, 28 de dezembro de 2014

Banda União Black - União Black [1978]

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Por Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira

Grupo de soul-music formado no Rio de Janeiro em meados da década de 1970. Conjunto originário do movimento Black Rio, seu único membro fixo era o vocalista Gérson King Combo, sendo os músicos convidados para shows e gravações. No ano de 1977* gravou o disco "Banda União Black", pela Polydor, no qual foram incluídas "Geração black", "A vida", "Só eu e você", "União black", "Black Rio", "Voulez vous", "Melô do bobo", "Abelha africana", "Sou só", "Quando alguém está dormindo", "A família black" e "Laço negro". A banda ficou quase duas décadas sem nenhuma atividade e no ano de 2004, com integrantes originais da primeira formação, participou do disco "Black music Brasil", do qual também fizeram parte Carlos Dafé, Lúcio Sherman, Don Mita, Mariano Brown, Luís Vagner, Valmir Mello, Don Richard e Paulinho de Souza. No CD, lançado pleo selo SomSicam, interpretou três faixas: "Eu pensei" (Bira e Mariano Brown); "Cris vacilou" (Ivan Tiririca, Lula C. Barreto e Cláudio Café) e "Zorra total" (Cláudio Café, Ivan Tiririca e Lula C. Barreto). 
*lançado em 1978

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Tim Maia [1970]

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Por Rodrigo Mattar em A Mil Por Hora

Enquanto nos anos 60, a Jovem Guarda dava seus últimos suspiros e Roberto Carlos partia célere para assumir o posto de artista mais popular do país, um mulato gordinho, que passou parte da adolescência nos EUA tentava a sorte na música cantando em inglês. E principalmente, investindo num gênero que ainda não tinha espaço por aqui: a Soul Music.

O mulato gordinho em questão era Tim Maia, nascido e criado na Tijuca, amigo de Erasmo Carlos, com quem trocava cartas entusiasmadas quando esteve fora do país. Um assinava “Tim Jobim” e o outro devolvia como “Erasmo Gilberto”. Mas enquanto Erasmo virava o Tremendão e amigo-de-fé-irmão-camarada de Roberto, Tim passava o pão que o diabo amassou. Foi preso, deportado e passou fome e frio em São Paulo até conseguir a indicação de Roberto para gravar na CBS.

Sob a produção do exigente Evandro Ribeiro, Tim não conseguiu fazer suas músicas saírem como queria. Brigou com geral na gravadora e virou persona non grata. Na RGE, para onde iria por intermédio de Erasmo, tentar fazer um compacto e depois o primeiro – e sonhado – disco, aconteceu a mesma coisa e Tim, sabendo que sua hora tinha chegado na música brasileira, ficava para trás.

Foi aí que a sorte lhe sorriu: uma fita levada por Jairo Pires, que o conheceu na CBS como técnico de gravação e que estreava na Philips como produtor, estourou como uma bomba numa das reuniões mensais. Nela estava gravada a sensacional “Primavera”, de Sílvio Rochael e Cassiano. Naqueles idos anos, nada parecido se ouvira por aqui.

Quando o inverno chegar… eu quero estar junto a ti… pode o outono voltar… eu quero estar junto a ti… porque… é primavera… te amo… é primavera… te amo… meu amor…

Nelson Motta, que ouviu a fita entusiasmado, sentiu “cheiro de gol” e pediu que Tim aparecesse na Philips. Ele foi, e mostrou outras músicas. Uma delas, a bossa-nova “These Are The Songs”, saiu em compacto com Elis Regina e Tim, aprovadíssimo pelos Mutantes (que os conheciam do programa Quadrado & Redondo, apresentado por Débora Duarte e Sérgio Galvão na Bandeirantes) e também por Erasmo Carlos, que saía da RGE nessa mesma época e mudava para a gravadora dirigida por André Midani, foi contratado para fazer seu primeiro disco.

Movido a combustíveis alternativos, Tim varou noites no Estúdio Scatena em São Paulo, junto com Jairo Pires e Arnaldo Saccomani, para conseguir que os músicos fizessem o som que queria, e que os maestros Waltel Branco, Waldyr Arouca Barros e Cláudio Roditi transcrevessem os arranjos que o cantor lhes passavam “de boca”.

Com o auxílio luxuoso do conjunto vocal Os Diagonais (que tinha Cassiano, guitarrista-base das gravações, além de Camarão, Marcos e Fernando) e de músicos como o lendário baixista Capacete, Paulinho Batera, Zé Carlos, Guilherme, Garoto e Carlinhos, Tim foi o responsável por um dos maiores petardos musicais do país nos anos 70.

O disco abre com “Coroné Antônio Bento”, uma brincadeira de Camarão, um dos vocalistas dos Diagonais, que caiu no gosto de Tim imediatamente. Nascia uma fórmula que o cantor exploraria nos seus primeiros trabalhos: o baião-soul.

“Cristina”, escrita em parceria com Carlos Imperial, teria sido uma homenagem a uma bela morena chamada… Cristina e que, segundo a lenda, tinha um bumbum descomunal, que enlouquecia o cantor. ‘Vou ver Cristina…’, cantarolava com cara safada, seguindo o rebolado de sua musa. Mas há quem diga, como o biógrafo de Imperial, Denílson Monteiro, que ‘Vou ver Cristina…’ era uma senha para sair do apartamento do compositor e ‘apertar um baseado’. Imperial era avesso a tóxicos e Tim Maia não dispensava um bauretezinho.

O funk “Jurema”, a terceira faixa, é uma menção à famosa entidade Cabocla Jurema, saudada como Joo-rey-mah e Queen of The Jungle. Curtinha, mas muito bacana – tanto quanto “Padre Cícero”, uma das melhores do disco e cuja métrica Tim aproveitou para transformar a canção em “João Coragem”, tema do personagem homônimo da novela Irmãos Coragem, grande sucesso da televisão brasileira naquele ano.

Tim ainda gravou uma bonita canção de Natal – “Risos” (de Fábio e Paulo Imperial), “Eu Amo Você”, outra lindíssima composição de Cassiano e Sílvio Rochael, além da belíssima balada “Azul da Cor do Mar”, que teve como inspiração as inúmeras desilusões que o cantor, auto-intitulado preto, gordo e cafajeste, sofria com as meninas que iam para o apartamento onde morava, na Rua Real Grandeza, 171, em Botafogo, para ficar com o cantor Fábio e seu empresário, Glauco.

Com raiva e sentimento, Tim ligava o gravador e, acompanhado do violão, mandava ver.

Ah… se o mundo inteiro me pudesse ouvir… tenho tanto pra contar… dizer que aprendi… que na vida a gente tem que entender… que um nasce pra sofrer… enquanto o outro ri… mas quem sofre sempre tem que procurar… pelo menos vir achar… razão para viver… ter na vida um motivo pra sonhar… ter um sonho todo azul… azul da cor do mar…

Nascia assim o mestre da “cornitude” e Tim Maia começava, com este primeiro e fantástico disco, sua trajetória polêmica e ao mesmo tempo brilhante dentro do cenário musical brasileiro.


Ficha Técnica de Tim Maia

Selo: Polydor/Universal Music
Produção: Jairo Pires e Arnaldo Saccomani
Gravado nos Estúdios Scatena, em São Paulo, e no Cineac-Trianon, no Rio de Janeiro, em 1970
Tempo total de produção: 40’55″

Músicas:

1. Coroné Antônio Bento (Luiz Wanderley/João do Vale)
2. Cristina (Tim Maia/Carlos Imperial)
3. Jurema (Tim Maia)
4. Padre Cícero (Cassiano/Tim Maia)
5. Flamengo (Tim Maia)
6. Você Fingiu (Cassiano)
7. Eu Amo Você (Sílvio Rochael/Cassiano)
8. Primavera (Vai Chuva) (Sílvio Rochael/Cassiano)
9. Risos (Fábio/Paulo Imperial)
10. Azul da Cor do Mar (Tim Maia)
11. Cristina nº 2 (Carlos Imperial/Tim Maia)
12. Tributo a Booker Pittman (Cláudio Roditi)

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Banda Black Rio - Maria Fumaça [1977]

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Por Tiago Ferreira em Na Mira do Groove

Formado em 1976, a Banda Black Rio era um ato necessário para complementar a interessante releitura brasileira do soul e do funk, que começou com Tim Maia alguns anos antes. Oberdan Magalhães (sax) e Barrosinho (trompete) já integravam o grupo Abolição, que tocava acompanhando o pianista Dom Salvador, até que ele (Salvador) resolveu partir para os Estados Unidos.

Percebendo a potência instrumental do grupo, Oberdan e Barrosinho criaram experimentações da música americana com a brasilidade do samba e da gafieira, até que criaram a BBR e gravaram, no ano seguinte, seu primeiro álbum, Maria Fumaça.

Boa parte do sucesso desse debut, naquele momento, pode ser atribuído à faixa de mesmo nome, que serviu como tema de abertura da novela Locomotivas, escrita por Cassiano Gabus Mendes (e considerada a primeira novela em cores).

Os temas instrumentais chamam a dança, seja no groove contido de “Caminho da Roça” ou na balada melódica que evoca o clima da bossa nova em “Junia” – com um gingado que lembra as ondas do mar e que poderia ambientar os clássicos mais melosos de um Tim Maia sentimental.

Assim como uma locomotiva fantasiosa e, ao mesmo tempo, urgente, a Banda Black Rio entregou em seu primeiro disco clássicos impossíveis de serem copiados com o mesmo balanço de outrora. Os reis da black music instrumental dão força ao título do disco na canção “Metalúrgica”, mostrando que o Rio de Janeiro, com suas praias, forte presença cultural e mulheres bonitas, também é uma cidade que depende do ritmo industrial para se desenvolver.

Mas a contribuição maior de Maria Fumaça é dar novas possibilidades à música instrumental, que se tornaram universais. Ritmos negros repletos de groove, como funk, jazz de big bands, samba, gafieira, soul e baião se mesclam com a intensa naturalidade de se tornarem algo único e, por si só, representativo na música como um todo. A Banda Black Rio criou uma forma de composição que deu outro panorama à black music.

Por isso, não haveria decisão mais acertada do que William Magalhães reavivar o grupo por volta de 1999 e colocar o groove para rodar novamente. Ainda que o único membro original da BBR seja Lúcio Trombone, William vem provando que é possível moldar o grupo com o tempo. Quem sabe o futuro não lhe reserve a experiência e o requinte musical de seu pai, Oberdan, que faleceu em 1984, encerrando os anos de glória do grupo?

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Cassiano - Imagem e Som [1971]

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Por Rodrigo Mattar em A Mil Por Hora

O paraibano Genival Cassiano dos Santos, nascido em Campina Grande no ano de 1943, é um dos nomes mais injustiçados da história da música brasileira. Já faz três décadas desde seu último lançamento de músicas inéditas e só uma coletânea alentadíssima organizada por Ed Motta para o selo Dubas Música da Universal foi capaz de resgatar parte da fecunda obra do cantor/compositor.

Cassiano é um dos pais do soul e do funk no Brasil. No começo da carreira musical, formou o grupo Bossa Trio, mais tarde rebatizado Os Diagonais, com o irmão Camarão e os também nordestinos Amaro e Hyldon. Gravaram um álbum que continha uma surpreendente versão de “Na baixa do sapateiro”, de Ary Barroso, cheia de suingue. O disco teve pouca repercussão e vendas baixas, mas Tim Maia adorou e ouviu – tanto que chamou o quarteto para participar de seu primeiro disco, lançado em 1970.

O sucesso instantâneo de músicas como “Primavera” foi a prova de que Cassiano estava para o soul e o funk como João Gilberto para a Bossa Nova, no sentido do fraseado harmônico das canções e harmonias rebuscadas. Tanto que o próprio Tim dizia que pra cada nota que escrevia, Cassiano dava cinco.

E assim no início de 1971 o paraibano, com a ajuda de músicos como Capacete (baixo elétrico), Charles (piano) e Paulinho (bateria), com participação dos Diagonais nos vocais e arranjos de Waldyr Arouca Barros, gravou enfim seu primeiro disco, pela RCA Victor.

Imagem e Som, título do álbum de estreia de Cassiano, traz grandes canções do mestre. A inevitável “Primavera”, uma regravação do estouro nacional de Tim Maia, acaba sendo apenas mais uma das 12 faixas do álbum, que abre com “Lenda”, parceria de Lula Freire com Marcos Valle. Com Tim Maia, Cassiano assina duas músicas – os funks “Ela mandou esperar” e “Tenho dito”.

Mas as melhores de todo o álbum são as composições assinadas somente pelo paraibano. A lindíssima balada “Já” tem grande influência harmônica do que os Beach Boys fizeram em Pet Sounds, com uma levada de bateria típica dos anos 60. “É isso aí” (que, ainda bem, não é aquela da Ana Carolina com o Seu Jorge) remete aos grandes grupos da Motown, como Four Tops e Temptations. Nessa faixa, a linha de baixo de Capacete é simplesmente espetacular.

Mas não ficou por aí: “Uma lágrima”, canção que o próprio Cassiano qualifica como uma das mais bonitas que fez, ganhou lindo arranjo de Waldyr Arouca Barros. A letra é o que se pode descrever como o mínimo dentro do máximo. Poucos versos, frases curtas, diretas e tocantes.

Sonho que sonhei, lindo amanhecer
Natureza que te amo
Hoje o amor se faz em forma de canção
Até o luar presente se fez
Uma lágrima que em santas lágrimas
A nova época já viu passar sem se lamentar
Só o amor constroi, só o amor reviverá
Uma lágrima…

E ainda existe “Não fique triste”, que fecha em grande estilo o belo disco de estreia de Cassiano como artista solo. Ela é construída numa harmonia do tipo vai-volta-vai-volta. Parece que a música nunca acaba, algo parecido com “We’re going wrong”, do Cream, só que com muito mais doçura e num andamento mais lento. Realmente, um momento brilhante de um artista que, volto a repetir, não merecia nunca ser esquecido pela MPB. Cassiano é um gênio e poucos sabem reconhecê-lo.


Ficha técnica de Imagem e Som

Selo: RCA Victor
Gravado em 1971
Produção de Alfredo Corleto

Músicas:

1. Lenda (Lula Freire/Marcos Valle)
2. Ela mandou esperar (Cassiano/Tim Maia)
3. Tenho dito (Cassiano/Tim Maia)
4. Já (Cassiano)
5. É isso aí (Cassiano)
6. O caso das bossas (Gil Rosendo/W. Namor)
7. Eu, meu filho e você (Cassiano)
8. Primavera [Vai chuva] (Cassiano/Sílvio Rochael)
9. Minister (Cassiano)
10. Uma lágrima (Cassiano)
11. Canção dos hippies [Paz e amor] (Professor Pardal)
12. Não fique triste (Cassiano)

sábado, 20 de dezembro de 2014

O Movimento Black Rio: Desarmado e Perigoso

Por Texto Luciano Marsiglia na Super Interessante

O subúrbio do Rio fervia ao balanço da música negra em 1977. O gênero que fundia a soul music ao samba ganhava uma projeção inédita e transbordava e importava idéias: os artistas burilavam suas canções, enquanto os adeptos em geral se espelhavam na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos para combater o preconceito racial. O assédio das gravadoras, que buscavam seu quinhão black, transformava a música negra em uma arma prestes a disparar

Era nesse clima vitorioso que Gérson King Combo aguardava no camarim do clube Magnatas o início do que prometia ser “o lançamento do movimento Black Rio”.

No ano anterior, ele havia levado cerca de 30 mil pessoas ao Portelão para dançar as músicas de Volume I. Como de costume, chegou com seu Dodge Dart com bancos de veludo e hipnotizou a platéia com uma performance incendiária, que incluía os músicos da União Black e um funcionário exclusivo para pôr e tirar sua capa de “rei”. Dessa vez, entretanto, o empregado não teria trabalho.

“Estava tudo bem organizado, todos pareciam unidos naquele ideal black, da vestimenta à posição de enfrentamento”, lembra Zé Rodrix, que esteve no show. “Mas quatro camburões da Polícia Federal chegaram e colocaram todo mundo para fora com truculência. Não fiquei para ver o final...” A repressão ao show de Combo não era um fato isolado. Os órgãos da repressão estavam preocupados com o possível direcionamento político do movimento black. Em entrevista à Folha de S.Paulo de dezembro de 2001, o executivo da Philips André Midani confirmou o temor com o engajamento dos artistas negros. “Os militares achavam, com toda a razão, que, se um dia a favela fosse se politizar, se militarizar, era a revolução social neste país. Não sei quem inventou isso, mas se uma vez tive problema, foi quando alguém disse que eu recebia dinheiro do movimento black norte-americano para comandar a subversão nas favelas. Aí passei uns dias ruins.”

A incorporação dos artistas negros aos festivais, no início da década, já havia sido conturbada. E dias ruins quem viveu de fato foi Erlon Chaves, que subiu ao palco para defender “Eu Também Quero Mocotó”, ao lado de sua Banda Veneno, no FIC de 1970. Como parte da performance, duas garotas loiras surgiram no palco e os três se beijaram na boca. Foi o suficiente para Chaves ser preso e torturado pelo Dops. Curiosamente, o mesmo FIC revelou Toni Tornado com “BR-3”. Chaves ainda faria arranjos em Ela (1971), disco de Elis que continha “Black Is Beautiful”, mas nunca mais exibiu a mesma confiança profissional. Tornado também foi alvo de investigações da polícia, que temia que ele disseminasse um movimento semelhante ao dos Panteras Negras – também pesou o namoro com a atriz branca Arlete Sales.

Em 1974, no lançamento de um disco da equipe Soul Grand Prix pela WEA (gravadora criada no Brasil por Midani), um comando da polícia invadiu o Guadalupe Country Clube, no Rio de Janeiro. Portanto, a repressão policial fazia parte da realidade dos nossos funk soul brothers desde sempre. Cabelos black power e sacolas de discos eram revirados à procura de drogas quando se ia ao Clube Renascença e ao Canecão, onde ocorriam os Bailes da Pesada de Ademir Lemos e o DJ Big Boy. Mas, então, não havia uma preocupação formalizada dos militares. A música negra até meados dos anos 70 ia do suingue de Bebeto ao easy listening de Ed Lincoln, passando por Orlandivo, Franco e, claro, o samba-rock de Jorge Ben. A posterior conscientização do subúrbio carioca é que começou a incomodar os órgãos de repressão.

Primavera black

Ameaça ou não, a black music prometia ser a trilha do final dos anos 70. Os bailes se espalhavam pelo Rio de Janeiro a ponto de o Jornal do Brasil criar a coluna “Black Rio”. Em São Paulo, a Chic Show começara a organizar no Palmeiras as festas que seriam o embrião do hip hop. A Rede Globo analisava a possibilidade de fazer um programa tendo como apresentadores Tony & Frankye, Tim Maia, Toni Tornado e Gérson King Combo. E a indústria fonográfica procurava se filiar ao segmento, afinal tratava-se também de consumo, que poderia ser multiplicado se o movimento fosse regionalizado em Black São Paulo, Salvador, Belo Horizonte.... “Acredito que esse Black Rio seja mesmo um mercado extraordinário!”, afirmou Midani na época.

A WEA conseguiu dar forma à sua banda black depois de contratar a Soul Grand Prix como produtora. Primeiro surgiu o Senzala, com ex-integrantes da Abolição – entre eles Oberdan Magalhães. Depois, nasceu a Banda Black Rio, tudo o que os diretores do selo queriam. Maria Fumaça (1977) incluía arranjos de “Na Baixa do Sapateiro” (Ary Barroso) e “Baião” (Luiz Gonzaga) para salientar a proposta verde-e-amarela. A banda manteve a fórmula ao acompanhar Carlos Dafé em Venha Matar Saudades (1978).

A Phonogram tinha dois tradutores do soul: Tim Maia e Cassiano. Desde 1968, Tim difundia o gênero. Após a viagem mística de sua fase “Racional”, estava de volta ao mercado secular. A sonoridade daqueles renegados álbuns fora extremamente influente na passagem da soul music para o funk. Cassiano privilegiou a suavidade em seus arranjos, conseguindo êxito com “Primavera”. Em 1976, ele estava com Cuban Soul e a pérola “A Lua e Eu” nas mãos. A Polydor cuidava de Gérson Combo e União Black, cujo álbum saiu em 1977.

A CBS vinha com Robson Jorge, Rosa Maria e Alma Brasileira, formada por músicos da Mocidade Independente de Padre Miguel. A Polydor, por seu turno, entrava no jogo com Hyldon, badalado depois de “Na Rua, na Chuva, na Fazenda”, de 1974. A Continental correu atrás com Dom Mita. O fim da década ganhou mais tons negros com Miguel de Deus (“Black Soul Brothers”) e Tony Bizarro (“Nesse Inverno”), além de “Pensando Nela”, de Dom Beto, na novela Dona Xepa.

Diluição

Diferentemente da tropicália, os artistas negros tornaram-se subversivos por exibir orgulho de sua cultura e cor. Não pretendiam, necessariamente, se víncular à luta armada ou, apesar da importação de valores, aos Panteras Negras. Gérson disse que “na época da ditadura era um radical sem consciência”. Pára-quedista, ele viu Caetano e Gil presos no Realengo, em 1968, mas, como definu “cabeça de soldado é feita para obedecer”.

A musicalidade era o ponto de convergência daquela geração e a influência estrangeira surgiu como uma opção à MPB, que não oferecia canais para ela se expressar. Como escreveu Ana Maria Bahiana no Jornal da Música, os blacks “acreditavam que o samba tinha capitulado aos brancos e era coisa de turista”.

Seja como for, a ação repressiva surtiu efeito neutralizador. “Todos recuaram, a proposta black ficou descaracterizada e a consciência, perdida”, acredita Zé Rodrix. Já em 1978, muita coisa mudou. Tim Maia preferiu mergulhar nas discotecas com “Sossego” (título sugestivo). Jorge Ben deu uma guinada para um som mais dançante e menos atrelado à poesia de subúrbio em A Banda do Zé Pretinho. Dom Beto buscou Lincoln Olivetti para lançar Nossa Imaginação desatrelado do movimento. Gérson, depois de Volume II, passou anos no ostracismo até ser resgatado pela geração hip hop. Seu discurso não resistiu às novas regras do mercado, que, mesmo com o fim do AI-5, redirecionaria os artistas para a disco music, que considerava uma vertente de fácil manipulação e maior potencial de venda. As equipes de som tiveram de buscar no miami bass as sementes do funk carioca. O ímpeto e a atitude original se esvaíram. A cabeça (pensante) do movimento adormeceu e, a partir do advento da discoteca, a música black dirigiu o foco para os quadris para “dançar bem, dançar mal, dançar sem parar”.


Tesouros perdidos do rock e da black dos anos 70

Trio Esperança - Trio Esperança (Odeon, 1974)
O Trio chegou aos anos 70 unindo a inocência da jovem guarda a doses de soul, samba e psicodelia. Inclui o sucesso “Replay”.

Tim Maia - Racional vol. 1Racional vol. 2 (Seroma, 1974/75)
Talvez a fase mais completa de Tim, com souls, rocks, baladas e módulos dançantes louvando um certo “Racional Superior”.

Arnaldo & Patrulha do Espaço - Elo Perdido (Vinil Urbano, 1977)
Lançado somente em 1988, trazia o ex-mutante liderando uma afiada banda de hard rock, com direito a tocantes baladas, como “Sunshine”.

Vários - Posições (Odeon, 1971)
Quatro bandas entre o folk e a psicodelia: Equipe Mercado, Módulo 1000, Som Imaginário e A Tribo.

Miéle - Melô do Tagarela (RCA, 1979)
Precursor do rap nacional, nasceu de uma criação de Miéle e Arnaud Rodrigues em cima de “Rapper’s Delight”, do Sugarhill Gang.

Guilherme Lamounier (Continental, 1973)
Pop-rock com sotaque carioca, baladas carregadas, toques de soul e letras de imagens fortes.

Os Lobos - Miragem (Top Tape, 1971)
Rock com belas harmonias vocais e influências de Beatles. Revelou o cantor Dalto (de “Muito Estranho”).

Mão Branca - Melô do Mão Branca (Sinter, 1979) 
Gérson Combo, disfarçado, homenageia uma figura conhecida das páginas policiais dos anos 70. 


* As próximas postagens serão de artistas citados nesse artigo. Alguns álbuns do movimento já foram postados e conforme seus links forem atualizados estarei linkando eles no artigo. A preferência continuará por arquivos flac mas como nem tudo é um mar de rosas, ocorrerá de ter arquivos em qualidade inferior.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Eloy Fritsch - Atmosphere [2002]

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Os músicos eletrônicos brasileiros costumam ser mais reconhecidos no exterior do que no Brasil. Triste sina e talvez por causa dessa "ausência" de admiradores e gravadoras da verdadeira música eletrônica por aqui é que os poucos músicos existentes buscam divulgação e trabalho fora do Brasil, salvo raras excessões (vide Anno Luz e Gustavo Jobim). Atmosphere é o sexto disco do tecladista Eloy Fritsch, também membro e fundador da banda de rock progressivo gaúcha Apocalypse. Este disco tem como conceito a atmosfera do nosso planeta e as músicas são divididas em temas relacionados. Eloy conseguiu encontrar um caminho que liga o sinfônico com o eletrônico. Este trabalho é um reflexo perfeito desse casamento tão difícil! As referências ao grego Vangelis são explícitas (uma das músicas repete o mesmo tema da música Hymn do disco Opera Sauvage. Enfim, Eloy encontrou o seu caminho e já se firmou como um dos melhores tecladistas do país.

Músicas: 
1 - Main Title - 4:08 
2 - Troposphere - 12:17
3 - Clouds: a) Nimbus b) Cumulus c) Stratus d) Cirrus 14:30
4 - Stratosphere 4:27
5 - Aurora Borealis 
6 - Ionosphere 7:20
7 - Exosphere 8:53
8 - End Title 4:09

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Testemolde [2014]

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Por Sinewave

O epicentro é São Paulo. A cor é cinza. A base é rock. Assim como o concreto que envolve a cidade.

Desde 2008 construindo ruídos de alta tensão e trilhas sonoras sobre o cotidiano paulista, o Testemolde sai da clandestinidade em pleno ano de 2012 para mostrar ao mundo a que veio, com o seu trabalho musical totalmente instrumental.

Após dar as caras na rua, e fazer notórias apresentações – como no programa da web Trama Virtual, e intervenções durante a Bienal da Arte, na praça Vitor Civita – a banda lança o aguardado primeiro álbum, de nome homônimo, em 2014.

Testemolde, o disco, traz canções abstratas, porém coesas, que foram criadas através da imaginação e vivência na cidade grande de Azeite De Leos (guitarra), David Menezes (baixo) e Guilherme Garcia (bateria).

Fixos no grupo desde o início, as três cabeças e seis braços dos integrantes emitem um som áspero e de caráter urbano, seguindo a linha sonora de bandas norte-americanas como Unsane, Helmet e Melvins. Com pitadas de realidade paulistana inserida.

Complementando o teor artístico do trabalho, todos os integrantes são envolvidos com a arte, seja em atividades de produção musical, artes plásticas e design gráfico.

Agora o Testemolde tem como meta levar sua música experimental urbana às ruas e palcos das cidades, fazendo a trilha sonora ao mundo que os estimula. Só assim o objetivo será concluído.

Ouça, se puder.


Azeite De Leos – Guitarra
David Menezes – Baixo
Guilherme Garcia – Bateria

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Gustavo Diaz - Mystic Eye [2014]

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Por Marcos "Big Daddy" Garcia no Metal Samsara

Sempre há uma certa expectativas quando se fala em discos instrumentais: serão discos para os ouvidos de fãs de música que não sejam instrumentistas, ou serão trabalhos voltados a um público mais seleto, daqueles que são iniciados na teoria musical, ou que, no mínimo, sejam instrumentistas?

Essa dualidade já destroçou muitos bons trabalhos, especialmente quando falamos em termos de Brasil, já que o fã de Metal (e mesmo de Rock) é extremamente conservador, e discos instrumentais tendem a ser recebidos de maneira fria pelo grande público. É sempre muito problemático vencer mentalidades já formadas. E é uma pena, pois muitos se privam de trabalhos instrumentais fantásticos, como o que o guitarrista carioca GUSTAVO DIAZ acaba de nos conceder em "Mystic Eye", seu primeiro trabalho.

Antes de tudo, o disco realmente é quase todo instrumental (se não fosse uma bela incursão de soprano no disco, uma participação especial de Bu Bolzan em "Marching Through the Flames"), mas não se assustem: a forma de Gustavo tocar não cansa nossos ouvidos, pois suas bases são pesadas e de bom gosto, e seus solos são excelentes, um misto de guitarristas com estilos mais clássicos como Ritchie Blackmore e alguma coisa de Tony Macalpine, e mesmo uma certa aura de Malmsteen devido ao jeitão neo-clássico das canções, mas não chegamos a ter 1000 notas por segundo. O jeito de Gustavo fazer solos é bem sóbrio, e não que ele não tenha excelente técnica. Apenas prefere que as canções falem por si como um todo, e não é uma exibição ou um cartão de apresentação. Não, de forma alguma, pois "Mystic Eye" nasceu para o fã comum, que apenas quer ouvir música de qualidade. E isso ele vai encontrar aqui, sem sombra de dúvidas.

Gustavo Diaz
A produção ficou a cargo do próprio Gustavo, com tudo gravado no Transiente Studio (exceto a bateria, gravada no HCS Studio), e podemos ver que houve um enorme capricho no disco como um todo, com tudo soando claro e com devido peso, cada instrumento com seu destaque (mostrando que, embora instrumental, não se foca em algum instrumento em especial). A arte de Luciana Lebel ficou ótima, aclimatando bem o conteúdo sonoro do CD.

Mesmo sendo instrumental, as músicas de "Mystic Eye" nos prendem pelos ouvidos, e nos envolvem completamente. A dinâmica musical é ótima, os arranjos muito bem pensados e trabalhados, nada ficou fora do lugar ou presente apenas por estar ali. Tudo é muito bem acabado, e a mistura de Metal tradicional, Hard, Música Clássica e outros flui de forma espontânea. Outro ponto forte: as músicas possuem duração econômica, quase sempre em torno de três minutos e meio até quatro, ou seja, não dá sono ou deixa o ouvinte cansado.

O disco como um todo é excelente, bem homogêneo, e cada uma das nove faixas é uma jóia preciosa. Em "Distant Paradise", uma faixa de andamento mais mediano e que evoca um certo "feeling" anos 80, vemos solos muito bons, sem recursos técnicos exagerados. Em "Wisdom and Glory" surge um jeitão mais Power Metal, com a bateria mais rápida nos bumbos, e toques mais clássicos nos solos, e alguns momentos muito tocantes. Novamente elementos de Power Metal se fazem presentes em "Temple of the Lost", embora a faixa tenha mais diversidade de andamentos e solos fantásticos (lindas melodias e acordes). Já "Ancient Secrets" é mais seca, com uma bela guinada para o Metal tradicional, com bela incursão e presença do contrabaixo, alguns momentos mais agressivos da bateria, e a guitarra faz belíssimos solos (um pouco mais técnicos, mas nada de "fritadas"). A curta "Purple Shades of a Dream"é mais climática, quase como uma introdução à dinâmica e pesada "Race Against Time" (base rítmica fortíssima e bem variada), com solos técnicos e envolventes. "Don't Break the Spell" também é pesada, mas surge certo toque de ecleticismo musical. Em "Marching Through the Flames", temos a maior faixa do CD, introduzida por vocais em soprano em conjunto com lindas orquestrações (André Tavares sempre é um monstro nos teclados), então se iniciam os seis minutos de puro prazer, cheios de mudanças de andamento e arranjos ótimos nas bases (os solos, sinceramente, são de uma beleza imensa). Fechando o CD, temos a um pouco mais agressiva "Maniac in the Mirror", onde surgem belíssimos arranjos de teclados, quase como se rivalizando com as guitarras.

Sim, "Mystic Eye" é um disco que merece estar em qualquer coleção de discos, pois o bom gosto é imenso. E aos que gostam dos ases das guitarras, podem colocá-lo ao lado do "Marching Out" e do "Surfing With the Alien" sem medo e com méritos. Ah, sim: pode ser adquirido direto com Gustavo na página oficial do Facebook por uma bagatela (R$ 12,00), e ainda vem de brinde uma palheta personalizada.
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