sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Peso - Em Busca do Tempo Perdido [1975]



Por Nathan Petrin

Banda carioca, liderada pelo vocalista cearense Luís Carlos Porto. Em Busca do Tempo Perdido é o único disco da banda Peso, que infelizmente teve vida curta.

Tudo começou em 1972, em um festival de música no qual Luís Carlos apresentou ao público o hit Pente (que não entrou no álbum, e apenas alguns anos depois foi lançado na forma de um compacto, junto com a fraca música Suzi).

Depois desse festival, Carlos conseguiu juntar um pessoal para a formação do Peso. Fazendo um som bastante pesado (o nome não é em vão) e bastante técnico, o conjunto manda um Hard Rock de primeira, com alguns traços de Blues e as tradicionais baladas.

O interessante de ouvir uma banda carioca setentista (para quem está acostumado a ouvir tantas bandas paulistas) é a diferença na pegada. O som corre muito mais solto e despojado... Não que isso seja bom ou ruim. É apenas diferente.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Moptop [2006]

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Por Cleber Facchi
Publicado originalmente em 31 de março de 2011 no Miojo Indie

Muito além de ser uma mera versão, um “Strokes brasileiro”, os cariocas do Moptop tiveram um papel essencial para apresentar ao grande público a forma com que o rock, as guitarras e a poesia juvenil se movimentavam dentro do novo século. Lançado em 2006, a autointitulada estreia do quarteto do Rio de Janeiro mostrou todo o frescos, sons polidos e uma forma até então diferente de fazer música. Em meio a canções de amor e questionamentos sobre amadurecer, o grupo brinca, despeja suas doses de energia e nos convida pra dançar.

Seria claramente um erro caracterizar a banda como “inovadora”, afinal, boa parte do que figura dentro desse debut do Moptop provém em grande quantidade de Is This It (2001), disco de estreia dos norte-americanos do The Strokes. Entretanto, o simples fato de Gabriel Marques, Rodrigo Curi, Daniel Campos Mário Mamede exporem seus versos em português prova que há aí uma sincera adaptação, uma forma de enxergar o som dos anos 2000 com outros olhos.

Fundada em 2003, a banda tinha em seu embrião músicas cantadas em inglês e que bebiam perceptivelmente do rock britânico dos anos 90 (quando ainda se chamavam DeLux). Após o CD demo Moonrock lançado em 2005 e rápida aceitação do público pelas canções em língua pátria, o grupo mudou de nome (inspirado nos cortes de cabelo dos Beatles) e se assumiu de vez como uma genuína banda brasileira. Dali para a boa repercussão, em boa parte gerada pela internet seria um pulo, ou mais especificamente, uma música.
Três minutos e dezessete segundos, esse é o tempo necessário para os cariocas virarem sua cabeça com O Rock Acabou, faixa que concentra todas as referências que convergem para dar origem ao som do grupo. Guitarras aceleradas, uma letra muito bem construída e os vocais de Marques explodindo de forma emocionada e sincera. Você pode simplesmente se esquivar de todas as outras faixas do disco, mas escapar de ser atingido por esse brilhante registro é simplesmente impossível.

Seguindo uma linha bem similar, o grupo ainda nos presenteia com ótimas canções, como Bem Melhor, com sua poesia melancólica e ainda assim esperançosa, ou ainda a dicotômica Paris, um ótimo tratado sobre términos de relacionamentos e um dos melhores feito nos últimos tempos. Acima de tudo, o quarteto consegue soar pop, grudento e não descartável como boa parte dos artistas “emo” que passavam a se evidenciar durante o período, provando que o grupo ia muito além de uma cópia.

Colhendo os frutos do álbum e tocando de leve no Mainstream, os cariocas fariam parte do especial DVD MTV Ao Vivo: 5 bandas de rock (2007), além de figurarem na novelinha global Malhação. A boa repercussão da banda dentro da mídia convencional, além de uma série de shows garantiria ainda um segundo disco – Como se Comportar (2008) – com o grupo dando sequência ao mesmo tipo de som enérgico e dinâmico do álbum de estreia.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sagrado Coração da Terra - Grande Espírito [1994]

Yandex320kbps


Por Gwydion

Sagrado Coração da Terra é considerada por muitos críticos como a maior banda de rock progressivo da América latina.

Este seu Grande Espírito é o seu 4º trabalho, de 1993, marca uma evolução de nível técnico e musical da banda trazendo como convidados Milton Nascimento, músicos do Uakti e o excelente cantor Bauxita, que participa com um maravilhoso vocal primando por uma interpretação emocionada das músicas.

Neste trabalho, assim como nos anteriores, foi bastante abordada temática regional e indígena, alcançando uma sonoridade que se aproximaria de um rock progressivo étnico indígena.

Em um álbum que pode ser considerado um marco para o rock progressivo brasileiro por seu altíssimo nível de qualidade e técnica pode-se destacar a excelente “Kian”, uma música instrumental bastante viajante que já usando idiomas indígenas, começa a nos colocar no clima temático do disco. Depois chegamos a “Libertas”, uma música apaixonada, que nos remete à cultura mineira tendo inclusive citações do hino de Minas Gerais. A obra culmina com a perfeita “Grande Espírito”, música que demonstra com perfeição a proposta do grupo, sendo um misto entre o rock progressivo tradicional com sonoridades indígenas, embaladas por um vocal emocionado e interpretativo.

São apenas alguns destaques de uma obra perfeita que abriu muitas portas para a banda inclusive internacionalmente por causa de suas duas músicas em inglês. Nota 10.

Eloy Fritsch - Behind The Walls Of Imagination [1997]

Mega FLAC


Segundo álbum solo do tecladista da banda Apocalypse. Um trabalho explêndido que merece ser ouvido.

sábado, 17 de novembro de 2012

Adriano Campagnani - I [2005]


O primeiro CD solo do contrabaixista mineiro Adriano Campagnani, homônimo e autoral traz um repertório totalmente instrumental, que une diversas referências da música internacional e nacional. Da mais pura MPB ao rock, funk e ritmos latinos, e misturando um pouco de gêneros de diversas origens ele cria uma sonoridade muito particular e instigante – marca registrada do músico.


quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Banda sul-coreana faz versão de 'Asa Branca' de arrepiar

Coreyahband
Dica do amigo Itárcio José de Sousa Ferreira

Patrick Wichrowski - Eram os Deuses Astronautas [2004] demo




Por Amyr Cantusio Jr
publicado no Prog Brasil

Extremamente bom, um clássico ro rock progressivo

Não foi difícil resenhar este belíssimo trabalho que contém 4 CDS na sua apresentação reduzida de uma grande obra de 5 horas! 

E isto, fato inédito ao menos no Brasil, na área da música eletrônica vintage. E ainda mais, feita pelo jovem Patrick, com poucos instrumentos de grande porte, experimentando e compondo com material simples(teclados) se comparado à um Vangelis ou Klaus Schulze. 

O mais incrível é que a sonoridade deste trabalho em questão, em nada deve, insisto, em nada mesmo, aos citados, principalmente da linha setentista. 

Obra prima do eletrônico brasileiro,feita na raça, que remete os ouvintes à sonoridades do citado Schulze, além de Cluster & Eno, ao Harmonia ou ao Jean Michel Jarre na fase de ouro. 

Muito bem timbrado, extremamente atmosférico e ousado, Patrick não teme o uso do concretismo puro quando pega praticamente um som sintetizado de algo, e o utiliza como música. 

Aqui não importa mais o equipamento, a marca ou o rótulo.O mais importante é a obra, a musicalidade, o produto final, que tem nota 10 na sonoridade e qualidade de gravação. 

Eram os Deuses Astronautas será um clássico do eletrônico nacional,por causa do pioneirismo deste jovem do séc. XXI. 

Com certeza não há nada igual produzido atualmente, e os anteriores, incluindo meu próprio trabalho (Alpha III Project), Eloy Fritsch ou Anno Luz, são diferentes em vários tópicos sonoros. 

Patrick faz um som que tem como maior referencial o eletrônico puro europeu da era setentista, o "dreamscape" com faixas longas e hipnóticas,minimalistas seqüenciadas. 

O "metafísico"está presente nos temas como "A Invasão", "Revelação" , Aldebaran, Nebulosa, etc... 

Só não presenteio este álbum com a nota 10,porque ele ainda não se encontra no estágio final definitivo. 

A capa e a concepção de arte feita pelo próprio músico é belíssima, e dá o toque geral do que o ouvinte irá realmente ouvir. 

Notei coisas interessantes entre meu projeto e o de Patrick, salientando que o mesmo não conhecia meu som até recentemente e que nos temas, temos muita coisa em comum como : 

Alpha III( Filho dos Deuses) e Patrick(A Batalha dos Deuses). 

Alpha III (Orion) e Patrick (Rumo á Órion

Alpha III (Nébula) e Patrick (Nebulosa

No CD 1 de Patrick a faixa número 7 se chama "A Viagem". No meu Ruínas Circulares faixa número 1 de abertura se chama "A Viagem" !!! 

Muito interessante que se percebe nítidamente que bebemos na mesma mônada, numa região abissal atemporal, e isto acontece relativamente entre muitos compositores que estão sintonizados num mesmo canal emissor! 

Fiquei feliz em ver que mesmo na minoria, na quase extinta verdadeira música experimental, ainda existe sangue novo e criativo pulsando. E note-se que, nem precisa se citar que no mundo todo há uma carência de música elevada.No Brasil há grandes músicos,que estão criando uma nova concepção baseada na antiga tradição. Nada se perde, tudo se transforma, diria Lavoiser. 

Stockhausen acaba de falecer. A pesquisa e a vanguarda pertence ao futuro, às novas gerações. A música, a boa música que sobreviveu, ficará como um amor imortal do homem pelas estrelas, pela beleza do sentimento,pela beleza dos que conseguem extrair de dentro de si e da natureza, acordes etéricos como este. 

Dizem de mim as más línguas, que sou excêntrico, polêmico, radical, etc...e tal. Mas nunca dizem que sempre me importei mais em revelar e falar sobre obras dos outros que das minhas. 

Principalmente porque a música não tem proprietário. Ela é captada pela antena de um ser, num espaço tempo, e projetada pelo "arquiteto do som" que conseguir exprimi-la. 

Quando falo por mim, falo como músico, porque não sou jornalista. E como ouvinte e amante da bela arte, deixo aqui esta mensagem, para que as pessoas fiquem de ouvidos antenados. Esqueçam os preconceitos idiotas, que muitos ainda conservam,pois a música não tem pátrias ou idiomas. 

As vezes Beethoven mora ao lado de sua casa, e você quer ir à Alemanha para descobri-lo! 

Este é um trabalho que vale a pena ser produzido e ouvido, e desejo que se possa realiza-lo o mais breve possível, para a felicidade do ouvido de muitos! 

Para finalizar, deixo claro aqui, que pretendo, assim que dispor dos meios para tal, produzir este grande futuro da música eletrônica brasileira: Patrick Wichrowski !


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Raul Seixas - Há 10 Mil Anos Atrás [1976]



Por Jorge Almeida

Último disco que traz parceria com Paulo Coelho. Neste LP, contém excelentes canções como a faixa-título, Canto Para a Minha Morte, O Homem, Eu Também Vou Reclamar e uma regravação de As Minas do Rei Salomão, cuja versão original consta em Krig-ha Bandolo!

domingo, 11 de novembro de 2012

Zé Geraldo - Estradas [1980]

 Download


Segundo trabalho solo desse grande artista.



Como Diria Dylan
Hei você que tem de 8 a 80 anos
Não fique aí perdido como ave
sem destino
Pouco importa a ousadia dos seus planos
Eles podem vir da vivência de um ancião
ou da inocência de um menino
O importante é você crer
na juventude que existe dentro de você
Meu amigo meu compadre meu irmão
Escreva sua história pelas suas próprias mãos
Nunca deixe se levar por falsos líderes
Todos eles se intitulam porta vozes da razão
Pouco importa o seu tráfico de influências
Pois os compromissos assumidos quase sempre ganham
subdimensão
O importante é você ver o grande líder que existe dentro
de você
Meu amigo meu compadre meu irmão
Escreva sua história pelas suas próprias mãos

Não se deixe intimidar pela violência
O poder da sua mente é toda sua fortaleza
Pouco importa esse aparato bélico universal
Toda força bruta representa nada mais do que um sintoma
de fraqueza.
O importante é você crer nessa força incrível que existe
dentro de você
Meu amigo meu compadre meu irmão
Escreva sua história pelas suas próprias mãos.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Kiko Loureiro - Sounds of Innocence [2012]

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Por Junior Frascá
Publicado originalmente em 12 de julho de 2012 no Whiplash

O guitarrista brasileiro Kiko Loureiro, mais conhecido por seus trabalhos junto ao ANGRA, chegou em um estágio de sua carreira em que não precisa provar nada para ninguém, seja como instrumentista, seja como compositor. E desde que iniciou sua carreira solo, todos puderam perceber ainda mais toda a competência do músico, que também é um dos professores de guitarra mais conceituados do Brasil.

E em seu quarto disco solo, o guitarrista tem como convidados o baixista Felipe Andreoli (seu parceiro de longa data no ANGRA), e o baterista Virgil Donati (PLANET X, RING OF FIRE, e diversos outros), que abrilhantaram ainda mais o material.

Em comparação com os discos solos anteriores de Kiko, podemos perceber que “Sounds of Innocence” é bem mais progressivo e intrincado, com arranjos bem construídos, harmonias complexas e muito bom gosto ao longo de todo o material, demonstrando uma maturidade impressionante. Alias, Kiko esta em sua melhor forma, despejando riffs excelentes e solos cada vez mais técnicos e eletrizantes, variando entro momentos mais velozes e virtuosos, e outros mais emocionais, esbanjando feeling e precisão, e mesmo ainda trazendo diversas influências latentes, conseguiu criar um estilo próprio de compor e tocar guitarra com maestria.

Chama a atenção também o trabalho do monstro Virgil Donati, um dos melhore bateristas de todos os tempos, e que faz um trabalho impecável aqui, com técnica e pegada absurdas, e é um grande diferencial em relação aos trabalhos anteriores do guitarrista. Escute faixas como “Conflicted” e “Ray of Light” (repleta de influências de Joe Satriani) e comprove todo o talento de Virgil, seja nos momentos mais progressivos, seja nos mais simples.

Indo de faixas pesadas e cheias de quebradeira, como “Gray Sone Gateway” e Conflicted”, a outras mais ambientais e emocionais, como “Mae D’agua” e “A Perfect Rhyme”, passando por algo mais experimental, como em “Relective” e “Twisted Horizon”, o disco nos traz 10 faixas (além do playback de “Conflicted”) excelentes, e se mostra como o melhor trabalho solo de Kiko até o momento.

Sem dúvida um trabalho belíssimo e que deverá agradar em cheio aos fãs de música de qualidade, e até mesmo aqueles que não apreciam tanto trabalhos instrumentais (como este que vos escreve) irão apreciar o disco, que sem dúvida eleva ainda mais a carreira de Kiko.

Os Mutantes - O A e o Z [1973]

Download FLAC


Essa com certeza foi uma das maiores bandas de rock que já apareceu e esse disco não deixa dúvidas disso! Formada em 1966, são referência na música pela sua ousadia, qualidade musical e experimentalismo!

O A e o Z é um trabalho de uma fase mais radical onde a banda se concentra no rock progressivo. Infelizmente foi boicotado pela gravadora, que achava que não tinha o menor potencial comercial, só sendo lançado em 1992!

Sinceramente é um dos discos que eu mais ouço hoje em dia! Muito criativo, as melodias de voz e guitarra são coisa de outro mundo; Sérgio dias conseguiu a maestria da guitarra, porque o que ele faz com ela não é brincadeira! Texturas, grooves safados na guitarra e melodias arrazadoras! O teclado tem um timbre bem rock progressivo, parecendo um órgão elétrico; Harmonias bem feitas, improvisos emocionantes e dançantes; Baixo melodioso com peso e personalidade; A batera é muito bem tocada, não só pelas viradas mas pelo contexto musical que ela cria. Da pra perceber bastante a influência que o Yes teve nesse disco, tem momentos que as vozes me lembram muito o fragile!

Mas o que faz esse disco especial é a personalidade que eles imprimem nas musicas. As vozes são muito boas, cheias de coros, jograis, melodias e suíngue. As letras têm muita influência do movimento new age, falando sobre unidade, deus, metafísica e psicodelia; mas é claro que não deixam o deboche de lado como na sagaz ainda vou transar com voce

Vale o tempo gasto pra ouvir; mas para uma audição rapida recomendo "Ainda Vou Transar Com Você" e "Rolling Stones".

Formação:

Arnaldo Baptista: Mellotron, Hammond, Clavinet Hohner, Violoncelo e voz
Sério Dias: Guitarras Régulus, Fender Stratocaster, Violão 12 cordas, Cítara e voz
Liminha: Baixo, Violão e voz
Dinho Leme: Bateria, Tabla e voz

domingo, 4 de novembro de 2012

Camarones Orquestra Guitarrística - Especial de Natal [2011] EP



Por andersonfoca
Publicado em 20 de dezembro de 2011 no site da banda

O melhor jeito de agradecer o ano perfeito que o Camarones Orquestra Guitarrística teve em 2011 é com música e por isso a banda lança para download gratuito um EP especial de Natal com três faixas: duas versões e uma música inédita.

Abrimos o Ep com uma lenda do surf garagem do mundo, o seminal Link Wray gravando uma versão de El Toro que foi lançada numa coletânea sulamericana (infelizmente não está disponível no Brasil). Voltamos ao tempo em que a banda dava os primeiros passos ensaiando versões de filmes e desenhos animados e nas sobras de estúdio durante a gravação de “Espionagem Industrial” gravamosGhostbusters, tema do filme com o mesmo nome e que representa bem o clima animado e festivo que rolou em todo o processo de gravação. Para finalizar o EP gravamos a faixa inédita e autoral“Ladeira”, composição gravada em conjunto com os cuibanos do Macaco Bong em passagem recente deles pelo RN.

O C.O.G fez 110 pautas no ano de 2011, passando por 35 cidades diferentes em todas as regiões do país (e também na Argentina). Somando toda as datas o grupo se aproximou da marca de 50.000 expectadores no ano. A tour de 2011 encerrou um ciclo de quase dois anos de dedicação a banda que geraram dois discos, quatro clips e quase uma centena de vídeos oficiais. Nosso muito obrigado a todos os produtores, festivais, coletivos e público que nos receberam nessa enorme empreitada. Em 2012 tem muito mais, fique com nossa música como agradecimento e que vocês tenham um ano de 2012 feliz e com saúde para realizar muito mais! Ouçam Alto!

sábado, 3 de novembro de 2012

Gerson Werlang - Memórias do Tempo [2008]



Por Diego Camargo

Gérson Werlang
Memórias Do Tempo
2008
Rock Symphony/Musea

Faixas:
1. Invocação – 3’44
2. Memórias Do Tempo – 10’53
3. Colheita De Inverno – 2’46
4. Vozes Outonais – 3’05
5. Rosa Mística – 12’30
6. Março – 1’28
7. Ao Pouco Que Resta – 4’03
8. Saudades Da Serra – 6’00
9. Do Exílio Voluntário – 1’57
10. Epitáfio – 1’43

Integrantes:
Gérson Werlang – voz/guitarras/violão/teclados na faixa 10 e programações
Rodrigo Bernardon – bateria nas faixas 1,2,5 e 8/percussão e glockenspiel
Thiago ‘Billy’ Rezende – baixo nas faixas 1,2,5 e 8
Samuca Quadros – teclados nas faixas 1,2,5 e 8
Eliane Sommer – voz nas faixas 2,5 e 8
Iva Giracca – violino nas faixas 2 e 5
Sávio Werlang – gaita na faixa 2 e teclados na faixa 5
Déborah Rosa – voz nas faixas 3,4 e 7
Gérson Rios Leme – programações nas faixas 3,4,6,7 e 9

Resenha:

01. Invocação
Aqui vamos nós à viagem sonora de Gérson Werlang, o músico gaúcho é bem conhecido daqueles ligados nos bons sons brasileiros, o músico integra a banda Poços & Nuvens com dois álbuns lançados.
Antes de falar sobre a música de Gérson preciso falar sobre o trabalho de Gustavo Sazes, responsável pela arte gráfica do CD e também do site. Está impecável! Aqueles mais ligados à música e web também já devem conhecer o trabalho de Gustavo. A 1ª faixa do álbum nos brinda com um bonito instrumental com traços da música nativista gaúcha e com ótimos teclados de Samuca Quadros.

02. Memórias Do Tempo
Assim como uma das famosas canções de John Lennon ‘(Just Like) Starting Over’, ‘Memórias Do Tempo’ abre com pequenos sinos, o som acústico é bonito e calmo, logo mais belo com os vocais de Eliane Sommer. O vocal de Gérson pode soar estranho em um primeiro momento, mas no segundo verso já somos arrebatados por sua melódica interpretação. Os acordes dissonantes de cada fim de frase, o peso na medida certa e as ótimas letras de Gérson me fazem sentir como se estivesse em casa, sentado na frente do fogão à lenha, fato que só é conhecido quem já morou/nasceu no sul, ou já viveu em sítio. Acho que essa é a maior sensação ao ouvir essa canção, a de estar em casa.

03. Colheita De Inverno
Dessa vez os vocais são divididos com a bonita voz de Déborah Rosa. Ao fundo uma constante guitarra e uma nota ao piano. Bela canção.

04. Vozes Outonais
Outra vez Déborah divide os vocais com Gérson, uma belíssima letra é embalada por programações de piano e bateria de Gerson Rio Lemes, melhores do que muitos instrumentos reais que ando ouvindo.

05. Rosa Mística
Esse tema é divídido em 5 partes e pra mim é a melhor faixa do álbum. Introdução forte com a bateria de Rodrigo Bernandon e o baixo de Thiago ‘Billy’ Rezende. Os violinos de Iva Giracca também brilham na música. Depois do 1º verso uma dupla de guitarras em uníssono é ouvida, Gérson construiu muito bem as frases aqui. Mais uma vez quem divide os vocais com Gérson é Eliane. No meio da música uma ótima quebra de ritmo e uma grande frase de guitarra acompanhada muito bem pela bateria. A dupla de teclados Samuca Quadros e Sávio Werlang (responsável pela gaita em algumas faixas também) se saiu muito bem. Com certeza o meu destaque do disco, ainda mais com a acelerada na parte final. Clássico!

06. Março
‘Março’ tem cara de peça clássica para violão, mas o vocal de Gérson dá um outro enfoque na música. E mais uma vez parabéns para Gerson Rios Leme que fez com que as programações usadas no disco não tornassem o trabalho frio e sem sabor.

07. Ao Pouco Que Resta
Acabo falar bem das programações e acabo me queimando. Nessa faixa a programação me pareceu equivocada e um tanto sem graça. Justo uma faixa que tem como letra um bonito poema de Heitor Freire Pires.

08. Saudades Da Terra
Uma bravata sobre a saudade de casa, bem conduzida por bateria, baixo, guitarra, teclados e os vocais em dueto entre Gérson e Eliane.

09. Do Exílio Voluntário
Me parece que o único momento fraco nas composições ‘computadorizadas’ do disco foi ‘Ao Pouco Que Resta’, porque nesta faixa o poema de Lara De Lemos foi belissimamente musicado pela dupla de Gersons.

10. Epitáfio
A última música do disco me lembrou bastante a idéia usada pelo Dream Theater em se disco Metropolis Pt.2 – Scenes From A Memory (1999), onde o personagem da história anda até sua casa abre a porta e liga a televisão, nesse caso o som dos falantes termina com um curto tema.

Uma Noite em 67 [2010]


Por Ricardo Oliveira
Publicando em 27 de junho de 2011 no Coletivo Palafita

Uma noite para que está no imaginário dos fãs da música brasileira. Não de um estilo, não de um gênero, mas da música. A noite que marcou toda a história da construção musical de um país. Uma noite inesquecível! Esta noite foi 21 de outubro de 1967, noite na qual ocorreu a grande final do pomposo Festival de Música Popular Brasileira, na sua terceira edição, pela rede Record de televisão.

Essa revolucionária noite é retratada no documentário de Ricardo Calil e Renato Terra, Uma Noite em 67. O documentário mistura imagens do arquivo que a Record possui do festival com entrevistas atuais de quem participou tanto como protagonista, como os próprios organizadores e jurados do Festival. O filme de Calil e Terra exibe imagens que já estão gravadas na mente de muitas pessoas, assim como imagens raras ou pouco exibidas do Festival.

Mostrando todo o nervosismo dos cincos concorrentes que estava no nervoso aguardo do resultado, a curiosa passeata contra a guitarra elétrica liderada pelo pessoal da MPB “tradicional” (Elis Regina, Edu Lobo, Geraldo Vandré e outros) resistindo “a invasão” dos elementos musicais estrangeiros, as engraçadíssimas entrevistas feitas por Cidinha Campos, Reali Jr e Randal Juliano nos intervalos entre uma canção e outra, Uma Noite em 67 possui o mérito de não cair no didatismo da maioria dos documentários. Ele não se preocupa em elaborar teorias, levantar qualquer hipótese sobre o que está sendo retratado. Talvez uma fala que exemplifique muito bem isso seja de Solando Ribeiro, um dos produtores do Festival: “O festival nada mais era do que um programa de televisão. Só depois é que aquilo ganhou importância histórica, política, sociológica, musical, transcendental”.

Outro ponto relevante do documentário é a oportunidade que ele nos oferece em fazer um contraponto entre como era o envolvimento cultural dos brasileiros à época e como o é agora. A platéia do Festival era um espetáculo a parte. Ela participava efusivamente de todo o processo de seleção dos jovens músicos, mostrando sua aprovação e sua (cruel) reprovação, e neste caso o mais clássico dos “reprovados” foi o cantor Sérgio Ricardo, que teve sua apresentação ofuscada pelas ensurdecedoras vaias do público, o que o irritou a tal ponto dele quebrar sua viola e jogar o que sobrou dela na platéia. Essa participação massiva na vida cultural do país parece ter ficado no passado. Hoje o que predomina é a superficialidade, a velocidade das coisas. Nossa geração é a geração dos 140 caracteres, o que passar disso já considerado enfadonho e chato. Na década de 60 em plena ditadura militar, lá estavam no Festival jovens cantando músicas de teor político, contestando através de canções profundas o sistema político vigente. Numa das cenas do documentário (uma das mais tocantes em minha opinião) foi o close do rosto de uma criança cantando Roda Viva de Chico Buarque. Uma Noite em 67 faz o resgate dessa vontade de envolver-se mais, de ir além do superficial.

Um festival-batalha entre Roberto Carlos interpretando Maria, Samba e Carnaval (talvez a menos famosas das concorrentes) Caetano Veloso com sua linda Alegria, Alegria, Chico Buarque de Holanda com o belíssimo Roda Viva, Gilberto Gil com seu magistral Domingo no Parque, Edu Lobo e Marília Medalha com o vencedor Ponteio, e o surgimento de novos talentos como Os Mutantes, e também a galera do Tropicalismo, com suas novas fórmulas musicais, esse foi o conteúdo do III Festival da Música Popular Brasileira.

Assista também pelo youtube:

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A volta do filho (de papai) pródigo ou a parábola do roqueiro burguês

Por Cynara Menezes
Publicado originalmente em 1 de novembro de 2012 no Socialista Morena

Nem todo direitista é derrotista, mas todo derrotista é direitista. Reparem no capricho do léxico: as duas palavras são quase idênticas. Ambas têm dez letras, soam similares e até rimam. Se você tem dúvida se alguém é de direita observe essas características. Começou a falar mal do Brasil e dos brasileiros, a demonstrar desprezo por tudo daqui, a comparar de forma depreciativa com outros países, é batata. Derrotista/direitista detectado.

Temos hoje no Brasil duas personalidades célebres pelo derrotismo explícito e pelo direitismo não assumido: os roqueiros Lobão e Roger Moreira, do Ultraje a Rigor. Eu ia citar também Leo Jaime, outro direitoso do rock nacional, mas não posso classificá-lo como um derrotista típico –fora isso, no entanto, cabe perfeitamente no figurino que descreverei aqui. Os três são cinquentões: Lobão tem 57, Roger, 56 e Leo, 52.

Da geração dos 80, Lobão sempre foi meu favorito. Eu simplesmente amo suas canções. Para mim, Rádio Blá, Vida Bandida, Vida Louca Vida e Decadence Avec Elegance são clássicos. Além de Corações Psicodélicos, em parceria com Bernardo Vilhena e Julio Barroso, ai, ai… Adoro. E não é porque Lobão se transformou em um reacionário que vou deixar de gostar. Sim, Lobão virou um reaça no último. Alguém que voltasse agora de uma viagem longa ao exterior ia ficar de queixo caído: aquele personagem alucinado, torto, jeitão de poeta romântico, que ficou preso um ano por porte de drogas, se identifica hoje com a direita brasileira mais podre.

Não me importa que Lobão critique o PT ou qualquer outro partido. O que me entristece é ele ter se unido ao conservadorismo hidrófobo para perpetrar barbaridades como a frase, dita ano passado, em tom de pilhéria: “Há um excesso de vitimização na cultura brasileira. Essa tendência esquerdista vem da época da ditadura. Hoje, dão indenização a quem seqüestrou embaixadores e crucificam os torturadores, que arrancaram umas unhazinhas”. No twitter (@lobaoeletrico), se diverte esculhambando o país e os brasileiros, sempre nos colocando para baixo. “Antigamente éramos um país pobre e medíocre… terrível. Hoje em dia somos um país rico e medíocre… pior ainda”, escreveu dia desses.

Os anos não foram mais generosos com Roger Moreira, do Ultraje. O cara que cantava músicas divertidíssimas como Nós Vamos Invadir Sua Praia, Marylou ou Inútil virou um coroa amargo que deplora o Brasil e vive reclamando de absolutamente tudo com a desculpa de ser “contra os corruptos”. É um daqueles manés que vivem com a frase “imagine na Copa” na ponta da língua para criticar o transporte público, por exemplo, sem nem saber o que é pegar um ônibus. Os brasileiros, segundo Roger, são um “povo cego, ignorante, impotente e bunda-mole”. Sofre de um complexo de vira-lata que beira o patológico. Ao ver a apresentação bacana dirigida por Daniela Thomas ao final das Olimpíadas de Londres, tuitou, vaticinando o desastre no Rio em 2014: “Começou o vexame”. Não à toa, sua biografia na rede social (@roxmo) é em inglês.

Muita gente se pergunta como é que isso aconteceu. O que faz um roqueiro virar reaça? No caso de ambos, a resposta é simples. Tanto Roger quanto Lobão são parte de um fenômeno muito comum: o sujeito burguês que, na juventude, se transforma em rebelde para contrariar a família. Mais tarde, com os primeiros cabelos brancos, começa a brotar também a vontade irresistível, inconsciente ou não, de voltar às origens. Aos poucos, o ex-revoltadex vai se metamorfoseando naqueles que criticava quando jovem artista. “Você culpa seus pais por tudo, isso é um absurdo. São crianças como você, é o que você vai ser quando você crescer” –Renato Russo, outro roqueiro dos 80′s, já sabia.

O carioca Lobão, nascido João Luiz Woerdenbag Filho, descendente de holandeses e filhinho mimado da mamãe, estudou a vida toda em colégio de playboy, ele mesmo conta em sua biografia. O paulistano Roger estudou no Liceu Pasteur, na Universidade Mackenzie e nos EUA. Nada mais natural que, à medida que a ira juvenil foi arrefecendo –infelizmente junto com o vigor criativo– o lado burguês, muito mais genuíno, fosse se impondo. Até mesmo por uma estratégia de sobrevivência: se não estivessem causando polêmica com seu direitismo, será que ainda falaríamos de Roger e Lobão? Eu nunca mais ouvi nem sequer uma música nova vinda deles. O Ultraje, inclusive, se rendeu aos imbecis politicamente incorretos e virou a “banda do Jô” do programa de Danilo Gentili.

Enfim, incrível seria se Mano Brown ou Emicida, nascidos na periferia de São Paulo, se tornassem, aos 50, uns reaças de marca maior. Pago para ver. Mas Lobão e Roger? Normal. O bom filho de papai à casa torna. A família deles, agora, deve estar orgulhosíssima.

Lobão - Lino, Sexy & Brutal [2012]



Por Julio César Biar

Lobão (@lobaoeletrico) passou boa parte da última década se dedicando à TV, onde exerceu o papel de apresentador de programas na MTV. Mantendo a controvérsia que caracteriza sua carreira artística, lançou em 2010, ‘50 anos a mil’, autobiografia que logo entrou para as listas dos livros mais vendidos. Agora é a vez de chegar às lojas ‘Lobão elétrico – Lino, sexy & brutal’, registro audiovisual de sua mais recente turnê.

Gravados em uma única noite em outubro deste ano, em São Paulo, o DVD e o CD lançados pela gravadora Deck trazem uma vigorosa exibição de rock’n’roll tupiniquim que enfileira sucessos como ‘Me chama’ (Lobão, 1984), ‘Decadence avec élegance’ (Lobão, 1985) e ‘Rádio blá’ (Lobão/ Arnaldo Brandão/ Tavinho Paes, 1987). Acompanhado por Duda Lima (baixo/ vocais), Armando Cardoso (bateria) e André Caccia Bava (guitarra/ vocais), Lobão também faz versões incendiárias de ‘Corações psicodélicos’ (Lobão/ Julio Barroso/ Bernardo Vilhena, 1984) e ‘O rock errou’ (Lobão/ Bernardo Vilhena, 1986).

“Finalmente estou ouvindo as minhas músicas do jeito que eu queria”, diz o velho Lobo em entrevista contida nos extras do DVD masterizado nos estúdios Abbey Road (Londres). A qualidade do projeto assinado por ele salta aos olhos e, principalmente, aos ouvidos também no clássico romântico ‘Por tudo que for’ (Lobão/ Bernardo Vilhena, 1988).

A produção autoral nascida longe das grandes gravadoras e da programação das FMs mantém o elevado nível da apresentação e distancia ‘Lino, sexy & brutal’ do caráter meramente comercial/revisionista. De 1999 aparecem ‘A vida é doce’ e ‘El desdichado II’. Do álbum ‘Canções dentro da noite escura’, de 2005, Lobão recupera ‘Você e a noite escura’, ‘Balada do inimigo’ e ‘Não quero seu perdão’ (Lobão/ Julio Barroso/ Taciana Barros). Lançada simultaneamente com sua autobiografia, ‘Das tripas coração’, “uma homenagem aos amigos Julio Barroso, Cazuza e Ezequiel Neves”, também está no roteiro.

Corroborando uma das inúmeras declarações polêmicas de Lobão – “‘O rock’n’roll é a trilha sonora da humanidade a partir dos anos 1950” – a quantidade de excelentes guitarristas brasileiros impressiona. Único cover do roteiro, ‘Ovelha negra’ (Rita Lee) traz a participação especialíssima de um deles: Luiz Carlini, guitarrista do extinto grupo ‘Tutti Frutti’, que recria o memorável solo da gravação original registrado no álbum ‘Fruto Proibido’ (1975). A luxuosa guitarra de Carlini permanece em cena em outros números, contribuindo para a alta voltagem de ‘Lobão elétrico – Lino, sexy & brutal’.