quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Plebe Rude - Plebe Rude III [1988]

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Por Bianca Salgado
publicado em 21 de novembro de 1988 na Revista Amiga

Ná oito anos, em Brasília, havia uma turma jovem, cujo principal elo era o punk rock. Os rapazes se reuniam para ouvir novos ritmos estrangeiros e depois saíam tocando pelas esquinas da capital. Daí, surgiram bandas como Capital Inicial, Legião Urbana e Plebe Rude. Agora mais maduro e articulado, chega o terceiro disco da Plebe. Jander Bilaphra, André X, Philippe Seabra e Gutje, integrantes do grupo, garantem grandes mudanças nesse novo trabalho. "Estamos menos contestadores. Atualmente, fazemos músicas que a gente gosta. Esse disco é um trabalho muito heterogêneo, com várias propostas. Não é 100% rock, como os dois primeiros. Neste, estamos usando vários sotaques", explica Jander.

Sem perder o senso crítico, que tanto agrada ao seu fiel público, além de ter se tornado a marca registrada da banda, eles pretendem quebrar o mito de que não são músicos de mercado. "A gente quer ser comercial, sem ter que mudar para isso. Nós não vamos fazer músicas para tocar em rádio, porque isso não faz nossas cabeças e decepcionaria as pessoas que acreditam na gente, mas não significa que não queremos ouvir nossas músicas tocando em todos os lugares", acrescenta Jander. A proposta desse novo LP é basicamente "levar música consciente para os jovens que serão o futuro do país. É tarde para mudar a cabeça dos políticos, temos que tentar mudar essa geração que ouve Plebe Rude", concordam todos.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Azimüth [1975]



Por zarcecosta no Woodstock Sound

História
O grupo nasceu junto com a cervejaria Canecão em três palcos diferentes Zé, Alex e Mamão atuavam com seus grupos,revezando as apresentações Mamão com os “Youngsters”, Alex com um trio de bossa-nova e Zé Roberto resolveu se juntar com os caras que ele admirava outros pinguins. Maestro arranjador Zé Roberto Bertrami não parava nunca,hora escrevendo, hora gravando,hora tocando.

Contratado pela Philips (posteriormente Phonogram) os três gravavam e arranjavam as bases dos sucessos da época, entre eles estavam Raul Seixas, Tim Maia , Erasmo Carlos, MPB-4, Marcos Valle, Erlon Chaves, Sérgio Sampaio , Gonzaguinha e muitos outros o que totalizava 4 entre seis músicas que tocavam na Rádio Mundial e Tamoio em 1974.

Em 1970 faziam apresentações ao vivo com o grupo “Seleção” onde pretendiam fazer bailes que acabavam com o público sentado, ouvindo e aplaudindo como se fosse um show. Anos depois resolveram gravar um disco independente influenciados por seu amigo Tim Maia que já estava em estúdio fazendo, porém quando o LP ficou pronto a produção foi vendida a gravadora novata Som Livre que tratou de colocar a faixa “Linha do horizonte” na novela “Cuca Legal” o único sucesso cantado pelo grupo. O grupo passou a se chamar Azymuth por sugestão de Paulo Sergio Valle durante as gravações da trilha sonora do filme “O Fabuloso Fittipaldi”.

Em 1975 gravam “Melô da Cuíca”, música integrante da trilha sonora da novela “Pecado Capital“, o fusion samba funk trouxe o convite para o grupo participar do Festival de jazz de Montreaux na Suíça (foram os primeiros brasileiros então convidados para o evento). Logo depois de ser chamado para arranjar uma faixa do disco da Ella Fitzgerald, a cantora brasileira Flora Purim que havia recebido o prêmio demelhor cantora de jazz (Estados Unidos) daquele ano contratou o grupo para uma tourné por todo o país.
Ivan Conti: Baterista

Carinhosamente apelidado de “Mamão”, nascido na Tijuca no Rio de Janeiro iniciou-se em música tocando guitarra. Mas foram os solos de Gene Kruppa que o levou a trocar de instrumento. Sua coordenação motora e seu completo domínio nos tambores é impressionante. Já se apresentou com Ray Brown, Dizzy Gillespie, Milt Jackson, Elis Regina, Gal Costa, Erasmo e Roberto Carlos, Eumir Deodato, Rita Lee. Participou da orquestra Internacional do maestro Paul Mauriat que o incluiu em duas temporadas em que fez shows no Japão.

O álbum
Sonzera de primeira grandeza, power trio com um groove unico e nada de excesso de virtuosismo, a banda começou acompanhando o gênio Marcos Valle (com quem gravou discos e trilhas sonoras de filmes e novelas) e depois tomou vida prórpia e ficando mais famosa nos EUA e Europa que aqui onde não valorizam muita a música instrumental.

A maior parte do disco é instrumental, mas temos vocais em algumas como Faça de conta e Linha do Horizonte que é o hit da banda no Brasil, esses caras já faziam em plena década de 70 o que hoje é chamado de Longe Music , ou seja uma música relaxante, com harmonias belas e um groove que não deixa ninguém parado.

José Roberto Bertrami (Teclados)
Alex Malheiros (Baixo)
Ivan Conti ”Mamão” (Bateria)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Metal nacional: público quer tudo de graça e músico não se valoriza

Por Marcelo Moreira
publicado em 19 de junho de 2013 no Combate Rock

“Cultura e arte não valem nada. Ninguém mais dá valor, ninguém tá nem aí com quem toca ou com quem produz. É uma geração que se acostumou mal no século XXI, achando que tudo é de graça e que é um absurdo pagar por cultura. É gente que quer tudo de graça, e que se dane os custos de quem produz arte e cultura.” O desabafo é de um um produtor artístico em vias de abandonar a atividade, durante o minifestival de heavy metal ocorrido no domingo à noite em São Bernardo.

Não foram muitos os abnegados que saíram de casa à noite, no frio intenso, para ver Ratos de Porão, Nervosa, Forka e Bioface no Princípios Bar, no centro de São Bernardo, no ABC. Com ingressos na porta a R$ 50, o evento atraiu menos gente do que o esperado, mesmo em dia de jogo da Espanha contra o Uruguai pela Copa das Confederações.

O quase ex-produtor cultural pediu para não ter seu nome divulgado porque ainda tem alguns contratos a cumprir e teme represálias por suas posições, já que ainda não recebeu pela realização dos próximos eventos. “Hoje só é viável produzir cultura com razoável qualidade e alguma condição quando o poder público está envolvido, patrocinando ou organizando eventos. E estes geralmente são gratuitos. A galera acha que esse é o padrão. Não se incomoda em gastar R$ 300 para ver o Black Sabbath ou o Iron Maiden, mas se recusam a pagar R$ 50 para ver quatro bandas boas, uma delas o Ratos de Porão.”

A queixa tem a sua razão de ser. O Princípios Bar, na principal rua comercial de São Bernardo, teve público abaixo do esperado, e alguns incautos circulavam na rua, nas imediações, na tentativa de ouvir alguma coisa do som e tomar bebida alcoólica barata. “Jamais pagaria R$ 50 para ver banda nacional, seja quem for. É um roubo”, diz Renato Campos, office-boy de 20 anos que afirma gostar de rock pesado.

Já o auxiliar de escritório Carlos Henrique Medeiros, de 22 anos, teve disposição para sair da vizinha Santo André e ir ao Princípios, mas não entrou. “Vim encontrar os amigos e tomar uma pinga, mas não vou entrar. É ridículo pagar R$ 50 para ver uma banda velha e outras que nunca ouvi falar. Só vejo banda de graça, e ainda tem de ser muito boa”, fala com orgulho, provavelmente se referindo ao projeto Rock na Rua, da prefeitura de Santo André, que voltou com força em 2013, onde patrocina shows de rock ao vivo e gratuitos em alguns pontos da cidade, uma vez por mês.

“Todos nós nos desacostumamos a gostar de música”, sentencia Alexandre Barros Júnior, empresário de 30 anos e ex-guitarrista da banda Karpatos, de São Bernardo. Ele estava indeciso se entrava ou não para ver o minifestival. “Só me interessa o Ratos de Porão, mas teria interesse de ver as outras bandas se o evento não fosse terminar tão tarde.”

Barros afirmou que os músicos também têm culpa pela falta de interesse em artistas novos. “Nós nunca nos valorizamos como deveríamos, principalmente no rock e principalmente no heavy nacional. Nos anos 90 tinha gente que não tinha pudor em pagar para tocar em festivais grandes ou pequenos, ou mesmo para abrir shows de bandas internacionais de terceira categoria. Com o tempo teve gente que pagava até mesmo para abrir para bandas nacionais com algum nome. Essa concorrência predatória chegou aos barzinhos: bandas tocavam de graça em troca de espaço e, cúmulo do cúmulo, tinha banda pagando para tocar nos bares mais legais e mais concorridos. Ninguém pode reclamar hoje.”

O empresário diz que abandonou logo o sonho de tocar rock com sua banda de heavy/classic rock ao perceber que o público não tenha interesse em sua música e na dos colegas na mesma situação. “Minha banda durou pouco e fez poucos shows realmente dignos de nota. As apresentações eram caóticas, em locais cada vez mais fuleiros, sem apoio de ninguém, muito menos do público. As bandas, em vez de se ajudarem, brigavam por nacos e migalhas, para ver quem se sobressaía mais em um ambiente de caos e penúria. Desisti rápido disso, de tão enojado que fiquei. Vendi todo o equipamento e nem me lembro quando peguei em uma guitarra pela última vez. Não tenho saco nem mesmo para ensinar meu filho de 6 anos e meu sobrinho de 10 a tocar violão”.

Barros concorda com o produtor cultural desiludido sobre as “facilidades” imaginadas pelo público, mas enfatiza a culpa dos músicos pela situação ruim. “A era da internet trouxe mesmo uma cultura ruim de que tudo é fácil e de graça. Hoje só tem um pouco de atenção quem toca cover, e olhe lá. Por que os músicos deixaram que isso acontecesse? Porque não se valorizaram, queriam tocar de qualquer maneira, a qualquer custo e pisando em todos. Taí o resultado: o público ignora bandas novas e faz questão de ignorar, quer ouvir e ver de graça para ver se vale a pena, algum dia, voltar a ver essas bandas. Bato palmas para o Princípios Bar e para as bandas que estão tocando, mas o quadro é desolador, são idealistas que estão dando murro em ponta de faca.”

Prika Amaral, guitarrista do Nervosa, e João Gordo, vocalista do Ratos de Porão, nos bastidores do Princípios Bar, em São Bernardo


Beco estreito

Falta de originalidade, de qualidade, ingressos com preços altos, falta de estrutura e preferência por bandas internacionais estão entre os motivos apontados por espectadores e apreciadores de rock pesado para a fuga do público dos shows de grupos nacionais. As lamentações são muitas, mas infelizmente há poucas pessoas preocupadas em encontrar soluções ao menos amenizar os problemas.

Tem de ser respeitada a posição de alguns músicos que bradam “tocar de graça jamais”. É legítimo, afinal músico também é uma profissão e tocar custa, ou seja, quem toca e se apresenta ao vivo tem despesas para viabilizar o seu trabalho. É legítimo um instrumentista ser remunerado por sua arte.

O problema é a realidade está demolindo conceitos e princípios. Não é de hoje que o público se recusa a pagar R$ 50 para ver um minifestival com quatro boas bandas, como o que ocorreu no último domingo em São Bernardo. Não se trata de discutir ser o valor é alto ou baixo. Trata-se de constatar a realidade: o fã de rock brasileiro, em especial o de rock pesado, só sai de casa para ver “jogo com resultado garantido”. Isso quando sai de casa.

Muita gente adora criticar as bandas e o público em si e não hesita em cravar: o brasileiro não tem maturidade para gostar de música e apreciar arte.

Claro que há um evidente exagero, mas quem diz isso não está totalmente errado. O fá brasileiro de rock guarda semelhança com a maioria dos brasileiros que vão hoje a um estádio de futebol ver o seu time jogar: as pessoas não gostam realmente de futebol, gostam apenas de ver o seu time ganhar. Se isso não acontece, abandonam sem pestanejar os estádios, algo muito diferente do que ocorre na Argentina.

Tem gente que sugere algo parecido com o que ocorre na Suécia e na Finlândia, onde o governo banca a cena musical do país, em qualquer estilo. Uma grande insanidade defender esse tipo de coisa em um país que ainda precisa utilizar programas assistenciais (e assistencialistas) como o Bolsa Família para tirar parte da população da miséria absoluta – e que não consegue pagar aposentadorias dignas aos trabalhadores idosos.

Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia são países desenvolvidos, bem administrados e com relativa folga de caixa para investir na educação musical de seu povo. Segundo Andre Matos, ex-vocalista do Angra e do Shaman e que hoje mora na Suécia, os países escandinavos têm projetos educacionais que estimulam o ensino de música nas escolas.

A Finlândia, além disso, investe dinheiro do Estado no financiamento de festivais de rock, de equipamentos para as bandas e até mesmo, dependendo do caso, no aluguel de estúdios e na gravação de CDs. Há dinheiro público também para estimular a produção literária e de artes plásticas. E o que é melhor, tudo isso aprovado pelo Parlamento, sem intenções eleitoreiras ou demagógicas. Tudo está inserido dentro de um projeto educacional bem elaborado e aprovado pela sociedade. Uma realidade de outro planeta, na comparação com o Brasil.

Alemanha, Holanda e Inglaterra não têm nada parecido com o que existe na Escandinávia, mas existem programas específicos e projetos artísticos e educacionais específicos para o estímulo da arte, seja diretamente com dinheiro público ou por meio de incentivos fiscais a quem apoia. É por isso, entre outras coisas, que ainda existem cenas roqueiras bem interessantes naqueles países.

Não posso deixar de dar razão a quem afirma sem medo que as nossas deficiências educacionais nos impedem de formar grupos organizados e politizados, que ao menos consigam produzir conteúdo decente e criar uma cena – os recentes protestos contra o aumento de tarifas de transporte público e contra os gastos da Copa do Mundo são exemplos da bagunça e da falta de foco que reinam quando se organiza qualquer manifestação por aqui.

Tirando um breve período envolvendo os punks de São Paulo, nos anos 80, nunca houve de verdade qualquer cena musical neste país, muito menos entre os roqueiros. O metal nacional dos 80 em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte foi esporádicos e não sobreviveu como um todo à chegada dos anos 90.

Os medalhões logo seguiram seu caminho e nunca fizeram questão de apoiar e fomentar uma cena – é clássica a passagem do documentário “Ruído das Minas”, sobre o rock pesado mineiro, onde Max Cavalera comenta, lá nos anos 90, que existia somente o Sepultura no heavy metal nacional, e nada mais, quando perguntado por um repórter estrangeiro se havia uma cena importante do metal brasileiro.

Está claro que quem gosta de rock no Brasil hoje e que tem algum interesse em bandas nacionais de metal não está disposto a pagar por CDs e por shows. Portanto, é necessário rever os custos e os preços cobrados para começar a atrair novamente o público.

R$ 50 para ver quatro bandas, entre elas a excelente Ratos de Porão e a emergente Nervosa, não é caro, pelo contrário. Mas parte expressiva do público acha que é. Será que é viável fazer rock no Brasil com custos mais baixos do que estes? Será que as bandas terão de voltar a se apresentar de graça, sem ganhar nada, para ter alguns minutos de atenção?

Os Baobás - Bye Bye My Darling/Pintada de Preto [1966]



Por Roberto Iwai em The Freakium

O primeiro compacto d'Os Baobás é constantemente lembrado pela antológica versão de "Paint It, Black" dos Rolling Stones, vertida aqui por Ricardo Contins (guitarra e principal compositor da banda) e Arquimedes (percussão) para "Pintada de Preto" ("A minha vida é toda cheia de defeito/Ela para mim é toda pintada de preto"), mas o disco é composto também pela ótima "Bye Bye My Darling", de autoria original da banda, via Contins. 

Versando sobre uma relação à distância, originado por uma viagem de um dos interlocutores ("Bye bye my darling, goodbye/I'm going away just for a ride/And before this ride I'll be back again", canta o refrão) sobre uma base instrumental que já difere sutilmente de algumas ingenuidades da Jovem Guarda, tal música forma sua existência já na inusitada natureza de composição d'Os Baobás: o de lançar as suas próprias composições em idioma inglês.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Leo Gandelman - Pérolas Negras [1995]

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Por Moziel T.Monk
publicado em 10 de novembro de 2012 no Papo de Blodega

Demorou, mas finalmente ele deu as caras aqui no balcão. Leo Gandelman, que sem sombra de dúvida é o saxofonista mais famoso do Brasil (Ivanildo, fica tranquilo que tua pauta tá na vez). E transita tranquilamente entre a música popular brasileira, o Jazz e a música erudita, sendo compondo, gravando, produzindo, arranjando ou simplesmente tocando como solista em orquestras. Com carreira nacional e internacional bem consolidada, o veterano saxofonista tem décadas de estrada e fôlego para muitos solos, pelo visto.

Justamente por sua popularidade e sucesso alguns já o chamaram de “Kenny G brasileiro”. Eu particularmente me sentiria ofendido com a analogia. Até porque é difícil acusar o músico de meramente comercial, a não ser que se use o critério de se vender mais de dez cópias para se rotular algum músico assim, já que ao se observar sua discografia (dez álbuns, além de coletâneas e participação em projetos especiais) percebe-se uma diversidade de propostas, muitas vezes fugindo do óbvio ou do mero caça-níquel. Se nos primeiros anos algumas de suas músicas entraram para a trilha sonora de novelas globais, ao longo de sua carreira ele fugiu ao sucesso fácil. Mesmo revisitando algumas músicas conhecidas do cancioneiro brazuca, a maioria de seus álbuns tem composições próprias, que mistura sua educação formal em música (estudou nos anos 70 no Berklee College of Music), a influência do Jazz e as raízes de nosso cancioneiro.

Gravando desde a segunda metade dos anos 80, naqueles tempos sua música mais conhecida foi “Solar”, que praticamente o projetou. Desde então tanto flertou com o eletrônico em “Brazilian Soul” como também resgatou a obra de mestres como Radamés Gnatali em “Radamés e o Sax” e homenageou as baladas brasileiras em “Sabe Você”. Da sua discografia, o meu álbum preferido ainda é o excelente “Pérolas Negras”, nas quais reinterpreta em seu sax diversas canções cujo ponto comum é terem sido criadas por afrodescendentes, pra usar um termo politicamente correto. Resultou em revisitas instrumentais a pérolas de Milton Nascimento (Me Deixa em Paz), Paulinho da Viola (Choro Negro), Milton Santos (Naná), Stevie Wonder (Overjoyed), Jorge Benjor (Mas que Nada), Pixinguinha (Lamentos) e Luiz Melodia (Pérola Negra), só para citar alguns exemplos. Esse é daqueles que nunca me canso de ouvir.

Em DVD há três registros, todos imperdíveis. O “Ao Vivo”, de 2003, é uma boa introdução ao artista, já que ele apresenta alguns de seus sucessos até então. O álbum “Sabe Você” também rendeu um DVD que conta com as vozes de Milton Nascimento, Chico Buarque, Caetano Veloso, Leny Andrade, Ney Matogrosso, Leila Pinheiro e Luiz Melodia. E o projeto mais recente, “Vip Vop”, também foi lançado em DVD.

No momento o instrumentista está promovendo seu novo projeto “Vip Vop”, com composições na qual resgata o esquecido Samba Jazz, estilo que surgiu praticamente com a Bossa Nova e foi bastante popular no início dos anos 60 no Rio de Janeiro, e que serviu de plataforma para que talentosos músicos se projetassem no mercado internacional.

sábado, 10 de agosto de 2013

Cólera - Verde, Não Devaste! [1989]



Em seu quarto álbum lançado, o Cólera traz a tradicional pegada do grupo, muito punk rock, hardcore e letras de protesto. Destacam-se ainda trechos e canções mais elaboradas que intermediam as sonoridades punk. Lançado pela Devil Discos, ao ganhar o relançamento em CD o disco trouxe quatro faixas bônus, gravações avulsas e raras do grupo disponibilizadas como bônus. Disco incrível!

1. Introdução/Bombeiros
2. Minha Nação
3. Meia-Noite
4. Parasita
5. Presídio Zoo
6. Don't Waste It
7. Viva a N.G.
8. Verde
9. Ea Eo
10. Em Setembro
11. Cólera
12. R.P.
13. Teatrinho
14. Solidariedai-nos

Bonus Tracks:
15. Palpebrite
16. Porque
17. Pela Paz
18. Não Existe Mais

Formação para esse álbum:
Redson - Guitarra, voz
Pierre - Bateria, voz
Josué Correia - Baixo, voz

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

O Terço - Ao Vivo [2007]

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Por Rodrigo Werneck
publicado em 6 de junho de 2008 no Whiplash

O Terço é certamente uma das principais bandas brasileiras de rock progressivo de todos os tempos, juntamente aos Mutantes, Som Nosso de Cada Dia e poucos outros. Sempre liderados (desde a criação, em 1968) pelo guitarrista e vocalista Sérgio Hinds, o único integrante presente em todas as formações, reuniram em 2005 a lineup mais clássica, para uma série de shows que resultaram neste lançamento

Muitos músicos marcaram as diferentes fases do grupo, desde o início com o trio (daí o nome “Terço”) formado por Vinicius Cantuária (bateria), Jorge Amidem (guitarra) e Sérgio Hinds (baixo). Tais formações foram se sucedendo até culminar na mais cultuada, que incluiu Hinds (já na guitarra, e vocais), Flávio Venturini (teclados, vocais), Sergio Magrão (baixo, vocais) e Luiz Moreno (bateria), e que gravou os clássicos discos “Criaturas da Noite” (1975) e “Casa Encantada” (1976).

A formação foi variando, e em 1979 o grupo entrou em recesso por um tempo. Nos anos 80 e 90, Hinds reuniu ao seu redor uma série de músicos talentosos, gerando discos de qualidade variável. Até que, no show de comemoração dos 50 anos de Flávio Venturini no Directv Hall de São Paulo, foram reunidos no palco o próprio Venturini, mais Hinds, Magrão, Moreno, e o baixista César de Mercês, que já havia participado de várias fases do Terço (como músico e/ou compositor). O clima de congraçamento foi tão grande, que acabou gerando uma vontade de todos em reunir mais uma vez O Terço, neste caso com sua formação mais conhecida e festejada.

Um acontecimento, entretanto, acabou temporariamente com tais planos: o baterista Luiz Moreno veio a falecer (em 2002) após sofrer parada cardíaca. O choque adiou, mas não encerrou a questão. Apoiados pela viúva de Moreno (Irinéia Ribeiro), continuaram e convocaram o baterista Sérgio Mello, que já havia tocado com Venturini em sua carreira solo. Um ex-integrante, porém, que ficou de fora do retorno resolveu complicar as coisas: César de Mercês chegou a ser convidado para participar de uma música nos shows da volta (seria “Luz Na Escuridão”, dele próprio), mas não concordou com o formato planejado e, após idas e voltas, acabou por não ceder os direitos de suas composições para as gravações que seriam feitas. Cada lado tem os seus argumentos e é difícil afirmar quem tem razão, mas o fato é que o público saiu perdendo. Resultado: após mais de 2 anos de extensas negociações, não houve jeito. Ficaram de fora do CD e do DVD as seguintes composições: “Queimada”, “Jogo das Pedras”, “Foi Quando Eu Vi Aquela Lua Passar” (as 3 da dupla Venturini/Mercês), “Flor de la Noche II” e “Hey Amigo” (ambas de Mercês). Quem esteve presente nos shows de 2005, no Rio de Janeiro (onde foram feitas as gravações, no dia 4 de maio de 2005), em São Paulo e em Belo Horizonte, pôde conferir todas essas músicas, mas elas acabaram fora do CD e do DVD, finalmente lançados. Uma pena...

De qualquer forma, o registro acabou sendo finalmente lançado, e traz vários momentos antológicos. No palco de um Canecão (RJ) lotado foi montada uma estrutura de Primeiro Mundo, com várias estruturas armadas que suportavam uma iluminação de tirar o fôlego, com o uso de várias “vari-lites” (“spots” de luz rotatórios). Atrás dos músicos, um telão circular no melhor estilo Pink Floyd, onde eram projetadas imagens do passado e efeitos especiais feitos em computação gráfica.

Falando em computação gráfica, o seu uso teve algumas conseqüências negativas para o DVD. Entre todas as faixas, pequenos “filmetes” foram inseridos, incluindo o título da música a ser apresentada a seguir. Isso contribuiu para se tirar um bocado do “espírito de ao vivo”, pois inclusive todo o falatório dos integrantes no show foi praticamente limado. A introdução do DVD traz também um efeito em computação gráfica, com narração pomposa e auto-indulgente, na qual o locutor avisa que “a maior banda de rock progressivo do Brasil” iria subir ao palco. De efeito ao vivo, mas certamente dispensável no DVD...

Mas vamos aos pontos positivos, que são muitos. A qualidade de som e imagem é excelente, com ótimos takes de Sérgio Hinds e sua guitarra, e da bateria de Sérgio Mello. Sergio Magrão foi filmado somente através das câmeras frontais, mas ficou suficientemente bom. O mesmo não se pode dizer sobre as tomadas feitas de Flávio Venturini, em especial ao início da gravação. Os takes frontais foram bons, mas na maior parte do tempo faltaram alguns que mostrassem melhor seus teclados sendo tocados. Em algumas músicas, o cameraman chega visivelmente atrasado (como em “1974” e “Guitarras”, por exemplo). Isso foi felizmente aprimorado no decorrer do espetáculo. A edição de imagem, no entanto, está impecável, na cadência perfeita que cada música exige, e aproveitando muito bem a iluminação belíssima.

A banda se apresenta altamente ensaiada. A performance de todos é ótima. Hinds, um guitarrista que sempre se baseou mais no feeling do que na técnica, tira seus timbres característicos em solos e bases impecáveis, usando para tal uma bela guitarra Tagima, réplica de PRS. Magrão é um baixista sólido e vibrante, com um estilo pulsante que dá o ritmo das músicas. Não à toa, um dos mais aclamados do progressivo brasileiro. Venturini tira ótimos timbres de seus teclados digitais, emulando quase à perfeição os antigos analógicos, e toca visivelmente feliz seus antigos solos. Tira som de Hammond de um Kurzweil K2600 (provavelmente controlando um Roland VK7 ou algo similar), e som de Minimoog bem convincente, tirado de um Korg Prophecy. O novato do grupo, Sérgio Mello, mostra que é altamente técnico, mas que também consegue preencher com muita sutileza todos os espaços que lhe são conferidos, sem excessos. Mesmo em baladas, evita ficar meramente na marcação, lembrando um mix dos estilos de Carl Palmer e Neil Peart. Trata-se de um baterista muito “orgânico” e de muito bom gosto, e que conquistou o seu espaço no grupo.

Logo de cara, eles levam a suíte instrumental “1974”, tema consagrado que conquista a platéia de primeira com seus 15 minutos de duração, e vários climas e solos. Quer dizer, há varias vocalizações harmônicas (um dos pontos fortes do grupo), só que elas funcionam como um instrumento a mais, até porque não há letra. Prosseguem com uma bem antiga, “Tributo Ao Sorriso”, de um single de 1970. Nota-se que os vocais estão perfeitos, tanto nos momentos em que Hinds, Venturini e Magrão cantam juntos, quanto nos momentos solo. Talvez perfeitos até demais, sem qualquer falha em todo o decorrer da gravação, o que nos leva a crer que houve vários retoques, overdubs, etc. a posteriori.

“Guitarras”, um belo e vibrante tema instrumental de Hinds se segue, e logo após a (até então) inédita “P.S. Apareça”. Um set acústico vem logo depois (com Hinds assumindo a viola de 12 cordas e Venturini passando para o violão), algo bem característico em se tratando do Terço, que possui várias composições nessa linha mais “rural”. A primeira é “Pássaro”, para a qual Venturini convoca Ruriá Duprat (sobrinho do falecido maestro Rogério Duprat, que muito colaborou com O Terço no passado) para assumir os teclados, e Irinéia Ribeiro, viúva de Luiz Moreno, para ajudar nos vocais. Uma merecida homenagem aos dois nomes, tão importantes na história do grupo. Levam ainda “Casa Encantada”, embora ao vivo esse segmento “unplugged” tenha sido maior (pois as composições de César de Mercês foram limadas da edição final do DVD, conforme mencionado acima).

De volta à formação de quarteto, levam “O Vôo da Fênix”, com Venturini no vocal solo, e a viajante “Ponto Final” (de Luiz Moreno), com destaque para o sintetizador de Venturini e o baixo de Magrão. Neste momento, Sérgio Mello assume as rédeas com um inspirado solo de bateria, onde esbanja precisão, técnica, força e criatividade, seguido por um de piano (na verdade, um teclado Roland RS-50 posicionado ao lado da bateria), no melhor estilo progressivo. A composição de sua autoria, denominada “K”, é uma homenagem à sua esposa Kelly, mas também uma referência ao tecladista Keith Emerson (do ELP), um dos ícones do instrumento no estilo (junto a Rick Wakeman, do Yes).

O segmento final do DVD é totalmente preenchido por clássicos do grupo, e grandes momentos. “Sentinela do Abismo”, do disco “Casa Encantada”, é a próxima, trazendo somente Flávio Venturini no piano e vocal, e o Quarteto Uirapuru (um quarteto de cordas tradicional, com violoncelo, viola e dois violinos) contribuindo para o arranjo belíssimo (feito por Ruriá Duprat). A edição do DVD, entretanto, deixou de fora o anúncio da entrada do quarteto, que simplesmente aparece já no palco. Duprat retorna para a próxima, para reforçar o time dos teclados, ao mesmo tempo em que mais um convidado especial é convocado: Marcus Viana, líder do grupo progressivo mineiro Sagrado Coração da Terra. Com ele no violino, levam “Criaturas da Noite”, em mais um arranjo impecável, incluindo as indefectíveis e ricas harmonias vocais.

O Quarteto Uirapuru deixa o palco, e “Suíte” vem a seguir, uma ótima composição instrumental de Venturini que foi curiosamente gravada pela banda apenas após a sua saída do grupo (especificamente no disco “Som Mais Puro”, de 1982). Bons solos de guitarra de Hinds, e de teclados tanto de Venturini quanto de Duprat, numa faixa que alterna vários climas, fazendo jus a seu título. Agora é a vez de Viana deixar o palco, e para fechar o show (no DVD), tocam a excelente “Cabala”, onde mais uma vez todos se destacam, mostrando grande entrosamento.

Apesar das 5 músicas sacadas da edição final, mesmo assim sobraram 80 minutos da apresentação ao vivo, num registro digno da história do Terço. Entre o material extra incluído, há quase 30 minutos de entrevistas com os 4 integrantes, falando do passado, dos detalhes sobre a reunião, e sobre algumas idéias acerca do futuro da banda, que pelo jeito irá existir. A balada (também até então inédita) “Antes Do Sol Chegar” foi incluída como bônus, num videoclipe com cenas gravadas no próprio estúdio.

Tracklist:

1. 1974
2. Tributo Ao Sorriso
3. Guitarras
4. P.S. Apareça
5. Pássaro
6. Casa Encantada
7. O Vôo da Fênix
8. Ponto Final
9. “K”
10. Sentinela do Abismo
11. Criaturas da Noite
12. Suíte
13. Cabala

Material bônus:
- Clipe de “Antes Do Sol Chegar” (em estúdio)
- Entrevistas