quinta-feira, 24 de abril de 2014

Quarto Astral - Árvore [2012]

 
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Por Quarto Astral no facebook oficial

A Quarto Astral busca explorar o rock em sua essência, sob forte influência do início talvez de sua história: psicodelia, rock n' roll e progressividade regadas com muitos solos de guitarra e improvisos, sem o rumo tradicional de início, meio e fim, mas sim com um início... e um fim na hora certa.

As letras tratam do elemento natural e humano, suas interferências e discrepâncias, das quatro dimensões universais, indo além da realidade e do misticismo, cantadas em inglês ou português.

Já em seu primeiro EP (2009), essa essência é mostrada nos improvisos e na escolha do tipo de gravação (ao vivo), produzido no estúdio Via Brasil sob o comando de Fábio Casé, também responsável pela mixagem e masterização. O segundo EP, homônimo, gravado no Lumo Estudio, ponto Fora do Eixo no Recife, foi captado e pré-mixado por Carlinhos Carvalho; mixado e masterizado no Estúdio Casé, ainda com Fábio Casé, e sob tratamento do engenheiro musical Peter Noya.

A banda reuniu uma equipe formada por cerca de vinte profissionais, envolvidos na cadeia produtiva cultural, interessados em colaborar na construção desse projeto, com a meta de produzir a gravação de um material autoral de alta qualidade, transportando o clima inóspito e vulcânico da província de Nápole, Itália, para a paradisíaca praia do Paraíso (redundante mesmo) assumindo a estética tropical brasileira.

Técnicos de som, fotógrafos, publicitários, jornalistas estiveram juntos nessa empreitada, apostando nesse projeto que já está disponível para venda no formato duplo (CD + DVD) e também pode ser visto no youtube.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Aline Ridolfi, Ana Paula Canestrelli e Tatiana K. de Mello Dias - Psicodelia Brasileria: Um Mergulho na Geração Bendita [2007]

Liberando a psicodelia brasileira: o livro agora está disponível online
Por eissoaibicho publicado em 27 de junho de 2012 no Psicodelica Brasileira

São mais de 200 páginas de relatos, fotos, recortes e letras de músicas dos artistas que compuseram a tal cena psicodélica brasileira dos anos 60 em diante.

Apuramos e escrevemos este livro em 2007, como nosso trabalho de conclusão de curso na Faculdade Cásper Líbero. Foram mais de 60 entrevistas feitas em vários estados do país e de todas as maneiras possíveis. São dezenas e dezenas de fotos, recortes e depoimentos de pessoas que acreditaram no nosso trabalho.

O TCC foi aprovado com nota 10 pela banca avaliadora. Imprimimos pouquíssimas cópias do livro e pensamos muito (quase cinco anos) antes de disponibilizá-lo na web porque ele foi, afinal, apenas um trabalho acadêmico.

Mas, mesmo depois de todo esse tempo, ainda recebemos semanalmente pedidos de acesso à obra. Costumamos responder caso a caso, mas desta vez resolvemos liberar para que o livro possa ser livremente consultado.

Como o trabalho foi feito com a confiança e o apoio das dezenas de entrevistados, que nos contaram preciosidades de suas vidas, optamos por restringir o acesso parcialmente: apenas a republicação e divulgação estão liberados. Qualquer outro uso (obras derivadas, fins comerciais) é vedado. Todas as imagens incluídas neste livro foram gentilmente cedidas por entrevistados e outros colaboradores para serem utilizadas exclusivamente neste trabalho acadêmico.

Não podemos deixar de agradecer também ao designer Thiago Silvestrini, que virou algumas madrugadas diagramando a obra em um projeto gráfico incrível.

Nós gostaríamos de ter dado um exemplar da obra para todo mundo que contribuiu com ela. Mas isso foi impossível. Então, virtualmente, aqui fica o nosso trabalho e a nossa gratidão. Esperamos que o livro ajude a reconstruir uma cena que ficou por muito tempo esquecida, e que inspire outras pessoas a redescobrirem o nosso passado, tão rico e interessante.


quarta-feira, 16 de abril de 2014

Wander Wildner -"Eu Sou Feio... Mas Sou Bonito!" [2002]


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Por Abonico R. Smith.
publicado em 11 de abril de 2008 no Mondo Bacana

Trovador de alma punk

Além de voltar a ocupar o lugar de vocalista dos históricos Replicantes, Wander Wildner viaja pelo país com sua própria banda divulgando seu terceiro álbum solo. “Eu sou feio... Mas Sou Bonito!” é o resumo da essência dos dois trabalhos anteriores. Do festejado Baladas Sangrentas ele trouxe a veia trovadora, os versos confessionais, por vezes sarcásticos, quase sempre escritos em tonalidade loser. De Buenos Dias!, trouxe a vitalidade, o punch, a visceralidade, a distorção, a altura. E, sobretudo, os acordes maiores – que preenchem dez das onze novas faixas.

Wander Wildner continua demonstrando todo seu desprezo pela estagnação promovida pela música brasileira overground.

Existem certos artistas que deveriam ser tombados e preservados como patrimônio histórico da cultura nacional, mas que por alguma conjuntura (astrológica, talvez; ideológica, com certeza) acabou relegados a vigésimo plano, tendo sua obra de primeira grandeza restrita à marginalidade da grande massa e em contato direto com apenas alguns interessados em proporção minúscula.

Wander Wildner é um destes caras. Seguidor da trajetória de um seletíssimo grupo – entre os quais estão incluídos Raul Seixas, Walter Franco, Itamar Assumpção, Jorge Mautner e seu conterrâneo Frank Jorge – ele traça pelos submundos da inteligentzia o futuro da música brasileira. Demonstra todo desprezo pela estagnação promovida por gente e corporações de cunho comercial e procura tocar lá no fundo dos corações despertos, seja com a agressividade herdada pelos tempos punk de Sangue Sujo e Replicantes (histórico grupo ao qual retornou há poucos meses) ou então empunhando o violão e fazendo baladas sinceras, pessoais e apaixonadamente escancaradas (que, com muita ironia, compõe a segunda parte do nome de seu selo/produtora/apelido, Punk Brega).

Há mais de duas décadas na estrada – como artista solo, vocalista do Replicantes ou iluminador de boa parte da nata da MPBC (Música Popular Brasileiro-Carioquense) – Wander voltou para o frio de Porto Alegre e de lá continua abastecendo, agora com mais regularidade, a sua carreira com novidades. Além da volta aos Replicantes – substituindo outra figura ímpar na cultura gaúcha, o ex-baterista/cineasta/professor Carlos Gerbase, também integrante da formação original do quarteto – o alemão de olhos verdes também encara umas viagenzinhas pelo país para divulgar, com sua banda de apoio, seu terceiro álbum solo, gravado no ano passado e lançado pela dobradinha [Punk Brega/Barulhinho]. Neste sábado, dia 7 de setembro, ele volta a Curitiba para uma grande celebração à independência. O local não poderia ser outro, senão o maior de todos os tempos alternativos da cidade, o 92 Graus – mais detalhes na agenda de shows.

“Eu Sou Feio... Mas Sou Bonito!” é o resumo da essência dos dois trabalhos anteriores. Da festejada estréia solo Baladas Sangrentas, de 1996, ele trouxe a veia trovadora, os versos confessionais, por vezes sarcásticos, quase sempre escritos em tonalidade loser – receita que na última década tem dado muito certo e atraídos fãs às pencas, como provam o sucesso de gente como Beck, Christina Ricci e Belle & Sebastian. De Buenos Dias!, gravado em 1999 com o trio punk Chulé de Coturno, trouxe a vitalidade, o punch, a visceralidade, a distorção, a altura. E, sobretudo, os acordes maiores – que preenchem na íntegra dez das onze faixas novas.

“Mantra das Possibilidades” abre o disco dando um chute na porta das infelicidades da vida. É apenas a repetição de três acordes básicos (dó, sol, fá – ou tônica, quinta e quarta) e três versos não menos básicos (“Minha vontade é ser bonito, mas eu não consigo, eu sempre volto atrás/ Sonho em ter cabelo comprido, mas eu não consigo, eu sempre corto mais/ Meu desejo é estar contigo, mas eu não consigo, eu sempre fico em paz”). O mantra começa no violão e segue com o acompanhamento do trio de apoio (no qual toca guitarra outra grande lenda do rock gaúcho, o jornalista/multiinstrumentista Jimi Joe).

“Damas da Noite” vem na seqüência com um country folk que remete a uma certa psicodelia não fosse o encorpamento de distorção agregado pelo meio do arranjo. Na voz de Wander, uma singela homenagem à mais antiga profissão do mundo. “Eu vejo mulheres na chuva da noite/ Entregando seus corpos pra qualquer um/ A velhos e gordos mais podres que a noite/ (...) Entregando seus corpos pra qualquer um/ Às duas da tarde, cinco da manhã/ Na cama, em qualquer lugar/ Sempre a postos pra saciar alguém/ São máquinas de sexo e prazer/ É tudo tão fácil pra você gozar/ Estão sempre prontas pro que der e vier, quem vier/ Eu admiro as mulheres que usam seus homens/ Fazem de tudo o que querem/ Por dinheiro ou prazer”.

Ainda no mesmo terreno de personagens não muito afortunados, Wildner escancara de vez em “Milonga Para Um Homem de Poucos Dentes”, única faixa do álbum a registrar um acorde menor (óbvio, pois acordes menores trazem a sensação de melancolia e tristeza e milonga sem chororô não seria uma milonga). “Mordo com vontade a carne que me sobra com poucos dentes que me restam/ Carrego dentro de mim a fina estampa que os meus tortos dentes não mostram/ Mas se a minha gargalhada te assusta não se preocupe, as aparências enganam/ Lembre-se que de perto ninguém é normal/ E a melhor companhia é só um cara legal/ Dentes bonitos me dizem pra Ter/ Um sorriso colgate pra sair com você/ Mas eu pergunto até quando você não vai ver/ Que a verdade está nesses dentes mordendo você/ Não vou gastar meu dinheiro no dentista pra te agradar/ Nem colocar dentadura postiça só pra te conquistar”, diz a fantástica letra. Wander ainda arruma tempo e espaço para zombar de si próprio, de sua marca registrada – que é o sorriso peculiaríssimo com a falta de alguns dentes de trás.

Wander também sabe se apropriar de composições alheias com muita identidade. Sarjetas e arrotos também aparecem em “Delírio 32”, cover de Nei Lisboa que ganha arrebatadora cara alt-psicodélica (o que é a combinação entre os berros e o deslizar do slide na guitarra durante o riff?). “Sétimo Céu”, de Jimi Joe, cai como uma luva na galeria de personagens losers do vocalista – além de atordoar os ouvidos quando a turbina dos pedais é ligada no refrão e transforma a música em grande hino grunge desgarrado de Seattle. Através de “Narciso Invertido”, feita por outro músico egresso da Barata Oriental (Nenung, hoje na dupla pop budista Os The Darma Lóvers), Wildner desencava sua veia puramente rock’n’roll. Entremeando riffs stoneanos vêm versos firmes e irônicos como “Keith Richards, Iggy Pop, é como eu quero estar/ O troféu e a champanhe talvez não seja eu que ganhe/ Não vou ser página da Caras e isso é muito bom/ Vejo as marcas no meu rosto e acho bem legal/ Veja, tudo vem e tudo passa, isso é natural/ Saca só o meu kit de beleza/ É meu coração, sim, com certeza/ Que se está feliz vê o universo todo se alegrar/ Veja só... esse sou eu!”.

E ele ainda se mostra insaciável na capacidade de criar grandes baladas. “O Sol Que Me Ilumina”, revestida de batidinha jingle-jangle (o que inevitavelmente deixa a faixa com cara de Byrds – e isso não é má coisa), é uma música de amor diferente. Descreve a admiração por uma menina comum, que faz terapia, sonha seguir carreira de atriz, rala trabalhando como estagiária e não perde tempo para falar sobre astrologia e filosofia. No encerramento, na quase-milongueira “Anjos & Demônios”, Wander finalmente se entrega às referências autobiográficas. Fala de um viajante hippie-cyber-punk que cede às tentações apenas porque sabe que seu caminho é seguir em frente em sua caminhada rumo à sua própria verdade. “Vasculhei o meu passado/ Vivo no presente/ E com quem tá do meu lado/ Anjos & demônios passam por mim/ Cruzam os céus e zombam de mim/ Anjos & demônios estão dentro de mim/ Eles sabem e vão comigo até o fim”.

Este é Wander Wildner, alguém que já foi capaz de instaurar um clássico hino punk dentro de uma gravadora multinacional (a BMG, que tem em seu catálogo três álbuns do Replicantes gravados para o selo Plug, não sabe o que ela está perdendo ao deixar de relançar “Surfista Calhorda”...) e hoje permanece com sua alma criativa, pulsante e intocável. No dia em que o Brasil descobrir seus trovadores contemporâneos, o país com certeza vai ser um lugar mais divertido e inteligente.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Entre O Sonho & O Som [2014]

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Ainda em homenagem a Belchior, após a releitura de Alucinação no álbum Ainda Somos Os Mesmos, é lançado esse EP contendo outros clássicos do artista gravados em outros discos. Entre as seis canções destacam-se Medo de Avião, Todo Sujo de Batom e Paralelas.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ainda Somos Os Mesmos [2014]

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Por Wilame Prado
publicado em 26 de março de 2014 no odiario.com

Bandas fazem releitura contemporânea de “Alucinação” (1976), álbum clássico de Belchior
 

“Quem são os loucos? Nós, que chegamos às nove da manhã e ficamos até as sete da noite em redações, agências etc pra ganhar salários destinados, na maior parte, a pagar dívidas e nos permitir continuar acordando cedo, indo pro trabalho, comendo, pagando dívidas… nesse ciclo eterno, ou alguém que decide romper com isso?”

A indagação é do jornalista carioca Jorge Wagner, quando perguntado o que achava do sumiço de Belchior. Ele, que organizou em outubro de 2012 “Jeito Felindie”, um tributo ao Raça Negra, é idealizador e curador do projeto “Ainda Somos os Mesmos”, releitura do disco “Alucinação” (1976), um dos grandes trabalhos do músico cearense e que reúne, entre suas dez ótimas canções, sucessos retumbantes como “Apenas Um Rapaz Latino Americano”, “Como Nossos Pais” e “A Palo Seco”.

“Ainda Somos os Mesmos”, que, além das faixas de “Alucinação”, conta com bônus de outras cinco músicas de Belchior, tem lançamento previsto para esta quarta-feira (26), no site Scream & Yell. O trabalho, segundo Jorge Wagner, não tem fins lucrativos. As faixas e o streaming estarão disponíveis gratuitamente pelo site.

Para o disco, o jornalista convidou bandas e artistas da cena independente e que, por uma via ou outra, assumem ter influências “belchioranas” na hora de compor. Participam do trabalho, em ordem de faixas: Dario Julio & Os Franciscanos, Manoel Magalhães, Phillip Long, Nevilton, Lucas Vasconcellos, Bruno Souto, Lemoskine, Fábrica, Transmissor, Marcelo Perdido, Nana, Jomar Schrank, Ricardo Gameiro, João Erbetta e The Baggios.

“Fui, a princípio, em busca de artistas que eu mesmo gostasse e que, de alguma forma, fosse pela poética ou pela sonoridade, se identificassem com o trabalho do cearense. Não queria que o trabalho do Belchior fosse um mundo estranho pra nenhum deles”, diz.

Para a reportagem, o organizador do disco disponibilizou a faixa “Fotografia 3×4”, tocada pela banda Transmissor, e um teaser com pequenos trechos de outras três canções do disco. Pela sonoridade, o que se percebe é um respeito absoluto com as canções de Belchior por parte dos músicos, que, no entanto, dão roupagem nova às clássicas canções, apostando nas características sonoras da própria banda.

Em “Fotografia 3x4”, por exemplo, se Belchior faz introdução com coro, violão e teclado, os músicos da Transmissor já iniciam, em ritmo mais acelerado, a canção de ótima letra com um destaque para riffs da guitarra e bateria suave; no entanto, reconhece-se facilmente ali a linguagem poética de Belchior.

Gênio
Para o músico curitibano Dary Jr. (ex-Terminal Guadalupe), Belchior é um gênio. Ele participa de “Ainda Somos os Mesmos” tocando com a banda Dario Julio & Os Franciscanos nada mais nada menos que “Apenas Um Rapaz Latino Americano”.

“‘Alucinação’ é um álbum clássico. Regravá-lo é mexer em vespeiro, mas as novas gerações precisam conhecê-lo. Ouvir Belchior é quase um dever cívico. Suas canções, assim como o rock de Brasília dos anos 1980, abriram muitas portas para mim. Para além do prazer estético, Belchior te faz pensar sobre as relações afetivas, sociais e políticas em tempos bicudos. Ele é um gênio”, decreta o músico.

Rodrigo Lemos participa do tributo ao lado de sua banda, a Lemoskine. Ele, que também é guitarrista d´A Banda Mais Bonita da Cidade, fala sobre poder interpretar no disco “Não Leve Flores”, outra grande canção de Belchior: “Há uma perspectiva muito interessante e irônica em torno do ‘envelhecer e permanecer jovem’ e do ‘novo, que sempre vem’. Identifico-me totalmente.”

Mais do que homenagear o músico Belchior, os envolvidos com o projeto torcem também para que o disco chegue, de uma maneira ou de outra, nas mãos do cearense, onde quer que ele esteja neste momento. Quem sabe, rememorando “Alucinação” em vozes novas – assim como um dia já se arriscaram em seu cancioneiro Elis Regina, Los Hermanos, Engenheiros do Hawaii e tantos outros – o bigodudo resolva voltar a cantar.

“Se o próprio Belchior não chegar a ver, alguém entre as pessoas que sabem onde ele está vai acabar contando. Sobre o que ele vai pensar: espero que entenda o sentido de homenagem e acredito que algumas versões, como a do Phillip Long, por exemplo, possam agradá-lo bastante”, diz, esperançoso, Jorge Wagner.

Vida paralela

O músico Belchior deixou de se apresentar publicamente em 2009, quando foi considerado desaparecido após ter se separado da mulher, com quem estava casado há 35 anos, não dar notícias para os amigos e abandonado os palcos e as gravações musicais.

Segundo reportagem publicada na revista Época em dezembro do ano passado, assinada pelo jornalista Marcelo Bortoloti, Belchior abandonou a tudo e a praticamente todos para viver uma vida paralela ao lado da namorada, a produtora cultural Edna Assunção de Araújo, 46.

De acordo com a reportagem, passados cinco anos do sumiço, o músico nordestino de 67 anos atualmente vive escondido com Edna em Porto Alegre-RS e não pode sair em público porque é procurado pela polícia. Pesam contra Belchior, informa Bortoloti, dois mandados de prisão pelo não pagamento de pensões alimentícias.

Belchior também é cobrado na Justiça por um processo trabalhista contra ele no valor de R$ 1 milhão, sem possibilidade de recorrer. Segundo a Época, as contas de Belchior estão bloqueadas, e os imóveis que tinha, comprometidos.

Por causa da falta de dinheiro, Belchior e Edna já se abrigaram numa instituição de caridade e moraram de favor na casa de fãs desconhecidos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Violeta de Outono - Volume 7 [2007]

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Por Diego Camargo no Progshine

Formado em 1984, o grupo paulista Violeta de Outono surgiu após o término do grupo de BRock Zero. Se consagrou no país, durante a década de 80, por trabalhos como Violeta de Outono (1987) e Em Toda Parte (1989). Entre idas e vindas, o grupo permanece na ativa, liderado pelo guitarrista e vocalista Fabio Golfetti.

Este é o sétimo disco da discografia geral do grupo (antes, além dos dois citados estão Mulher na Montanha, Ilhas, Eclipse e Live at Rio ArtRock Festival ’97), e estão, além de Fabio, os músicos Claudio Souza (bateria), Gabriel Costa (baixo) e Fernando Cardoso (teclados).

Volume 7 abre com “Além Do Sol”. Apesar de ser o Violeta De Outono que conhecemos, a banda ganhou uma sonoridade completamente diferente. Em parte pelos teclados, principalmente o órgão Hammond de Fernando. O baixo de Gabriel também é influência direta, já que existe uma grande diferença entre o estilo de Ângelo Pastorelo (baixista original da banda) - que toca com palheta - e Gabriel que toca com o Pizzicato (dedos). A gravação ao vivo privilegiou, e muito, a sonoridade concisa da banda.

O chamado Canterbury, som fundado por bandas como Soft Machine e Camel, tomou sua forma total nesse disco. Não que a atmosfera psicodélica de Pink Floyd e Gong tenham sumido. De maneira nenhuma! Elas ainda estão presentes, mas de uma outra maneira.

“Caravana” tem um clima espacial, calmo, tranquilo. Pelo menos até chegarmos perto do segundo minuto da música, quando o Hammond toma conta do som e a banda engata um ritmo mais enérgico. A guitarra de Fabio é sempre um caso à parte! Cortante, correta, precisa. Gosto do som que ele tira de suas Fenders. Os vocais etéreos fazem você viajar, literalmente, sem nenhum aditivo. Basta sentar-se confortavelmente pra escutar a faixa que soa como uma homenagem direta a banda inglesa Caravan.

Se eu não conhecesse a banda, não diria que ela é brasileira. ”Broken Legs”, terceira faixa, foi composta por Fernando Alge (assim como a próxima do disco) e tem um ritmo sincopado mais alegre, incluindo alguns trechos em que Fabio utiliza a técnica do glissando (técnica que consiste em utilizar um objeto metálico nas cordas da guitarra para se obter diferentes sons).

Em “Eyes Like Butterflies“, uma coisa é certa: Fernando faz uma diferença enorme no som da banda. Quem, assim como eu, ouviu os discos anteriores, sabe do que eu estou falando. O uso do Hammond ficou perfeito com a sonoridade das canções. O refrão é uma beleza sublime… “Eyes of the morning sun…”, perfeito! Gosto muito da sequência de baixo e bateria logo após o primeiro refrão! A dupla Gabriel / Claudio conduz muito bem a melodia que acompanha o verso e, na sequência, o maravilhoso refrão. Uma das minhas preferidas do disco.

Pouco depois dos três minutos de canção, Fernando souza ataca um poderoso solo eom seu Hammond. Definitivamente, a gravação nos estúdios MOSH (um dos melhores da América Latina) fez diferença.

Parceria entre Fernando e Fabio, “Em Cada Instante”, traz o que mais me chamou atenção no disco: a unidade que a banda conseguiu. Volume 7 não soa como um disco de canções à parte. Mesmo quando sabemos que três das oito músicas foram compostas bem antes desse disco ficar pronto. Muitas vezes ouvi discos em que todas as músicas parecem uma só. Não me refiro a discos conceituais como The Wall (1979) do Pink Floyd, por exemplo. Me refiro a discos em que todas as canções soam como uma só mesmo.

O Violeta De Outono conseguiu manter uma unidade tão grande que o disco toca sem percebermos que as canções estão passando. Isso, meus caros amigos, é o que chamo de um disco que flui com perfeição.

“Pequenos Seres Errantes” foi composta originalmente para o projeto Invisible Opera Company Of Tibet e utiliza na sua totalidade a técnica glissando. É incrível a sonoridade da faixa. Poética (sem nem mesmo ter palavras), psicodélica, espacial, viajante, ondular… Por algum motivo, essa palavra me veio à mente enquanto eu ouvia essa faixa.

O órgão presente tão densamente nas faixas anteriores é trocado pelos sintetizadores. Sons são disparados ora aqui, ora ali. Coisa de quem já tocou muito Rock Progressivo (Fernando já tocou em bandas cover de Yes e Rush). O solo que aparece perto do sétimo minuto de canção nos mostra isso claramente. Descansem seus corpos, relaxem e viajem um pouco dentro de suas cabeças.

Em “Ponto De Transição“, o piano dá o som. Bela melodia! A voz de Fabio é frágil, é isso que dá a beleza que ela tem. Nunca gostei de bandas que tem vocalistas de verdade. Na minha opinião, os melhores vocalistas são pessoas que não tem voz para cantar como Geddy Lee (Rush), Roger Waters (Pink Floyd), Peter Gabriel (Genesis) ou, saindo um pouco do campo Progressivo, Ozzy Osbourne (Black Sabbath). Fabio Golfetti está nessa lista!

O disco encerra-se com “Fronteira“. Acredito que esta seja influência direta de Camel. O baixo, a bateria, os teclados, o estilo melódico, totalmente Camel da fase Mirage (1974) e Moonmadness (1976). Não uma cópia, influência direta mesmo.

O órgão aos 3:20 chega a dar medo com tamanha quebra de melodia que o mesmo causa. Em seguida, a música toma forma completamente diferente com riff em tempo quebrado e apocalíptica. Quando voltam ao tema original, quem chama atenção é Claudio com sua bateria intrincada e quebrada. A repetição da parte estranha vem ainda mais estranha, torta, fora do tempo e bem soturna. Ótima faixa! Junto com “Eyes Like Butterflies” é minha faixa preferida. Terminamos o disco com a sensação de que acabamos de ouvir um dos melhores discos dos últimos 20 anos. Parabéns à banda!

Acho que não é necessário dizer que esse, pra mim, é o melhor disco da banda. E o melhor disco no estilo já lançado por terras brasileiras. Se o Violeta De Outono tivesse nascido na Inglaterra, seria um clássico mundial!

O CD vem com uma faixa extra em formato vídeo gravado nas sessões do álbum. Trata-se de uma música do Santana: “Let The Children Play”. Vocês podem ver esse vídeo aqui.

Track list

1. Além Do Sol
2. Caravana
3. Broken Legs
4. Eyes Like Butterflies
5. Em Cada Instante
6. Pequenos Seres Errantes
7. Ponto De Transição
8. Fronteira

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Anno Luz - Anno Luz [1987]

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Por Marcos A. M. Cruz em Whiplash

Uma das grandes vantagens da era digital em que vivemos é o relançamento de preciosidades, cujos velhos LP's, nem sempre em tão bom estado de conservação, eram disputados a tapa nos sebos, mas que hoje podem ser encontrados em CDs remasterizados com excelente qualidade sonora, muitos deles ainda contendo faixas adicionais.

Dentre estes relançamentos, um dos mais aguardados pelos fãs do Rock Progressivo brazuca era o do único auto-intitulado álbum do "ANNO LUZ", formado em 1987 na cidade de Petrópolis (RJ), que na verdade se tratava de um duo constituído pelos músicos Guilherme Orcutt (teclados, programação, efeitos e voz) e Paulo Loureiro (violão, efeitos e voz), além de diversos artistas convidados, com destaque para o flautista Marco Aureh (atualmente no Lummen) na faixa "Novo Mundo".

Mesclando admiravelmente as sonoridades "cósmicas" dos sintetizadores com a pureza dos instrumentos acústicos, Guilherme e Paulo conseguiram a façanha de criar um estilo próprio, alternando momentos de profunda suavidade e beleza, com momentos de alto nível energético.

Entre as influências musicais de seus membros, as mais claras são as oriundas dos mestres alemães do Tangerine Dream, mas o ANNO LUZ vai muito além, aproximando-se do estilo sinfônico dos austríacos do Gandalf e dos húngaros do Solaris, artistas totalmente desconhecidos para eles naquela época.

Difícil destacar apenas uma faixa, mas podemos considerar como sendo a mais importante a suíte "Titanic", de cerca de 16 minutos divididos em cinco partes extremamente criativas e propícias a imaginação, constituindo-se em um verdadeiro filme sonoro.

Entretanto, não podemos deixar de citar a belíssima "Infinitas Terras" e seus climas absolutamente oníricos, a lisérgica "Inocência", também repleta de significados e possibilidades de interpretação e, finalizando, a magnífica "Novo Mundo", uma verdadeira sinfonia progressiva.

Enquanto o LP original possuía apenas cinco faixas, este relançamento em CD traz outras duas preciosidades inéditas gravadas no mesmo período: a psicodélica e experimental "O Templo" e a atmosférica "Encontros da Alma".

Tendo encerrado suas atividades antes mesmo do LP ser lançado (fato ocorrido em agosto de 1988), o ANNO LUZ foi mais um grupo de vida efêmera naquele período tão difícil para a Música Progressiva. Apesar disso, este trabalho obteve imediato reconhecimento no mercado internacional, notadamente nos EUA, Alemanha, Inglaterra, França e Japão, países que absorveram quase a totalidade da prensagem.

Esta formidável penetração, mereceu, além das mais elogiosas críticas, a honra de ser incluído no mais completo arquivo discográfico de rock europeu e norte-americano existente em formato de livro: o famoso ROCK RECORD, editado na Inglaterra e já em sua 7ª edição. Detalhe deveras importante é que, em meio a mais de 115.000 títulos ali registrados, os únicos brasileiros também presentes como solistas são o Sepultura e o Eumir Deodato.ANNO LUZ marcou também o surgimento da primeira gravadora especializada em Progressivo no Rio de Janeiro, a "Som Interior Produções Artísticas", de propriedade do Produtor Musical e Empresário Claudio Fonzi, um dos maiores divulgadores do Progressivo no país, colaborador de diversos veículos de comunicação - dentre eles o Whiplash, onde assina a coluna Horizonte Progressivo, proprietário da Renaissance Discos, e também o responsável pelo resgate digital desta preciosidade.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Kalouv - Pluvero [2014]

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Por Sinewave

Faixas

01. Areno
02. Namazu
03. Esquizo
04. Durango
05. Boa Sorte, Santiago
06. Altro
07. Algul Siento I
08. Limiar
09. Algul Siento II
10. Es Muß Sein

Release

Pouco mais de dois anos separam Pluvero, novo álbum da banda instrumental pernambucana Kalouv, do trabalho de estreia do grupo, Sky Swimmer. E esse tempo diz muito sobre sua concepção. Lançado no início de 2014 pelo Sinewave, selo paulista conhecido por distribuir a música experimental feita no Brasil, o disco revela uma banda que procura, acima de tudo, se redescobrir. Se antes o post-rock era o ponto de partida para definir o que o grupo fazia, aqui ele é só um dos pontos de uma narrativa divida entre dez capítulos.

Pluvero fala sobre transformação. O nome do álbum, advindo de uma palavra em esperanto que pode ser traduzida como “gota da chuva”, procura simbolizar a mudança permanente, onde o menor dos elementos é relevante na construção do novo. Essa não é uma metáfora apenas a este trabalho da Kalouv, mas descreve o processo de criação como um todo, onde a transitoriedade é lei. Como dito por Nietzsche, “Cada instante devora o precedente, cada nascimento é a morte de incontáveis seres, gerar, viver, morrer são uma unidade”. E é aqui que reside o conceito deste novo disco.

Sabendo da importância da arte para complementar a ideia do título, a Kalouv convidou Fernando Moraes e Raone Ferreira, que formam o Imarginal, para ilustrar este universo. A dupla pernambucana vem sendo reconhecida pelos trabalhos realizados a quatro mãos, onde as técnicas de tracejado e pontilhismo são ponto de partida para criação de ilustrações extremamente detalhadas e com característica única. O trabalho dos artistas está presente em quadros, paredes, camisetas, tatuagens e agora também ajuda a representar visualmente o álbum, numa arte que valoriza os pequenos elementos e usa-os para criar um rico universo imagético.

Musicalmente, Pluvero começou a nascer ainda em novembro de 2012, no Fábrica Estúdios, onde foram gravados os primeiros takes de bateria e baixo. O desenvolvimento seguiu até outubro de 2013, momento em que terminava o processo de masterização no Medula – Música e Conteúdo. Durante este ano, o trabalho foi todo conduzido por Roberto Kramer, músico das conterrâneas Team.Radio e Panda Eyes. Pós-graduando em Técnicas de Áudio e Produção Musical pela AESO – Barros Melo, ele foi responsável por produzir, mixar e masterizar o disco.

Uma das novidades presentes neste álbum são as participações especiais. Seis músicos das mais diferentes vertentes contribuíram para a construção dos temas. As adições vieram desde a erudição presente na viola de arco do músico Felipe Vianna, até os samples sincopados do mineiro GA Barulhista – que além de ter seu projeto solo, faz parte da banda Constantina. Completam o time o trompetista Kevin Jock; Roberto Kramer, que gravou bandolim para uma faixa; a cantora Isadora Melo, que torna a voz instrumento em duas músicas, e Fernando Athayde, integrante do duo pernambucano Yeti, contribuindo com noises de guitarra.

Todos esses elementos funcionando de forma conjunta são a base do Pluvero. Um segundo passo reside na percepção deste trabalho por parte do ouvinte. É ele quem vai escolher quais caminhos a música vai percorrer durante os pouco mais de cinquenta minutos de viagem. Como nos antigos long plays lançados antes da era virtual, ele foi concebido para ser escutado do começo ao fim. E é ao seguir essa narrativa musical que fica clara a intenção do álbum. Da tenebrosa nuvem de barulhos de “Areno” até a doce e triste melodia executada por piano e viola em “Es Muβ Sein”, há de se perceber algo de belo e enigmático na transformação, seja ela de qual forma for.

Ficha Técnica

Todas músicas do álbum Pluvero são de autoria da Kalouv

– Gravado entre novembro de 2012 e agosto de 2013 por Arthur Soares no Fábrica Estúdios e Roberto Kramer no Medula – Música e Conteúdo (Recife – PE)
– Mixado e masterizado por Roberto Kramer no Medula – Música e Conteúdo (Recife – PE)
– Produzido por Roberto Kramer
– Pré-produzido por Eduardo Caminha e Kalouv
– Produção executiva por Renata Farias
– Ilustração por Imarginal (Fernando Moraes e Raone Ferreira)

Participações Especiais


– Fernando Athayde (guitarra nas faixas 1 e 8)
– Kevin Jock (Trompete na faixa 5)
– Isadora Melo (voz nas faixas 5 e 6)
– Felipe Vianna (viola de arco nas faixas 9 e 10)
– Roberto Kramer (bandolim na faixa 3)
– GA Barulhista (samples na faixa 8)
Sobre o Artista

(Foto: Bruna Monteiro)
Kalouv é um grupo pernambucano de música instrumental formado em 2010 por Basílio Queiroz (baixo), Bruno Saraiva (teclado), Rennar Pires (bateria), Saulo Mesquita (guitarra) e Túlio Albuquerque (guitarra). Nesses quase quatro anos de existência se apresentou em festivais como Play the Movie, Rock Cordel, Grito Rock e Festival Mundo (PB). Tocou também em mostras nas cidades de Natal e Maceió, além de diversos espaços no Recife, como Teatro da UFPE, Vapor 48 e UK Pub.

O trabalho de estreia, Sky Swimmer, teve boa recepção na crítica especializada nacional, aparecendo em algumas listas dos melhores álbuns de 2011 e com resenhas positivas em sites brasileiros. O disco também repercutiu fora do país, sendo reconhecido como Record of the Week na rádio americana Fade to Yellow e resenhado pela revista inglesa Rock-a-Rolla. Além disso, algumas faixas da Kalouv entraram nas mixtapes Start Naming Names (Grécia) e 6forty Project (EUA).

Formação

– Basílio Queiroz – Baixo
– Bruno Saraiva – Teclado
– Rennar Pires – Bateria
– Saulo Mesquita – Guitarra e Violão
– Túlio Albuquerque – Guitarra e Violão

Contato

contato.kalouv@gmail.com
+55 (81) 8823-4525 (Túlio)
+55 (81) 9649-3424 (Bruno)

– Página Oficial: kalouv.com
– Facebook: facebook.com/kalouv
– Twitter: twitter.com/kalouv
– YouTube: youtube.com/kalouv
– Soundcloud: soundcloud.com/kalouv
– Instagram: instagram.com/kalouv
– Bandcamp: kalouv.bandcamp.com/